quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Brasil e Cuba assinam acordo de transferência de tecnologia

Meta é evitar risco epidêmico no sub-Saara africano, devido à baixa oferta mundial da vacina contra meningite AC

No último dia 16, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Instituto Finlay, de Cuba, assinaram um contrato de desenvolvimento conjunto e transferência de informações técnicas para a produção da vacina meningocócica AC. O evento, realizado às 11h na residência oficial da Fiocruz, no Rio de Janeiro, contou com a participação de autoridades de ambos os países e representantes das instituições parceiras. A cooperação visa a produção emergencial da vacinacontra meningite meningocócica AC para os países do chamado Cinturão da Meningite, na região do sub-Saara africano, devido ao cancelamento da produção desta vacina pelos laboratórios multinacionais.

Com o objetivo de não descontinuar o fornecimento, a OMS solicitou a colaboração do Bio-Manguinhos/Fiocruz e do Instituto Finlay. "É um acordo que visa um bem maior, que está sob a égide da solidariedade internacional", disse o presidente interino da Fiocruz, Paulo Gadelha, durante a cerimônia. Serão produzidas mais de 20 milhões de doses da vacina meningocócica AC para o período 2007/2008. A vacina será distribuída, segundo orientações da OMS, a países como Burkina Faso, Chad, Costa do Marfim, Mali, Niger, Nigéria e Sudão, em que a doença atinge índices elevados. Há possibilidade de uma demanda extra para fornecimento direto a estes países até o fim deste ano. Representando o ministro da Saúde, Moisés Goldbaum, secretário nacional de Ciência & Tecnologia e Insumos Estratégicos, destacou a importância da parceria: "o governo brasileiro tem empreendido esforços para desenvolver a competência científica e tecnológica nacional. Não se trata apenas de um intercâmbio latino-americano, mas de um evento marcante em que interesses políticos se sobrepõem aos econômicos".

Ameaça

Foi apresentado um panorama da doença no sub-Saara, na África, revelando nova tendência de crescimento. Segundo a apresentação, uma onda de meningite teria um grande impacto político nesta região, pois haveria muitas mortes num curto período e falta de antibióticos para combater uma epidemia. No melhor dos cenários traçados pela OMS, estima-se que 80 mil pessoas sejam afetadas no período 2007-2008, com cerca de 10% de casos fatais. A piores previsões indicam o dobro do número de casos da doença.

Parceria

Bio-Manguinhos e o Instituto Finlay dominam a tecnologia de produção de vacinas polissacarídicas contra os meningococos A e C. O acordo entre Brasil e Cuba viabilizará a produção em larga escala (a partir de março de 2007), possibilitando a distribuição de vacinas num curto espaço de tempo (até o fim deste ano) para combater o risco de uma epidemia de meningite AC.

Fonte: Mct

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