Comissária de Relações Exteriores da União Européia encerrou visita a Pequim. Ela afirmou que sem a China é impossível abordar o problema do aquecimento global.
A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, concluiu nesta quinta-feira (18) uma visita à China na qual o gigante asiático e a União Européia (UE) abriram o caminho de uma cooperação mais profunda, incluindo o compromisso de Pequim para combater a mudança climática. "Ambos somos grandes consumidores de energia e temos muito a ganhar em eficácia energética. Por isso, a mudança climática será um dos setores mais importantes que devemos abordar juntos", disse hoje a comissária -- cargo similar ao de "ministra da UE" -- antes de deixar Pequim. "É crucial que desenvolvamos essa cooperação, pois sem a China é impossível abordar o problema global", afirmou Ferrero-Waldner, lembrando ainda que o país asiático deve superar os Estados Unidos nos próximos anos e se tornar o maior emissor de gases do efeito estufa do mundo. "Queremos ver os países em desenvolvimento reduzirem o mais rápido possível (as emissões), porque é possível fazê-lo sem afetar o desenvolvimento", disse a comissária.
As "complexas e detalhadas" negociações para a nova Associação Estratégica de Cooperação entre Chine a UE, em substituição ao acordo de 1985, "devem estabelecer, talvez em cerca de dois anos, bases muito boas para um acordo muito amplo e ambicioso", disse Ferrero-Waldner.
"Somos duas potências emergentes, pois se a China muda a cada dia diante dos nossos olhos, a UE também o faz em tamanho e capacidade tanto para dentro como para fora. Se agirmos juntas, teremos maior impacto, pois somamos um terço da humanidade", acrescentou. Quando forem encerradas as negociações, os tradicionais parceiros comerciais se tornarão parceiros estratégicos, categoria que Pequim já concede em suas relações com alguns países. Segundo disse na quarta-feira o ministro dos Assuntos Exteriores da China, Li Zhaoxing, a nova cooperação China-UE "deve promover o conhecimento mútuo e obter resultados positivos para ambos".
Assuntos espinhosos, como o embargo europeu que pesa sobre a venda de armas à China desde o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, e o reconhecimento, pela UE, do estatuto de economia de mercado, que Pequim deseja, serão tratados separadamente. A comissária confia em que eles não se tornem obstáculos para a assinatura da nova parceria, mas Li disse à imprensa que "o embargo de armas deve ser suspenso, porque dois parceiros se tratam de pé de igualdade, ou é discriminação política". Além disso, "considerar a China economia de mercado é realista, pois somos membros da Organização Mundial do Comércio e honramos seus compromissos", afirmou o ministro. A comissária, porém, destacou que "se trata de um assunto muito técnico que o Comissariado europeu do Comércio está analisando". "Em relação ao embargo de armas, trabalhamos para a suspensão, mas ajudará se virmos progresso em três pontos: a assinatura (pela China) do Convênio de Direitos Civis e Políticos, a libertação de presos pelos fatos de Praça da Paz Celestial e a mudança do sistema de reeducação de trabalho", afirmou Ferrero-Waldner.
Na cúpula UE-China de Helsinque, em setembro de 2006, os líderes prometeram negociar um novo acordo para suas cada vez mais amplas relações que inclua assuntos não exclusivamente comerciais e econômicos, como o atual. Segundo Li, a ampliada colaboração China-UE também ajudará a promover a paz mundial e o desenvolvimento de ambas. "Continuaremos aumentando o diálogo político para fortalecer a confiança mútua, expandir e aprofundar ativamente a cooperação em comércio, ciência e tecnologia, agricultura e educação, entre outros, e conduzir adequadamente as divergências que surjam" acrescentou.
O ministro chinês aproveitou a ocasião para reiterar à comissária o apreço de seu país pela adesão da UE à política de uma só China, pela qual a ilha de Taiwan é considerada parte do território chinês.
Fonte: Terra
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