segunda-feira, 7 de maio de 2007

Sintomas de Alzheimer revertidos em camundongos


Camundongos expostos a um ambiente rico em estímulos sensoriais, com rodas, túneis e outros brinquedos, tiveram melhor desempenho em testes de aprendizagem e memória em relação a roedores mantidos em gaiolas comuns (foto: Li-Huei Tsai)

Estudo traz perspectiva de novos tratamentos contra doenças neurodegenerativas

Memórias comprometidas por doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer podem não estar perdidas para sempre. Elas estariam simplesmente inacessíveis e poderiam ser recuperadas, segundo indica um estudo norte-americano feito com camundongos. Os animais, geneticamente modificados para desenvolver sintomas similares aos do mal de Alzheimer, conseguiram recuperar memórias de longo termo e a capacidade de aprender.

O estudo abre a perspectiva para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças neurodegenerativas em estado avançado. “Nosso modelo com camundongos mostra que é possível melhorar a aprendizagem e a memória mesmo nos casos em que houve a perda significativa de neurônios”, afirmou em comunicado à imprensa a neurocientista Li-Huei Tsai, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e do Instituto Médico Howard Hughes e autora principal do estudo. Os resultados do estudo, publicados ontem na página da revista britânica Nature , indicam que o termo “perda de memória” talvez não seja o mais adequado para explicar o déficit cognitivo provocado por doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer. “As memórias continuam ali, mas são tornadas inacessíveis pela degeneração mental”, explica Tsai.

O estudo foi feito com camundongos geneticamente modificados de forma que o gene p25 pudesse ser ativado em determinado momento. Esse gene produz a proteína de mesmo nome, cuja ativação está associada a várias doenças neurodegenerativas. Os roedores que tiveram a ativação desse gene induzida desenvolveram sintomas muito parecidos com os do mal de Alzheimer, como perda de neurônios e atrofia cerebral, tendo como conseqüência uma piora significativa da memória e capacidade de aprendizagem

Ambiente rico em estímulos

Em seguida, testes de aprendizagem e memória foram feitos com dois grupos de camundongos – um mantido em gaiolas comuns e outro em um ambiente rico em estímulos sensoriais, sabidamente capaz de estimular a aprendizagem nesses animais. Entre os estímulos desse ambiente, havia rodas, túneis e brinquedos de cores, formas e texturas variadas. Os camundongos expostos a esse ambiente tiveram ganhos significativos na aprendizagem e memória, com resultados melhores que os dos animais mantidos em gaiolas comuns. Mais impressionante que isso, esses roedores mostraram-se capazes de recuperar memórias de longo-termo supostamente perdidas após o déficit cognitivo induzido pela ativação do gene p25. Eles foram capazes de se “lembrar” da associação que haviam feito, antes da perda dos neurônios, entre uma determinada câmara e choques elétricos, num experimento feito para condicionar o medo dos roedores.

A análise do cérebro dos camundongos submetidos ao ambiente rico em estímulos apontou indícios do surgimento de novas conexões entre os neurônios, embora não indicasse a formação de novas células desse tipo. Os autores ainda não têm uma explicação bioquímica definitiva para o fenômeno, mas atribuem a melhora cognitiva desses animais a uma reorganização da cromatina (o complexo de DNA e proteínas dentro do núcleo celular) verificada nas células desses animais. Para confirmar essa hipótese, o grupo testou um tipo de drogas capaz de promover a mesma reorganização da cromatina (por meio de um processo conhecido como acetilação de histonas), e verificou que elas eram capazes de provocar um efeito parecido sobre a memória e a aprendizagem dos roedores. "Acreditamos que novos estudos sobre o remodelamento da cromatina poderiam levar a um tratamento para o mal de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas", disse Tsai. No entanto, as drogas usadas no estudo ainda estão em desenvolvimento, e não podem ser administradas em humanos.

Fonte: Ciência Hoje

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Americanos criam vacina contra vaca louca

Imunização teve sucesso em testes com cobaias. Não há tratamento ou cura para a doença.

Cientistas americanos desenvolveram uma vacina oral que evitou que as cobaias se contaminassem com doenças mortais do cérebro com o mal da vaca louca, segundo um artigo publicado nesta quinta-feira (3). A vacina previne a infecção por príons, proteínas mortais que podem causar dano cerebral alterando proteínas celulares normais. Por se parecerem tanto com príons celulares normais, o sistema imunológico não os combate e os animais ou pessoas infectadas desenvolveram demência e movimentos anormais nos membros, devido a um dano cerebral irreparável. Atualmente não há tratamento ou cura para este mal.

Os cientistas encontraram uma forma de fazer com que o sistema imunológico reconheça e combata os príons infecciosos "atrelando-os" a uma cepa geneticamente modificada da bactéria salmonela. Eles descobriram que os ratos de laboratório com altos níveis de anticorpos no sangue não apresentavam sintomas da doença depois de 400 dias, enquanto os outros com baixo nível de anticorpos mostraram uma demora significativa do aparecimento da doença. Normalmente os ratos levam 120 dias para desenvolver este mal. "São descobertas promissoras", disse o autor do estudo, Thomas Wisniewski, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York. "Agora, estamos no processo de redesenhar a vacina para que possa ser usada em cervos e no gado", acrescentou. No entanto, ressaltou Wisnieswski, ainda falta muito para que a vacina possa ser utilizada em humanos. Mas uma vacinação animal vasta poderia proteger as pessoas porque os animais infectados normalmente não apresentam sintomas durante meses ou anos, dificultando sua retirada da cadeia alimentar.

O artigo foi apresentado em Boston (Massachusetts), na 59ª reunião anual da Academia de Neurologia americana.

Fonte: AFP

Lula pode quebrar patente de droga anti-Aids

Brasil teria de pagar US$ 42,9 milhões para fornecer remédio a 75 mil pacientes. Presidente pode mudar de idéia se fabricante apresentar proposta de redução de preço.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina hoje (4) o ato de licenciamento compulsório (quebra de patente) do medicamento anti-Aids Efavirenz, informou o Palácio do Planalto. A agenda do presidente, divulgada pelo Planalto, prevê a assinatura do ato para meio-dia, mas, segundo fonte qualificada, a medida pode ser suspensa se até lá o laboratório Merck, detentor da patente da droga, apresentar nova proposta de redução de preço. "A cerimônia está marcada, o presidente está disposto a assinar o ato, conforme recomenda o Ministério da Saúde, mas podemos analisar qualquer proposta que seja razoável", disse a fonte.

Pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), depois de decretar o licenciamento compulsório o Brasil poderá importar, da Índia, uma droga substituta do Efavirenz, por um preço equivalente a um quarto do que paga hoje ao detentor da patente, o laboratório norte-americano Merck. Será a primeira vez que o Brasil recorrerá à medida, prevista no Acordo de Propriedade Industrial (Trips) da OMC. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse a congressistas que vai propor o licenciamento de outros medicamentos importados. O Brasil teria de pagar 42,9 milhões de dólares à Merck pelo fornecimento da droga a cerca de 75 mil pacientes de Aids durante um ano. Duas propostas da Merck, reduzindo o preço da droga em até 30%, foram recusadas pelo Ministério. "Consideramos insuficiente a proposta e informamos oficialmente o fabricante", disse nesta quinta-feira o ministro Temporão. "A decisão (sobre o licenciamento) está agora sob análise do presidente da República", acrescentou.

Merck se declarou desapontada com a rejeição do governo brasileiro a uma proposta que considerou "justa", disse a porta-voz da empresa nos Estados Unidos, Amy Rose. "A empresa tem repetidamente solicitado um encontro cara-a-cara (com o ministro da Saúde) no qual poderíamos avançar num acordo aceitável com o governo brasileiro que ajudasse a atingir seu objetivo de acesso universal ao tratamento do HIV/Aids", disse a porta-voz.

Apoio político

Segundo o Ministério da Saúde, o substituto do Efavirenz pode ser comprado na Índia por 0,44 dólar a unidade, contra 1,65 dólar cobrados pelo laboratório Merck antes do início das negociações. Parlamentares ligados ao governo disseram que vão apoiar o Ministério da Saúde na política de licenciamentos compulsórios pelas razões "de sustentabilidade econômica", apresentadas pelo ministro Temporão. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado convidou o ministro para uma audiência pública na próxima quarta-feira. "Vamos nos mobilizar para dar todo o suporte necessário ao ministro, caso o presidente Lula siga no sentido de decretar o licenciamento compulsório", disse o senador Aluizio Mercadante (PT-SP). "A Câmara dará respaldo (ao licenciamento) e está disposta a enfrentar esta briga de cachorro grande", acrescentou o líder do governista PTB, deputado Jovair Arantes (GO). Setores da oposição também podem apoiar a decisão, como sinalizou o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). "Isso é uma forma de pressão no âmbito dos negócios e, dependendo das condições, a iniciativa é legítima", disse o oposicionista Guerra.

Fonte: Reuters

Servidores do Ibama no Amazonas entram em greve

Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fizeram hoje (4) assembléia, às 9h, na sede do Ibama, para avaliar as definições dos nomes dos presidentes interinos do próprio Ibama e do recém-criado Instituto Chico Mendes.
A criação da autarquia provocou protestos de funcionários. Em todo o país, são 6,5 mil servidores que ameaçam entrar em greve a qualquer momento. No Amazonas, a greve começa hoje. Os servidores paralisam as atividades por tempo indeterminado, inclusive de postos do interior do estado.

Fonte: Agência Brasil


Brasil pede ajuda a países para salvar a Amazônia

O Brasil exigiu hoje dos países desenvolvidos a criação de um fundo internacional para manter a floresta amazônica, durante a 116ª assembléia da União Interparlamentar (UIP), realizada esta semana na ilha indonésia de Bali.

"O Brasil tem a Amazônia, que é considerada o pulmão do mundo. Nós desejamos dar a nossa contribuição ao equilíbrio da natureza, mas não podemos fazer isso sozinhos. Os outros países também devem contribuir", declarou o deputado Átila Lins (PMDB-AM). Em seu discurso na Assembléia, Lins alertou que "é necessária a criação de um fundo internacional para ajudar os países que se esforçam em manter intactas suas florestas".

Segundo o deputado, vice-presidente da delegação brasileira na UIP, com a criação do fundo os povos que respeitem o meio ambiente poderiam dispor de uma ajuda financeira para investir em setores econômicos sustentáveis, como a pesca e o turismo ecológico. "Temos uma posição muito dura em relação ao aquecimento global", explicou Lins. "Não são só os países emergentes que devem tratar deste temas. É preciso também um compromisso real dos países desenvolvidos. Eles têm que tomar medidas, porque o aquecimento global é uma questão que afeta enormemente toda a Humanidade", acrescentou. "Nós tentamos fazer a nossa parte, mas também exigimos que eles cumpram a sua", disse. A posição do Brasil na reunião é de enfatizar a importância do aquecimento global e apresentar um discurso que destaque o esforço do governo e do Congresso para minimizar seus efeitos.

Durante a assembléia, que reúne cerca de 700 parlamentares de todo o mundo, o Brasil expôs o esforço do governo na área de meio ambiente. Segundo Lins, o balanço é positivo. "Freamos enormemente o desmatamento da Amazônia, um fator que contribui de forma direta no aquecimento mundial", destacou. "O Brasil procura reduzir de forma drástica o desmatamento e além disso busca alternativas, com os biocombustíveis, para diminuir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera", explicou. Segundo Lins, as políticas ambientais conseguiram manter intactos 98% da cobertura florestal do seu estado. A delegação brasileira também aproveitou a Assembléia para, através do Grulac (Grupo da América Latina e Caribe), reforçar sua posição estratégica na UIP, que considera "um fórum privilegiado para o debate internacional".

Fonte:EFE

Pesquisa avalia efeitos regionais do aquecimento global

Nadir Rodrigues Pereira

Um estudo sobre possíveis impactos de mudanças climáticas na agricultura brasileira desenvolvido em 2001 pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas-SP), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura - Cepagri, da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, apontou que poderão ocorrer efeitos drásticos sobre a produção agrícola brasileira até 2020.

Com isso, a partir de agora as pesquisas sobre alterações climáticas realizadas serão focadas em regiões específicas do País com o objetivo de verificar a validade das projeções. De acordo com as últimas conclusões, a temperatura média global poderá ter aumento de 1º C até 2020, mudança que antes era esperada para 2050. Se a elevação ocorrer, a produção de café no Brasil poderá ter queda de aproximadamente 15%, sendo a mesma proporção no Estado de São Paulo, 24% em Goiás, 19% em Minas Gerais e 16% no Paraná. Já a soja poderia ter sua produção diminuída em cerca de 14%, o arroz, 4%, o feijão, 3% e o milho, 2%. O chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad, lembra que, se não forem tomadas medidas que atenuem os efeitos do aquecimento global, o País poderá deixar de exportar cerca de US$370 milhões em café até 2020. Segundo o pesquisador, a partir de agora as pesquisas serão fiocadas em regiões específicas do Brasil, sobretudo o Nordeste e o Sul, e avaliará o efeito de elevações climáticas para a produção de cana-de-açúcar, já que a substituição de combustível fóssil por etanol - produzido a partir da cana - contribui para a diminuição de emissão de gás carbônico na atmosfera.

O objetivo dos próximos trabalhos é comprovar as projeções feitas. “Temos todas as indicações teóricas de que estas previsões vão se confirmar, mas estes números são apenas cenários. Precisamos realizar trabalho de campo para comprovar as conclusões”, ressalta Assad. Há soluções para minimizar os impactos do aquecimento da Terra previsto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC em relatório divulgado em fevereiro, segundo o pesquisador da Embrapa. Assadacredita que o Brasil possui competência e profissionais capacitados para descobrir como amenizar os efeitos das alterações no clima, o que demanda muito investimento em pesquisa. “Não podemos apenas discutir o assunto, temos que agir, estudar e organizar grupos de trabalho para atuar no campo. Só assim poderemos encontrar soluções.” A Embrapa mantém uma plataforma com mais de 50 linhas de pesquisas em mudanças climáticas, articulada pelo Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) da empresa. O trabalho avalia clima, solo, gases e agroenergia, o que resulta em estudos sobre sistema de produção, melhoramento genético, tendências climáticas, entre outros.

Neste cenário, o papel da Embrapa Informática Agropecuária é organizar todas as informações obtidas pelos estudos. Segundo Assad, a Unidade possui um bombanco de dados de clima e solo e pretende organizar informações sobreagroenergia e gases. “Nossa expectativa é que consigamos reunir a maioriadas informações necessárias para que outras Unidades da Embrapa e do (Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária - SNPA possam trabalhar.”
A atuação da Embrapa em pesquisas referentes a mudanças climáticas será ampliada, pois a instituição coordenará estudos relativos à agricultura para uma rede nacional de pesquisa em mudanças climáticas, criada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A rede envolve, ainda, trabalhos com a área de saúde, indústria e meio ambiente. “Estamos com as melhores expectativas, pois vamos trabalhar conjuntamente. Se o País estiver organizado, poderemos transformar recursos em projetos”, conclui Assad.

Fonte: Embrapa

Estudo aponta alternativa agrícola para o controle na emissão de gases poluentes

Fernando Sinimbu

A alternativa para o controle da emissão de gases poluentes pela agricultura, como o dióxido de carbono, que vem contribuindo para o aquecimento global, é o sistema integrado lavoura-pecuária. Esta é a conclusão de um estudo do pesquisador Luiz Fernando Leite, da Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, feito durante um ano, em curso de pós-doutorado, no Agricultural Research Service, nos Estados Unidos.

No estudo de seqüestro de carbono - cujo conceito nasceu e consagrou-se pelo Protocolo de Kioto, no Japão, em 1997, e que consiste na remoção de dióxido de carbono da atmosfera pelas plantas e o armazenamento dele como matéria orgânica do solo - o pesquisador da Embrapa usou modelos de simulação em computador.Foram avaliados vários sistemas de produção agrícola usados nos cerrados do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Do Nordeste, foram avaliados os sistemas praticados nos municípios de Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí, e São Raimundo das Mangabeiras, no Maranhão.O sistema integrado lavoura-pecuária consiste na diversificação da produção, buscando o aumento e a eficiência na utilização dos recursos naturais e a preservação do meio-ambiente. O resultado é o incremento da produtividade e a conseqüente melhoria da renda do agricultor, além da estabilidade dele no campo.E tem mais: o consórcio de culturas ou cultivos múltiplos nesse sistema, permite, durante o ano e numa mesma área, a produção de grãos no período das chuvas, que no Piauí e Maranhão é de novembro a abril, e de forrageira para o gado bovino na entressafra – de maio a outubro -, além de palhada em quantidade e qualidade para a viabilidade do plantio direto.

No trabalho de Luiz Fernando Leite, ficou comprovado que os sistemas de plantio direto, não associado à integração lavoura-pecuária, embora considerado conservador, e o convencional, em que é forte o uso de máquinas com arados e grades, utilizados em todo o País, têm aumentado a emissão de gases poluentes na atmosfera. “Os modelos utilizados estimaram que essa emissão continuará pelo menos nos próximos 40 anos, caso não haja mudanças nos sistemas”, revela o pesquisador.O quinto poluidor - Mas o grande nó da questão, segundo ele, pode ser desatado a partir do aporte de pelo menos 8 toneladas anuais de biomassa no solo, por hectare. O Brasil ocupa hoje a quinta posição no time dos países com maiores taxas de emissão de gases poluentes. Os estados do Amazonas, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, são os maiores poluidores através da agricultura convencional e do uso das queimadas como método de preparo da terra. Todos os países juntos, hoje, segundo a Organização das Nações Unidas para a Mudança do Clima, polui a atmosfera com as indústrias e queima de combustíveis fósseis em 66 por cento, agricultura e pecuária – 20 por cento e queima de florestas em 14 por cento.

Estados Unidos e Austrália são os maiores poluidores. Os americanos, pressionados pelos ambientalistas de todo o planeta, estão prometendo reduzir a emissão de gases com até 20 por cento de etanol na mistura da gasolina.No Protocolo de Kioto, do qual o Brasil é signatário, e que foi ratificado por 141 países, em janeiro de 2005, ficou estabelecido o compromisso da redução da emissão de gases poluentes em até 5,2 por cento até 2012. A meta é considerada acanhada pela maioria dos cientistas em todo o mundo. Eles acreditam que seriam necessárias reduções de pelo menos 60 por cento para que os efeitos sobre o clima fossem realmente expressivos.

Fonte: Embrapa

Câmara aprova uso de critérios ambientais em compras públicas

Adriano Ceolin

Foi dado o primeiro passo para as Compras Públicas Sustentáveis, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para fazer com que a Administração Pública adote critérios ambientais na compra de produtos e materiais.

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira à noite (2), o projeto de lei 7709/2007 que altera dispositivos da Lei 8666/1993, que estabelece normas para licitações e contratos da Administração Pública. Agora, a proposição será apreciada pelo Senado. A proposição faz parte do Programa de Aceleração de Crescimento e tem como principal objetivo simplificar alguns itens da lei de licitações, como a divulgação de editais. Entre as alterações feitas na lei, está inclusão do item VI no artigo 15 do projeto. Sugerido pelo MMA, esse item estabelece que as compras públicas, sempre que possível, deverão adotar especificação do bem a ser adquirido que considere critérios ambientais. O assunto foi discutido na Câmara com o apoio do Ministério do Planejamento e da Casa Civil.

Na Câmara, o projeto foi relatado pelo deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG). Em seu voto, o congressista ressaltou: "Dentre as emendas que têm por foco a questão ambiental, proponho que seja acatada a de número 118, que pretende vincular compras a critérios de sustentabilidade". Assessor da Secretaria de Biodiversidade e Florestas que atuou para que a proposta fosse aprovada, Sérgio Travassos lembrou que hoje o governo gasta R$ 200 bilhões por ano com compras. "Com o uso de critérios ambientais, poderemos ditar novas formas de consumo de produção", disse. Segundo ele, após a aprovação da lei e a sua sanção presidencial, o próximo passo será elaborar junto com o Ministério do Planejamento listas de produtos ambientais. "Haverá cinco listas: itens gerais; positivos; negativos; em substituição; e com práticas sustentáveis", explicou.

Fonte: MMA

Próximos anos serão cruciais para atenuar o aquecimento global

Os próximos 20 a 30 anos serão cruciais nos esforços para diminuir o aquecimento do planeta, anunciou nesta sexta-feira o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que estava reunido desde segunda-feira, em una sínteses de seus trabalhos. O relatório recomenda uma série de medidas para manter o aumento de temperatura abaixo de 2ºC ao ano, a um custo de até 3% do PIB mundial. "Os esforços de atenuação nos próximos 20 a 30 anos terão um grande impacto nas possibilidades de alcançar níveis menores de estabilização das emissões de gases do efeito estufa", afirma o IPCC no "resumo destinado aos que decidem", que foi aprovado em Bangcoc.

Impacto econômico

O relatório recomenda a redução do uso de combustíveis fósseis, a promoção de energias renováveis e uma maior eficiência na agricultura para manter o aumento de temperatura abaixo de 2ºC. No entanto, para atingir a meta proposta, o documento aponta para uma redução de 3% do PIB mundial até 2030. O relatório ressalta que as medidas se tornarão menos eficazes com o aumento do poder aquisitivo dos consumidores. Por isso, insistiram em mais investimentos no transporte público e nas formas de transporte não motorizado. "Há um potencial econômico substancial para a atenuação das emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas, o que poderia compensar o crescimento projetado das emissões mundiais ou reduzir as emissões para abaixo dos níveis atuais", afirma o texto.

Redução das emissões

O nível atual é de 430 partículas de CO2 por milhão, de acordo com os especialistas. O IPCC diz em seu relatório que a estabilização dos gases causadores do efeito estufa pode ser obtida com as tecnologias existentes e a redução da queima de combustíveis fósseis. As emissões mundiais destes gases devem alcançar até 2015 um "teto" e diminuir depois, caso se deseje manter o aumento da temperatura média mundial entre + 2°C e + 2,4°C, na melhor das hipóteses. "Um aumento na temperatura acima de 2ºC ou 3ºC leva a potenciais extinções em massa, problemas sérios nos litorais, desaparecimento de geleiras, derretimento de camadas de gelo", disse o professor Stephen Schneider, da universidade americana de Stanford. O relatório também dedica sua atenção aos recursos florestais, pedindo ajuda financeira para aumentar a área florestal e reduzir o desmatamento.No caso dos resíduos, o relatório insiste na melhora de sua gestão e na atualização dos regulamentos.

Setor energético

No setor de energia, o relatório recomenda aos Governos uma redução dos subsídios aos combustíveis derivados de fósseis, assim como uma série de obrigações para maior utilização de energias de fontes renováveis.Os autores do relatório sugeriram também mais impostos sobre a compra e registro de veículos, o uso de combustíveis adequados e a potencialização de estradas e estacionamentos.

Negociações

O relatório foi elaborado por cientistas e representantes de cerca de 150 países. Durante os quatro dias de negociações na capital tailandesa, incluindo a madrugada de quinta-feira para sexta-feira, a questão dos custos das medidas que devem ser adotadas para combater o efeito estufa provocou divergências entre os países representados. As conversas a portas fechadas na sede da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (Cesap) terminaram esta madrugada com um consenso, disseram os delegados europeus. As delegações da China, país que é o segundo maior poluidor do mundo, atrás dos Estados Unidos, e a da Índia foram as que mais se resistiram à recomendação de reduzir a concentração de partículas de CO2.

Fonte: IG

Câmara aprova uso de critérios ambientais em compras públicas

Adriano Ceolin
Foi dado o primeiro passo para as Compras Públicas Sustentáveis, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para fazer com que a Administração Pública adote critérios ambientais na compra de produtos e materiais.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira à noite (2), o projeto de lei 7709/2007 que altera dispositivos da Lei 8666/1993, que estabelece normas para licitações e contratos da Administração Pública. Agora, a proposição será apreciada pelo Senado.
A proposição faz parte do Programa de Aceleração de Crescimento e tem como principal objetivo simplificar alguns itens da lei de licitações, como a divulgação de editais. Entre as alterações feitas na lei, está inclusão do item VI no artigo 15 do projeto.
Sugerido pelo MMA, esse item estabelece que as compras públicas, sempre que possível, deverão adotar especificação do bem a ser adquirido que considere critérios ambientais. O assunto foi discutido na Câmara com o apoio do Ministério do Planejamento e da Casa Civil.
Na Câmara, o projeto foi relatado pelo deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG). Em seu voto, o congressista ressaltou: "Dentre as emendas que têm por foco a questão ambiental, proponho que seja acatada a de número 118, que pretende vincular compras a critérios de sustentabilidade".
Assessor da Secretaria de Biodiversidade e Florestas que atuou para que a proposta fosse aprovada, Sérgio Travassos lembrou que hoje o governo gasta R$ 200 bilhões por ano com compras. "Com o uso de critérios ambientais, poderemos ditar novas formas de consumo de produção", disse.
Segundo ele, após a aprovação da lei e a sua sanção presidencial, o próximo passo será elaborar junto com o Ministério do Planejamento listas de produtos ambientais. "Haverá cinco listas: itens gerais; positivos; negativos; em substituição; e com práticas sustentáveis", explicou.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Mudanças Climáticas: Impactos no Ambiente, Agricultura e Biodiversidade

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, promoverá, no dia 10 de maio, em Piracicaba, no interior do estado, o workshop Mudanças Climáticas: Impactos no Ambiente, Agricultura e Biodiversidade.

O objetivo do evento é ampliar a discussão no meio acadêmico sobre as mudanças climáticas globais que terão forte influência sobre a área de ensino e pesquisa no país.
“Biodiversidade e mudanças globais”, “Efeitos das mudanças climáticas na agricultura brasileira”, “Aquecimento global e seus efeitos no ambiente” e “Agricultura como mitigadora do aquecimento global” serão alguns dos temas em discussão. Mais informações: calq@esalq.usp.br ou telefone (19) 3429-4281.

Fonte: Agência Fapesp

Em busca de água

A tolerância à seca, resultado da disponibilidade de água, afeta diretamente a distribuição de plantas em florestas tropicais. A conclusão está em estudo publicado nesta quinta-feira (3/5), na revista Nature, por um grupo de cientistas que trabalha no Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais, no Panamá.

O estudo é importante por destacar que alterações na umidade do solo promovidas por mudanças no clima e pela fragmentação florestal podem alterar a distribuição, a diversidade e a composição de espécies tropicais. Segundo os autores, o mecanismo poderá contribuir significativamente para a formulação de novos modelos de uso do solo e para compreender melhor as mudanças promovidas pelo clima. A idéia que se tem de florestas tropicais é de paisagens exuberantes, sempre verdes e saturadas de água. Mas, embora as temperaturas se mantenham relativamente constantes nessas regiões, a quantidade de chuvas e a disponibilidade de água variam enormemente mesmo em regiões relativamente próximas umas das outras.
A nova pesquisa avaliou a distribuição local e regional de 48 espécies de árvores e arbustos no istmo do Panamá, o estreito pedaço de terra entre o mar do Caribe e o oceano Pacífico que liga as Américas.

Por meio de experimentos e da observação da distribuição de espécies, a tolerância à seca foi o fator que serviu para prever a distribuição de plantas local ou regionalmente. “O istmo do Panamá é o local ideal para testar a idéia de que a distribuição de espécies de plantas é influenciada pela capacidade dessas em tolerar a falta de água”, disse a coordenadora do estudo, Bettina Engelbrecht, que também é da Universidade de Kaiserlauten, na Alemanha. Depois de realizarem experimentos para medir a tolerância à seca das espécies selecionadas, os pesquisadores analisaram a distribuição de plantas em 122 blocos de floresta. Os blocos variaram de áreas mais úmidas, próximas ao Caribe, a locais mais secos, ao lado do Pacífico. As plantas encontradas em áreas menos úmidas se mostraram mais tolerantes à seca.

Os cientistas também analisaram as distribuições de brotos e de árvores mais velhas em uma área de 50 hectares na ilha de Barro Colorado, em que o índice pluviométrico se encontra aproximadamente na média dos valores encontrados nos dois lados do istmo. Verificaram que a tolerância à seca se mostrou um fator de distribuição com maior ênfase para as árvores adultas do que para os brotos, o que implicaria um ajuste de acordo com limitadores climáticos. O grupo responsável pelo estudo analisou ainda diversos fatores que poderiam explicar ou contribuir para a distribuição de plantas, como a tolerância à sombra e a disponibilidade de nutrientes.
De acordo com a pesquisa, identificar a tolerância à seca como causa de padrões de distribuição aumenta a compreensão da diversidade de plantas tropicais e sugere que alterações em padrões de chuva – possível conseqüência para os trópicos das mudanças climáticas no planeta – possam implicar mudanças radicais em comunidades de plantas nessas regiões. “Nos trópicos, mudanças climáticas não resultam apenas em alterações no clima. Modificações dramáticas em padrões de chuva, por exemplo, também são esperadas, e nosso estudo mostra que isso pode ter grandes conseqüências para as florestas tropicais”, disse Benjamim Turner, do Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais, outro autor do estudo.

O artigo Droughr sensitivity shapes species distribution patterns in tropical forest, de Bettina Engelbrecht e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência Fapesp

Educação Ambiental - Moradores de Ewbanck da Câmara visitam Usina de Reciclagem do Demlurb

Com o objetivo de implantar um programa de coleta seletiva em Ewbanck da Câmara, 40 moradores da cidade vizinha visitaram, nesta quinta-feira, dia 3, a Usina de Reciclagem de Lixo, em Nova Benfica. Os estagiários do setor de educação ambiental farão palestras e mostrarão o funcionamento da usina para os visitantes, que vão conhecer o trabalho de coleta seletiva em Juiz de Fora.

Para complementar o aprendizado, eles percorrerão as instalações e conhecerão, na prática, como é feita a separação do lixo.O coordenador do setor de educação ambiental do Demlurb, Alvair da Silveira, vai informar aos visitantes a respeito da implantação e de um programa de coleta seletiva, pois é preciso ter bastante dedicação e empenho para a manutenção da coleta. Silveira irá ressaltar que, para o sucesso do programa, é indispensável a participação, o empenho e o envolvimento de toda a população. “A única coisa indispensável é a vontade de fazer; e se não existir um grupo de trabalho para o desenvolvimento da idéia, ela morre. Se também não houver grande cuidado em conscientizar os moradores sobre a importância da separação do lixo o programa já nasce condenado ao fracasso”, afirma. O Demlurb desenvolve constantemente ações com o objetivo de esclarecer sobre o funcionamento da usina de reciclagem, a separação do lixo e outros programas que impedem a degradação do meio ambiente. Através de palestras, oficinas de reciclagem e visitas à usina e ao aterro sanitário, o Demlurb tem conseguido empreender ações que motivam mudanças de comportamento e incentivam moradores, neste caso específico até de outra cidade, a se interessarem por questões relativas à preservação do meio ambiente, através de adoção de medidas simples e eficazes.

Dicas simples para facilitar a implantação da coleta seletiva:

1 - toda embalagem reciclável, antes de ser jogada no lixo seletivo, deve ser lavada para não atrair insetos, nem ficar com cheiro forte, enquanto aguarda o caminhão de coleta seletiva;

2 - para tirar o grosso da sujeira das embalagens que serão destinadas à coleta seletiva, aproveite a água servida da pia da cozinha. Isso também faz parte do comportamento ecológico, porque a água é um recurso cada vez mais escasso;

3 - a compra de lixeiras especiais é dispensável, pelo menos no momento inicial do projeto. Evite gastos!

4 - qualquer cantinho disponível, na garagem ou em espaços livres debaixo das escadas, é suficiente para armazenar o material reciclável de uma casa, escola ou um condomínio;

5 - não jogue no lixo comum as baterias de celular e vasilhames de agrotóxicos. As empresas produtoras já vêm se responsabilizando pelo recolhimento;

6 - as pilhas usadas, por enquanto, têm de ser jogadas no lixo domiciliar. Evite acumulá-las para não haver contaminação;

7 - não separe o lixo sem ter planejado primeiro para onde mandar ou sem comunicação prévia ao Demlurb para programar a coleta, se for o caso.*Outras informações com a Assessoria de Comunicação do Demlurb pelo telefone 3690-3537.

Fonte: Demlurb

Manejo Florestal tem Normas Técnicas

O conjunto de normas para manejo florestal madeireiro na Amazônia está completo.As Instruções Normativas 04 e 05/06 do Ministério do Meio Ambiente estabeleceram os procedimentos para elaboração e aprovação dos Planos de Manejo Florestal. O Ibama e a Embrapa testaram e elaboraram um Manual de Vistoria. Completando a Diretoria de Florestas do Ibama editou recentemente as Normas de Execução 01 e 02/07, nas quais são estabelecidas as Diretrizes Técnicas para execução e análise dos Planos de Manejo Florestal. Antes disso, já havia sido criado o Laudo de Vistoria padrão para os técnicos da instituição pela Norma 01/06-Diref.

O Diretor de Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel, ressalta “que pela primeira vez o manejo florestal da Amazônia tem um conjunto de requisitos e procedimentos estabelecidos envolvendo todas as suas etapas”. Lembra que “esse importante material além de orientar o Ibama nos seus trabalhos, no âmbito da competência federal, em especial no acompanhamento das concessões florestais, deve servir de orientação para os órgãos estaduais de meio ambiente definir suas normas”.

Fonte: Ibama/Sede

Emergentes cortam poluição e cobram ricos

Brasil, China e Índia querem que países ricos arquem com os custos do aquecimento. Nações industrializadas rebatem as críticas e pedem ação conjunta.

Os países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, estão dando uma lição nas nações ricas quando o assunto é o combate ao aquecimento global. O novo relatório do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, deve revelar que, nos últimos 30 anos, as nações emergentes deixaram de lançar na atmosfera 500 milhões de toneladas de gás carbônico por ano –- o que equivale a quase a emissão total anual da França.

Esse é um dos motivos por trás da pressão que essas nações estão fazendo nos países ricos, durante a reunião do IPCC que ocorre nesta semana em Bangcoc, na Tailândia. Os emergentes afirmam que as nações industrializadas são as maiores culpadas pelo aquecimento global, e que, por isso, elas devem arcar com a maior parte dos custos para resolver o problema. Estados Unidos e União Européia rebatem as críticas. A China, apesar de ser um país considerado em desenvolvimento, é o segundo maior poluidor do mundo, atrás apenas dos EUA. Nesta quarta-feira (2), um integrante da delegação européia, Tom van Ierland, criticou o comportamento das nações emergentes. Ele pediu que os maiores poluidores não sejam usados como desculpa para os demais não fazerem nada a respeito. Estados Unidos e China só se unem para defender uma mudança específica no relatório final. Os dois maiores poluidores do mundo não querem que o texto afirme que ações imediatas podem evitar os efeitos catastróficos do aquecimento. Eles questionam os dados que afirmam que essas medidas podem estabilizar os níveis de gases na atmosfera a ponto de limitar o aumento da temperatura. As nações mais pobres, principalmente as da África, devem sofrer o maior impacto das mudanças climáticas.

O único delegado da Líbia presente na reunião pediu que o relatório traga promessas de ajuda ao continente africano, que é “vítima, mas não está contribuindo para as emissões de CO2.” O texto final do relatório, debatido por mais de dois mil cientistas de 120 países, sairá nesta sexta-feira (4). Seu objetivo será identificar tecnologias que possibilitem a diminuição das emissões de gases do efeito estufa em 26 bilhões de toneladas até 2030.

Fonte: Globo.com

Grupo acha gene que promove longevidade

Ativado acima do normal, gene prolongou a vida de cobaias em até 30%. Resultados foram obtidos em vermes e não se sabe se o mesmo ocorreria em humanos.

O elixir da juventude poderá, no fim das contas, estar escondido em um gene pouco conhecido que não apenas promove a longevidade, mas melhora a qualidade de vida, segundo um estudo inédito publicado nesta quarta-feira (2).

Em uma série de experiências feitas com vermes, uma equipe de cientistas do Instituto Salk de San Diego, Califórnia, identificou pela primeira vez um gene, conhecido como PHA-4, que desempenha um papel crítico no prolongamento da vida, sem recorrer aos caminhos neurais reguladores de insulina que também controlam o processo de envelhecimento. Outros biólogos moleculares chamaram o estudo de "revolucionário", afirmando que irá mudar as agendas de pesquisas no novo, porém florescente, campo da genética da longevidade. Mas, também alertaram que duplicar os resultados em humanos é muito mais complicado. Só na última década os cientistas compreenderam que os genes sozinhos podem afetar significativamente o envelhecimento, antes visto como um incontrolável processo de decadência. "Há duas formas principais de se prolongar a vida", explicou o biólogo Hugo Aguilaniu, um dos co-autores do estudo, durante entrevista. Uma é reduzir a sensibilidade à insulina ao nível celular. "Isto já é bem conhecido. Como resultado, ratos geneticamente modificados foram criados para viver duas vezes mais", afirmou. Mas há efeitos colaterais indesejáveis, tais como a atrofia do crescimento e a disfunção reprodutiva.

A outra forma é a restrição da dieta. "Se você dá a um animal 70% do ele que ingere normalmente, ele viverá 20% a 30% mais", disse Aguilaniu. Em um ser humano, isto representa mais 15 a 20 anos de vida. Uma dieta controlada, no entanto, não é o mesmo que estar à beira da inanição e deve consistir de uma combinação balanceada de nutrientes para ser eficaz. A relação entre comer menos e viver mais é conhecida há décadas. "Mas não tínhamos idéia de qual era o agente molecular deste processo", afirmou. No estudo, conduzido por Andrew Dillin e publicado na revista científica britânica "Nature", vermes do tipo C. elegans foram alimentados com uma bactéria guarnecida com material genético que, seletivamente, desligou o gene PHA-4.

Como se esperava, os vermes não desfrutaram mais de uma vida mais longa quando colocadas em uma dieta restritiva. Mas embora esta primeira experiência tenha demonstrado o papel determinante do gene na longevidade vinculada ao controle alimentar, ela não provou que o PHA-4 foi a causa direta de uma vida mais longa, então outro teste foi realizado. Ao tornar este gene mais ativo do que o jornal, "os animais viveram mais, até 20% ou 30%" mesmo comendo normalmente, disse Aguilaniu. A inclusão de uma dieta restritiva aumentou ainda mais a longevidade das cobaias. Os cientistas conduziram uma série separada de experiências para se certificar de que o PHA-4 agiu de forma independente de qualquer via sinalizadora de insulina. "O que é mais interessante é que os animais em dieta controlada são mais dinâmicos. Nós gostamos de falar não só de expectativa de vida, mas de 'expansão da vida saudável', ou seja, ser mais saudável por um prazo mais longo", disse Aguilaniu. Com apenas um milímetro, o C. elegans é freqüentemente usada em laboratório porque é fácil para os cientistas interromper as funções de seus quase 20.000 genes para determinar o que fazem. Muitos, inclusive o PHA-4, tem similares nos humanos.

Os cientistas familiarizados com o estudo o descreveram de significativo. "Ele responde uma pergunta que nos fazíamos há tempos", comentou Martin Holzenberger, cientista do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica francês. "É, certamente, uma verdadeira inovação no nosso entendimento da restrição de dieta", afirmou, acrescentando que o estudo mostrou que o PHA-4 é "um gene chave" que regula outros. Holzenberger disse que o PHA-4, que corresponde à família "foxa" de genes nos humanos, provavelmente atua nas enzimas para reduzir a nociva oxidação celular. Mas ele disse que o vínculo entre a restrição alimentar e a longevidade ainda é mal-compreendido. "Quanto mais nos aproximamos dos humanos, mais complicado fica", disse ele, indicando que a técnica que desenvolveu nos vermes não pode ser aplicada em pessoas.
Aguilaniu concorda em que a relevância para os humanos permanece, por enquanto, teórica. "Mas todos os estudos sugerem que a restrição da dieta funciona da mesma forma tanto em vermes quanto em ratos ou em homens. Assim que tivermos uma molécula que seja específica, haverá potencial para aplicações farmacêuticas", continuou.

Gary Ruvkun, geneticista da Universidade de Harvard em Massachusetts, também disse que o estudo poderá abrir novos caminhos de pesquisa sobre o envelhecimento humano. "Há homólogos em todos estes organismos e esperamos que funcionem de forma similar", afirmou. Ele previu que outros cientistas começariam a examinar mais cuidadosamente o papel do PHA-4, que foi previamente ligado ao crescimento da faringe do C. elegans. De fato, Ruvkun disse ter examinado o gene em sua própria pesquisa porque admitiu que ao desativá-lo durante a experiência simplesmente mataria o verme. Mas Dillin e seus colegas descobriram que quando os vermes atingem a idade adulta, o gene muda de função, regulando o envelhecimento ao invés do crescimento.

Fonte: AFP

Pesquisadores identificam novo parasito no Espírito Santo

Aílson Santos

Uma equipe do Laboratório de Helmintoses Intestinais do Instituto René Rachou (IRR), unidade da Fiocruz em Minas Gerais, identificou em Cariacica e Vila Velha, municípios da Grande Vitória, no Espírito Santo, a presença de um helminto, agente etiológico da meningoencefalite eosinofílica, que era encontrado até agora somente na África e na Ásia.

A descoberta se deu a partir da informação de duas pessoas com relato de ingestão de moluscos (lesmas). Pouco tempo depois, as mesmas pessoas procuraram atendimento médico, pois passaram a apresentar sintomas de meningite. Após eliminação de outras causas levantou-se a suspeita de meningoencefalite eosinofílica. A doença tem como agente etiológico o helminto Angiostrongylus cantonensis, até então não encontrado na América do Sul. Outro relato de uma criança, residente em Vila Velha, também na Grande Vitória, que havia apresentado sintomas de uma meningite inespecífica, desencadeou uma pesquisa por moluscos em sua residência. Os fatos despertaram a atenção das secretarias de Saúde de Cariacica e do Espírito Santo, que enviaram moluscos encontrados na residência dos dois rapazes doentes e da criança para o Laboratório de Helmintoses Intestinais do IRR, que é referência nacional para exames e identificação de moluscos do gênero Biomphalaria.

Fonte: Fiocruz

Prorrogada inscrições para evento internacional sobre aqüicultura

As inscrições para o 2o.workshop Internacional sobre Qualidade da Água e Boas Práticas de Manejo para a Aqüicultura foram prorrogadas até o poximo dia 16. O evento acontecerá de 22 a 25 deste mês, no auditório da Reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e pretende discutir as conseqüências das restrições ambientais sobre o desenvolvimento da aqüicultura na Amazônia, os efeitos de nutrição e dos resíduos das rações na qualidade da água e nos sedimentos do fundo dos viveiros. E vai avaliar também a eficácia de diferentes "Boas Práticas de Manejo" (BMPs) em função dos distintos sistemas de produção utilizados pela criação de peixes.

A atividade é direcionada a alunos de graduação e pós-graduação, piscicultores, fabricantes de ração para peixe, pesquisadores e professores de instituições de educação e pesquisa. Os valores das inscrições são de R$ 10 (estudantes de graduação), R$ 20 (estudantes de pós-graduação) e R$ 30 (profissionais). O processo pode ser feito pelos e-mails alzira@inpa.gov.br ou leem@inpa.gov.br.O worshop é uma realização do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), das Unidades de Pesquisas da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) e Amazônia Ocidental, da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap/PR) e Secretaria de Estado de Produção Rural do Amazonas (Sepror/AM), Pond Dynamics Aquaculture Collaborative Research Support Program (PD/A CRSP) e Programa Cooperativo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Agrícola para os Trópicos Sul-Americanos (rocitropicos).

O evento conta com o financiamento da Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia (SECT/AM), Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e Petrobras. Além do apoio da UEA e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).Mais informações pelo tel.: (92) 3643-3191.

Fonte:Assessoria de Comunicação do INPA

Instituto Chico Mendes fortalece o setor ambiental, diz Marina

Rafael Imolene

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (3), em Brasília, que a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade representa um reforço na política ambiental do governo. Durante entrevista coletiva concedida na sede do ministério,

Marina explicou a necessidade de uma nova estrutura para gerir as unidades de conservação. "Em 19 anos prestando serviços ao país, o Ibama já gerou o Jardim Botânico, a ANA (Agência Nacional de Águas), e o Serviço Florestal Brasileiro. Agora, o Instituto Chico Mendes. Isso só demonstra que o setor ambiental no país tem sido fortalecido do ponto-de-vista da gestão pública." A entrevista foi concedida no mesmo dia em que começou a vigorar a Medida Provisória 366, publicada no Diário Oficial da União em 26 de abril, que cria o Instituto Chico Mendes. Também, na ocasião, a ministra anunciou o nome de Bazileu Alves Margarido Neto, seu atual chefe de gabinete, como diretor de Qualidade Ambiental do órgão e presidente interino do Ibama.

Anunciou, ainda, que João Paulo Capobianco, atual secretário-executivo do MMA, será o presidente interino do Instituto Chico Mendes. No final da manhã, a ministra reuniu-se com os superintendentes estaduais do Ibama, na sede da ANA, em Brasília. Na ocasião, foram esclarecidas as mudanças em curso no instituto. A ministra disse que a gestão ambiental será integrada, garantindo uma comunicação permanente com os dirigentes. Marina afirmou que tanto Capobianco quanto Bazileu Margarido estão abertos para dialogar com os servidores do Ibama. "Queremos que eles compreendam que esse processo foi pensado e amadurecido visando justamente dar uma resposta ao imenso desafio que temos num país como o Brasil", disse. "Temos 60 milhões de hectares de unidades de conservação. É uma área maior do que a França. Não se pode cuidar de tudo isso com apenas uma diretoria. A estrutura do Ibama era suficiente no começo, mas nos últimos dez anos as atribuições cresceram muito. O que estamos fazendo é um aperfeiçoamento e uma atualização das necessidades existentes", explicou. Foi anunciada, na entrevista coletiva, a nova composição das diretorias dos dois institutos.

Fonte: MMA

Ministra anuncia presidentes e diretores do Ibama e do Instituto Chico Mendes

Aida Feitosa

A ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou, nesta quinta-feira (3), o nome de Bazileu Alves Margarido Neto, seu atual chefe de gabiente, como presidente interino do Ibama e diretor de Qualidade Ambiental do órgão. Anunciou, também, que João Paulo Capobianco, atual secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, será o presidente interino do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Durante entrevista coletiva na sede do ministério foi anunciada ainda a nova composição das diretorias dos dois institutos.

Fonte: MMA

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Número de idosos vacinados contra gripe deve superar meta, diz Ministério da Saúde

Alana Gandra

A Campanha Nacional de Vacinação do Idoso contra a Gripe deverá superar a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de imunizar mais de 11 milhões de brasileiros com idade acima de 60 anos. Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do ministério, Luiza de Marilac, o número de vacinados poderá inclusive ser superior ao de doses de vacina distribuídas no ano passado, que foi des 13 milhões.

Em entrevista à Agência Brasil, Luiza lembrou que, nos anos recentes, a meta sempre foi superada. "Então, a tendência historicamente, e com a mobilização toda que se observou e está acontecendo ainda, é que a meta seja alcançada.” Os 11 milhões de idosos que deverão ser vacinados na campanha deste ano correspondem a 70% da população nacional de idosos com mais de 60 anos. De acordo com dados parciais da campanha, o Norte apresenta o maior percentual de idosos vacinados até agora (45,52% do total previsto para a região). Entretanto, segundo Luiza, a Região Sudeste, que concentra o maior número de pessoas idosas no país, deverá ter o maior número de pessoas vacinadas. Até ontem (30), o percentual no Sudeste era de 38,07% do previsto, o que corresponde a 2.820.596 idosos vacinados.

A campanha, que começou no dia 23 de abril, termina sexta-feira (4). De acordo com Luiza, a vacina é oferecida a quem tem mais de 60 anos, uma vez por ano, no mês de abril, período que antecede os meses de inverno, quando há maior incidência de gripe. "Os idosos, ao tomarem a vacina contra a gripe, terão menos complicações decorrentes da doença. E assim vai haver menos consultas médicas, menos hospitalizações, menos mortes, e vai haver maior qualidade de vida do idoso. Envelhecer de modo mais saudável”, afirmou. A representante do Ministério da Saúde alertou os idosos que ainda não procuraram um posto de saúde para tomar a vacina para não perderem o prazo. "É importante não perder esse prazo, que é o momento oportuno, por anteceder o período de maior ocorrência de casos, que é no mês de junho.”

Fonte: Agência Brasil

Funcionários do Ibama preparam protestos contra divisão do instituto

Aline Bravim

As mudanças no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), previstas na Medida Provisória (MP) 366 – que cria o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, além de desmembrar o Ibama em duas instituições, – provocou reações nos funcionários.

Os servidores vão fazer manifestações para tentar convencer parlamentares a não aprovarem a MP. Segundo a presidente da Associação dos Servidores do Ibama no Distrito Federal (Asibama - DF), Lindalva Cavalcanti, a medida provisória é incoerente e acaba com a unicidade da gestão ambiental. Ela criticou afirmações feitas pelo novo secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco. “As palavras de autoridades do Ministério do Meio Ambiente como as do Capobianco, de que a MP fortalece o Ibama, são inverdades. Essa medida tira parte de recursos substanciais do Ibama, que já são escassos, para colocar dentro do instituto e que só vão gerir as unidades de conservação”, contestou Cavalcanti.

A presidente questionou ainda o fato de que o novo Instituto Chico Mendes passará a receber recursos que não eram repassados ao Ibama, mesmo com as deficiências enfrentadas pelo órgão. De acordo com ela, as manifestações são uma forma de pressão. Ela diz que a greve é o último recurso. “Queremos mostrar ao presidente Lula que essa MP, criada pelo MMA com o aval da Casa Civil, leva ao enfraquecimento do Ibama. Parece que existe uma forma de esvaziar o Ibama para que ele perca credibilidade”, afirmou.As manifestações serão feitas em todas as cidades brasileiras que tiverem unidades do Ibama, e em todos os lugares em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursar. “Nós estaremos com pelo menos um servidor do Ibama levantando uma bandeira. Vamos continuar lutando com toda nossa garra contra a MP 366”, ressaltou Cavalcanti.

Segundo a presidente do Asibama, o primeiro protesto será feito no próximo sábado (5), em frente ao anexo 2 da Câmara dos Deputados. Em seguida, haverá um encontro com parlamentares, para pedir que eles derrubem a MP. Na sexta-feira (4), será realizada uma assembléia com servidores do DF, incluindo trabalhadores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), para avaliar os trabalhos elaborados e dar novos rumos ao movimento. Lindalva Cavalcanti disse que os protestos vão durar conforme os fatos e negociações e que se for preciso uma greve nacional, ela será feita.

Fonte: Agência Brasil

Brasil tenta influenciar negociações sobre clima

China, Brasil e Índia tentam exercer influência nas negociações de Bangcoc, onde os delegados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) terão de trabalhar duro para concluir os trabalhos antes de sexta-feira.

Os países em desenvolvimento desejam que se reconheça a responsabilidade histórica dos países industrializados nas emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa. Os delegados do IPCC estão reunidos desde segunda-feira para estudar os meios necessários para combater o aquecimento global. "A China está muito presente e está vigilante", declarou Renaud Crassous, delegado francês que participa nos trabalhos do IPCC na Tailândia. "A China desconfia de tudo o que poderia levar a pensar que é fácil reduzir as emissões dos gases de efeito estufa", comentou Crassous. "Pequim quer se desenvolver, tem uma economia baseada na utilização de energias fósseis, tem grandes reservas de carvão e quer continuar seu caminho", acrescentou. "Brasil, Índia e China, os Bric (que inclui também a Rússia), tentam fazer recair sobre os países desenvolvidos a responsabilidade histórica das emissões de gases do efeito estufa, para se livrar de suas próprias emissões e se proteger desta maneira de qualquer discussão", explicou um delegado de outro país ocidental que pediu anonimato. "Os Bric são extremamente ativos", comentou esta fonte, que ao mesmo tempo se declarou otimista sobre o resultado da reunião.
"Chegaremos a um acordo sobre um texto e a mensagem não será modificada profundamente", acrescentou.

Os cientistas estão elaborando um resumo destinado 'aos que decidem', uma síntese de 20 páginas de seus relatórios sobre as medidas para atenuar o aquecimento global em curso, que constitui o terceiro capítulo do quarto informe de avaliação do IPCC. Os delegados esperam poder publicar este texto na sexta-feira. Antes da reunião em Bangcoc, os governos representados no IPCC anteciparam muitos comentários com o objetivo de modificar o projeto de resumo. A China, em particular, apresentou uma emenda na qual destaca que se os países com um índice elevado de emissões por habitante não reduzirem de maneira significativa a poluição, será difícil obter avanços importantes na atenuação dos gases de efeito estufa. "Os comentários apresentados pelos governos não têm como objetivo fazer um obstrucionismo destruidor", comentou um delegado de um país europeu. "Neste tipo de negociação sempre se começa muito lentamente e no final tudo se precipita", disse Jean Rouzel, um veterano das reuniões do IPCC que integra a delegação francesa na Tailândia. Na última reunião do IPCC, em Bruxelas, no começo de abril, os delegados chegaram a um acordo de última hora, depois de uma negociação que entrou pela madrugada do último dia de negociações.

Fonte: AFP

IPCC diz que etanol brasileiro é a melhor opção

Marina Wentzel

A versão integral da terceira parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) deve mencionar que o etanol feito de cana-de-açúcar, como é produzido no Brasil, é ambientalmente uma opção melhor que o etanol feito de milho, principal fonte do biocombustível nos Estados Unidos, de acordo com um documento ao qual a BBC Brasil teve acesso. O texto integral serve de base para o sumário que sugere novas políticas ambientais (Summary for Policy Makers, SMP em inglês). Representantes de mais de 120 países estão reunidos em Bancoc, na Tailândia, para estabelecer as conclusões do SMP da terceira parte do relatório anual do IPCC, que deve ser divulgado na sexta-feira.

O documento também deve recomendar aos países o uso em larga escala de outras formas de biocombustível e que haja um se esforço para popularizar o consumo de etanol e de outros combustíveis à base de biomassa dentro dos próximos 15 anos. Segundo Stephan Singer, chefe da unidade de políticas energéticas da organização não-governamental WWF, o Fundo Mundial para a Natureza, o etanol proveniente do milho é claramente mais nocivo ao meio ambiente do que o feito da cana. "A produção do etanol feito do milho depende de agricultura intensa e utiliza muitos pesticidas, fertilizantes, que liberam gases causadores do efeito estufa como N2O (óxido nitroso)." "Algumas pesquisas tem indicado que em termos de emissões de carbono, na média, o etanol americano produzido do milho pode ser até pior que o petróleo", disse Singer à BBC Brasil.

Desmatamento

Em um estudo divulgado no começo deste ano, a organização não-governamental alemã Global Nature Fund sugere que o cultivo de cana-de-açúcar para produção de etanol está causando desmatamento na região do Pantanal. Mas segundo Singer, da WWF, o etanol brasileiro não é a principal causa do desflorestamento. Ele aponta a indústria pecuária como razão do problema e defende a produção sustentável do biocombustível. "Nós fazemos campanha para que o etanol vendido na Europa tenha um certificado de qualidade atestando que não é proveniente de áreas desmatadas." "Se o Brasil se esforçar para produzir etanol de maneira sustentável para o mercado europeu, e ele é capaz disso, acredito que há uma grande oportunidade de se gerar riqueza no Brasil com isso", conclui Singer.

O SMP é uma versão resumida com as recomendações que os países participantes devem se comprometer a adotar, e por isso, a redação de seu conteúdo é sempre antecedida por intensa negociação diplomática. Esta versão resumida do documento, à qual a BBC Brasil teve acesso, deve fazer referência a um maior uso de biocombustíveis, mas não deve especificar o etanol "made in Brazil". No capítulo de transportes, o resumo deve propor metas como a economia obrigatória de combustível, o investimento em transporte público, criação de impostos sobre automóveis e o estabelecimento de padrões para as emissões de gás carbônico até 2030.

Fonte: BBC Brasil

Previsão do IPCC pode estar sendo otimista demais

As previsões realizadas pelos cientistas sobre as conseqüências do aquecimento global pode ser otimistas demais. Segundo os dados dos computadores usados pelo Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC), essas projeções não levam em conta vários processos físicos que podem acentuar a dimensão do efeito estufa em 30%.

"Os cenários apresentados este ano pelo IPCC não consideram o ciclo de carbono acoplado", exemplificou o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao jornal Folha de S.Paulo. Isso quer dizer que os modelos usados pelo IPCC não levam em conta a interação do carbono natural presente na atmosfera e o artificial, produzido pelo homem. O Centro Hadley, no Reino Unido, já considera essa hipótese, apesar de não ter incluído este relatório nas previsões deste ano. Segundo o modelo da instituição, a incorporação do ciclo de carbono pode aumentar em até 30% as emissões até 2100. Isso poderia significar uma diferença de até 2ºC.

Fonte: Redação Terra

Bangcoc: IPCC define medidas contra aquecimento

Cientistas e representantes de cerca de 150 países definem em Bangcoc as medidas que terão de ser introduzidas no fornecimento de energia, nos transportes, habitação, agricultura, indústria e manejo de resíduos para ajudar a combater a mudança climática.

Quase todas as possíveis soluções que os analistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) examinam, que constarão no relatório que preparam para a ONU, prevêem a redução obrigatória da queima de combustíveis fósseis. "O potencial econômico para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa é notável em todos os setores, e suficiente para contê-las ou reduzi-las a níveis abaixo dos atuais", diz o projeto do relatório que deverá ser divulgado na sexta-feira, após ser aprovado por consenso. Além do maior emprego da energia nuclear a fim de ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono, os analistas sustentam também que o futuro passa pelo uso dos biocombustíveis geneticamente modificados e a captura do CO2 por meio de dispositivos especiais.

A opção da energia nuclear, tida por seus defensores como "limpa", deve gerar protestos por parte de organizações ambientalistas internacionais, como o Greenpeace, que a considera insegura e economicamente inviável. "A energia nuclear não se transformou repentinamente em segura e limpa. O legado dos resíduos nucleares continua sem ser resolvido, e diariamente ocorrem acidentes no mundo", afirma o Greenpeace. Na opinião do grupo, "a indústria nuclear utiliza o pretexto da mudança climática para salvar e até expandir seu negócio moribundo". Segundo o Greenpeace, existem 441 reatores nucleares construídos em 31 países, com os Estados Unidos liderando a lista, seguido da França, do Japão e da China, que planeja construir três usinas nucleares por ano na próxima década.

A opção dos biocombustíveis é tratada com preocupação pelas organizações ambientalistas, que alegam que sua demanda causará uma rápida expansão dos cultivos de palma e outras espécies necessárias para a produção, em detrimento das florestas tropicais, como ocorre na Indonésia e na Amazônia. O projeto do relatório do IPCC, criado em 1988, indica que para cada região do planeta existem diferentes e apropriadas tecnologias, e que a proteção das florestas é uma solução de "custo efetivo". Uma das poucas opções de engenharia cogitadas pelos analistas, mas cuja eficácia ainda não foi comprovada, consiste na construção de torres que capturam o CO2 antes que ele atinja a atmosfera e levam o gás para depósitos subterrâneos e jazidas no fundo do mar.Os cientistas do IPCC, a maioria deles vinda de países industrializados, consideram que o projeto das torres pode ser importante em duas décadas, embora a China e a Índia, dois dos países que mais poluem, já tenham construído engenhos similares, mas menos avançados e que ainda não deram resultados satisfatórios.

No setor do transporte, fonte de emissões de gás que aumenta mais rapidamente, a opção apresentada é a fabricação de veículos híbridos, que já estão no mercado, aumento de impostos e a melhora dos sistemas de transporte público. Quanto à indústria, o IPCC considera propor que se imponham novos controles a poluentes como o metano e aos produtos químicos que contribuem para o efeito estufa. Sobre o fornecimento de energia, o IPCC defende uma menor dependência do carvão em favor do gás, que é menos poluente, e sugere que a energia nuclear pode desempenhar um papel a curto e médio prazo. Quanto à agricultura, os analistas afirmam que a melhora da gestão do solo rústico e das florestas, com ênfase no reflorestamento e em evitar o desmatamento, oferece uma das alternativas "mais fáceis e baratas" para a redução de emissões de gás poluente. No entanto, eles não mencionam possíveis compensações econômicas aos países em desenvolvimento com grandes recursos florestais, como Brasil e Indonésia, para não permitir o desmatamento de suas florestas. Quanto à habitação, os analistas recomendarão no relatório que seja seguido o exemplo de países como Alemanha e Suíça, onde são aplicadas políticas destinadas a conter a emissão de gases procedentes das casas.

Fonte: EFE

Relatório da FAO aponta riscos à segurança alimentar com produção de biocombustíveis

Mylena Fiori

A produção de biocombustíveis apresenta tanto oportunidades como riscos à segurança alimentar na América Latina e Caribe. A conclusão consta de estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita ao Chile, na última quinta-feira (26).

O documento foi elaborado por especialistas de vários países e técnicos da FAO e de outras organizações nas áreas de energia, clima e meio ambiente a partir da crescente polêmica sobre o impacto da produção de bionenergia. Uma das críticas refere-se ao desvio de matéria-prima que serviria de alimento para a produção de combustíveis. Também há preocupação com a perda de biodiversidade devido à destinação de grandes superfícies de terra à monocultura – atualmente, são produzidos biocombustíveis de cana-de- açúcar, milho e azeite de palma. Reunidos em Roma, no mês passado, especialistas do mundo todo avaliaram o potencial global da bioenergia e os possíveis impactos do rápido crescimento dessa indústria na segurança alimentar. Também identificaram caminhos para a produção sustentável de biocombustíveis. O próximo passo será o lançamento, pela FAO, da Plataforma Internacional de Bioenergia (IBEP), destinada a governos e potenciais investidores, com diretrizes sobre bionergia.

Fonte: Agência Brasil

Serra da Tiririca terá delimitação

Niterói

Isabel de Araujo

Está prevista para os próximos 15 dias uma audiência pública na Assembléia Legislativa, no Centro do Rio, para discutir os limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Itaipuaçu. A primeira votação do projeto de lei que propõe que o parque abranja uma área de 20,9 quilômetros quadrados obteve a aprovação das comissões de Constituição e Justiça e Defesa do Meio Ambiente durante sessão na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A segunda votação, que estava prevista para acontecer amanhã, foi adiada para que houvesse uma discussão mais ampla com a sociedade durante a audiência pública.

Fundado em 1991, o parque nunca teve uma delimitação definida. Dotada de uma área composta por mais de 20 quilômetros quadrados de floresta remanescente de mata atlântica, a serra vem sofrendo desde sua fundação com invasão, comercialização de loteamentos e ação ilegal de mineradoras. Segundo dados da comissão da Frente de Defesa da Serra da Tiririca, nos últimos 16 anos, a área perdeu cinco quilômetros quadrados para a construção de casas e depredação. Responsável pela audiência pública, o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS) chama a atenção para o fato de que somente com a delimitação da área do parque será possível preservar as espécies que vivem nesta parte da mata. "Coloquei o projeto em pauta na Alerj para que fosse acertado um débito do legislativo com o parque", afirmou Comte, enfatizando que o projeto foi apresentado anteriormente pelo, na época, deputado estadual Adroaldo Peixoto (PSC).

O coordenador da Frente de Defesa da Serra da Tiririca, Gerhard Sardo, lembrou ainda que em maio de 2005 uma decisão judicial impediu que os moradores do entorno do parque pudessem ampliar ou vender suas residências, criando uma situação de mal-estar entre os administradores e a população local. Gerhard acredita que a solução transforme os moradores em parceiros da gestão atual do parque. "Com essa decisão judicial, os moradores da considerada Zona Provisória começaram a viver uma insegurança com relação ao direito de posse. Acredito que como eles serão beneficiados vão querer proteger o local onde moram", comentou. No dia 24 do mês passado, os deputados da Alerj aprovaram durante votação o projeto de lei que define os limites do parque em uma área de 20,9 quilômetros quadrados. No entanto, o projeto prevê duas votações, o que deve acontecer, segundo a expectativa de Gerhard, até o fim desse mês.

Fonte: O Fluminense

Cientistas apontam danos da maconha no cérebro

Estima-se que 500 mil britânicos são dependentes de maconha

Equipes de cientistas de vários países mostraram como a maconha pode desencadear doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia. Uma equipe do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres deu a voluntários saudáveis o ingrediente ativo da maconha, o tetrahidrocanabinol (THC). Os cientistas registraram atividade reduzida na área do cérebro que evita os pensamentos considerados inadequados.

Nos últimos anos, os níveis de THC teriam dobrado na maconha vendida nas ruas da Grã-Bretanha - diminuindo os outros ingredientes que poderiam ter um efeito benéfico. Um outro estudo mostrou que um destes ingredientes - canabidiol (CBD) - tem o potencial de amortecer os sintomas psicóticos e poderia formar a base de novos tratamentos. A pesquisa será discutida em uma conferência sobre o impacto do uso de maconha, que deve ocorrer nesta semana no King's College.

Dependência

Apesar das estatísticas não serem mantidas com precisão, estima-se que cerca de 500 mil pessoas na Grã-Bretanha possam ser dependentes de maconha. Especialistas temem que a maconha esteja ficando mais potente. Acredita-se que o conteúdo de THC aumentou, em média, de 6% para 12% nos últimos anos. O estudo do Instituto de Psiquiatria deu um comprimido de placebo para alguns voluntários, THC ou CBD para outros que não tinham usado maconha.
Foram realizados exames do cérebro e uma série de testes que mostraram que os que tomaram o THC tinham atividade reduzida em uma área do cérebro chamada córtex inferior frontal que controla pensamentos e comportamentos inadequados, como xingamentos e paranóia. Os efeitos foram curtos, mas algumas pessoas se mostraram mais vulneráveis que outras. Em um segundo estudo, uma equipe da Universidade americana de Yale administrou o THC de modo intravenoso. Mesmo em doses relativamente baixas, eles descobriram que 50% dos voluntários saudáveis começaram a mostrar sintomas de psicose.Voluntários que já tinham um histórico de sintomas psicóticos se mostraram mais vulneráveis.

Efeitos colaterais

Um outro estudo da Universidade de Colônia, na Alemanha, comparou o efeito do CBD e de um remédio usado freqüentemente no combate à psicose, o Amisulpride, em 42 pacientes com histórico de esquizofrenia. Depois de quatro semanas os dois grupos mostraram uma redução em sintomas psicóticos, mas o grupo que recebeu o CBD tinha menos tendências a sofrer efeitos colaterais como rigidez muscular e ganho de peso. Os pesquisadores alertaram que o THC e o CBD competem um com o outro em termos bioquímicos, então um aumento nos níveis de THC iria prejudicar qualquer impacto positivo do CBD. "Se algo tem um efeito ativo para induzir os sintomas de psicose depois de uma dose, então não seria surpresa se o uso repetido induzisse à condição crônica", disse o professor Robin Murray, psiquiatra consultar no Instituto de Psiquiatria.

Fonte: BBC Brasil

MCT lança edital para seleção de projetos de divulgação científica na Amazônia

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou, na última sexta-feira (27), edital para seleção de projetos voltados à Divulgação Científica, Tecnológica e de Inovação na Amazônia.

A iniciativa está relacionada aos resultados de pesquisas no âmbito do Subprograma de Ciência e Tecnologia – SPC&T – Fases I e II do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), bem como outros resultados dos grupos de pesquisa apoiados pelo SPC&T. Os projetos a serem apresentados devem estar relacionados com pelo menos um dos temas: a) recursos pesqueiros e organismos aquáticos; b) recuperação de áreas degradadas; c) produtos madeireiros e não-madeireiros. Serão incentivadas parcerias com os setores públicos e privados, com ou sem fins lucrativos.

O público-alvo abrange população local, instituições de ensino formal e não-formal (professores, extensionistas, monitores), instituições de públicos específicos (associações, sindicatos, cooperativas), gestores públicos e tomadores de decisão da região amazônica.As propostas aprovadas serão financiadas com recursos de R$ 640 mil, provenientes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), do Fundo Fiduciário de Florestas Tropicais e de contrapartida do governo do Brasil. Esses recursos destinam-se a pagamento de custeio, capital e bolsas e serão liberados de acordo com a disponibilidade orçamentária e financeira do CNPq, mediante repasse de recursos pelo MCT, a partir do mês de agosto deste ano.O valor máximo de cada proposta será de R$ 80 mil. Caso a solicitação ultrapasse o limite estabelecido, a proposta será desclassificada. Para participar da seleção, as propostas devem ser apresentadas em forma de projetos e encaminhadas ao CNPq exclusivamente via Internet, por meio do Formulário de Propostas on-line, disponível no endereço http://efomento.cnpq.br/efomento.

A data-limite para submissão das propostas no formulário eletrônico é dia 11 de junho, e para o envio da documentação complementar, dia 13 de junho. A divulgação dos resultados sai a partir de 6 de julho, com início da contratação dos projetos no dia 2 de agosto.

Informações sobre as pesquisas já realizadas e em andamento no âmbito do SPC&T/PPG7 podem ser obtidas na página do MCT ou no link.

Fonte: MCT

Reflexões quentes

Luiz Paulo Juttel

A manhã nublada e de temperatura amena contrastou com o que se discutiu no auditório do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na sexta-feira (27/4). Ali, o tema central foi aquecimento global.

Em homenagem aos 25 anos do Nepo e aos 20 anos do Núcleo de Pesquisas Ambientais (Nepam), também da Unicamp, foi realizada a mesa-redonda “Mudanças ambientais globais: a contribuição dos estudos ambientais e populacionais”. O evento começou com outra homenagem, de cunho pessoal, a Daniel Joseph Hogan, chefe do Departamento de Demografia da Unicamp. Hogan, que teve participação na implantação e no desenvolvimento tanto do Nepo como do Nepam, foi aplaudido pelos colegas presentes, entre os quais o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge.

Na mesa-redonda, os expositores trataram de pontos importantes referentes ao aquecimento global, como mudanças climáticas e as conseqüências para o Brasil. Foi abordado o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês). Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, falou sobre a evolução dos estudos sobre aquecimento global. Segundo lembrou, o primeiro cientista a indicar que gases na atmosfera poderiam contribuir para o aumento na temperatura superficial terrestre foi o físico e matemático francês Jean Baptiste Fourier, em ensaio publicado em 1827. Depois do efeito estufa previsto por Fourier, o naturalista irlandês John Tyndall, em 1863, ampliou os estudos sobre os gases e o aquecimento do planeta. Em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius evidenciou a influência que dióxido de carbono lançado na atmosfera pela atividade industrial humana teria sobre o aquecimento global. “Cada pesquisador coloca um tijolo e sobe um degrau”, disse Brito Cruz, que também destacou a importância para a compreensão do clima do planeta do trabalho de cientistas como o inglês Guy Stewart Callendar, que em 1938 realizou um processo meticuloso de medição da temperatura em regiões extensas, e o norte-americano Charles Keeling, que em 1957 criou um mecanismo de medição de dióxido de carbono na atmosfera. “O que sabemos sobre o aquecimento global, hoje, deve-se à boa ciência, aos esforços obsessivos de muitos cientistas há mais de um século”, afirmou Brito Cruz.

Daniel Hogan e Ulisses Confalonieri, professor da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falaram sobre os possíveis impactos ecológicos e sociais do aquecimento global destacados nas duas partes do relatório do IPCC publicadas este ano.
De acordo com o relatório, a Amazônia ficará mais quente, com menos chuva e com aspecto semelhante ao das savanas africanas. O Nordeste brasileiro também esquentará ainda mais e terá menos chuva. “Mas é preciso ressaltar que o relatório do IPCC generaliza bastante. Ainda precisamos entender melhor os efeitos do aquecimento global”, disse Confalonieri. O pesquisador falou também sobre alterações na saúde humana em decorrência do aquecimento global, como mortes provocadas por ondas de calor na Europa e na América do Norte e a falta de chuva em diversas regiões do Brasil e de outros países. “Estamos em um momento singular da história, pois nos tornamos majoritariamente urbanos. E as regiões em que a urbanização mais cresceu nos últimos 50 anos, África e Ásia, por fatalidade ou manipulação humana, serão as que mais sofrerão com os problemas gerados pelo aquecimento global”, destacou Hogan.

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 1 de maio de 2007

Na festa da Força, Paulinho diz que meio ambiente era assunto de homossexuais

No começo da manhã já havia 100 mil na Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte. Trabalhadores faziam filas para pegar cupons e tentar a sorte no evento

Durante a festa do 1º de maio de comemoração do Dia do Trabalho, Paulo Pereira da Silva, presidente nacional da Força Sindical e deputado federal pelo PDT, não mediu as palavras ao rebater as críticas de que a entidade estaria perdendo o foco por ter escolhido o tema: “Os trabalhadores em defesa do Planeta” para a festa deste ano: “Vamos falar a verdade, falar de meio ambiente até pouco tempo era coisa de v...”, disse Paulinho.

A declaração de Paulinho foi motivada por críticas do secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, que, pouco antes, no evento, reclamou das relações entre a Força Sindical e o Governo Federal e do tema da festa. "No 1º de Maio do ano passado, por exemplo, estávamos juntos dizendo menos imposto e mais emprego. Deveríamos continuar com este bordão. Acho que há uma certa acomodação das centrais sindicais em relação ao governo", afirmou. "A gente tem que ter uma pitadinha não de oposição, mas de senso crítico.

Também marcaram presença na festa nesta manhã o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), e o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B).

Fonte: Globo. com

Tomate sem resíduo de agrotóxicos já é uma realidade

Carlos Dias

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento conseguiu, pela primeira vez, produzir tomate sem resíduo de agrotóxicos. Pesquisadores da Embrapa Solos (Rio de Janeiro - RJ) foram os responsáveis pelo fato, considerado histórico para a pesquisa agropecuária brasileira.

As análises feitas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comprovaram a pureza do tomate. O sistema de produção foi batizado como Tomate Ecologicamente Cultivado. A técnica produz um tomate limpo, resistente e de excelente aparência, com selo de qualidade e rastreabilidade. Isso vai propiciar que o produtor receba melhor preço pelo seu produto. Vale lembrar que, ao lado das culturas da batata, mamão e morango, a do tomate é uma das que apresenta maior resíduo de agrotóxicos. Atualmente estão plantados aproximadamente 12.000 pés de tomate com três produtores.Tecnologia“O sistema de produção envolve o trabalho de conservação de solo e água com a introdução do plantio direto do tomate na palhada.

Associadas ao plantio direto, foram introduzidas técnicas de fertirrigação, manejo integrado de pragas (MIP) e ensacamento da penca de tomate”, diz o líder do projeto José Ronaldo Macedo, pesquisador da Embrapa Solos. Os primeiros testes com o Tomate Ecologicamente Cultivado foram realizados em São José de Ubá, região noroeste do Estado do Rio de Janeiro.A tecnologia produz um tomate isento de agrotóxicos, pois há uma redução do uso do mesmo devido ao MIP e à proteção física do saco, evitando o ataque de brocas e o depósito da calda na casca do tomate. A fertirrigação, por sua vez, proporciona maior eficiência na utilização da água e o uso de adubos mais solúveis, reduzindo, assim, os fortes níveis de adubação registrados nas lavouras de tomate. Já o Sistema de Plantio Direto na Palha (SPD) promove a redução do processo erosivo decorrente do preparo inadequado do solo.

Fonte: Embrapa

Tecidos inteligentes vão prevenir doenças cardíacas

Pesquisadores do Instituto ITACA da Universidade Politécnica da cidade espanhola de Valência (leste) utilizaram tecidos inteligentes, sistemas eletrônicos e programas de computador em um projeto para prevenir as doenças cardiovasculares.

A novidade foi anunciada pela principal pesquisadora do instituto, Pilar Sala, que assinalou que o trabalho faz parte do projeto europeu My Heart, que tenta aplicar as mais novas soluções tecnológicas para a promoção da saúde e a prevenção das doenças cardiovasculares com um diagnóstico precoce. O MyHeart combina a tecnologia mais avançada em campos como o dos tecidos inteligentes, dos sistemas eletrônicos integrados na roupa para o processamento de sinais, dos dispositivos de interação e comunicação entre o usuário e o profissional.
A doutora Sala indicou que foram estabelecidas cinco áreas de trabalho, que correspondem a cada um dos principais fatores de risco associados às doenças cardiovasculares.

Trata-se do CardioActive, para combater o sedentarismo; CardioSleep, para melhorar a qualidade do sono; CardioRelax, para combater o estresse; CardioBalance, para combater a obesidade e CardioSafe, para combater doenças mediante o diagnóstico precoce. O projeto, que terá quatro anos de duração, começou no dia 1º de janeiro de 2004 e conta com um orçamento total aproximado de US$ 45,5 milhões, dos quais US$ 20,8 milhões são financiados pela Comissão Européia.

Fonte: EFE

Gelo do Ártico está derretendo 30 anos antes do previsto

Oceano ártico pode ficar praticamente sem gelo no verão já em 2020. Degelo vai acelerar ainda mais o aquecimento global.

Deborah Zabarenko

A capa de gelo do Ártico está derretendo muito mais rápido do que o esperado e cerca de 30 anos antes do que o previsto pelo Painel Intergovernamental de Mudança Climática, disse na terça-feira (01) um especialista em gelo norte-americano. Isso significa que o oceano no topo do mundo pode ficar sem ou quase sem gelo no verão até 2020, três décadas antes do que as previsões mais sombrias do painel, que eram de 2050.

A ausência de gelo no Oceano Ártico durante o verão seria um grande estímulo ao aquecimento global, disse Ted Scambos, glaciologista do Centro Nacional de Neve e Gelo no Colorado. "No momento...o Ártico ajuda a manter a Terra fria", disse Scambos em entrevista por telefone. "Sem esse gelo do Ártico, ou com muito menos, a Terra vai aquecer muito mais rápido". Isso porque o gelo reflete luz e calor. Quando ele desaparece, a terra ou mar muito mais escuros absorve mais luz e calor, fazendo com que seja mais difícil para o planeta esfriar, mesmo no inverno, disse ele. Scambos e os co-autores do estudo, publicado no jornal Geophysical Research Letters, usaram dados de satélite e confirmação visual do gelo do Ártico para chegar a essas conclusões, uma imagem muito diferente do que a obtida a partir de modelos de computador usados pelos cientistas do painel intergovernamental. "Parece que estamos no ritmo cerca de 30 anos antes do esperado para alcançar um estado em que não temos gelo no mar ou pelo menos não muito no final do verão no Oceano Ártico", disse ele.

Ele não considerou a noção que a forte tendência ao aquecimento no Ártico possa ser devido a ciclos climáticos naturais. "Não há muitos períodos na história que são assim dramáticos em termos de variabilidade natural", disse Scambos. Ele disse que não tem dúvidas de que isso é causado em grande parte por gases do efeito estufa na atmosfera, que segundo ele é a única coisa capaz de mudar a Terra em escala tão grande por tantas latitudes. Questionado sobre o que resolveria o problema -- tópico de um novo relatório do painel intergovernamental a ser divulgado na sexta-feira em Bangcoc -- Scambos disse que uma grande erupção volcânica poderia segurar o derretimento de gelo do Ártico por alguns anos. Mas ele acredita que o aquecimento contínuo é inevitável nas próximas décadas. "A longo prazo e para os próximos 50 anos, acho que até mesmo o novo relatório vai concordar que teremos um bom aquecimento", disse Scambos.

Fonte: Reuters

Aspirina pode aumentar risco de derrame, diz estudo

Idosos saudáveis que tomam aspirina regularmente para impedir derrame podem, na verdade, fazer com que o risco de desenvolver o problema aumente. Nos últimos 25 anos, a incidência de derrames associados a medicamentos para tornar o sangue menos denso tais como a aspirina ou warfarina aumentou sete vezes, de acordo com um estudo britânico.

O risco é especialmente alto em pessoas com mais de 75 anos de idade, e a aspirina pode prejudicar mais do que beneficiar pessoas idosas, noticiou a publicação Lancet Neurology. Mas pessoas que recebem a recomendação médica de tomar aspirina diariamente não devem interromper a prática. Pesquisadores da Universidade de Oxford compararam dados de casos de derrame cerebral hemorrágico - um tipo de derrame causado por um sangramento no cérebro - de 1981-85 e 2002-06. Eles constataram que o número de casos de derrame causado por pressão alta diminuiu em 65%, o que, para as pessoas com menos de 75 anos, significou uma redução pela metade da incidência geral. Mas em pessoas com mais de 75 anos de idade, a incidência se manteve a mesma num período de 25 anos.

Um exame mais detalhado dos dados mostrou um aumento no número de derrames em pacientes que tomavam drogas para diluir o sangue, conhecidas como antitrombóticas. No primeiro estudo a proporção de pacientes de derrame que usavam drogas antitrombóticas foi de 4%, mas duas décadas depois esse índice aumentou para 40%.

Estilo de vida

Portadores de doenças cardiovasculares, que possuem alto risco de desenvolver um coágulo sangüíneo, tiveram prescritos medicamentos como aspirina para diluir o sangue e reduzir o risco de ataque cardíaco ou derrame. Mas muitos idosos saudáveis também tomam aspirina regularmente em uma tentativa de afastar a possibilidade de derrame. O líder do estudo, Peter Rothwell, disse que o aumento do uso de drogas tais como a aspirina também podem, em breve, superar a pressão alta como principal causa do derrame estudado em pessoas com mais de 75 anos. Rothwell advertiu que, entre adultos mais idosos saudáveis, os perigos de se tomar aspirina eram maiores do que os eventuais benefícios. "Clínicos gerais vem tratando pressão alta de maneira muito intensa e isso está gerando dividendos, mas há outras causas de derrames em idosos que se tornaram importantes." "Há boas razões para tomar aspirina ou warfarina, mas há idosos que tomam aspirina como estilo de vida e, nesta situação, os testes demonstraram que não há benefício." "E o que nosso estudo sugere é que, especialmente em pessoas muito idosas, os riscos da aspirina superam os benefícios", afirmou.

Peter Coleman, vice-diretor de pesquisa e desenvolvimento da Associação pelo Derrame, disse que a aspirina ganhou uma reputação de ser parte de um estilo de vida saudável. "Mas estas evidências indicam que se você for saudável e tem um risco baixo de doenças cardíacas ou derrame, se não receber uma prescrição de seu clínico geral para tomar aspirina diariamente, então o aumento dos riscos de efeitos colaterais da aspirina provavelmente vão superar os benefícios de prevenir um derrame." Coleman aconselhou as pessoas a reduzirem o risco de derrame submetendo-se a verificações regulares da pressão sangüínea, adotando uma dieta saudável, parando de fumar e fazendo exercícios regulares.

Fonte: BBC Brasil

Política ambiental não pode afetar economia, diz Bush pai

Bruno Garcez

O ex-presidente dos Estados Unidos George Herbert Walker Bush, pai do atual líder americano, afirmou que os Estados Unidos não devem adotar políticas pró meio ambiente que afetem a economia do país. "Até obtermos mais provas dos efeitos do aquecimento global, que poderão ser encontradas pela verdadeira ciência, eu me preocupo que este país ou qualquer outro país crie políticas que tenham um impacto negativo sobre as mesmas pessoas a quem pretendia beneficiar".

Os comentários do líder americano foram feitos durante o Fórum de Desenvolvimento Sustentável, evento realizado nesta segunda-feira em Nova York, que reuniu ainda outro ex-presidente americano, Bill Clinton, além de inúmeros políticos brasileiros. O ex-presidente americano também fez críticas ao fato de, segundo ele, a causa ambiental ter se tornado um modismo entre celebridades. "Você vai a Hollywood e todo mundo sabe tudo sobre aquecimento global, além de alguma coisa também sobre atuação. Quando não estão adotando órfãos no exterior, os astros estão falando sobre aquecimento global. O debate está chegando ao ponto de saturação", disse.

Bush citou ainda uma recente pesquisa do jornal New York Times que afirmou que os americanos não estariam dipostos a pargar US$ 2 a mais por gasolina para impedir o aquecimento global. "Isso enfatiza que não podemos criar uma política ambiental em detrimento de fatos e da ciência. E, se o fizermos, poderemos impor sérios fardos à economia americana e ferir nossos parceiros econômicos por tabela". O pai do atual presidente afirmou ainda que é preciso tomar medidas para que China e Índia reduzam a sua emissão de gases poluentes. "Nada do que fizermos terá grande diferença para o resto do mundo se a China e a Índia continuarem a usar o nível de combustíveis fósseis que estão usando atualmente". O ex-presidente também disse que ao defender a redução de petróleo nos Estados Unidos, muitos passaram a mensagem errada para os países produtores de petróleo. "Alguns neste país cometeram um erro quando começaram a falar somente sobre fontes alternativas de energia. Porque isso enviou um sinal para os produtores de petróleo que queremos eliminar agora a produção de hidrocarbonetos, o que é uma estupidez dentro da atual demanda mundial por energia".

Bush falou ainda sobre a necessidade de produzir mais etanol, como uma forma de combater o aquecimento global: "quanto mais etanol produzirmos, menos poluição nós teremos". O ex-presidente se disse muito satisfeito com as recentes visitas dos presidente Bush ao Brasil e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, porque estas contribuíram para estreitar o relacionamento entre americanos e brasileiros na produção de biocombustíveis. "Isso marcou o início de um novo capítulo na relação bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos. Há 20 anos, seria impensável que os líderes dos dois países traçassem uma estratégia comum na área de energia".

Fonte:BBC Brasil

'Espírito de guerra pode derrotar mudança climática'

Príncipe Charles falou a empresários da Grã-Bretanha no Dia do Trabalho. Para ele, país precisa mostrar o mesmo espírito da Segunda Guerra Mundial.

A Grã-Bretanha pode liderar a luta contra a mudança climática usando o mesmo espírito de coragem que mostrou na Segunda Guerra Mundial, disse o príncipe Charles a empresários nesta terça-feira (01). O herdeiro do trono já falou de problemas ambientais antes, em um momento em que a luta contra o aquecimento global está em alta na agenda política britânica, e na terça-feira pediu a executivos da indústria que façam o mesmo. "Pensem no que eles fizeram na última guerra", disse ele, referindo-se à vitória aliada da Grã-Bretanha contra a Alemanha. "Coisas que pareciam impossíveis foram alcançadas quase da noite para o dia". "O mundo corporativo tem esse poder e pode realmente fazer a diferença", acrescentou.

Em uma reunião no Dia do Trabalho, o príncipe falou a chefes de empresas britânicas e européias. E usou a data para lembrar de seus dias na Marinha britânica e falar do perigo urgente apresentado pela mudança climática. A reunião convidou empresas a se comprometer com a redução de sua contribuição à mudança.

Fonte: Reuters

China e pressão política dificultam diálogo sobre mudança climática

A pressão política e a postura da China dificultam as conversas que especialistas de cerca de 150 países realizam em Bangcoc para concluir o relatório das Nações Unidas sobre as medidas e tecnologias destinadas a combater a mudança climática.

Os cerca de 400 cientistas e representantes de Governos que participam da reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concordam que é preciso agir rapidamente para conter o processo de aquecimento causado pelas emissões de gás poluente. Mas as soluções defendidas pelos especialistas no relatório preparado em sessões a portas fechadas se deparam com a pressão política exercida pelas delegações governamentais.
"Alguns países provavelmente sairão perdendo da reunião, em que está surgindo um jogo político na negociação", disse Sitanon Jesdapipat, representante tailandês no IPCC, organismo criado em 1998 para abordar o problema da mudança climática.

Após abrir na segunda-feira a reunião de cinco dias, o próprio presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, admitiu que esperava que fosse realizado um intenso debate entre o grupo dos cientistas e o dos representantes dos Governos, e, dentro desse grupo, entre os países industrializados e os menos desenvolvidos. Assim que começou a reunião na capital tailandesa, apareceram as diferenças entre as nações desenvolvidas e as menos industrializadas em relação aos métodos mais adequados para reduzir a emissão de gases poluentes. Segundo delegados dos países menos desenvolvidos, a maioria dos cientistas que redigem o relatório, que com os outros dois adotados previamente formarão a base para as futuras negociações multilaterais sobre medidas para conter o efeito estufa, é de países industrializados. "Acho que os cientistas abordam em seu relatório assuntos menores sobre a emissão de gás metano em países pouco industrializados com a intenção de sustentar argumentos que demonstrem que este também é emissor", disse Anond Snidvong, professor de bioquímica do Instituto Asiático de Desenvolvimento, uma das entidades docentes consideradas de maior prestígio no continente.

Delegações de algumas nações pobres, que por emitirem uma menor quantidade de gases do que as potências industrializadas se consideram menos culpadas pelo aquecimento global, denunciam que o relatório é redigido segundo as conveniências dos países ricos. "Se o relatório final do IPCC for como o projeto, nós, dos países em desenvolvimento, saberemos as oportunidades que temos para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, mas muito pouco sobre as medidas que os industrializados adotarão", disse um delegado indonésio. No segundo dia de conversas, a União Européia (UE), que em março se comprometeu a reduzir as emissões em cerca de 20% até 2020 (em relação aos níveis de 1990), instou os países menos desenvolvidos a reduzirem sua emissão de gases. "Precisamos nos assegurar de que, nos próximos anos, o aumento das emissões nas nações em desenvolvimento registre uma queda e seja eventualmente coberto para que fique de acordo com nosso objetivo de 2 graus Celsius", destacou Tom Van Ierland, especialista da UE em mudança climática, em entrevista coletiva.

O especialista europeu disse que os países menos desenvolvidos não devem adotar políticas próprias para combater a emissão de gases, em uma aparente alusão à China, que afirma que aplicará medidas unilaterais para solucionar o problema. A China, o segundo país mais poluente do mundo, e que se aproxima dos 6 bilhões de toneladas de CO2 emitidas a cada ano pelos Estados Unidos, está submetida a uma forte pressão de outras nações e também por parte de seus cientistas, que alertaram sobre a possibilidade de um futuro catastrófico caso não se contenha o aquecimento global. A delegação chinesa, que na reunião de Bangcoc advertiu que o mundo industrializado deve se abster de impor diretrizes ao IPCC, apresentou centenas de emendas ao relatório que deverá ser divulgado na sexta-feira.

Fonte: EFE