sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Brasil participa de Feira Internacional sobre biocomércio

Daniela Mendes

Terá início no próximo dia 16 de outubro, em São Paulo, a terceira versão da principal feira e conferência latino-americana de biocomércio - a Exposustentat. O Ministério do Meio Ambiente participa desta iniciativa com o apoio à Sala Amazônia que após o sucesso de 2006 no encontro volta com uma nova versão: a Sala Andes e Amazônia. A Sala Andes e Amazônia reúnirá 29 exibidores oriundos dos oito países amazônicos e andinos - Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela. Os expositores selecionados representam a diversidade produtiva sustentável ligada às culturas, tradições, saberes, aromas e sabores da sociobiodiversidade andina e amazônica.

A Expopsustentat é uma feira especializada em negócios sustentáveis que se organiza em paralelo com a feira especializada em produtos Orgânicos BIOFACH-América Latina. O objetivo da Exposustentat é estabelecer uma plataforma para a exibição, a promoção e o intercâmbio de informações e de produtos derivados da biodiversidade e aproveitados de maneira sustentável.
A proposta da Exposustentat é criar um mercado para os produtos e serviços sustentáveis oriundos de países em desenvolvimento. O evento procura promover o conceito de Biocomércio (comércio sustentável e justo), além de posicionar as regiões Andes e Amazônia como pioneiras no tema.

A feira também pretende promover iniciativas de produção e comercialização de produtos e serviços sustentáveis derivados da biodiversidade e mostrar modelos de negócios sustentáveis das regiões Andes e Amazônia em Biocomércio. A exposição acontecerá de 16 a 18 de outubro no Transamérica ExpoCenter. Em paralelo à Sala Andes e Amazônia, no dia 17 de outubro se organizará um fórum de discussões, cujo tema principal será o Biocomércio com a finalidade de sensibilizar os visitantes com o conceito e o alcance do Biocomércio em nível mundial. O fórum contará com a participação de peritos especializados nesse tema e representantes de experiências com êxito em nível nacional e internacional na implementação da distribuição dos benefícios no Biocomércio.

Na edição 2007, foi proposta a criação do fórum e da Sala Andes e Amazônia, dedicando um espaço à promoção dos produtos e serviços derivados da Biodiversidade destas regiões, ressaltando a complementaridade e potencialidade de ambas para o desenvolvimento do Biocomércio como novo modelo de desenvolvimento sustentável. Essa exposição é apoiada pela CAN, OTCA, UNCTAD, GTZ, pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil e os programas nacionais de Biocomércio da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

Mais informações sobre a Exposustentat - Site: http://www.exposustentat.com.br/

Fonte: MMA

Mestrado em Botânica abre inscrições para 2008

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) abrem, a partir da proxima segunda-feira (8), inscrições para o processo de seleção ao Mestrado em Botânica, curso que visa à formação de pessoal qualificado na área de Botânica Tropical para atividades técnicas, de ensino e de pesquisa na Amazônia.

O curso oferece 15 vagas, distribuídas nas seguintes linhas de pesquisa: Sistemática e Evolução de Plantas; Ecologia, Manejo e Conservação; e Fisiologia e Bioquímica Vegetal. O edital, com as informações sobre o processo seletivo para 2008, a ficha de inscrição e o conteúdo programático já estão disponíveis no portal do Museu Goeldi (www.museu-goeldi.br). As inscrições poderão ser feitas até o dia 30 de novembro, na Secretaria do Mestrado em Botânica, localizada no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, na Avenida Perimetral, 1901, bairro da Terra Firme, em Belém (PA). Mais informações pelos telefones: (91) 3217-6088 e 3274-9280 ou pelo e-mail: posbot@museu-goeldi.br

Fonte: Museu Goeldi

Estudo: corvo usa ferramenta para buscar comida


Indicação vermelha mostra o local onde foi instalada uma câmera na ave


Um estudo publicado pela revista Science descobriu que o corvo da Nova Caledônia (Corvus moneduloide), considerado um dos mais inteligentes da espécie, utiliza ferramentas para buscar alimentos.

Por meio de microcâmeras instaladas nas aves, os cientistas da Universidade de Oxford observaram que, para localizar pequenos insetos no solo, elas usam pedaços de graveto e grama.
Os pesquisadores descobriram ainda que as ferramentas mais eficientes são guardadas pelos corvos para serem usadas posteriormente.

Fonte: Redação Terra

Jornal: Amazônia 'queima' e América do Sul 'sufoca'

Uma reportagem do jornal britânico The Independent afirma nesta sexta-feira que "várias áreas do Brasil e do Paraguai, e a maior parte da Bolívia estão sufocando sob espessas camadas de fumaça", por causa de incêndios que se multiplicam pela Amazônia.

Segundo o jornal, imagens de satélite mostraram "grandes nuvens de fumaça" causadas pela disseminação das queimadas. "A cada ano, no fim da estação seca, em antecipação às primeiras chuvas do inverno, fazendeiros e pecuaristas em toda a América do Sul fazem queimadas para 'renovar' as áreas de pasto", escreve o repórter do diário. "Mas esse ciclo histórico saiu do controle, porque o desflorestamento e a mudança climática criaram um barril de pólvora." Uma ONG ouvida pelo Independent estima que há mais de 10 mil focos de incêndio em uma área de 2 milhões de km² nos lados brasileiro e boliviano da Amazônia, e que "90% deles" resultam da expansão da criação de gado.Além disso, afirma o jornal, a atividade pecuária tem se expandido para dentro de áreas de floresta, levando consigo a técnica de "limpar" a terra com as queimadas.

O diário nota que a atividade econômica na Amazônia se expande com o apoio e os benefícios do governo brasileiro, e que o país não tem metas de redução de emissões de gases que causam o efeito estufa, embora esteja entre os primeiros em emissões de gás carbônico por causa do desflorestamento.

Fonte: BBC Brasil

Aquecimento: Fukuda mantém propostas de Abe

O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, assegurou hoje que continuará com a iniciativa ambiental apresentada por seu antecessor, Shinzo Abe, que estabelece um novo marco internacional para a redução da emissão de gases poluentes, informou a agência Kyodo. "O Japão continuará liderando os discursos internacionais (sobre o aquecimento global) para criar um marco no qual possam participar os maiores emissores de gases do efeito estufa", afirmou Fukuda hoje na sessão do Parlamento japonês. "Meu gabinete também dará máxima prioridade aos temas ambientais, incluindo o aquecimento global, e trabalharemos nisso com o maior esforço", disse o primeiro-ministro.

No dia 24 de maio, Shinzo Abe apresentou a proposta "Esfriar a Terra 50", que pretende substituir o Protocolo de Kyoto uma vez vencida sua vigência em 2012, com a qual se pretende reduzir pela metade as emissões mundiais de gases do efeito estufa em 2050 para combater a mudança climática. Fukuda insistiu em que levará o problema do aquecimento global à próxima reunião do G8, que será realizada na ilha japonesa de Hokkaido em 2008. Além disso, o primeiro-ministro do Japão elogiou a última reunião de alto nível das Nações Unidas sobre mudança climática, porque serviu para preparar a próxima cúpula da ONU, que será realizada na ilha indonésia de Bali, onde se tratará sobre o tratado meio ambiental que vai vigorar após o final do Protocolo de Kyoto.

Fonte: EFE

Democratas dos EUA podem ir a Bali

Flora Holzman

O partido Democrata dos Estados Unidos deve anunciar, nos próximos dez dias, a intenção de enviar à reunião das Nações Unidas em Bali, a respeito das mudanças climáticas, uma delegação paralela à oficial, comandada pelo presidente republicano George W. Bush. A idéia é aproveitar o encontro da ONU para marcar posição interna e externamente, a favor de um maior comprometimento dos EUA em relação a metas obrigatórias de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e seu compromisso com alterações na legislação relativa à produção e uso de energia no país.

A reunião de Bali é uma prévia para as negociações sobre a renovação ou reformulação do Protocolo de Quioto, ao qual os EUA não aderiram por rechaçar a imposição de metas rígidas de redução de emissões de gases estufa. Além de conquistar apoio externo, iniciativa do partido Democrata teria ainda, segundo analistas, um viés eleitoral, na em medida que a administração Bush, que está prestes a enfrentar nova eleição, vem sendo criticada por grupos ativistas norte-americanos e europeus pela política de não-comprometimento de Washington em relação a metas rígidas propostas por europeus. Rumores que circulam em Washington e em Londres indicam que o comando da delegação paralela Democrata em Bali poderá ficar a cargo da líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi. Seus auxiliares, no entanto, não confirmam nem desmentem a notícia, embora admitam o interesse em participar das discussões internacionais sobre mudanças climáticas.

Os democratas também pretendem incluir na proposta de legislação interna norte-americana sobre mudanças climáticas, a ser publicada no dia 15 de outubro, a fixação de metas obrigatórias de redução de CO2. A medida ajudaria, na visão dos políticos oposicionistas norte-americanos, a aproximar os EUA do discurso Europeu, que reiterou disposição de adotar metas ainda mais ousadas de redução das emissões de gases que as existentes hoje no Protocolo de Quioto. As divergências de Democratas e Republicanos em torno do comprometimento dos EUA com o controle do efeito estufa, que causa aquecimento global, data do início da administração Bush, que não ratificou o Protocolo de Quioto com o qual o país se comprometeu na gestão democrata de Bill Clinton. O assunto agora, diante da proximidade da eleição presidencial norte-americana, promete esquentar em todas as frentes, até porque o ex-vice-presidente democrata Al Gore tem alimentado a disputa em suas viagens pelo mundo para divulgar os riscos do aquecimento global e na defesa ferrenha do meio ambiente.

Fonte: DiárioNet

Reforma agrária protege o meio ambiente, diz presidente do Incra

Deborah Souza

Durante a 4ª Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) quer mostrar a importância do desenvolvimento do setor para o meio ambiente. A feira, aberta ontem (4) no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, vai até o próximo domingo (7).“Estamos promovendo o desenvolvimento sustentável, buscando licenciamento ambiental dos assentamentos na Amazônia Legal. Desde o ano passado, o desmatamento nos assentamentos caiu 51,2%; aumentamos o número de famílias, o número de áreas assentadas na Amazônia Legal e o desmatamento caiu”, disse o presidente do Incra, Rolf Hackbart, em entrevista à Agencia Brasil.

Segundo Hackbart, o Brasil já tem 7,4 mil projetos de assentamentos, em cerca e 72 milhões de hectares, nos quais vivem em torno de 700 mil famílias. Ele informou que o Segundo Plano Nacional da Reforma Agrária, de 2003, já assentou mais de 400 mil famílias. Para o presidente do Incra, o grande desafio agora é o desenvolvimento dos assentamentos, a geração de renda, emprego e a recuperação do passivo ambiental. “Estamos criando agricultores familiares, com crédito, assistência técnica e infra-estrutura”, comentou Hackbart.

Paulo Barreto, representante do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) avaliou que as mudanças climáticas afetam a forma de como as pessoas vão praticar a agricultura, com a chuva e ocorrência de secas excessivas, por exemplo. Mas, ele também tem uma visão positiva, diante da situação.“Pode também ser oportunidade com as novidades que estão surgindo. A área de biocombustível pode aumentar bastante. Plantar o que vai poder usar para combustíveis é uma oportunidade. Também pode ajudar na área de reflorestamento, para mitigar os efeitos das mudanças climáticas globais”.

Fonte: Agência Brasil

Estudo constata falta de padronização em bula do fitoterápico ginseng



Comércio de ginseng em um mercado popular da Coréia do Sul (Fotos: Wikipedia)



Wagner Oliveira

Um dos mais populares fitoterápicos, os medicamentos à base de ginseng podem apresentar rótulos e bulas com informações imprecisas e incompletas sobre os efeitos adversos, as doses diárias recomendadas e as indicações de uso do produto. Foi o que descobriu um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, que avaliou amostras de fitoterápicos à base de ginseng, comparando-as as informações contidas nas bulas com dados da literatura científica sobre o produto.

O ginseng é reconhecido na chamada medicina popular como estimulador imunológico, protetor do coração e suas funções, aliviador de estresse e estimulador da libido, entre outras aplicações. A pesquisa, que acaba de ser publicada na edição de outubro dos Cadernos de Saúde Pública, periódico científico da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz, recolheu oito amostras de sete diferentes fabricantes de ginseng vendidos num mercado da cidade de São Paulo. No quesito reações adversas, as bulas avaliadas não apresentaram padronização quanto a possíveis efeitos colaterais do ginseng. Reações como insônia, hipertensão arterial, dor de cabeça, sangramento vaginal, nervosismo e palpitações, descritas na literatura médica, não estavam indicadas em todas as bulas. No caso da dor de cabeça, apenas uma das oito amostras continha advertência. E entre as oito amostras, somente uma bula trazia menção a outro possível efeito colateral, o sangramento vaginal.

Segundo a equipe do Adolfo Lutz, nenhuma das bulas analisadas continha recomendação para que o usuário informasse ao médico o uso do ginseng caso algum medicamento lhe fosse prescrito simultaneamente ao fitoterápico. Também não foram encontrados alertas quanto à restrição de uso do ginseng por idosos, crianças e gestantes. Neste caso, como assinalaram os pesquisadores no artigo, a literatura médica relata a possibilidade de androgenização (masculinização) do recém-nascido de mãe usuária de ginseng. “As bulas para fitoterápicos devem apresentar informações que priorizem os alertas, visando à diminuição do risco associado à sua utilização”, advertem os autores do estudo, Mariangela Auricchio, Mônica Arcon e Maria Aparecida Nicoletti.

As doses indicadas também não apresentaram padronização. As quantidades diárias a serem administradas indicadas na embalagem dos produtos pesquisados eram diferentes, sem qualquer relação entre si quanto à dosagem. Um produto sugeria uma cápsula três vezes ao dia, outro uma ou duas cápsulas três vezes ao dia e um terceiro apenas uma cápsula diária. Os pesquisadores chegaram a notar uma variação nas bulas cerca de 13 vezes entre o maior e menor valor da dose a ser ingerida. Outro fator que chamou a atenção foi que as bulas reuniam grande quantidade de informações sobre a ação farmacológica dos produtos em animais, e não a partir de testes clínicos com humanos e com dados estatísticos significativos. Houve, da mesma forma, pouca homegeneidade nas informações quanto às aplicações do ginseng. Entre as oito amostras, apenas um produto indicou ação hepatoprotetora, outro fez menção ao tratamento de desordens gastrointestinais e um terceiro ressaltou a atividade imunológica. Três ressaltaram efeitos contra a disfunção erétil. As bulas das oito amostras só concordaram num ponto entre as dez indicações descritas na literatura médica: os efeitos regeneradores do ginseng. “Observa-se a descrição de uma variedade de efeitos assinalados diferentemente em cada uma delas (bulas), mostrando que não há, por parte da autoridade reguladora, exigência de harmonização nas informações ao pacientes por meio de bulas”, sustentam os autores do artigo.

Os pesquisadores do Adolfo Lutz sugerem que as bulas e rotulagens para medicamentos fitoterápicos sejam mais específicas e levem em conta as particularidades desses produtos, fornecendo o máximo de informações sobre indicações, reações adversas e interações medicamentosas decorrentes do seu consumo.

Fonte: Fiocruz

Ibama divulga resultado da Operação Lagosta Legal

O Ibama no Piauí, Paraíba, Espírito Santo e Amapá divulgaram hoje os resultados da Operação Lagosta Legal, realizada no período de 24 a 30 de setembro, em uma ação simultânea do Amapá até o Espírito Santo. A Operação foi realizada pelo Ibama, em conjunto com a Marinha do Brasil e participação das Polícias Federal, Rodoviária, Civil e Militar. Uma iniciativa do Governo Federal coordenada pelo Ibama, Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Secretaria Especial de Pesca e Aqüicultura (Seap/PR).

No total, duzentos agentes de fiscalização, distribuídos em 50 equipes fizeram uma varredura em embarcações pesqueiras, portos, indústrias, frigoríficos, peixarias, restaurantes, bares, hotéis, feiras e mercados nos nove estados do Nordeste, e no Amapá, Pará e Espírito Santo. Os fiscais averiguam a permissão e os equipamentos de pesca, além do tamanho mínimo estabelecido para a pesca da espécie. No estado do Espírito Santo, foram realizadas 55 vistorias e aplicado um total de R$ 4,7 mil em multas, Sendo R$ 2 mil das multas aplicados em embarcações pesqueiras, e R$ 2,2 mil aplicados em Peixarias e R$ 504 em Indústrias Pesqueiras. Na Paraíba, durante a fiscalização no período de 24 a 29/09, foram apreendidos 16,3 kg de lagosta, além de um freezer com duas portas, onde foi lavrado um auto de infração no valor de R$ 2,4 mil em um Mercado Público no município de Cabedelo. No município de Luis Correia, no Piauí, em 24 de setembro foram aplicados dois autos de infração no valor de R$ 1 mil cada um, para duas Embarcações Pesqueiras (Ponta Negra e Ponta Negra II). Além disso, todos os portos foram vistoriados, e no Porto Marina encontrados 160 kg de lagosta, com o tamanho permitido.

Segundo a Superintendência do Ibama no Amapá, não foi encontrado comercialização nem estoque de lagosta tanto em feiras como em barcos e frigoríficos vistoriados. Apesar disso, foram lavradas seis notificações por não possuir, no momento da fiscalização, a Licença de Pesca fornecida pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap/PR), mas não foi feita nenhuma autuação em virtude das embarcações não estarem exercendo a pesca, ou seja, estavam ancoradas no Porto de Santana.

Fonte: Ibama

Inscrições abertas para o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente

Estão abertas as inscrições para a sexta edição do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente. Até o dia 6 de novembro os interessados podem se inscrever por meio de remessa postal registrada endereçada ao Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, Caixa Postal 10805, CEP: 70.306.970-Brasília-DF. O prêmio tem o objetivo de valorizar e incentivar trabalhos em prol da conservação do meio ambiente da Amazônia.

Os trabalhos podem ser inscritos nas categorias liderança individual, associação comunitária, organização não-governamental, negócios sustentáveis, ciência e tecnologia e arte e cultura. Podem concorrer pessoas físicas ou jurídicas de direito privado com ou sem fins lucrativos, instituições de pesquisa públicas e privadas, ongs, sindicatos e associações comunitárias. Uma comissão composta por integrantes de notório saber na área de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, designada pelo Ministério do Meio Ambiente julgará os trabalhos. A seleção e avaliação levará em conta critérios de efetividade, impacto social e ambiental, potencial de difusão, originalidade, adesão e participação social.

O primeiro colocado de cada uma das categorias receberá diploma honorífico e 20 mil reais. O anúncio dos vencedores será feito no dia 27 de novembro pela ministra do Meio Ambiente Marina Silva, em sessão pública, no MMA. A entrega dos prêmios aos vencedores será em dezembro. Nas cinco edições anteriores, o prêmio foi instituído em 2002 , já foram registradas mais de 300 inscrições oriundas de vários estados brasileiros. No ano passado foram 87 inscrições, o maior número registrado por edição desde a criação do prêmio. Dentre os premiados estão a Universidade Federal do Acre, Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (AM) e Instituto Socioambiental (SP), Associação dos Moradores de Riozinho do Anfrísio (PA), o pesquisador Philip Fearnside e a jornalista Mara Régia Di Perna.

Fonte: MMA

Energia e biocombustíveis em debate

Começa na próxima terça-feira (9/10), em Brasília, a Feira Internacional de Agroenergia, Biocombustíveis e Energias Renováveis – Enerbio. A extensa programação, que vai até o dia 11, terá cobertura diária da Agência FAPESP.

A Enerbio é o conjunto de eventos que reúne as cadeias produtivas dos biocombustíveis e das energias: a Conferência Internacional de Biocombustíveis, a Conferência Internacional de Energia e a Conferência Internacional de Transportes. A programação inclui ainda o Seminário de fomento a micro-produtores de etanol e biodiesel. Os organizadores esperam, para a abertura do evento, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente José Alencar e do governador da Califórnia (Estados Unidos), Arnold Schwarzenegger, além de 11 ministros de Estado e outras autoridades e especialistas dos setores de biocombustíveis e energias.

No primeiro dia da Conferência Internacional de Biocombustíveis, o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Ozanan Machado Durães, fala sobre o tema “Arranjos tecnológicos e produtivos em agroenergia: saltos de competitividade e produção de matérias-primas”. Especialistas discutem temas como “Cenários e perspectivas de matérias-primas para etanol” e “Perspectivas de matérias-primas usuais para biodiesel”. Na quarta-feira (10/10), os destaques são a mesa-redonda “Proálcool 30 anos: desafios e perspectivas” e a conferência “Inovação tecnológica em bioenergia”, apresentada por João Furtado, coordenador-adjunto da área de Inovação da FAPESP. “Investimentos: capital nacional e capital estrangeiro”, “Alcoolquímica” e “A Nova fronteira agrícola e industrial” são outros temas em pauta. No último dia, serão debatidos temas como “Biodiesel e bioquerosene, a revolução dos biocombustíveis”.

“Biocombustíveis, o desafio continental” é o tema de Mário Seixas (subdiretor-geral adjunto do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura) e José Graziano da Silva (FAO para a América Latina e Caribe). Na Conferência Internacional de Energia, especialistas debatem, no primeiro dia, o tema “Os gargalos, os desafios, os riscos: novo e inevitável apagão?”. “Crescimento econômico, PAC e infra-estrutura” é o tema da mesa-redonda presidida pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. No segundo dia, o debate “Os cenários mundiais para a energia” terá participação dos ministros de Energia de Moçambique, Argentina, Chile, Paraguai, Venezuela e Bolívia, além do físico José Goldemberg. O tema “Energia e o desenvolvimento sustentável” é debatido por nomes como Luiz Pinguelli Rosa (secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas), o deputado federal Fernando Gabeira e o empresário Israel Klabin. “Energia nuclear: problema ou solução?”, “As novas fontes limpas de energia”, “A dependência do petróleo e do carvão” e “Os impactos políticos e econômicos” são os temas do último dia.

A Conferência Internacional do Transporte discutirá temas como “Biocombustíveis – etanol, biodiesel, bioquerosene e células combustível a hidrogênio”, “Novos combustíveis, pesquisas, testes e resultados”, “Transporte multimodal, PAC e insegurança jurídica” e “Novas tecnologias na visão das montadoras”.

Fonte: Agência Fapesp

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Cultivo intensivo de arroz economiza água, diz WWF

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) recomendou hoje aos países em vias de desenvolvimento o cultivo intensivo de arroz, que permite aumentar sua produção e economizar milhões de litros de água. "Embora o sistema de cultivo intensivo de arroz tenha mostrado suas vantagens, o nível de utilização deixa muito a desejar", afirmou em comunicado o assessor em políticas públicas do WWF, Biksham Gujja.

O sistema intensivo de cultivo de arroz se baseia em oito princípios como o uso de viveiros ricos em nutrientes e não inundados - como na agricultura tradicional -, um maior espaço entre as sementes, o uso de adubo natural frente aos químicos e a irrigação cuidadosa para não saturar as raízes. Esse método, que começou a ser desenvolvido em Madagascar na década de 1980, demonstrou sua efetividade em 28 países, entre eles a Índia, que conta com a maior extensão de cultivos de arroz e enfrenta uma das principais crises hídricas do planeta. Nesse país, o sistema de cultivo intensivo permitiu aumentar em mais de 30% a produção, passando de três a até cinco toneladas de arroz por hectare, e utilizar 40% menos água. Por isso, acrescentou Gujja, "é o momento de começar a aplicar programas em grande escala que trarão grandes benefícios para as pessoas e a natureza".

Além disso, o WWF sustenta que países como a Índia, China e Indonésia deveriam utilizar o sistema intensivo em, pelo menos, 25% de seus campos de arroz antes de 2025 para ajudar a garantir a segurança alimentar de seus habitantes. A organização ambientalista lembrou que 1,2 bilhão de pessoas no mundo, especialmente nas áreas rurais mais pobres, não têm acesso à água potável, nem para seu consumo nem para a higiene pessoal, por isso que os sistemas de cultivo intensivos permitiriam mitigar esse problema.

Fonte: EFE

Cientistas buscam redução de pesticidas nos bananais

Considerado um dos cultivos comerciais com maior uso de pesticidas do mundo, uma ameaça ao ambiente e à saúde humana nos países produtores e à viabilidade econômica das indústrias, a cultura da banana poderá ganhar sustentabilidade. É possível que em uma década o uso de fungicidas e nematicidas nos bananais seja reduzido em até 50%. Para chegar a esse resultado cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e da Universidade de Wageningen (Holanda) desenvolvem o Programa de Redução de Pesticidas em Banana (PRPB).

O foco do PRPB é o controle da Sigatoka Negra (Mycosphaerella fijiensis), principal doença que atinge a bananicultura, e do nematóide Radopholus similis. O escopo do programa conta com nove grupos de trabalho. Destes, três compõem o MusaForever – que é uma plataforma de transferencia tecnológica e de capacitação de recursos humanos. A idéia é obter mais conhecimento científico e ferramentas biotecnológicas necessárias para otimizar o controle genético da Sigatoka Negra. “Uma conquista garantida é o seqüenciamento do genoma do fungo Mycosphaerella fijiensis, recentemente concluído”, comemora o pesquisador Manoel Teixeira Souza Júnior, do Laboratório Virtual da Embrapa no Exterior (Labex Europa), sediado em Wageningen, na Holanda. Teixeira, um dos pesquisadores da parceria Labex e Universidade de Wageningen para o PRPB diz que o estudo é um desafio à comunidade científica – considerando a importância econômica e social da bananicultura, com produção em mais de cem países tropicais e subtropicais e alimento básico para mais de 400 milhões de pessoas.

Embora existam variedades resistentes à Sigatoka Negra, amplamente utilizadas no Brasil, muitas delas desenvolvidas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas-BA), estas são restritas a um grupo conhecido como “banana prata”. Para outras variedades, como as do subgrupo Cavendish (banana d’água, também conhecida como ‘nanica’ ou ‘nanicão’), que representam 30% da produção brasileira, a única solução do ponto de vista do controle genético é a produção de mutantes ou a produção de bananeiras geneticamente modificadas.
Hoje, para os produtores de bananeiras do grupo Cavendish – que domina o mercado internacional - o controle utilizado é o químico. Em alguns países da Américas do Sul e Central, a produção de bananas desse grupo só é possível com 50-70 pulverizações por ano com fungicidas.

Bananais sustentáveis

Se a Sigatoka Negra é um desafio às instituições envolvidas no PRPB (confira abaixo os participantes do programa), reduzir o uso de nematicidas para o controle do nematóide Radopholus similis não é menos importante. A quantidade de fungicidas e nematicidas aplicados nos bananais é inaceitável do ponto de vista ambiental, na avaliação de Manoel Teixeira. Especialista em fitopatologia e biologia molecular de plantas, ele diz que a seguir o ritmo das pesquisas é possível que os produtores brasileiros e de outras partes do mundo possam, num prazo de 10 anos, reduzir pela metade as aplicações dos produtos químicos. Isso ocorrerá mediante a oferta de alternativas de controle aplicadas de uma forma integrada. Ou seja: a combinação de sistemas de controles genético, biológico e químico, sendo que este último será definido (intervalo e número de aplicações) mediante um monitoramento constante e preciso da quantidade de doença presente no campo. Apesar de a necessidade do controle químico na bananicultura brasileira ser menor do que em outros países, pois grande parte das variedades nacionais são resistentes às doenças como Sigatoka Negra, Mal-do-Panamá e Sigatoka Amarela, há sempre risco de quebra de resistência. “Além disso, por conta do alto custo de produção, reduzir as aplicações de pesticidas na cultura da banana pode ser considerado um caminho sem volta.

Até porque, alimentos “limpos” ou livres de produtos químicos é uma exigência do mercado. Se o produtor não se adaptar a essa realidade perde mercado”, assegura Manoel Teixeira.
Por isso, os principais centros produtores da fruta (como Colômbia e Equador) têm interesse na proposta do PRPB. A coordenação do programa organiza, para novembro, na Costa Rica, uma reunião com grupos integrantes das cadeias produtivas de banana de diferentes partes do mundo para avaliar o programa. Em dezembro o PRPB terá uma proposta final que será apresentada às agências financiadoras de pesquisa e desenvolvimento.

Fonte: Embrapa

400 pessoas lotaram consulta pública em Santa Catarina

Ontem, às 19 horas, o Instituto Chico Mendes e o Ibama promoveram a consulta pública para criação da Reserva de Fauna Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, Santa Catarina. Cerca de 400 pessoas da comunidade local, além de prefeitos, vereadores, lideranças do estado e servidores municipais debateram por mais de quatro horas a criação da unidade, manifestando suas dúvidas a respeito da criação da unidade. As contribuições da população de Santa Catarina serão incluídas no processo, bem como todas as informações que comprovam a ampla divulgação da consulta no Estado. Esta foi a última de um total de oito consultas realizadas na região. A expectativa é que a minuta do decreto que cria a unidade seja encaminhada ao Ministério de Meio Ambiente até o final do ano.

uada ao norte de Santa Catarina, a Baía Babitonga está próxima de se transformar na primeira Reserva de Fauna a ser criada no país. Essa categoria de unidade de conservação, prevista no SNUC, permite o uso sustentável dos recursos de fauna. O ecossistema faunístico da Babitonga é importante berçário do Atlântico Sul e refúgio de diversas espécies, como o caranguejo-uçá, o mero, golfinhos e a toninha, esta última ameaçada de extinção. Diversos segmentos da população sobrevivem de atividades desenvolvidas em suas águas locais, atuando na pesca, maricultura e turismo, entre outras atividades. s reuniões públicas fazem parte do esforço do Instituto Chico Mendes e do Ibama em identificar as diferentes demandas socioambientais da comunidade que vive em torno da baía e dela dependem em suas atividades diárias.

Fonte: Ibama

Ambientalistas discutem conflito por fábrica de celulose no Prata

Ambientalistas do Brasil e outros quatro países sul-americanos se reúnem este mês na Argentina para debater o conflito com o Uruguai por causa da construção de uma fábrica de celulose às margens do Rio da Prata, fronteira entre estes dois países. O encontro da União de Assembléias Cidadãs será entre os dias 12 e 14 em Concepción del Uruguay, na Argentina. Além dos representantes brasileiros, também estarão presentes ambientalistas do Chile, do Paraguai e dos dois países diretamente envolvidos, Argentina e Uruguai. "Os temas dominantes serão ambientais. Naturalmente, o conflito da Argentina com o Uruguai" será analisado, disse hoje José Pouler, da Assembléia Ambiental de Gualeguaychú (Argentina). Esta cidade é vizinha ao território uruguaio e sua população lidera os protestos contra a instalação da fábrica.

Pouler explicou à agência de notícias argentina "Télam" que será a quinta reunião da entidade e serão retomados alguns dos temas abordados no encontro anterior, em julho. Há uma semana, ambientalistas argentinos e uruguaios formaram uma assembléia "binacional" para rejeitar a instalação da fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia. A Assembléia Ambiental de Gualeguaychú mantém bloqueada há mais de um ano a ponte que liga a cidade a Fray Bentos, no lado uruguaio, onde a Botnia está construindo a fábrica.

Fonte: EFE

Amazônia: ONGs querem "desmatamento zero" até 2014

Ambientalistas de nove organizações não-governamentais lançaram uma proposta nesta quarta-feira em Brasília para acabar com o desmatamento na Amazônia em sete anos. A iniciativa, chamada Pacto Nacional pela Valorização na Amazônia, prevê metas progressivas de redução, a começar por 25% no primeiro e no segundo anos, e ampliando anualmente as reduções em relação à área desmatada de 2005/2006, até eliminar totalmente o problema no sétimo ano.

O plano foi apresentado numa sessão da Câmara de Deputados, na qual estavam presentes a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e autoridades dos Estados amazônicos, incluindo o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi. O coordenador de projetos da ONG Imazon, Paulo Barreto, diz que a proposta tem mais chance de ir adiante do que outras que não saíram do papel porque "inova" ao prever mecanismos de compensação econômica para quem se beneficia do desmatamento. "O sucesso vai depender da parte econômica da equação, da rapidez e da escala em que vamos conseguir implementá-los. Se (os que ganham com os desmatamento) tiverem alguma compensação, eles vão aderir à idéia." Um dos mecanismos mais simples, segundo ele, seria oferecer ao dono de uma área que ainda tem direito a desmatar uma parte dela os R$ 100 por hectare/ano que ele ganharia ao derrubar a floresta.

Para que esses mecanismos fossem adotados de forma eficaz, seria preciso firmar um contrato com o proprietário e adotar uma fiscalização extensiva, por meio de acompanhamento por satélite. A Imazon e as outras ONGs que apóiam a proposta estimam que financiar esses mecanismos e a infra-estrutura inicial para implementá-los exigiriam R$ 1 bilhão por ano, que poderiam ser pagos pelo governo e pela iniciativa privada. Segundo Paulo Barreto, cerca de metade disso poderiam ser levantada simplesmente redirecionando recursos que já são aplicados na Amazônia. "É uma decisão política", disse Barreto. Com esse compromisso de investimento inicial, diz o ambientalista, o país teria "mais autoridade" para buscar recursos externos. "O desafio agora é ter articulação para garantir esse fundo (de R$ 1 bilhão)." O coordenador de projetos da Imazon também acredita que o momento seja favorável à adoção do plano - do ponto de vista interno, porque a maior responsável pelo desmatamento, a pecuária, atravessa um momento ruim.

Para Barreto, o cenário internacional também ajuda, na medida em que as discussões sobre as formas de mitigar o aquecimento global ganham importância, com a aproximação da reunião da ONU sobre o clima, em dezembro, em Bali. O ativista diz acreditar que o Brasil possa se beneficiar da "economia do carbono", referência ao mecanismo que prevê que países que queiram extrapolar suas metas de cortes de emissões "comprem" créditos de carbono de países que poluam menos. Para que isso aconteça, porém, Barreto reconhece que esse mercado precisa ser estimulado por tratados internacionais que estabeleçam as metas. "O debate sobre o clima e as compensações internacionais são chave. Se o debate da proteção das florestas não entrar nas discussões de como mitigar as mudanças climáticas, o Brasil vai ficar sem oportunidade", disse Barreto. O ambientalista enfatiza que, excluídos aqueles que se beneficiam de forma imediata do desmatamento, as atividades que estão por trás da derrubada das florestas - agropecuária, principalmente - não compensam o dano ambiental que provocam no país. "75% da emissões de gás carbônico vêm do desmatamento e isso contribui muito pouco para a economia total. É uma forma ineficiente para gerar desenvolvimento."

Segundo Barreto, uma floresta que tenha 300 toneladas de mata por hectare vai liberar cerca de 150 toneladas de CO2 na atmosfera, se desmatada. Apóiam a iniciativa as ONGs Instituto Socioambiental, Greenpeace, Instituto Centro de Vida, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, The Nature Conservancy, Conservação Internacional, Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, Imazon e WWF-Brasil.

Fonte: BBC Brasil

Cooperativas entram na luta antiaquecimento global

Roberto do Nascimento

No Brasil, os números são muito representativos, no mundo, mais ainda. Agora, esta grande força presente no agronegócio vai se engajar de forma sistemática em ações que possam contribuir para a redução das mudanças climáticas que provocam o aquecimento global.

Técnicos estão sendo formados pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), para identificar em todo o País oportunidades de adoção de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), forma pela qual os países em desenvolvimento podem contribuir com as metas de redução de gases de efeito estufa definidas no Protocolo de Quioto. "É um nicho de mercado que pretendemos capacitar, formar cultura. A partir do ano que vem, faremos diversas reuniões de trabalho em busca de parcerias para fazer MDL", informa o gerente de mercados da OCB, Evandro Ninaut. Na primeira etapa, a meta é formar 45 técnicos.
A importância dessa ação pode ser medida pelo peso das cooperativas na economia do País, com destaque para o agronegócio que, por sua proximidade com o desmatamento, principal fonte de poluição do Brasil, pode dar uma contribuição decisiva contra as mudanças climáticas. A OCB tem 7.603 cooperativas, 7,39 milhões de cooperados, que faturam R$ 68 bilhões e exportam US$ 2,8 bilhões. Respondem por 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 35% do PIB agrícola.

Hoje, a Eletrorural é a única cooperativa no País a ter uma MDL registrado na Organização das Nações Unidas (ONU), que já rendeu R$ 6 milhões, com a venda para uma empresa de energia do Japão de 134 mil toneladas de dióxido de carbono cujas emissões foram evitadas a partir da geração de energia de uma pequena central hidrelétrica situada em Jaguariaíva, no Paraná. A cooperativa já tem novos créditos de carbono acumulados, disponíveis para venda (que ainda precisam ser validados pela ONU) correspondentes a 80 mil toneladas de dióxido de carbono.

Fonte: DiárioNet

Jardim Botânico recebe título de Maravilha do Rio

O presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Liszt Vieira, recebeu nesta quarta-feira (3) a placa comemorativa pelo título concedido à instituição como uma das 7 Maravilhas do Rio, obtido em voto popular em eleição promovida pelos jornais O Globo, Extra e Expresso.

A solenidade ocorreu no Morro da Urca, onde Liszt recebeu a placa da gerente de marketing institucional do Infoglobo, Fernanda Araújo. Ao final de mais de dois meses de votação, o Jardim Botânico obteve na segunda e última fase o terceiro lugar, com 33.008 votos de um total de 420.604. Na fase inicial do concurso, foram selecionados 50 lugares do Estado do Rio de Janeiro, dos quais 30 disputaram o título das 7 Maravilhas do Rio. O primeiro lugar ficou com o Pão de Açúcar, seguido da Ilha Grande. Entre as Maravilhas do Rio foram eleitas também a Praia de Copacabana, o Museu Imperial, o Teatro Municipal e o Aterro do Flamengo. O Jardim Botânico, que destaca-se pelo rico acervo científico, paisagístico, artístico e arquitetônico, completará 200 anos em 2008.

Fonte: MMA

Buraco na camada de ozônio recua em 2007

Anomalia sobre a Antártida está 30% menor que o recorde de tamanho, de 2006. Informação é de satélite da Esa, Agência Espacial Européia.

O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida já diminuiu 30% este ano com relação ao recorde registrado em 2006, informou a Agência Espacial Européia (ESA). Segundo as medições feitas com o satélite Envisat, da ESA, neste ano a perda de ozônio alcançou um pico de 27,7 milhões de toneladas, frente às 40 milhões do ano passado, disse a agência em comunicado. Para os cientistas, o fato de o buraco ser inferior este ano não é um sinal de uma tendência a longo prazo, mas se deve às variações naturais de temperaturas e de dinâmica atmosférica, segundo a ESA.

Para se calcular a perda de ozônio são medidas a superfície e a profundidade do buraco. A espessura da camada é medida em unidades Dobson. Este ano, a área do buraco - onde o ozônio é inferior a 220 unidades Dobson - é de 24,7 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, aproximadamente a superfície da América do Norte. O valor mais baixo da camada de ozônio beira as 120 unidades Dobson, explicou a ESA. "Embora o buraco esteja um pouco menor que de costume, não podemos chegar à conclusão de que a camada de ozônio já está se recuperando", advertiu um cientista do Instituto Meteorológico Real da Holanda, Ronald van der A, citado na nota. O pesquisador explicou que este ano o buraco na camada de ozônio estava menos concentrado no Pólo Sul do que em outros anos, o que permitiu misturar-se com um ar mais quente e reduzir seu crescimento.

Fonte: EFE

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ministério explica a deputados pesquisa sobre potencial energético em unidades de conservação

João Porto

O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, esclareceu na Comissão de Meio Ambiente e de Desenvolvimento da Câmara dos Deputados que a intenção do governo ao pedir estudos que calculam o potencial energéticos dos rios em unidades de conservação ambiental não são para futura instalação de usinas hidrelétricas nas áreas. Capobianco explicou que uma unidade de conservação não pode ser usada para nenhuma atividade que prejudique o meio ambiente, mas que é preciso pesquisar os efeitos das hidrelétricas nos rios que cortam as áreas protegidas."Na realidade não são estudos para aproveitamento hidrelétrico dentro de unidades de conservação. Nós temos que estudar toda a vazão dentro do curso d´água dos rios. Na Amazônia temos rios com mais de 1.000 quilômetros de extensão, obviamente que eles passam por unidades de conservação. Por isso emitimos a autorização da pesquisa", explicou.

Os deputados questionam a necessidade de se fazer os chamados "estudos de impaccção de queda" em áreas de conservação porque desconfiam que se uma unidade de conservação tiver um potencial energético muito grande, o Congresso Nacional poderia ser pressionado a permitir a construção de hidrelétricas nessas áreas.O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), membro da comissão, acredita que os esclarecimentos de Capobianco ainda não são suficientes e pretende pedir a convocação dos técnicos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para falar no colegiado. O deputado manifestou preocupação com possíveis pressões no Congresso se estas unidades de conservação tiveremum potencial energético muito grande."Nós estamos preocupados, porque se descobrirem que determinadas áreas dentro de unidades de conservação podem produzir energia elétrica, o movimento aqui no Congresso para desconstituir essas áreas será muito grande", disse.

A EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, tem 18 meses para concluir seus estudos nas áreas autorizadas. Ao todo, dez autorizações foram emitidas pelo Instituto Chico Mendes para a pesquisa energética no país inteiro. Na Amazônia, serão feitos estudos nos rios que cortam os estados do Amazonas, Pará e Rondônia.

Fonte: Rádio Nacional

Ibama realiza consulta pública para criação da Floresta do Pirandirá

A Superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) em Roraima realiza, no dia 6 de outubro, a primeira consulta pública de criação da Floresta Nacional do Pirandirá, estimada em pouco mais de 100 mil hectares. O encontro acontece na escola da Vila Nova Esperança, Município de Mucajaí. A floresta está sendo criada em função da sobreposição dos projetos de assentamento Samaúma e Vila Nova, do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), nos 5% que restaram da Floresta Roraima, que primeiramente foi sobreposta pela terra indígena yanomami, em 95% dos 2,264 milhões de hectares.

Devem participar da consulta pública, que é um dos passos para criação de uma floresta nacional, as associações de moradores dos municípios de Alto Alegre, Mucajaí e Iracema, sociedade civil organizada e o poder público. O encontro será o espaço para a sociedade tirar dúvidas, sugerir e questionar. A superintendente do Ibama, Nilva Baraúna, explicou que o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) preconiza uma audiência, mas dependendo do resultado da consulta, pode ser organizado um segundo encontro. “Se houver algum impasse, podemos retornar, mas acreditamos que não será preciso”, afirma. O Ibama vai esclarecer sobre a área, questão fitológica, abrangência, utilização, quem pode utilizar, entre outros pontos. “Todos os recursos naturais serão explicados e os participantes terão oportunidade de perguntar, tirar dúvidas e sugerir. Tudo ficará registrado em ata, a ser encaminhada a Brasília" garante a superintendente.

Conforme ela, o Incra disponibilizou uma área para que fosse criada a Floresta do Pirandirá, em compensação dos projetos de assentamentos. O Ibama está articulando junto às autoridades competentes para que a Floresta Roraima seja revogada e simultaneamente seja criada a do Pirandirá. O Ibama também está trabalhando com a possibilidade de quando for revogado o decreto de criação da Flona Roraima, possa ser anexado um pedaço do que vai restar, correspondente a 50% da área remanescente, para dar apoio a TI yanomami. “Para que seja um anteparo contra as invasões”conta Nilva Baraúna.

Fonte:Ibama

Espécies do Cerrado ameaçadas de extinção em exposição na Semana


Cattleya nobilior, uma das espécies de orquídeas ameaçadas de extinção
Foto: Daniel Lavenere - MCT

Lúcia Pinheiro

Uma mostra do cultivo in vitro de espécies de orquídeas ameaçadas de extinção pelas queimadas no Centro-Oeste brasileiro, chama a atenção no estande do Jardim Botânico de Brasília (JBB), instalado no Museu Nacional. A exposição faz parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2007. Idair Senna Bastos, assessora de eventos do Jardim Botânico, fala da importância da preservação de espécies raras, como a Cattleya nobilior, destruídas pelas queimadas, para restabelecer as populações nativas de espécies dos biomas brasileiros que se encontram ameaçadas de extinção e, principalmente, as do Cerrado. “A preocupação do Jardim Botânico é a preservação dessas espécies, assim como de outras raras no Cerrado, como a Cattleya bicolor”, ressalta.

Ela explica que para preservar as espécies, o Laboratório Multidisciplinar do JBB faz a análise de viabilidade das sementes de espécies nativas do Cerrado e a propagação in vitro, principalmente das espécies da família ‘Orchidaceae’. O cultivo in vitro da Cattleya nobilior passa por um longo processo, que implica na coleta, manipulação, semeadura, transferência, repicagem e aclimatação, e por fim o aparecimento das mudas. No estande, Idair conversa com estudantes que pesquisam o assunto para trabalho colegiais. “Além da responsabilidade de fazer o dever da escola, eles se interessam por tudo que esteja relacionado à preservação de espécies da natureza", declara.Sobre a Semana, ela avalia que o evento é enriquecedor, principalmente, para as crianças e os jovens, que têm a oportunidade de saber sobre as pesquisas desenvolvidas no País.

Fonte: Assessoria de Imprensa do MCT

Turismo consciente pede ajuda governamental, diz especialista ligado à ONU

A indústria do turismo admite ser uma das responsáveis pela mudança climática, fenômeno que pode provocar grandes prejuízos para o setor, e pede ajuda governamental para diminuir seus efeitos. "Existe uma clara consciência de que o turismo é um dos causadores do aquecimento global e de que suas conseqüências vão nos afetar diretamente", disse à Agência Efe o presidente do Comitê de Membros Filiados à Organização Mundial do Turismo, Carlos Vogeler. "Mas também está muito claro que nós não somos os principais responsáveis, somos muito menos do que a sociedade pensa", acrescentou.
O Comitê reúne civis, empresas e ONGs que atuam na indústria do turismo. Segundo um estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), a indústria do turismo é responsável por 5% das emissões que causam o aquecimento global. "Para diminuir os efeitos nocivos ainda é preciso progredir muito, há vontade, mas é preciso transformá-la em ações concretas, e o setor governamental ainda tem muito a fazer", disse Vogeler. Para atenuar os efeitos das emissões, o especialista defende a criação de parcerias entre os setores público e privado. "É importante que os Governos trabalhem em todos os níveis junto com a sociedade civil", afirmou.

Uma das estratégias que deviam ser aplicadas, segundo o especialista e também professor da Universidade Juan Carlos I em Madri, é a de se "deixar de pensar em quantidade e começar a se pensar na qualidade daquilo que oferecem, para possibilitar um crescimento ordenado e sustentável". "Dessa maneira, também se protege o meio ambiente, porque há menos turistas e menos impacto no território", afirmou. Com relação ao transporte aéreo, visto como um dos mais poluentes, pois gera 75% das emissões totais provocadas pelo turismo, Vogeler aposta em incentivar as empresas a renovarem suas frotas com aviões mais modernos e ecológicos. "Por isso, pedimos ajuda aos setores públicos", disse, defendendo, porém, a necessidade de não se culpar inteiramente a indústria aeronáutica pelo problema. "O transporte que mais polui no mundo globalizado é o carro e ninguém fala que é necessário reduzir suas emissões", ponderou.

Segundo relatório da OMM, o transporte terrestre é responsável por 30% das emissões do setor turístico. Por outro lado, Vogeler pediu consciência global, porque embora a sociedade civil esteja cada vez mais preocupada com o tema, "ainda existem dados que precisam ser combatidos". Não estou justificando, mas talvez uma maneira de se resolver o problema seria financiar os pequenos municípios litorâneos para que não recorram a projetos de urbanização como forma de obter recursos", disse.

EFE

Integração sul-americana ameça Amazônia, diz ONG

A Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), o ambicioso programa para desenvolver e conectar economias da América do Sul através de projetos de transporte, energia e telecomunicações, poderia causar a destruição da Amazônia em até 40 anos, alerta um relatório da ONG Conservação Internacional.

O relatório, intitulado Uma tempestade perfeita na Selva Amazônica: Desenvolvimento e Conservação no contexto da IIRSA, alerta que caso os impactos ambientais do programa não sejam avaliados devidamente, a humanidade poderá testemunhar "os piores cenários, como o desmatamento generalizado e o eventual desaparecimento da floresta amazônica em três ou quatro décadas". A IIRSA, criada em uma reunião de cúpula de presidentes da América do Sul em 2000 e financiada com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Corporação Andina de Fomento (CAF) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), reúne 12 países e prevê investimentos para integrar malhas rodoviárias, hidrovias, represas de usinas hidrelétricas e redes de telecomunicações em todo o continente.

Segundo o autor do relatório da Conservação Internacional, Tim Killeen, que trabalhou na região amazônica durante 25 anos, "a falta de percepção do pleno impacto dos investimentos da IIRSA, especialmente no contexto da mudança climática e de mercados globais, poderá produzir uma tempestade perfeita de destruição ambiental". "A maior área floresta tropical do planeta e os múltiplos benefícios que ela proporciona estão em cheque", afirma. O corte e a queimada da floresta poderiam prejudicar seriamente a selva amazônica, que regula o clima continental produzindo a precipitação que irriga "a multibilionária indústria agrícola do rio da Prata".

Créditos de carbono

A destruição da Amazônia também poderia aniquilar vários ecossistemas e formas de vida terrestre e aquática e acelerar o aquecimento global através da liberação de toneladas de carbono na atmosfera. O estudo aponta, todavia, que este cenário pode ser evitado se forem tomadas medidas para conciliar as expectativas de desenvolvimento com a necessidade de conservar o ecossistema amazônico. O cientista sugere que os cultivos para biocombustíveis, tais como a cana-de-açúcar, poderão ser plantados "nos 65 milhões de hectares de terras já desflorestadas, ao invés de causarem a destruição de mais florestas para novas plantações".
"Uma iniciativa visionária como a IIRSA deveria ser visionária em todas as suas dimensões, e incorporar medidas que garantam que os recursos naturais renováveis da região sejam conservados e suas comunidades tradicionais sejam fortalecidas," escreveu Killeen. O pesquisador ainda observa que a floresta amazônica intacta poderá gerar bilhões de dólares em créditos de carbono no sistema de mercado que está sendo negociado em sucessão ao Protocolo de Kyoto.

Fonte: BBC Brasil

Biodiversidade amazônica revela curiosidades na Semana Nacional de C&T

Esclarecer como é a vida na Amazônia e mostrar os hábitos noturnos de animais da floresta, são propósitos do estande do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), instalado no Museu Nacional, no Complexo da República, em Brasília. A programação faz parte da 4ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que começou nesta segunda-feira (1º) e termina no domingo (7).

No espaço, uma tenda apresenta diversas amostras sobre os animais vertebrados que vivem na região, sobre a botânica, produtos da floresta, banners com o tema educação ambiental, material sobre formação em pós-graduação, entomologia (insetos) e um acervo de pesquisa bibliográfica. Um dos pontos forte do estande é o espaço Amazônia Noturna, onde os estudantes entram na sala e o técnico com uma lanterna vai contando como é a vida de cada inseto presente na biodiversidade da amazônica, bem como seus hábitos e seu nome científico, além claro, de responder perguntas dos participantes.

Segundo Francisco Felipe Xavier, técnico em entomologia do Inpa ,"o espaço está apresentando em Brasília as curiosidades da biodiversidade da amazônia como o gafanhoto folha, a aranha gigante, o maior besouro do mundo e a jequitimnaboia que é a cobra que voa além de outros insetos curiosos e que muita gente não conhece, pois são seres que existem apenas na biodiversidade da amazônia"conclui. Atualmente, o Inpa possui dois espaços, um em Brasília e outro em Manaus (AM), sob a coordenação de Carlos Bueno e Jorge Lobato, em Manaus, e em Brasília, por Giucélia Melo e Francisco Xavier.

Assessoria de Imprensa do MCT

Boeing testa biocombustível brasileiro

Antonio Gaspar e Fabio Solia

A Boeing vai iniciar os primeiros testes com bioquerosene em aviões no próximo ano. O primeiro será realizado com a empresa Virgin Atlantis. O segundo será com um avião da Air New Zeland, de acordo com Terrance Scott, do departamento de comunicação da empresa, durante entrevista para o Mercado Carbono desde Seattle.

A companhia vem testando, há alguns anos, novos combustíveis - sintéticos e de material orgânico - em laboratório e busca alternativas para reduzir a dependência dos derivados de fósseis. "No curto prazo, o objetivo é conseguir um porcentual de mistura que pode chegar a 50% no querosene tradicional", disse. A companhia, que avalia o bioquerosene desenvolvido pela empresa brasileira Tecbio, não quis se manifestar sobre os resultados iniciais dos testes. "Não discutiremos nada a respeito dos resultados obtidos em laboratório. Qualquer empresa em potencial que for escolhida para testes da Boeing em aviões será anunciada no momento apropriado", explicou.

De acordo com o presidente da Tecbio, Expedito José de Sá Parente, o primeiro no mundo a obter uma patente de biodiesel, várias empresas estão testando o bioquerosene desenvolvido no Brasil. "O mundo aeronáutico está alinhado para testes e homologação do nosso bioquerosene."

Fonte: DiárioNet

Ministra descarta identificação de biocombustível com práticas ambientais e sociais incorretas

Lúcia Nórcio

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse hoje (2) que os biocombustíveis produzidos no Brasil não podem, em hipótese alguma, ser identificados com práticas ambientais e sociais incorretas. Ao reafirmar que o governo não estimulará o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia, Marina lembrou que não há espaço na região para expansão desse tipo de cultura, o que contraria recentes informações de que o plantio seria permitido e incentivado em áreas da Amazônia já degradadas ou devastadas.

Segundo a ministra, os Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente , do Desenvolvimento Agrário e da Ciência e Tecnologia estão com esforço concentrado na elaboração de um zoneamento agrícola que apontará as áreas de restrição completa ao plantio, quais são as áreas que podem ser viabilizadas com cuidados especiais e aquelas em que já acontece o plantio. "Esse zoneamento vai direcionar as ações do governo na produção dos biocombustíveis”, afirmou.O Ministério do Meio Ambiente já apontou as áreas de restrição, que são de proteção da biodiversidade, o mapa dos biomas e áreas de risco.Marina Silva participou, em Curitiba, da reunião da Escola de Governo. Na ocasião, representantes do governo paranaense e a ministra assinaram uma série de decretos e ações voltados para a preservação, monitoramento e educação ambiental no estado.Um dos decretos assinados prevê ampliação do Parque Estadual Pico Marumbi, na Serra do Mar, que foi inaugurado em 1990 e é formado por um complexo de montanhas que protegem a mata atlântica litorânea.

Em 2006, o governo estadual iniciou o processo de ampliação do parque, que terá sua área aumentada em quase quatro vezes, passando de 2.340 hectares para 8.839 hectares.Também foi lançado o Programa de monitoramento ambiental via satélite, que vai controlar a cobertura florestal e agrícola do Paraná. O estado tem atualmente 14% de cobertura florestal. A ministra do Meio Ambiente fez questão de mencionar o índice de redução no desmatamento de 88% garantido pelo Paraná nos últimos cinco anos. Marina Silva lembrou também as 400 operações promovidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outras 27 realizadas pela Polícia Federal, que resultaram na prisão de 665 pessoas em todo o país, com o intuito de conter o desmatamento.

Fonte: Agência Brasil

Pesquisa financiada pelo CNPq garante qualidade na produção sustentável do melão

O aprimoramento da produção de melão, pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), foi responsável pela implantação das normas de produção e do selo de qualidade da fruta institucionalizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O Projeto Produção Integrada do Melão é parte do Programa de Desenvolvimento da Fruticultura, uma parceria entre o CNPq e o MAPA, firmada em 2000. Com o objetivo de fomentar ações integradas entre governo, pesquisadores e agricultores para o desenvolvimento do setor frutícola, o programa apoiou projetos nas áreas de Produção de Mudas, Produção Integrada de Frutas, Defesa Fitossanitária , Capacitação e Difusão de Tecnologias, Geração e Tratamento da Informação e outras ações de interesse das partes. O projeto foi desenvolvido na Embrapa Agroindústria Tropical, no Ceará. O trabalho, atualmente sob a coordenação do pesquisador Raimundo Braga Sobrinho, envolveu pesquisas que visavam à utilização de recursos naturais e de mecanismos reguladores que minimizam o uso de insumos e contaminantes, dentro de uma produção sustentável, em conformidade com os preceitos definidos pela Organização Internacional da Luta Biológica e Integrada (OILB) e com o Marco Legal da Produção Integrada de Frutas do Brasil, do MAPA.

Segunda fruta mais exportada

De acordo com Braga, o melão está entre as três frutas mais exportadas no mundo. O mercado internacional gira em torno de 1,6 milhão de toneladas por ano e, no Brasil, foi a segunda fruta mais exportada na última safra (2005/2006), com o crescimento de 44% em volume e 26% em valor. Atualmente, as exportações brasileiras de melão chegam a US$ 58 milhões, representando 17,4% do total das exportações brasileiras de frutas frescas. “A cadeia produtiva do melão gera em torno de 28.000 empregos diretos e 84.000 empregos indiretos numa das regiões mais pobres do território brasileiros, o Nordeste”, completa o pesquisador.

Selo de qualidade

Na primeira fase, finalizada em 2004, o projeto teve como resultado a implementação, com sucesso, de práticas, técnicas e processos que padronizam e garantem excelência à produção da fruta, o que permitiu a elaboração de normas técnicas e documentos de acompanhamento da produção integrada do melão. As normas, disponíveis na página da Embrapa na internet, pelo endereço http://www.cnpat.embrapa.br/frutas/, foram validadas em empresas produtoras de melão, distribuídas nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte. Além disso, foi criado pelo MAPA o selo de qualidade do melão, que conta com a certificação do INMETRO. Seguindo regras internacionais, essas normas atestam a alta qualidade dos frutos brasileiros, permitindo a exportação para mercados como o da União Européia, principal parceiro do Brasil na área do agronegócio.

O que falta?

Atualmente, o PI Melão já é uma realidade, mas precisa de um tratamento especial para o seu funcionamento e consolidação como um instrumento facilitador da produção, do seu agronegócio, bem como da inserção do Brasil no mercado mundial do melão. A segunda etapa do projeto, prevista para finalizar em 2008, tem com principal meta a consolidação e concretização definitiva dos objetivos e fundamentos implantados no período anterior. Dentre as ações em andamento, estão a elaboração de um cadastro de todos os produtores de melão envolvidos no PI Melão, o treinamento dos técnicos e produtores envolvidos na produção de melão, a sistematização nas empresas de avaliação de conformidade do PI Melão, a criação de uma rede de discussão eletrônica entre empresas e técnicos sobre o projeto, além da identificação de pontos fracos que necessitem de pesquisas e adaptação de tecnologia para permitir a adequação do sistema de cultivo atualmente praticado pelos produtores locais às exigências das Normas Técnicas da PI Melão e, por fim, a revisão geral do projeto.

Para isso, estão sendo firmadas parcerias importantes com instituições públicas e privadas, tais como as secretarias de Agricultura dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, associações de produtores, universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), SEBRAE, SENAR, COEX e as próprias empresas produtoras de melão.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do CNPq

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Pai do biodiesel defende florestas energéticas

Antonio Gaspar

Considerado o pai do biodiesel (sua patente foi a primeira homologada no mundo, em 1980), Expedito de Sá Parente defende plantações de oleaginosas e a criação de florestas energéticas em áreas degradadas da Amazônia. A estimativa é que haja região 80 milhões de hectares degradados, permitindo ao Brasil reforçar sua posição de fornecedor de biocombustível no mundo. "Hoje a oleaginosa mais completa é o dendê, mas existem espécies na Amazônica que, domesticadas, poderiam oferecer grande rendimento, se plantadas com outras variedades", disse. "É preciso desenvolver trabalhos de pesquisa para a aquisição de conhecimento sobre essas espécies."

Parente entende que os biocombustíveis têm três missões básicas a cumprir. "A primeira é ambiental. É preciso reduzir a emissão de gases causadores do efeito estuda. A outra é a social. Os biocombustíveis criam possibilidade de redução da miséria. Por fim, a estratégica: preparar o mundo para a era pós-petróleo." O projeto de desenvolvimento do biodiesel começou em 1977. Naquela época era chamado de Prodiesel. Parente, proprietário da Tecbio, empresa que fabrica usinas para o setor, surgiu da observação do ingá, durante um fim de semana em um sítio em Pacoti, no interior do Ceará. O Brasil buscava alternativas energéticas e saídas para o setor de açúcar, em crise. O principal item da balança comercial brasileira era a importação de petróleo.
Parente estudava alternativas ligadas à produção de álcool. "Notei que o álcool não iria ajudar a reduzir as importações de petróleo, pois o Brasil precisava era de diesel."

A partir dessa constatação, redirecionou suas pesquisas. Foi desenvolver óleo a partir do algodão. Em 1977, de um conhecido da Universidade Federal do Ceará, recebeu um motor para fazer o teste. O resultado foi excelente. Em 1978, foram realizados testes em laboratório e foi construída uma unidade-piloto. Os resultados da avaliação do combustível com veículos da Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce) foram excelentes. Em 30 de outubro de 1980, em Fortaleza, foi lançado o biodiesel. A cerimônia contou com a presença do vice-presidente da República, Aureliano Chaves. Um ônibus rodou com B100 (só óleo vegetal de soja, sem mistura com diesel) pela cidade transportando os convidados para a festa. A patente do diesel foi homologada, mas o governo não se interessou. Preferia o álcool. Passados alguns anos, a patente se tornou pública. Hoje se estima que o mercado brasileiro de biodiesel movimente em torno de R$ 3 bilhões.

Fonte: DiárioNet

Parque Zoobotânico terá projeto paisagístico

Tiago Araújo

"Não basta apenas embelezar a paisagem. Hoje, é preciso preservar e trabalhar com a paisagem natural". É o que pensa Fernando Chacel, arquiteto e paisagista que esteve no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), na semana passada. Para o projeto de revitalização do Parque Zoobotânico (PZB), Chacel comandará uma equipe de profissionais de Belém do Pará e da cidade do Rio de Janeiro, que ficará responsável pela elaboração de um projeto paisagístico global para o Parque.

Para iniciar o projeto, Chacel veio à capital paraense conhecer o local. "Não se começa um projeto trazendo soluções prontas, importadas. Estou trabalhando com um espaço que possui 140 anos de idade. É preciso ter respeito por essa área e conhecer sua história", diz. Ele visitou alguns locais do Parque Zoobotânico, acompanhado por uma comitiva do Museu Goeldi, e ficou impressionado com a fauna e, sobretudo, com a flora do PZB, além da arquitetura dos chalés. O arquiteto também conheceu um pouco mais da história do Museu Goeldi, por meio de fotografias da Coleção Fotográfica do MPEG que retratam o cotidiano do Parque Zoobotânico no final do século 19 e início do século 20. "Pude observar que além do carisma popular, o Parque Zoobotânico do Goeldi é um patrimônio da cidade. O futuro do Parque é entender que o passado dele tem futuro", afirma o paisagista. Fernando Chacel deve retornar outras vezes ao PZB para acompanhar a elaboração e execução do projeto paisagístico global.

Quem é Chacel

Fernando Magalhães Chacel formou-se, em 1953, na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Entre 1952 e 1953 foi estagiário de Roberto Burle Marx, a quem atribui seu interesse pelo paisagismo. Entre seus trabalhos mais conhecidos está o conjunto de projetos na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como os parques Professor Mello Barreto e a Fazenda da Restinga. Em 2005, recebeu uma honraria internacional da Fundação Dembarton Oaks, instituição ligada à Universidade de Harvard, dos Estados Unidos.

Fonte: Museu Goeldi

Londrina sedia Encontro de Ecologia Química

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, promove o V Encontro Brasileiro de Ecologia Química (V EBEQ) de 01 a 04 de outubro, no Hotel Blue Tree Premium, em Londrina (PR).
A conferência de abertura será presidida, no dia 1, das 19h às 20h, pelo cientista Gary W. Felton, da Universidade da Pensilvânia, EUA, que vai tratar da Resposta das plantas diante da ação de herbívoros.

O evento pretende discutir as interações entre organismos diversos (insetos, fungos, bactérias, entre outros), mediadas por substâncias químicas presentes na natureza, e sua aplicação como ferramenta no controle biológico, na resistência de plantas, no monitoramento e controle de pragas e em pesquisa básica de recursos naturais. “Serão apresentados, por exemplo, estudos sobre a utilização de semioquímicos (substâncias com efeito em outros organismos) no controle de pragas de saúde pública, como o mosquito da dengue e os vetores da leishmaniose e também o uso de semioquímicos na agricultura para aumentar a eficiência da ação dos inimigos naturais e sua ação no controle de pragas, explica a presidente do evento, Clara Beatriz Hoffmann Campo, pesquisadora da Embrapa Soja. A programação será composta de quatro conferências, 15 mini-conferências, 32 trabalhos apresentados oralmente e 55 pôsteres. “Os estudos de ecologia química podem ser estratégicos tanto agricultura quanto na saúde humana e também na manutenção da biodiversidade e a da sustentabilidade ambiental”, explica a presidente do evento.

Os interessados podem fazer inscrição para o evento no dia 01, à tarde, e no dia 02, pela manhã. A programação completa e as informações sobre as inscrições estão disponíveis na página do evento www.cnpso.embrapa.br/ebeq.

Fonte: Embrapa

Brigadistas continuam no combate ao incêndio na Reserva Biológica do Guaporé/RO

Segundo informações do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), foram enviadas 35 pessoas na manhã de hoje para a Reserva Biológica do Guaporé/RO, que irão atuar no combate ao incêndio que ocorre na Reserva. O deslocamento da equipe está sendo realizado por um helicóptero. De acordo com informações fornecidas pela equipe de campo, foi realizado um sobrevôo e a frente de fogo possui extensão de 3 km.

Além disso, na última sexta-feira, (28/09), um técnico e uma analista ambiental do Prevfogo Sede foram enviados para auxiliar nas atividades de combate ao incêndio que ocorre na reserva.
Em Minas Gerais, no Parque Nacional de Grande Sertão Veredas, o incêndio foi extinto. Após o rescaldo realizado na sexta-feira, (28/09), o incêndio registrado na mesma área durante o fim de semana já foi combatido. Na Estação Ecológica Uruçuí-Una, no Piauí, 14 brigadistas atuam no combate ao fogo que ocorre no entorno da Unidade, próximo ao rio Uruçuí-Preto.

Fonte: Ibama

Ibama deflagra ação simultânea de fiscalização da pesca da lagosta no litoral brasileiro

Gutemberg de Pádua

O Ibama deflagrou a operação Lagosta Legal, uma ação sincronizada de fiscalização da pesca da lagosta ao longo do litoral brasileiro, do Amapá ao Espírito Santo. A operação, realizada em conjunto com a Marinha do Brasil, conta também com a participação das Polícias Federal, Rodoviária, Civil e Militar. A idéia é realizar uma ação de caráter preventivo ao impedir a captura e o desembarque ilegal de lagostas das espécies verde e vermelha. Também são alvos da fiscalização, pelo Ibama, outras fases da cadeia produtiva como a comercialização e a exportação do crustáceo.

Duzentos agentes de fiscalização, distribuídos em 50 equipes, fazem uma varredura em embarcações pesqueiras, portos, indústrias, frigoríficos, peixarias, restaurantes, bares, hotéis, feiras e mercados nos nove estados do Nordeste, e no Amapá, Pará e Espírito Santo. No mar, a bordo de embarcações da Marinha do Brasil, os fiscais do Ibama averiguam a permissão e os equipamentos de pesca. Os agentes da Marinha verificam a documentação dos barcos e instrumentos de salvamento obrigatórios. Só podem exercer a atividade de pesca os barcos devidamente permissionados pela Secretaria Especial de Pesca e Aqüicultura (Seap/PR). O uso de manzuá ou covo, um tipo de armadilha de pesca, é o único petrecho permitido para captura das lagostas. Já as redes caçoeira, considerada por especialistas em meio ambiente como altamente predatória, e os compressores são apreendidos pelos fiscais do Ibama. Os agentes verificam também se o tamanho mínimo estabelecido para as espécies está sendo respeitado pelos pescadores e comerciantes.

A operação Lagosta Legal inaugura a segunda etapa do Plano Emergencial de Fiscalização da Pesca da Lagosta, uma ação do Governo Federal coordenada pelo Ibama, MMA e Seap/PR e desenvolvida a partir deste ano. Desde o começo de 2007, durante e após o período de defeso da espécie, foram vistoriadas mais de 6 mil unidades de produção e comercialização de lagosta e aplicadas 426 multas, que somadas ultrapassam R$ 1,7 milhão. Como resultado da primeira etapa, os fiscais do Ibama apreenderam mais de 9 toneladas de lagosta, 88 barcos e 167 mil metros de rede caçoeira. Segundo o coordenador-geral de fiscalização no Ibama, Arty Fleck, “a apreensão dessa quantidade de redes caçoeiras evitará a captura ilegal de mais de 500 toneladas de lagosta até o final do ano”. O Diretor de Proteção Ambiental no Ibama, senhor Flávio Montiel, informou que “o Governo Federal está empenhado em recuperar a sustentabilidade da pesca da lagosta, que se encontra numa situação crítica”. O cumprimento das medidas adotadas pelo Comitê de Gestão da Pesca Sustentável da Lagosta se dará pelas ações firmes e continuadas de fiscalização e também pelo processo de conscientização de todos os envolvidos na sua cadeia produtiva.

Na Paraíba, participaram desta operação 11 fiscais do Ibama-Pb, agentes da Polícia Federal e também a Polícia Rodoviária Federal, que ajudou a fazer barreiras nas principais rodovias utilizadas para escoamento do produto. Foram fiscalizados pontos de desembarque, bares, restaurantes e frigoríficos em João Pessoa e nos municípios de Bayeux, Cabedelo, Baía da Traição, Conde e Alhandra. De acordo com Jaime Pereira da Costa, chefe de Operações de Fiscalização do Ibama/PB, foi apreendido, no último final de semana, 16,3 kg de lagosta e lavrado um auto de infração no mercado público de Cabedelo, no valor de R$2.400,00. Nesta etapa, todas as ações foram feitas em terra. A fiscalização não foi aos locais de pesca em alto-mar, mas o Ibama/PB está concluindo a reforma do barco Sabala para ampliar o raio de ação da fiscalização no mar. Mais informações com: Jaime Pereira da Costa – 99697402

Fonte: Ibama

Aquecimento alimentará fluxos migratórios, diz ONU

Os desastres ambientais provocados pelas mudanças climáticas farão aumentar o número de pessoas que tentam emigrar de regiões pobres do mundo para os países ricos, alertou na segunda-feira António Guterres, chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Em declarações feitas diante da comissão executiva da agência, o ex-primeiro-ministro português convocou a comunidade internacional a intensificar seus esforços para enfrentar os problemas responsáveis por alimentar os fluxos migratórios. "Quase todos os modelos de previsão sobre os efeitos de longo prazo das mudanças climáticas apontam para uma contínua desertificação, a ponto de várias partes do globo tornarem-se inabitáveis", disse Guterres. "E para cada centímetro de elevação no nível dos oceanos, haverá mais 1 milhão de pessoas expulsas de suas casas." "A comunidade internacional não parece ser mais apta para enfrentar essas novas causas (da migração) do que é para evitar conflitos e a perseguição", afirmou. O Acnur, com sede em Genebra, diz que até o final de 2006 ajudava cerca de 32,9 milhões de pessoas em todo o mundo que haviam fugido de desastres ambientais, das guerras, da miséria e da opressão étnica e política.

Dessas, quase 10 milhões haviam cruzado fronteiras internacionais e eram consideradas oficialmente refugiados, segundo a terminologia da Organização das Nações Unidas (ONU); outros 13 milhões são considerados "internamente desalojados", ou IDPs, pois continuaram dentro de seus países. Outros 5,8 milhões são descritos como pessoas sem país. Os demais 4 milhões incluem pessoas que estão em vias de serem repatriadas ou aquelas cuja situação exata não pôde ser determinada. Segundo Guterres, o número de pessoas que fogem de conflitos e da perseguição, em declínio durante vários anos do começo do século, começou a subir novamente em 2006 e aumentou ainda mais neste ano. Crises como as enfrentadas pelo Iraque - onde mais de 4 milhões de pessoas foram expulsas de suas casas, fazendo dessa a maior população de "refugiados urbanos" da história - e pela Somália no Chifre da África alimentam essas cifras diariamente.

O chefe do Acnur disse que o crescente número de migrantes no mundo todo se deve também ao desejo de muitos deles de "simplesmente não morrer de fome".

Fonte: Reuters

AL e SAL Ambiental terão sistema online de monitoramento e avaliação

Adriano Ceolin

Um sistema online será implementado para monitorar e avaliar a Reforma Programática para a Sustentabilidade Ambiental (SAL) e o Projeto de Assistência Técnica para a Agenda da Sustentabilidade Ambiental (TAL). O sistema permitirá que a sociedade e o governo acompanhem o avanço das metas políticas do SAL e o desenvolvimento das atividades do TAL. Ele deve entrar em funcionamento a partir da segunda quinzena de outubro. Em setembro, o Comitê Técnico do TAL reuniu-se para validar os indicadores de impacto que serão usados como referência no sistema. "Esses indicadores permitirão que os membros do TAL e do SAL atuem de forma mais integrada e transparente", afirmou o coordenador do TAL Ambiental, Mauro Pires.

Tanto o sistema quanto seus indicadores de impacto foram desenvolvidos pelo sociólogo e consultor do TAL, Leandro Lamas Valarelli, com o apoio de especialistas dos ministérios envolvidos no TAL e no SAL. Segundo ele, o sistema possui 14 indicadores. "Para cada meta do SAL, independente de seu tema ou natureza, construímos um indicador de alcance baseado numa escala que vai de 'sem avanço' até 'plenamente alcançado'. Desse modo, uniformizamos as informações e criamos a possibilidade de construir informações simples e condensadas", disse. O sistema, concebido para ser de fácil acesso, será abastecido com informações fornecidas pelas áreas governamentais participantes. "Cada ministério tem um ponto focal responsável por produzir informações sobre a execução de programas de sua área específica", resume o Valarelli.

Na avaliação do consultor, as mudanças propostas no âmbito do SAL e as atividades implementadas por meio do TAL são de grande magnitude e têm seu caráter público acentuado, na medida em que envolvem vários setores governamentais. "É fundamental um sistema que permita acompanhar como as coisas estão avançando, de modo a apoiar a análise e a tomada de decisões técnicas, administrativas e políticas", disse. O software que permite o acesso online foi construído pelo consultor Danilo de Souza, com o acompanhamento e a aprovação da Coordenação Geral de Tecnologia de Informação do MMA. A Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ) também deu importante apoio técnico.

O SAL Ambiental é um programa de empréstimos do Banco Mundial, que tem duas finalidades: incentivar a eficácia do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e inserir a sustentabilidade ambiental nas políticas e nos programas do governo. Para dar assistência técnica ao SAL, foi criado o projeto TAL Ambiental, que também pretende integrar no programa diferentes áreas de governo. Sete ministérios participam dessas iniciativas, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Fonte: MMA

Mais 50 espécies

Thiago Romero

Um grupo de alunos e docentes do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto, identificou 30 novas espécies de peixes nos rios da bacia do Alto Paraná. Liderados pelo coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da universidade, Francisco Langeani, o grupo faz na região, desde 2005, um levantamento da ictiofauna – conjunto de peixes – para produzir uma síntese das espécies existentes. As coletas são feitas principalmente em riachos que desembocam nos rios Grande (MG) e Paranaíba (MG e GO).

Os pesquisadores analisaram os trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais sobre as espécies da bacia, revisaram o material de coleções científicas sobre a região e, por fim, coletaram espécimes. Segundo Langeani, apenas 310 espécies de peixes, de 38 famílias, eram conhecidas na bacia do Alto Paraná. “Todas essas 310 espécies têm nome formal na literatura. Como não havia registros formais das 30 espécies identificadas durante as nossas coletas, estamos criando novos nomes para elas, a fim de buscar reconhecimento junto à comunidade científica”, disse o professor do Departamento de Zoologia e Botânica da Unesp, à Agência FAPESP. “Uma nova espécie biológica só passa a ser reconhecida após sua descrição em revistas da área. Estamos em fases distintas de publicação, alguns trabalhos foram aceitos e publicados, outros ainda estão sendo escritos. Ao todo, serão mais de dez artigos científicos”, explicou.

Um trabalho de síntese será publicado na próxima edição da Biota Neotropica, revista do Programa Biota-FAPESP. A maior parte das 310 novas espécies (65%) é considerada de pequeno porte por ter menos de 21 centímetros de comprimento. “O que ocorre é que muitos leigos acham que são filhotes de espécies grandes já conhecidas nos rios, enquanto se trata de adultos de novas espécies”, disse. Langeani destaca que outros cientistas do Brasil e do exterior também estão em fase de descrição de outras 20 novas espécies coletadas na bacia do Alto Paraná. Com isso, são 50 novas espécies encontradas nos últimos três anos na região. Segundo o professor da Unesp, o Alto Paraná é uma das porções das bacias de águas interiores historicamente mais estudadas no país. “Se mesmo com essa grande quantidade de cientistas coletando material da ictiofauna na região estão sendo apresentadas 50 espécies inéditas, fazendo uma extrapolação para as outras bacias no país, como a do São Francisco e a Amazônica, provavelmente teremos situações proporcionalmente semelhantes”, disse.

Langeani calcula que a bacia Amazônica, a maior em área do país, conta com cerca de 1,5 mil espécies descritas. O trabalho da Unesp tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa. A bacia do Alto Paraná abrange os rios Paranaíba, Grande, Paraná, Tietê, Paranapanema e São José dos Dourados até chegar ao reservatório de Itaipu.

Fonte: Agência Fapesp

Livro revela as mil e uma utilidades do bambu


Obra mostra como planta foi introduzida no Brasil

Isabel Gardenal

Enquanto não concretiza a idéia de criar uma estamparia a partir de material de anatomia do bambu, que produz um raro efeito artístico, o professor Antonio Ludovico Beraldo, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), já se sente em parte realizado ao conceber o livro Bambu de Corpo e Alma, obra que levou pelo menos quatro anos para ser concluída em parceria com um ex-aluno da Unicamp, o professor Marco Pereira, atualmente docente da Unesp-Bauru.
Ambos dão a dimensão física do bambu, o qual eles chamam “corpo”. E a “alma” do título ?, pode perguntar o leitor. Beraldo responde que está presente num trabalho de Betty Feffer, que faz uma participação especial no livro. “Ela cuida da alma das pessoas através de terapia que utiliza o bambu”, conta Beraldo.

O livro mostra como o bambu foi introduzido no Brasil, mostra as suas principais espécies, como ele se propaga e como deve ser tratado. O conteúdo também é ilustrado no CD-ROM “Mil e uma utilidades” em mais de mil fotografias sobre as belezas da planta. As fotos são de bambus para construção, para criação de instrumentos musicais, alimentação, carvão, entre outras. Segundo Beraldo, somente a China registra 4 mil usos do bambu, que já aparecem devidamente catalogados. Apesar de dizer que o bambu tem pouca durabilidade, ele chega a medir 30 metros de altura. “É fascinante ver a rapidez com que cresce: o recorde mundial é de 1,21 metro por dia”, comenta. Um dos potenciais da planta, observa, é para o agronegócio, sobretudo agora que se fala mais em seqüestro de carbono. “Em Coelho Neto, no Maranhão, são 40 mil hectares de bambu, para fabricação de papel”, fala Beraldo, um dos poucos pesquisadores dedicados ao tema no Brasil. Alguns bambus têm um ciclo de cinco a dez anos de vida. Depois disso, começam a se degradar. “Uma coleção de 20 espécies, por exemplo, dá um bom retorno econômico ao investidor”, estima. Beraldo acrescenta que o setor movimenta anualmente algo entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões no mundo. ]

Na Colômbia, o bambu é considerado material de primeira grandeza. No Brasil, a maior parte dos bambus não é de origem local. Foram trazidos, na época da colonização, por europeus e asiáticos. A bambusa é até hoje a espécie mais comum e é bastante encontrada em propriedades agrícolas. Em 239 páginas, o leitor tomará contato com as curiosidades e alternativas de uso do bambu. O livro, lançado recentemente, foi publicado pelo Canal Projetos Editoriais. Parte do tema é também apresentado nas disciplinas de pós-graduação da Feagri - Bambu: Características e Aplicações e, na graduação, na disciplina Materiais de Construção Civil, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC). A obra foi elaborada com o intuito de fomentar o interesse e a difusão no uso desta planta, aliado ao crescente interesse e à busca por informações técnicas sobre o vegetal.

Para adquirir o livro, o interessado deve fazer contato com a Agrológica Projetos e Consultoria através do telefone 19-3521-1046 ou do e-mail agrolog@agr.unicamp.br.

Fonte: Jornal da Unicamp

Uma cientista que aposta na sabedoria popular

Luiz Sugimoto

Faz mais de 20 anos que a professora Alba Regina Monteiro Souza Brito investiga o princípio ativo de plantas medicinais, sobretudo contra doenças gastrointestinais. Além de coordenar o Laboratório de Produtos Naturais do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, a docente está à frente de um projeto temático da Fapesp envolvendo espécies que nascem tanto na Mata Atlântica como no Cerrado do Estado de São Paulo.

Alba Brito é uma cientista altamente credenciada que põe fé na sabedoria popular. Se buscasse plantas ao acaso, penaria para encontrar aquelas com atividades terapêuticas. Indo diretamente às plantas de uso popular, a atividade é quase uma certeza. “Quando não consigo detectar a atividade farmacológica é porque meu modelo de análise ou a dosagem são inadequados. Nesses vinte anos, a margem de acerto tem sido muito grande”. O conhecimento popular sobre plantas medicinais, na opinião da professora, representa um atalho para o estudo e a produção de novos fármacos, pois todo o processo laboratorial pode durar anos, além de ser dispendioso. Identificado e isolado o princípio ativo, os pesquisadores analisam estrutura química, propriedades terapêuticas e toxidade da substância, passando depois para os testes in vitro, in vivo e, numa fase que foge ao escopo do projeto, com humanos. Quando se tenta apressar o processo, surgem equívocos como os apontados por Alba. “No uso tradicional transmitido de geração em geração, a pessoa com má digestão toma um chá de boldo de manhã, à tarde, à noite e no dia seguinte, até ficar boa. Em animais de laboratório, às vezes queremos obter o efeito mágico com uma única dose. A mágica é possível, mas aumentando a concentração da substância, o que pode ser tóxico”.

Alba Brito está escrevendo um artigo sobre as pesquisas do seu grupo de pós-graduandos, que constataram atividade contra úlcera gástrica em dez espécies do cerrado do Tocantins e que são nativas também das regiões de cerrado do Estado de São Paulo. “Na análise química destas plantas, as substâncias encontradas são as mesmas, como por exemplo, aquelas dos gêneros Byrsonima, Anacardium, Qualea, Hancornia, Alchornea, Mouriri e Strychnos, todas elas ativas em modelos experimentais de úlceras gástricas. Ou seja: além de funcionar, elas têm o mesmo constituinte químico em sua grande maioria”, assegura. A pesquisadora crê na teoria de William Irwin Thompson, segundo a qual as plantas medicinais geralmente pertencem a famílias com grande número de gêneros e de espécies, como das leguminosas e compostas. “A população pobre de áreas isoladas apanha as plantas mais facilmente encontradas ao seu redor. Ela não tem como percorrer longas distâncias”.

Thompson prega, também, que os homens descobriram as plantas medicinais por experimentação direta, seguindo seu instinto, tal como o cão vira-lata que mastiga capim depois de se dar mal com a comida. “Plantas amargas, como o boldo (Peumus boldus Mol.), possuem catequina e servem para problemas gástricos. Houve alguém que amassou a folha de boldo, cheirou, experimentou e percebeu que sanava aqueles problemas”. Da mesma forma, as informações sobre espécies tóxicas ou alucinógenas foram sendo passadas de um para outro, levando ao conhecimento tradicional tão presente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. “No Estado de São Paulo, constatamos o uso de plantas medicinais apenas por migrantes de outras regiões do país e por caiçaras. A maioria dos paulistas perdeu essa cultura”.

Livro

O projeto temático no âmbito do Biota/Fapesp, coordenado pelo professor Wagner Vilegas (Unesp de Araraquara) e por Alba Brito, começou em 2004 e termina em julho do próximo ano. Esta parceira entre Unicamp e Unesp já trouxe resultados significativos na investigação de plantas com atividades antiúlceras gástricas, antioxidante, analgésica, antiinflamatória, anti-tuberculose e anti-câncer. Orelatório final será entregue juntamente com um livro que deverá se tornar referência para os estudiosos de plantas de uso popular. “A publicação vai trazer todos os aspectos estudados em cada espécie, incluindo os locais (latitudes e longitudes) onde elas podem ser encontradas”, antecipa a professora do IB. Plantas bastante estudadas e com atividade comprovada contra a úlcera gástrica são as espécies do gênero Vernonia (que o povo simplificou para “verônica”) e as Indigoferas (sem nome popular). A Vernonia polyanthes já propiciou o isolamento de um princípio ativo, com atividade inédita em vegetais, cujo pedido de patente está sendo encaminhado através da Inova – Agência de Inovação da Unicamp. Alba Brito reitera que este projeto dá continuidade ao levantamento no cerrado do Tocantins realizado pela professora Clélia Hiruma-Lima, do Instituto de Biocências da Unesp de Botucatu. O objetivo foi comparar as espécies existentes no Tocantins e também na Mata Atlântica e em cerrados paulistas, e validar o conhecimento da população. “Estudamos mais de trinta espécies, todas com trabalhos já publicados”. Está sendo apresentado à Fapesp um novo projeto, que vai se concentrar nas plantas mais promissoras, estendendo o foco para outras espécies do mesmo gênero e buscando a melhor delas para produção de um fitoterápico ou de um medicamento alopático. “Este material deve gerar um segundo volume do livro”.

Uso sustentável

Uma preocupação dos pesquisadores que participam do projeto temático é com o uso sustentável das plantas medicinais. Alba Brito informa que o cerrado de Rubião Júnior (distrito de Botucatu), por exemplo, apresenta uma flora bastante diversificada e não encontrada em outras regiões. “A paisagem é bonita para os botânicos e pesquisadores de plantas medicinais, que lutam para preservá-la. Mas, para muitas pessoas que têm aquele cerrado em suas propriedades, a sensação é de que houve uma queimada no local, nascendo depois uma vegetação rasteira que em nada lembra a exuberância de uma mata atlântica”, admite a professora. Por isso, os pesquisadores do Laboratório de Produtos Naturais procuram agregar valor medicinal às plantas do cerrado de Rubião Júnior e de outras partes do Estado de São Paulo, mostrando à população a importância de não degradar o bioma e incentivando inclusive o cultivo das espécies no entorno, expandido a área.

Há poucos anos, a doutoranda Leônia Maria Batista, orientada da professora Alba Brito, trouxe sempre-vivas da Serra do Cipó, em Minas Gerais. Depois de estudar os efeitos das espécies Syngonanthus bisulcatos e Syngonanthus arthrotrichus em modelos animais, Leônia constatou uma excelente proteção da mucosa gástrica contra os agentes indutores de úlceras.
Este rico teor de flavonóides, porém, é desprezado. As sempre-vivas são de fato belas e acabam exportadas às toneladas para países do primeiro mundo, utilizadas em arranjos ornamentais e buquês. “Na Alemanha, um buquê de noiva chega a custar cem euros. Viabilizando o uso medicinal dessas plantas evitaríamos seu corte indiscriminado”, observa Alba Brito.

O beabá das plantas medicinais

Chá de capim santo: quatro xícaras (de café) com folhas frescas picadinhas, tampadas em água fervente por 10 minutos. Tome duas ou três xícaras ao dia para combater insônia, nervosismo, diarréia e gases intestinais. Cuidado: não deve ser tomado por mulheres grávidas!

Xarope de alecrim: adicionar, em meio litro de água, o sumo de quatro xícaras (café) de folhas frescas amassadas. Junte uma xícara de açúcar e deixe ferver, mexendo até engrossar. Tome uma colher de sopa a cada três horas para problemas respiratórios. Experimente colocar a infusão fria em um borrifador para passar roupas.

Essas duas receitas estão na cartilha Plantas medicinais na escola: aprendendo com saúde, elaborada pela aluna de doutorado Priscila Fernandes, e foram enviadas por mães de alunos de primeiro grau de escolas públicas de Atibaia. A cartilha, que traz desenhos mostrando detalhes como o serrilhado do caule da babosa e a delicadeza das flores da camomila, é fruto da convivência que mais de uma centena de crianças tiveram com canteiros de plantas medicinais.

As atividades foram desenvolvidas em parceria com os professores das escolas e o projeto Fruto da Terra, da Prefeitura de Atibaia. O sucesso das atividades levou à sua incorporação pela Delegacia de Ensino de toda a região. Hoje, a mestranda Patrícia de Sousa Oliveira dá continuidade aos canteiros em escolas públicas de Sumaré e em assentamentos rurais. “O projeto temático da Fapesp inclui a educação ambiental. Nossos pós-graduandos colaboram na montagem dos canteiros e com palestras para levar até os alunos e seus pais o conhecimento produzido no laboratório”, explica a professora Alba Brito.

A pesquisadora esclarece que, embora a população já guarde bom conhecimento, é sempre importante alertá-la sobre plantas tóxicas e outras que não devem ser consumidas cruas. "Mesmo depois de fervidas, o uso das mãos pode transferir bactérias para uma solução dada ao bebê com dor de barriga ou vômitos”.

Fonte: Jornal da Unicamp