segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Conferência sobre mudanças climáticas debate ações para América do Sul

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês) divulgado no início do ano, trouxe a diminuição de incertezas quanto à origem e tendência de aumento da temperatura do planeta, além de indicações mais precisas de resultados do aquecimento global.

O tema será discutido na III Conferência Regional sobre Mudanças Climáticas: América do Sul, a ser realizada entre os dias 4 e 8 de novembro, em São Paulo. No evento, serão mapeados os possíveis impactos do aquecimento global na América do Sul para este século e, ao mesmo tempo, pretende-se analisar e avaliar as ações - algumas já em curso - que possam tornar o processo de adaptação mais eficiente e com menor conseqüência social. Especialistas e representantes das áreas acadêmica, governamental, privada e do terceiro setor participam do evento, procurando discutir os resultados dos estudos mais recentes e avançar em questões que envolvam o planejamento de ações adaptativas e mitigadoras. O envolvimento dos diversos atores sociais objetiva o entendimento e o estabelecimento de sinergias e parcerias que permitam a formulação de políticas públicas e a criação de soluções científicas, tecnológicas e comerciais sustentáveis para as possíveis mudanças climáticas.

A Conferência é coordenada pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo (USP), e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). Para o evento foram aprovados 115 trabalhos científicos a serem apresentados em forma de painel. Oito mesas redondas e 12 palestras foram programadas e discutirão conhecimentos em temas, como: a ciência das mudanças globais, impactos e vulnerabilidades, processos de adaptação, como evitar o aumento da concentração dos gases de efeito estufa e o futuro do regime climático global. A conferência se realiza em paralelo a uma exposição tecnológica reunindo centros de pesquisa, universidades, instituições públicas da área ambiental, Organizações Não-Governamentais (ONGs) e a iniciativa privada.

Cada um dos quatro grupos temáticos terá um dia dedicado a discussões. Confira abaixo os temas do evento e um resumo das discussões:

Dia 05/11
A Ciência das Mudanças Globais: discute os avanços e descobertas mais recentes das ciências (exatas, biológicas e sociais) no campo das mudanças climáticas globais; em especial o Fourth Assessment Report (AR4) do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change – www.ipcc.ch).
Coordenadores: Carlos Nobre (Inpe/Cptec e IGBP) e Jean Pierre Ometto (IGBP)

Dia 06/11

Impactos, vulnerabilidade e adaptação: discute os possíveis impactos das mudanças globais; as vulnerabilidades atuais e futuras dos ecossistemas, das aglomerações urbanas e do setor rural, das atividades econômicas e das relações humanas com seu meio físico, assim como as eventuais adaptações às mudanças globais.
Coordenadores: Márcio de Miranda Santos (CGEE) e Marcelo Khaled Poppe (CGEE)

Dia 07/11

Evitando as mudanças climáticas: discute as ações e tecnologias de redução das emissões e de captura de gases de efeito estufa; os projetos de mitigação (MDL e outros); as mudanças de paradigmas, modelos de desenvolvimento e padrões de consumo necessários para a solução do desafio global, assim como o papel de cada segmento da sociedade.
Coordenadores: Luiz Pinguelli Rosa (FBMC e Coppe/UFRJ) e Emilio Lebre La Rovere, (Centro Clima, Coppe/UFRJ)

Dia 08/11

O futuro do regime climático global: discute os avanços nas negociações internacionais da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e do Protocolo de Quioto, assim como outras iniciativas regionais para o estabelecimento de um regime climático pós-2012.
Coordenadores: José Goldemberg (IEE/USP) e Jacques Marcovitch (FEA/USP)

Fonte: Inpe

Operação Canadá II dá continuidade ao trabalho de combate ao desmatamento em SC

Felipe Bello

O Ibama deu início, ontem, 14, à Operação Canadá II, que acontece em Santa Catarina, mais especificamente nas regiões do Alto Vale do Itajaí, Planalto Serrano e Central e também no Alto Vale do Rio do Peixe. A operação tem com meta combater o desmatamento de madeira nativa e a substituição criminosa da espécies da mata atlântica por Pinus, árvore originária da América do Norte. O escritório do Ibama em Rio do Sul recebeu denúncias de que produtores se utilizam de lenha nativa nas estufas de secagem de fumo, desrespeitando o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), firmado com o Ministério Público Estadual.

A ação envolve 20 fiscais que, com o apoio do helicóptero do Ibama e com base num comparativo entre imagens de satélite do período de 2002 e 2006, farão visitas às áreas desmatadas, mesmo onde já existe reflorestamento. A estimativa da operação, em relação à Canadá I, que ocorreu nos meses de março e abril deste ano e aplicou 40 autuações, num valor total de R$ 180 mil, é que a quantidade triplique. “Os que apostaram na impunidade, terão de prestar contas”, avisa Bruno Barbosa, coordenador da operação. Antes da Canadá II, a Divisão de Controle e Fiscalização da Superintendência do Ibama em Santa Catarina realizou, em todas as regiões de Santa Catarina, a Operação Olho Vivo. A ação, finalizada na quinta-feira, dia 11, foi uma espécie de preparação para a Canadá II. Por meio dela, os fiscais conferiram o estoque de madeira e de carvão declarados no sistema Documento de Origem Florestal (DOF) e a quantidade existente nos pátios das empresas. O valor das multas chegou a R$ 340 mil.

Fonte: Ibama

China vai suspender empresas muito poluentes

O Ministério de Comércio chinês anunciou que vai suspender as licenças das empresas exportadoras se estas infringirem as normas de proteção ambiental ou forem altamente poluentes, e citou como exemplo as fundições de cobre.

A China se transformou em 2005 no principal consumidor, processador e produtor de cobre do mundo, com uma produção de 2,53 milhões de toneladas. Segundo informou hoje a agência estatal de notícias, "Xinhua", a suspensão comercial, que pode oscilar entre um ou dois anos, será aplicada às firmas altamente poluentes ou que se apropriem de recursos ambientais de forma ilegal. Este Ministério e a Administração Estatal de Proteção Ambiental emitiram um comunicado conjunto no qual explicam que "alguns exportadores ignoraram os regulamentos nacionais de proteção ambiental com o objetivo de diminuir seus custos". A diretriz obriga as autoridades locais a aumentar a vigilância sobre as firmas exportadoras, concretamente aquelas com um alto consumo energético e de recursos, como é o caso das fundições de cobre. Estes Governos locais receberão autorização do Ministério para cessar licenças e cotas de exportação das empresas poluentes, que também não poderão participar de feiras comerciais.

As licenças só serão devolvidas quando os organismos de controle ambiental confirmarem que as empresas infratoras corrigiram suas emissões poluentes ou seu alto consumo de recursos.
Perante a pressão de países ocidentais que pedem à China que reduza suas emissões (algo ao que não está obrigada segundo o protocolo de Kioto por ser considerado um país em desenvolvimento), Pequim está aplicando novas normativas, como a anunciada hoje, destinadas a proteger o meio ambiente.

Fonte: EFE

Projeto Corredores Ecológicos prepara oficina de capacitação

Suelene Gusmão

O Projeto Corredores Ecológicos está preparando três oficinas com 25 vagas cada para instituições interessadas em participar de Oficinas de Capacitação em Elaboração de Subprojetos. As oficinas têm por objetivo melhor preparar e qualificar entidades que responderem ao edital para atuar nas áreas dos minicorredores prioritários: o central Mata Atlântica e o central Amazônia. O prazo para o envio das propostas aos editais lançados pelo projeto termina no dia 21 de dezembro.

De acordo com o exigido nos editais, as propostas devem garantir ações que implementem a conservação e a restauração nesses dois corredores. Poderão participar da seleção pública desses subprojetos instituições com atribuições ambientais pertencentes à administração pública federal, estadual e municipal direta ou indireta da Bahia e Espírito Santo e instituições privadas brasileiras, sem fins lucrativos, tendo preferencialmente como parceiros organizações comunitárias locais. Todas devem possuir no mínimo 24 meses de existência legal e atribuições estatutárias para atuação na área de meio ambiente ou registro no Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas.

Segundo Renata Pires Lima, analista ambiental do Projeto, o treinamento oferecido e a seleção de entidades para participar das oficinas não são e não devem ser vistos como pré-seleção para a chamada ao edital. "Trata-se apenas de uma medida para melhor capacitar as instituições a apresentarem propostas e não devem gerar qualquer expectativa de uma pré-aprovação de propostas", explicou. As primeiras oficinas vão ocorrer do dia 22 ao dia 31 de outubro na Bahia. Em novembro, em data ainda a ser confirmada, serão oferecidas oficinas no Espírito Santo e no Amazonas.

Integrante do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, o Projeto Corredores Ecológicos trabalha com os corredores Mata Atlântica e Amazônia. Nestes locais, o trabalho se processa tendo em vista o planejamento da conservação da biodiversidade, onde áreas protegidas passam a ser um núcleo de um sistema integrado por ações complementares de gestão, fiscalização, monitoramento e uso sustentável dos recursos naturais nas áreas de interstício. Mais informações sobre as oficinas podem ser obtidas nos telefones (61) 328410 ou (71) 3116 7848/7847. O edital pode ser acessado no endereço: www.mma.gov.br/corredoresecologicos

Fonte: MMA

Encontro de Etnociência e Pesquisa Agropecuária e Florestal da Amazônia

O Encontro de Etnociência e Pesquisa Agropecuária e Florestal da Amazônia, que ocorrerá de 22 a 26 de outubro, em Rio Branco (AC), discutirá as questões legais, metodologias e ações para fortalecer o intercâmbio entre as diferentes áreas de atuação dos pesquisadores em etnociência.

A etnociência comporta diferentes abordagens e problemas teóricos, remetendo a uma união de competências que vai desde o aspecto cultural até o biológico. O evento é promovido pela Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Rio Branco.
“A pesquisa agropecuária e florestal envolvendo populações tradicionais na Amazônia: ações realizadas e perspectivas”, “Diversidade cultural e biológica e legislação brasileira sobre pesquisa e acesso ao conhecimento tradicional e recursos genéticos” e “Experiências e projetos envolvendo etnociência” são os três temas principais do encontro.
Mais informações: www.cpafac.embrapa.br/etnociencia

Fonte: Agência Fapesp

Mapas para proteger matas



Secretaria do Meio Ambiente utilizará mapas temáticos do Programa Biota-FAPESP em procedimentos de gestão e manejo florestal de áreas prioritárias à conservação da biodiversidade no Estado de São Paulo


Thiago Romero


Três mapas temáticos elaborados com dados científicos do Programa Biota-FAPESP, apresentados na última quarta-feira (10) na sede da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em São Paulo, serão incorporados pelos órgãos vinculados à secretaria para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade.

Os mapas foram elaborados a partir de mais de 200 mil registros de 10.491 espécies da fauna e flora nativas, além de dados de paisagem e do meio físico. Os cientistas definiram, nesse universo, 3.326 espécies-alvo consideradas prioritárias. A coleta de dados contou com a participação de 160 pesquisadores de instituições paulistas, divididos em nove grupos de trabalho. “Os pesquisadores, apoiados pela FAPESP, produziram resultados que serão fundamentais para a gestão ambiental do território paulista”, disse Francisco Graziano Neto, secretário do Meio Ambiente, na ocasião do lançamento dos mapas. “Com base nos dados fornecidos pelo Biota, discutiremos novos instrumentos de ação nas áreas prioritárias para a conservação dos recursos naturais do Estado.”

Segundo ele, os mapas poderão auxiliar, por exemplo, na definição de novas unidades de conservação, que hoje somam 844 mil hectares entre parques, reservas, estações ecológicas e estações experimentais, administradas pelo Instituto Florestal de São Paulo e pela Fundação Florestal, de um total de cerca de 3 milhões de hectares de remanescentes florestais existentes no Estado. “Essa metodologia de utilização de dados biológicos para a alocação dos espaços e criação de políticas públicas é inédita no Brasil”, disse Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa Biota-FAPESP. “Os dados serão utilizados em ações de restauração e de conservação da biodiversidade tanto pelo Estado como pelos empresários que necessitam compensar a falta de áreas de reserva legal em suas propriedades”, afirmou.

Com os dados do mapa de Áreas prioritárias para incremento da conectividade, empresários que não tenham quantidade suficiente de reserva legal poderão compensar essa área com a compra de florestas ou com o plantio de árvores em outras regiões do Estado. A reserva legal é um mecanismo do Código Florestal que determina que 20% das propriedades rurais sejam mantidas com cobertura vegetal nativa. Segundo Graziano Neto, a Polícia Militar Ambiental também terá, a partir de agora, ferramentas mais precisas para orientar ações nas áreas prioritárias à conservação indicadas pelos mapas. “Os gestores poderão aumentar o efetivo de homens nas bases próximas às regiões mais vulneráveis”, explicou. Procedimentos de manejo
Os mapas contribuirão ainda em estudos de impacto ambiental e em processos de licenciamento de novos empreendimentos industriais, incluindo novas usinas de cana-de-açúcar a serem instaladas em São Paulo, além de indicar áreas com maior carência de informações biológicas, que se localizam predominantemente no oeste paulista, e que serão objeto de mais coleta de dados. “Pensando no aprimoramento da gestão ambiental no Estado, por meio da resolução SMA-40, estabelecemos a suspensão temporária, por 180 dias, de autorizações para o desmatamento no Estado de São Paulo. Isso para que, com base nos dados do Biota, possamos nos reorganizar e definir procedimentos de manejo florestal mais adequados do que os que vinham sendo seguidos até então”, disse Graziano Neto à Agência FAPESP.

A resolução instituiu, no dia 21 de setembro, o Projeto Estratégico Desmatamento Zero, que tem o objetivo de assegurar a conservação dos remanescentes de vegetação nativa por meio do aperfeiçoamento dos procedimentos de licenciamento e fiscalização. “Essa já é uma iniciativa da secretaria de aplicação legal e utilização dos dados dos mapas”, observou Rodrigues. Os três mapas serão disponibilizados nas próximas semanas no site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e um livro com esses e outros mapas e a metodologia utilizada pelos pesquisadores e com diretrizes de conservação e restauração da biodiversidade no Estado será lançado no primeiro semestre de 2008.
Mais informações: http://www.ambiente.sp.gov.br/

Fonte: Agência Fapesp

A rica polêmica sobre o urânio empobrecido


Munição 25 mm contendo urânio empobrecido do exército norte-americano em 2004 em Tikrit, ao norte de Bagdá (Iraque).


O urânio empobrecido é um subproduto do processo do enriquecimento da forma natural desse elemento químico. Pelo fato de esse metal ser extremamente denso, resistente e inflamável, ele vem sendo amplamente empregado na área civil e militar. Seu uso crescente vem aumentando a dispersão de partículas de urânio empobrecido na natureza, expondo principalmente as populações civis a potenciais riscos cujo real impacto para a saúde humana e o meio ambiente ainda é obscuro e polêmico. Há ainda a suspeita de que seu emprego em armamentos militares possa ser um modo silencioso de os países com altos estoques desse metal eliminarem resíduos tóxicos de seus territórios, depositando-os em locais atingidos por guerras, principalmente nos últimos 15 anos.

A utilização do urânio em sua forma natural data de 79 a.C., quando artesãos aplicavam esse metal na superfície de vidros e de cerâmicas, como um corante para obtenção de amarelo. Sua descoberta foi creditada ao químico alemão Martin Heinrich Klaproth (1743-1817), que o batizou urânio, em 1789, em homenagem à descoberta do planeta Urano, ocorrida oito anos antes. Posteriormente, o físico francês Antoine Becquerel (1852-1908) identificou as propriedades radioativas desse elemento. Na década de 1940, as iniciativas do governo norte-americano visando ao desenvolvimento da primeira bomba atômica, através do Projeto Manhattan, inauguraram a era nuclear, em 15 de julho de 1945, no teste Trinity .

Em 6 de agosto daquele ano, uma bomba de quatro toneladas, contendo cerca de 60 kg de urânio e batizada de Little Boy (Rapazinho), foi lançada sobre em Hiroshima (Japão), Três dias mais tarde, uma segunda bomba atômica cai sobre Nagasáki. Essas explosões causaram a morte instantânea, bem como nas décadas seguintes, pelos efeitos nocivos da radiação no organismo, de aproximadamente 200 mil pessoas. Desde então, o urânio passou a ser um elemento de importância estratégica no cenário político mundial, tanto sob o ponto de vista energético quanto militar.

Sobra empobrecida

O urânio é o elemento mais denso que ocorre na natureza. Sua concentração estimada na crosta terrestre está em torno de 4 miligramas por quilograma (mg/kg), podendo ser encontrado em vários tipos de solo. Apesar de sua alta densidade, o urânio não é raro, sendo mais abundante até que o tungstênio, mercúrio ou chumbo. Embora considerado pouco radioativo, o urânio é um metal pesado com potencial quimiotóxico. Todos os seus isótopos (no caso, átomos de urânio que se diferenciam apenas pelo número de nêutrons no núcleo) emitem partículas alfa (formadas por dois prótons e dois nêutrons). Devido ao grande tamanho, as partículas alfa perdem rapidamente energia cinética, o que reduz seu poder de penetração. Assim, são incapazes de penetrar até as camadas superficiais da pele humana. Portanto, acredita-se que o urânio só ofereça risco à saúde humana se for absorvido por inalação e ingestão ou penetre os tecidos. O urânio natural, encontrado na forma de minério, é composto por uma mistura de três isótopos distintos: o urânio 235 ( 235 U), o urânio 234 ( 234 U) e o urânio 238 ( 238 U), em que a concentração de cada um dos isótopos está diferentemente representada (respectivamente, cerca de 0,71%, 0,0054% e 99,28%).

Devido à radioatividade, a quantidade de urânio em uma amostra diminui gradativamente ao longo do tempo, mas sua meia-vida (tempo necessário para a quantidade de urânio se reduzir à metade) é extremamente longa: cerca de 4,5 bilhões de anos para o 238 U. Desses isótopos, apenas o 235 U é utilizado como combustível nos reatores de usinas nucleares, bem como na produção de energia e em armas nucleares, pelo fato de ser o único capaz de sofrer fissão nuclear (fragmentação do núcleo atômico) provocada por nêutrons lentos (pouco energéticos). Como a proporção do 235 U é muito baixa no urânio natural, é preciso grandes quantidades deste último para se obter frações mínimas do primeiro. O urânio natural que sobra nesse processo de produção fica com um percentual de aproximadamente 0,3% de 235 U e passa a ser chamado urânio empobrecido.

Fonte: Ciência Hoje

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cientista: gases estufa atingiram níveis perigosos

Michael Perry

O boom da economia global levou a emissão de gases do efeito estufa a um perigoso patamar que só era esperado dentro de uma década e que poderá gerar danos climáticos potencialmente irreversíveis, afirmou um dos maiores cientistas da Austrália. Tim Flannery, um especialista em questões climáticas reconhecido mundialmente e vencedor do Prêmio Australiano do Ano em 2007, afirmou que o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as mudanças climáticas a ser divulgado em novembro mostrará que os gases do efeito estufa já atingiram níveis perigosos.

Segundo Flannery, o relatório do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) mostrará que os gases do efeito estufa presentes na atmosfera na metade de 2005 haviam atingido uma concentração de cerca de 455 partes por milhão de dióxido de carbono equivalente - um cenário previsto para instalar-se daqui a 10 anos. "Acreditamos que chegaríamos a esse limiar em cerca de uma década", disse Flannery a canais de TV australianos na noite de segunda-feira. "Segundo o relatório, a quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera já está acima do limite e já há a possibilidade de haver mudanças climáticas perigosas." Flannery, da Universidade Macquarie, disse ter visto os dados que integrarão o documento do IPCC. O cientista afirmou que a expansão da economia global, com destaque para a China e a Índia, é um fator de peso por detrás da inesperada aceleração dos níveis de concentração dos gases do efeito estufa.

Representantes de todo o mundo reúnem-se em dezembro, em Bali (Indonésia), a fim de dar início a negociações sobre um acordo capaz de substituir o Protocolo de Kyoto, que fixa limites compulsórios de emissão e que deixa de vigorar em 2012.

Reuters

Pesquisa: aquecimento global pode fazer bem à soja

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, descobriu que o aumento da concentração de CO2 (dióxido de carbono) atmosférico pode gerar mais isoflavonóides, substâncias de defesa encontradas na soja que atuam como agentes anticancerígenos nas pessoas, em uma perspectiva mais econômica.
Liderado pela bióloga Fernanda dos Santos Kretzschmar, a pesquisa mostra que diversos tipos de isoflavonóides, como a genisteína, são produzidos a partir da exposição das plântulas da soja a ambientes enriquecidos com CO2. O efeito também ocorre quando os isoflavonóides são colocados junto com concentrações de óxido nítrico ou fragmentos de parede celular de fungos.
Segundo ela, a questão mais importante no momento é saber que tipo de efeitos o meio ambiente poderia provocar na interação entre a planta e o patógeno. Fernanda informou que as emissões cada vez maiores de CO2 que ocorrerão nos próximos anos já causam algumas preocupações.

A bióloga explicou que essas emissões podem chegar a 760 ppm (partes por milhão), em 2050, muito acima das 384 ppm que atingem a atmosfera atualmente. Para Fernanda, é necessário saber como as plantas se adaptarão às novas condições ambientais e às possíveis alterações no sistema de produção das substâncias anticancerígenas. Esse entendimento poderá criar mecanismos preventivos para o futuro.

Fonte: Redação Terra

Operação Entorno flagra plantio de maconha na Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão

Uma operação de combate ao desmatamento ilegal na região da Reserva Biológica do Gurupi, uma área prioritária de preservação ambiental no Maranhão, acabou flagrando, neste final de semana, plantio de maconha dentro da Reserva. Quarenta mil pés de maconha foram destruídos numa ação integrada do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal. A área de cultivo da erva foi avistada durante sobrevôo do helicóptero do Ibama e estava dividida em 15 roças, da semeadura à colheita, numa região de vale de difícil acesso. Em maio deste ano, fiscais e policiais já haviam queimado 55 mil pés da erva dentro da Reserva.

A ação é parte da Operação Entorno II desenvolvida pelo Ibama para coibir a atividade madeireira ilegal, desmatamentos e queimadas na Reserva Biológica do Gurupi e nas áreas vizinhas, uma região onde, além do dano ambiental ocorrem de outras práticas criminosas como a grilagem de terras, desmanche de veículos roubados e tráfico de drogas, entre outros. Acampados às margens do rio Gurupi, na fronteira dos estados do Maranhão e Pará, os fiscais realizam inspeções em duas madeireiras no Pará e em cinco no Maranhão para verificar se as serrarias consomem madeira extraída ilegalmente da reserva. Uma das primeiras madeireiras a ser fiscalizada apresentou estoque três vezes superior ao autorizado. Próximo à sede da empresa foram encontradas 1541 toras de madeira distribuídas em treze esplanadas escondidas no meio da mata. Para ter acesso aos locais, fiscais e policiais tiveram de retirar cercas e árvores que bloqueavam o caminho. Calcula-se que o volume total de madeira sem origem chegue a 60 mil metros cúbicos. São espécies de alto valor comercial como a massaranduba, jarana, sucupira, guajará, tanibuca e rouxinho, entre outras.

Segurança

Para garantir a segurança dos 28 agentes de fiscalização em campo, o Ibama conta com a atuação de 174 policiais da Divisão de Combate ao Crime e do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal de vários estados do Brasil, os mesmos que estiveram no Rio de Janeiro por ocasião dos Jogos Pan-americanos. O reforço fica por conta dos 142 policiais militares do Maranhão, incluindo homens da Força Nacional e do Batalhão de Missão Especial. O Exército Brasileiro dá apoio logístico e participa da operação com 80 soldados. Outras equipes fiscalizam o transporte ilegal de produto florestal e o tráfico de animais silvestres nas barreiras montadas em rodovias federais que dão acesso ao norte do Pará e ao Sul do Maranhão nos municípios maranhenses de Açailândia, Grajaú e Santa Inês. Na barreira de Açailândia, fiscais vistoriam em média 60 caminhões de madeira e carvão por dia. Somente nesta semana, foram apreendidos e encaminhados para o 50º Batalhão de Infantaria de Selva de Imperatriz seis caminhões que apresentaram irregularidades na Guia Florestal. No mesmo local, a Polícia Rodoviária Federal encontrou na bagagem de um passageiro de ônibus mais de 2 mil comprimidos de êxtase.

A operação Entorno é a sétima operação desenvolvida pelo Ibama neste ano rumo à retomada e à reestruturação da Rebio do Gurupi, uma das últimas áreas de preservação da biodiversidade da Amazônia Nordestina, que abriga espécies raras da fauna e da flora, muitas delas ameaçadas de extinção. Já foram alvos de fiscalização do Ibama indústrias madeireiras das cidades maranhenses de Açailândia, Cidelândia, Itinga, Buriticupu, Novo Bacabal e Bom Jesus das Selvas. No Pará, foram vistoriadas serrarias nos municípios de Itinga, Dom Eliseu, Ulianópolis e Paragominas. Durante a Operação Entorno I no município de Buriticupu/MA, em agosto, duas mil pessoas cercaram fiscais e policiais numa reação violenta ao trabalho de inspeção das serrarias e retirada de parte dos mais de 4 mil metros cúbicos de madeira apreendidos por não ter origem comprovada. Um policial rodoviário federal ferido no conflito e ... carros da PRF ficaram destruídos. Os manifestantes incendiaram uma pá-carregadeira alugada e agrediram o funcionário da empresa pelo Ibama.

Regularização Fundiária

Paralelo ao trabalho de fiscalização executado pelo Ibama, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade contratou uma empresa para realizar o cadastramento da área para fins de regularização fundiária. Os técnicos registraram todos os lotes e posses da parte Sul e 14 fazendas no Norte da Rebio. Uma busca nos cartórios da região apontou sobreposições de áreas e títulos. Também foram sinalizados os principais acessos à unidade de conservação. O trabalho prossegue com a análise dos dados cadastrais.

Fonte: Ibama

US$ 720 mil para o Cerrado

O Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-Ecos) destinará US$ 720 mil para organizações sociais comunitárias, organizações não-governamentais e instituições que atuam nos 12 estados abrangidos pelo bioma Cerrado. Os recursos serão aplicados no apoio e na criação de alternativas econômicas sustentáveis para as comunidades da região. As propostas poderão ser enviadas até 12 de novembro para o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), que coordena o PPP-Ecos no Brasil desde a criação do programa em 1994.

O programa existe em cem países e é financiado pelo Small Grants Programme (SGP), vinculado ao Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF) das Nações Unidas. A execução dos projetos apoiados se dá por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com interveniência do Escritório de Serviços de Projetos das Nações Unidas (Unops).
Segundo os responsáveis pelo programa, terão prioridade os projetos voltados para a promoção das capacidades e potencialidades de comunidades locais, inclusive tradicionais e indígenas, resultando na promoção de modos de vida sustentáveis. As propostas também devem demonstrar a viabilidade dos objetivos, gerando resultados concretos nos prazos previstos e com os recursos disponíveis.

Os projetos devem se referir ao bioma Cerrado ou às zonas de transição entre o Cerrado e Caatinga, Amazônia ou Pantanal. A instituição proponente não precisa estar sediada nesses biomas, mas deve atuar na região. A duração do projeto deve ser de até dois anos.
Mais informações: www.ispn.org.br

Fonte: Agência Fapesp

Conheça as plantas que vão mover seu carro

Roberto do Nascimento

Não vai demorar muito e você nem saberá mais a origem do combustível do seu veículo de transporte, seja ônibus, barco ou outro veículo normalmente movido a diesel. O Brasil tem capacidade de produzir o óleo a partir de diversos vegetais e também de gordura animal. A conhecida soja ainda é a principal matéria-prima usada na produção de biodiesel e a falta de fornecedores, uma das principais preocupações do governo para levar adiante o programa que prevê a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel consumido no País a partir de 2008, exigindo cerca de 800 milhões de litros anuais.

A Petrobrás, que deverá ser a maior produtora de biodiesel do País, elegeu a mamona como matéria-prima prioritária. Segundo a estatal, embora não seja a oleaginosa mais produtiva, é a que apresenta maior potencial de aproveitamento e função social:

1-) é rústica, cultivável em regiões com solo pobre e pouca água,

2-) não é comestível e exige bastante mão-de-obra,

3-) pode ser associada a culturas alimentícias,

4-) recupera o solo e

5-) é totalmente aproveitável, produzindo biodiesel, glicerina, álcool e adubo, suas folhas podem ser usadas para criação de bicho da seda, a flor, o mel, o caule serve como lenha ou celulose e a casca do furto serve como adubo orgânico rico em NPK. A planta campeão de produtividade é a palma, que fornece o dendê, seguida da mamona.

Veja as oleagionosas mais conhecidas e sua produtividade.

Os números ao lado, pela ordem, são (1) teor de óleo, (2) quilo produzido por hectare plantado e (3) a produção de óleo por hectare/ano:

Algodão --- 15 --- 1.800 --- 270

Gergelim --- 39 ---1.000 --- 390

Soja --- 18 --- 2.200 --- 396

Babaçu --- 4 --- 15.000 --- 600

Girassol --- 42 --- 1.600 --- 672

Canola --- 38 --- 1.800 --- 684

Amendoim --- 39 --- 1.800 --- 702

Mamona --- 50 --- 1.500 --- 750

Dendê --- 20 --- 10.000 --- 2.000

Fonte: DiárioNet

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Embrapa apoia políticas públicas para biomas da Amazônia

Deva Rodrigues

Onde e como compatibilizar desenvolvimento, inclusão social e preservação do ambiente na maior reserva de biodiversidade do Planeta, a Amazônia? A pergunta exige mais do que resposta, mas comprometimento das instituições e dos governos na construção de políticas públicas, ações para essa região do Brasil.

A análise é do pesquisador José Felipe Ribeiro, assessor da diretoria-executiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ao fazer uma exposição sobre os biomas da Amazônia, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Ribeiro é um dos profissionais da Embrapa envolvidos em um dos temas mais questionados por especialistas e leigos: como tratar o diferencial da biodiversidade amazônica, os diferentes biomas e desafios como as alternativas para o desenvolvimento sustentável? Segundo ele, os estudos e resultados já apontados pela Embrapa dão uma idéia da condução das pesquisas para esse fim. Tanto assim que pode ser conferido o protagonismo da estatal brasileira quanto ao uso agroeconômico dos diferentes biomas amazônicos.

Um exemplo citado por José Felipe Ribeiro são os chamados distritos florestais sustentáveis, onde se concentram pólos para florestas energéticas ou para outras culturas. Para o pesquisador esse é um ponto que exige atenção e deve estar nas políticas públicas para a Amazônia, num trabalho que reúne instituições de pesquisas. “Afinal, já passou o tempo em que apontávamos as potencialidades da Amazônia. Hoje temos ofertas de material e sabemos quais as estratégias para atuar em toda a cadeia produtiva, seja com relação a florestas, recursos hídricos ou até mesmo para as plantas nativas”, pondera Ribeiro. Com seis unidades descentralizadas na Amazônia, a Embrapa ainda tem um grande desafio a ser concluído até o próximo ano: o zoneamento das áreas apropriadas ao plantios de cana-de-açúcar e de dendê, o primeiro com a finalidade de produzir etanol e o segundo biodiesel.

Ribeiro informa que esse é um trabalho que já começou e dará respostas sobre a melhor política a ser adotada para aquela região. José Felipe Ribeiro foi um dos palestrantes da audiência pública sobre biomas da Amazônia, realizada pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados.

Fonte: Embrapa

Biólogos descobrem rã que mede apenas 1 cm

Um grupo de pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas descobriu na Índia uma nova espécie de rã que em sua fase adulta chega a medir apenas 1 cm.

Esta nova classe de rã, descoberta nas florestas tropicais do estado de Kerala, no sul da Índia, foi batizada com o nome de Nyctibatrachus minimus, e apesar de seu pequeno tamanho, os pesquisadores comprovaram que seu desenvolvimento físico é similar ao de outras espécies de rãs maiores.Até agora, este novo anfíbio passara despercebido pelos pesquisadores, pois estes acreditavam se tratar de outra espécie de rã ainda em estado de crescimento, motivo pelo qual ainda não havia sido estudada como um tipo de espécime próprio.
Graças a esta descoberta, os pesquisadores prevêem que a partir de agora poderão ser registrados outros tipos de rãs de tamanho similar, que até agora se pensava que não tinham chegado a seu pleno desenvolvimento.

Fonte: EFE

Fundo Mundial sinaliza com investimento no Aqüífero Guarani

Suelene Gusmão

A Organização dos Estados Americanos (OEA) sinalizou com a possibilidade de investimentos da ordem de US$ 1 milhão para apoio a projetos no Aqüífero Guarani. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (8) durante reunião entre a diretoria da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA e os representantes da OEA Jorge Rucks, chefe da área Geográfica da América Latina, e Scott Vaughan, diretor de Desenvolvimento Sustentável.
Essa primeira sinalização de investimentos provenientes do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) aguarda apenas o detalhamento de propostas dos países envolvidos no projeto para começarem a ser liberados. A OEA é a agência executora internacional do projeto e atua como suporte na avaliação das propostas.

Uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo, o Aqüífero Guarani engloba países como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O projeto tem como objetivo a formulação de um marco legal para a gestão compartilhada, pelos quatro países envolvidos, dos recursos hídricos subterrâneos. No Brasil, os estados que fazem parte do aqüífero são: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Fonte: MMA

Pesquisa aborda a percepção sobre os resíduos desde a Idade Média até os dias de hoje

Fernanda Marques e Igor Cruz

Ao longo da história, foram construídas diferentes percepções sobre o lixo, ou melhor, sobre os resíduos produzidos pelo homem. Desde a perspectiva religiosa na Idade Média, em que os resíduos eram associados à doença e ao pecado, até uma visão mais ecológica nos nossos dias, o lixo ajuda a contar a história das civilizações. O tema é abordado em um artigo da doutora em saúde pública Marta Pimenta Velloso, professora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) da Fiocruz. O trabalho será publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (Abrasco). A pesquisadora também acompanhou profissionais que trabalham com o lixo para saber como lidam com o assunto e como a sociedade percebe esse tipo de trabalho.

Integrante do Grupo de Direitos Humanos e Saúde Helena Besserman (GDIHS) da Ensp, Marta consultou livros do século 16 da seção de obras raras da biblioteca da Universidade de Coimbra, em Portugal. Os livros falavam sobre a peste negra do século 14. A partir dessas e de outras leituras, a pesquisadora identificou quatro fases na história da percepção sobre o lixo – definido como tudo aquilo que se joga fora, que não presta, resultante de atividades domésticas, comerciais, industriais e hospitalares.
A primeira fase é a Idade Média, quando a idéia de lixo remetia, sobretudo, aos resíduos eliminados pelo organismo, como fezes, urina, pus e o próprio corpo em decomposição. As secreções dos indivíduos doentes eram especialmente temidas. "As pessoas ligavam a doença ao contato com os enfermos. Estes, muitas vezes, considerados alvos de um castigo divino", explica Marta.
Assim, os resíduos – associados à impureza e ao sofrimento físico e mental – eram representados como uma ameaça ao homem, principalmente devido ao surgimento de grandes epidemias no continente europeu, com alto índice de mortalidade. A palavra peste nem sempre se referia à peste negra, pois havia outras doenças epidêmicas, como gripe, tifo, cólera e varíola.
O papel dos microorganismos

A segunda fase é o Renascimento, no qual as descobertas científicas, em especial a circulação sanguínea e a respiração, inspiraram medidas de higiene nas cidades. "A idéia das artérias conectando os diferentes órgãos do corpo humano motivaria a construção de ruas principais com ruas paralelas arejadas e canos de esgoto que saíam das casas e desembocavam em uma tubulação comum", conta a pesquisadora.
Contudo, somente com os trabalhos do célebre cientista francês Louis Pasteur, no final do século 19, assumiu-se que os microrganismos eram os causadores de doenças e que medidas de saúde pública deveriam ser tomadas para combater esses agentes invisíveis e seus transmissores. Nessa terceira fase, no Brasil, o sanitarista Oswaldo Cruz tornou-se famoso por disseminar essas idéias e colocá-las em prática, o que incluiu campanha para eliminação de ratos, controle da febre amarela e vacinação obrigatória contra a varíola, esta última especialmente polêmica na época.
"Hoje, todo mundo fala em lixo hospitalar, atômico, químico e emissão de gases poluentes. Mas, até meados do século 20, as percepções sobre o lixo estavam muito restritas à área médica, ou seja, às doenças", diz Marta. A partir da década de 70, no Brasil e em outros países, o lixo começou a ter seu conceito alargado e a preocupar ecologistas, sobretudo por causa da industrialização crescente. A relação entre resíduos e poluição ambiental teve destaque durante a Eco-92, no Rio de Janeiro. Desde então – a quarta fase –, o debate sobre lixo e meio ambiente ganha força. "No entanto, a saúde ambiental é um direito que já vem sendo negado, sobretudo aos mais pobres", adverte Marta, que sempre esteve atenta às relações entre a sociedade e o lixo que ela produz.

De lixeiros a artistas

Pouco depois do boom ecológico provocado pela Eco-92, Marta entrevistou lixeiros da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) do Rio de Janeiro e, durante uma semana, acompanhou-os em suas rotinas de trabalho. A pesquisadora comprovou que os lixeiros tinham consciência de que sua profissão envolvia riscos químicos, biológicos e mecânicos, como cortes e atropelamentos. Mas a principal constatação do estudo foi o desprezo da população por aqueles que trabalham com os restos.

Esse dado motivou Marta a fazer uma comparação entre duas outras categorias profissionais que lidam com a sucata: catadores e artistas. O foco do trabalho era a criatividade no tratamento dos restos resultantes da atividade humana. "A essência do trabalho de catadores e artistas é a mesma: transformar os restos. Mas os primeiros são vistos de forma depreciativa pela sociedade e os segundos têm suas obras valorizadas", analisa a pesquisadora.
Ela entrou em contato com associações de catadores de lixo, como uma em Belo Horizonte, e analisou a obra de artistas plásticos, como a do mineiro radicado no Rio de Janeiro Farnese de Andrade. Este criava suas obras a partir de lixo que coletava nas praias cariocas. Algo similar era feito pelos catadores, que atuavam na associação em oficinas de reciclagem de papel, corte e costura, pintura e escultura. O objetivo era acolher moradores de rua e ensiná-los a tirar proveito do lixo. Eles chegaram a construir um bar somente com materiais reaproveitados, das mesas e cadeiras aos objetos de decoração. "Apesar do estigma social que pesava sobre aqueles catadores de lixo e moradores de rua, a criatividade no trabalho os ajudava a elevar sua auto-estima", conclui Marta.

A peste
Também chamada peste negra ou febre do rato, a peste é causada pela bactéria Yersinia pestis e transmitida ao homem pela picada da pulga de roedores. Os primeiros sintomas surgem após dois a cinco dias, quando, em geral, ocorre inflamação dos gânglios linfáticos (peste bubônica). A doença pode evoluir para uma pneumonia, com transmissão de pessoa para pessoa, ou levar a uma septicemia. A letalidade é alta quando não há tratamento imediato.

Fonte: Fiocruz

Ibama/PI faz a maior apreensão de animais silvestres do ano

O Ibama do Piauí realizou ontem (07), a maior apreensão de animais silvestres do ano e uma das maiores já feitas no Estado. Foram 284 animais apreendidos na já tradicional Feira dos Pássaros, localizada no Mercado Central de Teresina. Onze pessoas participaram da operação.
A operação realizada de surpresa pelos técnicos do Ibama é considerada rotineira, mas como estava parada há alguns meses, conseguiu apreender essa grande quantidade de animais. Segundo o superintendente do Ibama no Piauí, Romildo Mafra, essa é uma forma de coibir a comercialização de animais silvestres no Piauí. “Estamos realizando estas operações para tentar acabar de vez com essa feira”, lembra Romildo. Ainda durante a operação uma pessoa foi presa e autuada em flagrante com sete animais dentro de uma sacola de viagem. Os animais, segundo ele, vinham do Maranhão. Ele terá que pagar multa no valor de R$ 3,5 mil e irá responder à Justiça por crime ambiental e poderá pegar de um a três anos de prisão. Os animais apreendidos foram levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) onde receberam os primeiros cuidados médicos. Entre os animais apreendidos estão periquitos, papagaios, sabiás, galos de campina, xexéus, curiós, marrecos, pipiras, além de exemplares como Rei do Congo e Chico Preto, e um casal de preás.

Segundo o chefe da Divisão de Controle Ambiental e Fiscalização, Carlos Moura Fé, as fiscalizações serão mantidas nos próximos dias. Além do Mercado Central, a comercialização de aves também é comum no mercado do bairro Parque Piauí e merece a atenção do órgão.

Fonte: Cíntia Lucas

Petrobrás terá US$ 1,3 bi para energia renovável

Carlos Rangel

A Petrobrás anunciou que vai investir US$ 1,3 bilhão em energias renováveis, voltados principalmente para a produção de biodiesel, visando atender às demandas legais de adição de 2% do insumo ao diesel, a partir de 2008, e de 5%, a partir de 2013. A meta para 2012 é produzir 938 milhões de litros de biodiesel por ano. Os valores estão previstos no Plano de Negócios 2008-2012 da estatal para geração de energia, num total de US$ 112,4 bilhões. A empresa continuará aplicando recursos em energia eólica, biomassa, além de estudar investimentos em pequenas centrais hidrelétricas e energia solar. O objetivo obter 365 MW nos próximos cinco anos com fontes alternativas.

E para consolidar a posição em geração de energia elétrica, serão investidos US$ 600 milhões em projetos que representarão um incremento de 792 MW ao parque gerador da Petrobrás, informa a assessoria, na construção das termoelétricas de Euzébio Rocha (SP) e Jesus Soares Pereira (RN), para o fechamento de ciclo da Usina Luis Carlos Prestes (MS) e para a conversão para bicombustível de outras três termoelétricas: UTE TermoCeará (CE), UTE Barbosa Lima Sobrinho (RJ) e UTE Sepé Tiaraju (RS).

Na área do etanol, a empresa pretende ampliar a logística, desenvolver e liderar a produção nacional de biodiesel para atender o mercado brasileiro e atuar em oportunidades em mercados externos, além de desenvolver tecnologias que assegurem a liderança mundial na produção de biocombustíveis, inclusive a partir de matérias-primas como biomassa residual.

Fonte: DiárioNet

Fator hidrelétrico

Murilo Alves Pereira

As hidrelétricas, por serem fontes de energia renovável, têm sido vistas no Brasil como uma alternativa para combater as emissões de gases do efeito estufa (GEE). Mas uma pesquisa que mediu e estipulou as emissões de quatro usinas hidrelétricas da Amazônia transformou-as em vilãs do aquecimento global. De acordo com os números, todas as quatro emitem mais GEE que termelétricas de mesma potência. “A hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã, está emitindo cerca de 10 vezes mais que uma termelétrica movida a carvão mineral, considerado hoje o combustível mais poluente”, informou à Agência FAPESP o biólogo Alexandre Kemenes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Segundo ele, para comparar termelétricas e hidrelétricas foi preciso relacionar a quantidade de gás emitido, medida em toneladas de equivalentes de carbono (tC), sobre a potência gerada por hora (MWh). O equivalente de carbono é a unidade que considera tanto o dióxido de carbono (CO2) quanto o metano (CH4). Como o potencial térmico do CH4 é 25 vezes maior que o do CO2, é preciso multiplicar o valor medido de CH4 por 25 para expressá-lo em carbono. Em Balbina, além dos elevados índices de emissão, há um baixo aproveitamento energético. Em outro cálculo, que considera a potência gerada pela área do lago, Balbina também fica a dever. Embora tenha alagado 2.600 quilômetros quadrados de floresta, a hidrelétrica tem uma produção energética pífia, de meros 250 MW. De acordo com Kemenes, vários são os fatores que levam as hidrelétricas tropicais a emitir GEE em grande quantidade. Os lagos muito grandes e profundos construídos sobre uma área florestal e sob a influência do clima amazônico são propensos a problemas desse tipo. “Devido à estabilidade climática da Amazônia, são formados estratos térmicos nas diferentes profundidades do lago”, explicou o biólogo. “Em temperaturas distintas, cada estrato possui diferentes concentrações de gases, entre eles o oxigênio.”

No fundo do lago, todo o oxigênio é consumido pelas atividades biológicas, mas não é reposto, formando um estrato anóxio (sem oxigênio). Além disso há grande quantidade de matéria orgânica deixada pelo não-desmatamento da antiga floresta existente na área do lago. A soma desses fatores favorece a ação metabólica de bactérias anaeróbicas, que produzirão altas taxas de CH4 e CO2, os dois principais GEE. “Além disso, a profundidade provoca outro fenômeno físico – a pressão hidrostática – que mantém os gases aprisionados no fundo do lago”, declarou o cientista. No caso de Balbina, os 30 metros de profundidade geram uma pressão de quatro atmosferas (atm) – 1 atm a cada 10 metros mais 1 atm da própria atmosfera.

A coleta de dados ocorreu entre 2002 e 2006 na usina de Balbina e faz parte da tese de doutorado de Kemenes. Em julho de 2007, o trabalho foi publicado na Geophisical Research Letter, uma das revistas de maior impacto na área de geofísica. Para as outras usinas – Tucuruí, Samuel e Curuá-Uana – a tese se valeu de dados já coletados por outros pesquisadores.

Três caminhos

Depois de gerados no fundo do lago, o CO2 e o CH4 chegam à atmosfera por três vias: pelo próprio lago, pelas turbinas da barragem e à jusante dela. Cerca de 85% das emissões ocorrem por ebulição ou difusão, na área do lago. Quando os gases ficam supersaturados no substrato, eles se desprendem em forma de bolhas e chegam à atmosfera. Ao mesmo tempo, os gases existentes na superfície do lago são difundidos lentamente. Câmaras estáticas (baldes flutuantes invertidos) e funis invertidos foram espalhados ao longo do lago para capturar as bolhas de ebulição e a difusão dos gases. “Essa metodologia é consagrada e já utilizada em várias partes do mundo, como na usina de Petit-Saut, na Guiana Francesa”, explicou Kemenes. Os dados referentes às emissões pelo lago foram medidos nas quatro hidrelétricas. Em relação aos valores mensurados na turbina e à jusante, há informações somente para a hidrelétrica de Balbina. “Foram propostas, para 2007, coletas de campo em Tucuruí, Samuel e Curuá-Una abaixo das barragens, mas houve problemas de autorização e não foi possível fazer a coleta”, informou.
Para essas três usinas, os valores foram estimados em relação ao levantamento de Balbina. “Devemos substituir esses dados estimados tão logo consigamos coletar nessas usinas.”

Depois de passar pelas turbinas, grande parte dos gases é emitida devido à queda da pressão hidrostática. Para chegar aos valores de Balbina, a equipe de Kemenes mediu a quantidade de metano no fundo da represa, a uma profundidade de 30 metros, no fluxo de água antes das turbinas. O gás restante se desprende lentamente na atmosfera por difusão, à jusante do rio. Estima-se que a emissão continue gradualmente por 100 km, rio abaixo. C

Controvérsia

Dos valores emitidos pelos três compartimentos da hidrelétrica, aqueles relacionados às turbinas são os que causam maior controvérsia. Para o geógrafo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marco Aurélio dos Santos, há um equívoco em relação à profundidade por onde ocorre a vazão da água pela turbina. “Os autores consideraram que a vazão ocorre a 30 metros de profundidade, mas a tomada de água pelas turbinas ocorre entre 14 e 30 metros. O valor deveria ser a média da concentração de metano nessas profundidades”, afirmou Marco Aurélio. Como a concentração de CH4 aumenta com a profundidade, essa diferença resultaria numa quantia emitida muito menor que a proposta pela equipe de Kemenes. Mas, segundo o biólogo do Inpa, não há estudos conclusivos sobre a área onde ocorre a tomada de água pelas turbinas.“Antes de realizar nossas estimativas de emissões pelas turbinas, consultamos os engenheiros da Manaus Energia. Eles nos informaram que o fluxo d’água é laminar e rente ao fundo do lago. Optamos então por utilizar os dados referentes a esse estrato. Outros trabalhos realizados em várias partes do mundo, como os de Petit-Saut, utilizam a mesma metodologia”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

Argentina deveria tratar disputa fronteiriça com Uruguai como questão nacional, critica analista político

Ana Luiza Zenker

A longa disputa em torno das fábricas de papel que o Uruguai reivindica construir na fronteira com a Argentina foi um dos principais assuntos tratados pelo historiador e analista político Gerardo Caetano na entrevista concedida à Agência Brasil para falar da disputa presidencial argentina – as eleições serão realizadas no próximo dia 28. Professor e diretor do Instituto de Ciência Política da Universidad de la Republica, no Uruguai, Caetano acha que o governo de Néstor Kirchner deveria tratar a celeuma como uma questão de interesse nacional, e não deixar que grupos ambientalistas dominem a discussão. Eles reclamam que a construção das indústrias à beira do Rio Uruguai viola um tratado assinado entre os dois países com normas sobre como cuidar do rio.

Agência Brasil: Como está a relação entre Argentina e Uruguai, países historicamente muito próximos?

Gerardo Caetano: Com certeza, são países extraordinariamente próximos e não só em termos geográficos, mas também em históricos, culturais. Essa situação é absolutamente anômala. Apesar de que ao longo da história houve episódios de desencontro, nunca como agora existiram tantas razões para que Uruguai e Argentina caminhem juntos em uma perspectiva de integração regional, junto com seus outros sócios no Mercosul [Paraguai e Brasil].

ABr: E que situação anômala é essa?

Caetano: Em relação ao conflito bilateral pelas fábricas de celulose, a situação está num impasse. Por um lado, está tramitando a demanda argentina na Corte de Haia. Por outro, há rumores sobre tentativas de negociações bilaterais, inclusive se tem dito na imprensa que esse acordo estaria muito próximo. Mas o certo é que a Assembléia de Ambientalistas de Gualeguaychu [cidade do lado argentino] radicalizou suas manifestações, inclusive manejando hipóteses de violência que obviamente estão gerando preocupação na sociedade uruguaia, também indignação. Aconteceram alguns episódios de conflito entre os ambientalistas e o próprio governo uruguaio, quando o presidente [Tabaré Vázquez] foi inaugurar o porto de Botnia [do lado uruguaio]. Alguns ambientalistas violaram as águas territoriais uruguaias.

ABr: Ambientalistas argentinos?

Caetano: Sim. A isso, teria que se somar um comunicado de Romina Picolotti, secretária [nacional] do Meio ambiente, que trata o assunto [sob a ótica] de Gualeguaychu, em uma situação que não é feliz. O governo argentino deveria ver esse tema a partir de uma perspectiva nacional e não como uma demanda localizada dos ambientalistas de Gualeguaychu, que são o que hoje se chama de um grupo intenso, que tem uma única demanda e a converte na sua identidade, o que por definição não pode negociar. O interlocutor do governo uruguaio não é a Assembléia de Gualeguaychu, é o governo argentino, que deveria atuar como tal.

ABr: E não está atuando?

Caetano: Creio que não. Ele nacionalizou uma demanda local, incorporou como sua uma demanda de um grupo intenso, muito localizado, e tornou esse um tema eleitoral. Não nos esqueçamos que a escalada do conflito se inicia em 2005, quando este problema foi tido como resolvido pelas autoridades. Naquele momento, o chanceler argentino, Rafael Bielsa, se transformou em candidato a deputado pela cidade de Buenos Aires [foi eleito] e tomou o tema das fábricas de papel como um tema de campanha, o que levou a uma radicalização do processo. O governo argentino, de forma inadequada, tomou a demanda da mudança de local da fábrica de Botnia [numa das cidades-sede segundo o projeto] como sua própria, nacionalizando o conflito e ao mesmo tempo incorporando uma lógica de isolamento. Estamos originariamente frente a duas demandas legítimas [ambiental e de captação de um investimento direto com “altíssima capacidade tecnológica”]. Caberia uma solução técnica, com respaldo político. O que se vê hoje é o pior. Entre dois povos irmãos, chegou-se a um confronto nacionalista, no pior dos sentidos.

ABr: O senhor disse que a campanha da Frente pela Vitória [coligação da candidata Cristina Kirchner] não tem ajudado a resolver o conflito. Por quê?

Caetano: Os sucessos na Argentina nos últimos anos devem ser vistos a partir de uma referência, que são os episódios dramáticos ocorridos em dezembro de 2001. O que ocorreu no final de 2001 e no início de 2002 foi um episódio trágico, que gerou uma situação de vazio político e de decadência econômica e social que obviamente está condicionando os atores argentinos. Recordemos também que no mandato de transição de [Eduardo] Duhalde, [Néstor] Kirchner obteve a presidência em uma situação muito difícil, porque no primeiro turno, obteve pouco mais de 20% dos votos diretos, assumindo com debilidade de legitimação política e eleitoral muito grande. (...) Isso fez com que, em toda a presidência de Kirchner, a acumulação de poder local tenha sido uma idéia recorrente. E isso continua tendo uma forte influência às vésperas das eleições. Neste contexto, o conflito com as papeleras obviamente teria uma tradução eleitoral. Creio que o governo argentino ficou prisioneiro dessa lógica de acumulação de poder interno. Compartilho a política de não reprimir, sobretudo depois do que se passou na Argentina, mas a falta de ação em relação a piquetes que cortam a fronteira entre dois países que são irmãos historicamente e sócios de um processo de integração não somente afeta diretamente o direito internacional, mas também o processo de integração.

ABr: E quais são as perspectivas caso Cristina Kirchner vença?

Caetano: Teremos que trabalhar com algumas hipóteses. O tempo dirá até que ponto são perspicazes. Tenho fundadas razões [para crer] e esperanças de que o presidente [Néstor] Kirchner não quer deixar para a sua esposa, que tudo indica vai ser a futura presidente, esse problema. Essa mudança de governo dá um espaço para que o presidente resolva o assunto entre a eleição e a posse. Rumores que saíram de fontes qualificadas, tanto jornalísticas como políticas, estão indicando isso, que há um acordo avançado. Em segundo lugar, creio que a senadora Cristina Kirchner tem uma visão política muito mais internacional que o presidente. Essa visão fez com que, antes de ser candidata, ela fosse uma figura que buscava conexões políticas favoráveis à Argentina. Seu vínculo com Michelle Bachelet [presidente do Chile], seus vínculos na Espanha, Venezuela, Bolívia, sua viagem aos Estados Unidos, onde teve encontros importantes... Creio que se pode esperar algo que este governo Kirchner não teve, que é uma política exterior realmente pró-ativa, que volte a priorizar o vínculo da Argentina com o mundo, e que não veja o mundo através dos olhos do que se passa na Argentina.

ABr: E se outro candidato, como Elisa Carrió ou Roberto Lavagna, vencer?

Caetano: Temos dois países que estão, politicamente, encarando o problema de maneiras muito diferentes. No Uruguai, todos os partidos políticos respaldam o presidente na sua postura por Botnia [empresa finlandesa que vai construir uma das fábricas], não existem matizes. Na Argentina, claramente há uma contradição entre a Frente pela Vitória e os outros candidatos. Cristina Kirchner tem evitado falar do assunto, mas Lavagna falou, e a favor de uma rápida solução com Uruguai. Carrió falou a favor de uma rápida solução. Outras candidaturas, como a de Alberto Rodriguez Saá, inclusive utilizaram o tema em seus spots publicitários. A oposição a Kirchner se coloca do lado uruguaio, reclamando a necessidade de negociação razoável com o Uruguai. Isso faz com que a hipótese de um triunfo da oposição, que seria em segundo turno, reavivaria radicalmente a perspectiva de um acordo rápido. Eu creio, de todas as maneiras, que estamos próximos de um acordo, ganhe quem ganhe.

Fonte: Agência Brasil

Economista defende em livro que visão romântica aprisiona agricultura familiar

Manuel Alves Filho

Convidado pelo Fórum Permanente de Desenvolvimento Rural Sustentável, organismo que reúne entidades representativas da sociedade civil, trabalhadores rurais e governo, para fazer uma reflexão sobre o tema Agricultura Familiar, Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, o economista Antônio Márcio Buainain, professor da Unicamp, cumpriu ao pé da letra a proposta de fomentar o debate em torno do assunto. Para cumprir a tarefa, ele produziu um texto rigoroso e polêmico, no qual contesta a visão romântica que muitos têm sobre a agricultura familiar. Tal postura, conforme o autor, leva a propostas de políticas que, no lugar de estimular e proteger esse importante segmento, acaba por aprisioná-lo em preceitos ideológicos que muitas vezes entram em choque com a própria racionalidade econômica.

Segmento é composto de 4,1 milhões de unidades

A tese mais controversa defendida por Buainain talvez seja a de que os agricultores não são familiares por opção, mas por restrição. Mesmo reconhecendo a importância da cultura familiar, o docente mostra que quando são relaxadas as restrições, os familiares mantêm a cultura, mas se transformam em produtores patronais. A evidência mais forte desse fato é que, atualmente, os maiores produtores de grãos do país, donos de impérios no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, eram, há vinte anos, pequenos agricultores familiares na região Sul. Buainain também contesta a idéia de que a agricultura familiar seja um domínio privilegiado para a prática de atividades vinculadas à agroecologia e argumenta que “a agricultura familiar não apresenta vantagens competitivas nesse caso”. Como não poderia deixar de ser, sua posição tem despertado chiadeiras.

No trabalho, que virou livro publicado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o docente da Unicamp faz questão de deixar claro que suas análises não são engajadas ou alinhadas com qualquer tipo de “causa”. Ao contrário, assinala, constituem uma reflexão crítica sobre a realidade brasileira. “Minha intenção, desde logo, não foi suscitar concordância, mas sim oferecer elementos que pudessem colaborar para um debate mais efetivo sobre esses pontos”, explica. Aliás, a missão foi entregue ao economista justamente por ele não fazer parte do Fórum e nem militar em qualquer movimento comprometido com o tema em questão. Antes de entrar propriamente nas suas análises, o professor da Unicamp fez algumas considerações sobre a agricultura familiar no Brasil ao Jornal da Unicamp. Segundo ele, trata-se de um setor que responde por uma parcela importante de alguns itens que compõem o agronegócio nacional. De acordo com os dados do último censo rural, que já completou dez anos, o segmento era composto por algo em torno de 4,1 milhões de unidades, que apresentam diferentes características sociais e produtivas. A maioria delas, porém, é de pequena dimensão e quase inviável economicamente. “Existe um grupo de agricultores familiares dinâmicos, mas eles constituem uma minoria. Ao contrário dos demais, estes conseguiram incorporar tecnologia e se inserir em circuitos mais vigorosos de produção”, destaca.

Buainain lembra que a agricultura familiar brasileira entrou na agenda política do país com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), criado no governo de Fernando Henrique Cardoso e ampliado na gestão Lula. No final do mandato de FHC, o Pronaf contava com recursos da ordem de R$ 3 bilhões. Em 2006, esse montante já havia alcançado R$ 9 bilhões. “De fato, houve uma evolução no apoio, mas este incentivo não tem sido suficiente para promover uma mudança estrutural no segmento. De maneira geral, o agricultor familiar continua empobrecido. Minha expectativa é que o próximo censo rural aponte um crescimento do setor em comparação com o seu próprio desempenho, mas uma queda de importância em relação à produção nacional”, prevê. De acordo com o economista, os produtos que experimentaram grande expansão nos últimos dez anos, como cana, laranja, soja, milho e pecuária de corte, são fortemente influenciados pela escala de produção. Ocorre, no entanto, que a agricultura familiar brasileira não apresenta vantagens competitivas de escala. “Isso acontece porque as políticas públicas de investimento não favorecem as mudanças estruturais. O crédito do Pronaf, por exemplo, destina-se quase que exclusivamente ao custeio. As demais linhas também. Com isso, a agricultura familiar não consegue fugir do quadro crônico de debilidade”, avalia. E que deficiências são essas? De acordo com Buainain, duas das mais importantes são a limitação do recurso da terra e a dificuldade para inovar.

No Brasil, reafirma, a agricultura familiar é caracterizada pela pequena unidade e pelos parcos recursos financeiros de seus proprietários. Além disso, as propriedades normalmente estão pulverizadas pelo país. “As que estão localizadas no entorno de Campinas, por exemplo, não enfrentam grandes problemas, pois estão próximas do mercado consumidor. Mas o que dizer daquelas que estão situadas em pontos isolados, a centenas de quilômetros dos consumidores? Esse tipo de limitação impede que o setor adquira dinamismo”. Outro problema do segmento, prossegue o economista, diz respeito à ausência de condições dos agricultores para inovar. “Destaque-se que isso não ocorre pela indisponibilidade de tecnologias, mas sim pela falta de recursos para adquiri-las”. Ainda segundo os dados do último censo rural, 50% dos agricultores brasileiros não dispunham de qualquer outro expediente para tocar suas plantações além da força dos braços. No Nordeste, esse índice era de 60% e na região Norte, 87%. Por fim, esses mesmos agricultores apresentavam um baixo nível educacional, e não há nenhuma razão para pensar que esta situação mudou desde então. “Se nos centros urbanos nossos estudantes não estão aprendendo, imagine nas zonas rurais”, questiona-se Buainain. Ora, e o que a agroecologia e o desenvolvimento sustentável têm a ver com isso? Tudo, segundo o professor. Ele afirma que a agroecologia, que prega o aproveitamento responsável dos recursos oferecidos pela natureza na produção, exige não apenas o uso de tecnologia, mas também algum grau de conhecimento científico por parte de seus adeptos. Ou seja, atributos que não são comuns à maioria dos agricultores familiares.

Ademais, continua o economista, a agroecologia não pode ser resumida ao plano da propriedade. O fato de uma unidade lançar mão de princípios da sustentabilidade, de acordo com ele, não torna a sua produção ecológica. “Se um sítio adota a produção agroecológica, mas seus vizinhos continuam pulverizando a lavoura com defensivos agrícolas, essa situação certamente não compõe um quadro equilibrado. Definir estratégicas agroecológicas pressupõe considerar uma abrangência geográfica muito maior, o que não bate com a atual configuração espacial das unidades brasileiras”, insiste. Voltando ao tamanho das propriedades, Buainain sustenta que, por serem pequenas, elas não permitem a diversificação da produção, outra característica do modelo agroecológico. Por tudo isso, conclui o economista, a adoção da agroecologia e do desenvolvimento sustentável por parte da agricultura familiar é meritória, mas apenas como princípio. “Sempre que possível é recomendável a adoção de princípios agroecológicos, até porque faz todo o sentido reduzir os insumos químicos, promover a sinergia entre os elementos da natureza presentes na propriedade, aproveitar melhor os subprodutos e assim por diante”. Mas na prática, segundo ele, a agroecologia não é capaz de atender as necessidades atuais de ampliação da produção, cujo objetivo é suprir a crescente demanda por alimentos. “Num ou noutro caso, em que os agricultores familiares têm condição de cumprir as exigências que o segmento requer, penso que o modelo deve ser implantado e estimulado. Porém, de maneira mais geral, não vejo como a agricultura familiar possa dar conta do recado”. Questionado se o seu posicionamento não tem merecido críticas por parte de alguns grupos, o professor da Unicamp admite que sim. “Mas isso faz parte do jogo. Não existiria o debate e a reflexão conseqüentes se não houvesse o contraditório. Minha pretensão jamais foi esgotar o assunto, mas sim contribuir para que a discussão em torno de um tema tão relevante avance para além das paixões e alcance também os que não são ‘iniciados’ no assunto”, pondera Buainain.
Os interessados podem baixar o livro, em versão PDF, por meio do seguinte endereço eletrônico: http://www.iicaforumdrs.org.br/index.php?saction=conteudo&id=980e349e80e189f32411c69ef9668ad9.

Fonte: Jornal da Unicamp

sábado, 6 de outubro de 2007

Plano de mudanças climáticas tem conclusão prevista para 2009

Carolina Pimentel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou ontem (5) o privilégio do Brasil na produção de energia pelo potencial de sua “imensa" bacia hidrográfica. "O Brasil tem hoje aproximadamente 100 mil megawatts de energia funcionado. Se pegarmos todas as bacias hidrográficas brasileiras que compõem toda essa imensidão de rios que nós temos, nós teremos aproximadamente 264 mil megawats. Nós, brasileiros, e os companheiros sul-americanos, temos uma situação muito privilegiada, se tivermos bom senso, juízo e visão de futuro", afirmou ao visitar as obras da Usina Foz do Chapecó, no oeste de Santa Catarina.

O presidente lembrou que "não é simples" expandir a produção de energia hidrelétrica, porque, segundo ele, entre a decisão política e a efetivação da obra, existem problemas que não estão relacionados ao poder de decisão dos governos. "Tem o problema ambiental, tem o Ministério Público, que muitas vezes aciona uma obra e leva alguns anos para que a Justiça julgue, e muitas vezes, entre os próprios empresários, há divergências se vão participar ou não do consórcio", disse. O presidente afirmou que a geração de energia por usinas hidrelétricas ainda é a solução "mais interessante" e mais barata para o Brasil. "Temos que cuidar do meio ambiente? Temos. [Cuidar] Das pessoas que moram nos lugares que vão ser alagados? Temos. Mas nós precisamos fazer as hidrelétricas", ressaltou.

Além da construção de usinas, o presidente defendeu investimentos em linhas de transmissão, inclusive para integrar energeticamente países da América do Sul. E anunciou que até 2010, 62 novas hidrelétricas serão construídas no país. "Precisamos desmontar o labirinto de dificuldades que temos, para que a gente possa produzir energia nesse país", defendeu. A hidrelétrica Foz do Chapecó tem um custo estimado em R$ 2,2 bilhões, para gerar 855 megawatts de potência a partir de 2010.

Fonte: Agência Brasil

Ibama/RS apóia criação de Unidade de Conservação no Banhado do Maçarico

A Superintendência do Ibama/RS encaminhou ao presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, João Paulo Capobianco, e ao diretor de Biodiversidade do Instituto, Rômulo Mello, um manifesto multi-institucional da ONG Curicaca (de Porto Alegre), que defende a criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral no Banhado do Maçarico, no município de Rio Grande (RS). O manifesto é apoiado por diversas instituições, universidades, órgãos ambientais e ONGs que, assim como o Ibama/RS, defendem a criação da referida Unidade de Conservação, pois sustentam que o Banhado do Maçarico é considerado uma área importante para a conservação das aves no Estado do Rio Grande do Sul, com registro de diversos passeriformes ameaçados de extinção.

O Banhado do Maçarico está situado ao norte da Estação Ecológica do Taim e ao sul do estuário da laguna dos Patos, áreas igualmente importantes para a conservação das aves. No Banhado, foram registradas pelo menos 170 espécies de aves, sendo a maioria espécies aquáticas ou campestres, com poucos representantes florestais. Assinam o documento em apoio à criação da UC, entre outros, o Instituto de Biociências e o Departamento de Ecologia da UFRGS; a Fundação Zoobotânica (FZB); o curso de pós-graduação em Biologia da Unisinos; a Sociedade para Conservação de Aves do Brasil (BirdLife Internacional); as ONGs Amigos da Terra e Agapan.

Fiscalização

No início deste ano, o escritório do Ibama em Rio Grande realizou uma operação de fiscalização no Banhado do Maçarico, a pedido do Ministério Público Federal, quando foi autuada a empresa Bianchini S/A Indústria Comércio e Agricultura, por plantio de 200 hectares de eucaliptos em uma propriedade de cerca de 750 hectares. O valor arbitrado para a multa foi de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o que equivale a R$ 5.000,00 por hectare de eucalipto plantado em Área de Preservação Permanente (APP). O valor da multa considerou não somente o porte do empreendedor, mas principalmente o fato da área ter sido classificada pelo Ministério do Meio Ambiente, segundo sua importância biológica e prioridade de ação, como “Extremamente Alta”, conforme o Anexo IV do Mapa das Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade. Paralelo às ações de fiscalização, o Ibama/RS apóia à criação de Unidade de Conservação no Banhado do Maçarico, por entender que entre as suas atribuições - além da fiscalização -, está a preservação de ambientes de relevante importância ambiental, pois se tratam de áreas consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade no Estado do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Fonte: Ibama

ANP vai fazer mais 4 leilões de biodiesel

Roberto do Nascimento

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai realizar mais quatro leilões para compra superior a 800 milhões de litros de biodiesel para serem adicionados ao óleo diesel consumido no País a partir de janeiro, na proporção de 2% (98% de diesel, para 2% de biodiesel). Serão dois leilões em novembro, com a compra dos 800 milhões, e dois em dezembro, com volume ainda a ser definido, para atender grandes consumidores como a Vale do Rio Doce, que já usa 20% de biodiesel em suas locomotivas. O preço máximo de compra ainda não está definido. Nos leilões anteriores, os preços ficaram entre R$ 1,7 e R$ 1,9 o litro, aproximadamente.

A mistura, que está prevista em lei, será responsável pela quase totalidade do transporte rodoviário urbano e interestadual de coletivo de passageiros e cargas no Brasil, assim como de tratores, máquinas e implementos agrícolas e do transporte ferroviário e aquaviário. Os leilões contribuirão também para reduzir a volatilidade de preços em um mercado ainda incipiente, diminuindo os riscos para o investimento tanto na etapa industrial quanto na etapa agrícola. Só poderão participar do leilão os produtores que tiverem o selo social, concedido ao produtor que promover a inclusão dos pequenos agricultores, por meio da aquisição mínima de matéria-prima, em percentual diferenciado por região, da prestação de assistência técnica aos agricultores, dentre outros requisitos.

A matéria-prima usada vem mudando rapidamente, embora ainda prevalece a soja, com 51%. Depois vêm a mamona (31%), o caroço de algodão (8%) e a palma (5%). O combustível renovável será comprado pela Petrobrás (93%) e pela Refinaria Alberto Pasqualini (7%). O novo leilão busca tranqüilizar e incentivar os produtores, que temem, sem os leilões, obter um preço inferior ao custo, já que o preços alcançados nos leilões se aproximam dos R$ 2 por litro, superior ao preço do óleo diesel vendido ao consumidor nos postos. Com esse novo leilão, o governo garante que não faltará biodiesel para ser adicionado ao diesel derivado de petróleo em 2008.

Fonte: Diarionet

Brasil espera avanço para compensações por redução de desmatamento, diz embaixador

Alana Gandra

O governo brasileiro espera um avanço nas negociações sobre compensações financeiras para os países em desenvolvimento diminuam as emissões de gases causadores do efeito estufa na atmosfera pelo desmatamento. A afirmação é do embaixador extraordinário do Brasil para Mudanças Climáticas, Sérgio Serra, que esteve hoje (5) na Câmara de Comércio Americana do Rio.

O Brasil levou essa proposta à Organização das Nações Unidas (ONU). “Isso está em estudo na Convenção do Clima das Nações Unidas. E nós esperamos que em Bali [na Conferência das Partes da Convenção do Clima, em dezembro] haja um avanço nessas negociações”, manifestou.
Sérgio Serra lembrou que o desmatamento é o principal responsável pela emissão de gases do efeito estufa no Brasil e não a energia, como ocorre em muitos países, porque a nossa matriz energética é mais limpa que a de outras nações. O embaixador disse que já foram registrados progressos nessa área no país nos últimos três anos.

O embaixador listou medidas do governo para reduzir o desmatamento, como o combate à grilagem, o aumento das áreas de preservação, o controle por satélite e o estabelecimento de meios de desenvolvimento sustentável para as comunidades. E citou os números da redução do desmate na Amazônia nos últimos anos. A exploração da vocação turística da região talvez seja um caminho alternativo a adotar, como sucedeu com sucesso na Nova Zelândia, avaliou o embaixador de Mudanças Climáticas.

Fonte: Agência Brasil

Plataforma de vida marinha


O uso de tubos descartados da atividade petrolífera permite criar recifes artificiais que atraem diversas espécies de vida marinha (foto: Coppe/UFRJ).


Recifes artificiais criados com tubos petrolíferos podem aumentar pesca artesanal


Fred Furtado

Criar possibilidades de aumento da pesca artesanal na bacia de Campos (RJ) e testar o uso de tubos descartados da produção petrolífera na formação de recifes artificiais são os objetivos do projeto que vem sendo realizado no litoral do município de Rio das Ostras (RJ), desde 2003, pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Coppe instalou, em colaboração com o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e a Petrobras, financiadora do projeto, 27 hábitats de aço de variados tamanhos e formatos e 41 de concreto no fundo do oceano, a 30 m de profundidade e a 6 km da costa. A área de 20 mil m 2 serviu como base para a incrustação de moluscos e corais que, com o tempo, acabam atraindo outras formas de vida marinha, criando um ambiente propício para a pesca.


Desde a instalação do projeto, as populações de alguns peixes, como o cherne ( Epinephelus niveatus ), estão aumentando, demonstrando o sucesso da iniciativa, que é também uma maneira viável de reaproveitamento de materiais da indústria petrolífera, bem como de outros produtos descartáveis. Embora no exterior a criação de recifes artificiais esteja mais ligada à desativação de plataformas petrolíferas – no lado britânico do mar do Norte, cerca de 300 serão tiradas de circulação nos próximos 20 anos –, no Brasil o foco é outro. “O país tem poucas instalações desse tipo a serem desativadas em breve. No entanto, os tubos usados na produção do petróleo têm de ser substituídos regularmente e podem ser aproveitados”, explica o engenheiro Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da Coppe.


O projeto começou em 2002, mas a instalação dos hábitats só ocorreu em 2003. Originalmente, a Coppe considerou utilizar também a área de Cabo Frio (RJ), onde o mar apresenta características distintas do de Rio das Ostras, como, por exemplo, maior transparência. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela aprovação do teste, contudo, liberou a instalação, na primeira fase, apenas em Rio das Ostras. O Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul (Cepsul) do Ibama tem acompanhado a evolução do projeto desde o início. “Como os resultados estão sendo positivos, há a possibilidade de expandir a iniciativa para outras áreas”, conta Estefen.

Geometria submarina

Os 27 hábitats de aço foram construídos com tubos descartados da atividade petrolífera nos mais diversos formatos (cubos, pirâmides, prismas etc.) e tamanhos, sendo o maior deles um cubo de 9 m de lado. “Essa variedade permite que diferentes espécies se estabeleçam no local, procurando seus recantos preferidos, o que não aconteceria se as estruturas fossem idênticas”, afirma o engenheiro. Os hábitats contam ainda com telas, que servem como substrato adicional para a incrustação de moluscos e corais. Na montagem, os pesquisadores evitaram o uso de soldas, a fim de diminuir custos e emissões poluentes, optando por fazer a conexão dos tubos por encaixes, com braçadeiras especialmente projetadas e fabricadas para esse fim. Os hábitats são monitorados de seis em seis meses pelos pesquisadores, que avaliam sua evolução, similaridade e impacto ambiental, comparando-os ao recife natural de Pedras Altas, localizado em área próxima, que serve de parâmetro ao projeto.

Segundo Estefen, os resultados mostram um aumento constante da quantidade de peixes, mas ela ainda não é suficiente para manter uma atividade pesqueira. Além disso, a colônia de pescadores de Rio das Ostras realiza um censo diário das espécies capturadas e já observou o reaparecimento de algumas que não eram mais encontradas na região. “Vamos agora incorporar novas técnicas de monitoramento, que indicarão quais peixes migram para os recifes e quais nascem lá, os que permanecem e os que abandonam a área”, conta o engenheiro. A expectativa é que os recifes artificiais se tornem estáveis por volta de 2010. O sucesso obtido até agora tem feito com que outras colônias de pescadores do litoral fluminense demandem que a iniciativa seja estendida até suas regiões. Os resultados apontam ainda para a possibilidade de uso, no futuro, de segmentos de plataformas fixas desativadas. Mas os pesquisadores não querem se limitar à desativação dessas estruturas como base para os recifes artificiais. “Pretendemos testar outros materiais, principalmente os descartáveis da produção de petróleo e gás”, conclui Estefen.

Fonte: Ciência Hoje

América Latina e Caribe sofrem com a dengue

A dengue está atingindo níveis epidêmicos em várias partes da América Latina e do Caribe, e isso pode ter como causas as mudanças climáticas e a expansão do turismo e das migrações, mostrou um relatório divulgado nesta semana pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Em várias partes do continente, especialmente ao norte da linha do Equador, esta é a estação mais chuvosa do ano, tornando-se a época de maior proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença. O vírus, que tem quatro cepas diferentes, normalmente deixa as vítimas de cama por uma semana, com dores no corpo e sintomas semelhantes aos da gripe. Cerca de 5% dos casos evoluem para a forma mais grave, a dengue hemorrágica, que pode ser fatal. As vítimas também podem morrer de desidratação caso não recebam tratamento imediato, que normalmente inclui repouso e hidratação. Vários casos exigem internação.

A Opas prevê a ocorrência de até 1 milhão de casos de dengue neste ano no subcontinente.
Desde o começo do ano, já foram registrados 630.356 casos, 11% a mais do que no total de 2006. Desses, 12.147 casos foram de dengue hemorrágica, e 183 pacientes morreram. Os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA recentemente emitiram um alerta a viajantes sobre surtos da doença em Porto Rico, Guadalupe, Martinica, México, Nicarágua e Brasil. O Departamento de Saúde de Porto Rico disse nesta sexta-feira que estão sendo registrados mais de 500 casos por semana. Desde o começo do ano, o território teve 6.175 casos, com quatro mortes confirmadas. Como não há vacina disponível, as autoridades recorrem à fumigação e a outras campanhas para controlar os mosquitos.

Nesta sexta-feira, funcionários do Departamento de Saúde entregavam material educativo em esquinas, pedindo às pessoas que eliminem criadouros do mosquito e busquem atendimento médico aos primeiros sintomas da doença. "Precisamos do compromisso e da participação de todos os setores da sociedade para podermos prevenir e controlar a dengue", disse a epidemiologista do governo porto-riquenho Enid García Rivera. "Devido à quantidade de chuva nestes dias, o mosquito da dengue pode se reproduzir em velocidades assustadoras". A República Dominicana já registrou mais de 6 mil casos e 30 mortes neste ano, segundo a imprensa local. O México teve 67.562 casos, sendo que 5.212 evoluíram para a forma hemorrágica, segundo a Opas.

Fonte: Reuters

Uso de animais é fundamental para a pesquisa, afirma presidente da SBPC

Flávia Albuquerque

O uso de animais em experimentos científicos é fundamental para a pesquisa, para o desenvolvimento de vacinas e para uma série de iniciativas na área da ciência e tecnologia, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp, ontem (5), em São Paulo.

Segundo ele, não existe alternativa para experimentar vacinas, por exemplo. “Não vamos deixar ter vacina contra rubéola, sarampo para os humanos, então tem que ter esse tipo de experimentação. É absolutamente necessário”, afirmou. O cientista ressaltou, em entrevista à Agência Brasil, que o uso de animais para experiências científicas tem a finalidade de salvar vidas humanas, mas defendeu que deve ser feito com ética, com sentido humanista e humanitário. “Somos conscientes de tudo isso. O que queremos é uma regulamentação do setor”. Ele disse que os criadores de animais utilizados para experimentos em laboratórios obedecem a critérios de ética rígidos com padrões internacionais. “Como a comunidade tem muito interesse em ter animais domésticos que são afetivos, nós precisamos ter muito cuidado, e é fundamental legislar sobre isso porque não pode continuar como está.”

Existem, entretanto, entidades que buscam pôr fim à prática, com o argumentos de que ela é antiética e existem métodos mais eficientes para testar remédios e outros produtos. Algumas pregam o boicote a indústrias que usam animais em seus processos. Marco Antonio Raupp disse que é adequado, com as modificações por que passou, o Projeto de Lei 1.153, de 1995, do ex-deputado e sanitarista Sérgio Arouca (1941-2003). “O que queremos é que o governo, usando sua maioria parlamentar, agilize a aprovação no Congresso Nacional”, comentou o presidente da SBPC, que fez pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesse sentido, na última quarta-feira (3). Ontem, Raupp enfatizou que a aprovação da Lei Arouca, como ficou conhecida a proposta, é uma questão de segurança jurídica para o trabalho de pesquisa. “Se descuidar, os cientistas podem ser presos por usar animais”. O projeto está em condições de ir a plenário e tem dois substitutivos propostos (textos a votar no lugar do original, caso os parlamentares assim prefiram). Prevê a criação do Sistema Nacional de Controle de Animais de Laboratório, para disciplinar a atividade.“Tendo lei garante-se que não se está cometendo atos de barbárie contra os animais”, opinou. O presidente da SBPC destacou que a entidade não quer que os pesquisadores sejam taxados de bárbaros e avaliou que, com a lei, a sociedade passará a aceitar as regras colocadas.

Segundo ele, o Brasil é um dos poucos países do mundo onde a prática de experimentos científicos com o uso de animais não é regulamentada. “Na Alemanha existe constitucionalmente um preceito que protege os animais e, no entanto, tem lei que permite utilizar animais em laboratório porque isso é uma necessidade humana”, exemplificou.

Fonte: Agência Brasil

Carbono contabilizado

Rachel Rimas

Método calcula quantidade de gás carbônico emitida por indústrias e aponta meios de neutralizá-la

O cálculo do carbono emitido pela indústria é feito a partir de uma avaliação detalhada de seu processo de produção e dos insumos usados que demandam consumo de energia. As emissões de gás carbônico pela atividade industrial são uma das principais causas da poluição atmosférica. Diante disso, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um método para calcular a quantidade de gás carbônico emitida pelas indústrias e apontar maneiras de neutralizar essas emissões, por meio do plantio de árvores ou da adoção de tecnologias que liberem menos gases poluentes. Para fazer o cálculo, uma equipe multidisciplinar, composta por engenheiros, biólogos e matemáticos, avalia minuciosamente o processo de produção industrial e identifica os insumos (matéria-prima, maquinário etc.) empregados que demandaram o uso de energia. Ao final, o grupo calcula a quantidade de carbono emitida – em toneladas – em função do total de energia utilizado.

Segundo o engenheiro florestal Márcio Nahuz, coordenador do projeto, “é preciso traçar limites para cada item analisado, ou seja, reconhecer até que ponto o uso daquele insumo influenciará o total de energia”. Após a quantificação, a equipe propõe às indústrias alternativas para neutralizar as emissões de carbono, por meio do uso de energia limpa ou do plantio de árvores. A partir da análise profunda do processo produtivo, é possível eliminar insuficiências e desperdícios e, assim, reduzir o uso dos recursos naturais. A adoção de matérias-primas que poluem menos o ambiente também é recomendada. “O uso de materiais biodegradáveis e a reciclagem de resíduos, por exemplo, são mudanças no processo produtivo que diminuem a poluição do meio ambiente”, cita Nahuz.

O benefício de uma árvore plantada

O engenheiro florestal e sua equipe também aconselham o plantio de árvores, já que, através da fotossíntese, a árvore absorve gás carbônico e produz oxigênio e glicose. Para saber quantas árvores devem ser plantadas, calcula-se, primeiramente, a sua massa. Em uma árvore com tempo médio de vida de vinte anos e aproximadamente 30 centímetros de diâmetro, por exemplo, geralmente 50% da massa são constituídos por carbono, taxa que equivale à capacidade de fixação desse elemento pela árvore. Depois, basta dividir a quantidade de carbono que se deseja neutralizar pela quantidade fixada pela árvore para se obter o número de árvores a serem plantadas. Nahuz explica que as características climáticas e do solo devem ser levadas em conta para que a árvore ali plantada possa se desenvolver sem problemas. “Há espécies que são apropriadas para climas mais secos, outras para climas mais úmidos. Por isso, não adianta plantar qualquer árvore em qualquer lugar”, alerta.

O pesquisador também ressalta a importância do plantio de árvores cujo processo de crescimento seja mais acelerado, pois essa característica aumenta o seqüestro de gás carbônico. As empresas que adotarem as medidas sugeridas pelo IPT não obterão nenhuma espécie de benefício ou isenção fiscal. “A empresa não é obrigada a fazer o que sugerimos, mas acredito que seja uma ótima forma de marketing positivo, já que atualmente a questão ambiental está em alta e é extremamente importante demonstrar consciência ecológica”, comenta Nahuz.

Fonte: Ciência Hoje

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

2º CONGRESSO DE JORNALISMO AMBIENTAL

Gostaria de convidar a todos para acompanhar o 2º CBJA, que acontecerá entre os dias 10 e 12 de outubro em Porto Alegre-RS.
Também estarei ministrando a oficina de Comunicação Ambiental no dia 11 das 10h30 às 12h00 no Cinema do espaço.
Então é isso, espero ver e conhecer muitos de vocês nesses três dias de discussão e trocas de experiências sempre em busca de um mundo mais justo e sustentavelmente igualitário.
Abraços

Filhote de lobo-marinho volta ao mar em SC


Animal também estava com desnutrição e escoriações pelo corpo (Foto: Divulgação)


Animal de apenas um ano de idade chegou ferido e desnutrido à costa brasileira. Pesquisadores de universidade catarinense devem devolvê-lo à natureza no domingo.

Deve acabar bem o drama do filhote de lobo-marinho-do-sul (Arctocephalus australis), de apenas um ano de idade, que apareceu ferido, com pouco pêlo e desnutrido numa praia de Santa Catarina há cerca de dois meses. Pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, devem soltar o animal no mar neste domingo (7). Cadu, como foi apelidado pela equipe da Univali, já está recuperado e consegue até pescar sozinho, apesar das cicatrizes que carrega.

A operação para levar o bichinho de volta ao mar começa cedo, às 7h, quando os cientistas avaliarão se as condições de tempo estão propícias para a soltura. Se tudo correr bem, Cadu será carregado até cerca de 50 km de distância da costa, sendo finalmente solto. Espera-se que ele seja carregado por uma corrente marítima e chegue até a costa africana, incorporando-se a algum bando de sua espécie que esteja por lá. Pesando apenas 20 kg, o filhote de mamífero marinho provavelmente se perdeu de seu grupo migratório e foi arrastado até o Brasil pelas correntes marítimas. Os pesquisadores da Univali deram ao bicho suplementos alimentares, antibióticos, vermífugos e pomadas, além de tratá-lo de um quadro de anemia.

Fonte: Globo.com

Folhas do girassol podem inibir o crescimento de plantas daninhas

Durante o metabolismo, as plantas produzem e liberam substâncias secundárias (os aleloquímicos), que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento de outras plantas que se encontram próximas. Esse fenômeno é chamado de alelopatia, e pode ser benéfico para agricultura quando interfere negativamente no estabelecimento e no crescimento de plantas daninhas, mas, por outro lado, pode causar problemas quando afeta culturas comerciais. O pesquisador Pedro Luís Alves, da Universidade Estadual Paulista, é um dos estudiosos do tema e vem avaliando, nos últimos anos, o efeito inibitório do girassol no crescimento de plantas daninhas.

Ele apresentou os resultados de suas pesquisas durante o 5º Encontro de Ecologia Química, evento que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Soja, está promovendo em Londrina, Paraná, e terminou ontem. "Normalmente, as plantas sob estresse biótico, como a competição, por exemplo, produzem os aleloquímicos para se defender. Contudo, há a hipótese de que mesmo antes de sentir o efeito do estresse, as plantas já se preparam para se defender." explica. As plantas apresentam fitocromos, que são sensores de luz capazes de influenciar no metabolismo. É como se a planta fosse "avisada" fisicamente que algo diferente está acontecendo no ambiente, a partir do espectro luminoso (tipo de luz) a que ela está sendo exposta. Isso desencadeia reações diferentes no seu organismo", complementa.

No girassol, por exemplo, há estudos que indicam que quando há predomínio de luz amarela a planta sofre uma mudança na composição do aleloquímicos, tornando-a mais agressiva. De forma semelhante, quando exposta a alterações na relação vermelho/vermelho distante do espectro luminoso, a planta reage acelerando o metabolismo de forma a se resguardar para uma eventual competição com outra planta. Com essas informações em mãos, o pesquisador avaliou 42 cultivares de girassol e descobriu que uma planta normal apresenta um potencial de 40% de inibição do crescimento de outras plantas e que, submetidas à exposição à luz amarela ou diminuindo a relação vermelho/vermelho distante, essa inibição aumenta para 50% a 70%. As substâncias inibidoras de crescimento são produzidas nas folhas e abrem a possibilidade de um melhor aproveitamento da planta de girassol. "Além das sementes, as folhas também podem ser aproveitadas comercialmente. É um comportamento diferenciado que pode dar origem a herbicidas naturais, a novas fórmulas sintéticas, além de subsidiar as pesquisas com melhoramento genético da cultura".

Fonte: Embrapa