terça-feira, 13 de novembro de 2007

ONU premia pesquisadora ambiental brasileira

Comprar um simples produto ou utilizar um serviço no dia-a-dia pode ser uma atividade de responsabilidade social com o meio ambiente. Este é um dos objetivos do projeto de doutorado desenvolvido pela pesquisadora Danielle Maia de Souza, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT).

Premiado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma), o projeto foi responsável por catalisar ações internacionais e nacionais para a proteção do meio ambiente no contexto do desenvolvimento sustentável. O projeto está analisando os métodos existentes de Avaliação de Impactos do Ciclo de Vida (AICV) dos produtos, processos ou serviços para identificar elementos que podem ser modificados e adaptados, e desenvolver a estrutura de um método adequado à avaliação de impactos em estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) em território brasileiro.
"Estamos considerando as particularidades ambientais do País. Para tanto, é realizada a comparação de métodos de AICV existentes e, em seguida, buscamos identificar um conjunto de elementos, componentes desses métodos, os quais possam ser utilizados na formulação de um método nacional", explica Danielle Maia.

A pesquisadora atua em parceria com o Grupo de Pesquisa em Avaliação do Ciclo de Vida, criado em 2006, junto ao CNPq, sob a coordenação do professor Sebastião Roberto Soares, para desenvolver pesquisas relacionadas à ferramenta de ACV. O grupo é ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde Danielle desenvolve seu projeto de doutorado.
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Fonte: CNPQ

Marina Silva reúne-se com secretário-geral da ONU em Belém

Adriano Ceolin

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reuniram-se nesta segunda-feira (12), em Belém (PA). Realizado em um hotel na capital paraense, o encontro serviu para que a ministra apresentasse os esforços feitos pelo governo brasileiro para reduzir o desmatamento na Amazônia. A ministra também conversou com o dirigente da ONU sobre propostas defendidas pelo Brasil consideradas importantes, como o regime internacional para acesso e repartição de benefício no âmbito da Convenção da Biodiversidade, incentivos positivos para países que conseguirem reduzir emissões de CO2, em função da diminuição do desmatamento, e a agenda de governança ambiental global.

Marina Silva explicou para Ki-moon que, entre 2005 e 2006, houve uma queda na taxa acumulada de desmatamento na região amazônica em 50%. Segundo ela, o desafio do governo brasileiro é dar continuidade a esse trabalho, promovendo e incentivando a mudança no modelo de desenvolvimento. "Conseguimos uma redução líquida e certa de 50%. Para 2007, temos uma previsão de mais 30%", disse. A ministra pediu apoio político do secretário para a viabilização da proposta brasileira que trata sobre incentivos positivos para países que apresentem redução de emissão de CO2 provenientes do desmatamento. Pela proposta, apresentada no ano passado, na Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas (COP-12), em Nairóbi, no Quênia, deverá ser criado um fundo, financiado voluntariamente por países ricos, para beneficiar os países em desenvolvimento que reduzirem, também de modo voluntário, seus índices de desmatamento de acordo com referências históricas pré-estabelecidas.

De acordo com a ministra, o Brasil, nos últimos três anos, reduziu meio bilhão de toneladas de CO2, o que representa mais de 20 % de tudo que teria de ser reduzido pelos países ricos.
Quanto ao regime internacional de acesso, a ministra solicitou ajuda do secretário para viabilizar a partilha justa e eqüitativa de benefício pelo uso dos componentes da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais associados. Marina Silva justificou que uma grande quantidade de países utiliza esses recursos, enquanto os países megadiversos, como o Brasil, não recebem o benefício econômico e social.

Marina Silva salientou para Ki-moon a importância de uma governança ambiental global para viabilização e implementação dos acordos internacionais. Ela informou ao secretário que há muitos tratados já estabelecidos no âmbito das Nações Unidas, como as Convenções do Clima, de Biodiversidade, de Desertificação, mas com baixa implementação no mundo inteiro. Ressaltou a necessidade de uma agenda nesse sentido que viabilize não apenas os regulamentos, mas também os meios, com recursos novos e adicionais, e transferência de tecnologia. "Com essas medidas, com certeza, a implementação desses acordos será viabilizada", disse. Para esta terça-feira, está prevista uma visita do secretário-geral e da ministra à Ilha Combu, que fica a 20 minutos de barco de Belém. Cerca de mil famílias habitam o local onde sobrevivem do extrativismo sustentável de plantas e frutos, sobretudo da coleta do açaí.

Fonte: MMA

Recursos hídricos gerenciados

Thiago Romero

Seis pesquisadores brasileiros ganharam o Prêmio OMM Jovem Cientista – Ano 2006, concedido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Walter Collischonn, Cristopher Souza, Gabriela Priante, Glauco Kimura, Rutnéia Tassi e Sidnei Gusmão receberam a distinção do secretário geral da entidade, Michel Jarraud, em cerimônia no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), no fim de outubro, na capital paulista.

A homenagem se deve ao artigo Em busca do hidrograma ecológico, em que analisam uma metodologia inovadora, proposta em 2003 pelo pesquisador norte-americano Brian Richter – hoje diretor da The Nature Conservancy –, para o gerenciamento dos recursos hídricos de modo a manter a integridade dos ecossistemas e, ao mesmo tempo, atender aos usos humanos.
Collischonn, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ilustra a importância da metodologia com o caso de um rio cercado por áreas agrícolas cujas águas são usadas para irrigação. Como boa parte dessa água não retorna ao rio, devido à evaporação ou absorção pela própria plantação, é preciso cuidar da quantidade de água que deve permanecer no leito com base em cálculos de vazão – litros por unidade de tempo – e no volume extraído. “A quantidade de água que passa nos rios por dia é limitada, principalmente nos períodos de estiagem. Por conta disso, muitos rios secaram em todo o mundo no decorrer da história devido à falta de manejo adequado”, disse Collischonn, à Agência FAPESP. “Como ainda são poucas as iniciativas no Brasil que levam em conta os regimes hidrológicos e a variabilidade dos ecossistemas, ganhar esse prêmio contribui para o aumento da visibilidade desse tipo de metodologia e da necessidade de sua aplicação em larga escala”, destacou.

O artigo, publicado originalmente nos anais do 16º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, faz uma análise da adaptação da metodologia, denominada Manejo Ecologicamente Sustentável da Água (Mesa), em bacias hidrográficas da América do Sul. Para isso a metodologia, que vem sendo utilizada em rios nos Estados Unidos, foi organizada em seis passos, entre eles a estimativa das necessidades de vazão para conservar ecossistemas naturais associados ao rio, a estimativa das necessidades de vazão atuais e futuras para uso humano, a avaliação dos conflitos entre usos humanos e necessidades dos ecossistemas e a realização de experimentos práticos de manejo de água.

Limites críticos

O estudo considera ainda que as tradicionais metodologias baseadas no conceito de vazão ecológica, ou seja, a vazão que deve permanecer no rio após todas as retiradas de água para uso humano, concentram-se apenas na vazão mínima e não consideram outros aspectos do regime hidrológico, como os períodos de estiagens e de cheias. “Com a metodologia de Richter, a partir da análise estatística da vazão, temos uma estimativa do volume de água que cada usuário pode retirar do rio e quais são os limites críticos, de modo que a somatória de todos os usuários não exceda a vazão de referência e sempre permaneça uma quantidade mínima de água para proteger a sustentabilidade ecológica”, explicou Collischonn. O pesquisador explica que os organismos de proteção ambiental estaduais e federais, como a Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul e a Agência Nacional de Águas (ANA), são responsáveis pela determinação da vazão mínima dos rios brasileiros, sendo os critérios diferentes em cada região.
Além dos Estados Unidos, outros países adotam metodologias semelhantes, como a Austrália e a África do Sul. Para adotar esse tipo de iniciativa no Brasil, o artigo traça uma série de desafios a serem superados, como os relacionados ao contexto tradicionalmente dominado pelo uso da água para geração de energia elétrica no país. “O maior desafio, no entanto, é a falta de pesquisas interdisciplinares sobre recursos hídricos e ecologia que possam orientar os tomadores de decisão. Ainda temos poucas informações científicas sobre como os regimes hidrológicos estão conectados com o meio biológico dos animais e plantas”, apontou Collischonn.

O Prêmio OMM Jovem Cientista, que consiste em um certificado e US$ 1 mil em dinheiro, foi criado em 1970 pelo Conselho Executivo da OMM. O objetivo é encorajar jovens pesquisadores, de preferência oriundos de países em desenvolvimento, a publicar artigos nas áreas de meteorologia e hidrologia. Desde sua criação, 40 prêmios foram concedidos a vencedores de 28 diferentes países. Para ler o artigo Em busca do hidrograma ecológico, clique aqui

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Manual de emergência

Carlos Fioravanti

Prepare-se para algumas surpresas. A menos de 300 quilômetros da capital do estado mais industrializado do país, simbolizado pela metrópole barulhenta, pelo povo estressado e pelos infinitos canaviais das planícies interioranas, ainda vivem onças-pardas e pintadas.

Cervos-do-pantanal e tuiuiús também, nas terras alagadas a oeste, em meio a novateiros, árvores de troncos sempre cheios de formigas, e buritis, palmeiras altas e elegantes. Já a sudoeste cresce em inexplicável abundância uma mata de pitangueiras, jabuticabeiras, cambuís, araçazeiros, uvaias e outras árvores da família das mirtáceas, incluindo as menos conhecidas gabirobeiras e piúnas, que na primavera e no verão alimentam pássaros e macacos com frutos suculentos e carnosos e formam um imenso e perfumado pomar. Os biólogos resolveram abrir o baú e compartilhar essas raridades. Em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, 160 pesquisadores do Programa Biota-FAPESP elaboraram três mapas gerais e outros oito temáticos, por grupos de animais e plantas, para apresentar o estado de riqueza ou de destruição das matas e Cerrado paulistas – como mostrado no pôster que acompanha esta edição e no site www.biota.org.br/info/wap2006.

Resultado de quase dez anos de pesquisas, esses mapas devem direcionar o trabalho de conservação e ampliação das matas que concentram a autêntica vida selvagem em São Paulo. Ainda que poucos, os remanescentes de vegetação formam ambientes tão diferentes entre si quanto as florestas úmidas do litoral, que lembram a Amazônia, e as matas secas do interior, aparentadas da Caatinga nordestina. Clique aqui para ler o texto completo na edição 140 de Pesquisa FAPESP. Assinaturas, renovação e mudança de endereço: (11) 3038-1434, (11) 3038-1418 (fax) ou fapesp@teletarget.com.br

Fonte: Agência Fapesp

sábado, 10 de novembro de 2007

Polícia faz cerco à pesca ilegal

Juiz de Fora

Vinte e dois homens da 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente estão mobilizados na operação de combate à pesca ilegal durante a Piracema, período em que os peixes nadam contra a correnteza para desova e reprodução. Nesta época, entre novembro e fevereiro, as atividades de pesca são limitadas para garantir a manutenção da piscosidade (abundância de peixes) nos cursos de água. Em patrulhas terrestres e marítimas, com apoio de quatro barcos, a equipe fiscaliza represas, rios e lagoas para coibir o uso de tarrafas, redes e armadilhas, que ficam proibidas e constituem crime de meio ambiente.

Em Juiz de Fora, o ponto mais tradicional de concentração de pescadores é a Represa de Chapéu D’Uvas. No entanto, nenhuma infração foi flagrada no local nos primeiros dias da operação, iniciada em primeiro de novembro. Conforme o sargento Gilson Rocha, até o momento, foram apreendidas oito redes e 20 armadilhas de nylon e anzol na Represa João Penido. “Neste manancial, que é usado para o abastecimento humano, a pesca é proibida durante todo o ano.” Ele conta, ainda, que, no ano passado, a Polícia Ambiental fez 20 prisões de pescadores em situação irregular, além de 58 autuações. Foram arrecadados R$ 44 mil em multas. Também durante a operação foram apreendidas quatro armas de fogo, quatro veículos, dois barcos, 165 redes, 185 armadilhas e cinco tarrafas.

Fonte: Tribuna de Minas

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Para fugir de predador, presas usam tripas, jato de sangue e até explosivo

Fingir-se de morto é até estratégia simples perto de outras no reino animal. Caçados podem desafiar caçadores ou até atacá-los para escapar da morte.

Os elefantes indianos que aprenderam a se fingir de mortos para denunciar a caça indiscriminada contra sua espécie são café pequeno (apesar do tamanho) perto das estratégias que as presas empregam rotineiramente contra os predadores no reino animal. Vale tudo: a típica provocação “você não me pega” empregada pelas crianças humanas; partir para o contra-ataque e intimidar o carnívoro; dar ao predador um pedaço do próprio corpo para distraí-lo; e até jogar um explosivo nas fuças dele. Passarinhos de vida social que têm filhotes pequenos, como os chapins do hemisfério Norte, muitas vezes são o alvo de gatos ou corujas, que querem pegar os bebês. As aves, no entanto, empregam a tática do mobbing (em inglês, algo como “formação de gangue”). Se percebem a aproximação de um predador, é comum que eles partam para cima do bicho, voando em torno dele para confundi-lo e até dando bicadas. Isso pode fazer o inimigo desistir do ataque ou, pelo menos, afastá-lo do ninho.

Mais ousadas ainda é a gazela de Thomson (Gazella thomsoni), um bicho velocíssimo que vive às voltas com leões e guepardos na África. Como as demais gazelas, sua principal defesa de um ataque é a corrida. Mas, antes de fugir, é muito comum que o bicho ande um pouquinho e comece a pular de pernas retinhas no ar, parado no mesmo lugar, como se desafiasse o predador. Essa atitude “você não me pega” é, para os biólogos, um jeito de mostrar para o leão que a gazela está em plena forma e que, portanto, não valeria a pena tentar comê-la, pois o predador gastaria sua energia à toa. Como a energia é um elemento precioso na natureza, é muito comum que o predador, ao ver essa exibição, acabe desistindo.

Armas químicas

Sempre dá para ficar mais radical, no entanto. Que o digam os pepinos-do-mar, parentes das estrelas do mar que são usados na culinária humana e também são predados por uma série de bichos marinhos. Sob ameaça, uma de suas medidas mais desesperadas é colocar para fora do corpo parte de suas vísceras, que são grudentas e podem prender o predador. Se o caçador desejar aproveitar esse lanchinho antes do prato principal, pode se dar mal, pois há substâncias tóxicas ali. Depois, o pepino-do-mar regenera as vísceras. Estratégia parecida é a do lagarto-de-chifres, comum em desertos da América do Norte.

Sob situações de fortíssimo estresse, o bicho pode espremer os vasos sangüíneos do olho de tal forma que eles lançam um esguicho de sangue na boca e nos olhos do predador. O troféu de refinamento máximo em termos de armas químicas, no entanto, fica com o besouro-bombardeiro, que é caçado por sapos e rãs. Em seu corpo, em compartimentos separados, ficam duas substâncias – água oxigenada e hidroquinina – que não são explosivos sozinhos. Quando ameaçado, no entanto, o besouro mistura os dois a uma terceira substância, ejetando tudo isso na forma de um jato explosivo e quente nas fuças do sapo que o ataca.

Fonte: Globo.com

Mudanças climáticas ameaçam 30 mi em Bangladesh

Eric Brücher Camara

Alheios às discussões internacionais sobre mudanças climáticas, milhares de moradores de Bangladesh tornam-se refugiados ambientais todos os anos, e o aquecimento global pode elevar o número de pessoas afetadas por inundações, ciclones e tufões para 30 milhões, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). O país de maior densidade populacional do mundo tem mais de 140 milhões de habitantes que vivem em uma área de 14,4 milhões de hectares, a grande maioria na pobreza. A situação geográfica do país favorece enchentes regulares, já que está pouco acima do nível do mar e abriga a foz de três grandes rios: o Ganges, o Brahmaputra e o Meghna.

Em meio ao debate do aquecimento global, o governo bengalês já trabalha com a certeza de que as coisas vão piorar. As previsões do IPCC dão conta de que até 70% das terras mais baixas de Bangladesh podem simplesmente sumir do mapa com uma elevação do nível do mar de menos de um metro. "Para nós, não é uma questão de 'se', e sim, de 'quando' e 'quão severo'", disse à BBC Brasil o ministro do Meio Ambiente e da Agricultura de Bangladesh, Chowdhry S. Karim. Diante da ameaça, em 2005 o governo lançou um plano de adaptação às mudanças climáticas, que inclui ações de reflorestamento nas zonas costeiras, construção de abrigos para vítimas de enchentes e uma integração das mudanças climáticas no planejamento e execução de projetos de infra-estrutura do país. De acordo com o ministro bengalês, o governo atua principalmente em campanhas de conscientização da população. "A conscientização pública é o mais importante: temos que estar prontos para o que provavelmente vai acontecer", disse Karim.

A questão, no entanto, é como um país que já enfrenta graves problemas de pobreza, com uma população que cresce rapidamente, pode se adaptar a mudanças radicais que podem reduzir em 20% o território do país. "Temos que ser proativos", respondeu Karim. Bangladesh lidera o grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês) nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas e conta com forte atuação de dezenas de organizações não-governamentais (ONGs) e da Organização das Nações Unidas (ONU). O cientista bengalês Aminul Islam trabalha como consultor para Mudanças Climáticas do Programa de Desenvolvimento da ONU (UNDP, na sigla em inglês) e afirma que já foram investidos US$ 3 milhões em um projeto do governo bengalês para construir um anel florestal nas zonas costeiras mais ameaçadas pela elevação do nível do mar. "O mundo deveria estar mais atento ao caso de Bangladesh, porque se pudermos resolver os problemas daqui, poderemos resolver os problemas de qualquer outro lugar do mundo", disse Islam à BBC Brasil.

Fonte: BBC Brasil

Cores que ajudam a economizar

Thiago Romero

Um novo estudo analisou as tonalidades de cores aplicadas com mais freqüência em fachadas de edifícios no Brasil para verificar as diferenças em absorção de calor proveniente da luz solar. A pesquisa avaliou 78 diferentes cores e tipos de tintas, entre acrílica fosca, acrílica semi-brilho e PVA fosca, extraídas dos catálogos de dois grandes fabricantes brasileiros. As cores que mais absorvem calor são as de tonalidade escura, como o preto, que absorve 98% do calor solar que chega à superfície, cinza-escuro (90%), verde-escuro (79%), azul-escuro (77%), amarelo-escuro (70%), marrom e vermelho-escuro (70%).

O trabalho foi desenvolvido como tese de doutorado por Kelen Almeida Dornelles, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Por absorver grande parte da energia solar, essas cores contribuem para o aumento da temperatura da parede, transmitindo, assim, mais calor para o interior dos ambientes. O resultado é que o consumo de energia elétrica acaba sendo maior, devido ao uso de ar condicionado e de ventiladores”, disse Kelen à Agência FAPESP. Os resultados do trabalho, orientado pelo professor Maurício Roriz, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), também valem para telhados, ou seja, telhas de cores claras absorvem menos calor e podem contribuir para o menor consumo energético em dias de sol.
A análise indica que, se as paredes externas fossem pintadas com cores claras, que absorvem pouca radiação solar, o ganho de calor também poderia ser reduzido, minimizando a necessidade de refrigeração artificial. Nesse caso, a cor branca absorve cerca de 20% do calor solar, seguido do amarelo-claro (28%), pérola (28%), marfim (28%), palha (30%), branco gelo (33%) e do azul-claro (35%).

A pesquisadora explica que é difícil traçar uma média geral para quantificar a redução de energia elétrica, devido à grande variedade de tonalidades e tipos de tintas disponíveis no mercado. Mas citou resultados obtidos em um trabalho de mestrado, também apresentado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Unicamp, pela arquiteta Kellen Monte Carrières, que fez uma série de simulações computacionais de tintas e sua relação com o consumo energético, levando em conta características internas de escritórios de São Carlos.
“Ao mudar a cor das paredes de amarelo terra, que tem uma tonalidade mais escura, para branco, por exemplo, as simulações indicaram uma redução do consumo de energia elétrica anual para refrigerar o ambiente de até seis vezes. Ou seja, o impacto é muito grande”, disse Kelen. Isso considerando o mesmo tipo de tinta, a acrílica fosca, e apenas mudando a cor superficial da tinta. Segundo a engenheira civil, o tipo de acabamento da tinta utilizada também interfere na quantidade de calor absorvida pelas superfícies pintadas com uma mesma cor: as tintas acrílicas com acabamento semi-brilho absorvem mais calor solar do que as acrílicas com acabamento fosco.

Tonalidades claras, menos luz

O professor Maurício Roriz destaca que é preciso ter cautela na hora de escolher as tonalidades. As duas pesquisas orientadas por ele também indicaram que a cor branco gelo, por exemplo, reflete menos luz do que cores como marfim, pérola, palha (tons de amarelo-claro) e erva-doce (verde-claro). “É preciso ficar atento porque a coloração das tintas pode enganar. Em ambientes externos, nem sempre as cores mais claras absorvem menos luz solar, uma vez que mais da metade do espectro da radiação solar está na região do infravermelho, que não é visível a olho nu. Com isso, uma superfície visualmente clara pode concentrar mais calor do que uma superfície um pouco mais escura”, disse Roriz Agência FAPESP. Segundo ele, o desempenho térmico e energético da edificação também é influenciado pelo projeto arquitetônico do edifício, que, para a economia de energia, deve priorizar a iluminação natural e a ventilação adequada. Roriz calcula que os edifícios sejam responsáveis por cerca de 34% de toda a energia produzida no Brasil.

Um dos maiores desafios das pesquisas desenvolvidas na Unicamp e na UFSCar é fazer com que seus resultados cheguem até a população para a escolha adequada de tintas, levando em conta a diminuição do consumo de energia elétrica. Para isso, resultados da pesquisa têm sido apresentados em diversos congressos da área, como no 5º Encontro Latino-Americano sobre Conforto no Ambiente Construído, realizado em agosto em Ouro Preto (MG), ou no 10º Congresso Internacional de Tintas, de 24 e 26 de outubro, em São Paulo. “Nesses encontros, fabricantes de tintas demonstraram interesse em levar esse tipo de informação a seus clientes. Eles têm interesse em tornar disponível dados sobre absortância nos rótulos das tintas. Isso seria algo pioneiro no Brasil e permitiria que os usuários utilizassem a tinta com maior consciência ecológica”, destacou Roriz.

Para ler o artigo Influência das tintas imobiliárias sobre o desempenho térmico e energético de edificações, apresentados nos congressos com base nos resultados da tese de doutorado de Kelen de Almeida Dornelles, clique aqui.

Manaus sedia 1º Encontro Inter-Amazônico sobre saúde e meio ambiente

Inscrições para participação terminam na segunda-feira (12)

Estão abertas as inscrições para o 1º Encontro Inter-Amazônico de Doenças Tropicais, Saúde Ambiental e Resiliência frente às Mudanças Climáticas, a ser realizado de 18 a 22 deste mês, em Manaus (AM). O evento é promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Petrobras, e tem como coordenadores Igor Nicolau de Barros Melo e Nazareth Salino, da Petrobras. O objetivo principal é trazer à comunidade de profissionais de saúde e meio ambiente, gestores, técnicos e estudantes da Amazônia as experiências das regiões e estados amazônicos e dos países membros da OTCA no controle das doenças tropicais, como malária e dengue.

Os problemas técnico-operativos para detecção precoce e tratamento adequado frente ao impacto das mudanças climáticas que vêm ocorrendo na região também serão abordados, assim como os fatores determinantes sociais de incidência dessas doenças. Todas essas temáticas serão debatidas visando contribuir de forma decisiva para o estabelecimento de ações estratégicas e procedimentos no combate dessas doenças, em articulação com as instituições de saúde dos países participantes. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até segunda-feira (12). Para se inscrever é preciso acessar o site do Inpa (www.inpa.gov.br), fazer o download da ficha de inscrição e enviar para os e-mails: http://tadei@inpa.gov.br e http://daci@inpa.gov.br.

Fonte: MCT

Quarta reunião do IPCC inicia na próxima segunda

Os especialistas do IPCC, o Prêmio Nobel da Paz 2007 junto com Al Gore, vão se encontrar em Valência (Espanha), a partir da próxima segunda-feira, dia 12, para aprovar e apresentar seu quarto relatório sobre as mudanças climáticas do planeta, que servirá para orientar as decisões internacionais quanto à luta contra este fenômeno.

Desde janeiro, o grupo de especialistas do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC) publicou os três grandes capítulos deste relatório - avaliação científica do fenômeno, conseqüências e soluções possíveis - que confirmaram a amplitude e as graves conseqüências do aquecimento global. Segundo as conclusões deste informe, haverá um aumento da temperatura mundial de 1,1ºC a 6,4°C em relação ao período 1980-1999 antes de 2100, com um valor médio compreendido entre 1,8ºC e 4°C. A atividade humana produtora do gás de efeito estufa é claramente responsável pelos aumentos de temperatura já constatados, concluiu o IPCC. Este painel da ONU, que estuda e reúne as pesquias realizadas por milhares de cientistas de todo os países, deve agora aprovar a síntese desses três capítulos e publicar um resumo dirigido às autoridades encarregadas de tomar decisões.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estará presente na coletiva de imprensa para apresentar o documento no dia 17 de novembro.

Fonte: AFP

Seminário discute usos e abusos da água em ambientes amazônicos

Goeldi comemora Ano Internacional da Terra debatendo o papel da Amazônia nas mudanças climáticas globais

Pesquisas indicam que o desmatamento na Amazônia contribui para a diminuição da quantidade de chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Sul e até mesmo em países vizinhos. No entanto, os cientistas ainda desconhecem a dimensão exata deste problema. No intuito de compreender como a utilização das águas e ambientes na região amazônica implica nas mudanças climáticas que estão em curso, o Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG/MCT) realiza, deste domingo (11) ao dia 14, o seminário "Água e Meio Ambiente na Amazônia".

Promovido pela Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (CCTE) e pelo Programa de Estudos Costeiros (PEC) da instituição, o evento integra as comemorações do Ano Internacional do Planeta Terra, que, por ter 97% da superfície composta de água, também é conhecido como Planeta Água. Mas este recurso vem escasseando e, no futuro, será tão valorizado quanto o petróleo atualmente. "A preservação da água garantirá à Amazônia e ao Brasil um grande poder de barganha", afirma Lourdes Ruivo, pesquisadora da CCTE e coordenadora geral do seminário.
Além de Lourdes Ruivo, os pesquisadores Maria Thereza Prost, da CCTE; Mário Jardim, da Coordenação de Botânica (CBO); e Isolda Maciel, da Coordenação de Ciências Humanas (CCH), também integram a equipe de organização do evento, que, seguindo a tradição do Museu Goeldi, terá um caráter multidisciplinar."O objetivo é apresentar as contribuições científicas do Museu Goeldi sobre a caracterização e uso das águas e ambientes da Amazônia e discutir as implicações atuais e futuras em relação às mudanças globais que já estão se processando", explica Maria Thereza Prost, uma das organizadoras.

No evento, especialistas do Goeldi estarão reunidos com estudiosos da Universidade Federal do Pará (UFPA), Embrapa Amazônia Oriental, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) e Centro Universitário do Pará (Cesupa).

Programação

A conferência "Água e Ambiente na Amazônia e sua importância no contexto global", que será apresentada pela pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), marcará a abertura do seminário.A palestra será realizada neste domingo, dia 11, às 17h, no Auditório Alexandre Ferreira, localizado no Parque Zoobotânico do MPEG, na Avenida Magalhães Barata, 376, em Belém (PA). Na ocasião, também será lançada a série de selos especiais "Zoológicos do Brasil", idealizada pelos Correios, em parceria com a Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB). Á exceção da cerimônia de abertura, as demais atividades acontecerão no Auditório Paulo Cavalcante, localizado no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, na Avenida Perimetral, 1.901.

A programação inclui palestras, debates e mesas temáticas sobre clima, ciclo das águas, práticas comunitárias de manejo de recursos naturais em áreas inundadas, paleoambientes amazônicos, uso e abuso das águas e ambientes da região, entre outros assuntos. A coordenação do evento pretende editar, em 2008, os resultados das discussões sob a forma de um livro ou Boletim Especial do MPEG. Para informações sobre inscrição e programação, acesse o portal do Museu Goeldi www.museu-goeldi.br

Fonte: Museu Goeldi

Armas de clorofila contra inimigos poluentes

Capa do livro: clima do país favorece tecnologia emergente

Roni Filgueiras

A sustentabilidade ambiental e o futuro do planeta estão na ordem do dia. Mas como tornar esta questão vital uma opção viável economicamente e fazer com que ela se desdobre em políticas públicas e ações de empresas preocupadas com a responsabilidade social? Algumas dessas respostas estão em Fitorremediação – O uso de plantas no controle da poluição, de Cláudio Fernando Mahler, Julio César da Matta e Andrade e Silvio Roberto de Lucena Tavares. A obra editada pela Oficina de Textos trata da fitorremediação, uma tecnologia emergente que usa plantas e seus microrganismos associados para regenerar solo, água ou ar contaminados.

A técnica aplica-se no tratamento de áreas extensas afetadas por largo espectro de poluentes orgânicos e inorgânicos. Algumas das vantagens estão no baixíssimo custo e no aporte econômico resultante da produção de madeira, forrageiras ou de outros produtos vegetais que, ao mesmo tempo que promovem a descontaminação, agregam valor por portar estas mesmas substâncias, que futuramente podem ser reaplicadas em outros setores produtivos. De forma didática, o livro apresenta uma introdução ao tema com definições, conceitos e princípios dos mecanismos técnicos mais usados. Na segunda parte, a publicação reúne estudos de casos que mostram as principais experiências no país e no exterior. São tratados ainda os 12 pesticidas banidos dentro e fora do Brasil, que ainda constituem passivos ambientais.

A tecnologia pode remediar vários contaminantes, como sais, metais, pesticidas e hidrocarbonetos de petróleo, às vezes, simultaneamente. O lançamento de Fitorremediação: o uso de plantas no controle da poluição será no dia 30 de novembro, às 18h, na livraria do Museu da República (Rua do Catete, 153, Catete), durante a Primavera dos Livros, no Rio de Janeiro. Na ocasião, os autores darão uma palestra sobre fitorremediação. Cláudio Fernando Mahler, engenheiro civil e doutor em Geotecnia pela Coppe/UFRJ e livre docente em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP, desde janeiro acumula a função de diretor de Administração e Finanças da FAPERJ. Leia, a seguir, a entrevista com os autores, que falam da aplicabilidade da técnica, as vantagens financeiras e a disseminação de seu uso cada vez maior no Brasil, onde a técnica encontrou solo fértil, e no exterior:

Boletim da FAPERJ – O livro "Fitorremediação – O uso de plantas no controle da poluição", de sua autoria e de Julio Andrade e Silvio Tavares, trata de um tema que é manchete dos jornais quase diariamente: o meio ambiente e as fontes de poluição. Qual a importância de se abordar o tema da fitorremediação?

Cláudio Fernando Mahler – A fitorremediação é uma técnica de grande versatilidade, que visa a melhoria da qualidade do ar, da água e do solo, por meio da extração ou da redução da mobilidade de substâncias nocivas ao ambiente. Esta versatilidade permite seu uso como principal forma de remediação ou em combinação com outras técnicas, sendo especialmente valiosa quando a concentração do contaminante já foi reduzida por outras técnicas em outras etapas. Assim, estando a concentração do poluente em níveis aceitáveis para cultivo vegetal, as plantas são usadas para redução da concentração do contaminante até níveis ambientalmente seguros, conforme determinação de análise de risco.

Boletim da FAPERJ – E isso depende de que condições prévias? Há vantagem financeira?

Cláudio Fernando Mahler – Seu uso depende de condições ambientais específicas, mas em algumas situações apresenta-se amplamente vantajoso do ponto de vista ambiental e financeiro, motivo pelo qual vem rapidamente se expandindo em diversos países. Neste sentido, apresenta grande perspectiva de desenvolvimento no Brasil, pois o clima tropical possibilita o cultivo vegetal durante praticamente todo o ano, além do que, propicia a ocorrência de grandes taxas de fotoconversão, alta atividade microorgânica e elevada fitotranspiração média. Tudo isto pode facilitar o uso de processos de fitorremediação, sendo possível atingir o objetivo com maior velocidade do que, por exemplo, em cultivo efetuado em clima temperado.

Boletim da FAPERJ – Isso quer dizer que o país apresenta vantagens em aplicar a técnica?

Julio César da Matta – O país detém biomas riquíssimos, com grande fenogenótipos a serem testados e de genótipos passíveis de serem incorporados por meio de cruzamentos e/ou de engenharia genética. Existe assim farto material para melhoramento ou mesmo para formação de novas espécies fitorremediadoras. Além disso, o Brasil possui enorme diversidade de microorganismos de solos, o que favorece o estudo e desenvolvimento voltado para as mais diversas aplicações na remediação ambiental. As possibilidades incluem o desenvolvimento de microorganismos capazes de desenvolverem relações de mutualismo com plantas, o que estimula o aumento da eficácia do processo.

Boletim da FAPERJ – Quais as vantagens de se estimular a fitorremediação para recuperar áreas degradadas?

Julio César da Matta – A fitorremediação é uma técnica geralmente usada in-situ (sem escavação), que usa energia solar, limita as perturbações ao meio ambiente e tem um custo muito reduzido quando comparado às outras formas de remediação. Pode ser usada no tratamento de grandes áreas contaminadas em que outras técnicas seriam economicamente inviáveis. Pode decorrer na produção de madeira, forrageiras ou de outros produtos vegetais que agregam algum valor econômico. Geralmente também ocorre a melhoria visual da paisagem, o que facilita a aceitação da técnica pelas populações. Agrega-se a esta vantagem, o fato de que cultivos vegetais de longa duração podem criar valiosos nichos ecológicos, o que é particularmente importante em áreas industriais urbanas. A fitorremediação também apresenta a vantagem de poder remediar vários contaminantes simultaneamente, incluindo sais, metais, pesticidas, e hidrocarbonetos de petróleo.

Boletim da FAPERJ – O senhor menciona em seu livro o uso da biomassa de plantas que extraem determinadas substâncias como um meio de transportar estas mesmas substâncias para outras áreas e, assim, serem reaproveitadas de forma ecológica.

Cláudio Fernando Mahler – Por exemplo, biomassa contendo selênio (Se), um nutriente essencial, tem sido transportada para áreas deficientes desse mineral e usada para complementar a alimentação animal. Outro importante aspecto ocorre em relação à fitorremediação de compostos orgânicos que podem ser degradados a CO2 e H2O. Neste caso, o uso da tecnologia pode decorrer na degradação do contaminante, não havendo a necessidade de retirada das plantas fitorremediadoras da área contaminada. Como benefícios indiretos podem ser citados a melhoria da qualidade do solo com o aumento da porosidade e conseqüente infiltração de água, fornecendo e acelerando a ciclagem de nutrientes e aumentando a quantidade de carbono orgânico. O uso da técnica também estabiliza o solo. Além do mais, pode-se adicionar grandes quantidades de nitrogênio atmosférico no solo, quando se usa nos programas de remediação do solo espécies que realizem simbiose eficiente com bactérias fixadoras de nitrogênio.

Boletim da FAPERJ – Fale a respeito de outros benefícios da fitorremediação.

Cláudio Fernando Mahler – O processo também não usa nenhum tipo de motor ou bomba, evitando a emissão de monóxido de carbono e ruídos. Outro benefício indireto é que o cultivo das plantas tolerantes a contaminantes cria condições que beneficiam o crescimento de outras, inclusive favorecendo o desenvolvimento de plantas menos tolerantes às substâncias tóxicas. Outra vantagem importante é que, em grande parte dos casos, a técnica se beneficia por empregar os mesmos equipamentos e insumos da agricultura e da agrossilvicultura convencional. Desta forma, a aplicação é facilitada pela fácil aquisição e pelo menor custo de equipamentos e insumos produzidos em escala industrial. Além disto, existe maior facilidade no treinamento de operadores de máquinas e operários, da técnica em campo, com similaridade com as atividades agrossilviculturais.

Boletim da FAPERJ – Para ilustrar, no caso da Floresta Amazônica, ameaçada por queimadas, e das praias cariocas, poluídas por dejetos, o que poderia ser feito?

Silvio Roberto de Lucena Tavares – O foco principal da fitorremediação não é a recomposição de áreas devastadas, sendo principalmente o de retirar ou imobilizar poluentes reduzindo danos ao ambiente. Neste sentido, os vegetais superiores podem ser empregados no tratamento de águas contaminadas, como o esgoto doméstico, mas o tratamento depende do estabelecimento de lagoas e de plantas rizofiltrantes, o que demanda áreas grandes. Em relação ao aporte de dejetos no Rio, poderia ser usada em alguns condomínios, mas sua viabilidade é restrita. No caso carioca, a melhoria da qualidade ambiental está muito mais ligada a coleta e ao correto tratamento dos efluentes domésticos antes de seu aporte nos corpos hídricos.

Boletim da FAPERJ – No caso de madeiras que acumulam metais no tronco e são usadas na construção civil isso não traria algum risco às pessoas que as manuseiam ou as que permaneceriam expostas permanentemente?

Silvio Roberto de Lucena Tavares – Este risco não existiria, pois quando o vegetal incorpora o metal fica indisponível a absorção por contato. Entretanto, quando o vegetal é usado na alimentação animal ou humana é recomendável que sejam adotados certos cuidados, especialmente quando a remediação ocorre em sítios contaminados com substâncias passíveis de bioacúmulo/ biomagnificação.

Fonte: Faperj

Brasil é o 11º melhor país para pesquisas acadêmicas, segundo lista divulgada por revista

Renata Moehlecke

Pela primeira vez, o Brasil, na 11ª posição, figura no ranking organizado anualmente pela revista norte-americana The Scientist, que visa estabelecer os principais países e instituições com ambientes de trabalho propícios para o desenvolvimento científico e tecnológico. O diretor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz, Carlos Morel, afirma no artigo que a posição conquistada pelo Brasil reflete “um longo processo de amadurecimento que coloca ciência, tecnologia e inovação em destaque”. O Castelo de Manguinhos e uma foto feita num laboratório da Fiocruz ilustram a matéria da The Scientist, uma das mais populares revistas de divulgação científica do mundo.

A Bélgica ganhou o topo da lista pela primeira vez desde 1993, seguida dos EUA e do Canadá. A Índia, país relativamente novo na disputa, apareceu na frente de concorrentes de peso, como o Reino Unido e a Suécia, pelo segundo ano consecutivo. Quanto aos três melhores locais de pesquisa acadêmica, este ano o Hospital Geral de Massachusetts, o Instituto Nacional de Câncer de Frederick e a Universidade de Clemson (localizados nos EUA) encabeçaram a lista.
O ranking foi feito com base em um questionário online postado, entre julho e setembro de 2007, para os leitores e pessoas registradas no site da revista, que se identificaram como cientistas acadêmicos ou estudiosos envolvidos com organizações de pesquisa sem fins lucrativos. Foram obtidos 2.072 retornos na consulta ao público. Cada pesquisador sondado pontuou em uma escala de 1 a 5 (mínimo e máximo de concordância, respectivamente) o ambiente e condições de trabalho da instituição em que atua. Ao todo, o questionário apresentava 39 padrões de comparação ligados a oito áreas diferentes, dentre elas infra-estrutura, fontes de pesquisa e condições de exercício do cargo.

Dentre as 83 instituições mais citadas nos resultados da consulta, 65 se encontram nos EUA e 18 no resto do mundo. O artigo aponta que não houve um consenso geral sobre o melhor local de trabalho e que a pesquisa é fundamentada em opiniões e preferências particulares de cada cientista abordado. Ainda em relação à colocação brasileira no ranking, Morel destaca um aumento de 40% no orçamento de 2008 (em relação a este ano) para a Agência de Financiamento de Estudos e Projetos, constituindo um futuro investimento de R$ 2,8 bilhões de em pesquisas, como fator favorável ao desenvolvimento científico nacional. O diretor do CDTS elogia ainda programas governamentais, como a iniciativa do Ministério da Educação que proporciona acesso irrestrito a mais de 11 mil jornais científicos a partir de todas as universidades públicas e instituições de pesquisa do Brasil “A agência gasta mais de R$ 30 milhões todo ano em taxas de subscrição”, diz Morel no artigo publicado na revista. “Até instituições localizadas em áreas remotas da Amazônia têm obtido acesso aos melhores jornais de ciência do mundo”.

Fonte: Fiocruz

Ibama fecha gruta “Poço Encantado”

A Gruta Poço Encantado - um dos principais endereços turístico da Chapada Diamantina, que recebe anualmente de 12 a 15 mil turistas - foi interditada na última terça-feira (06), durante uma operação conjunta realizada por agentes do Escritório Regional do Ibama em Seabra e do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em atendimento à denúncias do Centro Nacional de Estudo, Pesquisa e Manejo de Cavernas (Cecav).

Além do fechamento da gruta, os agentes autuaram o “guardião do Poço Encantado”, Miguel Jesus da Mota, que recebeu uma multa no valor de R$ 50 mil. Segundo os agentes que lavraram o auto, Miguel foi autuado por “alterar o aspecto ou estrutura da edificação ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, em função do seu valor ecológico, promovendo construção de escadaria de alvenaria em todo trecho de visitação da gruta do poço encantado, no município de Itaetê, sem autorização do órgão ambiental competente, contrariando a legislação vigente”. O descumprimento à legislação ambiental, em especial a portaria Ibama 015/2001, que regulamenta o uso turístico das cavernas da Chapada Diamantina, poderá levar ao fechamento outros empreendimentos turísticos na área do Parque Nacional da Chapada Diamantina, o que provocaria um grande prejuízo ao setor turístico no Estado da Bahia.

Nesse momento, o Cecav está programando uma reunião com gestores ambientais do Ibama, SEMARH, Bahiatursa e representantes de empreendimentos turísticos da Chapada Diamantina, à fim de, juntos, encontrarem caminhos que possam resultar na elaboração dos devidos Planos de Manejo Espeleológicos, documento necessário para o licenciamento ambiental do uso das cavernas.

Fonte: Ibama

Heróis da Terra

“A Terra não tem voz – então, alguém deve falar por ela.” Com esse ponto de partida, a revista norte-americana Time decidiu homenagear o que chamou de “heróis do meio ambiente”, homens e mulheres de diversos países que, por suas atuações em diversas áreas, têm destacado e colocado em discussão os principais problemas ambientais vividos pelo planeta.

Um dos escolhidos é brasileiro. Trata-se de José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Engenharia da Universidade de São Paulo e presidente da Comissão Especial de Bionergia de São Paulo. Na relação da revista, o físico está na categoria “Líderes e visionários”, ao lado de Al Gore, Mikhail Gorbachev, Angela Merkel, Robert Redford e do príncipe Charles.
No total, divididos em quatro categorias, estão 43 nomes, como Paul Crutzen, ganhador do Nobel de Química de 1995, James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa, o glaciólogo indiano D.P. Dobhal, o bilionário inglês Richard Branson e a equipe de projetistas do automóvel híbrido Prius, da Toyota. “Nós os chamamos de heróis, mas eles poderiam também ser chamados de porta-vozes do planeta, um planeta que está ‘com a corda no pescoço’. Por suas palavras e por suas ações, esses heróis ambientais saíram do silêncio e deram voz à Terra. E compete a nós ouvir e nos unirmos a eles”, destacou a Time na apresentação do especial.

No texto sobre Goldemberg, a revista destaca que, na década de 1970, a idéia de usar plantas no lugar de petróleo para a produção de energia era polêmica, para dizer o mínimo. Mas então, dois anos após a crise do petróleo de 1973, entrou em cena o Proálcool. Três anos depois, Goldemberg foi um dos autores de um hoje histórico artigo publicado na Science, no qual destacava a importância da descoberta brasileira: que era tanto possível como rentável empregar uma fonte de energia limpa, derivada da cana-de-açúcar. “Aquele artigo foi minha contribuição, ao apontar que a cana não era somente um produto, mas também um combustível – e não um combustível fóssil”, disse Goldemberg à Time. A revista destaca não apenas o pioneirismo, mas também a liderança brasileira no desenvolvimento e na produção de biocombustíveis. “Dois terços de todos os novos automóveis fabricados no país são modelos flex, que rodam em qualquer coisa de gás convencional ao etanol puro”, disseram os editores. A publicação ressaltou que o etanol ajudou o Brasil a reduzir em 46,6 milhões de toneladas (ou 20%) as suas emissões anuais de carbono.

Para ler a edição especial da Time, clique aqui. Para ler entrevista de José Goldemberg à Agência FAPESP, na qual o cientista destaca o etanol da cana-de-açúcar como um dos modelos mais viáveis de sustentabilidade energética, clique aqui.

Fonte: Agência Fapesp

Curso apresenta experiência da Embrapa em biodigestores

A Embrapa Suínos e Aves, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a Agrocon (Associação dos Engenheiros Agrônomos de Concórdia e Região), vai promover no dia 20 de novembro o 1º Curso sobre Uso de Biodigestores no Tratamento de Dejetos de Suínos. Até 13 de novembro, a inscrição para o curso custa R$ 150,00. Depois, sobe para R$ 175,00. No valor está incluso material didático e certificado.

De acordo com o coordenador do curso, pesquisador Airton Kunz, a intenção é difundir os conhecimentos gerados pela equipe de pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves ligados ao Núcleo de Meio Ambiente e que desenvolveram projetos relacionados com o biogás. "Nossa Unidade já acumulou uma boa experiência em relação aos biodigestores e pretendemos, por meio do curso, levar esse conhecimento a um público maior", explicou Aírton. O curso é dirigido para profissionais que atuam na área de manejo de dejetos de suínos. As oito horas do evento serão preenchidas com exposições teórico-práticas, visita à Unidade Demonstrativa da Embrapa Suínos e Aves e discussão dos casos de cada participante com a equipe de pesquisadores. Para fazer a inscrição, o interessado deve enviar um e-mail para eventos@cnpsa.embrapa.br. A ficha de inscrição está disponível na página eletrônica www.cnpsa.embrapa.br/eventos/eventos.html. As vagas são limitadas a 30. Para confirmar a inscrição é preciso fazer um depósito no Banco do Brasil, agência 3191-7, conta corrente 1386-2, de titularidade da Fundação Fundagro Embrapa/CNPSA.

Confira a programação do curso:

8h às 8h15; recepção aos participantes;

8h15 às 9h15: Perfil produtivo, social e ambiental para o uso de biodigestores/apresentação do pesquisador Julio Palhares-Embrapa Suínos e Aves;

9h15 às 10h15: Perfil econômico para o uso de biodigestores/ apresentação do pesquisador Marcelo Miele -Embrapa Suínos e Aves;

10h15 às 10h30: Intervalo

10h30 às 12h30: Efluentes de biodigestores: impacto ambiental e custos de seu uso como fertilizante do solo. Exercício Prático: Exemplo da aplicação do balanço de nutrientes para o uso do biofertilizante/apresentação do pesquisador Milton Seganfredo-Embrapa Suínos e Aves; -

12h30 às 13h30: Almoço;

13h30 às 15h: Manejo de biodigestores/apresentação do pesquisador Airton Kunz-Embrapa Suínos e Aves;

15h às 16h30: Exposição Prática na Unidade Demonstrativa da Embrapa Suínos e Aves/apresentação do pesquisador Airton Kunz;

16h30 às 17h30: Exposição do cases dos participantes e discussão com os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves.

Fonte: Embrapa

Entra em vigor resolução Conama sobre criação de animais silvestres

Adriano Ceolin

Está em vigor a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelece critérios para a determinação de espécies silvestres a serem criadas e comercializadas como animas de estimação. Publicada no Diário Oficial da União dessa quarta-feira (7), a Resolução nº 394 foi aprovada na reunião plenária do Conama em 18 de setembro.

A partir de agora, começa a ser contado o prazo de seis meses para o Ibama elaborar e publicar a lista de espécies que poderão ser criadas e comercializadas. Antes disso, porém, o texto determina que deverão ser ouvidos, por meio de consulta pública, representantes de organizações públicas e privadas "com notória especialidade na matéria", dos estados e dos municípios. Em seu parágrafo quarto, a resolução determina ainda que a elaboração da lista de espécies deverá levar em consideração os seguintes critérios: significativo potencial de invasão dos ecossistemas fora da sua área de distribuição geográfica original; histórico de invasão e dispersão em ecossistemas no Brasil ou em outros países; significativo potencial de riscos à saúde humana ou ao equilíbrio das populações naturais; e a possibilidade de introdução de agentes biológicos com significativo potencial de causar prejuízos de qualquer natureza.

Fonte: MMA

terça-feira, 6 de novembro de 2007

PROBLEMAS COM O BLOG

Olá amigos

Gostaria de me desculpar pela falta de notícias do blo, mas infelizemente meu computador sofreu danos devido a queda de relampagos no último sábado e por isso vou postar menos essa semana já que o a pobre cpu está em reparos.

Obrigado pela compreensão

sábado, 3 de novembro de 2007

Bombeiros capturam cobra-coral em residência

Réptil estava no jardim de uma casa na Zona Oeste de SP. Apesar do susto, serpente foi capturada sem ferir ninguém.

Uma cobra-coral assustou os moradores de uma casa no Butantã, Zona Oeste de São Paulo, na tarde de sexta-feira (3). Pequeno, o réptil parecia ser filhote, mas, mesmo assim, provocou muita agitação na casa da professora Gisele Marques Muniz Urano, de 38 anos. "Eu falei para os bombeiros que não ia dormir se aquela cobra ficasse durante a noite", contou Gisele ao G1, na manhã deste sábado. De acordo com ela, no fim da tarde, os vizinhos tocaram insistentemente a campainha para avisar que tinham visto a cobra entrar na casa e se esconder embaixo do carro da família. "Acho que ela se assutou com o barulho e foi para o jardim", disse a professora, que ficou apreensiva por causa dos filhos de 2 e 4 anos. "Estava com medo de eles serem picados". Os bombeiros foram chamados, mas o "resgate" da cobra-coral, normalmente venenosa, levou pelo menos uma hora. "Os bombeiros cutucavam todo meu jardim, mas não achavam a cobra. Quando estavam quase desistindo, minha sogra viu ela passou por debaixo de umas folhas", relatou Gisele, que agora ri da história.

"Foi a primeira vez que isso aconteceu. Ela deve ter vindo com a chuva", apostou a professora, que mora atrás na Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Butantan, para onde o animal foi levado. Como prêmio, os bombeiros levaram de lembrança um desenho da serpente feito pelo filho mais velho de Gisele.

Fonte: Globo.com

Estudos propõem uso de metano acumulado em hidrelétricas para produção de energia

Luana Lourenço

O aproveitamento do metano emitido pelos reservatórios de hidrelétricas pode aumentar a capacidade de geração energética dessas usinas, concluem pesquisas de duas instituições brasileiras. Elas propõem a captação e queima desse gás para produção de energia elétrica. Nas represas dessas usinas, o metano é produzido pela ação de bactérias na decomposição da matéria orgânica que ficou submersa com a formação do lago – florestas inteiras, em alguns casos. Pelos cálculos de um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o incremento na produção pode chegar a 30%.

De acordo com o pesquisador do Inpe Luis Bambace, um dos autores do estudo, todas as hidrelétricas do planeta são responsáveis por emissões entre 14 milhões e 24 milhões de toneladas de metano por ano. O potencial de aquecimento do metano é cerca de 20 vezes maior que o dióxido de carbono, gás conhecido como o grande vilão efeito estufa. Desse modo, outro efeito esperado com o aproveitamenbto energético é a redução dos impactos dessas estruturas no aquecimento global. Cerca de 1% do metano das hidrelétricas é liberado pela superfície do reservatório, mas as maiores quantidades, concentradas nas partes mais profundas, são lançadas na atmosfera quando a água passa pelas turbinas e vertedouros (aberturas por onde escoa a água da represa). “Na hora em que você baixa a pressão, acontece uma coisa similar a uma garrafa de refrigerante quando é aberta: o gás é eliminado com força”, explica Bambace.
Para evitar que o gás chegue à atmosfera, a idéia do grupo do Inpe é capturá-lo no fundo da represa e para isso, os pesquisadores defendem soluções baratas, como a instalação de lonas e bóias para construir uma barreira física e impedir que águas profundas cheguem às turbinas e vertedouros. Sem a possibilidade de escape, o gás ficaria concentrado no fundo do reservatório. “Esse aumento de concentração viabiliza alguns processos de extração comercial de metano”, diz Bambace.

A água rica em metano seria transportada, por tubulações, para a superfície até estruturas preparadas para “colher” o gás. “Para extrair, é possível fazer borbulhar o gás, ou gerar névoa por meio de nebulizadores de impacto: você gera névoa e faz o metano se difundir para dentro de um vaso, uma coluna de absorção”, explica.Segundo Bambace, partes do modelo experimental já estão sendo testadas em laboratório, mas a construção do mecanismo depende da usina em que ele vai operar e dos resultados de mitigação das emissões na superfície. “Estamos em negociação com alguns grupos para intensificar a monitoração de carbono em várias represas, nas regiões Norte, Sul, Sudeste e no exterior”, adiantou.

Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o biólogo Alexandre Kemenes também patenteou uma tecnologia para aproveitamento de metano em hidrelétricas. Diferentemente do grupo de Bambace, o pesquisador avalia ser mais eficiente retirar o gás quando a água passa pelas turbinas da usina, não no fundo dos reservatórios. “Imagino que as turbinas facilitariam a coleta do metano porque a área de saída é uma região bem pequena, poderia ser feita uma barreira física para segurar todo aquele gás”, comenta. Para Kemenes, apesar das diferenças, os dois modelos são aplicáveis, dependendo do tamanho da hidrelétrica. “O nosso se aplica a uma área bem reduzida. Em Tucuruí, por exemplo, por causa do fluxo [de águas nas turbinas] muito intenso, seria melhor interceptar o gás com o método deles [Inpe]”, compara. Empresas brasileiras de operação de hidrelétricas já demonstraram interesse pela tecnologia, segundo Kemenes, mas o pesquisador prefere não arriscar um prazo para o início do aproveitamento: “Depende de investimento: de quem quer investir, do quanto querem investir”. Na avaliação do pesquisador, estimular esse tipo de tecnologia pode ser uma opção mais viável que a construção de novas usinas. “É mais compensador aproveitar todo o metano das hidrelétricas amazônicas antes de construir outra hidrelétrica na região”, avalia.

Agência Brasil

Mudanças climáticas influenciam novas pesquisas

As mudanças climáticas observadas em todo o Planeta, a partir de agora passam a ser mais levadas em conta nos novos projetos de pesquisa em fruticultura. Os projetos em andamento também poderão sofrer adaptações, em função de aspectos como alterações de temperaturas médias, regime de chuvas etc, visando aproximar o planejamento e expectativas dos investigadores com as novas realidades observadas na natureza.

Este foi um dos pontos de destaque durante a apresentação de trabalhos técnicos de todo o mundo e discussões realizadas durante o VIII Simpósio Internacional de Fruticultura de Clima Temperado em Regiões Tropicais e Subtropicais, encerrado no último final de semana, em Florianópolis. Para o pesquisador da Embrapa Clima Temperado e um dos coordenadores do evento, Flávio Herter, o Simpósio "foi de alto nível e atingiu plenamente seus objetivos". Um total de 250 pessoas, entre as quais meia centena de especialistas do setor provenientes do exterior, prestigiaram o encontro. Uma dezena de países latino-americanos mandou representantes, além de especialistas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália , Bélgica, França, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, África do Sul, Japão, Tailândia, Bangladesh e Índia, entre outros. Entre as presenças, destaque para o canadense Norman Looney, presidente da Sociedade Internacional de Horticultura, cuja sede está localizada na Bélgica.

Flávio Herter destacou que é perfeitamente possível produzir frutas de clima temperado de alta qualidade em áreas mais quentes (subtropicais ou tropicais) e lembra o exemplo das uvas cultivadas no Vale do São Francisco, zona que, além de tropical, é também árida. Para que situações como essa possam ocorrer, Herter observa serem necessários três condições: a potencialidade genética, o entendimento da fisiologia das plantas (adaptação) e a questão do manejo e tratos culturais.

O Simpósio de Florianópolis teve a apresentação de 200 trabalhos técnicos, 30 dos quais, sob a forma de exposições orais e pôsteres, a cargo da Embrapa de Pelotas, que enviou uma equipe de 10 pesquisadores. Herter disse que o Simpósio abriu para a Embrapa novas e importantes perspectivas de cooperação, entre as quais com a Europa Oriental, através da Hungria, e com a África do Sul, que sediará o próximo Simpósio do gênero, em 2011. Durante o encontro, Flávio Herter e Gabriel Leite (também coordenador, da Epagri-SC), receberam medalhas de honra e diplomas de reconhecimento, outorgados pela Sociedade Internacional de Horticultura. "Esta homenagem eu desejo dividi-la com todos os pesquisadores e pessoal de apoio da área de fruticultura da Embrapa e com aqueles que tornaram possível a realização do Simpósio no Brasil", declara Herter.

Fonte: Embrapa

Brigadistas apagam incêndio no Parque da Chapada Diamantina

Segundo informações do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), o incêndio que estava ocorrendo no Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA) foi extinto, após combate noturno executado por 30 brigadistas da unidade e voluntários junto com o apoio da sede do Centro. A unidade entrou em estado de alerta no dia 30, sempre com a equipe realizando um trabalho árduo para conter o incêndio.

Hoje resta um foco de incêndio na região de Ibiquara, próxima a Mucugê, fora dos limites do Parque, mas com risco de atingi-lo. Por isso, os brigadistas continuam com o monitoramento da Chapada, com quatro veículos de apoio e com o sistema de comunicação funcionando perfeitamente, para, no caso de detecção de novos focos, realizarem um trabalho rápido e eficiente ao combate do fogo. No Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, uma equipe com 20 brigadistas realizam as atividades de rescaldo. O incêndio foi causado pela queda de um raio em área de pastagem com grande volume de combustível acumulado. Em Minas Gerais, duas unidades registram ocorrência de fogo. Na Reserva Biológica da Mata Escura, a brigada da Rebio e de voluntários do Caparaó contam com o apoio no campo de duas caminhonetes e do helicóptero do Ibama. No Parque Nacional da Serra do Cipó, dois fiscais fizeram a primeira avaliação do foco de incêndio e já se solicitaram uma unidade aérea pois o local é de difícil acesso.

Fonte: Ibama

Harrison Ford critica política ambiental dos EUA

O ator Harrison Ford criticou a passividade dos Estados Unidos diante da mudança climática, e afirmou que o governo de George W. Bush "não fez droga nenhuma pelo meio ambiente".

O ator americano após participar do evento beneficente "Forças para a mudança", organizado pela associação ambientalista Conservation International (CI). Harrison Ford, membro ativo da CI há 15 anos, disse que os atuais governantes estão falhando "na hora de tratar este tema, sem enfrentar a comunidade empresarial nem se comprometer no esforço pela conservação ambiental". "Quero que o público hispânico saiba que aqui nos Estados Unidos também estamos conscientes de que nosso governo não está fazendo droga nenhuma e que precisamos melhorar muito", disse. "A única preocupação dos governantes é fazer o possível para se reeleger. Isso não é o que pedimos, isso não é o que o mundo lhe pede aos Estados Unidos como exemplo de liderança", acrescentou.

O evento de ontem à noite em Washington, para arrecadar fundos, contou com a presença de senadores, congressistas e outros políticos, como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, pré-candidato republicano à Presidência dos EUA. A CI desenvolve programas de conservação ambiental em 45 países, mas mantém uma relação especial com a América Latina devido à ligação da mudança climática com o desmatamento. "Hoje, 25% das emissões de carbono liberadas na atmosfera vêm da queima e poda de florestas", estimou Cristina Mittermeier, Diretora de Recursos Visuais na Divisão de Marketing Estratégico e Comunicação Global das organização. "O desmatamento é um tema que não está sendo abordado no protocolo de Kioto e temos que pressionar para que nas conversas de 2012 se fale disto", acrescentou. Para Bloomberg, a mudança climática requer "ações" e "políticas verdes" por parte de democratas e republicanos. Ele defendeu que o governo dos Estados Unidos atue no problema ambiental. "Este problema também afeta a nossa economia e a nossa segurança nacional. Por isso o governo federal deve catalisar o poder criativo do setor privado através de seus investimentos no desenvolvimento de pesquisas ambientais", afirmou.

Outros participantes do evento concordaram que os candidatos às eleições presidenciais de 2008 têm se esquecido do problema durante a sua campanha. "Não acho que estejamos mostrando liderança neste tema", opinou Ann Smith, vice-presidente de Projetos Especiais da CI. "Não me surpreende que não seja um tema importante na campanha eleitoral pela Presidência dos EUA", acrescentou.

Fonte: EFE

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Hidrovia é oito vezes mais barata que rodovia

Estudo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) revela que o transporte de etanol feito por hidrovia é oito vezes mais barato e três vezes menos poluente que o realizado por meio de rodovias. O levantamento aponta também que os portos ``naturais'' para o escoamento do produto são Ilha Grande (RJ) e São Sebastião (SP).

De acordo com o autor do estudo, Newton Narciso Pereira, foram comparados os impactos econômico e ambiental entre os dois modais. ``O cálculo foi feito onde a rodovia corre paralela ao fluvial. O rodoviário, pela nossa avaliação, acontece apenas nas pontas. No meio, a hidrovia é mais barata'', explicou. Segundo o autor, cada comboio de barcaças pode transportar entre 20 mil e 30 mil metros cúbicos, volume que, na rodovia, representa de 220 a 250 carretas. Entretanto, o obstáculo ao crescimento da movimentação de etanol por via fluvial é a velocidade. Enquanto as barcaças navegam a 10 Km/h o caminhão vai a, no mínimo, 80 Km/h. Ainda baseado no estudo, o etanol produzido no Interior paulista terá maior competitividade se escoado pelos portos de São Sebastião ou Ilha Grande (RJ).

"Eles já tem instalações dutoviárias próprias. Talvez seja preciso melhoramentos''. Antes de descer aos portos, o etanol terá de chegar ao terminal fluvial de Conchas, que conecta a refinaria de Paulínia (próxima a Campinas, por dutos, e de lá seguir aos terminais portuários.

Fonte: A Tribuna

UERJ e Estado em nova parceria

O projeto Formação em Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar: Elos de Cidadania, uma parceria entre a UERJ e as Secretarias de Estado de Ambiente (SEA), de Ciência e Tecnologia e de Educação foi lançado oficialmente no dia 22 de outubro.

Composto pelos cursos Formação de Professores e Profissionais de Educação e Formação de Estudantes, o projeto terá duração de 12 meses, com aulas presenciais e à distância, além do acompanhamento das atividades por tutores. Ele tem o objetivo de fazer com que professores e alunos das escolas públicas do Estado tenham uma formação em Educação Ambiental que os capacite elaborar e implantar a Agenda 21 Escolar em suas localidades, atendendo às especificidades de cada unidade escolar envolvida e de seu entorno. Inicialmente, é prevista a formação de 300 professores e 300 alunos de 150 escolas, das 1.640 da rede pública estadual. Na UERJ, o projeto será organizado em conjunto pelo Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag); Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira e o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads/SR-2). Para o secretário de Ambiente Carlos Minc, a colaboração da UERJ é sempre bem-vinda. Minc lembrou as várias parcerias com a Universidade, enfatizando os trabalhos desenvolvidos na Ilha Grande, no reflorestamento do rio Guandu e o plano diretor de resíduos para a região metropolitana do Rio de Janeiro, encomendado pela SEA à UERJ.

Os campi da Faculdade de Educação da baixada Fluminense (FEBF) e da Faculdade Formação de Professores (FFP) também participarão ativamente do projeto, uma vez que ele atingirá, além do Rio de Janeiro, os municípios de Duque de Caxias, Mesquita, Belford Roxo, São Gonçalo, Itaboraí e Seropédica. Segundo Lara Moutinho, superintendente de Educação Ambiental da SEA, a associação com a Universidade fortalece a estrutura do governo estadual. "Acreditamos que é importante reforçar as entidades públicas. Sendo assim, nossa parceria com a UERJ é fundamental, pois ela possui uma boa estrutura, o que nos permite fazer a formação também na Baixada Fluminense", afirma.

Fonte: UERJ Em Dia nº 430

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

1º Simpósio em Ecologia do PPGE/UFRJ

Os efeitos das mudanças climáticas no continente antártico será um dos assuntos discutidos no 1º Simpósio em Ecologia do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema central do evento, que será realizado nos dias 7 e 8 de novembro, no Rio de Janeiro, será “Ecologia antártica, mudanças climáticas e o Ano Polar Internacional”.

Estarão reunidos pesquisadores de universidades brasileiras que realizam atividades em ecologia na Antártica. O Brasil desenvolve oficialmente pesquisas na Antártica desde 1982, quando foi criado o Programa Antártico Brasileiro (Proantar).
Mais informações: http://b200.nce.ufrj.br/ecoantartica

Fonte: Agência Fapesp

Europa: extinção ameaça 38% dos peixes de água doce

Cerca de 200 espécies das 552 variedades de peixes de água doce na Europa estão ameaçadas de extinção, e 12 já desapareceram, diz uma pesquisa da União Mundial para a Natureza (UICN) divulgada hoje em Genebra."Com 200 espécies - 38% das que habitam rios e lagos europeus - ameaçadas de extinção na Europa, devemos agir agora para evitar a tragédia", advertiu William Darwal, coordenador do Programa de Espécies da União.

Hoje foi apresentado na cidade suíça de Gland o novo Manual de Peixes de Água Doce na Europa, redigido após sete anos de pesquisas, nas quais foram descobertas 47 novas espécies.
Segundo Darwal, "o nível de perigo é muito maior do que o enfrentado por pássaros e mamíferos". O estudo indica que muitas das espécies em perigo não são consideradas nem "carismáticas" nem têm valor aparente para as pessoas, por isso raramente atraem a verbas necessárias para sua preservação, e só poucos perceberão seu desaparecimento.No entanto, o manual ressalta que essas espécies "são parte importante de nosso patrimônio e essenciais nos ecossistemas de água doce de que dependemos para a purificação de água e para o controle das inundações". Os autores do estudo, Maurice Kottelat e Jörg Freyhof, afirmam que o desenvolvimento e o crescimento da população na Europa nos últimos 100 anos são as principais causadoras da ameaça.

A situação mais crítica é nas áreas secas do Mediterrâneo, o que deixou alguns rios sem água nos meses de verão, fenômeno aguçado pelos impactos da mudança climática. As áreas com maior nível de ameaça incluem os trechos inferiores dos rios Danúbio, Dniester, Dnieper, Volga e Ural, a Península dos Bálcãs e o sudoeste da Espanha. Em risco crítico de desaparecimento está a enguia européia, que se reproduz no Oceano Atlântico em média só uma vez a cada 20 anos.
Outras duas variedades também estão incluídas na lista vermelha de espécies ameaçadas: o gênero Gobio, na Criméia, e o "corégono" do lago de Ammerse, na Alemanha. O manual cita ainda a "bogardilla" espanhola (Squalius palaciosi), que depende em grande medida dos níveis de chuva, e o "jarabugo" (Anaecypris hispanica), que habita o sudoeste da Espanha e de Portugal, com população reduzida em 50%. Segundo Kottelat, presidente da Sociedade Ictiológica Européia e Freyhof, do Instituto de Ecologia de Água Doce, "ainda não é tarde demais e é possível salvar todas os espécies se os governos da Europa e da União Européia começarem a agir agora".

Fonte: EFE

Divulgadas regras para leilão da primeira usina do Rio Madeira

Sabrina Craide

O aviso do edital para o leilão de energia da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, que será construída no Rio Madeira, em Rondônia, foi publicado hoje (1º) no Diário Oficial da União. O leilão deve ser realizado no dia 10 de dezembro. A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o edital na última terça-feira (30). O preço máximo da energia foi definido em R$ 122 por megawatt-hora (MWh) e vencerá o leilão quem oferecer o menor lance em reais por megawatts-hora. O pregão será realizado na sede da Aneel em Brasília, por meio de sistema eletrônico.

A entrega de documentos para inscrição de empresas proponentes e compradoras deverá ocorrer até o próximo dia 20 de novembro. O leilão estará aberto à participação de empresas nacionais públicas ou privadas, de forma isolada ou em consórcios. Além do consórcio formado pela construtora Odebrecht e pela subsidiária Furnas, também devem participar da licitação as estatais Eletronorte, Eletrosul e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A Chesf está associada à empreiteira Camargo Corrêa e a Eletronorte está associada à Alusa, empresa brasileira de engenharia especializada na montagem de sistemas de energia e telecomunicação.
O edital do leilão, com todos os detalhes para quem quiser participar da disputa, estará disponível a partir das 14h de hoje na página eletrônica da Aneel. O endereço é o www.aneel.gov.br, em Espaço do Empreendedor, dentro do link Editais de Geração/Leilão 005/2007. A usina de Santo Antônio é a primeira das duas hidrelétricas que devem ser construídas no Rio Madeira. O leilão para a usina de Jirau deve acontecer no início do ano que vem. As duas usinas devem gerar 6,5 mil megawatts de potência.

Fonte: Agência Brasil

Unindo o útil ao biodegradável


Microscopia eletrônica de varredura mostra superfície de filme biodegradável estudado na Unicamp. Na foto, filme de gelatina com 60% de surfactante e ajuste de pH: mudança de morfologia grante baixa permeabilidade


Alex Sander Alcântara

Filmes plásticos biodegradáveis não agridem o meio ambiente, mas dificilmente conseguem competir com as propriedades dos polímeros sintéticos. Um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que a adição de surfactantes pode ser uma alternativa para superar a dificuldade e produzir um biofilme que possa substituir ao menos parcialmente a produção atual de embalagens. De acordo com o coordenador da pesquisa, Carlos Grosso, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, proteínas, polissacarídeos, lipídios e a mistura deles têm sido utilizados para a produção de biofilmes com boas propriedades mecânicas. “Mas os filmes produzidos a partir desses materiais ainda apresentam muitas limitações, como alta absorção de água, e se mostram heterogêneos quando misturados a vários constituintes utilizados na formulação”, disse Grosso à Agência FAPESP.

Segundo ele, as embalagens plásticas tradicionais apresentam excelentes propriedades funcionais, uma vez que impedem a entrada de vapor de água, de ar e, portanto, de oxigênio, que provoca oxidação de alguns compostos presentes em alimentos como os lipídios, além de servirem como barreira à entrada de luz. “Em contrapartida, o ciclo para serem quebrados e reincorporados ao sistema natural biológico na terra é muito longo e, por isso, eles poluem o meio ambiente”, explicou. O objetivo do trabalho, publicado na revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, foi obter alternativas que unissem a eficiência do plástico à qualidade ambiental do biofilme. O desafio é produzir filmes com menos permeabilidade ao vapor d’água, o que evitaria a ocorrência das reações de deterioração nos alimentos. “Uma alternativa usada para diminuir a permeabilidade foi a incorporação, na matriz protéica (gelatina), de substâncias hidrofóbicas, ou seja, que não se dissolvem na água, como o ácido esteárico e o ácido capróico.” O problema, segundo Grosso, é que a incorporação não ocorre de forma homogênea.

Para melhorar a incorporação dessas substâncias, foram adicionados dois tipos de surfactantes (SDS e tween 80), elementos capazes de interagir com a proteína e com o ácido graxo, tornando a matriz do filme menos heterogênea. “Proteínas em geral são solúveis em água enquanto os lipídios são, na sua maioria, insolúveis. É difícil misturá-los de forma homogênea, o que é necessário na fabricação dos filmes. A adição do surfactante SDS reduziu a permeabilidade ao vapor de água, contendo ácido esteárico, ou ácido capróico”, disse. O ajuste de pH nos filmes sem adição de surfactantes também produziu matrizes mais homogêneas. “Filmes lipídicos são excelentes barreiras à água, mas são pobres mecanicamente, ou seja, muito frágeis e quebradiços. Por outro lado, filmes protéicos são resistentes mecanicamente, mas são bastante higroscópicos, ou seja, absorvem água. A intenção na mistura é aproveitar ao máximo as vantagens individuais dos constituintes”, explicou o pesquisador.

De acordo com o estudo, esses materiais não conseguem substituir funcionalmente os sintéticos, mas podem estar associados a eles, permitindo uma forma mais amena de tratamento de resíduos poluentes. “Muitos desses materiais, como as ceras, por exemplo, são utilizados na cobertura de frutas, especialmente as cítricas, realçando o brilho e evitando a perda de água e conseqüentemente de peso, além de controlar o processo respiratório da fruta, aumentando, assim, a vida útil delas”, disse Grosso. Segundo ele, a pesquisa prosseguirá com a inclusão de novos outros materiais na formulação, incluindo outros lipídios e surfactantes. “À medida que diferentes grupos nacionais e internacionais se empenhem nessa pesquisa, a tendência é que as informações básicas apareçam mais rapidamente e que, portanto, desenvolvimentos bem-sucedidos ocorram em menor tempo”, afirmou Grosso. Para ler o artigo Filmes compostos de gelatina, triacetina, ácido esteárico ou capróico: efeito do pH e da adição de surfactantes sobre a funcionalidade dos filmes, de Carlos Grosso e outros, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme) clique aqui.

Fonte: Agência Fapesp

Simpósio sobre conservação de biodiversidade encerra inscrições

O simpósio "Conservação de Biodiversidade em Paisagens Florestais Antropizadas", que será realizado no período de 21 a 23 de novembro, em Belém (PA), pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) e a Universidade EastAnglia, já recebeu mais de 250 inscrições, número que superou as expectativas da organização do evento, de apenas 100 vagas. Para o preenchimento das 100 vagas disponíveis, os coordenadores do simpósio procuraram priorizar a inscrição de pessoas com experiências relevantes relacionadas ao tema do encontro. Todavia, para aqueles que não conseguiram confirmar sua inscrição neste grupo, os organizadores criaram uma lista de reserva, que será considerada caso ocorram desistências. Os interessados em integrar a lista de reserva, devem enviar uma mensagem para http://simposiodebiodiversidade@gmail.com, declarando esta intenção, e detalhando qual o dia de sua preferência.

Para democratizar o acesso às informações apresentadas durantes o evento, a organização do Simpósio Conservação de Biodiversidade pretende gravar todas as palestras e disponibilizar os "podcastes" na internet, logo após o encerramento do simpósio. Acesse a programação preliminar do evento no endereço: http://www.tropicalforestresearch.org/port/Events.aspx

Fonte: Museu Goeldi

Empresa brasileira já prolonga acordo de Kyoto

Antonio Gaspar

A empresa Penha Papéis e Embalagens Ltda., que atua nos Estados de São Paulo, Paraná e Bahia é, certamente, a primeira empresa na Amércia Latina a comercializar crédito de carbono para 2014 no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Tratado de Quioto. Paulo Sérgio Silva Ramos, representante da companhia, explicou que o negócio envolve 32 mil toneladas dióxido de carbono (CO2) por ano e engloba o período de 2008 a 2014. Ele se disse impossibilitado de revelar o nome do comprador. Adiantou, porém, que é europeu e não é uma instituição financeira. A idéia dos executivos da Penha começou a ser trabalhada em 2006. O projeto da maior compradora de aparas do Norte e Nordeste está sendo desenvolvido na fábrica de Santo Amaro, na Bahia. Além dos resultados objetivos proporcionados pela sua implantação, a empresa foi impulsionada a estabelecer parcerias produtivas com organizações como Universidade do Estado da Bahia, Caldeiras Bremer, Senar e comunidades locais. O projeto é considerado de pequena escala no âmbito do MDL e não ultrapassa as 60 mil toneladas de CO2/ ano.

Tudo começou quando a Penha resolveu comprar uma fabricante de papel que havia parado a produção na Bahia, disse Silva Ramos durante o seminário "Produção de Créditos de Carbono e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo: a que se ater e o que fazer para ter êxito no uso destes instrumentos de mercado", realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Com a fábrica vieram fazendas de bambu. Os donos anteriores iriam usar o bambu como matéria-prima para papel. Os novos dirigentes resolveram substituir o combustível fóssil por renovável, substituindo o diesel utilizado na caldeira por biomassa de bambu. A inovação tecnológica foi reconhecidapela ONU no âmbito do MDL. Segundo Silva Ramos, não existita solução tecnológica pronta para uso do bambu como energia. A empresa foi procurar ajuda com a fabricante de equipamentos Bremer, que aceitou o desafio, A antiga caldeira, a óleo, foi aposentada. No modelo da empresa, o bambu é colhido por trabalhadores, transportado por meio de caminhões para ser picado e transformado em cavaco, que é usado na caldeira. O que sobra é cinza. Mas até dominar totalmente o processo, o fabricante da caldeira e os dirigentes da Penha tiveram de resolver o problema do silicato (verdadeiras pedras, resultado da queima da matéria-prima, que entupiam as grelhas), uma vez que o bambu é rico em silica. A fábrica tem capacidade para produzir 300 toneladas por dia de papel.

O projeto da Penha ajudou ainda a alterar as relações de trabalho, a qualidade de vida da comunidade local e a proteger o meio ambiente. "Não há mais oferecimento de madeira cortada ilegalmente em áreas de reserva e os trabalhadores têm a carteira assinada", explica Silva Ramos.

Fonte: Diarionet

Ibama debate estratégias para turismo na Chapada das Mesas

Encontros mobilizam comunidade para ações de conscientização ambiental
São Luís (01/11/07) – Em setembro deste ano, o Ibama realizou no município de Carolina, no sul do Maranhão, um Encontro de Monitores Ambientais. Durante três dias, foi feita uma avaliação das atividades daquele grupo durante o ano. O encontro foi organizado pelos analistas ambientais Leôncio Lima, Ligia Tchaicka e Ana Rosa Marques.

Na ocasião, foram elaboradas diretrizes e uma agenda com as próximas atividades prioritárias dos monitores, bem como suas principais demandas. Entre elas, estão as garantias e normatizações da função de monitor e seus espaços de atuação; a busca por órgãos financiadores e o desenvolvimento de projetos que incluam as comunidades. Nesse sentido, já foi criada em Carolina a Associação de Monitores Ambientais. Todos os monitores passaram por um curso de formação, em que foram discutidos temas como Turismo e Hospitalidade, Ecoturismo, Conservação do Patrimônio Natural, Histórico e Cultural, Turismo Sustentável, Legislação, entre outros. O curso formou 44 pessoas das comunidades próximas à região da Chapada das Mesas, e possibilitou a capacitação no atendimento aos turistas e em assuntos como conscientização ambiental – atuando também como agentes multiplicadores.

Com alunos na faixa etária entre 18 e 52 anos, uma das características apresentadas pelo curso foi a diversidade cultural, contando com a participação de sertanejos, na maioria das vezes com pouca escolaridade, e ainda pessoas com Ensino Fundamental, Médio, Superior, comunidades tradicionais e grupos indígenas. Com o objetivo de discutir com as populações locais os diversos aspectos da atividade turística nas Unidades de Conservação, o Ibama já realizou capacitações de monitores também em municípios como Barreirinhas e Alcântara.

Simpósio

Paralelamente ao encontro de monitores, foi realizado um simpósio para debater as iniciativas para o turismo no Parque Nacional da Chapada das Mesas. Voltado para a comunidade em geral, o simpósio ainda contou com a colaboração do Sebrae, que desenvolve projetos na região; da Associação Carolinense de Turismo; da Brigada de Combate ao Incêndio; Secretaria de Turismo de Carolina e da Secretaria de Turismo e Meio Ambiente de Riachão – está ultima foi criada por iniciativa dos monitores ambientais formados pelo Ibama, tendo um deles como secretário. Os monitores participaram do simpósio por meio da apresentação dos trabalhos que eles vêm desenvolvendo em áreas como estruturação de trilhas, educação ambiental, conscientização dos turistas e estudos sobre as capacidades de carga das cachoeiras.
Durante o simpósio, houve uma apresentação feita pela analista ambiental Maria Carolina Camargos, que expôs sua experiência no trabalho realizado no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Fonte: Ibama

Gás carbônico emitido durante a Copa do Mundo pode ser compensado com preservação ambiental

Sabrina Craide

As emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, durante a Copa do Mundo de 2014, poderão ser neutralizadas com a preservação da floresta amazônica. A proposta foi apresentada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo governo do estado do Amazonas. Segundo o secretário do Meio Ambiente, Virgílio Viana, o estado já tem programas que prevêem a redução das taxas de desmatamento nos próximos anos.

A carboneutralização será feita levando em conta todas as emissões de gás carbônico ligadas à Copa do Mundo, como transporte de jogadores, de material e o gasto de energia, como o uso de ar-condicionado. “Se a Copa do Mundo resultar na emissão de 100 unidades de gases de efeito estufa, precisamos fazer aqui a conservação de florestas neste mesmo número. A quantidade de fumaça que será produzida lá, será conservada aqui no Amazonas”, explica Viana. Segundo o secretário, a expectativa é que a apresentação do projeto possa ajudar na escolha da cidade de Manaus como uma das sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. O Amazonas é o estado brasileiro com a maior cobertura vegetal preservada (98% do território), segundo o governo estadual.

Fonte: Agência Brasil

Seminário vai debater integração de sistemas hídricos e urbanos

Suelene Gusmão

Começa no dia 5 de novembro, às 14h, no auditório do Dnit, o seminário "Recursos Hídricos no Ambiente Urbano: Integração de Sistemas", promovido pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) do MMA. O encontro pretende dar início à construção de uma agenda de trabalho que busque a integração dos Sistemas de Gerenciamento de Recursos Hídricos e a Gestão Urbana.

O seminário é destinado a prestadores de serviço de saneamento, entidades técnicas e acadêmicas, lideranças comunitárias, colegiados do Singreh e Sisnama, organizações dos governos federal, estaduais e municipais e da sociedade. Durante três dias, os participantes vão debater assuntos como: Água no Ambiente Urbano: na busca da sustentabilidade; Gestão da Água no Espaço Urbano; Controle e Participação Social. Será ainda debatido o anteprojeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros.

Fonte: MMA

Flora paulista revelada

Fábio de Castro

O quinto volume da coleção Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo será lançado às 16h30 desta quinta-feira (1º/11), durante o 58º Congresso Nacional de Botânica, realizado na capital paulista. A edição é do Instituto de Botânica de São Paulo. A série é resultado do projeto temático Flora Fanerogâmica, iniciado em 1993 com apoio da FAPESP. O projeto envolve mais de 200 pesquisadores tem feito um abrangente mapeamento da vegetação nativa paulista, descrevendo até o momento mais de 2 mil espécies fanerógamas – que produzem flores.

O projeto, que também deu origem ao programa Biota-FAPESP, é coordenado pelos pesquisadores Maria das Graças Lapa Wanderley, do Instituto de Botânica de São Paulo, e George Shepherd, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com Maria das Graças, o quinto volume, mais extenso do que os anteriores, engloba ilustrações e informações sobre bromélias, rubiáceas, cactáceas e outras famílias de plantas presentes no estado de São Paulo – algumas nunca estudadas. “O volume atual descreve 535 espécies de 117 gêneros e 12 famílias”, disse à Agência FAPESP. Até o quarto volume, publicado em 2005, haviam sido catalogadas mais de 1,7 mil espécies de 475 gêneros e de 139 famílias. “O total de espécies mapeadas nos cinco volumes corresponde a 32% das 7,5 mil espécies que estimamos existir no estado”, explicou.

De acordo com os cálculos feitos pelos botânicos, São Paulo reúne uma flora equivalente a dois terços da existente em toda a Europa. A previsão da equipe do projeto é publicar os dez volumes restantes da série até 2017. “Temos material, em diferentes fases de elaboração, para mais dois ou três volumes. Há uma série de famílias que foram catalogadas e revisadas, como as mirtáceas, da qual fazem parte a pitanga e o jambo. Outras foram compiladas, mas ainda precisam de revisão, como a das melastomatáceas, da qual faz parte a quaresmeira, por exemplo”, disse a coordenadora. Segundo ela, o processo de revisão e de padronização das espécies dentro do formato do projeto Flora Fanerogâmica segue um modelo extremamente rigoroso. “É importante manter um alto padrão de qualidade não apenas científico mas também de apresentação. Todas as espécies devem ser descritas a partir de material científico minuciosamente examinado. As ilustrações precisam representar todos os gêneros”, destacou.
Maria das Graças ressalta que o objetivo do livro – e do projeto de modo geral – não se limita a catalogar as espécies. “O trabalho tem uma visão prática. O conhecimento sobre a biodiversidade do estado – tão pressionada, principalmente na Mata Atlântica – é necessário para a conservação dos ecossistemas.”

Formação de recursos humanos

Segundo Maria das Graças, além da inegável importância no aspecto científico, a coleção tem um papel pedagógico fundamental. “Apesar de trabalharmos com muitos pesquisadores, não temos uma equipe de apoio e, por isso, lidamos com um grande número de estudantes voluntários. Isso dá ao projeto um caráter de formação que consideramos uma grande vitória.”
Os desafios propostos pelo projeto são um importante ganho para os estudantes, segundo a professora do curso de pós-graduação do Instituto de Botânica. “Talvez até trabalhássemos com mais rapidez se integrássemos os estudantes, mas a formação de recursos humanos é fundamental. Vários doutores que participam do quinto volume como co-autores eram, no primeiro volume, estudantes com bolsa da FAPESP”, contou. Além dos estudantes, o livro teve colaboração de especialistas de outros estados e países. “Tivemos que resolver problemas taxonômicos, mudando alguns grupos e criando novas espécies em famílias como a das bromeliáceas. Tudo isso teve ajuda de especialistas convidados e com a integração de todas as instituições paulistas”, explicou. Segundo a cientista, o livro traz o registro de muitas plantas ornamentais e de importância econômica, medicinal e terapêutica. Entre as bromeliáceas, por exemplo, houve ocorrência da Bromelia antiachantha, cujas bagas são utilizadas para preparação de xarope para curar resfriados e bronquites. Entre as flacourtiáceas, a Casearia gossypiosperma apresenta casca e folhas utilizadas no tratamento de coceiras e contusões.
A importância econômica apareceu entre as plantas utlizadas como alimento. Entre as bromeliáceas, o destaque foi o Ananas comosus (abacaxi) e a Bromelia antiachantha, utilizada no preparo de compotas.

Foram registradas algumas espécies cuja presença era ignorada em território paulista, como a bromélia imperial, até agora conhecida apenas no Rio de Janeiro. “Nas famílias das rubiáceas e bromeliáceas, registramos diversas espécies que eram até agora referidas apenas em outros estados”, disse Maria das Graças. Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo - Volume 5 Preço: R$ 90 (preço de lançamento) Editora: Instituto de Botânica/FAPESP

Lançamento: Durante o 58º Congresso Nacional de Botânica, no estande da FAPESP

Endereço: Centro de Exposições Imigrantes – Av. Miguel Stefano, altura do nº 3.000 – São Paulo. O livro poderá ser adquirido no Instituto de Botânica de São Paulo. Mais informações: www.ibot.sp.gov.br/

Cientistas: gelo do Ártico vai desaparecer até 2023

O coordenador do projeto europeu Damocles, Jean-Claude Gascard, afirmou que o banco de gelo do Ártico desaparecerá até 2023 se o degelo registrado no verão do hemisfério norte continuar no atual ritmo, o que causaria grandes transtornos climáticos na Europa.
"Ficamos surpresos com a grande rapidez com que o gelo ártico se derrete no verão", disse Gascard hoje ao Le Parisien.

Após lembrar que "500 mil km² adicionais são perdidos a cada ano", ele alertou que "neste ritmo, o banco de gelo no verão terá desaparecido até 2023", muito antes do previsto pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Gascard ressaltou que, no último verão, era possível chegar ao rio Lena, na Sibéria, partindo do delta do Mackenzie, no Canadá, passando pelo Ártico sem ver um único bloco de gelo à deriva, o que vai gerar "uma cascata de eventos planetários". A grande diminuição do banco de gelo no final do verão foi constatada pelos cientistas da embarcação Tara, que faz parte do programa europeu Damocles e que começou sua expedição pelo Ártico em setembro de 2006.O projeto Damocles tem como objetivo melhorar a antecipação às mudanças geradas pelo aquecimento global terrestre no Ártico e inscreve-se nas atividades do Ano Polar Internacional 2007-2008. A viagem de Tara pelo gelo ártico terminará nove ou dez meses antes do previsto, pois a embarcação está navegando com uma velocidade três vezes maior por causa da redução do banco de gelo polar. O banco de gelo no verão, que há dois anos se estendia por 5,5 milhões de km², perdeu 1,5 milhão de km, segundo os cientistas envolvidos na missão.

A espessura média do banco de gelo é de apenas 1,5 m, em vez dos três metros observados há 30 ou 40 anos. O gelo é "mais jovem", menos estreito e se derrete mais facilmente. No dia 15 de outubro, o período de formação do banco de gelo não havia começado ainda, apesar de a noite polar já ter iniciado, diz a missão em seu primeiro relatório. Os cientistas afirmam que o desaparecimento do banco de gelo no verão causaria um aumento do nível do mar em um metro ou mais até o fim do século. Isto seria causado por uma série de fatores, como o forte aumento da absorção de 80% da energia solar pelo oceano, que geraria o conseqüente aquecimento local das águas oceânicas e aceleraria o degelo dos gelos continentais da Groenlândia, dizem os cientistas. Eles ressaltam que este fluxo de água doce bloquearia o aumento do nível das águas quentes e salgadas do Atlântico Norte em direção ao Ártico, produzindo um esfriamento na Europa Ocidental, um transtorno climático que ultrapassaria em muito as regiões árticas.

Fonte: EFE