terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Estudo: biocombustível de grama corta CO2 em 94%

Uma pesquisa do governo dos Estados Unidos sugere que a produção de biocombustíveis a partir de um tipo de gramínea pode gerar mais energia e cortar as emissões de dióxido de carbono em comparação com a gasolina.

A equipe do Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês), baseada na Universidade de Nebraska, Lincoln, calculou que a produção e consumo de etanol derivado de uma gramínea comum nas pradarias americanas (chamada de switchgrass) diminuiu a emissão de CO2 em cerca de 94% quando comparado com um volume equivalente de gasolina. A gramínea em questão é uma espécie de capim comumente encontrado nas grandes planícies e pradarias dos EUA. A queima de biocombustíveis também libera dióxido de carbono, mas o cultivo da gramíneas absorve uma quantidade comparável ao gás liberado na queima. Ainda assim, a quantidade de energia consumida no cultivo e no processamento das lavouras usadas na produção do biocombustível faz com que este tipo de combustível raramente seja considerado "carbono-zero", neutro em emissões dióxido de carbono. "As emissões de gases de efeito estufa desta gramínea mostraram uma diminuição de 88% de emissões destes gases em comparação ao etanol convencional", afirmaram os pesquisadores.

"O uso de resíduo de biomassa para produção de energia em uma biorrefinaria é a principal razão de as gramíneas e as pradarias cultivadas pelos homens apresentarem, em teoria, menores emissões de gases de efeito estufa do que os biocombustíveis de lavouras anuais (de alimentos), cuja produção atualmente é derivada de combustíveis fósseis", acrescentaram. A pesquisa foi publicada na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences. O estudo foi realizado durante cinco anos e envolveu dez fazendas de tamanhos que variavam entre três a nove hectares.

Prejudicial?

Várias organizações do mundo todo, incluindo a ONU, temem que a produção de biocombustíveis possa prejudicar mais do que ajudar no corte de emissões de dióxido de carbono. As críticas à produção de biocombustíveis destacam o uso de grandes áreas de terras cultiváveis, que poderiam ser usadas para produção de alimentos, o que aumenta o preço destes produtos."Comparando com os países europeus, os Estados Unidos têm uma boa parte das terras sendo mantidas fora da produção (de alimentos) no momento", disse Ken Vogel, um dos autores da pesquisa. "Estamos analisando o uso de switchgrass em terras cultiváveis de qualidade mais baixa. O objetivo é ter lavouras energéticas sendo cultivadas nestas terras, para que não entrem em competição com as lavouras de alimentos pelas melhores terras", acrescentou.

Mais energia

Os pesquisadores também descobriram que o etanol derivado da gramínea produzia 540% mais energia do que a quantidade necessária para a produção deste biocombustível. Segundo os cientistas, 0,4 hectare de terra cultivada com esta gramínea pode produzir, em média, 320 barris de bioetanol."Fizemos análises nas fazendas, então tínhamos todos os dados dos agricultores, a respeito de toda a energia necessária para estas lavouras. Conseguimos pegar estas informações e aplicar num modelo, desta forma conseguimos uma estimativa muito real", disse Ken Vogel. A energia necessária para a produção deste biocombustível engloba fertilizantes de hidrogênio, herbicidas, diesel e produção de sementes. Os Estados Unidos não têm nenhuma grande biorrefinaria deste tipo em operação. "No momento o Departamento de Energia está ajudando a financiar a construção de seis biorefinarias no país. Estas usinas vão ficar prontas por volta de 2010", acrescentou Vogel.

Apesar de o processo de produção de etanol a partir da switchgrass ser mais complexo do que o biocombustível produzido a partir de lavouras de alimentos (como o milho ou a cana-de-açúcar), o chamado "biocombustível de segunda geração" pode ter um rendimento em termos de energia muito maior por tonelada, pois utiliza a planta toda na produção.

Fonte: BBC Brasil

Energia dos EUA polui 11 vezes mais

Roberto do Nascimento

A mesma energia que coloca o Brasil sob risco de apagão, se não chover o suficiente e no lugar certo, é também a que confere ao País uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, gerada basicamente de hidrelétricas. Estudo realizado por diversos ministérios brasileiras mostra que, por praticamente todas as leituras, o País emite menos dióxido de carbono (CO2), o principal causador do efeito estufa, na produção de energia. Assim, enquanto os Estados Unidos emitem 19,73 toneladas de CO2 per capita para gerar energia e o Japão, 9,52, o Brasil gera 1,76 tonelada, abaixo da América Latina (2,05) e muito inferior à média mundial (4,18).

Um relatório feito por 15 especialistas para InterAcademy Council, que reúne as principais academias de ciências do mundo, dilvulgado no Brasil pelo físico José Goldemberg, co-presidente do painel, informa que um norte-americano médio consome o equivalente à necessidade de cem pessoas, enquanto no resto dos industrializados esse consumo equivale ao de 50 pessoas. Ou seja, além de fazer uso de energias mais poluentes, consomem muito mais. O desafio, informa Goldemberg, será gerar energia sustentável, que preserve o meio ambiente, estenda os serviços básicos a 2 bilhões de pessoas que não têm acesso ao benefício. Na comparação da emissão de CO2 na geração de energia pelo Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil perde para o Japão (0,49 para 0,25), mas se mantém à frente dos Estados Unidos (0,49 para 0,54) e da média mundial (0,49 ante 0,76). Segundo o trabalho, a baixa emissão de gases-estufa pelo País se deve às opções energéticas das últimas décadas. Além das hidrelétricas, o Brasil investiu em biomassa, como a produçáo da cana-de-açúçar, além de reduzir o consumo de lenha nos setores residencial e industrial.

Fonte: DiárioNet

Cartilha aborda de forma didática a vida das formigas

Luís Mansuêto

As aulas de ciências ou de biologia podem ser bem mais interessantes a partir de agora. A Editora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) acaba de lançar a cartilha "Conhecendo as Formigas: uma proposta de oficina de ciências", que aborda de maneira simples a vida de um inseto comum em nosso meio, o qual é encontrado em um pote de açúcar em nossa casa ou até mesmo na cozinha de um hospital.

Editado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), a cartilha é o resultado do trabalho das pesquisadoras: Suzana Maria Ketelhut, responsável pelo conhecimento técnico; Maria de Fátima Vieira, que coordenou a parte de educação ambiental e planejamento das oficinas; e Adriana Dantas Gonzaga, executora das oficinas. Segundo Vieira, a idéia da cartilha surgiu durante um trabalho de educação ambiental desenvolvido com estudantes que visitavam o Bosque da Ciência do Instituto. Ela disse que o objetivo era mergulhar os jovens em atividades comuns aos pesquisadores e que fossem possíveis de serem realizadas pelos alunos durante a visita ao Bosque. Além disso, a cartilha é destinada, principalmente, a alunos de 5ª a 8ª série e ao público em geral que visita os parques da cidade de Manaus, por exemplo, o Jardim Botânico e o Parque do Mindu. “A formiga foi utilizada como ferramenta porque a equipe precisava de um animal que não fosse nojento aos olhos das pessoas e que estivesse inserido na vida delas. Por isso, escolhemos a formiga. Elas estão presentes em todos os ambientes em que os humanos estão. Nas casas, ruas, lojas, bibliotecas, escolas, árvores, plantações e florestas. Além disso, há crenças sobre as formigas de que elas são perigosas ou que transportam doenças, as quais são esclarecidas na cartilha”, explicou.

Antes do lançamento, a cartilha foi testada em estudantes de escolas do bairro Coroado, por exemplo, a Reinaldo Tompson, bem como em jornadas de ciências biológicas em faculdades da cidade. O material também foi apresentado a professores. Vieira disse que eles viram na cartilha a possibilidade de utilizá-la em aulas de ciências, biologia, matemática, física, geometria, história, geografia e língua portuguesa. Isso porque são trabalhos conceitos como: cadeias alimentares; relações entre presa e predador; ângulos; conjuntos; quantidade, volume e massa; castas; teoria das sociedades; etc. “A idéia é popularizar a ciência. Por isso, colocamos de forma fácil o conhecimento produzido pelos pesquisadores do Inpa sobre as formigas. Conhecer um pouco do mundo das formigas é uma aventura que ajuda na compreensão do ambiente em que vivemos”, finalizou Vieira.

Fonte: Assessoria de Comunicação do INPA

SFB abre propostas ao edital para concessões na Amazônia

O Serviço Florestal Brasileiro realiza nesta quarta-feira (09/01), às 14h, na sede do Ibama, a sessão de abertura pública dos envelopes de habilitação e propostas da Licitação de Concessão Florestal da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. Há uma grande expectativa em torno do processo, tendo em vista que é a primeira vez que ocorre uma licitação florestal no Brasil, além de ser um passo importante para a implementação do sistema de gestão de florestas públicas.
Dos 220 mil hectares da Floresta Nacional do Jamari, 96 mil estão sendo licitados, divididos em 3 unidades de manejo, com 17 mil, 33 mil e 46 mil hectares respectivamente.

O objetivo é que empreendedores de diferentes portes possam participar. Para definir o vencedor da licitação serão usados critérios de preço e critérios socioambientais, o que é uma peculiaridade dos editais para concessão florestal. Os critérios socioambientais terão maior pontuação que o preço. Tais critérios técnicos são divididos em quatro temas: maior benefício social, menor impacto ambiental, maior eficiência e maior agregação de valor local. Eles servirão para eliminar, classificar ou bonificar as propostas. Cada unidade de manejo florestal terá um vencedor, que assinará um contrato de 40 anos. O concessionário deverá conservar a área e poderá explorar com técnicas de manejo sustentável produtos florestais como madeira, óleos, sementes, resinas, etc, além de oferecer serviços como ecoturismo e esporte de aventura.

Os recursos arrecadados com a concessão serão empregados na fiscalização, monitoramento e controle das áreas licitadas. Uma parcela de até 30% do montante que for arrecadado com a licitação será, segundo previsto na lei, destinada ao Serviço Florestal e ao Ibama. O restante, pelo menos 70%, será destinado ao Instituto Chico Mendes -- o gestor da unidade --, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, ao estado de Rondônia e aos municípios onde se localizam as áreas manejadas. Esses recursos compartilhados deverão, obrigatoriamente, ser aplicados em ações de conservação e uso sustentável das florestas.

Fonte: MMA

A simulação da qualidade do ar no Rio de Janeiro

Sérgio Machado Correa

professor da Faculdade de Tecnologia da UERJ

A qualidade do ar de uma grande cidade depende de inúmeros fatores e a relação entre eles não pode ser encarada de uma forma simples. Dentre esses fatores, estão as emissões de poluentes pelas fontes móveis (frota veicular) e fixas (indústrias), a meteorologia, a topografia e as reações químicas na atmosfera. Não é possível estimar o efeito na qualidade do ar pela alteração de um destes fatores, por exemplo, o uso de um novo combustível (biodiesel ou GNV), sem o uso da ferramenta da simulação.

Para fazer previsões, é necessário construir uma base de dados experimentais consistente para uma certa localidade, que contemple as variações dos fatores que afetam a qualidade do ar, ao longo do ano. Este estudo vem sendo conduzido desde 1997, em parceria com o grupo de pesquisa da professora da UFRJ Graciela Arbilla, com financiamento de Faperj, CNPq e Petrobras. A base de dados consiste em campanhas de monitoramento na cidade, em conjunto com a Feema. Os poluentes atmosféricos são divididos em duas classes, os legislados e os não-legislados. Entre os legislados destacam-se o ozônio, monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre, hidrocarbonetos totais e material particulado (poeira). Estes são acompanhados pela Feema em suas estações de monitoramento automático pelo Estado. Para tais poluentes, existem equipamentos comerciais que indicam seus teores a cada minuto. Os poluentes não-legislados, na ordem de centenas, são tão importantes quanto os legislados, tanto no tocante à química da atmosfera como em termos de saúde pública, como é o caso do benzeno, que provoca leucemia. Entretanto, para estes poluentes não há equipamentos automáticos de monitoramento. É preciso recolher amostras de ar, realizar tratamento e análises químicas, resultando em um processo trabalhoso e dispendioso. Este monitoramento vem sendo realizado pelo grupo de pesquisadores, alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado.

Depois de consolidada a base de dados para a cidade do Rio de Janeiro, empregou-se um modelo de qualidade do ar, desenvolvido pela Agência Ambiental dos EUA, denominado OZIPR, em conjunto com um modelo químico (SAPRC) adaptados pela equipe para as condições brasileiras. Basicamente, os dados de entrada do simulador são:concentrações no início do dia (hora do rush) dos poluentes legislados; concentrações no início do dia (hora do rush) dos poluentes não-legislados; dados meteorológicos (temperatura, pressão, umidade e altura da camada de mistura); emissões de poluentes primários pelas fontes; localização geográfica e data (para calcular o fluxo solar); cobertura de nuvens; coeficientes de deposição seca e úmida. Os dados de saída são as concentrações médias horárias das espécies químicas que se desejar.
Uma vez validado o simulador, ou seja, quando ele consegue reproduzir ao longo do dia os dados experimentais dos principais poluentes, passa-se à fase de estudo de cenários. Por exemplo, qual será a qualidade do ar:

- em eventos meteorológicos críticos (inversão térmica)?

- com uso intensivo do biodiesel?

- com incremento do uso do etanol?

- com uso crescente dos carros flex e com GNV?

- pela inserção de uma nova atividade poluidora em uma localidade?

- pela alteração na composição da gasolina ou diesel?

- pelo rodízio de veículos?

- pela expansão da malha metroviária?

Algumas limitações do simulador merecem destaque:seu uso apenas para o período diurno e o fato de considerar toda a cidade como uma atmosfera homogênea. Entretanto, esta poderosa ferramenta pode ser de grande valia para as agências governamentais, no tocante ao planejamento de políticas de transporte, habitação, energia, entre outras. O simulador não indicará qual a solução para os problemas de qualidade do ar, mas sinalizará se políticas públicas serão eficazes ou não, evitando-se a implantação de atividades trabalhosas e onerosas, cujos resultados podem não ser eficazes.

Fonte: Uerj

Óleo industrial pode prejudicar saúde e meio ambiente

Cinthia Leone

O óleo lubrificante utilizado na indústria, ou fluido de corte, pode desencadear uma série de problemas de saúde nos trabalhadores, como alergias, micoses e câncer, além de ser um potencial contaminador de recursos hídricos. Uma pesquisa conduzida no câmpus de Bauru pelos docentes Eduardo Carlos Bianchi e Paulo Roberto de Aguiar, da Faculdade de Engenharia (FE), e Olavo Speranza de Arruda, do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências (FC), aponta alternativas que tornam o produto menos nocivo.

Segundo os pesquisadores, é comum na indústria o acréscimo de aditivos e biocidas ao óleo. Os aditivos servem para aumentar sua capacidade de lubrificação e refrigeração, enquanto os biocidas evitam a contaminação do produto por microorganismos. “O problema é que essas duas substâncias tornam o produto ainda mais agressivo à saúde humana”, explica Aguiar. Como alternativa eficiente ao uso dos biocidas, os engenheiros testaram o emprego de radiação ultravioleta e a diminuição da temperatura sobre as emulsões. Os resultados mostraram que as práticas podem combater as bactérias da mesma forma que os biocidas. “Elas também diminuem o desgaste da substância e prolonga sua vida útil”, diz Bianchi.

Outra conseqüência favorável das medidas é a economia de descarte do produto no ambiente, uma vez que se amplia o tempo de uso. Bianchi lembra que cada litro de fluido à base de óleo mineral é suficiente para contaminar um milhão de litros de água potável. Ainda sob o aspecto da durabilidade, o estudo aponta que o óleo de corte de origem sintética é mais resistente a fungos e bactérias que os de origem mineral. Os sintéticos também causam menos danos à natureza e à saúde dos operadores. “Esse é um dos poucos trabalhos da engenharia mecânica, na área de fabricação, que busca uma aproximação com a biologia”, afirma Bianchi.

A pesquisa reafirma a necessidade de conscientização dos trabalhadores que lidam com o produto para a importância de utilizar equipamentos de proteção, como máscaras respiratórias, luvas e cremes específicos para a pele. Os pesquisadores alertam, ainda, para a necessidade de descartar as roupas impregnadas com a substância.

Fonte: Unesp

Comitê interministerial coordenará Centro de Biotecnologia da Amazônia

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) é um dos seis ministérios que integram o Comitê Interministerial encarregado de coordenar o projeto do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Além de propor um modelo de gestão para o CBA, o Comitê decide sobre as diretrizes e prioridades do Plano Estratégico do Centro, bem como monitora a execução das tarefas do seu Plano de Trabalho.

O Comitê, que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e composto também pelos ministérios do Meio Ambiente (MMA), do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Saúde (MS) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), teve sua criação publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (7). Nos próximos dez dias, cada ministro indicará um representante de sua pasta e, dentro de 15 dias, o Comitê deve ser instalado para trabalhar em consonância com a Política de Desenvolvimento da Biotecnologia, lançada em fevereiro de 2007. O Centro O CBA é um Centro Tecnológico voltado para a promoção da inovação tecnológica a partir de processos e produtos da biodiversidade amazônica. Ele está inserido na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce) e tem ação integrada com universidades e centros de pesquisa do setor público e privado via Rede de Laboratórios Associados (RLA).

Entre seus objetivos, destaca-se a agregação de valor a produtos e a processos tecnológicos; o aumento da densidade tecnológica no setor industrial e a promoção de ambiente favorável à Inovação (serviços tecnológicos).

Fonte: MCT

USP cria gel de própolis para tratar queimaduras

A Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um medicamento à base de própolis para regenerar a pele, evitar contaminação e estimular a cicatrização em queimaduras, que já está pronto para ser produzido em escala industrial. Trata-se de um líquido gelado que se transforma em gel quando em contato com a pele. O produto foi testado na Unidade de Queimados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC/FMRP).

A farmacêutica Andresa Berretta é a autora do trabalho, concluído na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP). A descoberta tem ações semelhantes àquelas encontradas nos produtos sintéticos e traz vantagens adicionais.
"Além de ser um produto natural, o sistema de geleificação libera o princípio ativo da própolis de forma prolongada, aumentando o seu tempo de ação, o que reduz o número de aplicações. Esse sistema é chamado de termo-reversível, ou seja, é aplicado frio e na forma líquida. Em contato com a pele, em temperatura mais alta, o produto se geleifica", afirma a orientadora do trabalho, professora Juliana Marchetti, da FCFRP. "Outra vantagem para o bem-estar do paciente é que o gel é mais fácil de ser retirado do que uma pomada", completa.

As pesquisadoras comemoram os resultados e dizem que o próximo passo é fazer com que a formulação possa ter uso doméstico, para pequenas queimaduras. "Essa foi uma conquista. Cuba já utiliza própolis para tratamento de queimaduras, mas de forma quase artesanal, uma vez que sua transformação em medicamento requer maior rigor, padronização e condições técnico-operacionais compatíveis com a indústria farmacêutica", analisa Andresa. Segundo a pesquisadora, as concentrações das substâncias presentes na própolis mudam de região para região, por isso foi necessário fazer primeiro a padronização dessa composição para garantir que todo o lote utilizado na pesquisa tivesse a mesma concentração dos princípios ativos. "Nessa padronização fizemos um extrato selecionado e estabelecemos limites para determinados princípios ativos, conferindo capacidade de reprodução lote a lote", explica.

Fonte: JB Online

Área florestal global está crescendo, sugere estudo

Um pesquisador britânico analisou a quantidade de florestas tropicais no mundo e afirma que, ao contrário de declarações de ambientalistas e autoridades, o total global de florestas tropicais aumentou no período entre 1983 e 2000. O novo estudo, coordenado por Alan Gringer, da Universidade de Leeds, na Inglaterra, afirma que não há provas suficientes para comprovar que a área coberta por flortestas deste tipo está diminuindo.

Para Gringer, o aumento pode ser resultado do reflorestamento, que pode estar compensando as taxas de desmatamento das florestas tropicais. "Apesar do desmatamento ocorrer em ritmo acelerado, o reflorestamento também está acontecendo rapidamente", diz o pesquisador. O estudo ressalta que, apesar do aparente aumento na área coberta por florestas tropicais, o reflorestamento não substitui a riqueza natural das florestas primárias.
"A área reflorestada não substitui a biodiversidade e a função de carbono(emissão menos absorção de gases) das florestas primárias", diz Gringer.

Estatísticas

Para realizar o estudo, Gringer analisou quadro décadas de estatísticas produzidas pela ágência das Nações Unidas para agricultura e alimentação sobre as áreas florestais. O pesquisador observou vários erros e incongruências nas estimativas globais da ONU. Segundo ele, essas alternâncias são resultado do método usado pela agência, que produz as estimativas somando as estatísticas nacionais de vários países. Gringer ressalta que os erros nas estatísticas nacionais são mais comuns em florestas que se encontram em áreas tropicais mais secas. Para obter resultados mais precisos, ele analisou dados sobre a quantidade de florestas tropicais nas regiões da Amazônia, de Bornéo e da bacia do Congo, áreas próximas aos trópicos úmidos.

Depois da análise, o pesquisador observou que não há declínio na área coberta pelas florestas nestas regiões desde 1970. Além disso, o estudo aponta ainda que, com base em dados publicados em 2006, as áreas cobertas por florestas tropicais no Gâmbia e no Vietnã aumentou desde 1990. "O quadro é muito mais complicado do que se imaginava. Se não há registros de declínio nas áreas florestais no longo prazo, isso pode sugerir que o desmatamento está sendo acompanhado por um alto índice de reflorestamento que não foi observado", diz Gringer.

Observatório

O estudo, publicado nesta segunda-feira, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere a criação de um observatório mundial de florestas para monitorar as mudanças nas áreas florestais. "Um Observatório Mundial de Florestas poderia reconstruir as alterações nas áreas florestais desde 1970. Apenas desta forma poderíamos saber com certeza o que aconteceu com as florestas tropicais nos últimos 40 anos", finaliza.

Fonte: BBC Brasil

Estiagem faz IBGE rever estimativa para produção de grãos em 2008

Aline Beckstein

A produção de grãos prevista para este ano foi atualizada hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 135,7 milhões de toneladas, valor 2,1% maior que a do ano passado. A estimativa, no entato, é menor do que a anterior, feita em novembro, e que indicava uma produção de 137 milhões de toneladas em 2008.

Segundo o gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), Neuton Rocha, a revisão para baixo é conseqüência de uma nova avaliação para o Rio Grande do Sul. “O estado pode ter uma queda na produção de soja e milho, devido ao fenômeno climático La Niña, que deve provocar estiagem entre janeiro e fevereiro”, disse Rocha. Quanto às produções esperadas, devem apresentar variações positivas: algodão herbáceo em caroço (6,4%), amendoim em casca 1ª safra (4,2%), arroz em casca (7,8%), café em grão (16,3%), cana-de-açúcar (8,3%), mandioca (3,4%), milho em grão 1ª safra (4,7%), e a soja em grão, praticamente sem alteração relativa.Os produtos que devem ter variação negativa são a batata inglesa 1ª safra (6,6%), cebola (10,3%), feijão em grão 1ª safra (2%) e fumo em folha (6,1%).A primeira estimativa para a área de café em grão que será colhida em 2008 revela uma produção de 2.511.489 toneladas, o equivalente a 41,8 milhões de sacas de 60 kg do produto em grãos beneficiados. A previsão de um acréscimo de 16,3% na comparação com a safra colhida em 2007 é conseqüência do ciclo bianual da espécie predominante (arábica ).

Fonte: Agência Brasil

Disque Pneu tira das ruas 55 mil peças em um mês

Em seu primeiro mês de funcionamento, o programa Disque-Pneu, lançado em novembro do ano passado, recolheu 55 mil pneus na cidade do Rio de Janeiro. O Disque-Pneu é uma iniciativa da Secretaria do Ambiente e da Rio Coop 2000 (Cooperativa de Coleta Seletiva e Reciclagem), com apoio dos postos da BR Distribuidora.

A subsecretária estadual do Ambiente, Izabella Vieira Teixeira, explicou que este é um programa de coleta e reciclagem de pneus usados e servirá não só para limpar o meio ambiente, mas também para combater os locais do mosquito transmissor da dengue.

Fonte: O Fluminense

Grupo pesquisará aves costeiras do Rio de Janeiro


Garça na Lagoa de Araruama, uma das que serão estudadas (Foto: Paulo Roberto Barbosa)

Além de acompanhar os mamíferos marinhos localizados na Região dos Lagos (RJ) desde 1999, o Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos (Gemm-Lagos), coordenado pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pùblica (Ensp) Salvatore Siciliano se prepara para uma nova empreitada. Estudar e conhecer as aves aquáticas encontradas nos ambientes costeiros do Rio de Janeiro. O trabalho consiste em monitor as aves localizadas entre Saquarema e São Francisco do Itabapoana, região repleta de lagoas consideradas por ambientalistas com excelente diversidade de flora e fauna. “O que pretendemos é conhecer como essas comunidades se organizam e de que maneira as aves se utilizam desses ambientes para viver”, revela Salvatore.

O pesquisador explica que a região é formada por um cordão de lagoas costeiras, algumas de águas doces e outras salgadas e que essa diversidade é bem interessante, principalmente em Quissamã, cidade fluminense onde está localizada a Lagoa Feia, a maior lagoa do estado e a segunda maior lagoa de água doce do Brasil, com um espelho d’água de 16 mil hectares e profundidade média de dois metros. Segundo Siciliano, “essas lagoas são bastante usadas por aves aquáticas, tanto residentes quanto migratórias. Então vamos promover estudos de campo periódicos para entender como as aves se estruturam”. A equipe de ornitólogos do Gemm-Lagos que trabalha com Siciliano é formado por quatro pessoas: a doutoranda do Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente da Ensp Patrícia Saiki, dois alunos de iniciação científica da Escola (ciências biológicas/Universidade Gama Filho) cujas monografias serão em cima dessa temática, Davi Castro Tavares e Daniel Peres, além de Luciano Lima, também graduando de ciências biológicas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

No momento esse grupo está selecionando quais lagoas serão utilizadas como modelo para um estudo mais aprofundado e a expectativa é trabalhar com lagoas fortemente impactadas pelo aumento da degradação ambiental causada pela população na região. “Quissamã talvez seja a área com menor impacto de degradação ambiental atualmente, se compararmos com lagoas como as de Araruama. Nosso estudo vai fazer um balanço sobre a situação nesta região. Um dos problemas que já conhecemos é a expansão da cana de açúcar, pois vem destruindo os poucos focos remanescentes de Mata Atlântica para a produção de etanol”, conclui Siciliano. Para o pesquisador, a plantação da cana de açúcar pode se tornar um grande problema com alto custo ambiental para o Estado do Rio de Janeiro.

Gemm-Lagos produziu guias sobre mamíferos e aves marinhas

Guias de campo: fauna marinha da Bacia de Campos é o nome da série de livros lançados por Siciliano retratando as espécies de cetáceos (baleias, botos e golfinhos) e aves marinhas encontradas em Campos, no norte fluminense. Os guias trazem informações sobre a correta identificação dos animais, biologia, comportamento, as principais ameaças, entre outros dados.
Os guias são produzidos para todos, conta Siciliano, uma vez que não são destinados apenas para ornitólogos ou pesquisadores. O pesquisador explica que as publicações servem de consulta para jovens ou adultos que queiram conhecer melhor o ecossistema da região, pois vêm ilustrados com fotos e mapas de distribuição detalhada dos animais encontrados. Os livros podem ser adquiridos na livraria da Abrasco, no prédio da Ensp, e todos os recursos das vendas são destinados ao fundo de manutenção do Gemm-Lagos.

Fonte: Fiocruz

Ibama apreende madeira irregular em fábrica de Eldorado do Sul

Uma equipe de fiscalização do Ibama/RS apreendeu hoje da garapeira (madeira amazônica) em uma fábrica de carrocerias de caminhões localizada em Eldorado do Sul, na região metropolitana. No mesmo local foram apreendidos 157 m³ de castanheira, espécie imune ao corte, pois está ameaçada de extinção.

Segundo o analista ambiental, Carlos Jung Dias o Ibama detectou a irregularidade por meio do monitoramento do sistema online do Documento de Origem Florestal (DOF), em operação em todo o Brasil desde setembro de 2006. O proprietário foi autuado por ter recebido 776,570 m³ de madeiras diversas sem apresentação de documentos que comprovassem origem e transporte regulares. Foram aplicadas duas multas: uma no valor de R$ 194.250 mil pelo recebimento de madeira sem comprovação de origem e outra multa, de R$ 30 mil pelo fato de que a empresa já vinha operando há 15 anos sem licença ambiental.

Fonte: Ibama

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

MMA investe na criação de consórcios para a gestão do lixo urbano

Lúcia Leão

O Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente Urbano, assinou convênio com a prefeitura de Bagé, no Rio Grande do Sul, para ampliar o aterro sanitário do município e viabilizar a criação do primeiro consórcio intermunicipal para gestão de resíduos sólidos no Estado. Serão investidos quase R$ 2,1 milhões na ampliação das células do aterro e na aquisiçlão de equipamentos de coleta e operação. O aterro sanitário de Bagé foi construído em 2001 com recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente e já está com sua capacidade quase esgotada. Os novos investimentos (R$ 1.573.972,00 de recursos orçamentários do MMA e R$ 524.657,00 da Prefeitura) permitirão não apenas restituir a capacidade de atendimento do município mas também receber resíduos sólidos das cidades vizinhas.

Sem dispor de estruturas apropriadas, algumns municípios da região de Bagé, no sul do estado, são obrigados a transportar o lixo em caminhões por distancias superiores a 300 quilômetros, até aterros sanitários de Porto Alegre. A criação do consórcio intermunicipal está em fase de formatação e foi pré-requisito da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente Urbano para a assinatura do convênio. A SRHU priorizou, ano passado, ações visando instrumentalizar os estados e municípios para a gestão do lixo urbano e prepará-los para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que está em fase final de tramitação no Congresso e pode ser sancionada ainda no primeiro semestre deste ano. Além da Prefeitura de Bagé foram assinados convênios, com este fim, com os estados do Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão.

Fonte: MMA

R$ 2,32 milhões para pesquisas na Mata Atlântica

O Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), lançou a chamada número cinco do PDA Mata Atlântica – Apoio a Projetos em Redes. O objetivo da iniciativa é apoiar projetos que gerem conhecimento sobre a Mata Atlântica por meio de redes de organizações que atuam na promoção do desenvolvimento sustentável do bioma.

O edital se divide em dois eixos de estruturação: temático, relacionado às diferentes linhas de atuação estratégicas do PDA Mata Atlântica; e regionais, que envolve projetos demonstrativos, parceiros e redes agrupadas em uma determinada região ou território. Serão apoiados pequenos e grandes projetos, que poderão receber, respectivamente, o aporte máximo de R$ 70 mil e R$ 350 mil. O PDA conta com R$ 2,32 milhões para o programa, provenientes da cooperação financeira com o Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW), com contrapartida do MMA e apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ).

Não há prazo determinado para o envio de propostas, havendo a possibilidade de apresentação até que se esgotem os recursos destinados à chamada. Com 30 dias de antecedência ao encerramento dos procedimentos para a análise de projetos, o PDA publicará um aviso, no site do MMA, garantindo tempo para que as propostas em elaboração sejam enviadas. Os projetos PDA em execução na Mata Atlântica serão finalizados, no máximo, até 2010. A divulgação dos resultados, que serão disponibilizados no endereço eletrônico do MMA, ocorrerá na medida em que as propostas apresentadas forem julgadas e aprovadas. Mais informações: www.mma.gov.br/estruturas/pda

Fonte: Agência Fapesp

Ibama quer acelerar licenças ambientais em 2008

Luana Lourenço

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pretende reduzir em até 70% o tempo de tramitação dos pedidos de licenciamento ambiental neste ano. A informação é do diretor de licenciamento ambiental do órgão, Roberto Messias Franco. “O que durava 100, vai durar 30 dias; o que durava 1000, vai ser feito em 300”, explica. O diretor afirma que o aumento na velocidade de avaliação vai se dar por meio da integração e treinamento das superintendências regionais do Ibama e de parcerias com universidades, o que, segundo ele, não comprometerá a qualidade dos processos.

Na avaliação do coordenador de políticas públicas da organização não-governamental Greenpeace, Sérgio Leitão, “a via rápida” de aprovação de licenças ambientais responde a interesses desenvolvimentistas do governo federal, mas deixa a desejar no atendimento de interesses da sociedade."Não consigo partilhar do otimismo do diretor de licenciamento do Ibama porque eu estou preocupado com a resposta que o órgão deve dar à sociedade”, avaliou. A usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, a Ferrovia Transnordestina e mais de 100 áreas para exploração de gás e petróleo pela Petrobrás deverão receber licença ambiental em 2008, de acordo com o Ibama. Segundo o órgão, em 2007 foram concedidas 317 licenças ambientais, um crescimento de 14% em relação ao ano interior.

Fonte: Agência Brasil

Botos sedutores

Michelle Portela

O imaginário amazônico cultiva a lenda do boto como um patrimônio. Quem nasce na região cresce ouvindo que eles saem da água, transformam-se em homens, usam chapéu para esconder um orifício na cabeça e seduzem jovens donzelas.

Agora, pesquisadores acabam de comprovar a lenda, pelo menos no lado da sedução. Segundo estudo feito por Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), e Tony Martin, do Serviço Antártico Britânico, essa é a arma usada por botos para conquistar fêmeas. A corte registrada pelo Projeto Boto revela o segundo caso de comportamento cultural dessa espécie de cetáceo em todo o mundo. Os pesquisadores estudaram durante três anos o comportamento de 6 mil grupos de botos tucuxi (Sotalia fluviatilis) na região da reserva de Mamirauá, no município de Tefé, oeste do Amazonas.

O Projeto Boto é desenvolvido no âmbito de um projeto maior, o Estudo da Biologia e Conservação da Mastrofauna da Amazônia, no Inpa. Conta com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do próprio Inpa, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação Boticário, do Programa Ipê e da Petrobras.
Os pesquisadores identificaram que, em mais de 200 dos grupos, os golfinhos de água doce transmitiam práticas culturais de geração a geração. “Foi aí que percebemos que essa cultura estava associada à atividade sexual”, disse Vera. Em cada grupo, pelo menos um boto carregava objetos no bico para presentear a fêmea, sempre em idade adulta e pronta para a reprodução, tais como plantas ou pedaços de pau. “Era forte a sugestão de que se tratava de um comportamento sexual. A ocorrência de agressões entre machos era até 40 vezes maior do que nos grupos de botos que não ofereciam objetos às fêmeas”, afirmou a pesquisadora.

Os resultados da nova pesquisa foram divulgados inicialmente pela New Scientist, em 6 de dezembro, e apresentados em seguida durante encontro sobre golfinhos de água doce na África do Sul com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
Segundo Martin, até hoje apenas em humanos e chimpanzés foi observado comportamento semelhante. “Isso é tão incomum que muitos colegas se mostraram céticos na primeira vez que sugerimos a idéia, mas agora a evidência é enorme”, disse à New Scientist.

Fonte: Agência Fapeam

Marina Silva está entre 50 que podem salvar a Terra

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, foi citada neste sábado em uma lista preparada pelo jornal britânico The Guardian com "as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta".

Segundo o jornal, a lista, preparada por um painel de especialistas, identifica "os 50 homens e mulheres com o poder de nos salvar de nós mesmos". "Todo mundo concorda que uma ação urgente é necessária para evitar uma mudança climática catastrófica, mas quem realmente tem a influência e as idéias para fazer isso acontecer?", diz o Guardian em sua apresentação. No texto dedicado a Marina Silva, o jornal destaca sua história como "filha de um seringueiro brasileiro, passando sua infância coletando látex da floresta amazônica e protestando contra a destruição provocada pelos madeireiros ilegais". "Em uma das grandes histórias políticas, ela passou de analfabeta aos 16 anos à mais jovem senadora do Brasil e agora é a mulher mais capaz de prevenir a total ruína da Amazônia", diz o texto. O jornal comenta que, sob sua gestão no ministério, o desmatamento na Amazônia caiu 75%, e vastas áreas de floresta foram destinados a comunidades indígenas. "Mas o futuro, diz Silva, é arriscado. A única maneira de evitar uma perda no longo prazo é com ajuda internacional", diz o jornal, citando uma declaração da ministra: "Não queremos caridade, é uma questão da ética da solidariedade".

A ministra é a única latino-americana da lista, que traz ainda nomes como os do ex-vice-presidente americano Al Gore, da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, do geneticista americano Craig Venter, do prefeito de Londres, Ken Livingstone, e até mesmo do ator americano Leonardo DiCaprio. A foto da ministra é uma das três escolhidas para ilustrar a chamada para a lista na capa do jornal, ao lado de Leonardo DiCaprio e da ambientalista Wangari Maathai, ex-ministra-assistente do Meio Ambiente do Quênia e Nobel da Paz de 2004.

Fonte: BBC Brasil

Como uma casa no campo

Fábio de Castro

O déficit habitacional em áreas rurais no Brasil é de 1,8 milhões de moradias, segundo o Ministério das Cidades. Buscando alternativas para enfrentar o problema, um projeto coordenado por pesquisadores em São Paulo levou ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras que possibilitaram a construção de 42 casas de baixo custo em um assentamento rural no município de Itapeva, no interior do estado.

O trabalho, desenvolvido no âmbito do projeto Inovarural com recursos do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), levou em conta a sustentabilidade socioambiental da construção, que teve ampla participação das famílias em todas as etapas de produção. Cada casa teve custo aproximado de R$ 9,5 mil.
Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade (Habis) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP) foram responsáveis por um dos destaques do projeto: a implantação da marcenaria coletiva Madeirarte, assumida por mulheres e jovens do assentamento. De acordo com Akemi Ino, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da EESC, mais do que a melhoria inequívoca na qualidade de vida dos assentados, o ponto central do projeto foi a dimensão política participativa – que se mostrou também um desafio mais difícil que o próprio desenvolvimento tecnológico. “Todo processo participativo gera conflitos e é bastante desgastante. Mas a experiência que ganhamos não tem preço, porque, além da formação e capacitação de técnicos, estudantes de graduação e de pós-graduação, as famílias envolvidas tiveram suas vidas completamente transformadas”, disse Akemi à Agência FAPESP.

Os projetos arquitetônicos e os materiais escolhidos para a construção das casas de 75 metros quadrados – área superior a de programas habitacionais tradicionais – foram discutidos coletivamente com os moradores. “Algumas das soluções encontradas para a redução do custo envolveram materiais alternativos, com desenvolvimento de uma viga laminada-pregada (VLP), janelas produzidas com madeira de plantios florestais na marcenaria coletiva e a casa de adobe [feita de tijolo de argila seco ou cozido ao sol]”, explicou.

Grupo interdisciplinar

O Inovarural começou em 1998 com apoio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da FAPESP. Quando o projeto terminou, em 2004, o grupo responsável buscou recursos junto ao Habitare. No início, o Habis trabalhava com projetos de habitação voltados para a cadeia da madeira, procurando viabilizar a produção de habitação social com recursos provenientes de plantios florestais. A idéia era aproveitar o imenso potencial florestal da região do sudoeste paulista. “Mas, embora tenha essa perspectiva de riqueza, a região é precisamente a mais pobre do estado, com o mais baixo índice de desenvolvimento humano. Por isso o grupo ampliou sua perspectiva, englobando o debate da sustentabilidade em suas várias dimensões: sociais, culturais, econômicas, ambientais e políticas”, disse Akemi. O processo participativo não termina com a conclusão do mutirão. “Os beneficiários do projeto foram capacitados para tomar decisões e ter mais autonomia. Isto é, para exercer sua cidadania”, afirmou.

Interdisciplinar, o grupo formado por arquitetos, comunicadores, engenheiros civis e florestais contou com parcerias com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. “A Unesp de Itapeva participou na área de engenharia de madeira, a Unesp de Bauru trabalhou com a inovação em alvenaria de adobe e a Esalq entrou com a engenharia florestal e a participação do laboratório de madeira”, explicou Akemi. Segundo a professora da EESC, a experiência ensinou que em futuros projetos será importante incluir sociólogos e psicólogos. “A capacitação para a participação impôs muitas dificuldades, que poderiam ser tratadas mais especificamente.” Parte das dificuldades ocorreu devido à diferença fundamental entre o mutirão rural e o urbano. “Os lotes, na área rural, são muito distantes uns dos outros. Ao contrário do que ocorre no mutirão urbano, cada um sabe de antemão qual será a sua casa e isso enfraquece o aspecto coletivo da experiência”, disse.

O assentamento, conhecido como Pirituba 2, é dividido em seis agrovilas, com um total de 400 famílias. O projeto foi voltado para duas agrovilas, envolvendo 49 famílias, divididas em sete grupos. O processo participativo começou com a seleção das famílias. “Trabalhamos com a construção de 42 casas novas e ampliação de outras sete. A demanda veio dos próprios moradores, que organizaram uma lista com os interessados no projeto em outubro de 2002, quando trabalhávamos no primeiro projeto”, destacou Akemi. O grupo foi definido em fevereiro de 2003 e o resto do ano foi dedicado a reuniões quinzenais para discutir onde buscar recursos financeiros. “Em 2004 as famílias assinaram o contrato de financiamento para o material junto ao programa PSH [Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social ] da Caixa Econômica Federal. O canteiro começou em março, com a implantação paralela da marcenaria coletiva”, disse.

Relatos publicados

A maior parte dos moradores envolvidos com a marcenaria foi de donas de casa na faixa dos 50 anos. “Isso nos surpreendeu bastante, pois se tem uma idéia de que é um trabalho masculino”, disse Akemi. A marcenaria está sendo incubada na Inocoop da Universidade Federal de São Carlos e já está produzindo esquadrias para o projeto atual, em um assentamento na região de Ribeirão Preto. Os recursos da Finep vieram em 2005, possibilitando as obras propriamente ditas. “Foi preciso fazer toda a produção do VLT, que é um sistema inovador de cobertura, além de capacitar as marceneiras, que aprenderam a leitura do desenho, a mexer com equipamento e toda a cadeia da madeira, incluindo seleção, monitoramento de secagem, montagem e acabamento”, explicou a professora da EESC.

A finalização das casas de três quartos, banheiro, cozinha ampla, sala e varanda foi feita em 2007. Atualmente as famílias estão instaladas. A experiência, segundo Akemi, não pode ser integralmente replicada, exatamente por seu aspecto participativo, mas pode gerar diretrizes para os próximos projetos. “Estamos relatando todas as fases da experiência em publicações do Habitare. Há um grau de replicabilidade que permitirá acelerar o processo em outros projetos, como estamos fazendo em um assentamento de 77 casas em Serra Azul. Dez já estão cobertas com o sistema inovador que partiu de Pirituba”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

Brasil participa de protesto contra o Japão pelo fim da caça às baleias

Ana Luiza Zenker

O Brasil está entre os 31 países que apoiaram um protesto diplomático formal contra a caça às baleias promovida pelo Japão, segundo informações da organização não-governamental Greenpeace. O protesto, liderado pelo governo da Austrália, foi entregue pelo embaixador australiano ao governo japonês, em Tóquio. Atualmente, o Japão argumenta que a caça é “científica”, mas os países conservacionistas afirmam que não há justificativa para a prática.De acordo com nota divulgada pela organização, este foi o maior protesto internacional feito até agora contra o programa japonês de caça às baleias.

A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores confirmou a adesão do Brasil ao protesto no final de dezembro e informou que este é o terceiro ano consecutivo de ação internacional sobre o assunto. O Greenpeace informou também que neste ano o Japão pretende caçar quase mil baleias somente no Oceano Antártico, onde está um dos santuários destes animais – o outro fica no Oceano Índico e um terceiro está sendo reivindicado por países conservacionistas no Atlântico Sul. Ainda de acordo com a organização, o programa de caça japonês causa prejuízo à industria australiana de turismo de observação de baleias, que movimenta mais de US$ 300 milhões por ano. Além do Brasil, também apoiaram a Austrália no protesto Argentina, Áustria, Bélgica, Chile, Comissão Européia, Costa Rica, Croácia, República Tcheca, Equador, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Israel, Itália, Luxemburgo, México, Mônaco, Holanda, Nova Zelândia, Portugal, San Marino, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Reino Unido e Uruguai.

Fonte: Agência Brasil

Eletrodomésticos que gastam muita energia estão com os dias contados

Danilo Macedo

Até o final do ano, geladeiras, fogões e aparelhos de ar-condicionado que consomem muita energia devem desaparecer das prateleiras de lojas e supermercados.A medida que estipula o prazo entrou em vigor por meio de três portarias interministeriais publicadas no Diário Oficial da União do dia 26 de dezembro de 2007.

Segundo o presidente do Comitê Gestor de Indicadores de Níveis de Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia, Paulo Leonelli, o objetivo é banir do mercado os equipamentos menos eficientes energeticamente. Assim, aparelhos que não apresentam os índices mínimos de eficiência só poderão ser fabricados ou importados pelo Brasil até o final de março. O prazo para a comercialização desses equipamentos varia: até setembro para refrigeradores, congeladores, e condicionadores de ar e até dezembro para fogões e fornos. De acordo com Leonelli, a ação consolida um processo iniciado na década de 80 com a etiquetagem dos eletrodomésticos e, depois, com o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e do Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet), concedido a equipamentos que apresentam os melhores índices de eficiência energética dentro da sua categoria."Essas portarias fecham um ciclo que se inicia com a adesão voluntária dos fabricantes, passa pela premiação, através dos selos Procel e Conpet, àqueles produtos mais eficientes e finaliza com a exclusão do mercado daqueles produtos menos eficientes”. Ele usa a geladeira para exemplificar o avanço da indústria de equipamentos eletrodomésticos nas últimas décadas.“Quando foi iniciado o programa de etiquetagem, na década de 80, as geladeiras tinham faixas de consumo altíssimas, da ordem de 70 quilowatts-hora por mês . Hoje, encontra-se no mercado geladeiras mais eficientes, na faixa de 20 a 25 quilowatts-hora por mês”.

O professor de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Ivan Camargo diz que as portarias interministeriais vêm em uma hora importante, já que nos próximos dois anos o Brasil deve chegar perto do limite entre a demanda e a oferta de energia. Entretanto, ele ressalta que não basta o equipamento ser eficiente. É necessário o consumidor ter uma postura de economia e conservação da energia."Comprar um equipamento eficiente é o primeiro passo. Um passo fundamental é usar esse equipamento com correção. O consumidor tem que sentir que, ao atuar corretamente, vai fazer um bem para o Brasil, para o meio ambiente e para o bolso dele, gastando menos na conta de energia no final do mês”.

Fonte: Agência Brasil

Aquecimento pode ter trazido águas-vivas ao Brasil

Hermano Freitas

O grande número de caravelas - uma espécie parente da água-viva - registrado recentemente do sul ao nordeste do litoral brasileiro pode estar relacionado ao aquecimento global, segundo o biólogo e professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) Vicente Gomes. O fenômeno tem ocasionado centenas de queimaduras em banhistas em todo o litoral, sobretretudo nas regiões Sul e Sudeste."O aquecimento das águas marinhas e o derretimento das calotas polares decorrentes das mudanças climáticas mudam as correntes e podem ter feito com que a incidência destes animais, normalmente mais rara, tenha aumentado na costa brasileira", afirma.

Segundo ele, diferente das águas-vivas, que nadam, as caravelas são levadas passivamente pelas correntes marinhas. Outra diferença é o tamanho dos tentáculos e o maior potencial venenoso de sua toxina. "A da caravela é mais intensa, causa mais dor e demora mais a sarar que a da água-viva."

Urina

O professor titular do Instituto de Biociências da USP e especialista em substâncias orgânicas venenosas José Carlos de Freitas defende uma solução caseira em caso de ataque: "o tratamento inicial é urinar em cima da queimadura ou pedir a alguém que o faça", garante.
Segundo Freitas, um estudo feito por ele recentemente comprova que a urina humana possui propriedades anti-inflamatórias que ajudam a anular o efeito tóxico do veneno da caravela.
Freitas conta que já foi atacado há alguns anos atrás e usou este artifício para aliviar a ardência. "Eu mesmo urinei em cima da minha queimadura", conta. Mas ele adverte que esta é uma medida apenas paliativa e não uma garantia de que o sofrimento acabe de imediato. "A verdade é que não há muito o que fazer, o corpo é que reage contra a intoxicação com o tempo." O tempo para que a pele se regenere pode chegar a 24 horas, mas, com tratamento médico adequado, pode sarar bem antes, segundo o professor. O veneno seria fatal apenas a quem é alérgico a ele, provocando o choque anafilático.

Ele descreve as toxinas liberadas no ataque das medusas como proteínas com baixo peso molecular semelhantes à peçonha de uma cobra. As proteínas são descarregadas por estruturas como agulhas liberadas pelo animal, que injetam o veneno na pele. O efeito causa o que se chama na medicina de necrose: as células da pele se degeneram e morrem progressivamente.

Contraponto

O médico dermatologista Alysson Doi, que atende no Instituto de Queimados do Hospital de Clínicas afirma que, em casos extremos, é preciso inclusive transplantar pele de outras partes do corpo para enxertar no local atingido. Ele não aprova a solução caseira de Freitas. "Urinar em cima é uma solução antiquada, causa infecções posteriormente", explica. Segundo ele, o tratamento ideal nos primeiros socorros é água do mar, cobrir com areia ou pano umedecido com água do mar, tomar um analgésico se a dor é intensa e se encaminhar rapidamente a uma unidade de atendimento médico. E, caso tenha havido o contato da queimadura com urina, lavar poucos minutos após com uma solução adequada.

Fonte: Redação Terra

Tibete inaugura observartório da camada de ozônio

A China, preocupada com o surgimento em 2003 de um "buraco" na camada de ozônio sobre o Tibete, inaugurou uma estação de observação dos níveis desse gás na região, informou hoje a agência estatal de notícias Xinhua.

A estação, que começou a operar no fim de semana, recebeu um investimento de 1,52 milhão de iuanes (US$ 208 mil) e está localizada a 3.648,9 m em Lhasa, a capital tibetana.
A maior parte do investimento foi destinada à construção de um espectrômetro de última geração que custou US$ 190 mil. Em dezembro de 2003 foi descoberta uma área de 2,5 milhões de km² com menos de 220 unidades Dobson (medida que descreve a densidade da camada de ozônio), baixando depois para até 190.

Os cientistas chineses asseguram que esta queda não se deve à atividade humana, mas a "movimentos atmosféricos", correntes de ar altas e baixas em ozônio que se deslocam. "O planalto tibetano é uma zona vital para a pesquisa da mudança climática", assinalou Zhang Yong, um dos responsáveis pelo observatório meteorológico do Tibete, que assinalou que a nova instalação fornecerá dados precisos sobre a radiação ultravioleta-B (UVB), que pode causar câncer de pele. A China conta com outras quatro estações de observação da camada de ozônio, incluindo uma em sua base de Zhongshan, na Antártida.

Fonte: EFE

INB inicia produção de combustível nuclear para Angra 2

Helena Beltrão

As Indústrias Nucleares do Brasil (INB/MCT), iniciam este mês a reconversão - transformação do gás em pó - do urânio enriquecido em forma de gás para a fabricação das pastilhas de UO² . A produção se destina a sexta recarga de Angra 2, quando será produzido o milésimo Elemento Combustível na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ). O urânio enriquecido chegou ao País no final de 2007.

Para a sexta recarga de Angra 2 serão produzidos 56 Elementos Combustíveis, contendo mais de quatro milhões de pastilhas. No total serão utilizadas 34 toneladas de urânio, com grau de 4% de enriquecimento. Essa recarga significa 30% do núcleo da usina, que é formado por 193 elementos combustíveis. A fabricação das partes metálicas do elemento combustível (tubos, grades e bocais) começou em outubro último, mas a empresa trabalha nesta recarga há pelo menos dez meses, quando iniciou o processo de aquisição de matéria-prima e componentes.
"Nossa meta é manter a segurança no processo de fabricação, preservando a qualidade do meio ambiente, e, sempre que possível, antecipando os prazos de entrega. Assim, garantimos ao nosso cliente, a Eletronuclear, um produto de alta qualidade e performance, aliado ao acompanhamento com todo o suporte técnico", afirma o diretor de Produção da INB, Samuel Fayad Filho.

Além da fabricação do milésimo elemento combustível, outra novidade na produção da sexta recarga é a inclusão dos novos equipamentos adquiridos pela INB - um investimento de cerca de R$ 15 milhões - na linha de produção do combustível nuclear. São máquinas e laboratórios que eliminam gargalos na produção, melhoram a segurança operacional e reduzem os custos de produção. A INB é uma empresa de economia mista, vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da INB

Brasil evita emissão de 769 milhões de t de CO2

Roberto do Nascimento

O Brasil já evitou a emissão de 500 milhões de toneladas do dióxido de carbono (CO2) desde 2004 somente com a redução do desmatamento da floresta amazônica, que, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, apresenta taxa acumulada de 59% até agosto de 2007. A esses números devem-se somar os 269 milhões de toneladas evitadas ou a evitar até 2012 resultantes até agora de 255 mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) nacionais implantados de acordo com as normas do Protocolo de Kyoto. Os resultados passados do desmatamento e futuros de projetos produtivos (sem considerar eventuais novas reduções da derrubada de florestas) já somam, portanto, 769 milhões de toneladas não emitidas de CO2 ou seu equivalente em outros gases que causam o aquecimento global. A contribuição brasileira equivale a cerca de 20% de todas as emissões de gases estufa que os países industrializados terão de promover até 2012.

Depois de ver aprovada, ainda no âmbito de Kyoto, a proposta de criação do MDL, para que os países emergentes pudessem desenvolver e adotar tecnologias menos poluentes de produção, o Brasil propôs, na 13ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, em Bali (Indonésia), a criação do Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia Brasileira, tamanha a importância da manutenção das florestas no combate ao efeito estufa. Os dados mais recentes do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) registraram redução de 20% na taxa de desmatamento entre 31 de julho 2006 e 1º de agosto de 2007, o equivalente a 11.224 km2 no período.Desde março de 2004, a taxa do desmatamento registrou uma queda acumulada de 59%.

Mas nos últimos meses do ano passado houve um forte aumento na derrubada de matas, levando o governo a adotar um plano com a participação de 13 ministérios, coordenado pela Casa Civil, de combate ao desmatamento a partir agora de 2008. O plano vai dar destaque aos 40 municípios detentores dos maiores índices de derrubada de matas, localizados no Pará, em Rondônia e no Mato Grosso. O Ministério do Meio Ambiente espera, com o fundo de conservação, atrair recursos para transformar a redução das emissões por desmatamento em um sistema de financiamento da conservação e uso sustentável da floresta. As iniciativas brasileiras buscam defender a manutenção do Protocolo de Kyoto depois de 2012, quando encerra o primeiro período de compromissos do tratado, com ajustes para tornar mais rígidas as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: Diarionet

Obras de transposição são retomadas hoje por militares

Luana Lourenço

As obras do projeto de transposição do Rio São Francisco serão retomadas hoje (7), após o fim do recesso do 2º Batalhão de Construção e Engenharia do Exército. As informações são do Centro de Comunicação Social da instituição.Desde junho de 2007, os militares executam trabalhos de topografia e construção de uma barragem e dois canais de aproximação do rio com as estações de bombeamento, na região de Cabrobó (PE). Em dezembro do ano passado, uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1-1) chegou a suspender as obras, até o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela continuidade do projeto.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Lodo de esgoto dá economia 35% a agricultor

Roberto do Nascimento

A cidade mais rica do País, São Paulo, foi premiada pela natureza com dois rios, o Tietê e o Pinheiros, mas abandonada à predação que transformou os cursos d`água em imensos esgotos a céu aberto e depósitos de material tóxico. Mesmo que fosse tratado, esse grande volume de esgoto ainda geraria um subproduto até há pouco considerado totalmente indesejado, o lodo. Mas ações pontuais começam a mudar o quadro e a mostrar que ações dessa natureza podem dar também retorno econômico. O Programa de Pesquisas em Saneamento Básico (Prosab), com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), desenvolveu no Paraná pesquisa sobre a destinação econômica do lodo resultante do tratamento de esgoto, como a produção de telhas, tijolos, concreto e fertilizantes.

O gerente de pesquisa da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e pesquisador do Prosab, Cleverson Andreoli, informa que no Brasil são jogados 24 bilhões de litros de esgoto sem qualquer tratamento diariamente nos rios, segundo a repórter Paula Ferreira, da revista Inovação. A parcela do esgoto que recebe tratamento no Paraná já apresenta importante retorno. A Sanepar distribuiu 65 mil toneladas de lodo a agricultores, que obtiveram ganos de produtividade de 35%. "Além de recuperar o solo, aumenta em 35% a produtividade e dispensa o uso de fertilizante", diz o vice-presidente da associação de agricultores da região de Contenda (PR). Ele economizou R$ 443 em adubo industrial por hectare de milho plantado. A disposição final dos resíduos dos sistemas de tratamento de água e esgoto representa um grande problema de âmbito mundial, por motivos técnicos e econômicos.

A disposição dos resíduos é uma operação complexa que geralmente ultrapassa os limites da estação. Sua gestão representa 20 a 60 % dos custos operacionais de uma estação de tratamento. No Brasil a coleta esgotos atende a 40,12% da população urbana. Do volume coletado, 40% recebe tratamento adequado, gerando lodo. Grande parte do resíduo até recentemente era lançada em rios.

Fonte: DiárioNet

Costa Rica: cientistas encontram 11 novas espécies


Uma da três novas salamandras encontradas no parque nacional La Amistad

Cientistas do Museu de História Natural de Londres encontraram 11 novas espécies animais e vegetais em uma reserva florestal na Costa Rica. As espécies incluem três tipos de salamandras e estavam entre as cerca de 5 mil plantas e animais registrados pelos cientistas durante três expedições à América Central.

Duas das espécies de salamandras são noturnas, do tipo bolitoglossa, e a terceira é uma espécie de salamandra "anã", que mede apenas 3 cm. Com as descobertas, sobe para 43 o número de espécies de salamandra conhecidas na Costa Rica. Os animais se alimentam de insetos e vermes e moram na água ou em áreas úmidas. Eles normalmente se alimentam à noite e se escondem durante o dia, hibernando durante o inverno. Há cerca de 300 espécies de salamandras conhecidas no mundo, a maioria no hemisfério norte, mas houve poucas novas descobertas desde 1998, quando cinco novas salamandras foram encontradas na região tropical do centro-leste do México.

As novas espécies habitam o parque nacional La Amistad, na fronteira entre a Costa Rica e o Panamá, declarado patrimônio da humanidade pela Unesco. Também foram descobertas duas novas espécies de sapos e seis de plantas. "Encontrar tantas novas espécies em apenas uma área é excitante, particularmente porque este é, provavelmente, o único lugar do mundo em que podemos encontrar esses animais", disse o líder do projeto, Alex Monro, do Museu de História Natural. "Isso mostra que ainda temos muito que aprender sobre a variedade da vida selvagem nesta região. Temos outras quatro expedições planejadas para este ano. Quem sabe o que podemos encontrar quando voltarmos?" O parque nacional La Amistad tem poucas estradas e um terreno irregular, e por isso permanece largamente inexplorado.

Cientistas acreditam que a região é um centro de diversidade para esses anfíbios. Acredita-se que ela abrigue cerca de dois terços de todas as espécies nativas da Costa Rica, inclusive centenas de pássaros, mamíferos, répteis e outros anfíbios, e milhares de plantas. As novas espécies serão nomeadas e catalogadas por cientistas da Universidade da Costa Rica. O Museu de História Natural está trabalhando junto a cientistas e membros do governo costarriquenho e panamenho no projeto, financiado pela Iniciativa Darwin, do governo britânico, para promover a conservação da biodiversidade.

Fonte: BBC Brasil

Mudança climática ameaça "capital chinesa do gelo"

A cidade de Harbin, no nordeste da China, famosa por seu festival de gigantescas estátuas de neve e gelo no inverno, é um dos lugares do país que mais sofrem com o aquecimento global e em 2007 registrou a temperatura média anual mais alta em 126 anos, informou hoje a imprensa oficial. Harbin, que amanhã inaugura seu Festival Internacional de Gelo e Neve, vê com preocupação como a cada ano duram menos as maravilhas geladas. Antes, elas agüentavam até abril. Agora, mal sobrevivem a fevereiro.

Segundo os meteorologistas, a cidade chinesa, que aproveita o frio para atrair turistas, teve em 2007 uma temperatura média de 6,6ºC. Foi a mais alta desde 1881, quando começaram as medições meteorológicas. Até agora, o recorde era de 1998, com 6,1ºC, segundo os números do observatório meteorológico da cidade. A última temperatura média mensal registrada, em dezembro, foi de 10,6ºC abaixo de zero, a segunda mais alta para o período desde 1881.
"Os números não são casuais e estão relacionados com o aquecimento global", afirmou o chefe do observatório meteorológico, Yin Xuemian. Harbin, antiga colônia russa, atraiu durante anos milhões de turistas. O seu inverno, nos "bons tempos", chegava a temperaturas de até 40ºC abaixo de zero, ideais para conservar durante meses as estátuas de gelo e neve expostas na cidade. Elas reproduziam construções como Notre Dame de Paris e a Basílica de São Pedro de Roma.

Fonte: EFE

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Olá , amigos

Depois de algum tempinho finalmente consegui fechar a primeira parteminha pesquisa e colocá-la na internet. Quem estava na apresentação domeu trabalho no Congresso de Jornalismo Ambiental em Porto Alegre devese lembrar. A idéia da pesquisa é tentar avaliar e quantificar as matérias sobre meio ambiente(dentro de temas pré-determinados) que foram divulgadas por algumas revistas semanais durante 2006 e 2007.

Quem quiser conhecer a pesquisa e dar sua opinião sobre as matérias ou as avaliações é só acessar www.informacaoambiental.blogspot.com, na página estão os links para os otologs com as matérias e suas respectivas fichas de avaliação. Vocês podem comentar, elogiar, discordar (comment) ou apenas assinar o livro de visitas (guestbook).

Agradeço a quem quiser participar .

Abraços

Fabrício Ângelo

Frota de veículos do Rio terá emissão de gases poluentes controlada pelo Detran

Isabela Vieira

Carros, ônibus, táxis e motos. A partir deste ano, para ser aprovada na vistoria anual do Departamento de Trânsito (Detran) do Rio, a frota de 1,6 milhão de veículos deve estar dentro dos limites de emissão de gases poluentes. O Rio é o primeiro estado a adotar a medida. Anteriormente, a vistoria não reprovava os veículos por esse motivo.“Era reprobatória a parte da segurança, como problemas nos freios e farol”, disse o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc. “No documento de licenciamento aparecia que o carro estava em desconformidade [com a emissão de gases] e o motorista saia tranqüilamente da vistoria”.Minc estima que 25% da frota esteja irregular, sendo responsável por 77% do total de poluentes emitidos para atmosfera no estado.

Os veículos reprovados pelo Detran podem ficar sem o documento de licenciamento anual. Caso sejam parados em blitzes, podem pagar multa de R$ 191,62 e até ter o carro apreendido, o que implica mais gastos. Aqueles que estiverem de acordo com determinação, além de ajudar a preservar o meio ambiente, podem até fazer economia, já que com o motor regulado, o carro consome menos combustível. A medida, por enquanto, agrada os motoristas. Hoje (3), no posto do Detran de Santa Luzia, no centro do Rio, o engenheiro Roberto Santos, que teve o carro aprovado, disse que espera ter uma vida mais saudável. “Nós respiramos e ninguém está livre de ser contaminado pelo excesso de gases”.

A vistoria do Detran será feita, inicialmente, nos postos de Santa Luzia, Ceasa, São Gonçalo e Belford Roxo (região metropolitana). Caso seja constatada alguma irregularidade, o motorista poderá fazer uma nova vistoria em 30 dias, sem custo e sem ter que pegar fila novamente.
Até o final da semana, o Detran se comprometeu a divulgar em seu site a lista com as oficinas autorizadas a consertar e verificar a emissão de gases poluentes pelos veículos. Ainda não foi estimado o valor do serviço.

Fonte: Agência Brasil

Ibama-PA define defeso do caranguejo

O Ibama do Pará definiu os três períodos de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus), em 2008 no estado paraense. O defeso ocorrerá de 25 a 29 de janeiro, de 23 a 27 de fevereiro e de 23 a 27 de março. Nestes períodos, serão proibidos a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização, o armazenamento e a comercialização desses espécimes vivos, cujos estoques não tenham sido previamente declarados ao órgão ambiental.

A proibição alcançará, também, as partes isoladas do crustáceo (quelas, pinças, patas ou garras), e abrangerá todo o estado do Pará. O defeso serve para proteger a época da “andada” dos caranguejos, período reprodutivo em que os machos e as fêmeas saem das tocas e andam pelo manguezal para o “namoro”, ou seja, o acasalamento e produção de ovos. A definição dos períodos de defeso foi tomada em reunião hoje entre representantes do Ibama, de outros órgãos públicos, de ONGs e de associações de marisqueiras. As datas do defeso em 2008 constarão de portaria, a ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial. Durante o defeso, o caranguejo que for apreendido pela fiscalização do Ibama, quando vivo, será devolvido ao habitat natural. As pessoas físicas ou jurídicas que capturam, conservam e comercializam a espécie deverão fornecer ao Ibama, até o último dia antes do início de cada período de defeso da andada do caranguejo-uçá, a relação detalhada dos estoques. Em unidades, em caso de animais vivos, ou por quilo, na forma congelada ou pré-cozida, e também deverão indicar os locais de armazenamento.

O transporte interestadual da espécie, viva, deverá estar acompanhado, desde a origem do produto até o destino final, de Formulário de Guia de Transporte, obtido no Ibama. Durante a reunião, coordenada pelo Ibama, estiveram presentes representantes da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema), a Delegacia Especial de Meio Ambiente da Polícia Civil (Dema), a Secretaria Estadual de Pesca e Aquicultura (Sepaq), o Centro de Gestão de Pesquisa Pesqueira do Litoral Norte (Cepnor), do Instituto Chico Mendes, e representantes das associações marisqueiras de Maracanã (PA) e de São Caetano de Odivelas (PA). Também houve a participação de representantes da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), de restaurantes de Belém (toc-toc) e de ONGs ligadas ao Meio Ambiente como a Novos Curupiras. Para o chefe substituto da Divisão de Fauna e Pesca do Ibama, Antônio Melo, a reunião de hoje foi importante para coibir ações ilegais nos manguezais do estado. “É importante divulgar as ações do Ibama, principalmente para que os marisqueiros, catadores ou caranguejeiros possam saber como agir nessa época de reprodução dos crustáceos. A partir do momento que se tem definido o período do defeso e as propostas de trabalhar as questões de sensibilização e educação ambiental nas áreas de ocorrência da espécie, estamos impedindo a ocorrência de novas infrações”, afirma Antônio.

Fonte: Ibama

Vigilância e controle de moluscos ganha guia de referência

Gustavo Barreto

Já está disponível na página do Ministério da Saúde o livro Vigilância e controle de moluscos de importância epidemiológica: diretrizes técnicas, do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (PCE) da Secretaria de Vigilância em Saúde. Entre os organizadores da obra estão os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz Silvana Thiengo, do Laboratório de Malacologia, e Otávio Pieri, do Laboratório de Ecoepidemiologia e Controle da Esquistossomose e Geohelmintoses. O guia vai orientar o trabalho de agentes sanitários em todo o país.

"Procuramos o maior número possível de especialistas que trabalham com caramujos e esquistossomas. Um dos trechos, por exemplo, cita a legislação ambiental referente às ações de prevenção, para esclarecer sobre pontos específicos das leis ambientais e suas aplicações práticas”, explicou Silvana. “Estas diretrizes técnicas servem para nortear o trabalho das equipes das secretarias de vigilância em saúde. Ali estão as diretrizes que devem ser seguidas no controle da esquistossomose, no que diz respeito ao caramujo”, destacou. Para assessorar estas diretrizes, o Ministério da Saúde mantém um comitê técnico para a esquistossomose, do qual fazem parte Silvana, Pieri e José Rodrigues Coura, chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, bem como pesquisadores de outras unidades da Fiocruz, universidades e centros de pesquisa. Uma das funções do comitê é a elaboração e re-edição de manuais que já estão obsoletos. "Este livro surgiu do sonho antigo de publicar algo bem mais abrangente sobre a malacologia médica”, contou Silvana. “É um trabalho grande de reunir idéias e profissionais, revisar detalhadamente as informações para, no final, sair esta obra, que acredito ser um avanço muito grande no tema", sintetizou.

O livro esclarece que o mecanismo de transmissão da esquistossomose é extremamente complexo e depende, além dos elementos diretamente envolvidos no ciclo de transmissão, dos fatores condicionantes inerentes a cada localidade. "Tentamos abranger as dúvidas mais freqüentes dos agentes de saúde, que são aqueles que estão na ponta, lidando diretamente com os caramujos em cada região do país. Na obra é explicado especificamente cada passo que o agente deve seguir e o procedimento correto para cada fase", explica Silvana. A obra é dedicada a Wladimir Lobato Paraense, decano da malacologia brasileira e, aos 92 anos, ainda atuante no Laboratório de Malacologia do IOC. A publicação contou com a colaboração de diversas instituições em todo o Brasil – um dos grandes méritos da obra, afirma Silvana –, entre as quais Ibama, Funasa, Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz) e Departamento de Metodologia da Educação da Universidade Federal da Paraíba.

Ciência para a população

Outro coordenador da obra, o pesquisador Otávio Pieri ressaltou que o livro cumpre uma função social importante e pouco valorizada na comunidade científica. “Este tipo de livro – cujo conteúdo, muito mais do que de divulgação, é técnico-científico – é um instrumento por excelência para transformar pesquisa em saúde”, sintetizou. Otávio adverte que a publicação dos resultados de pesquisas em periódicos científicos, em uma linguagem altamente técnica e em idioma estrangeiro, nem sempre atinge os responsáveis pela elaboração, gestão e execução das ações de saúde. “Essa lacuna precisa ser preenchida pelo pesquisador, para que estes conhecimentos sejam realmente colocados em prática, como diz o próprio lema do IOC, Ciência para a saúde da população brasileira”.

Fonte: Fiocruz

Clima: Índia responsabiliza países industrializados

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, afirmou hoje que as nações industrializadas são responsáveis pela mudança climática e que é, portanto, dever delas reparar o dano, informou a agência indiana "PTI".

Presente no 95º Congresso de Ciência Indiano, realizado em Vishakhapatnam (sul da Índia), Singh disse que o mundo não deve seguir pelo caminho de desenvolvimento que destrói o meio ambiente, escolhido pelas nações desenvolvidas até agora. "Eles foram os principais responsáveis pelo que aconteceu e agora devem chamar para si a responsabilidade para reparar os danos", disse o primeiro-ministro na conferência. Singh afirmou que a Índia adotou uma "abordagem pró-ativa e pragmática" da questão ambiental e disse que o país não repetirá o modelo ocidental de "desperdício e industrialização nocivos ao meio ambiente".

O premiê propôs uma abordagem alternativa que leve em conta os recursos disponíveis e que não prejudique o meio ambiente. Ele completou dizendo que, para a concretização de sua proposta, é necessária uma cooperação em nível global, nacional e também local. Singh também anunciou que o governo está em processo de criação de um centro nacional para estudar a mudança climática. O meio ambiente tem tido um grande destaque na agenda do primeiro-ministro. Em julho de 2007, seu governo reflorestou cerca de 6 milhões de hectares de seu território como parte do programa "Índia Verde", um dos esforços do Executivo para combater os efeitos da mudança climática. Na reunião de ministros do Meio Ambiente da Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, realizado em Bali (Indonésia), em dezembro, a China e a Índia já conferiu ao Ocidente a responsabilidade pela mudança climática.

Fonte: EFE

Usinas terão de informar uso do bagaço de cana

Carlos Rangel

As usinas associadas União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) devem entregar até o dia 15 à entidade as informações sobre o consumo do bagaço de cana empregado nas caldeiras para geração de energia, relativas a 2006, em toneladas/ano. São Paulo concentra a grande parte das usinas de açúcar e álcool do País.

As informações foram solicitadas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) com o propósito de elaborar um inventário das emissões de dióxido de carbono (CO2), que faz parte do projeto Respira São Paulo. A Cetesb quer saber qual a expectativa de aumento do consumo de bagaço nos próximos cinco anos. A companhia levou em consideração as peculiaridades do setor, como o fato de a cana resgatar os gases causadores do efeito estufa da atmosfera, restringindo suas solicitações, na primeira fase, aos combustíveis consumidos no processo industrial. Dos 50 projetos de geração de energia a partir de biomassa já aprovados ou em fase de aprovação no âmbito do mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, 21 referem-se especificamente ao uso de bagaço. Ou seja, antes de poluir, os processos de co-geração são reconhecidos pela Organização das Nações Unidas como importantes mecanismos para reduzir as emissões de gases causadores do aquecimento global.

A geração de energia elétrica é o principal item de projetos de redução na emissão de poluentes no Brasil (159 de um total de 255), respondendo pela expectativa de 123,49 milhões de toneladas de CO2 evitadas no primeiro período do Protocolo de Kyoto, que vai até 2012.

Fonte: DiárioNet

Novas regras para produtos orgânicos buscam maior confiabilidade da certificação


Plantação de alimentos orgânicos que atendem novas regras do Ministério da Agricultura (Foto: ABr)

Renata Pompeu

Desde a última sexta-feira (28) está em vigor decreto que cria novas regras para a produção e comercialização de produtos orgânicos no Brasil. Entre as principais mudanças está a criação do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, que visa a assegurar a confiabilidade da certificação dos produtos orgânicos. Caberá ao Ministério da Agricultura, juntamente com os secretarias estaduais, fiscalizar entidades responsáveis pela certificação dos produtos.Cada entidade só vai poder emitir selos de garantia de procedência depois de autorizada pelo sistema e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). A nova norma ainda permite a produção paralela na mesma propriedade de produtos orgânicos e não-orgânicos.

A exigência é que haja uma separação do processo produtivo. Também não poderá haver contato com materiais e substâncias de uso não-autorizado para a produção de orgânicos, como agrotóxicos. O decreto tem a finalidade de substituir a Instrução Normativa nº 7 de 1999, do Ministério da Agricultura. Segundo o coordenador de Agroecologia do ministério, Rogério Dias, a norma anterior abordava de forma superficial alguns aspectos da produção animal e vegetal.Em entrevista à Rádio Nacional, Dias afirmou que as novas regras vão garantir a qualidade dos produtos vendidos com o selo de orgânicos. “O consumidor vai poder ter a certeza do que ele está comprando, agora nós vamos ter realmente um quadro em que todos os pontos da produção vão ser tratados”, ressaltou. O coordenador acrescenta ainda que o consumidor brasileiro ainda não conhece bem os produtos orgânicos. “O consumidor ainda tem uma percepção de que o produto orgânico é aquele sem veneno, sem agrotóxico, e isso é um conceito básico. Mas as pessoas não conseguem ainda saber tudo que está por trás de uma produção orgânica; o que faz a produção orgânica é você ter um sistema de produção orgânico, e para isso você tem que observar uma série de princípios”, explicou.

Exemplos desses princípios são a existência de um solo vivo (conjunto de práticas associadas ao manejo sustentado dos recursos naturais), a presença de uma biodiversidade de culturas no sistema e a questão da eficiência energética. Atualmente existem no mercado diversos tipos de produtos orgânicos, tanto in natura quanto processados. Além de vegetais frescos, tem crescido a oferta de manufaturados como massa de tomate, vinhos, sucos e até mesmo tecidos e cosméticos.Novas instruções normativas serão editadas para complementar o decreto. A previsão do Ministério da Agricultura é que elas possam ser submetidas à consulta pública a partir de fevereiro. As sugestões poderão ser apresentadas pelo site do ministério, por carta e em audiências públicas.

Fonte: Agência Brasil

2008 será o Ano Internacional dos Recifes de Coral

Suelene Gusmão

A mesma estratégia foi utilizada há 10 anos, quando 1997 foi também declarado Ano Internacional dos Recifes de Coral. Na ocasião, a iniciativa foi considerada um sucesso, tendo obtido a participação de mais de 225 organizações em 50 países e territórios e alimentado centenas de pesquisas científicas que deram origem a novas áreas marinhas protegidas, além do surgimento de numerosas organizações locais e globais dedicadas à conservação do corais. No Brasil, as ações para o incremento do ano internacional estará a cargo do Núcleo da Zona Costeira e Marinha da Secretaria da Biodiversidade e Florestas do MMA e da Universidade Federal de Pernambuco, assim como da Universidade Federal da Bahia, em trabalho conjunto com a ICRI. A entidade compreende uma parceria entre governos, organizações internacionais e organizações não governamentais que têm como objetivo conservar ambientes recifais e ecossistemas relacionados.

Entre as ações a serem desenvolvidas no Brasil no próximo ano pelo Núcleo da Zona Costeira e Marinha para celebrar a iniciativa estão: elaboração de calendário (2008), divulgando os recifes brasileiros e os principais programas de conservação existentes; divulgação de três vídeos, sendo o primeiro deles sobre as experiências brasileiras na gestão de áreas marinhas protegidas e pesca ( áreas recifais), o segundo com a Campanha de Conduta Consciente em Ambientes Recifais nos Vôos Aéreos e o terceiro sobre o projeto Coral Vivo. Estão previstas também exposições em vários aeroportos brasileiros e nos centros de visitantes do parques nacionais de Fernando de Noronha e Abrolhos e uma outra exposição a ser realizada durante o III Congresso Brasileiro de Oceanografia, marcado para ocorrer entre 20 e 24 de maio em Fortaleza (CE).

No âmbito internacional uma série de eventos já estão marcados de janeiro a novembro do próximo ano. Entre elas, a Reunião Geral do Internacional Coral Reef Initiative, em Washington (EUA), a 11ª Internacional Coral Reef Symposium, na Flórida (EUA) e apoio à realização do evento sobre peixes recifais da IUCN, que ocorrerá no Brasil.

Fonte: MMA

2008 será o Ano Internacional dos Recifes de Coral

Suelene Gusmão

A mesma estratégia foi utilizada há 10 anos, quando 1997 foi também declarado Ano Internacional dos Recifes de Coral. Na ocasião, a iniciativa foi considerada um sucesso, tendo obtido a participação de mais de 225 organizações em 50 países e territórios e alimentado centenas de pesquisas científicas que deram origem a novas áreas marinhas protegidas, além do surgimento de numerosas organizações locais e globais dedicadas à conservação do corais. No Brasil, as ações para o incremento do ano internacional estará a cargo do Núcleo da Zona Costeira e Marinha da Secretaria da Biodiversidade e Florestas do MMA e da Universidade Federal de Pernambuco, assim como da Universidade Federal da Bahia, em trabalho conjunto com a ICRI. A entidade compreende uma parceria entre governos, organizações internacionais e organizações não governamentais que têm como objetivo conservar ambientes recifais e ecossistemas relacionados.

Entre as ações a serem desenvolvidas no Brasil no próximo ano pelo Núcleo da Zona Costeira e Marinha para celebrar a iniciativa estão: elaboração de calendário (2008), divulgando os recifes brasileiros e os principais programas de conservação existentes; divulgação de três vídeos, sendo o primeiro deles sobre as experiências brasileiras na gestão de áreas marinhas protegidas e pesca ( áreas recifais), o segundo com a Campanha de Conduta Consciente em Ambientes Recifais nos Vôos Aéreos e o terceiro sobre o projeto Coral Vivo. Estão previstas também exposições em vários aeroportos brasileiros e nos centros de visitantes do parques nacionais de Fernando de Noronha e Abrolhos e uma outra exposição a ser realizada durante o III Congresso Brasileiro de Oceanografia, marcado para ocorrer entre 20 e 24 de maio em Fortaleza (CE).

No âmbito internacional uma série de eventos já estão marcados de janeiro a novembro do próximo ano. Entre elas, a Reunião Geral do Internacional Coral Reef Initiative, em Washington (EUA), a 11ª Internacional Coral Reef Symposium, na Flórida (EUA) e apoio à realização do evento sobre peixes recifais da IUCN, que ocorrerá no Brasil.

Fonte: MMA

Nova York quer reduzir emissões de carbono em 30% até 2030

Matthew Wells

Nova York responde por 1% das emissões de carbono dos EUA

A cidade de Nova York, nos Estados Unidos, deu início a um ambicioso projeto de reduzir em 30% até 2030 suas emissões de gases que causam o efeito estufa. A primeira mudança simbólica já se nota nas luzes da famosa árvore de Natal do edifício Rockefeller Center, que ganhou lâmpadas que economizam energia. As lâmpadas da ponte Brooklin também serão substituídas no ano que vem, a um custo de US$ 500 mil (cerca de R$ 900 mil). Como este tipo de iluminação dura três vezes mais que as lâmpadas tradicionais, espera-se que a cidade economize dinheiro no longo prazo.

Nova York está se tornando "verde" – esta é a manchete que o bilionário e prefeito Michael Bloomberg quer ver no Ano Novo, no momento em que ele tenta reduzir os custos de energia de uma cidade que responde por nada menos que 1% das emissões americanas de carbono.
Novos veículos híbridos de polícia e bombeiros também serão introduzidos, junto com caminhões de lixo, por um período de testes. A cidade planeja ainda adotar iluminação econômica em escolas e prédios municipais. Estes projetos de curto prazo têm o objetivo de atingir uma redução de 34 mil toneladas por ano na emissão de gases que causam o efeito estufa – um volume relativamente modesto, considerando que estas emissões alcançam quase 60 milhões de toneladas por ano.

A maioria das emissões de Nova York se deve ao consumo de energia dos seus famosos arranha-céus. Estima-se que os edifícios urbanos respondem por 80% do total do carbono lançado na atmosfera pela cidade.

Fonte: BBC Brasil

Instrumento de preservação

Fábio de Castro

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) lançaram o documento Mapeamento da cobertura vegetal do Bioma Pampa, após três anos de elaboração. O trabalho faz parte do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (ProBio), iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que pretende mapear os remanescentes de vegetação natural de todos os biomas brasileiros.

De acordo com Heindrich Hasenack, professor do Departamento de Ecologia da UFRGS, que coordena o Laboratório de Geoprocessamento, responsável pelo estudo, um dos principais objetivos do documento é dar ao MMA uma idéia mais clara do que ainda resta de cobertura natural do bioma, permitindo direcionar ações de preservação. “Procuramos identificar áreas nas quais a vegetação original ainda está em estado de preservação razoável. Com o mapa em mãos, o ministério terá um instrumento objetivo para definir a implantação de novas áreas de conservação”, disse Hasenack à Agência FAPESP.

O Pampa, com 178 mil quilômetros quadrados – o que corresponde a 63% do território do Rio Grande do Sul –, já perdeu 59% de sua cobertura vegetal nativa. Segundo o professor, a crescente conversão para novos usos nas últimas décadas, com o avanço da fronteira agrícola, invasão de espécies exóticas e expansão das pastagens, ameaça o bioma. “Os biomas de áreas abertas, como o Pampa e o Cerrado, sofrem bastante por serem desvalorizados. A tendência é que se valorizem mais as formações florestais e os campos sejam vistos como uma degradação da floresta. Mas temos áreas de campos naturais com grande biodiversidade”, disse. O trabalho contou com a supervisão técnica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usou como fonte imagens feitas pelo satélite Landsat, resultando em um conjunto de 23 mapas articulados, que recobrem toda a metade sul do estado. De acordo com Hasenack, o sistema nacional de unidades de conservação prevê que as unidades cubram pelo menos 10% de cada bioma. Mas, segundo ele, não adianta preservar qualquer parte – essas áreas precisam ser representativas da grande heterogeneidade do bioma. “As unidades de conservação no Pampa se concentram nas áreas lagunares e de planície costeira – o Banhado do Taim e o Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Nenhuma delas inclui o campo típico das fronteiras oeste e sul do estado”, afirmou. Mapa único dos biomas

O mapa é bastante abrangente e se presta a diversas outras aplicações além da definição de áreas de conservação. “O documento define onde estão as áreas de savana ou de estepe, por exemplo, e indica que tipo de atividade substituiu cada área onde não há mais cobertura vegetal original, como agricultura, silvicultura ou urbanização”, disse Hasenack. Como o intuito do Probio é mapear toda a cobertura vegetal de seis biomas continentais brasileiros, os pesquisadores se reuniram com os grupos responsáveis por cada um deles para harmonizar agendas e metodologias. “O MMA estabeleceu um padrão mínimo comum que viabilizasse posteriormente um mapa único de todos os biomas”, explicou. Todos eles utilizaram imagens do Landsat de 2002, ano em que o MMA havia adquirido imagens de toda a Amazônia. A partir daí, os pesquisadores fizeram a intepretação dos dados de modo a reproduzir do ponto de vista da legenda um mapa que pudesse ser comparado com os que foram feitos na década de 1970.
“Com isso, podemos comparar a vegetação mapeada nos dois períodos em cada bioma e apontar tendências. O intervalo, no entanto, é muito grande. O ideal será que, de agora em diante, tenhamos um mapeamento desses a cada dez anos, transformando a iniciativa em um monitoramento sistemático”, indicou.

O monitoramente serviria, segundo Hasenack, para que empreendedores planejassem negócios. “Em geral, eles calculam a expansão dos empreendimentos exclusivamente a partir da área disponível. Mas a terra não é homogênea. Seria preciso considerar a área líquida utilizável, condicionada a limites ambientais”, disse. Atualmente, as áreas menos representadas em unidades de conservação são as que apresentam melhor estado de preservação. “Esses municípios mantêm uma criação tradicional, extensiva, de gado. Por isso utilizam a pastagem nativa. Isso pode indicar um modelo de sustentabilidade para o Pampa, com investimento em um melhoramento do manejo nesses campos”, afirmou Hasenack.

Fonte: Agência Fapesp