segunda-feira, 10 de março de 2008

Exposição em Brasília abre campanha para reduzir consumo de embalagens


Grace Perpetuo

Será aberta nesta segunda-feira (10), no Pátio Brasil Shopping, em Brasília, a exposição Boas Práticas e Inovações em Embalagens, que marca o lançamento da campanha Consumo Consciente de Embalagens, do Ministério do Meio Ambiente. Com a iniciativa, o ministério pretende fazer com que o consumidor reflita sobre os muitos invólucros dos produtos que consome no dia-a-dia. A exposição coincide com a Semana do Consumidor e será encerrada no sábado (15).

Durante a exposição, materiais reciclados e novas tecnologias serão apresentadas ao consumidor, que será instigado a prestigiar as empresas preocupadas com o meio ambiente e a demandar do mercado que novas alternativas e soluções sejam empregadas em larga escala. Haverá também distribuição de materiais informativos sobre o tema e apresentações de iniciativas que privilegiam o uso racional de embalagens, além do lançamento de um site sobre seu consumo consciente. "A idéia é levar o consumidor a avaliar a quantidade de embalagens que ele leva ao comprar um produto" e, assim, a decidir se, de fato, precisa de todas elas", diz a técnica em consumo sustentável do Departamento de Economia e Meio Ambiente do MMA, Fernanda Daltro. Ela ressalta que é preciso avaliar a embalagem tendo em mente alguns critérios: se é reciclável, se pode ser reutilizada, se é feita de material reciclado e qual o consumo de energia e matéria-prima empregados para fabricá-la, por exemplo. "Para reduzir a quantidade de lixo gerado, é importante que o consumidor dê preferência a produtos com refil, com embalagens retornáveis; que use sacolas retornáveis, por exemplo; e que recuse as de plástico, quando desnecessárias", diz Fernanda. "É preciso entender que o volume de resíduos que geramos aumenta mais rapidamente que a taxa de resíduos reciclados", reitera.

No MMA, a campanha Consumo Consciente de Embalagens envolve, além do Dema, o Departamento de Ambiente Urbano e o Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria, além de contar com parceiros do governo, da sociedade civil e do setor privado. Entre as empresas a participarem da exposição Boas Práticas e Inovações em Embalagens estão a Biocycle; a Biomater; a Coca-cola; a Nobelpack; a Novel; a Abividro; a Wal-Mart; a Surya; o Pão de Açúcar; e o Sistema Transvoll.

Fonte: MMA

Ibama apreende 116 jabutis em operação Corujão no Alto Juruá

Fiscais do Ibama em Cruzeiro do Sul e policiais da Companhia de Operações Especiais - COE -, aprenderam 116 jabutis, um motosserra, seis canoas, um motor de popa, 50 quilos de carnes de caça e 08 trouxas de pasta base de cocaína.

A operação denominada Corujão teve como principal objetivo coibir a comercialização e o transporte ilegal de animais silvestres. Durante seis dias, Ibama e COE, realizaram barreiras noturnas na região onde ficam localizadas as unidades de conservação federal que inclui o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista do Alto Juruá. De acordo com o chefe do Escritório Regional do Ibama em Cruzeiro do Sul, Márcio Venício, o maior êxito da operação foi o trabalho de investigação feito pelos agentes e a parceria com a comunidade. “Sem a colaboração da comunidade, que é a que mais se prejudica com a prática do ilícito, seria muito mais difícil o combate a esses criminosos,” disse.

O que mais surpreendeu a equipe foi ver filhos de caçadores passando fome, enquanto carnes de caça e jabutis estavam escondidos, esperando marreteiros atravessadores para serem comercializados. Segundo Fernando Maia, Analista Ambiental e fiscal do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) a tendência é aumentar as fiscalizações dentro das Unidades de Conservação existentes na região. “A partir de agora é tolerância zero com os infratores, já que todos estão cientes de que o crime ambiental prejudica as comunidades e provoca um consumo insustentável, ” falou. A expectativa é que as operações realizadas pelo Ibama e o ICMBio irão cada vez mais se intensificar na região.

Fonte: Ascom/Ibama/Czs

Produção limpa deve movimentar 61 bi de euros

Roberto do Nascimento

Os especialistas em vendas de créditos de carbono do ABN Amro Banco Real Maurik Jehee e Desiree Hanna estão otimistas com o futuro dos mercados voltados para a redução das emissões de gases que provocam as mudanças climáticas e apostam no crescimento de negócios que devem movimentar este ano 61 bilhões de euros, dos quais 15 bilhões por meio de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), que inclui países como Brasil, China e Índia. "Obviamente temos mais perguntas do que respostas, mas podemos resumir que a tendência é claramente para uma redução cada vez mais acentuada de emissões, de cada vez mais países e setores. A tendência de crescimento de importância dos mercados como instrumento de alcançar estas reduções também continua. Faltam regras claras, por prazos longos, para se conseguir um funcionamento perfeito desses mercados. Mas se o mercado de crédito de carbono hoje já movimenta um volume significativo 15 bilhões de euros, o futuro deve ver um múltiplo disso, numa forma ou outra."

Jehee e Hanna fazem um balanço do mercado para explicar suas expectativas e fazem as perguntas que ainda buscam respostas: "As análises para pós-2012 têm deixado certo grau de confusão no mercado. Afinal, o plano anunciado pela Comissão Européia de reduções significativas de emissões dos 27 países trará boas notícias para a demanda de reduções certificadas de emissões no futuro, sim ou não? E como os resultados das negociações globais, no âmbito da ONU/UNFCCC podem influenciar o mercado?" Eles observam que as opiniões dos analistas não têm sido unânimes. "A reunião do clima em Bali, em dezembro, fechou um compromisso histórico entre 190 países, para se chegar, até dezembro de 2009, a um acordo global sobre as reduções de emissões no período 2013-2020.

E os Estados Unidos devem finalmente assumir uma meta real. Também devem continuar pressionando para que os maiores emissores entre os países em desenvolvimento (Brasil, Índia e China, mais México e África do Sul) assumam metas também." Além disso, em fevereiro, a Europa lançou seu plano se comprometendo com metas de 20% de redução de emissões de gases-estufa, podendo ser aumentado até 30%, dependendo do resultado das negociações globais. "Ou seja, estamos convergindo claramente para um mundo de baixas emissões."
De outro lado, muito tempo deve correr ainda, até que as tendências se traduzam em sinais claramente positivos para os mercados de crédito de carbono. "Mercados precisam de certezas para operar de maneira eficiente. Compradores precisam saber quais serão as metas de reduções e como serão as regras. Por enquanto, as empresas não sabem isso e, em conseqüência, poucas têm interesse em comprar allowances ou créditos de carbono para os prazos além de 2012."

A maior demanda, informam, ainda vem do Banco Mundial, mas em volumes muito modestos. A mesma coisa se aplica para as regras de importação de MDL. A Europa ainda tem de deixar a porta aberta para os vários cenários possíveis. "Entre os dois extremos, o de ter um acordo global para um mercado unificado de carbono e nenhum acordo global, ainda existem muitas alternativas", afirmam. O que acontece, se os EUA assumirem uma meta agressiva de reduções, mas não aceitarem o MDL como forma de reduzir emissões? Essa pergunta não tem resposta ainda, mas, para eles, o fato de os EUA terem metas já representa uma grande demanda por mecanismos capazes de reduzir as emissões.

Fonte: DiárioNet

Reunião planeja criação da Fiocruz do Pantanal e Cerrado

Acontece nesta segunda-feira (10/03), em Bonito (MS), o primeiro seminário de planejamento para a implantação da Fiocruz do Pantanal e Cerrado. O evento contará com a presença do presidente da Fiocruz, Paulo Buss, que representa o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Também participarão o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, e os secretários municipal e estadual de Saúde, bem como reitores, pró-reitores e professores de universidades públicas da região Centro-Oeste.

O seminário faz parte do precesso de expansão nacional da Fiocruz, prevista no PAC da Saúde. "A nova unidade da Fiocruz vai priorizar o ensino, a pesquisa e os serviços de referência especialemente dedicados ao desenvolvimento dos sistemas de saúde da região. Saúde nas fronteiras e de populações indígenas, meio ambiente, determinantes sociais da saúde e o enfrentamento das doenças e agravos mais freqüentes na região também se destacam entre as prioridades", adianta Buss.

Fonte: Fiocruz

Pesquisadores avaliam uso de hidrogênio para células de combustível

Pesquisadores se reúnem para analisar os primeiros resultados de projetos para a produção de hidrogênio para células de combustível. Nos dias 10 e 11 de março, será realizado o primeiro workshop de 2008, no Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT), no Rio de Janeiro. O encontro é promovido pela Rede de Produção de Hidrogênio e Combustíveis do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

A Rede de Produção de Hidrogênio e Combustíveis faz parte do Programa de Ciência Tecnologia e Inovação para a Economia do Hidrogênio (ProH2), que recebe apoio da Finep. O objetivo da rede, elaborada pelo MCT, é viabilizar o desenvolvimento nacional da tecnologia de hidrogênio e de sistemas de célula a combustível. Coordenada pelo INT, através da Divisão de Catálise e Processos Químicos, a rede integra 14 instituições de pesquisa e universidades de todo o Brasil que estudam meios de produção de hidrogênio para células a combustível a partir de gás natural, etanol e outras fontes renováveis de energia como biomassas.

1º Workshop

No evento serão apresentados os resultados obtidos, até o momento, pelas instituições participantes da rede voltada à produção de hidrogênio para células a combustível. Os pesquisadores Eduardo Lombardo (Argentina) e Mireya Goldwasser (Venezuela) também apresentarão seus trabalhos.

O 1º Workshop da Rede de Hidrogênio será a oportunidade para a avaliação do progresso dos trabalhos, das dificuldades encontradas e das perspectivas para o desenvolvimento e inovação tecnológica. Durante os dois dias do encontro no auditório do INT, as instituições da rede (UFSCar, USP/São Carlos, IPEN, UFBA, UFU, UNIT, UFRN, UFRGS, UEM, Rede PEM, Rede SOFC, NUCAT, UFF, EQ/UFRJ, IPEN e INT) apresentarão seus resultados e discutirão em conjunto suas próximas ações. O evento também integra apresentações de representantes de outras duas redes do ProH2: a Rede de células a combustível do tipo PEM e Rede de células a combustível do tipo SOFC.

Fonte: INT

quinta-feira, 6 de março de 2008

Estrangeiros detêm mais de 3 milhões de hectares da Amazônia Legal

Leandro Martins

Existem 3,1 milhões de hectares de terras na Amazônia Legal nas mãos de estrangeiros. Essa área corresponde a 39 mil imóveis rurais, mas pode ser ainda maior. Isso porque no cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) só existem registros de imóveis que tiveram os documentos apresentados por seus proprietários.

As informações são do presidente do Incra, Rolf Hackbart, que falou hoje ontem em audiência pública na Comissão de Agricultura, Reforma Agrária e Meio Ambiente do Senado. Rolf Hackbart afirmou aos senadores que pode haver ainda mais terras sob o domínio de estrangeiros no país. Ele alega que as informações não são exatas por causa da precariedade dos registros de propriedades rurais na Amazônia. "Os cartórios precisam informar, mediante um livro auxiliar, sobre a aquisição de imóveis rurais por pessoas estrangeiras físicas e jurídicas, e comunicar trimestralmente ao Incra. Mas, na verdade, ninguém informa, ou poucos informam", lamentou.
De acordo com a legislação brasileira, para um estrangeiro adquirir propriedades dentro do país, basta residir no Brasil e apresentar a carteira de identidade ao escriturar a terra. No caso de empresas estrangeiras, é necessária apenas uma autorização para funcionar no país. Mas o tamanho dessas propriedades é limitado, conforme o estado e o município onde estão localizadas.

Segundo Rolf Hackbart, o crescimento do agronegócio no país multiplicou o interesse de investidores estrangeiros por terras brasileiras. Ele ressaltou que tanto ativistas ambientais bem-intencionados quanto especuladores do setor madeireiro estão investindo em terras na Amazônia, encontrando terras à venda na região até pela internet. A aquisição de terras brasileiras por estrangeiros, no entanto, não agrada aos agricultores brasileiros. O presidente do Incra informa que recebe visitas diárias de brasileiros que se queixam da especulação fundiária causada pelos investidores estrangeiros. Isso porque fazem ofertas para pagamento à vista, o que torna as terras disponíveis muito mais caras. O governo brasileiro está avaliando a imposição de restrições maiores sobre a propriedade de terras por estrangeiros no Brasil.

Fonte: Agência Brasil

INT sedia encontro da Associação dos Especialistas em Resíduos

O Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) sedia, entre os dias 24 e 28 deste mês, o Encontro Garp 2008-I, promovido pela Associação Nacional dos Especialistas em Resíduos, Contaminantes e Poluentes Orgânicos (Garp).

Durante o encontro serão discutidos temas relevantes para a melhoria da agricultura e, conseqüentemente, para a saúde população. Entre os assuntos abordados estão redes de monitoramento, regulamentação para pequenas culturas (minor crops), redução das contaminações de pesticidas em alimentos pelo manejo ecológico de pragas, representatividade do Brasil no fórum internacional de normalização de alimentos Codex Alimentarius. Ainda durante o encontro será realizado o mini-curso Risco da Exposição Humana a Pesticida na Dieta, ministrado pela professora Eloisa Dutra Caldas, da Universidade de Brasília. A coordenação do evento é realizada pela pesquisadora Irene Bapatista de Aleluia, chefe da área de Meio Ambiente do INT. Veja aqui como participar.

Fonte: INT

Crochê ecológico defende Grande Barreira de Coral

Patricia Cohen

As criaturas de forma exótica que começaram a surgir por toda a sala de aula logo passaram a se espalhar pelas cadeiras vazias, a subir pelo colo das mulheres e a ocupar os espaços de suas sacolas de compras. Quando chegarem a seu tamanho pleno, essas criaturas estranhamente ativas encontrarão um lar como parte de uma grande versão da Grande Barreira de Coral - mas em crochê. A versão crochê da barreira de coral, criada com paciência por um grupo voluntário, deve chegar a Nova York no mês que vem.

Essa versão ecológica da grande colcha de retalhos da Aids tem por objetivo atrair a atenção para o efeito da poluição e da alta da temperatura sobre a Grande Barreira, a maior das maravilhas naturais do planeta, disse Margaret Wertheim, uma das organizadoras do projeto, que visitou Manhattan na semana passada para fazer palestras, oficinas de crochê e atrair novos recrutas. Ela explicava a 40 pessoas, quase todas mulheres, reunidas em uma sala de aula da Universidade de Nova York no sábado, que "isso se transformou de um pequeno objeto deixado sobre nossa mesinha de café" em uma exposição que, até o momento, ocupa área de 270 metros quadrados e isso sem contar a pesca do dia. Wertheim, 49, jornalista científica, sua irmã gêmea Christine, que leciona no Instituto de Arte da Califórnia, conceberam a idéia de criar uma homenagem em lã à Grande Barreira de Coral australiana cerca de dois anos e meio atrás. As duas cresceram em Queensland, Austrália, onde a barreira de cerca de 340 mil quilômetros quadrados e os bilhões de organismos microscópios que ela abriga - começa. Mas a Barreira de Coral de Crochê Hiperbólico (falaremos disso à frente) é bem mais que um alerta sobre o aquecimento global. Ela marca a interseção das diversas paixões das irmãos Wertheim ¿ ciência, matemática, arte, feminismo, artesanato e ativismo social.

Por isso, o projeto atraiu ampla gama de participantes, entre os quais o Círculo de Tricô do Harlem (que levou 10 integrantes à universidade), uma aluna de um clube de ecologia e ciência de uma escola de segundo grau em Westchester (que jamais tinha feito crochê), uma geocientista e uma professora de matemática, bem como uma criadora de ovelhas australiana que cria algoritmos para calcular o comprimento do fio de que precisará antes de tosquiar seus animais e tecer a lã. Em Chicago, que recebeu a exposição alguns meses atrás, cerca de 100 mulheres contribuíram para o projeto. Notícias do recife de crochê não param de circular pelas comunidades de tricô e crochê na Internet, e foi assim que Njoya Angrum, fundadora do Círculo de Tricô do Harlem, e Barbara Van Elsen, da Guilda de Crochê da Cidade de Nova York, o descobriram. "Isso leva o crochê a cruzar novas fronteiras, usando materiais diferentes", disse Van Elsen, que estava exibindo na reunião uma gargantilha de crochê alaranjada, verde e amarela que ela mesma fez. "Explorar cores e texturas é muito libertador". Também é "a melhor maneira de conscientizar as pessoas quanto ao que vem acontecendo no mundo".

Formas hiperbólicas

Para Wertheim, uma mulher esbelta, de cabelos grisalhos curtos e ostentando um ar de grande praticidade, o projeto incorpora "a beleza e a criatividade que o pensamento científico gera", um processo que ela chama de "encantamento visual". E, de fato, as belas formas onduladas e complexas dos inúmeros seres que vivem no coral são conhecidas como estruturas geométricas hiperbólicas: formas que os matemáticos até recentemente acreditavam existir apenas na imaginação humana. "Pelo amor de Deus, desista", disse Wolfgang Bolyai a seu filho Jonas, um matemático do século 19 que estava tentando desenvolver essa espécie de geometria não-euclidiana. "Tema-a não menos do que temeria a paixão sensual, porque ela também disporá de seu tempo e o privará de sua saúde, de sua paz de espírito e da felicidade em sua vida". Na verdade, essas formas hiperbólicas são onipresentes, nas bordas das folhas, no padrão das rendas que os estilistas de Project Runway gostam de usar como acabamento em seus vestidos, nos saiotes de gaze das bailarinas e nos elásticos que as meninas usam para prender seus cabelos. Mas os matemáticos não haviam dedicado atenção a elas. Foi apenas em 1997 que Daina Taimina, uma pesquisadora de matemática da Universidade Cornell que havia aprendido crochê em sua infância, na Letônia, compreendeu que, ao acrescentar pontos continuamente de acordo com um padrão de repetição preciso, ela poderia criar modelos tridimensionais de geometria hiperbólica. Pela primeira vez, nas palavras de Wertheim, os matemáticos podiam "segurar seus teoremas nas mãos".

As irmãs Wertheim leram sobre o trabalho de Taimina alguns anos atrás, e a convidaram, em companhia do marido, também matemático, para uma palestra no Institute for Figuring, uma organização sem fins lucrativos que elas fundaram e operam de uma caixa postal em Los Angeles. Foram as estranhas formas floridas de Taimina que inspiraram as irmãs a criar o projeto da Barreira de Coral de Crochê Hiperbólico. A exposição, co-patrocinada pelo Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Nova York, estará em cartaz no Broadway Windows, East 10th Street, e no World Financial Center, de 5 de abril a 18 de maio. No auditório, Wertheim abriu uma bolsa e começou a exibir peças de tricô de diversas cores e formatos. Mais tarde, os membros do grupo foram a um grande estúdio de joalheira da universidade, e se acomodaram a uma das seis grandes mesas de trabalho, para começar o crochê. "No começo, eu estava curiosa sobre como faríamos aquelas formas, mas depois a mensagem é que atraiu mais minha atenção", disse Tina Bliss, designer gráfica que vive em Staten Island. Wertheim enfatiza que a arte e a ciência ¿ o "encantamento conceitual" - estão abertos a todos. Aniqua Wilkerson, uma das tricoteiras do Harlem, aprendeu sozinha a fazer tricô, e descobriu que uma das coisas que fazia de errado ao aprender crochê é na verdade a base da criação de formas hiperbólicas. "Uau", ela comentou. "Isso era o que eu vinha fazendo desde o começo".

Fonte: The New York Times

OCDE: 1% do PIB mundial controlará mudança climática

Adotar um conjunto de medidas que tornariam possível controlar a mudança climática e as conseqüências ambientais que dela derivam custaria pouco mais de 1% do PIB mundial até 2030, período no qual o crescimento econômico global seria de 97%. Esta foi a principal mensagem do relatório anual de perspectivas ambientais publicado hoje pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ressaltou que há como arcar com este custo.

A entidade insistiu na necessidade de atuar de forma urgente e organizada entre todos os países. O citado custo de pouco mais de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial entre 2005 e 2030 de todas as medidas para frear as emissões de gases do efeito estufa significaria que o crescimento global seria reduzido em 0,03 ponto ao ano. Durante todo esse período, a progressão econômica ficaria em 97%, em vez dos 99% se não fosse aplicado o arsenal de medidas previstas pela OCDE.

Entre as propostas da organização estão impostos ecológicos, a tarifação da água, trocas de permissões de emissão, penalização das pessoas que poluem, cânones sobre os resíduos gerados, eliminação de subvenções a combustíveis fósseis ou normas mais rígidas sobre eficiência energética em casa e transporte. Esse dispositivo permitiria conter a progressão das emissões de gases do efeito estufa em 12% até 2030, em vez dos 37% à revelia de medidas (que subiria a 52% em 2050). Caso estas medidas não sejam adotadas, o chamado "Clube dos países desenvolvidos" adverte de que o mundo terá que enfrentar uma série de conseqüências muito mais graves, como um aquecimento da temperatura global de entre 1,7 a 2,4 graus em meados de século em relação ao nível da era pré-industrial.

Isso seria uma redução "considerável" da biodiversidade, um agravamento da escassez de água sofrido por 3,9 bilhões de pessoas (um bilhão a mais que agora), um aumento da poluição atmosférica com uma alta da mortalidade. Os autores do relatório advertem de que quando mais tarde as medidas forem aplicadas, as altas dos custos poderiam ser consideráveis.

Fonte: EFE

Petroleiras jogam 150 bi de metros de gás no ar

Roberto do Nascimento

Empresas como Petrobrás, Shell, Chevron, BP, Conoco e Exxon Mobil desenvolve como principais ações econômicas e socioambientais a eficiência energética e a redução de flaring (queima do gás resultante da extração de petróleo). Mas vem dos campos de petróleo do Vietnã um dos maiores projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) já reconhecidos pelo conselho consultivo da Organização das Nações Unidas, que prevê a emissão de uma só vez de 4,5 milhões de créditos de carbono (cada crédito equivale a uma tonelada não emitida de dióxido de carbono ou seu equivalente em outros gases que causam o efeito estufa).

O projeto de recuperação do campo de petróleo Rang Dong, no Vietnã, é o maior em reduções certificadas de emissões (RCE) até agora. O gás¸ que seria queimado nos flares ou jogado na atmosfera, será transportado por gasodutos e compressores para produção de energia.
De acordo com a parceria GGFR, iniciativa público/privada estabelecida pelo Banco Mundial, mais de 150 bilhões de metros cúbicos de gás natural estão sendo queimados e expelidos na atmosfera anualmente (número equivalente a 25% do consumo dos Estados Unidos, 30% do consumo da União Européia ou 75% das exportações russas). São, assim, mais de 350 milhões de toneladas/CO2 na atmosfera todos os anos, segundo informe distribuído pelo ABN Amro Bank.
O projeto Rang Dong é o primeiro de três registrados no MDL. A queima de gases associados ao petróleo é um promissor método de geração de energia em países como Nigéria, Rússia, Irã e Brasil. Na Rússia, por exemplo, há projetos que buscam utilizar o gás em eletricidade, em vez de queimá-lo.

No Brasil, a Petrobrás está investindo US$ 100 milhões para reduzir a queima do gás, aumentando seu aproveitamento em 800 mil metros cúbicos por dia. A expectativa da estatal é elevar o uso para 92% até 2010, ante os atuais 89%. De acordo com a assessoria da petroleira, "a queima de gás nas plataformas da Petrobrás não é desperdício, mas parte do processo produtivo de óleo e gás natural".

Fonte: DiárioNet

Fiocruz vai monitorar construção de complexo petroquímico em Itaboraí

Os impactos que a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), pode acarretar ao meio ambiente e à saúde da população local (e regional) e como as tecnologias aplicadas na implantação e no desenvolvimento desse complexo contribuirão para um ambiente saudável são os objetivos do projeto Cidades Saudáveis: Saúde e Desenvolvimento Urbano na Área de Implantação do Complexo Petroquímico de Itaboraí. O projeto é desenvolvido por pesquisadores de dois setores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz: o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e o Departamento de Endemias (Densp). O Comperj será construído numa área de 45 milhões de metros quadrados no município de Itaboraí, com investimentos em torno de US$ 8,38 bilhões.

Com o objetivo de promover intervenções sobre os problemas identificados como críticos para a relação saúde-ambiente e desenvolvimento urbano nas grandes cidades, as vice-presidências de Serviços de Referência e Ambiente e de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Fundação lançaram o edital Cidades saudáveis – Saúde, ambiente e desenvolvimento, e a Ensp apresentou uma carta de intenção. “A idéia do projeto surgiu do cruzamento de uma oportunidade pelo edital de cidades saudáveis da Fiocruz com o conhecimento de uma situação trazida por uma ex-aluna de graduação da UFF, que trabalha hoje na Secretaria de Planejamento de Itaboraí. Conversamos sobre as mudanças que ocorrerão no município e tivemos a idéia de trabalhar nelas pelo edital”, lembra Jorge Castro, do NIT.

O que converte a cidade em "saudável" é a decisão e a vontade política de direcionar todas as políticas sociais, entre elas as políticas de saúde, para uma meta: saúde como qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o objetivo central das cidades saudáveis é melhorar a saúde de seus habitantes, e especificamente a da população de baixa renda, por meio de melhorias nas condições habitacionais e de serviços de saúde, aumentando a consciência a respeito dos assuntos relacionados à saúde dentro dos efeitos do desenvolvimento urbano. Baseada nisso, a Opas lançou um programa de municípios e cidades saudáveis.


No entanto, de acordo com a pesquisadora do Densp e coordenadora da pesquisa Rosely Magalhães, o projeto não incorpora à definição de cidade saudável na sua totalidade, pois acredita não ser necessário padronizar comportamentos. “A concepção do projeto está mais ligada à linha canadense, no sentido de pensar estilos de vida saudáveis dentro das cidades. Aqui, a gente pensa no processo coletivo. Pensamos em quais processos podem produzir situações de saúde saudáveis”. O Comperj entrará em produção a partir de 2012. A Petrobras, a Secretaria de Estado do Ambiente e o Ibama montaram um estudo de impacto ambiental que, na opinião dos pesquisadores, precisa ser mais aprofundado com relação à saúde e ao desenvolvimento urbano. Dessa forma, Rosely e Jorge vêem no projeto a possibilidade de antecipar alguns dos impactos que uma intervenção desse tamanho vai trazer para a saúde da população. “Um empreendimento vira um pólo atrativo, com uma nova forma de se organizar dentro do espaço, que vai trazer transformações ambientais importantes, inclusive na saúde da população”, observou Jorge.


O projeto Cidades Saudáveis: Saúde e Desenvolvimento Urbano na Área de Implantação do Complexo Petroquímico de Itaboraí pretende ter como produto final a montagem de um observatório sobre a situação de saúde. No entanto, para implantá-lo, uma série de atividades como a análise de determinantes do processo saúde-doença e sua relação com a questão saúde-desenvolvimento serão examinados. O trabalho terá um componente voltado para a avaliação de programas de saúde implementados na região e um outro mais voltado para questão de inovação e das tecnologias empregadas. O projeto envolve toda a montagem do observatório. Os recursos previstos são para repensar o processo de organização e análise da situação de saúde, além da inovação tecnológica como parte do processo de pesquisa. “Pensar na saúde e desenvolvimento incorporando a sociedade civil, produzindo informações e disponibilizá-las, como se estivéssemos potencializando um controle público sobre os processos que estão ocorrendo na região de Itaboraí, são os nossos objetivos”. O projeto trabalhará com dados secundários e a intenção é montar uma rede entre os municípios, reunindo sociedade civil e poder público. “Queremos analisar as informações e disponibilizá-las para que os atores dentro de uma determinada rede possam propor soluções para amenizar os problemas e impactos trazidos”, completa a pesquisadora.

Outro aspecto avaliado está relacionado às tecnologias utilizadas na implantação e desenvolvimento do Comperj e como essas tecnologias contribuirão para esse estado de ambiente saudável. Nesse ponto, segundo Jorge, entrará a questão da inovação, uma questão de grande atualidade para a Fiocruz e outras instituições de pesquisa a partir dos incentivos criados pela Lei da Inovação. “Todos os atores envolvidos nessa ação vão lançar mão de tecnologias, dessa forma, teremos a possibilidade de avaliá-las”.
Foram seis projetos selecionados, num total de 22 propostas apresentadas para o edital da Fiocruz. Todos têm dois anos de duração.

O pólo petroquímico

Por sua dimensão, o Comperj transformará o perfil socioeconômico da região de influência do empreendimento – que inclui os municípios de Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirim, Itaboraí, Magé, Maricá, Niterói, Nova Friburgo, Rio Bonito, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Saquarema, Silva Jardim, Tanguá e Teresópolis – e consolidará o Rio de Janeiro como grande concentrador de oportunidades de negócios no setor de petroquímicos. Sua produção estimulará a instalação, em municípios da área de influência do empreendimento, de indústrias de bens de consumo que têm nos produtos petroquímicos suas matérias-primas básicas. A produção de resinas termoplásticas e combustíveis consolidará o Rio de Janeiro como grande concentrador de oportunidades de negócios no setor, estimulará a instalação de indústrias de bens de consumo que têm nos produtos petroquímicos suas matérias-primas básicas e vai gerar cerca de 212 mil empregos diretos, indiretos e efeito renda, em âmbito nacional. Com início de operação previsto para 2012, o Comperj terá como principal objetivo aumentar a produção nacional de produtos petroquímicos, com o processamento de cerca de 150 mil barris/dia de óleo pesado nacional.

Fonte: Fiocruz

Ibama/AM apreende jangada com madeira ilegal

Marcelo Dutra

Equipe de agentes de fiscalização do Ibama apreendeu na noite de segunda-feira (3) duas jangadas com aproximadamente 500 metros cúbicos de madeira retirada da Reserva Biológica do Abufari, no rio Purus, estado do Amazonas.

Uma das jangadas, com 250 metros cúbicos, estava com amarrações precárias e não suportaria ser transportada, por isso foi depositada no município de Beruri, tendo como fiel depositário a secretaria municipal de ação social. A outra jangada, com mais 250 metros cúbicos foi rebocada até Manaus pela embarcação apreendida, encontrada pelos fiscais conduzindo o produto ilegal. A jangada está estacionada no Catalão, localizado no encontro das águas dos rios Negro com o Solimões, em frente ao porto da Ceasa, podendo ser acessado por voadeiras.

O agente de fiscalização Ruy César Guerreiro (8117-9721) está acompanhou a madeira e pode prestar mais esclarecimento.

Fonte: Ibama/AM

Rio de Janeiro ganha centro de regeneração de CFC

Suelene Gusmão

O primeiro centro de regeneração de gases refrigerantes do Rio de Janeiro será inaugurado no dia 14 de março. A iniciativa é do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A proposta de criação dos centros é proceder a regeneração do CFC (gás de geladeira) impedindo que ele seja liberado no meio ambiente e prejudique a camada de ozônio. Outros dois centros semelhantes já existem no estado de São Paulo, sendo o primeiro deles criado em 2006. A solenidade de inauguração ocorrerá a partir das 9h no Salão Sartre do Hotel Glória, no Rio de Janeiro, e o corte da fita inaugural será realizado na Refrigeração Sudeste, onde está localizado o centro.

A criação destas centrais de regeneração do CFC integra o Plano Nacional para Eliminação de CFCs, previsto no Protocolo de Montreal, do qual o Brasil é signatário, e que tem entre suas metas a eliminação, até 2010, de substâncias prejudiciais à camada de ozônio. Entre as substâncias consideradas nocivas à camada de ozônio estão, além do CFC, o tetracloreto de carbono (indústria química), o brometo de metila (agricultura). Em sua primeira etapa, o plano realizou o treinamento e a capacitação de refrigeristas que aprenderam o correto manuseio do gás CFC. Em uma segunda fase, foram distribuídas máquinas para o recolhimento do CFC e desde 2006 vêm sendo inauguradas as centrais de regeneração. Os primeiros equipamentos para recolhimento de CFCs foram distribuídos em São Paulo, em julho de 2005. Com elas, as empresas de refrigeração ficaram aptas a coletar, armazenar e entregar os gases para regeneração, impedindo os vazamentos.

Os equipamentos doados pelo programa foram adquiridos com recursos do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal e entregues em regime de comodato. Os CFCs são formados por cloro, flúor e carbono e sempre foram utilizados para efeito de refrigeração até o ano de 1999, quando seu uso e fabricação foram proibidos no Brasil por, comprovadamente, contribuírem para a redução da espessura da camada de ozônio. Segundo especialistas, a camada funciona como um filtro contra a radiação ultravioleta, sendo fundamental para a proteção à saúde dos seres vivos. A exposição direta à radiação ultravioleta pode provocar envelhecimento precoce e câncer de pele.

Fonte: MMA

quarta-feira, 5 de março de 2008

Casos de dengue reforçam cuidados para manejo de inseticidas

Fabiola Leoni

Até 29 de fevereiro foram registrados mais de 10 mil casos de dengue na cidade do Rio de Janeiro. Em todo o estado são mais de 13 mil registros, sendo 150 do tipo hemorrágico. Para prevenir a proliferação do mosquito, o uso de inseticidas torna-se um hábito cada vez mais freqüente nos domicílios. Mas, é preciso ter atenção para o manejo com este produto, que apresenta um grande número de acidentes por intoxicação.

O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fiocruz divulgou a ocorrência de 2.590 casos de intoxicação por agrotóxico de uso doméstico (inseticidas, fungicidas, herbicidas) em 2005. O alvo mais recorrente ainda são crianças até 5 anos. A curiosidade natural da idade pode levar meninos e meninas a alcançarem sprays aerossol ou mesmo pastilhas de mata-mosquitos, quando armazenados em local impróprio. No Rio de Janeiro ocorreram quase 10% dos casos de intoxicação, em um total de 205 acidentes. O estado registrou dois óbitos dessas ocorrências e o resto do país teve mais três no período. esses casos, 133 pertencem à chamada intoxicação acidental. Problemas de manejo, ou de quantidade adequada da utilização do produto, e onde se guarda o produto, para manter-se longe do alcance de crianças, são grandes causadores dos acidentes com esse tipo de substância. Bebês menores de 1 ano foram acidentados em 14 registros, dos 205 no Rio, e meninos e meninas entre 1 e 4 anos chegaram ao número de 79 intoxicações, no mesmo ano.

A coordenadora do Sinitox, Rosany Bochner, atenta para um caso específico de manejo do produto muito comum atualmente. “As pessoas acham que os inseticidas que não têm cheiro não fazem mal nenhum. Mas, o que não se sabe é que o princípio ativo é o mesmo. A questão é que o solvente dos sem cheiro é a base de água, e não de querosene. Dessa forma, as pessoas colocam mais produto e isso pode causar intoxicação”, observa a coordenadora. Para a coordenadora, a eliminação dos focos de proliferação do mosquito ainda é a grande arma para a prevenção da dengue, o que diminui o uso de agrotóxicos de uso doméstico. Os meios de prevenção e as formas de combate da doença estão em constante divulgação na mídia, a fim de controlar o número de infectados pelo agente transmissor, o Aedes aegypti. Segundo o Ministério da Saúde, em todo o Brasil, apenas o Estado do Rio não consegue deter o avanço da dengue. Na capital, 26 bairros enfrentam um surto da doença.

No Rio de Janeiro existem dois centros de informação e assistência toxicológica (Ciat). Pode-se entrar em contato com Centro de Controle de Intoxicações de Niterói, na UFF, pelos telefones 2717-0148 (ramal 4), 2717-0521, 2717-9783, 2629-9255 e 2629-9021. Já o telefone do Ciat da UFRJ é 2573-3244. Além disso, pessoas de qualquer lugar do Brasil também podem ligar para 0800-722-6001.

Fonte: Fiocruz

Operação “Guardião Paulista”: Fiscais autuam lojas que venderam madeira irregular

Fiscais do Ibama foram ontem a região do gasômetro, centro de São Paulo, e autuaram empresas que comercializam madeiras. As empresas Ferragens e Floresta Ltda e a Jamal Madeiras Ltda, foram multadas em R$ 175 mil por comercializarem cerca de 1700 metros cúbicos de madeira sem autorização legal. Essa madeira seria suficiente para encher 85 carretas.

A operação, batizada de “Guardião Paulista”, é um desdobramento das ações de combate ao desmatamento da Amazônia previstas para este ano. O Plano de Prevenção e combate ao Desmatamento da Amazônia prevê para as regiões sudeste e sul do País, ações que visem a interrupção do fluxo de madeira ilegal, combate ao comércio irregular e orientações para o consumidor final.

Fonte: Ibama

Regra garante embargo em áreas desmatadas e co-responsabiliza cadeia produtiva

Gisele Teixeira

Instrução Normativa do Ministério do Meio Ambiente, a ser publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (5), irá garantir o embargo de áreas onde ocorreram desmatamentos ilegais, em especial nos 36 municípios que mais degradam a floresta amazônica. O texto regulamenta os procedimentos que serão tomados pelo Ibama e Instituto Chico Mendes (no caso de Unidades de Conservação) e também a fiscalização em empreendimentos agropecuários, para que estes não comprem produtos das áreas embargadas. "A grande novidade é a co-responsabilização da cadeia produtiva e a inviabilização econômica das áreas desmatadas", destacou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (4) no MMA.

Segundo ele, até então os embargos eram muitas vezes desrespeitados. A idéia é romper esse ciclo e inviablizar totalmente o uso econômico das áreas onde houve desmatamento ilegal. "O objetivo é mostrar que o crime ambiental na Amazônia não compensa mais", acrescentou. A instrução normativa faz parte de uma série de ações, como recadastramento dos produtores e inclusão de critérios ambientais na concessão de crédito, que estão sendo implementadas para reduzir tendência de aumento do desmatamento na Amazônia, detectada no segundo semestre de 2007.

De acordo com a instrução, nas áreas em que forem constatados problemas ambientais, a atividade econômica e o uso do local serão embargados pelo Ibama. Isto é, a área não poderá ser utilizada até sua recuperação. As áreas desmatadas ou degradadas serão georreferenciadas e as imagens disponibilizadas na internet para conhecimento público a partir da segunda quinzena de março. "Isso colocará a fiscalização em um novo patamar, com redução da impunidade na Amazônia e bloqueio da chegada de produtos oriundos de áreas desmatadas ao mercado", destacou Capobianco. Serão feitas listas e mapas por municípios, inclusive com a malha viária e hidrográfica, que conterão informações como coordenadas, termo de autuação, nome do proprietário, data da vistoria e situação da propriedade, entre outras.

As imagens e as listas deverão ser consultadas pelos empreendimentos agropecuários e florestais. O objetivo é que eles saibam com antecedência quais os produtores que não respeitam a legislação ambiental e, assim, selecionem seus fornecedores. O Ibama verificará as áreas embargadas por meio de imagens de satélite ou radar, sobrevôos com as aeronaves do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e ainda por vistorias em campo. Um primeiro sobrevôo será realizado em março e as imagens servirão de base comparativa daqui para frente nos 36 municípios selecionados, o equivalente a 800 mil quilômetros quadrados. O descumprimento do embargo, pelos produtores, poderá acarretar em cancelamento do cadastro, registro ou licença de funcionamento da atividade junto aos órgãos ambientais, fiscais e sanitários; em representação no Ministério Público por crime ambiental e em aplicação de multa.

O Ibama também fiscalizará as empresas do setor e, para tanto, poderá exigir dos empreendimentos informações como qualificação de todos os fornecedores, pessoas físicas ou jurídicas, com o código dos produtores no sistema de controle agropecuário estadual. Também poderá solicitar dados sobre os imóveis dos fornecedores; sobre o total de produtos agrícolas ou da flora fornecidos ou, no caso de pecuária, de animais adquiridos. Os empresários terão 60 dias para oferecer as informações solicitadas. Se houver confirmação de compra de matéria-prima de área embargada, as empresas sofrerão penalidades, como restrição de crédito em bancos oficiais e multas. O Ibama também poderá realizar vistoria ambiental nos empreendimentos, e poderá pedir apoio à Receita Federal e ao órgão de defesa agropecuária competente para prestar apoio no cruzamento de dados fiscais e de controle agropecuário disponíveis.

A sonegação da informação, ou o fornecimento de informação falsa ou enganosa que possa dificultar ou impedir a atividade de fiscalização ambiental, resultará em representação ao Ministério Público para apuração de responsabilidade penal. O embargo pode ser retirado mediante as seguintes situações: verificação de nulidade do embargo; aprovação de plano de recuperação de área degrada pelo órgão ambiental competente, averbação da reserva legal e apresentação de certidão de regularização ambiental emitida pelo órgão ambiental competente.

Veja também:- Íntegra da INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 001, DE 29 DE FEVEREIRO DE 2008
- Esclarecimentos sobre implementação

Fonte: MMA

terça-feira, 4 de março de 2008

Áreas de posse na Amazônia contribuem para desmatamento, conclui estudo

Áreas de posse ocupam 42 milhões de hectares na Amazônia, o equivalente à metade do estado de Mato Grosso, e são uma das responsáveis pelo desmatamento acelerado na região. É o que concluiu pesquisa divulgada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O estudo, realizado durante um ano e meio por três pesquisadores, adverte que o perigo do desmatamento em áreas ocupadas por posseiros está passando despercebido.

O problema, segundo o pesquisador Paulo Barreto, é que muitas posses já ocupavam áreas que foram posteriormente demarcadas como unidades de conservação: "A posse é uma situação em que a pessoa não comprou aquela área, mas estáusando – tira madeira, cria gado, ganha dinheiro ocupando uma terra pública e não pagou por isso. É uma espécie de privatização gratuita em uma área muito grande." Segundo a pesquisa do Imazon, apenas 4% da Amazônia Legal são constituídos por propriedades com documentação legalizada. Outros 43% são áreas protegidas, que correspondem a unidades de conservação, terras militares e terra indígena demarcada. Em 32% da Amazônia, os proprietários se dizem legais, mas as áreas não estão ainda confirmadas pelo Incra. E os 21% restantes são terras públicas fora das áreas protegidas, onde vivem ribeirinhos, indígenas com terras ainda não reconhecidas e populações tradicionais. Existem posseiros em todas essas áreas.

A solução para o problema, segundo a pesquisa, é realizar o cadastramento completo e acelerado dessas áreas para deter o desmatamento florestal.

Fonte: Agência Brasil

Ministros debatem sobre aquecimento em Bruxelas

Ministros da América Latina e da União Européia se reúnem nesta terça-feira em Bruxelas para debater os desafios criados pela mudança climática, em um encontro que busca delinear uma posição comum às vésperas da cúpula bi-regional de Lima, em maio próximo.

Organizada pela presidência eslovena da UE, a reunião abrangerá questões como "a adaptação, a mitigação, a produção e a utilização de energias renováveis, os impactos sobre la biodiversidade e as possibilidades de cooperação bi-regional" em relação à mudança climática.
Na América Latina, que em seu conjunto representa apenas 8% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, vários governos estão aplicando voluntariamente políticas dirigidas a reduzir esse tipo de emissão. O Brasil, por exemplo, centrou seus esforços na utilização de energia renováveis, no desenvolvimento de biocombustíveis e numa política antidesmatamento.
Nesse sentido, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, terá uma agenda intensa em Bruxelas, além do encontro oficial, com uma visita à Comissão Européia e uma participação em um debate no Europarlamento.

Fonte: AFP

Especialistas questionam alarmismo sobre mudança climática

Uma centena de especialistas de diferentes âmbitos expuseram no último domingo em Nova York seu ceticismo frente ao alarme gerado sobre a mudança climática, que consideram exagerada e interesseira, e defenderam que o aquecimento global não tem relação direta com a ação do homem.

Com o nome de "Aquecimento Global: crise ou farsa", o Instituto Heartland organizou de domingo até esta terça-feira uma conferência internacional na qual são questionadas desde as causas do fenômeno até seu alcance e suas conseqüências. "Milhares de cientistas, economistas e especialistas em políticas públicas acham que o aquecimento é antes de tudo natural, e não gerado pelo ser humano, e que tende a ser moderado", assegurou o presidente do Instituto Heartland, Joseph Bast, ao apresentar a conferência. O público da reunião foi limitado de antemão a 500 presentes, apesar de, segundo disse Bast, os pedidos terem "transbordado". Fred Goldberg, do Royal Institute of Technology de Estocolmo, lembrou em uma das conferências que as emissões de dióxido de carbono (CO2) geradas pelo homem só representam 1% das que há na atmosfera. Sua contribuição é "insignificante" se for levado em conta que "anualmente o planeta regenera 25%" do total dessas emissões, disse.

Além disso, Andrei Illarionov, o ex-assessor econômico do presidente russo, Vladimir Putin, argumentou que reivindicar cortes nas emissões de CO2, "inalienáveis para o conceito de civilização moderna", é "particularmente discriminatório para os países mais pobres". O diretor do Projeto de Responsabilidade de Recursos Naturais do Canadá, Tom Harris, foi além e assegurou que a limitação de emissões "provavelmente" trará desemprego em massa, inflação, cortes energéticos, redução da qualidade de vida, aumento do descontentamento social e maiores danos ambientais.

Nos discursos foram questionados também o benefício para o meio ambiente da promoção de energias renováveis e Dennis Avery, do Instituto Hudson, defendeu, por exemplo, que o desenvolvimento do biodiesel é nocivo para o meio ambiente. Avery advertiu que o preço do milho mais que duplicou em três anos devido à produção de etanol. Para este cientista, "a agricultura é a maior intrusão humana" na natureza, pois representa 70% do consumo humano de água e deslocou 41% das espécies selvagens. Para Julian Morris, catedrático da Universidade de Buckingham (Reino Unido), é preciso se perguntar se "é moralmente defensável desviar dinheiro, esforços humanos e outros recursos dos problemas reais que existem hoje em dia e de investimentos que poderiam ajudar a nossos descendentes a se adaptar ao mundo em transformação". Em sua conferência, Morris defendeu que, embora o clima esteja mudando, o que é preciso combater são "os problemas associados ao crescimento econômico", já que, segundo sua opinião, os índices de mortalidade e doenças vinculados a conseqüências climáticas estão diretamente relacionados com o grau de desenvolvimento de uma sociedade.

Durante a primeira jornada do congresso também foram vários os conferentes que ironizaram a imagem dos ursos polares como ícone das vítimas da mudança climática. Avery assegurou que em Svalbard, um arquipélago da Noruega, há rastros que demonstram que esses animais sobreviveram a grandes aquecimentos há 9 mil e 4 mil anos. Na sua opinião, o desmatamento causado pela imposição de biocombustíveis ameaça mais espécies que o aquecimento alertado pelas correntes majoritárias. Para Iain Murray, membro do Instituto da Empresa Competitiva, "embora aconteça um aquecimento global e este tenha efeitos, não seria tão importante como muitos dos problemas já existentes, pelo menos até a década de 2080". "É mais barato e mais beneficente em todos os aspectos solucionar os problemas atuais", segundo Murray, que propõe a eliminação das subvenções ao combustível e a liberalização dos mercados de eletricidade, entre outras iniciativas. "Esta é a primeira conferência internacional que questiona o alarmismo relacionado com o aquecimento global, mas não será a última, já que pretende servir de catalisador para outras iniciativas na mesma linha", assegurou o coordenador da conferência e membro do Instituto Heartland, James Taylor.

Fonte: EFE

Petrobrás cria empresa de biocombustíveis

Roberto do Nascimento

A Petrobrás decidiu dar mais um passo para consolidar sua posição de uma das maiores companhias energéticas do mundo e criou uma empresa para conduzir as atividades de biocombustíveis. A nova unidade absorverá a produção de etanol (CBios), a aquisição de insumos e processamento de biodiesel, hoje executados diretamente pela estatal, além dos investimentos futuros. O objetivo é coordenar todas as atividades da cadeia produtiva de biocombustíveis com atuação no Brasil e no exterior.

Atualmente, as atribuições ligadas aos biocombustíveis estão dispersas em diversas áreas da companhia e de subsidiárias, o que dificulta a gestão, segundo a assessoria. A comercialização e logística de etanol e biodiesel no Brasil e exterior será mantida na área de abastecimento. O plano estratégico da Petrobrás estabelece a atuação global, na comercialização e logística de biocombustíveis, liderando a produção nacional de biodiesel e ampliando a participação no negócio etanol, com previsão de investimento de US$ 1,5 bilhão até 2012. A produção vai alimentar suas usinas próprias. A estatal projeta produzir até 2010 cerca de 800 milhões de litros de biodisel.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, cerca de 100 mil agricultores já fazem parte do projeto e devem fornecer as oleaginosas necessárias à produção de 2 bilhões de litros por ano por 42 usinas já em operação. A Petrobrás assinou contrato com sete cooperativas de agricultores familiares da Bahia para compra de grãos de mamona, girassol e óleo de dendê, que serão utilizados para produção de biodiesel nas usinas que começam agora em 2008 em Candeias (BA), Quixadá (CE) e Montes Claros (MG). Cada usina tem capacidade para 57 milhões de litros por ano, totalizando cerca de 170 milhões de litros. O investimento inicial é de R$ 227 milhões.

Fonte: DiárioNet

Bancos começam a testar resolução do CMN em maio

Gisele Teixeira

Bancos públicos e privados poderão testar de forma facultativa, a partir de 1º de maio de 2008, a implementação da resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que determina a inclusão de critérios ambientais para contratação de crédito da safra 2008/2009 no bioma Amazônia. O objetivo é iniciar as operações em parceria com os órgãos estaduais de meio ambiente com tempo para fazer eventuais ajustes na operacionalização até o início da liberação dos financiamentos da próxima safra, que inicia em julho. E, com isso, não atrasar a liberação do dinheiro.

O funcionamento das regras foi explicado nesta segunda-feira (3), em entrevista coletiva, pelo diretor de Articulação de Ações para a Amazônia no MMA, André Lima, pelo secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, e pelo coordenador-geral de Financiamento à Produção Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), João Luiz Guadagnin. A estimativa da Fazenda é que a resolução envolva mais de R$ 2,6 bilhões em créditos, em mais de 500 municípios. As medidas valem para todos os estado do bioma Amazônia (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima) e para algumas cidades da Amazônia Legal localizadas no Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

De acordo com a resolução, médios e grandes produtores do bioma precisarão apresentar, a partir da próxima safra, uma série de documentos para conseguir a liberação do crédito rural. Entre eles o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) vigente e certificado, certidão ou licença ambiental vigente do imóvel onde será implantado o projeto a ser financiado e declaração de que inexistem embargos vigentes de uso econômico de áreas desmatadas ilegalmente no imóvel.

Agricultores enquadrados no Pronaf e ainda outros produtores que não estão no Pronaf, mas que possuem área máxima de quatro módulos rurais - entre 50 e 80 hectares por módulo na região amazônica - seguem outras regras. Precisam apresentar, por exemplo, declaração individual atestando a existência física de reserva legal e área de preservação permanente. Foram excluídos das medidas somente os produtores muito pequenos (grupo B do Pronaf), com renda familiar anual de R$ 4 mil

No caso de assentamentos rurais, Bittencourt explicou que a análise não se dará por produtos e sim por assentamento, sendo que o Incra, órgãos estaduais e Ibama deverão avalizar se o mesmo está cumprindo com as regras ambientais. "Isso acontece porque, nesse caso, a propriedade não está no nome do produtor e não existe um cadastro do imóvel rural. Além disso, muitas vezes esses assentamentos possuem áreas de reserva ambiental coletivas e não individuais e isso precisa ser levado em conta", destacou.
A concessão de crédito mediante critérios ambientais também faz parte de um conjunto de ações para pôr em prática o Decreto nº 6.231, de 21 de dezembro de 2007, que estabeleceu medidas para prevenir, monitorar e controlar o desmatamento no bioma Amazônia.

Fonte: MMA

Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente valida inscrições

Luana Furtado

A banca avaliadora da quarta edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente analisou todo o material recebido. Ao todo, foram 440 trabalhos aceitos e 679 professores cadastrados no site. Segundo a coordenadora da Olimpíada, Cristina Araripe, a modalidade mais procurada foi Projeto de Ciências, com 200 trabalhos validados. Em segundo lugar ficou Arte e Ciência, com 126 inscrições, seguido por Produção de Texto, com 114. A coordenadora disse que temas sobre reciclagem, higiene bucal, dengue e preservação da natureza foram os mais abordados nesta edição. “Recebemos trabalhos com assuntos bem diversificados, mas estes quatro tópicos apresentaram maior incidência”, explicou Cristina.

A próxima etapa da competição será a avaliação por região, que ocorrerá de 17 a 31 de março, nas sedes das unidades da Fiocruz que participam da Olimpíada. Nessa fase os trabalhos de todo o país serão julgados por comissões regionais. Os trabalhos vencedores das duas categorias (Ensinos Médio e Fundamental) e das três modalidades (Arte e Ciência, Produção de Texto e Projeto de Ciências), de cada estado, participarão da etapa nacional. O professor responsável e o aluno representante do trabalho classificado em primeiro lugar, na fase regional, serão premiados com medalhas e placas e com uma viagem de três dias à cidade do Rio de Janeiro, para conhecer o campus da Fiocruz e participar da cerimônia de premiação nacional.

No evento será anunciado o resultado do julgamento da etapa nacional. A escola que desenvolveu o projeto premiado ganhará um diploma. A competição é promovida pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) e pela Fiocruz, em parceria com uma rede nacional de instituições das áreas de educação, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia.

Fonte: Fiocruz

Arco de Fogo destrói 107 fornos em Tailândia, Pará

Fiscais do Ibama, policiais federais e da Força Nacional destruíram ontem 107 fornos de produção de carvão vegetal na zona rural de Tailândia, Pará. Os fornos não tinham licença ambiental e queimavam árvores extraídas de desmatamento ilegal. A ação faz parte da Operação Arco de Fogo deflagrada para fechar o cerco à atividade madeireira ilegal na Amazônia.

A presença das instituições federais paralisou as atividades ilegais de extração e transporte de madeira ilegal na região. A balsa que faz a travessia entre os municípios de Tailândia e Moju teve uma redução de 90% no fluxo de caminhões. Diariamente os helicópteros do Ibama e da Polícia Federal realizam sobrevôos de reconhecimento sobre o município e áreas vizinhas. Ontem foram identificados mais 280 fornos e 04 pontos de desmatamento recente. Também foram observadas 05 esplanadas de madeiras com um total de 600 toras no meio da mata. As incursões terrestres constatam as irregularidades e autuam os responsáveis.

A Polícia Federal continua os trabalhos de apuração dos crimes ambientais. O transporte de madeira também está sendo monitorado. Uma equipe do helicóptero abordou dois caminhões que transportava cada um 110 metros de carvão vegetal sem documentação. A carga e os veículos foram apreendidos. A multa aplicada é de R$ 200 reais por metro de carvão apreendido.
Os trabalhos da Arco de Fogo prosseguem também nas inspeções às madeireiras. Das cinco serrarias vistoriadas, quatro foram fechadas e as máquinas lacradas por terem em depósito e vender madeira irregular. As multas ultrapassam R$ 1,79 milhão. Em uma madeireira foram encontrados 1,7 mil metros cúbicos de maçaranduba, madeira usada na construção civil, sem origem legal.

Segundo o coordenador da equipe do Ibama, Bruno Versiani, “a medição da madeira nos pátios das serrarias está sendo feita de forma criteriosa e a grande diferença entre o saldo da empresa e a quantidade de madeira encontrada no pátio caracteriza a ilegalidade”.

Fonte: Ibama

Árvores que ameaçam florestas

Para uma floresta em perigo, nada como o nascimento de novas árvores. Pelo menos é isso o que o senso comum permite imaginar, mas a realidade não é bem essa. À lista de ameaças às florestas tropicais pode-se acrescentar uma nova: árvores. Segundo um estudo feito por pesquisadores dos Estados Unidos, árvores não nativas ao ingressar em florestas tropicais provocam alterações na estrutura biológica básica encontrada nos locais. Ou seja, elas fazem com que a floresta se torne menos hospitaleira à miríade de plantas e espécies de animais que dela dependem.

O estudo será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). O grupo, liderado por Gregory Asner, do Departamento de Ecologia Global do Instituto Carnegie, usou uma tecnologia inovadora para sensoriamento remoto. Por meio do Observatório Aéreo Carnegie, instalado em uma aeronave, os pesquisadores desenharam mapas tridimensionais para avaliar o impacto de espécies invasoras em uma área de mais de 220 mil hectares de floresta no Havaí. “Espécies invasoras de árvores freqüentemente apresentam propriedades bioquímicas, fisiológicas e estruturais diferentes das espécies nativas. Nós combinamos essas ‘impressões digitais’ com imagens tridimensionais para ver como essas árvores estão alterando a floresta”, disse Asner.

No Havaí, estima-se que metade de todos os organismos não seja nativa e que cerca de 120 espécies de plantas podem ser consideradas como altamente invasivas. Áreas de vegetação original em floresta tropical no arquipélago são geralmente dominadas pela ohia (Metrosideros polymorpha), mas essa espécie que cresce muito lentamente está perdendo terreno para outras mais novas no local, como a Morella faya, originária das Ilhas Canárias. De acordo com os pesquisadores, árvores introduzidas também podem abrir caminho para mais invasores a partir da alteração da fertilidade do solo. A Falcataria moluccana, por exemplo, considerada uma das espécies mais invasoras, fixa nitrogênio da atmosfera, concentrando-o no solo, o que estimula a velocidade de crescimento de outra espécie invasiva e menor, a Psidium cattleianum. A P. cattleianum, por sua vez, forma uma densa cobertura que evita que a maior parte da luz solar atinja o solo e promova o crescimento de plantas nativas jovens.

Os pesquisadores ressaltam que as análises foram feitas em reservas protegidas pelo governo. Ou seja, o cenário pode ser ainda pior. “Essas espécias conseguem se espalhar por áreas protegidas e sem a ajuda de alterações promovidas pelas atividades humanas. Isso sugere que as abordagens tradicionais de conservação não são suficientes para a sobrevivência a longo prazo das florestas”, disse Asner. O artigo Invasive plants transform the three-dimensional structure of rain forests, de Gregory Asner e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.

Fonte: Agência Fapesp

Britânicos criam carro esporte que não emite poluentes

Jonathan Fildes

Um carro esporte que chega à velocidade de quase 150 km por hora e não emite dióxido de carbono será apresentado na Feira de Automóveis de Genebra, na Suíça, entre 6 e 16 de março.
O Lifecar, movido a hidrogênio, produz muito pouco barulho e apenas vapor d’água de seu exaustor.

O automóvel, desenvolvido por um consórcio de empresas e universidades britânicas, usa células de combustível avançadas e um sistema de armazenamento de energia que dá ao carro autonomia de 400 km por tanque de hidrogênio. Os fabricantes afirmam que o carro deve ter capacidade de aceleração de 0 a 96 km/h em apenas sete segundos, mas a aceleração precisa só será conhecida quando o carro fizer seu primeiro test drive, marcado para depois da feira.

Força inteligente

O projeto de 1,9 milhão de libras esterlinas (quase R$ 6,4 mi), parcialmente financiado pelo governo britânico, levou quase três anos para ser concluído. “O conceito básico era construir um carro esporte para lazer e divertimento, que funcionasse como uma vitrine da tecnologia e tivesse capacidade de correr 240 km por galão”, disse à BBC Matthew Parkin, da fabricante de carros esportes clássicos Morgan - cujo modelo Morgan Aero-8 inspirou o design do Lifecar.
As células do Lifecar produzem cerca de 22 kilowatts – aproximadamente um quinto da força de um típico motor de combustão.

Quando o carro precisa acelerar ou subir uma montanha ele puxa força extra de um banco de ultra-capacitadores alinhados no centro do carro. O carro é movido por uma série de células leves de combustível de hidrogênio desenvolvidas pela empresa britânica Qinetiq. “Eles são como uma bateria, mas não estocam tanta energia e permitem que esta energia seja liberada muito mais rápido”, explica Ian Whiting, da Qinetiq. Eles são carregados por um sistema de frenagem regenerativa que diminui a velocidade do carro convertendo a energia cinética em energia elétrica. “Os carros híbridos já usam esse sistema de frenagem regenerativa – normalmente ele devolve cerca de 10% da energia”, disse Parkin. “O objetivo do Lifecar é obter um retorno de 50%.”

Silencioso

Para ser eficiente e ter bom desempenho, o carro precisa ser leve, como explica Parkin, e como resultado, o automóvel tem chassi de alumínio e um interior leve, de madeira, inclusive os assentos. O carro também não tem nenhum “luxo”, como sistema de som, tranca central ou mesmo airbags. “O objetivo era manter o peso em, no máximo, 700 kg.” O carro também não tem caixa de câmbio ou o ronco de um motor, já que as células de combustível produzem pouco barulho.

Apesar das baixas emissões de gases poluentes, os críticos de carros movidos a hidrogênio afirmam que eles usam grande quantidade de eletricidade, produzida atualmente em usinas que queimam combustíveis fósseis e, portanto, não beneficiam o meio ambiente. Além disso, há pouca infraestrutura para recarregar os veículos. Por enquanto, o Lifecar é um conceito, mas a Morgan não descarta a produção do automóvel para o mercado no futuro, caso ele tenha boa aceitação do público.

Fonte: BBC Brasil

Solventes verdes


Estudo de brasileiros contribui para a compreensão do comportamento dos líquidos iônicos – uma alternativa de baixo impacto ambiental aos solventes. Trabalho é capa da European Journal of Organic Chemistry

Fábio de Castro

Uma nova pesquisa acaba de aumentar a compreensão do comportamento dos líquidos iônicos – uma alternativa de baixo impacto ambiental aos solventes convencionais utilizados em processos químicos industriais. O trabalho é capa da edição de março da revista European Journal of Organic Chemistry.

De acordo com o autor principal do estudo, Omar El Seoud, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), o uso de líquidos iônicos como solvente tem gerado crescente número de publicações e patentes desde o início da década, graças ao potencial para aplicações dentro do conceito de “química verde”, um conjunto de diretrizes voltado à redução do impacto ambiental dos processos químicos. O trabalho foi feito em co-autoria com Michelle Lima e Clarissa Martins, do Instituto de Química da USP, e Erick Bastos, da Fundação Universidade Federal do ABC – os dois últimos foram bolsistas da FAPESP. “Os solventes têm papel central na maioria dos processos químicos. Os líquidos iônicos têm maior estabilidade química e térmica, o que permite a reciclagem do solvente no processo. Eles já são bastante utilizados, mas queremos compreender melhor seu funcionamento para aperfeiçoar suas aplicações”, disse El Seoud à Agência FAPESP

Segundo o professor, as publicações na área de líquidos iônicos começaram a aumentar em 2000, chegando a mais de cem. Em 2002, somaram cerca de 600. Em 2004, passaram de mil e, em 2006, de 1,6 mil artigos publicados no ano em revistas internacionais. As patentes também dispararam no mesmo período. “Há possibilidades de aplicações economicamente importantes e, por isso, o interesse é tão grande na área, o que explica também que um trabalho original sobre o tema tenha chamado a atenção do editor de uma das revistas mais conceituadas da área”, destacou. Uma das potenciais aplicações dos líquidos iônicos no campo de polímeros naturais é a dissolução de celuloses extraídas de fontes diversas - inclusive o bagaço de cana-de-açúcar - para a produção posterior de derivados, o que pode dar ao resíduo uma destinação nobre. "O objetivo é produzir produtos específicos como membranas de hemo-diálise", disse. Cor e temperatura
De acordo com El Seoud, o estudo indica que, quanto menos lipofílico é um líquido iônico, mais eficiente é seu desempenho em determinadas aplicações, como por exemplo na dissolução da celulose. A lipofilicidade é a capacidade de um composto químico de se dissolver em gorduras, óleos e lipídios. “O que queríamos compreender era o papel dos líquidos iônicos nos processos químicos – isto é, seu mecanismo de solvatação”, disse.

Para entender o mecanismo de solvatação, os cientistas fizeram estudos de solvatocromismo. “Um pequeno grupo de substâncias tem a característica de mudar de cor conforme ocorre sua interação com o solvente. Utilizamos essa propriedade para entender a solvatação”, explicou.
Como muitos processos são realizados em temperaturas elevadas, é necessário entender como a temperatura afeta o sistema, em particular a solvatação dos reagentes e as interações substância-solvente. “Essa informação é obtida pelo estudo de termossolvatocromismo: o efeito da temperatura sobre solvatocromismo”, disse El Seoud. A conclusão do estudo, segundo o professor, pode ajudar a compreender como o líquido iônico funciona como solvente e, no futuro, ter uma base teórica para prever quais líquidos iônicos são adequados para cada aplicação.
“A contribuição é importante para compreender o papel dos líquidos iônicos e criar condições para usá-los de maneira racional, uma vez que eles são mais caros do que os solventes convencionais. As pesquisas sempre andam simultaneamente em duas direções: utilizamos o que está funcionando empiricamente e procuramos compreender os processos para prever de antemão como melhorá-los”, afirmou.

O professor lidera o Grupo de Tensoativos e Polímeros do Instituto de Química da USP, que trabalha há alguns anos com os líquidos iônicos. Os estudos resultaram também em outro artigo sobre o uso desses solventes na química de carboidratos publicado na revista Biomacromolecules, em outubro de 2007. O artigo Thermo-solvatochromism of merocyanine polarity probes – What are the consequences of increasing probe lipophilicity through annelation?, de Omar El Seoud e outros, pode ser lido por assinantes da European Journal of Organic Chemistry (edição 7/2008, março) em www3.interscience.wiley.com/journal/27380/home. O artigo Applications of ionic liquids in carbohydrate chemistry: a window of opportunities, de Omar El Seoud e outros, pode ser lido em pubs.acs.org/journals/bomaf6.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 3 de março de 2008

Novas estufas possibilitam aumento de produção em biofábrica no Recife

Fabiana Galvão

Duas novas estufas para aclimatização de mudas de cana-de-açúcar começam a ser construídas, na segunda quinzena de março, pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/MCT). As unidades serão instaladas nos municípios de Vicência, na Zona da Mata Norte, e Ribeirão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Com as novas estufas será possível aumentar a capacidade atual de aclimatização (adaptação para o campo) das mudas reproduzidas in vitro pela Biofábrica Governador Miguel Arraes, que é administrada pelo Cetene.

Os investimentos na biofábrica são voltados para a pesquisa e produção de mudas de cana-de-açúcar utilizando modernas técnicas de propagação in vitro. A estrutura atual da biofábrica é composta de um laboratório, localizado no Cetene, em Recife (PE), onde é feita a multiplicação da cana-de-açúcar in vitro, e um conjunto de seis estufas, construídas no município de Catende, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, para a etapa ex vitro, que é a aclimatização das mudas. As mudas micropropagadas têm alta qualidade genética e fitossanitária. As estufas de Catende têm capacidade para aclimatizar 400 mil mudas em ciclos de dois meses. Cada uma das duas novas estufas terá capacidade para aclimatizar 150 mil mudas a cada ciclo, o que aumentará a quantidade total de aclimatização da biofábrica para 700 mil mudas a cada dois meses. "Com as novas estufas, vamos ampliar a área de atuação da biofábrica para outros municípios, difundindo tecnologia para o setor sucroalcooleiro de Pernambuco", afirma a coordenadora da Biofábrica Governador Miguel Arraes, Andréa Baltar Barros.

Para o aproveitamento das mudas, cultivadores e fornecedores de cana firmaram com o Cetene um acordo de cooperação técnica para o plantio das mudas originárias da biofábrica. As primeiras 120 mil mudas - produzidas pela biofábrica e aclimatizadas nessas estufas - serão doadas pelo Cetene ao Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco e à Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, para serem distribuídas gratuita e exclusivamente aos produtores e fornecedores de cana. Depois, as mudas passarão a ser comercializadas pelas duas entidades.

A Biofábrica Governador Miguel Arraes tem capacidade total de produção de 1,5 milhão de mudas/mês e é considerada a maior da América Latina em capacidade de micropropagação de mudas de cana-de-açúcar. Essa produção só é possível por causa do Sistema de Imersão Temporária por Biorreatores para a micropropagação in vitro, tecnologia importada de Cuba e adaptada pelos pesquisadores do Cetene à realidade regional.

Fonte: Assessoria de Comunicação do MCT

Aprendendo a reciclar resíduos

Na primeira semana de março, a ONG Guardiões do Mar inicia a primeira etapa do processo que irá culminar com a "Gincana ReCooperar", desenvolvendo um trabalho político-pedagógico nas escolas da rede municipal de ensino de São Gonçalo.O objetivo é proporcionar aos alunos, práticas voltadas para minimização de impacto ambiental com os resíduos sólidos e promover renda mínima para comunidades de catadores.

O trabalho utilizará como base a metodologia que levou ao sucesso a "Gincana ReCooperar" realizada no ano passado, com a participação de 82 escolas do município.Foram recolhidos 29.246,5 quilos, durante os 160 dias da gincana. O programa "ReCooperar" atende hoje em São Gonçalo 94 catadores, que ganham pelo menos um salário mínimo, já descontado o INSS. Os grandes doadores de lixo são os shoppings, bancos e condomínios, entre outros. Um desdobramento proveitoso foi que os moradores de algumas ruas de São Gonçalo, próximas à ONG, animaram-se e estão separando seu lixo, com o material reciclável sendo recolhido pelo pessoal da cooperativa.

O programa vai chegar em breve aos municípios de Niterói e Itaboraí e conta com o patrocínio da Petrobras. Como um dos braços do "ReCooperar", a "Gincana ReCooperar" teve um balanço extremamente positivo, segundo a bióloga Graça Bispo, responsável pelo departamento técnico pedagógico da ONG. "Durante meses, nossos biólogos visitaram todas as escolas e mostraram a professores e alunos que eles podem sim preservar o meio ambiente, retirando dele os materiais impactantes, e ajudar a gerar renda para inúmeras famílias de catadores de lixo. Alcançamos nosso objetivo e, para este ano, a meta é aumentarmos ainda mais nossa captação de resíduos", explica.

A prova de que a gincana alcançou seu objetivo, segundo Graça, são os próprios números obtidos. Balanço final da gincana mostrou, que em média se 1kg de recicláveis for vendido a R$ 0,40, para se chegar um salário mínimo (de R$ 380) para os catadores são necessário 950kg. A gincana 2007 conseguiu 29.246,5kg, que geraram R$ 11.698,60. É importante ressaltar que há gastos patrocinados pela Petrobras, tais como caminhões, motorista, técnico administrativo, luz, telefone e impostos.

Meta

Para este ano, a Guardiões do Mar espera, dentro do Programa "ReCooperar" desenvolver a gincana e captar 15 toneladas de lixo por mês nas escolas. Para isso iniciará, já em março, a marcação das primeiras ações educativas, propondo inclusive a inserção na proposta político-pedagógica das mesmas da importância da educação ambiental associada à geração de renda. A programação deste ano inclui ainda a realização de trabalhos também em datas específicas, como dia da Água, Terra, e outras datas significativas para o meio ambiente. A "Gincana ReCooperar" conta com apoio e parceria da Secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo.

Fonte: O Fluminense

Fotógrafo captura show de cores no fundo do mar


Foto que rendeu o prêmio ao fotógrafo inglês (Foto: Richard Merritt/BBC)

O inglês Richard Merritt faz fotos da vida marinha há 30 anos e reuniu algumas das imagens em uma exposição itinerante que atravessa a Grã-Bretanha até abril. Merritt é professor de computação em uma universidade na cidade de Plymouth, no sul da Inglaterra e tira as fotos apenas por hobby.

Apesar disso, Merritt ganhou a medalha de ouro na 150ª edição do prêmio International Print Exhibition, realizado pela Royal Photographic Society. Ele participou com uma foto do tubarão-martelo, tirada no Pacífico Leste. Ele contou à BBC que se inspirou nos programas de televisão do explorador francês Jacques Cousteau da década de 70 e resolveu comprar uma câmera para fazer fotos das criaturas do fundo do mar.

Merritt prefere tirar as fotos nas águas de regiões próximas à Indonésia, onde a presença dos recifes de coral traz grande diversidade à vida marinha. Além disso, ele conta que prefere mergulhar em águas quentes.

Fonte: Globo.com

Fundação Palmares denuncia construção de estrada em área quilombola

Flávio Gusmão

A Fundação Palmares, entidade de defesa da cultura afro-brasileira ligada ao Ministério da Cultura, constatou que a empresa Alcântara Cliclone Space (ACS) está construindo uma estrada em terras ocupadas tradicionalmente por comunidades quilombolas, em Alcântara, no Maranhão. Por causa disso, a empresa foi multada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No dia 25 de fevereiro, a comunidade Mamuna havia denunciado a devastação da área onde mora. Como forma de protesto, eles bloquearam o acesso à estrada. A ACS é um consórcio de empresas brasileiras e ucranianas que trabalham no desenvolvimento de projetos para viabilizar o lançamento de foguetes da Base de Alcântara. O consórcio já havia formalizado uma reclamação junto a órgãos governamentais alegando que estaria apenas realizando estudos para a construção da via, já que o Ibama não tinha liberado oinício das obras. A diretora de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Palmares, Maria Bernadete Silva, que esteve em Alcântara, contesta. "Lá nós verificamos que não era apenas uma picadinha. É uma estrada. De fato, foram derrubadas árvores, que a comunidade chama de pau-amarelo, usadas para a demarcação de terras"

A assessoria de imprensa da ACS nega que esteja construindo a estrada e diz que se houve desmatamento na região, o consórcio não tem responsabilidade.Apesar de não ter data definida para ocorrer, representantes do governo, da ACS e defensores das comunidades quilombolas devem realizar uma reunião de conciliação. No encontro, serão discutidas ações para resolver o conflito em Alcântara.

Fonte: Agência Brasil

Quilombolas conciliam preservação cultural e ambiental no Amapá

Alex Rodrigues

A apenas doze quilômetros do centro da capital amapaense, Macapá, uma comunidade quilombola preserva seus costumes e crenças enquanto luta para conservar a Área de Proteção Ambiental (APA) em que vive. Importante sítio histórico e ambiental, a APA de Curiaú é uma das principais atrações turísticas da região, atraindo moradores do estado e turistas.

De Macapá, o acesso até a área de 21.676 hectares onde vivem os cerca de 4 mil moradores da primeira comunidade quilombola reconhecida no estado é feito pela Rodovia do Curiaú. Logo após a entrada da APA e as primeiras casas de alvenaria, o visitante chega à igreja onde, anualmente, a comunidade celebra uma das mais importantes festas religiosas do Amapá.“Em agosto nós festejamos a Folia de São Joaquim. São nove noites de novena com folia. Vem muita gente de fora”, diz Joaquim Araújo da Paixão, guardião da chave da igreja.Além das belezas naturais do local, o quilombola destaca a importância das manifestações culturais preservadas pela comunidade. “Temos nosso batuque, a ladainha e o marabaixo”, destaca o quilombola. O marabaixo é uma dança típica que se tornou tão conhecida no estado que virou nome de bairro e de sorvete em Macapá. “A cultura do marabaixo, do batuque, é uma das manifestações da comunidade que têm atraído um público muito grande ao Curiaú”, garante o secretário estadual extraordinário de Políticas para os Afrodescendentes, Josivaldo da Silva Libório.

Na comunidade, a Escola Estadual José Bonifácio, busca valorizar a cultura afrodescendente, afirma a supervisora Sheila Cristina Cunha Maués. “Temos projetos que valorizam o batuque, outro de resgate aos costumes locais. Os alunos sabem dançar carimbó, batucar, cantar as cantigas dos santos. Em outras escolas não há isso”. Bem estruturada, a unidade de ensino conta com laboratório de informática, biblioteca e uma quadra de esportes coberta e atende a crianças de localidades próximas a Curiaú.Com disponibilidade de professores, a direção da escola decidiu incluir aulas de francês na grade escolar de 1ª à 4ª série. “O francês é por causa da nossa fronteira com a Guiana Francesa. Isso vai ajudar muito às crianças no mercado de trabalho”, comenta a professora Claudeci Ferreira da Silva Rodrigues.

A exemplo da escola, o posto de saúde do Curiaú também atende a pacientes de outras comunidades. Além de oferecer exames preventivos, pré-natal e planejamento familiar, a médica responsável faz cerca de 20 visitas residenciais a cada semana. De segunda a quarta-feira, o atendimento é no próprio posto que registra cerca de 15 consultas diárias. “O pessoal daqui é bastante responsável em termos de saúde, mas há um problema muito grande com o álcool. Temos vários casos de alcoolismo”, comenta a enfermeira Rejane Santos da Cunha. O quilombola Joaquim Araújo confirma os casos de alcoolismo. E diz que o número de casos aumentou depois que os moradores começaram a abrir bares para atender aos turistas.

Fonte: Agência Brasil

Japão acusa ativistas de atacar baleeiro com ácido

O Japão acusou nesta segunda-feira ativistas ambientalistas de terem atacado um navio baleeiro do país na Antártida com frascos contendo um ácido fraco.

As autoridades japonesas disseram que o ataque promovido pelos ativistas do grupo Sea Shepherd feriu levemente dois membros da tripulação do navio e dois guardas costeiros japoneses.O ácido utilizado, feito a partir de manteiga envelhecida, provoca sensação de ardência nos olhos. Os ativistas do Sea Shepherd descreveram sua ação como "batalha química não-violenta".

O governo do Japão condenou a tentativa de prejudicar sua expedição científica de caça a baleias e a classificou como "ilegal". O Japão disse que faria um protesto às autoridades da Holanda, que licenciou o barco dos ativistas.

Negociações

Enquanto isso, em Tóquio, as autoridades vêm mantendo negociações com representantes de 11 países em desenvolvimento na esperança de que eles apóiem os esforços do Japão para convencer a Comissão Baleeira Internacional a suspender a proibição da caça comercial de baleias. As discussões vêm sendo mantidas a portas fechadas. Vários dos países presentes na reunião ainda não são membros da Comissão Baleeira Internacional. O Japão foi no passado acusado de tentar comprar o apoio de países mais pobres para sua posição pró-caça à baleia, uma acusação que o país nega.

Fonte: BBC Brasil

Cientista defende vantagem ambiental do biodiesel

Roberto do Nascimento

Experiências com o biodiesel mostram que a adição de 20% desse combustível ao óleo diesel representa um uma redução de até 20% na emissão de poluentes, embora aumente a liberação de um dos gases, o óxido de nitrogênio (NOx) em 3%.

Como o padrão brasileiro prevê adição de 5% de biodiesel (hoje, é de 2%), o professor Francisco Nigro, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo, um dos principais estudiosos do tema no País, afirma que o biodiesel só trará vantagens, mesmo em grandes centros urbanos como São Paulo. "O grande problema das cidades é a emissão de material particulado", afirma. E o biodiesel provoca forte redução de emissão dessas partículas no ar. De acordo com estudo Cummins, fabricante de motores, o B20 (adição de 20% de biodiesel ao diesel) proporciona redução de 20% na emissão de fumaça, 16% na liberação de material particulado, 3,9% de monóxido de carbono e 20% na emissão de hidrocarbonetos. Como há uma proporcionalidade entre a adição de biodiesel e a redução da poluição, no caso do B5 brasileiro basta dividir essas porcentagens por quatro.

Segundo pesquisas, o B5 aumenta em menos de 1% a emissão de NOx. Uma vez na atmosfera, esse gás contribui para a formação de ozônio, que irrita o aparelho respiratório. Em cidades como São Paulo, sujeita no inverno ao fenômeno chamado inversão térmica, que impede a dispersão dos poluentes, a ação desse gás se agravaria. Mas como o óleo vegetal provoca forte queda nas emissões principalmente de materiais particulados, o balanço acaba sendo bastante positivo. "O custo da poluição é muito alto em São Paulo e o biodiesel tende a amenizar isso", informa. Para o especialista, seria desnecessário fazer misturas em porcentagens diferentes de biodiesel conforme a região do País.

Nigro informou que, com a questão ambiental decidida em favor do biodiesel, outros dois aspectos devem ser perseguidos e merecer a atenção de todos os envolvidos, pesquisadores, governos, produtores, certificadoras, etc: uma cuidadosa fiscalização e análise quando o preço de produção do biodiesel cair, o que, segundo ele, pode favorecer o surgimento de produtores de baixa qualidade, e a adoção de especificações internacionais, que tornem possível o uso do produto em motores de qualquer parte do mundo. "Hoje, estamos melhores do que os Estados Unidos, mas ainda não alcançamos o padrão de qualidade europeu", afirma. A má qualidade do biodiesel pode trazer dois efeitos danosos: o mecânico, com o comprometimento do motor, e o ambiental, por acabar favorecendo uma queima irregular, com o aumento da liberação de poluentes.

Fonte: DiárioNet

Ibama embarga atividades de serraria na área proposta para a Resex Renascer

Christian Dietrich

Fiscais do Ibama em Santarém, apoiados pela Polícia Federal e pela Polícia Militar do Pará, autuaram e embargaram as atividades da empresa Ind. Com. e Exp. de Madeiras Jauru Ltda., em operação realizada na semana passada, dentro da área proposta para a Resex Renascer, em Santa Maria do Uruará, município de Prainha, no oeste paraense.

Foram lacrados a caldeira e os principais equipamentos da instalação. A empresa funcionava sem cumprir a primeira das condicionantes de sua Licença de Operação, o licenciamento ambiental do seu porto, que estava em plena atividade quando a empresa foi fiscalizada. No mesmo local hoje ocupado pela empresa autuada, funcionou a empresa Tigre Timber, autuada pelo Ibama no final de 2006, na Operação Renascer. A ação também identificou exploração irregular de madeira na área proposta para a criação da Reserva Extrativista, dentro dos limites de Planos de Manejo Florestal (PMFS) os quais estão suspensos ou vencidos, bem como em áreas onde não havia nenhum tipo de autorização para exploração. Foram notificados os detentores de Planos de Manejo na área fiscalizada para a apresentação de documentação ao Ibama em Santarém, cujo atendimento pode gerar outras autuações.

A operação constatou, entre outras necessidades, a de uma auditoria nos PMFS da região da área proposta para a criação da Resex Renascer, uma vez que há fortíssimos indícios de que há exploração florestal fora das áreas de PMFS com esquentamento de madeira ilegal. Também ficou evidente que há exploração de madeira em curso em pelo menos um dos PMFS da região, o que não deveria estar acontecendo, uma vez que os mesmos se encontram suspensos ou vencidos. A criação da Reserva Extrativista Renascer é reivindicação antiga dos moradores das comunidades abrangidas pela proposta, e está em estudos desde 2000. A Consulta Pública, uma das últimas etapas necessárias para a criação da Unidade de Conservação, foi realizada no dia 13 de dezembro de 2007. Atualmente, o processo de criação se encontra no Instituto Chico Mendes em Brasília, onde aguarda o saneamento de algumas pendências junto ao INCRA e à FUNAI.

A decretação da Reserva Extrativista Renascer é fundamental para a efetiva redução dos crimes ambientais, especialmente os relacionados à exploração ilegal de madeira, bem como para salvaguardar os direitos fundamentais das populações tradicionais que vivem na área.

Fonte: Ibama

Estudo mapeará ciclo da leishmaniose em área do Exército

Paula Lourenço

Um estudo do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco, quer identificar quais são os animais que ajudam a manter o ciclo de transmissão da leishmaniose tegumentar americana (LTA) em um campo militar na Zona da Mata Norte do estado. A pesquisa, alvo de um projeto de doutorado, está sendo feita no Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), situado no município de Paudalho, a 60 quilômetros do Recife. No local de 6,28 mil hectares de mata, são treinados, anualmente, mais de cinco mil militares do Exército oriundos de todo o Nordeste. De 2002 a 2007, 110 pessoas foram contaminadas pela LTA na área. O maior surto aconteceu em 2006, quando foram registrados 71 casos no CIMNC.

Segundo o orientador do estudo, Sinval Brandão Filho, do Departamento de Imunologia do Centro, a hipótese levantada é que os reservatórios da doença sejam pequenos roedores, a exemplo do preá (Nectomys squamipes) e o rato-de-rabo-peludo (Bolomys lasiurus). Os animais já estão sendo capturados na área. Uma vez identificados os roedores, os responsáveis pelo CIMNC poderão tomar medidas profiláticas mais adequadas, reduzindo a contaminação dos militares. “Com a identificação dos reservatórios conheceremos o padrão de transmissão da leishmaniose naquela área”, pontuou a enfermeira do Hospital Geral do Recife (HGeR) Maria Sandra Andrade, que é major do Exército e a doutoranda responsável pelo trabalho.

Com a colaboração do Laboratório de Leishmaniose do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, no Rio de Janeiro, foram feitos, paralelamente à captura, isolamentos do parasita que infectou os militares na área, em 2006. Os testes classificaram-no como o Leishmania braziliensis, causador da LTA. “O estudo tem importância epidemiológica, mas tem cunho absolutamente científico”, esclareceu Brandão Filho. A tese de Maria Sandra será defendida em 2009. Apesar disso, um pôster sobre o trabalho recebeu menção honrosa no 20º Congresso Brasileiro de Parasitologia, promovido de 28 de outubro a 1º de novembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. A apresentação ficou entre os dez melhores trabalhos do evento e foi a única do CPqAM selecionada pela comissão julgadora do congresso.

Em 2003, Maria Sandra concluiu o mestrado em saúde pública também no CPqAM. Na dissertação, ela verificou o período de maior ocorrência da doença na região e de maior incidência do flebotomíneo (de maio a agosto, devido às chuvas), além das áreas mais susceptíveis ao contágio. “Instruímos os militares que treinavam na região e os médicos que acompanhavam os grupos para evitarem as áreas de contágio, tanto que, nos anos em que fizemos essa ação educativa (2004 e 2005), não foram registrados casos na localidade”, pontuou a enfermeira. Seu interesse pelo estudo da leishmaniose surgiu depois de acompanhar os pacientes que chegavam ao HGeR para tratamento da doença. O Exército já havia solicitado apoio do CPqAM para realizar um inquérito sobre a leishmaniose no CMINC. O levantamento foi feito em 1997, pelo pesquisador Sinval Brandão. Nele, foram identificadas as espécies de flebotomíneos e sugeridas medidas preventivas, como o uso de repelentes ou de roupas com maior proteção. Naquele ano, o Exército registrou um surto na área, com 56 casos.

Fonte: Fiocruz

Volta à natureza

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) dá mais um passo importante para conservação e repovoação dos peixes-bois (Trichechus inunguis) nos rios da Amazônia.
No sábado (1°/3), uma equipe formada por pesquisadores do Inpa, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) se dirigiu à Reserva do Cuieiras, a 60 quilômetros ao norte de Manaus, onde serão soltos, pela primeira vez, dois peixes-bois machos sub-adultos, de cerca de 180 quilos cada.

Antes de serem soltos, o que deverá ocorrer no dia 8 de março, os exemplares ficarão durante uma semana em tanques-redes no alto do Cuieiras para aclimatação as águas do rio Negro. Os dois animais, que ganharam os nomes Xibó e Puru, estavam no Inpa desde 1999 e 1995, respectivamente, quando chegaram ainda filhotes. Eles passaram por uma bateria de exames, que envolveu o monitoramento da freqüência respiratória e exames clínicos para saber se estavam em condições de serem soltos. Também passaram por uma dieta reforçada para ganhar peso.

Segundo o pesquisador do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa, Fernando Rosas, a soltura do peixe-boi na natureza é importante para a conservação da espécie. O instituto realiza trabalhos com o peixe-boi há 33 anos e hoje domina a reprodução em cativeiro do animal, que está ameaçado de extinção. As pesquisas realizadas no Inpa possibilitaram o nascimento de cinco filhotes em cativeiro até o momento. Atualmente, o laboratório tem 33 animais e o objetivo é soltar mais peixes-bois nos próximos anos. “De que adianta tantos anos de pesquisas para manter o animal em cativeiro se não conseguirmos aumentar a população natural? Durante décadas, os animais foram explorados indiscriminadamente pelo homem. Como a reprodução do peixe-boi é lenta, até hoje o animal não conseguiu se recuperar da matança. Soltá-lo significa repovoar a Amazônia, e garantir o equilíbrio populacional da espécie e a saúde dos ecossistemas”, disse Rosas.

A Reserva de Cuieiras foi escolhida por ser uma área com várias Unidades de Conservação e que conta com a atuação de organizações de proteção a natureza. Além disso, o local tem baixa densidade populacional de peixes-bois, não há registro de caça recente e oferece uma boa logística de trabalho de campo. Ainda assim, segundo Rosas, será um desafio reintroduzir os animais na natureza, uma vez que eles estão acostumados com o ser humano e, por isso, provavelmente se aproximarão de comunidades, de crianças tomando banho e de embarcações.
Por conta disso é fundamental o trabalho de educação ambiental nas comunidades próximas da reserva. O que vem sendo feito, de acordo com o pesquisador, há alguns anos por profissionais da Ampa e do IPÊ. “É importante que os moradores participem ativamente do processo de reintrodução do peixe-boi, pois o sucesso deste projeto depende muito disto”, afirmou. Os peixes-bois foram soltos em uma região em que há a presença de outros indivíduos da mesma espécie. O objetivo é fazer com que eles consigam interagir com os demais. Os dois foram soltos durante o período de cheia do rio, de modo a terem mais tempo para se adaptar ao ambiente.

Para monitoramento por parte dos pesquisadores, os animais receberão um transmissor, o qual será adaptado à cauda. Cada transmissor tem uma bateria com duração de cerca de dois anos. Um pesquisador com uma antena portátil e um receptor receberá os sinais com a posição dos indivíduos ou diretamente, quando for possível a aproximação dos animais, com auxílio de GPS. Os sinais são recebidos dentro de um raio de aproximadamente um quilômetro. Segundo o Inpa, durante os trabalhos de campo, além do rastreamento, será possível estudar o comportamento dos indivíduos no ambiente natural e interações sociais. Quando for possível a observação direta, serão levantadas informações sobre atividades desenvolvidas pelos indivíduos, como alimentação, mergulho, locomoção, descanso, vocalizações e atividades sociais – presença de outros peixes-bois e outras espécies de animais próximas aos indivíduos e possíveis interações entre eles.

O projeto conta com recursos da Petrobrás, do Boticário e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além do apoio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Mais informações: www.inpa.gov.br

Fonte: Agência Brasil