quinta-feira, 5 de julho de 2007

MPF proíbe experiências com animais em Alagoas

Odilon Rios

O Ministério Público Federal de Alagoas (MPF/AL) decidiu que as instituições de ensino superior do Estado terão que usar anestesia em experiências com animais, durante as aulas práticas. A decisão atinge duas universidades e uma faculdade privada alagoanas.
Além disso, a procuradora da República Niedja Kaspary determinou que as entidades terão 90 dias para suspender experiências que causem lesões físicas, dor, sofrimento ou morte destes animais, com ou sem o uso de cobais. Ela propõe a substituição das cobaias por métodos alternativos da medicina, como a realização de testes em softwares. "Mesmo o emprego de anestesia não afasta o caráter cruel dos procedimentos experimentais, tampouco sua ilicitude, uma vez que o experimento dificilmente se restringe ao ato cirúrgico em si, mas envolve um angustiante período pré-operatório e, por vezes, a observação clínica do animal, que pode levar dias, semanas ou meses", observa.

A decisão do MPF segue os mesmos moldes da justiça gaúcha, que há 15 dias aplicou o mesmo dispositivo nas faculdades do Rio Grande do Sul, proibindo o sacrifício de animais para testes laboratoriais. O presidente do Comitê de Ética da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Walter Matias, disse que neste mês será feita uma reunião para estudar alternativas para o assunto. "Não podemos ir de encontro à legislação. Esperamos que os pesquisadores compreendam", avaliou. A Ufal é uma das atingidas pela medida. Para ele, o comitê vai discutir formas alternativas para as pesquisas. "Com as novas pesquisas, não temos problemas por causa da legislação. O que vamos pensar é sobre as antigas, que estão sendo tocadas, inclusive com apoio internacional", enfatizou.

A procuradora lembrou que o atendimento da recomendação é obrigatório e deu prazo dez dias para que instituições informem ao MPF sobre as medidas tomadas. Se não houver o cumprimento, o ministério tomará as medidas judiciais cabíveis, podendo ajuizar ações civis com pedido de ressarcimento, ações por improbidade administrativa e/ou criminais contra os responsáveis.

Fonte:Redação Terra

Cnen apresenta na SBPC as aplicações da energia nuclear

Luis Machado

Visitantes do estande poderão conhecer técnicas nucleares usadas na medicina, indústria, geração de eletricidade e preservação de acervos culturais

A energia nuclear vem ocupando importante papel na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Na área médica é aplicada no diagnóstico e tratamento de uma série de doenças, com especial importância para os casos de câncer. A indústria utiliza técnicas nucleares em variados segmentos: siderurgia, petróleo, construção civil, aeronáutica, construção naval, bebidas, materiais esterilizados, tecidos, entre outros. A irradiação de alimentos contribui para a conservação de carnes, vegetais e seus derivados. Na geração de eletricidade a novidade é a decisão do governo federal de construir Angra 3, com conclusão prevista para 2013.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), é o órgão que incentiva e controla o uso da energia nuclear no Brasil, contribuindo para que seja cada vez mais amplo e seguro. Diferentes aplicações de técnicas nucleares serão apresentadas pela Cnen na ExpoT&C, exposição científica que ocorre durante a 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 8 a 13 deste mês, em Belém do Pará. Energia elétrica - Angra 3A fonte nuclear é a terceira mais empregada no mundo para a geração de eletricidade. Os 443 reatores nucleares em funcionamento são responsáveis por aproximadamente 16% da energia elétrica produzida no Planeta. No Brasil, as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 têm, juntas, uma potência de 1,9 mil MW, podendo responder por cerca de 2,2% da energia elétrica produzida no País ou 50% do consumo do estado do Rio de Janeiro. Angra 3, com potência de 1,3 mil MW, aumentará para cerca de 3,6 % a participação da energia nuclear na geração elétrica nacional.

Medicina

As radiações ionizantes são empregadas no diagnóstico e terapia de vários problemas de saúde. Entre os procedimentos mais conhecidos para diagnóstico estão a radiografia, a tomografia e a mamografia. São realizadas com equipamentos de raios X, que produzem radiação a partir de eletricidade, e servem para análise de diversas partes do corpo humano. A radioterapia utiliza a radiação em maior intensidade que no uso diagnóstico e tem ampla aplicação no tratamento de casos de câncer. Existem também outras aplicações relevantes de técnicas nucleares na medicina: RadiofármacosBoa parte do uso das radiações na área da saúde baseia-se nos radiofármacos, substâncias radioativas de uso medicinal produzidas pela Cnen. Mais de 2,3 milhões de procedimentos médicos de diagnóstico ou terapia são realizados anualmente no País com esses produtos. Uma das substâncias radioativas mais usadas é o tecnécio-99, empregado para mapear órgãos humanos. Também bastante aplicado, o samário-153 alivia dores provocadas por metástases ósseas. Outro exemplo, o iodo-131, é usado em radioterapia de tumores da tireóide. Uma das mais avançadas tecnologias da medicina, a Tomografia por Emissão de Pósitrons, conhecida por PET (Positron Emission Tomography), emprega radiofármacos. Ela é capaz de detectar casos de câncer por meio de alterações metabólicas nas células cancerosas que ocorrem em um estágio no qual as demais técnicas não são capazes de identificar a doença. Outra aplicação ocorre na avaliação das atividades do coração e do cérebro, nos quais a PET identifica pequenas alterações de metabolismo que permitem diagnosticar problemas de saúde.

Irradiação de sangue

A irradiação de sangue é uma das várias aplicações dos irradiadores multipropósito, equipamentos que utilizam fontes de radiação bastante intensas. O sangue irradiado aumenta as chances de recuperação de pacientes que realizam transplante de medula óssea, fetos que recebem transfusão intra-uterina, pessoas imuno-deficientes e receptores de órgãos de parentes de primeiro grau. A cada ano, o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), unidade da Cnen, em Minas Gerais, irradia cerca de 900 bolsas de sangue. Além do equipamento do CDTN, a Cnen possui outro irradiador multipropósito aberto a uso comercial em sua unidade de São Paulo: o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Radioesterilização na medicina

Os irradiadores multipropósito servem também para esterilizar materiais por meio do uso de radiação. Daí o nome: radioesterilização. Na área da saúde, a técnica é aplicada em materiais cirúrgicos, seringas e outros itens. IndústriaAs técnicas nucleares são extremamente úteis em diversos segmentos industriais. Com profissionais especializados e estrutura tecnológica que conta com reatores nucleares, aceleradores de elétrons e irradiadores multipropósito, entre outros equipamentos, a Cnen oferece diversos produtos e serviços destinados à indústria. Algumas das técnicas nucleares empregadas no setor já estão bastante difundidas:

Radioesterilização

No setor industrial a radioesterilização pode ser aplicada nos mais diversos tipos de materiais para eliminação de microorganismos.

Fios e cabos

A irradiação de fios e cabos elétricos é uma técnica que melhora propriedades térmicas, elétricas e mecânicas desses produtos. O resultado são condutores com maior resistência, utilizados nas indústrias aeronáutica, automobilística, naval e de computação.

Gamagrafia

A gamagrafia industrial, tipo de radiografia realizada com raios gama, é aplicada na análise da integridade de estruturas metálicas, como de aviões, navios e gasodutos. Na construção civil, a gamagrafia permite analisar até mesmo estruturas de concreto.

Alimentação

A radioesterilização de alimentos é aplicada tanto em produtos de origem animal como nos de origem vegetal. A radiação consegue destruir bactérias, fungos e outros microorganismos sem alterar o sabor, a consistência, a coloração ou o valor nutritivo dos alimentos. O resultado é o retardo da maturação e do apodrecimento, além da redução da transmissão de doenças. Os irradiadores podem servir a uma grande variedade de produtos alimentares. No Brasil, têm sido mais procurados por produtores de temperos, condimentos, frutas secas e plantas medicinais.

Conservação de acervos culturais

O patrimônio histórico e cultural também pode ser beneficiado com técnicas nucleares. O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), unidade Cnen no Rio de Janeiro, aplica uma técnica que utiliza radiação gama no combate a fungos, insetos e bactérias que destroem documentos, livros e obras de arte em bibliotecas e museus. O IEN manteve contatos com a Fundação Casa de Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, para a aplicação da técnica em parte de seu acervo cultural.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CNEN

Pesquisas ampliam conhecimento sobre abelhas e aranhas da Amazônia

Antonio Fausto

Realizar um levantamento sobre abelhas e aranhas da Amazônia é o objetivo de duas pesquisas desenvolvidas por alunos de graduação vinculados ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (/MCT). Os trabalhos serão apresentados hoje (5), último dia do 15º Seminário de Iniciação Científica realizado pelo Museu Goeldi, em Belém (PA).

Orientado pelo pesquisador Alexandre Bonaldo, o bolsista Bruno Rodrigues desenvolveu estudo sobre as aranhas da várzea do Rio Guamá. O material foi coletado na área do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em dezembro de 2006 e abril deste ano. Com base na coleta Bruno elaborou um inventário das espécies encontradas no local, que servirá de subsídio para planos de conservação desse ecossistema. O trabalho contribui com informações sobre a incidência e a abundância de espécies, que auxiliam nas análises da diversidade das aranhas na área estudada.

As abelhas sem ferrão são o alvo da pesquisa da estudante Paula Bitar, sob a orientação do pesquisador Orlando Silveira. O trabalho busca aprofundar o conhecimento em relação a esse grupo biológico, que corre risco de extinção devido ao intenso desmatamento da floresta amazônica. A bolsista analisou as espécies de abelhas coletadas no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves e no Parque Ambiental de Belém, entre novembro de 2006 e maio último. Para a captura foram utilizadas iscas de mel. Vale ressaltar que o mel dessas abelhas, além de ser adoçante natural e servir de fonte de energia, é terapêutico, pois tem efeito imunológico, antibacteriano, antiinflamatório, analgésico, sedativo, expectorante e hiposensibilizador.

Pibic

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) é voltado para o desenvolvimento do pensamento científico e para a iniciação de estudantes de graduação na pesquisa. Serão apresentados trabalhos de Arqueologia, Antropologia, Lingüística, Botânica, Zoologia, Ciências da Terra e Ecologia. O último dia do evento foi reservado apenas à exposição de pesquisas realizadas na área de Zoologia, que reúne 26 trabalhos a serem defendidos só neste data. As apresentações do "Inventário Estruturado de Aranhas em uma área de Várzea do Rio Guamá" e "As abelhas sem ferrão de Belém e arredores" ocorrem às 9h15 e 16h, respectivamente.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Museu Goeldi

Centro de mudança climática é proposto para Ásia

Especialistas de 17 países da Ásia, cujos 3 bilhões de habitantes representam a metade da população mundial, recomendaram hoje criar um centro regional para processar a informação e apoio logístico sobre a mudança climática e seus efeitos sobre a saúde.

A medida é uma das conclusões apresentadas no Seminário sobre Mudança Climática e Saúde nos Países do Sudeste e Leste da Ásia, organizado esta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na capital da Malásia. O encontro reuniu mais de 40 representantes do setor de saúde dos 17 países. Kristie Ebi, diretor do Escritório sobre a Mudança Climática e Saúde da OMS, explicou durante a apresentação do relatório que os grupos de trabalho confirmaram que as ondas de calor, secas e inundações provocadas pelo aquecimento global estão afetando a saúde dos asiáticos. Ebi, quem participou da elaboração da última Comissão Intergovernamental sobre a Mudança Climática, disse que o fenômeno favorece a proliferação dos mosquitos que transmitem a malária e o dengue. Ele também destacou o aumento das doenças provocadas por águas contaminadas.

Além disso, o êxodo de centenas de pessoas às cidades devido à escassez de água na zona rural cria problemas psicológicos e sanitários devido à saturação nas metrópoles. O relatório destaca a necessidade de os países asiáticos compartilharem informação e terem acesso à tecnologia necessária para combater a mudança climática. Os especialistas também pediram uma maior colaboração dos governos com as ONGs e a sociedade civil. Os grupos de trabalho consideraram que a saúde deve ser um tema fundamental na negociação da Convenção para a Mudança Climática, em negociação com as Nações Unidas. Participaram do seminário delegados de Bangladesh, Birmânia (Mianmar), Brunei, Camboja, China, Filipinas, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Malásia, Maldivas, Mongólia, Nepal, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Fonte: EFE

Gore: Pacto climático dos EUA é vergonhoso

Para ex-vice-presidente, novo acordo entre os maiores poluidores precisa ser costurado. Declaração veio antes de Live Earth, série de shows de alerta para a questão ambiental.

Michelle Nichols

O ex-vice-presidente norte-americano Al Gore criticou os Estados Unidos e alguns dos países mais poluidores do mundo por selarem, em separado do restante do globo, o que descreveu como sendo um pacto vergonhoso. Esses países -- além dos EUA, a Austrália, a China, a Índia, a Coréia do Sul e o Japão -- precisam unir-se ao resto do mundo em um novo acordo de combate ao aquecimento da Terra, afirmou Gore em uma entrevista concedida antes dos shows do Live Earth, marcados para acontecerem no sábado e que visam chamar atenção para o problema. Ele revelou ter dúvidas sobre as manobras recentes feitas pelos EUA e pela Austrália, dois países que rejeitaram o Protocolo de Kyoto. Ambos criaram um pacto com mais quatro integrantes chamado Parceria do Pacífico e da Ásia para o Desenvolvimento Limpo e o Clima. "Com o devido respeito, acho que a iniciativa Pacífico-Ásia parece-se mais com uma postura do tipo vilarejo de Potemkin", afirmou Gore, referindo-se aos vilarejos de mentira queimados pelo general Grigory Potemkin na Criméia, em 1787, a fim de impressionar Catarina, a Grande. "A parceria foi elaborada por dois países desenvolvidos que, sozinhos, ignorando a comunidade internacional, recusaram-se a ingressar no Protocolo de Kyoto", disse o ex-vice-presidente, cujo documentário "Uma Verdade Inconveniente", sobre o aquecimento global, ganhou neste ano dois prêmios Oscar.

O Protocolo de Kyoto obriga 35 países ricos a diminuírem, até 2008-2012, suas emissões de gases do efeito estufa para um nível 5% abaixo do registrado em 1990. O acordo deixa de vigorar em 2012. E, em dezembro próximo, devem começar as negociações a serem lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e cujo objetivo é discutir um pacto substitutivo. Segundo Gore, o Live Earth pretende mobilizar pessoas do mundo todo a fim de que pressionem seus governos a adotar um novo tratado até 2009 -- um pacto capaz de diminuir a poluição responsável pelo efeito estufa em 90 por cento nos países ricos e, até 2050, em mais de 50 por cento no restante do mundo.

Emergência planetária

"Estamos diante de uma emergência planetária", afirmou. "A solução desse problema será boa para a economia e será boa para nós. Mas não podemos esperar mais tempo para agir." Os shows do Live Earth estão marcados para acontecer em Johanesburgo, Londres, Nova York, Xangai, Sydney e Tóquio. O evento também estava programado para ocorrer no Rio de Janeiro, mas, por enquanto, está suspenso por uma liminar, devido a preocupações com falta de segurança. Os EUA e a Austrália recusaram-se a ratificar o Protocolo de Kyoto argumentando que os cortes compulsórios na emissão de gases do efeito estufa prejudicariam suas economias. E argumentaram também que o acordo cometeu um erro ao não impor limites obrigatórios para grandes países em desenvolvimento, como a China e a Índia. Segundo Gore, os EUA "deparam-se com sua maior oportunidade de liderar o mundo (nesses esforços)". "Mas, até agora, continuam a ser os maiores responsáveis pelo problema, apesar de a China estar caminhando para superar os EUA."

A Agência de Avaliação Ambiental da Holanda afirmou no mês passado que a China havia ultrapassado os EUA na qualidade de maior emissor de gás carbônico do mundo. O gás carbônico é o principal entre os gases do efeito estufa.

Fonte: Reuters

Índios Truká retomam outra área em Cabrobó e pedem responsabilização do governo

Sabrina Craide

Na madrugada de hoje (5), os índios Truká, que participam do protesto realizado em Cabrobó (PE), retomaram outra área na região. De acordo com a assessoria de imprensa do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), as reivindicações são a demarcação do território Truká e a paralisação das obras de transposição do Rio São Francisco.O Cimi apresentou ontem ao Procurador da República no município de Serra Talhada (PE), uma representação contra o Ministério da Integração Nacional, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), pedindo abertura de inquérito civil público para apurar as responsabilidades dos órgãos pelos possíveis danos ao meio ambiente e aos direitos indígenas.

Eles querem que seja assegurada a posse permanente e o usufruto exclusivo da terra indígena Truká, que, segundo eles, foi violada em face das obras do projeto de transposição.Os Truká argumentam que a área onde as obras estão sendo realizadas é território de ocupação tradicional. Eles exigem a agilização da demarcação da área como terra indígena. De acordo com a Funai, a terra dos Trukás já está delimitada e regularizada desde 2002. No entanto, há uma área que está em revisão de limite, que corresponde, de fato, ao local onde estão sendo iniciadas as obras do São Francisco. A Funai confirma que existe um estudo em curso para verificar essa situação.

Fonte: Agência Brasil

Cooperação beneficiará Reserva Biológica Atol das Rocas

Marluza Mattos

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Fundação SOS Mata Atlântica firmaram um termo de cooperação operacional e financeira para a gestão e implementação da Reserva Biológica Marinha Atol das Rocas, nesta quarta-feira (4). A parceria foi celebrada no último dia da 86ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em Brasília.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou do evento e comemorou a iniciativa. "Esse ato é fruto de uma articulação do setor empresarial, aportando recursos para a proteção de uma UC, buscando suprir aquilo que o poder público ainda não consegue fazer adequadamente", disse. Segundo ela, essa cooperação segue a linha de experiências bem-sucedidas, como a do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), resultado de uma parceria entre Ibama, MMA, WWF, GTZ, com recursos do GEF e KfW, e que, em 2006, recebeu em doação da Fundação O Boticário e da Natura US$ 2 milhões. Por meio do termo de cooperação, será criado um fundo de sustentabilidade. Esse fundo deverá buscar recursos e aplicá-los. Os rendimentos líquidos gerados a partir da aplicação dos recursos desse fundo reverterão em investimentos para a manutenção da reserva biológica. O termo entra em vigor a partir da sua publicação no Diário Oficial da União e tem validade por três anos.

Esse é o primeiro resultado de uma cooperação mais ampla já firmada entre as duas instituições, que definiu, no âmbito de um programa sobre gestão de zonas marinhas, parâmetros gerais para o trabalho conjunto entre elas. Já estão em negociações iniciativas semelhantes para beneficiar outras unidades de conservação (UCs) do bioma. Segundo o presidente da SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, a cooperação surgiu a partir da constatação de que o Ibama dispunha de apenas 40% dos recursos necessários para manter o Atol das Rocas. "Propusemos a criação de um fundo, com característica de perpetuidade. O rendimento líquido obtido com a aplicação bancária dos recursos investidos nele geraria a complementação do orçamento de manutenção da reserva. Precisaríamos aplicar R$ 4 milhões para garantir o rendimento necessário e já conseguimos R$ 2,1 milhões", relatou Klabin. O presidente da SOS Mata Atlântica salientou que o fundo contará com pessoas físicas como doadores. "É uma mudança importante", disse, destacando o fato de que não há incentivos tributários para esse tipo de doação. Esse é um tema, de acordo com Marina Silva, que deve ser aprofundado no MMA na atual gestão.

Recentemente, foi criado um departamento com o objetivo de analisar as propostas de instrumentos econômicos para o setor ambiental no âmbito da Secretaria Executiva do MMA. Para a ministra, o termo de cooperação assinado nesta quarta-feira antecipa o processo de busca por mecanismos que incentivem a iniciativa privada a apoiar a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Ela também lembrou que tramita no Congresso Nacional uma proposta de criação de um imposto de renda ecológico. O presidente-substituto do Instituto Chico Mendes, João Paulo Capobianco, disse que essa cooperação representa um aumento na capacidade da gestão pública na área ambiental. Capobianco salientou que a iniciativa não é isolada e que em breve entrará em funcionamento um mecanismo inovador relacionado ao uso dos recursos do sistema de compensação ambiental. "A Petrobras é uma das empresas que deve aderir a esse novo mecanismo, cuja gestão envolve a Caixa Econômica Federal. Ele implicará numa destinação significativa de recursos para a gestão das UCs", resumiu.

Fonte: MMA

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Conama aprova texto-base de resolução sobre plataforma de petróleo

Adriano Ceolin

No primeiro dia da sua 86ª reunião ordinária, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) aprovou, nesta terça-feira (3), o texto-base da resolução sobre descarte contínuo de água de processo em decorrência de produção em plataforma marítima de petróleo. O documento serve para definir parâmetros de controle do lançamento de óleos e graxas, ambos nocivos ao meio ambiente. Emendas sobre a proposta de resolução ainda serão analisadas nesta quarta-feira.

Durante o evento, os conselheiros encaminharam suas sugestões para orientar o MMA na elaboração do Plano Plurianual de 2008 a 2011. As propostas serão consolidadas em documento, que será encaminhado, posteriormente, ao Ministério do Planejamento. A participação dos conselheiros na elaboração do PPA é mais uma oportunidade para a sociedade se manifestar sobre a política ambiental do governo, explica Nilo Diniz, diretor do Conselho. Participaram da reunião 62 conselheiros. O quórum mínimo necessário para votações é de 53 presentes. O texto-base da resolução foi aprovado por unanimidade, mas houve apresentação de emendas. Uma delas previa a alteração do artigo 5º da resolução, referente à concentração de óleos e graxas na água em 29 mg/l. A emenda previa a redução para 20 mg/l.

Contudo, após discussão e votação nominal, manteve-se o texto original: o descarte de água de processo deverá obedecer à concentração média aritmética simples mensal de até 29 miligramas por litro (mg/l), com valor máximo diário de 42 mg/l. Isso significa que poderá haver lançamento acima dos 29 mg/l estabelecidos. No entanto, o ponto de lançamento terá de compensar o excesso reduzindo emissões em outros dias do mês. Neste primeiro dia de deliberações, sofreram pedido de vistas as resoluções sobre a gestão compartilhada em unidades de conservação e sobre a definição de diretrizes para implementação de indicadores para cumprimento de normas ambientais. Ambas poderão ser votadas na próxima reunião do Conama. Além das demais emendas sobre a resolução óleos e graxas, estará na pauta do segundo dia de reunião a proposta de resolução sobre os critérios para determinação de espécies silvestres que poderão ser criadas e comercializadas como animais de estimação.

Fonte: MMA

Justiça determina que governo federal não corte ponto de grevistas do Ibama

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região concedeu liminar aos servidores públicos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), em greve há 53 dias, impedindo o governo federal de efetuar corte no ponto dos grevistas. A decisão, do juiz Itelmar Raydan Evangelista, determinou que, até julgamento final do recurso (agravo), o governo pague os salários integralmente.Os funcionários, que contestam a criação do Instituto Chico Mendes, estão em greve desde 14 de maio. Eles entendem que o novo órgão tiraria do Ibama a responsabilidade pela conservação ambiental.

Por determinação do presidente Lula, na semana passada o governo efetuou o corte dos dias parados nos salários de servidores.Segundo a assessoria do TRF-1, o exame da legalidade da greve está sendo discutido em uma ação movida pelo Ibama, em tramite na 23ª Vara Federal do Distrito Federal. Segundo Raydan, não houve notícia do desatendimento da exigência de permanecerem em atividade 50% dos servidores, determinado pela Justiça. Para o magistrado, o recurso de gravo deve ser convertido em agravo retido e apensados os autos da ação principal, que discute a greve. A AGU (Advocacia Geral da União) informou que irá recorrer da decisão.

Agravo de Instrumento 2007.01.00.025629-5/DF

Fonte: Última Instância

Sabores da beira do rio e da mata

Luiz Sugimoto

A natureza é sábia e os povos ribeirinhos e da floresta, também. Açaí vermelho, açaí branco, buriti, castanha de cotia, castanha do Pará, castanha de sapucaia, inajá, jenipapo, mucajá e uxi são frutas originárias do Norte-Nordeste, quase desconhecidas no Brasil cosmopolita e pouco comercializadas também nos grandes mercados daquelas regiões.

Frutas podem oferecer dieta balanceada

Na verdade, as populações remotas é que mais consomem e se beneficiam dos elevados valores nutricionais das frutas nativas, delas extraindo, ainda, ungüentos e pomadas medicinais das folhas e raízes, e transformando troncos, galhos e fibras em materiais básicos para sobreviver no habitat. O paulistano Paulo Afonso da Costa, que de remoto guarda apenas o vago sotaque acaipirado de quando morou em Indaiatuba, estreitou contato com a cultura daqueles povos através da Embrapa-Pará, que solicitou dele uma análise detalhada da composição nutricional das frutas e castanhas. “Eles selecionaram, coletaram e me enviaram amostras das frutas mais características. Não tive a chance de ir até lá”, lamenta. Especializado em espectroscopia e em cromatografia líquida e gasosa pelo Instituto de Química (IQ) da Unicamp, Paulo Costa estudou a composição oleosa das polpas e castanhas para obter o perfil graxo e os teores de tocoferol e de fitosterol. Para isso, contou com a tecnologia disponível na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde a pesquisa, orientada pela professora Helena Teixeira Godoy, valeu-lhe o doutorado.

Traduzindo o que se trata, o pesquisador explica que poucas frutas do Norte-Nordeste, apesar da diversidade e da quantidade, contam com dados minuciosos sobre sua composição. “Quando os dados existem, geralmente trazem o percentual total de gorduras, fibras, proteínas e metais (cobre, zinco, ferro e magnésio), mas sem aprofundamento específico do perfil nutricional e dos efeitos sobre a saúde”. Um melhor conhecimento científico das espécies talvez permitisse saber, por exemplo, por que uma empresa francesa vem pagando caro pela colheita e extração do óleo de açaí no Ceará, quando a fruta possui muita polpa e apenas 0,5% de fração oleaginosa. “Eles congelam alguns mililitros do óleo e enviam à França. Para quê, eles não dizem”. É sabido que do óleo das castanhas do Pará e do buriti são feitos sabonetes finíssimos, todos exportados para os Estados Unidos. E que a castanha do Pará e a polpa e a castanha do buriti fornecessem um óleo de excelência para sorvetes e outros alimentos refinados, igualmente saboreados apenas em outros países. “Outro desperdício é a extração artesanal do óleo, com prensa, deixando-se o bagaço para os animais. Esses resíduos poderiam passar por nova extração em uma mini-usina, como ocorre com o azeite virgem, que passa pela prensa, esmagamento e depois pela extração da polpa da azeitona, obtendo-se ainda o azeite refinado”, observa Paulo Costa.

As análises

Analisando a proporção de ácidos graxos nas dez frutas do Norte-Nordeste, o pesquisador encontrou alto teor de ácido oléico nas polpas de mucajá (59,4%), buriti (60,3%) e uxi (66,5%), e nas castanhas de cotia (40,5%) e açaí vermelho (55,9%). O ácido linoleico está presente em alto teor nas polpas de inajá (14,6%) e jenipapo (17,5%), e nas castanhas de sapucaia (38,8%), buriti (44,3%) e Pará (44,4%). “O mais interessante é que o balanceamento de ômega-6 com ômega-3 está bem dentro das recomendações da Organização Mundial de Saúde, entre 3,1% e 4,1%. As polpas do inajá e do jenipapo apresentam 4,2% e 4,1%, assegurando uma dieta rica aos habitantes”, comenta. Os resultados também foram bons em relação aos teores de tocoferol total, com elevada presença de alfa-tocoferol, o mais importante para o organismo. “A polpa e a castanha do buriti, bem como a polpa do uxi, podem ser classificadas como fontes de tocoferóis, tanto em termos de vitamina A como de vitamina E”. Esta relação, segundo Paulo Costa, é percebida nos olhos e na pele. “Quando o uxi começa a frutificar, os povos da floresta – principalmente as crianças, que comem muito a fruta – ganham um suprimento extra de vitaminas. Apresentam uma pele mais viçosa, macia, enquanto os olhos ficam mais brilhantes”.
Ao comparar os teores de alfa-tocoferol com os de óleos vegetais comuns no mercado – soja, milho, palma, girassol e canola –, observou-se que apenas o óleo de girassol consegue superar o valor nutricional de vitamina E de todas as frutas analisadas. “A polpa do buriti, consumida in natura, é fonte de vitamina E, seguida da polpa de uxi. É boa notícia para uma população que não pode comprar óleos industrializados”. A decepção ficou por conta do fitosterol, cuja função é eliminar ou impedir que o colesterol sanguíneo avance no organismo, penetrando na placa coronária. “Nenhuma fruta analisada apresentou teores importantes. De qualquer forma, os povos ribeirinhos e da floresta submetem-se a atividades físicas cotidianas, sem o estresse das cidades. Colesterol elevado não é o problema deles”.

Comercialização

Na opinião de Paulo Afonso da Costa, a maioria das frutas selecionadas poderia suprir as necessidades diárias de calorias, vitaminas e minerais de todos os habitantes do Norte-Nordeste, além de representar um nicho de comércio. “Se cultivadas de acordo com o seu ciclo natural de reprodução, essas frutas ofereceriam uma dieta balanceada sem o recurso de alimentos e cápsulas industrializados”. Criar áreas de cultura destas frutas nativas, no entanto, é uma alternativa complicada, pois quase todas dão em árvores que demoram muito para crescer e produzir. “Caboclos vêm plantando árvores do uxi, que demoram 20 anos para florescer, mas o fazem de pai para filho e também para atrair as cotias e pacas. O buriti, que só vegeta em várzeas, ainda tem a particularidade de perder nutrientes quando coletado diretamente do cacho. Os ribeirinhos esperam o fruto cair. Eles respeitam o limite da planta”.As qualidades das frutas nativasAÇAÍA palmeira do açaí tem frutos que aparecem em cachos, com coloração quase negra. Da polpa se faz o vinho do açaí e o suco; da polpa congelada, sorvetes; e, da polpa em pó, geléia, bolo, mingau e corantes. Do tronco se obtém palmito. O fruto novo alivia distúrbios intestinais e o chá da raiz nova combate verminoses. O palmito em pasta é um anti-hemorrágico.
As folhas do açaizeiro cobrem de casas e das fibras se tece chapéus e cestos. Com o tronco resistente a pragas constroem-se casas e pontes. Os cachos secos viram vassouras, adubos e, se queimados, repelem insetos.

BURITI

É a mais alta e elegante das nossas palmeiras. Os frutos castanho-avermelhados e revestidos com escamas apresentam uma polpa bem amarela, encobrindo a amêndoa comestível. Da polpa adocicada se faz vinho, sorvete e doce. O broto terminal é saboroso palmito. Das folhas se fazem ripas, jangadas e cobertura de ranchos, e das fibras se tecem esteiras e redes. Do buriti também se extrai o óleo usado para fritura, fabricar sabão, acender lamparina. O óleo ainda é protetor solar e desodorante.

CASTANHA DE COTIA

É uma árvore frondosa que apresenta folhas hermafroditas, numerosíssimas. O fruto tem 20-25cm de diâmetro e uma casca fina revestindo a amêndoa. Esta amêndoa branca, depois de seca, fornece 50% de óleo amarelo claro e muito viscoso.

CASTANHA DE SAPUCAIA

A sapucaia é uma árvore que chega a 30m de altura, bela e frondosa quando em floração. O fruto grande, quase cilíndrico, guarda sementes também grandes. Maduro, abre uma tampa liberando amêndoas saborosas, apreciadas por homens e macacos. Com o fruto se produzem obras artísticas torneadas. A madeira pesada e dura é empregada na construção civil e naval, dormentes e pontes.

CASTANHA DO PARÁ

A árvore com até 50m de altura fornece um fruto quase esférico, contendo 12-24 sementes triangulares envoltas em polpa amarela. Muito apreciada in natura, da amêndoa se extrai o “leite de castanha”. As castanhas do Pará são conhecidas na Europa desde 1633 e utilizadas em doces finos, substituindo as amêndoas. O óleo amarelado, antigo sucedâneo do azeite da oliveira, é empregado em sabonetes finos e produtos farmacêuticos. Adulta, a árvore produz até 500 kg de castanhas/ano.

INAJÁ

O fruto do inajá é agudo nas duas extremidades e a amêndoa possui 57% de gordura. A palmeira, reta, tem 16-20m de altura. O palmito é talvez o mais saboroso de todas as palmáceas brasileiras. O fruto é também utilizado na defumação da borracha. O caule é usado na construção de casas rurais, rendendo caibros resistentes.

JENIPAPO

Árvore elegante, alcança 14m de altura. A polpa do fruto maduro é muito mole e, embora um pouco ácida, é agradável, estomática e diurética. Presta-se para compotas, doces, xaropes, vinho, licor e para a jenipapada, um popular refrigerante. A madeira está na construção civil, xilografia, mobílias. A casca do tronco tem efeito purgativo, anti-diarréico e cura feridas escorbúticas, úlceras venéreas e faringites glanulosas. A raiz é purgativa e anti-gonorréica. As folhas cozidas servem de anti-diarréico e anti-sifilítico.

MUCAJÁ

Árvore pequena e fruto de baga pequena, suculenta. É uma planta típica da Bahia e uma ótima fruteira nativa. Além disso, produz um leite adocicado que os garimpeiros tomam com café em lugar do leite de vaca. É deste leite que se prepara excelente goma de mascar. Chegou-se a exportar 150 toneladas de goma de mucajá para os norte-americanos.

UXI

A polpa do uxi é consumida in natura ou com farinha de mandioca, sendo usada também para sorvete, licor e doce. A literatura diz que a planta é inviável economicamente, pois leva até 15 anos para frutificar. Contudo, caboclos do Pará estão plantando uxi para venda no mercado.
O fruto tem polpa de textura arenosa e oleosa, e a casca é utilizada para artrite, colesterol e diabetes. Cem gramas de polpa de uxi fornecem 284 calorias. Do fruto se faz suco, sorvete, doce e vinho. O óleo é usado na culinária, com fins medicinais e para fazer sabão. A árvore tem 25-30m de altura e madeira densa e valiosa, o que tem levado à perda de bosques desta planta. As sementes servem para artesanato, defumação e confecção de amuletos.

Fonte: Jornal da Unicamp

Inpa lança portfólio de pesquisas

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) lançou nesta terça-feira (3/7) um portfólio com os 11 primeiros produtos e processos protegidos pela instituição. O trabalho reúne informações gerais sobre as tecnologias contidas nas patentes depositadas e geradas a partir do conhecimento acumulado pelas pesquisas. Entre os produtos estão o secador solar para produtos naturais e madeireiros, uma bebida fermentada de pupunha e a sopa desidratada de piranha. Outro destaque é a zerumbona, com potencial de utilização na fabricação de medicamentos e cosméticos obtidos por meio de um processo em que se emprega a espécie vegetal Zinziber zerumbet, utilizada na medicina tradicional e na culinária asiática para a profilaxia de várias doenças.

Segundo o Inpa, para tirar da prateleira dos laboratórios esses trabalhos, a Coordenação de Ações Estratégicas tem realizado, por meio da Divisão de Propriedade Intelectual e Negócios, um trabalho em parceria com os pesquisadores. O resultado é a identificação, até o momento, de 34 produtos e processos passíveis de serem patenteados. “Em 2004, iniciou-se o pedido de depósito de patentes. Apenas três anos depois, o Inpa conta com dez pedidos de depósitos de patentes efetivados e os demais em fases que antecedem o depósito”, disse Noélia Falcão, chefe da Divisão de Propriedade Intelectual e Negócios. No segundo semestre será dada entrada em mais 13 processos de pedidos de patentes, sendo nove na área de odontologia e quatro na de fitocosméticos.

Segundo o diretor do Inpa, Adalberto Val, o instituto está determinado a disponibilizar à sociedade suas criações, “seja na forma de licenciamento de patentes, na transferência de know-how ou na prestação de serviços, de tal forma que contribua para a melhoria da qualidade de vida da sociedade”. Mais informações: www.inpa.gov.br

Fonte: Agência FAPESP

Rio de Janeiro ganha centro de tecnologia em combustíveis

O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Petrobras inauguraram, na sexta-feira (29/6), o Centro de Pesquisas e Caracterização de Petróleo e Combustíveis (CoppeComb).
O centro, que contou com investimentos de R$ 8 milhões da Petrobras, está instalado no campus da UFRJ, na capital fluminense. O objetivo é ser um dos mais modernos laboratórios de pesquisa do setor no país. O local será destinado à caracterização do petróleo e de biocombustíveis e pelo desenvolvimento de novos processos voltados à melhoria da qualidade dos produtos derivados do óleo explorado no Brasil.

São 1.150 metros quadrados de área construída, que abrigará doutores, pesquisadores e técnicos nas áreas de química e engenharia química. “Nosso objetivo é agregar valor aos biocombustíveis e também aos produtos derivados do óleo produzido no Brasil, tornando-os mais competitivos no mercado”, disse Angela Uller, diretora da Coppe. “Para isso, nossos pesquisadores vão aprimorar e desenvolver processos voltados especificamente para as características dos nossos combustíveis”, destacou durante a cerimônia de inauguração.
Mais informações: www.coppe.ufrj.br

Fonte: Agência FAPESP

Municípios de Pernambuco são favorecidos com ações de gerenciamento de resíduos sólidos

Marcia Wonghon

Seis municípios de Pernambuco que apresentam baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) estão sendo beneficiados com um programa de gestão de resíduos sólidos. A iniciativa começou a ser implementada no início desta semana, pela Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. As ações, que incluem educação ambiental da população, representam investimentos de R$ 623 mil dos governos federal e estadual.

Segundo o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Aristides Monteiro, sem a conscientização das pessoas as medidas não terão resultados eficazes. “Na questão do lixo, é importante a sensibilização dos moradores para melhoria da qualidade de vida de todo o município”, disse. O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que está sendo concluído pelas prefeituras das cidades contempladas com o auxílio de profissionais de duas consultorias contratadas, prevê ações para melhorar o acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e deposição do lixo, com o objetivo de proteger a saúde pública. Também estão programadas obras para construção de aterros sanitários. As cidades favorecidas são Manari, Ibimirim, Inajá, Custódia, Sertânia e Tacaratu.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Estudo destaca resistência da madeira do pau-brasil

Um estudo realizado no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) destacou as características de resistência do pau-brasil (Caesalpinia echinata), árvore símbolo do País. Segundo o trabalho, a madeira da espécie se comportou de maneira semelhante ao angico-preto (Anadenathera macrocarpa), madeira comercial considerada de altíssima resistência.

Segundo a Agência Fapesp, o trabalho, de autoria da cientista Claudia Alves da Silva, analisou a composição da parede celular da madeira do pau-brasil com o objetivo de verificar a resistência a organismos xilófagos, como cupins e fungos. Foi utilizado o cerne do pau-brasil, a parte do tronco em que está o corante vermelho conhecido como brasileína. Amostras da madeira permaneceram durante semanas em contato com fungos e cupins. Depois, as amostras foram pesadas e o desgaste na madeira mensurado. As comparações foram feitas com as madeiras de eucalipto (Eucalyptus grandis) e pinus (Pinus elliotti), além do angico-preto, muito utilizado na confecção de dormentes de trens, segundo a Fapesp. Enquanto 85,2% dos cupins que foram colocados em contato com a madeira do pau-brasil morreram, o índice de mortalidade dos insetos no angico-preto foi de 86,3%. Em pínus esse índice foi de 55,4%, e, no eucalipto, de 32,5%. Quanto à resistência aos fungos apodrecedores, apenas 1% da madeira do pau-brasil sofreu desgaste. Essa porcentagem foi cerca de 2% para o angico-preto, 10% para o pínus e 16% para o eucalipto.

Fonte: Redação Terra

Fonte de água potável é encontrada em Pequim

A companhia de água de Pequim - cidade sede dos Jogos Olímpicos do ano que vem - anunciou hoje que a água de bica da capital já é potável, o que transformaria a cidade na primeira da China onde se possa beber diretamente da torneira, embora os pequineses ainda não acreditem. A empresa assegurou que a água de Pequim, armazenada em reservatórios ao norte da cidade, superou 106 testes de qualidade "em linha com os padrões nacionais de água potável", conseguindo um verdadeiro marco histórico para uma cidade chinesa. O ceticismo, porém, ainda é forte. "Fiquei sabendo pela imprensa, não acredito e não vou ser a primeira provar", disse Elena Cao, nascida em Harbin - cidade onde o abastecimento de água ficou gravemente contaminado com benzeno há dois anos - e residente em Pequim.
Até agora, os aproximadamente 600 milhões de chineses que vivem em cidades, e muitos dos habitantes de zonas rurais também, bebem água engarrafada, ou fervem a da torneira (freqüentemente com folhas de chá).

Os ambientalistas de Pequim asseguram que a água da cidade foi melhorada graças à introdução de tecnologias de depuração que utilizam ozônio e carbono. Antes das melhorias, a água não alcançava os padrões necessários em 71 dos 106 testes. O Ministério da Saúde chinês pediu aos serviços de abastecimento de água de todas as cidades do país que adotem os padrões de potabilidade antes de 2012. A China sofre uma grave escassez de água, especialmente no norte. Cada chinês, em média, dispõe de 2,2 mil m³ de água por ano, quatro vezes menos que a média mundial. Até 2020 isso diminuirá para 1,7 mil m³, segundo estudos de 2001.

Fonte: EFE

ONG internacional propõe revisão no Protocolo de Quioto

Wellton Máximo

A cinco anos de expirar a primeira etapa do Protocolo de Quioto, que estipula níveis de redução da emissão de gás carbônico para os países desenvolvidos até 2012, o ritmo de cumprimento das metas causa preocupação em ambientalistas e em representantes de movimentos sociais.Enquanto algumas Organizações Não-governamentais (ONGs) pressionam pela criação de um novo tratado sobre o clima, o governo brasileiro diz ser preciso ter urgência nas negociações para a fase seguinte do tratado.

O embaixador brasileiro para Questões Climáticas, Sérgio Serra, que representa o país nas reuniões anuais das partes do Protocolo de Quioto, avalia que ainda é cedo para afirmar se o tratado fracassou.“A partir de 2013, os países que assinaram o acordo estão submetidos a um segundo período de compromissos, o que abre uma nova possibilidade de ajustes”.Serra, no entanto, diz que o processo de redefinição das metas precisa estar concluído pelo menos até 2009. “Os países precisam de pelo menos três anos para ratificar os compromissos que entrarão em vigor em 2013. Há um sentido de urgência em acertar os caminhos das negociações para que possamos seguir adiante.” Para a ONG internacional Avaaz, a demora em cumprir as metas estabelecidas pelo acordo assinado em 1997 representa um sinal de alerta. A entidade é autora da petição que pede aos governos de todo o mundo que negociem o estabelecimento de metas mais rígidas na segunda fase do tratado. O documento é assinado por 390 mil pessoas de 190 países

O embaixador recebeu uma cópia da petição no dia 14 de junho, em uma cerimônia no Itamaraty. Serra diz que encaminhará o documento nos próximos dias para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Como presidente do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Lula certamente terá conhecimento dessa petição”. O Protocolo Quioto é um instrumento para a implementação da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. As nações industrializadas que ratificaram o tratado devem reduzir, até 2012, as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5,2% abaixo dos níveis registrados em 1990. Os países em desenvolvimento não têm metas obrigatórias para diminuição de suas emissões. A coordenadora da Avaaz no Brasil, Graziela Tanaka, diz que as metas acertadas há dez anos estão desatualizadas. “O Japão, a União Européia e o Canadá, bem ou mal, estão reduzindo as emissões dos gases que causam o efeito estufa, mas os Estados Unidos, que são os principais consumidores de combustíveis fósseis, nem sequer ratificaram o tratado”. Graziela acrescenta que a emissão desses gases piorou com o desenvolvimento econômico da China nesta década. “No início da década de 90, a China respondia por uma parcela ínfima das emissões, mas o crescimento foi tanto que hoje ela tem quase o mesmo nível de emissões dos Estados Unidos. Esse é o exemplo mais emblemático de como as metas precisam ser repensadas”.

Segundo um estudo divulgado em abril pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), os chineses emitem hoej 4,7 bilhões de toneladas de gás carbônico por ano. O número é superior aos 3,8 bilhões da Europa e cada vez mais próximo dos 5,8 bilhões lançados ao ar anualmente pelos norte-americanos. A próxima reunião das partes do Protocolo de Quioto ocorrerá em dezembro em Bali, na Indonésia. O embaixador Sérgio Serra evita dar números, mas confirma que os países desenvolvidos precisarão se esforçar mais para cumprirem a segunda etapa do acordo. “Os países industrializados ainda estão distantes de atingir os compromissos assumidos há dez anos".

Fonte: Agência Brasil

Dissertação avalia a diversidade de helmintos em mamíferos para analisar degradação ambiental


<P> Ovo de Trichuroidea encontrado em tamanduá no local (Foto: Márcia Chame)

Catarina Chagas

Queda na população de espécies animais e vegetais, variações de temperatura e diferenças na composição do solo são alguns dos indicadores do que se passa em um determinado ambiente. Mas a história das modificações ocorridas nos ecossistemas pode ser contada também pela contaminação por parasitos. Em sua dissertação de mestrado, recém-defendida na Fiocruz, a veterinária Martha Lima Brandão analisou helmintos de mamíferos da região do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que é Patrimônio Cultural da Humanidade, para avaliar os efeitos da degradação ambiental na região.

Martha participou de quatro expedições ao local, em épocas de chuva e de seca. A área do estudo, além de compreender os limites do parque, incluiu as pequenas comunidades do entorno. Após coletar amostras de fezes, a veterinária procurou identificá-las por seu tamanho, forma e restos alimentares ali presentes, como folhas, sementes, frutos, pedaços de ossos ou partes de insetos, observados com o auxílio de uma lupa. Assim, relatou que as 72 amostras incluídas no trabalho pertenciam a 13 espécies diferentes de animais, entre mamíferos silvestres, como onça pintada e tatu, e domésticos, como cães e porcos.

As amostras foram levadas ao laboratório para análise no microscópio óptico, a partir da qual foram identificados os ovos de parasitos presentes nas fezes de cada animal. Os resultados apontaram, no total, sete espécies de helmintos. Nos hospedeiros silvestres, foram encontrados 29 morfotipos diferentes – grupos de ovos de helmintos com características semelhantes –, enquanto nos hospedeiros domésticos foram encontrados 11. O cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) foi a espécie que apresentou maior diversidade de parasitos, com oito morfotipos diferentes.
“Nossas análises mostraram uma distribuição dos helmintos compatível com a filogenia dos animais estudados”, afirma Martha. “Algumas espécies diagnosticadas em fezes fossilizadas (coprólitos) da mesma região também foram encontradas nas amostras recentes. Isso mostra a continuidade das relações entre os hospedeiros estudados e seus parasitos e indica que tais relações ainda não foram afetadas pela pressão do homem sobre este ecossistema”.

A pesquisadora alerta, também, que os resultados podem ter sido favorecidos por uma imprecisão no diagnóstico dos ovos. “Alguns exemplares encontrados ainda não haviam sido descritos e outros são muito semelhantes, embora apareçam em hospedeiros distintos. Para confirmar se eles realmente pertencem à mesma espécie, precisaríamos estudar os vermes adultos”. As próximas etapas do estudo incluem a análise de mais ovos e a necropsia de animais encontrados mortos no parque, que possibilitará a identificação das formas adultas dos parasitos.
Após este trabalho inicial de desvendar a diversidade dos helmintos da região da Serra da Capivara, será possível acompanhar as mudanças ocorridas no local a partir da análise da relação parasito-hospedeiro nos animais que ali vivem. “Estudos futuros poderão avaliar os impactos da ocupação humana e das mudanças climáticas sobre essas relações a partir dos nossos dados primários”, aponta Martha.

Fonte:Fiocruz

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Público terá oportunidade de saber mais sobre as marés

A frase "a maré não está para peixe" é bem popular, mas pouco compreendida. Muitos sabem prever a maré em função da Lua e do Sol, sem, no entanto, saberem qual a verdadeira relação existente desses dois astros com a Terra. Neste domingo, 1º de julho, no Bate-Papo hiperinteressante, o físico Douglas Falcão irá explicar o fenômeno das marés e mostrará como se conseguia prevê-lo antigamente.

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast/MCT) tem em seu acervo um instrumento mecânico que consegue prever a altura das marés, e será exposto durante o bate-papo. O objetivo é levar o participante a compreender o tema, motivando-o por meio de uma conversa bem dinâmica, conduzida por profissionais da área de divulgação científica.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Mast

Fórum Nordeste 2007 debate biocombustíveis e energias limpas

Os Desafios e oportunidades nos setores de biocombustíveis e energias limpas são o tema do Fórum Nordeste 2007, que acontece na próxima terça-feira, 3 de julho, no Recife (PE). O encontro reunirá especialistas ligados a essas áreas e será aberto, às 9h30, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. Terá, ainda, a participação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que faz palestra às 12h40.

O evento é realizado pelo Grupo EQM e promovido pela Greenfield Business Promotion, e tem apoio do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar), do Banco do Nordeste e do Ministério da Ciência e Tecnologia. Após a solenidade de abertura, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, faz palestra, às 10h, sobre o Fórum Pan-Americano do Etanol, participando como mediador o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha. Às 11h10, o vice-presidente da Dedini, José Luiz Olivério, falará sobre A Capacidade Brasileira de Bens de Capital para Biocombustíveis, tendo como mediador dos debates o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Mario Nastari. Às 12h40, quem fala é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Às 14h05, o tema O Funcionamento dos Leilões de Energias Novas será abordado pelo presidente da Brennand Energia, Mozart Siqueira, com debates mediados pelo presidente da NC Energia, Paulo César Fernando da Cunha.

As Tendências da Energia Elétrica no Brasil serão abordadas, às 15h20, pelo presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, participando como mediador o reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Valmar Correia de Andrade. Às 16h30. O presidente da Koblitz, Luiz Otávio Koblitz, trata do tema A Capacidade Brasileira da Produção de Bioeletricidade, mediando os debates o presidente da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool (Consagro), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho.

O Fórum Nordeste 2007 será encerrado, às 17h40, pelo secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho.

Serviço

Fórum Nordeste 2007 – Desafios e Oportunidades nos Setores de Biocombustíveis e Energias Limpas

Dia: terça-feira, 3 de julho de 2007

Horário: das 9h30 às 17h55

Local: Arcádia Paço Alfândega – Shopping Paço Alfândega - Rua da Alfândega, 35, Bairro do Recife, Recife (PE)

Floresta de terra firme de Caxiuanã contribui para seqüestro de carbono da atmosfera

É o que indica um estudo que será apresentado na próxima terça-feira, dia 3 de julho, no 15º Seminário de Iniciação Científica do Museu Goeldi, em Belém (PA)

Localizada no município paraense de Melgaço, a Floresta Nacional de Caxiuanã abriga, em seus 333 mil hectares, uma multiplicidade de ecossistemas formados por várzeas, rios, baias, campos, capoeiras e florestas de terra firme, principalmente. Pesquisa que investiga as trocas turbulentas entre a floresta e a atmosfera em diferentes regiões da Amazônia, indica que a floresta de terra firme de Caxiuanã se comporta como sumidouro de carbono, retirando, durante o dia, mais gás carbônico da atmosfera do que aquele liberado à noite. O estudo é realizado pelo bolsista de iniciação científica do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), Alessandro Lechinoski, que pesquisa os diferentes processos de trocas de calor, vapor d’água e gás carbônico entre a floresta amazônica e a atmosfera, por meio da análise dos fluxos de carbono e da precisão associada ao seu cálculo estatístico.A pesquisa, que ano passado foi premiada pela Sociedade Brasileira de Meteorologia, será apresentada na próxima terça-feira, dia 3 de julho, durante o 15º Seminário de Iniciação Científica do Museu Goeldi, em Belém (PA).

Os dados utilizados no estudo resultaram de coletas realizadas pelo projeto LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), e são provenientes da torre meteorológica instalada na Flona de Caxiuanã. “Para Caxiuanã o cálculo dos fluxos turbulentos de gás carbônico demonstra que para a floresta de terra firme na região de abrangência da torre, em média, se comporta como sumidouro de carbono”, explica Lechinoski, que cursa engenharia florestal na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). A análise dos dados confirma resultados obtidos em outros pontos da Amazônia, onde a floresta atua como sumidouro de carbono, apresentando absorção diurna de gás carbônico superior à sua liberação noturna. Além de trabalhar conceitos estatísticos, o bolsista de iniciação científica do Goeldi também utiliza a técnica do microscópio matemático, que permite entender o processo de trocas em uma dada escala temporal ou espacial específica. Por meio da investigação comparativa dos padrões de variabilidade de grandezas físicas, tais como temperatura, vapor d’água e concentração de gás carbônico, Alessandro identificou a existência de padrões de comportamento nas trocas entre a floresta e a atmosfera, que ajudam a compreender melhor como esses fenômenos são condicionados por diferentes fatores ao longo do dia. “A determinação precisa dos fluxos turbulentos é importante em estudos teóricos e práticos sobre os processos climáticos e atmosféricos, pois somente com medidas suficientemente confiáveis é possível chegar a uma conclusão sobre o papel da floresta na questão do carbono”, explica.

Segundo Lechinoski, o resultado ainda não pode ser expandido para toda a Flona de Caxiuanã, pois o fluxo de gás carbônico foi calculado em um único ponto da floresta de terra firme. “Além disso, Caxiuanã possui uma diversidade de ambientes, tanto de florestas como de rios, que podem apresentar comportamentos diferentes com relação ao ciclo de carbono”, alerta. Esta possibilidade de generalização dos resultados para outros pontos da floresta é objeto da segunda etapa de iniciação científica do jovem pesquisador pelo Museu Goeldi. “Além do interesse para os estudos do balanço de carbono e do clima, tais análises são relevantes para outras áreas cientificas, inclusive para investigações de caráter bioclimático, como o comportamento de insetos e outros seres da floresta e seu deslocamento em função do microclima”, explica o pesquisador Leonardo Sá, que orientou o estudo. Serviço O 15º Seminário de Iniciação Científica do Museu Goeldi acontece de 3 a 5 de julho, em Belém (PA), no Auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, situado no Parque Zoobotânico do Goeldi, na Avenida Magalhães Barata, 376. Mais informações no site http://www.museu-goeldi.br.

Fonte: Assessoria Museu Goeldi