segunda-feira, 24 de março de 2008

Soja responde por 85% do biodiesel do País

Roberto do Nascimento

O Brasil vai antecipar etapas na adoção do biodiesel, como usar a mistura de 3% ao diesel (B3) a partir de 1º de julho. Mas, por falta de alternativa, a soja será pelos próximos anos a principal fonte de matéria-prima. Hoje, cerca de 85% do biodiesel produzido no País vem da soja, apenas 10%, do sebo bovino e o restante de mamona, dendê, girassol e outras oleaginosas.

O diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel, Sérgio Beltrão, afirma que essa dependência de uma commodity como matéria-prima traz o inconveniente de altas de preços que podem tornar a produção do biodiesel inviável economicamente para os produtores. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a previsão inicial para atender ao B2 era de 880 milhões de litros de biodiesel. Com a mudança, será necessário 1,248 bilhão de litros. "Os próximos leilões, para compra de 660 milhões de litros, agora em abril, tiveram a entrega antecipada para apenas três meses, exatamente para tentar evitar um prazo muito longo, como nos leilões anteriores, que sujeitava os produtores a grandes variações de preços da matéria-prima", diz Beltrão. O fornecimento para aumento da adição de 2% para 3% de biodiesel está garantido, informa.

Por falta de volume de produção e logística das demais matérias-primas, a soja deve ser a principal fonte ainda por cerca de cinco anos, acredita Beltrão. "Tudo vai ser feito como já ocorreu com a soja, mas as outras oleaginosas ainda dependem de mais estudos, de novas pesquisas e de uma logística que ainda não têm." O Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) apresentou esta semana as vantagens econômicas e e sociais do biodiesel. Segundo o agrônomo Almir Monteiro, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/INT) o projeto abre uma cadeia produtiva capaz de gerar trabalho e renda para muitos agricultores, além de poluir menos que o diesel convencional. O Cetene já produz biodiesel com óleos de diversos vegetais da Região Nordeste, como o algodão, pinhão manso, oiticica, dendê, girassol, mamona, entre outros, na Usina Piloto de Biodiesel no município de Caetés-PE.

O próximo passo será a instalação da Usina de Biodiesel Serra Talhada, com capacidade para produção de 3 milhões de litros por ano com a qualidade especificada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a produção associada de 300 toneladas de glicerina para uso farmacêutico.

Fonte: DiárioNet

Encontro aborda manejo e conservação do solo e da água

Carlos Dias

O Hotel Glória, localizado na cidade do Rio de Janeiro, abrigará entre os dias 10 e 15 de agosto de 2008 a XVII Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água (RBMCSA).

O evento é organizado pela Embrapa Solos, Embrapa Agrobiologia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. As inscrições estão abertas e seguem até o início do evento.O prazo para envio dos trabalhos é até o dia 22 de abril pela página da Reunião ( http://www.rbmcsa.com.br ). O objetivo do evento é ser um ponto de encontro de discussões técnico-científicas sobre o estado-da-arte, das perspectivas de avanços científicos e do delineamento de alternativas para a conservação do solo e da água no Brasil, face às mudanças ambientais.

Pretende-se contribuir com o desenvolvimento de uma agricultura sustentável, capaz de atender demandas crescentes pela produção de alimentos, energia e fibras, bem como pela manutenção de serviços ambientais. Vale lembrar que 2008 foi proclamado pela ONU como Ano Internacional do Planeta Terra, tendo como um dos objetivos demonstrar o grande potencial das Ciências da Terra na construção de uma sociedade mais segura, sadia e sustentável. São esperados mais de mil participantes de todo Brasil e também pesquisadores de outros países. Haverá uma área para exposição de empresas, institutos de pesquisa e universidades.

No último dia do evento acontecerá excursão técnica pelo estado do Rio de Janeiro, onde serão expostas situações referentes às práticas de manejo e conservação do solo e da água. O presidente do evento é o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Solos Aluísio Granato de Andrade. Mais informações pelo e-mail contato@rbmcsa.com.br .

Fonte: Embrapa

Brasil sediará encontro sobre clima e qualidade do ar na América do Sul

O Inpe é responsável pela organização do evento

O Brasil sediará o segundo encontro do programa "South American Emissions, Megacities and Climate" (Saemc) em 2008. O Workshop Saemc-2008 será realizado de 2 a 4 de abril, no Itamambuca Eco Resort, em Ubatuba (SP). O evento tem organização do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) e o apoio da APLBA – Associação dos Pesquisadores do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia; do IAI – Instituto Interamericano de Pesquisas sobre Mudanças Globais; SGI, e CNPq.

O Saemc constitui uma rede sul americana de instituições científicas com foco em mudanças na composição química da atmosfera regional e seus impactos no tempo, clima e qualidade do ar da América do Sul. Trata-se um projeto de 4 anos iniciado em 2006 e financiado pelo Inter-American Institute for Global Change Research (IAI). Especificamente, o projeto busca quantificar e estabelecer inventários de emissões de gases e aerossóis de origem antrópicas de grandes cidades e de queima de biomassa (para desmatamento e mudanças do uso da terra) na América do Sul. Com base nestes inventários, modelos atmosféricos regionais com química da atmosfera e aerossóis serão utilizados para estudos de poluição do ar e de mudanças climáticas induzidas pelas emissões.Veja mais informações aqui.

Fonte: Inpe

Água: uso racional é importante para a preservação

Pesquisador fala da importância de economizar o recurso no dia em que se comemora o Dia Mundial da Água

Ao realizar estudos no rio Tocantins, entre 1999 e 2003, o pesquisador especializado em biologia aquática Geraldo Mendes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), catalogou 217 espécies de peixes. Na pesquisa, ele constatou que diversas espécies foram afetadas pela construção da hidrelétrica de Tucuruí. Os resultados dessa pesquisa fazem parte de livro de sua autoria “Peixes do Baixo Rio Tocantins: 20 anos depois da usina hidrelétrica de Tucuruí”. Preocupado em mapear o impacto da ação do homem nos meios aquáticos, Mendes registra, na data em que se comemora o Dia Mundial da Água a importância de se preservar esse recurso. “A contribuição tem que ser individual, cada um deve ter o compromisso sério, intransferível de economizar água”, observou.

Com o objetivo de conscientizar a população mundial sobre a importância da água na vida do ser humano e para o meio ambiente, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, em 1993, 22 de março como o Dia Mundial da Água. Metade da população enfrenta, hoje, problemas de abastecimento hídrico. Muitas fontes de água estão poluídas ou secaram: 97% da água existente no planeta Terra é salgada, e 2% formam geleiras inacessíveis e apenas 1% é de água doce, armazenada em lençóis subterrâneos, rios e lagos. Além disso, 1% da água doce corre o risco de acabar.

Da água, surgiram as primeiras formas de vida e dessas, originaram-se as formas terrestres, as quais conseguiram sobreviver na medida em que puderam desenvolver mecanismos fisiológicos que lhes permitiram retirar água e retê-la em seus próprios organismos. A água é fundamental para o planeta terra, e a evolução dos seres vivos sempre dependerá da disponibilidade desse recurso.

Fonte: MCT

Museu Goeldi promove Festa Anual da Árvore

Palestras e atividades chamam atenção para o desmatamento

Desmatamento urbano desenfreado e as suas conseqüências para a população de Belém (PA). Com essa preocupação constante, o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) promove, desta terça-feira (25) até domingo (30), a "Festa Anual da Árvore" para debater e gerar ações de preservação ambiental.

Com o tema "Desmatamento x Aquecimento Local", o maior objetivo do evento, que se realiza há oito anos, é promover a conscientização quanto à importância de manter conservada a biodiversidade nas áreas urbanas, particularmente, em Belém. O tema propõe a análise da relação entre degradação ambiental e alterações climáticas. Em Belém e no Pará, o que o aumento da temperatura local pode causar aos moradores da cidade? Para responder essa pergunta, Leandro Ferreira, pesquisador da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia do MPEG, faz palestra sobre "A perda da cobertura vegetal de Belém e suas conseqüências para a população".

Além disso, será apresentado um diagnóstico sobre "O avanço do desmatamento na Grande Belém", em palestra proferida pelo pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Adalberto Veríssimo. Na comemoração será lançada a "Trilha das Palmeiras", uma trilha diferente das que o Núcleo de Visitas Orientadas ao Parque Zoobotânico (Nuvop) costuma realizar. É a primeira vez que o Núcleo apresenta uma trilha de árvores específicas. "Desta vez será mostrada a importância econômica e cultural das palmeiras da nossa região. Os participantes conhecerão 14 espécies da árvore," informa Helena Quadros, coordenadora do Núcleo.

Árvore Símbolo

A Festa deste ano tem como árvore símbolo o Mogno (Swietenia macrophylla King), madeira de ocorrência no sul e sudeste do Pará. Árvore de grande porte, com folhagem densa e bem distribuída, ela pode chegar a até cinco metros de altura. A casca é pardo-avermelhada, grossa e apresenta fissuras. É uma das principais árvores alvo do desmatamento e comercialização ilegal por ser muito aceita no mercado internacional e por sua vasta utilização na confecção de móveis de luxo, lambris, laminados, além de sua utilidade nas construções civil e naval. O Mogno é espécie citada na lista das espécies ameaçadas de extinção elaborada pelo projeto Biota Pará, coordenado pelo Museu Goeldi, Conservação Internacional (CI) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Fonte: Museu Goeldi

MMA firma acordo com supermercadistas para reduzir emissões

Lucia Leão

O Ministério do Meio Ambiente, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) assinam, no dia 26 de março (quarta-feira), Acordo de Cooperação Técnica com vistas a reduzir a emissão de SDOs (Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio) dos aparelhos de refrigeração utilizados pelos supermercados brasileiros. Estima-se que esses equipamentos sejam responsáveis pelo lançamento de quatro mil toneladas/ano de gases CFCs (clorofluorcarbono) e HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), equivalente a cerca de 40% de toda a emissão desses gases no País.

Em termos de efeito estufa, essa quantidade equivale a 7 milhões de toneladas de CO2.
O acordo prevê a difusão de informações para a conscientização dos 74 mil supermercadistas do País para os benefícios ambientais e econômicos da substituição, ou, se não for possível, da boa manutenção dos freezers, refrigeradores, balcões frigoríficos, ar-condicionados e outros aparelhos de tecnologia obsoleta, que ainda utilizam SDOs. "É um jogo de ganha-ganha. As boas práticas de manuseio e a boa manutenção desses equipamentos, além do benefício ambiental da redução do uso de CFCs e HCFCs, reduzem o consumo de energia, um benefício econômico para os empresários", constata o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas, Ruy de Goes.
O diretor do MMA também destaca que o acordo prepara o setor supermercadista para o cumprimento do Protocolo de Montreal, através do qual 191 países se comprometeram a abandonar, gradativamente, a utilização de SDOs. Em obediência ao Protocolo, desde o ano passado o Brasil já não importa nem produz CFC e, a partir de 2012, restringirá também o uso do HCFC.

O acordo entre MMA, Abras e Abrava não prevê aporte de recursos, mas ação compartilhada para o levantamento e diagnóstico, planejamento estratégico, assessorias técnicas e programas educativos. A iniciativa visa aumentar a eficiência energética dos equipamentos de refrigeração das lojas, por meio da conscientização e incentivo das Boas Práticas de Uso e Manutenção e, paralelamente, obter a redução gradual da emissão dos gases de efeito estufa na atmosfera.

Fonte: MMA

Escondidas nas ilhas

Alex Sander Alcântara

Um inventário de serpentes realizado em 18 ilhas da costa paulista revelou a ocorrência de 13 novas espécies sem registro nas principais coleções herpetológicas do Brasil.

O estudo, cujos resultados foram publicados pela revista Biota Neotropica, revista do programa Biota-FAPESP, partiu dos registros nas coleções do Sudeste brasileiro e de coletas de campo, realizadas em 11 das ilhas. De acordo com os autores, os ecossistemas insulares são cada vez mais ameaçados pela ação humana. Além de listar espécies de serpentes habitantes de ilhas paulistas ainda indisponíveis na literatura, o estudo buscou detectar e corrigir erros de nomenclatura nas coleções zoológicas. “Procuramos ainda comparar a composição da fauna de serpentes entre as ilhas, incluir novos espécimes na coleção do Instituto Butantan e, principalmente, discutir medidas de conservação ambiental e proteção das espécies em risco de extinção”, disse Paulo José Pyles Cicchi, um dos autores da pesquisa, à Agência FAPESP.

A pesquisa, segundo o pesquisador do Laboratório de Herpetologia do Departamento de Zoologia do Instituto de Biocências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), chama atenção principalmente para a grande fragilidade dos ecossistemas insulares, ameaçados pela ação humana, seja pela ocupação desordenada, seja pela exploração econômica do turismo nessas ilhas. Os 13 novos registros realizados dividem-se em sete ocorrências, na Ilha do Cardoso ( Chironius bicarinatus, Chironius multiventris, Dipsas petersi, Echinanthera bilineata, Echinanthera cephalostriata, Helicops carinicaudus e Xenodon neuiwiedii), três novos registros em Ilha Comprida (Bothrops jararacussu, Chironius bicarinatus e Helicops carinicaudus), um registro de Spilotes pullatus na Ilha Anchieta, uma ocorrência de Liophis miliaris na Ilha das Couves e, finalmente, um registro de Bothrops jararaca na Ilha dos Porcos. A pesquisa, conduzida com apoio do programa Biota-FAPESP, foi feita entre 2000 e 2005 e coordenada por pesquisadores da Unesp de Botucatu, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e do Instituto Butantan.

Segundo Cicchi, 36 espécies das famílias Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae foram registradas na coleta de campo. “As ocorrências inéditas nos registros demonstram a carência de estudos de inventário em ilhas e de levantamentos que permitam conhecer nossa biodiversidade e propor atitudes de conservação antes que espécies sejam perdidas”, explicou. O trabalho de amostragem das espécies foi realizado a partir do levantamento bibliográfico da Coleção Herpetológica do Instituto Butantan, do Museu de Zoologia da USP, do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas e do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Além de Cicchi, assinam o artigo Denise Peccinini-Sealem e Marco Aurélio de Sena, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e Marcelo Ribeiro Duarte, do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan.

Métodos combinados

Para o levantamento de campo foram feitas cerca de 125 viagens às ilhas, com equipes que variavam de um a 13 coletores, utilizando uma combinação de métodos conhecidos como “abundância relativa” e “freqüência de espécies”, além da “busca ativa”, “procura visual limitada por tempo” e armadilhas de interceptação e queda, conhecidas como pitfall traps. As categorias de “abundância relativa” foram aplicadas para definir a raridade das espécies, consideradas “comuns” quando ocorrem em mais de cinco ilhas, “pouco freqüentes” quando aparecem em quatro ilhas diferentes e “raras” quando são encontradas em três ou menos ilhas.

Comparada aos registros da literatura disponível e combinada aos outros métodos, a “abundância relativa” detectou 44,4% de espécimes considerados raros, 25% tidos como pouco freqüentes e 30,6% considerados comuns. As serpentes mais freqüentes foram as Micrurus corallinus, presentes em 12 das 18 ilhas estudadas, seguidas das Bothrops jararaca e Liophis miliaris, em 11 ilhas, e das Bothrops jararacussu e Chironius bicarinatus, em 10 ilhas. De acordo com os autores do trabalho, o método permite a visualização em porcentagens das espécies dominantes e raras em cada região. Entretanto, sua utilização adequada depende de uma padronização das metodologias de levantamento de espécies. “A grande maioria dos métodos de levantamentos é específica para algumas espécies, como as armadilhas de interceptação e queda que permitem a coleta quase que exclusiva de serpentes de hábitos terrestres, não sendo satisfatória para coleta de animais arborícolas”, disse Cicchi.

“Caso a abundância relativa seja feita com dados exclusivos desse método, poderá demonstrar resultados pouco legítimos sobre a diversidade na região. Por isso, o interessante para um bom trabalho de levantamento de espécies é utilizar metodologias diferentes para obter dados mais confiáveis”, completou. Para o pesquisador, o estudo indica a necessidade de associação de esforços e uma efetiva intervenção política para a transformação dessas regiões em áreas de proteção ambiental como reservas biológicas ou parques estaduais, diminuindo ao máximo a ação destrutiva humana.

Em ilhas como Monte Trigo, a fauna de serpentes foi definitivamente extinta, segundo o pesquisador. Na ilha Anchieta, onde predadores carnívoros foram introduzidos pela população nativa, algumas espécies representativas provavelmente desapareceram. “A estabilidade da fauna e flora insulares é bastante frágil, o que aumenta a probabilidade de extinções e reforça a necessidade de políticas de conservação. Uma parte considerável dos animais incluídos na lista internacional de espécies ameaçadas de extinção consiste em espécies que só ocorrem em ilhas”, afirmou. Para ler o artigo Snakes from coastal islands of State of São Paulo, Southeastern Brazil, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

sábado, 22 de março de 2008

Nova estratégia de combate à esquistossomose


A imagem de micrografia eletrônica mostra um par de Schistosoma mansoni, verme causador da esquistossomose (foto: Davies Laboratory / Uniformed Services University).

Igor Waltz

Técnica é capaz de silenciar gene essencial para o parasita e diminuir seu poder de infestação

Um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pode abrir caminho para um tratamento mais eficiente e sem efeitos colaterais da esquistossomose. Os pesquisadores aplicaram uma técnica, chamada de interferência por RNA, para desativar um gene essencial do Schistosoma mansoni, verme causador da doença, e, dessa forma, diminuir seu poder de infestação. A técnica pode ser promissora também no combate a outras doenças.

A esquistossomose, popularmente conhecida como barriga d’água, é uma doença crônica, típica de países tropicais e subtropicais onde não haja boa infra-estrutura de esgotos. No Brasil, a moléstia atinge em torno de 10 milhões de pessoas, ou cerca de 5% da população. Em seu estágio mais avançado, pode causar diarréia e problemas no fígado, rins e bexiga. A equipe da Unicamp selecionou um gene fundamental para o metabolismo do verme causador da esquistossomose e identificou, dentro desse gene, uma seqüência de RNA mensageiro responsável pela transferência da informação genética. Com o auxílio de um programa de computador desenvolvimento pelo próprio grupo, foi criada uma pequena molécula de RNA (molécula de interferência) que, ao ser injetada no hospedeiro, destrói esse pedaço do RNA mensageiro. Dessa forma, ela é capaz de ‘silenciar’ o gene, sem causar dano ao organismo do hospedeiro. Durante os experimentos iniciais, realizados diretamente com o verme S. mansoni, os resultados apontaram uma redução de 60% na atividade do gene. Em testes com animais, foi observada uma diminuição de até 27% no número de vermes no organismo dos hospedeiros.

Alternativa promissora

Segundo a geneticista Iscia Lopes-Cendes, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, ainda não é possível falar em cura para a esquistossomose. Mas a interferência por RNA se mostra uma alternativa de tratamento muito promissora. Para a pesquisadora, que trabalha com a técnica desde 2002, a interferência por RNA apresenta diversas vantagens em relação à terapia tradicional para a esquistossomose, entre elas, a de não causar efeitos colaterais aos pacientes. “Durante os testes, não foi relatado qualquer efeito sobre o organismo dos animais. Além disso, essa técnica permite facilmente redesenhar a molécula no programa de computador, para ajustá-la à resistência e a mutações do parasita.” Lopes-Cendes ressalta que a interferência por RNA, técnica que garantiu aos seus criadores, os pesquisadores norte-americanos Andrew Fire e Craig Mello, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2006, pode ser aplicada para tratar outras doenças. “Trata-se de um mecanismo que pode ser utilizado não apenas para combater doenças causadas por vermes, mas também por bactérias e vírus.”

A geneticista acredita que estudos com o RNA podem ser o primeiro passo para futuros tratamentos customizados de doenças. “Em algumas décadas, os médicos passarão a prescrever medicamentos voltados para as necessidades e características de cada paciente, e não mais de maneira genérica”, vislumbra.

Fonte: Ciência Hoje

Algas calcárias: fonte de lucros em terra e de vidas no fundo do oceano

Vinicius Zepeda

As algas calcárias são plantas marinhas, impregnadas de carbonato de cálcio, que ocorrem em todos os oceanos desde zonas entre marés até grandes profundidades. Estes organismos, ao lado dos corais, são os principais responsáveis pela construção de recifes naturais. Juntos, formam as maiores construções vivas do planeta, fornecendo habitat para vários seres marinhos. Apesar de ocuparem menos de 1% do fundo dos oceanos, os recifes e bancos de algas calcárias servem como lar ou recurso vital para de 25% a 33% das criaturas do mar. Os depósitos de algas calcárias na forma de vida livre têm sido explorados por centenas de anos na Europa. Estudos sobre a viabilidade do uso sustentável deste recurso surgiram ao longo das últimas décadas. As algas calcárias podem ser empregadas como filtro biológico, no mar ou em aquários, como também na forma de fertilizantes ou corretivos à acidez dos solos na agricultura. Outras aplicações incluem sua utilização para indicar a existência de petróleo e ainda como suplemento alimentar natural para prevenir a falta de cálcio nos ossos em idosos, no combate contra a osteoporose.

Alguns estudos já apontaram o Brasil como o detentor do maior depósito de algas calcárias do planeta. A bióloga Márcia Figueiredo Creed preocupa-se há muitos anos com o tema da exploração desses recursos naturais do litoral brasileiro: “Pouco sabemos sobre a diversidade das espécies existentes aqui e a retirada delas é feita visando apenas o interesse econômico, sem se importar com o equilíbrio ambiental”, alerta. Docente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no qual leciona no programa de pós-graduação em Botânica, Márcia trabalha atualmente na pesquisa Paradigma entre a conservação e o uso sustentável de bancos de algas calcárias, projeto que recebeu recursos do programa APQ1 (Auxílio à Pesquisa) da FAPERJ.

Encontradas em profundidades que variam desde zonas entre marés até 280 metros, a alga calcária é o único vegetal marinho vivente em locais tão profundos nos oceanos. A distribuição dos bancos de algas calcárias no Brasil abrange desde a costa do Maranhão até o litoral do Norte Fluminense, sendo encontrados ainda na Baía da Ilha Grande e na Ilha do Arvoredo, em Santa Catarina. A pesquisa coordenada por Márcia Creed conta com uma equipe de oito pesquisadores, incluindo colaboradores de Austrália e México, além de estudantes de mestrado e doutorado do Jardim Botânico e do Museu Nacional/UFRJ. “Constatamos por meio de nossa pesquisa que o delta do Rio Paraíba do Sul, no Norte Fluminense, mais precisamente no município de São Francisco de Itabapoana, é tão rico em algas calcárias quanto o sul do Espírito Santo, região tradicionalmente conhecida como a que possui a maior reserva destes vegetais no país”, afirma a bióloga.

De acordo com a pesquisadora, que é mestre em Botânica pelo Museu Nacional/UFRJ e posteriormente obteve o título de doutor em Ecologia pela Universidade de Liverpool (Reino Unido), dois exemplos de recifes naturais formados por algas calcárias que já contam com a proteção ambiental da legislação brasileira são o parque marinho de Abrolhos, no sul da Bahia, e o Atol das Rocas, próximo ao arquipélago de Fernando de Noronha. De acordo com a pesquisadora, o uso do calcário marinho como suplemento alimentar contra a osteoporose ainda é incipiente no país, apesar dos custos relativamente baixos de sua produção. “Há uma indústria no sul do Espírito Santo que desenvolve o suplemento, que possui 22,5% das necessidades diárias de cálcio, concentração bem maior que as encontradas em similares naturais de ômega-3”, explica Márcia.

Com relação ao emprego do calcário das algas na fertilização de solos, a bióloga afirma que já estão comprovadas as suas vantagens quando comparadas ao do calcário terrestre – ainda hoje o mais utilizado na agricultura. “Junto das algas calcárias há toda uma fauna de pequenas bactérias que não existem no calcário terrestre, e que servem para decompor a matéria orgânica e aumentar a porosidade dos solos”, diz.

Para Márcia Creed, enquanto o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) possui uma série de programas para evitar a coleta indiscriminada de corais, ainda há poucas ações para a preservação dos bancos de algas calcárias. “Muitas vezes estes vegetais, na forma de rodolitos (alga calcária de vida livre) são arrastados até a beira de praias e retirados indiscriminadamente por pessoas que ignoram a importância deles para a conservação da natureza”, lamenta. “Uma das soluções para aliar o equilíbrio ambiental como o uso do potencial econômico destes vegetais seria a coleta deles em áreas mais distantes da costa, ou seja, em águas profundas. Ali, o solo tem menos nutrientes, a fauna e a flora é mais pobre e o impacto ambiental seria indiscutivelmente menor”, avalia.

O trabalho desenvolvido sob a coordenação de Márcia foi subdivido para dar mais agilidade à pesquisa e deve levar dois anos para estar inteiramente concluído. O objetivo é que durante esse período sejam produzidos diversos artigos sobre o uso e a conservação de algas calcárias no Brasil. No caso particular da conservação, o tema vem sendo explorado pelo estudante de doutorado em Botânica pelo Museu Nacional (UFRJ) Alexandre Bigio Villas Boas, que vem desenvolvendo estudos sobre os rodolitos, algas calcárias de vida livre que servem de habitats para a fauna associada, como briozoários e esponjas, entre outros.

Já sua colega e também mestranda Maria Carolina Henriques tem dedicado seu tempo a catalogar as espécies de algas calcárias encontradas em depósitos de regiões oceânicas. Segundo ela, em dois anos será possível realizar um inventário de todas as algas encontradas em Abrolhos, no Norte Fluminense e no Espírito Santo. A estudante de mestrado em Botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Sulamita Oliveira Barbosa, junto com o pesquisador Everaldo Zonta, do Laboratório de Análises do Solo, Plantas e Resíduos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), vem realizando experimentos que testam o efeito das algas calcárias e de outras macroalgas associadas aos rodolitos, no cultivo de hortaliças.

Para Márcia Creed, a pesquisa será útil para identificar as espécies de algas calcárias existentes no país e para aferir a taxa de reprodução e de crescimento dos depósitos onde elas se encontram. “Algumas espécies demoram centenas, outras, milhares de anos para atingirem um tamanho de 10 cm (de maior diâmetro), o que torna sua coleta indiscriminada uma ameaça ao meio-ambiente”, afirma. A equipe coordenada pela bióloga irá participar da organização do 3º Workshop Internacional de Rodolitos, previsto para março de 2009, no Rio de Janeiro. “O evento reunirá pesquisadores do mundo inteiro”, informa Márcia. Ela diz que ainda há poucos pesquisadores estudando o assunto não só no Brasil como no exterior. “Por isso, o objetivo de nossa pesquisa também é o de formar novos estudiosos e especialistas para que possamos continuar pesquisando o tema”, conclui a bióloga.

Fonte: Faperj

quarta-feira, 19 de março de 2008

Itapoá é primeira cidade no País a ter plano de gerenciamento

Grace Perpetuo

Uma iniciativa de vanguarda marca os 20 anos de criação do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), coordenado nacionalmente pela Gerência de Qualidade Costeira do Ar (GQCA) do Ministério do Meio Ambiente: a cidade de Itapoá, em Santa Catarina, acaba de se tornar a primeira no País a ostentar um plano de gerenciamento costeiro em nível municipal.

O PNGC foi instituído em 1988 pela Lei 7.661. "Ao longo desses 20 anos, houve um forte investimento do MMA para que os 17 estados costeiros do Brasil estruturassem seus planos estaduais de gerenciamento costeiro e outros instrumentos previstos no PNGC, como sistemas de informação e zoneamentos costeiros - e esse indício de capilarização é um fato a ser celebrado", diz Márcia Oliveira, coordenadora, no ministério, do Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima (ou Projeto Orla), outra ação do GQCA a entrar em fase de balanço em 2008.
"Esse ano iniciamos também a avaliação do processo de implementação do Orla, para avaliar as potencialidades e dificuldades do projeto desde sua implantação, em 2001, levando em conta as mudanças que sofreu ao longo do período", explica Márcia. O Projeto Orla é uma ação conjunta entre o MMA - por meio do GQCA, na Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental (SMCQ) - e o Ministério do Planejamento, no âmbito da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Suas ações buscam o ordenamento dos espaços litorâneos sob domínio da União, aproximando as políticas ambiental e patrimonial, com articulação entre as três esferas de governo e a sociedade.

De acordo com a coordenadora do Orla, foi contratada a consultoria do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) para o processo de avaliação, que será realizado em três etapas: questionário eletrônico; estudos de caso em oito municípios; e realização de uma oficina para discutir resultados e definir novas diretrizes para fortalecer o projeto. "A avaliação será feita com as coordenações estaduais de gerenciamento costeiro e, nos municípios, com os atores que participaram do processo de implementação do Orla, envolvendo também a rede de multiplicadores do projeto - 250 pessoas dos estados costeiros que foram capacitadas em 2005 -, para entender em que a iniciativa foi catalizadora de boas ações e em que precisa ser fortalecida", diz, explicando que a consultoria se encerra no fim do ano.

Fonte: MMA

Justiça Agrária pode tornar mais ágil resolução de conflitos, diz presidente da SNA

Alana Gandra

A invasão de terras e a destruição de propriedades privadas por movimentos sociais ligados à questão da terra e o desmatamento de áreas preservadas por lei são os pontos que o Plano Nacional de Combate à Violência no Campo deveria priorizar. A opinião é do presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Octavio Melo Alvarenga.

O plano será debatido hoje (18) durante reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), na sede da SNA, no Rio de Janeiro. A comissão é presidida pelo desembargador Gercino José da Silva Filho, que é o ouvidor agrário nacional.Em entrevista à Agência Brasil, Alvarenga defendeu a criação da Justiça Agrária especializada como mecanismo para tornar mais ágil e menos burocrática a resolução dos conflitos rurais e das questões relacionadas ao meio ambiente que, afirmou, não podem ser dissociadas. “Porque não deixa de ser uma violência que se pratica contra a natureza também no campo, quando você começa a desmatar ou a poluir”.

Para Alvarenga, a Justiça Agrária especializada “teria que ser um procedimento mais rápido, porque senão não adianta nada. Deixa ficar a pasmaceira que está”. Essa nova área da Justiça englobaria o setor agro-ambiental, reiterou Alvarenga. “Você não pode desvincular o agrário do ambiental. Uma coisa está ligada à outra”.De acordo com o presidente da SNA, o assunto já teria sido remetido à Câmara dos Deputados pelo deputado Rogério Cabral, presidente da Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O deputado pediu uma proposta de emenda à Constituição criando a Justiça Agrária Federal.

Alvarenga disse que a concretização da proposta, entretanto, será difícil. “Na balbúrdia em que estão as coisas e com a numerosa legislação agrária, mal feita, com leis mal redigidas e decretos piores ainda, fica muito difícil você conseguir alguma coisa de prático”, afirmou. Procurado pela Agência Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra esclareceu, por meio da assessoria de imprensa, que não havia sido convocado para participar da reunião e que só se pronunciará depois de divulgado o Plano Nacional de Combate à Violência no Campo.

Fonte: Agência Brasil

Pessoas físicas vão ganhar crédito de carbono

Roberto do Nascimento

Um dos bancos mais atuantes em questões ambientais, o Real, lançou um fundo que vai permitir aos investidores pessoa física participar de um mercado que estava praticamente restrito a empresas e instituições, o mercado de créditos de carbono, que busca reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global. I banco vai restaurar a mata ciliar da Bacia do Rio Juquiá, ação que, além dos benefícios ao meio ambiente, já está gerando renda para a comunidade de São Domingos, localizada no município de Registro, localizado numa das regiões mais carentes do interior de São Paulo.

São 250 hectares, que devem receber inicialmente 126 mil árvores de espécies nativas, incluindo palmito, que não será extraído, mas terá o aproveitamento dos frutos, gerando mais rede para os habitantes. O consultor socioambiental do Banco Real Victor Hugo Kamphorst informa que a área será capaz de gerar inicialmente o equivalente a cerca de 60 mil créditos de carbono. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) ou seu equivalente que deixa de ser lançada na atmosfera, contribuindo para reduzir o efeito-estufa.
Do total, 49740 toneladas de CO2 devem ser destinadas à neutralização das emissões do próprio banco e 10 mil toneladas vinculadas ao Fundo Floresta Real, um investimentos de renda fixa pelo qual o cliente receberá, além dos rendimentos normais, o crédito de carbono em dinheiro.

O novo fundo possui taxa de administração de 1% a.a. e taxa de saída decrescente até zerar em três anos. O valor mínimo para aplicação é de R$ 25 mil e as movimentações adicionais são de R$ 1 mil. Cada R$ 25 mil mantidos por três anos dá ao investidor o crédito de carbono.
Nos dois casos, o projeto de neutralização do banco e o fundo, os créditos provêem do Programa Floresta Real, feito de acordo com o mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), dispositivo criado pelo Protocolo de Kyoto para auxiliar na compensação/redução de emissões de gases-estufa. Ou seja, obedece às rigorosas normas de projeto, execução, acompanhamento e fiscalização exigidos por Kyoto.

A iniciativa, que já garante renda extra aos habitantes locais, por meio de venda das primeiras 28 mil mudas que vão recuperar as matas ciliares, vai ser transformada em reserva permanente de proteção e tem um contrato inicial com garantia de 20 anos de monitoramento.
Dependendo do resultado desse primeiro fundo de R$ 250 milhões, outros devem ser lançados, informa Kamphorst. Um crédito de carbono está cotado hoje em cerca de 16 euros por tonelada, pouco mais de R$ 40.

Fonte: DiárioNet

Marina Silva fala com ministro francês sobre importação de madeira

A ministra do Meio Ambiente brasileira, Marina Silva, falou por telefone ontem com o titular da Ecologia francês, Jean-Louis Borloo, sobre questões de importação de madeira exótica, um dia depois de ativistas do Greenpeace atacarem uma carga deste produto quando seria descarregado em um porto francês.

Os dois ministros dialogaram sobre a autorização do comércio da madeira e a perspectiva de que o Brasil adote a norma européia em matéria de certificados e de luta contra o desmatamento, informou o Ministério da Ecologia francês em comunicado. "Trata-se de lutar contra o desmatamento selvagem das florestas primitivas, que vão contra a biodiversidade e a luta contra a mudança climática", diz o texto. Borloo pediu que os serviços alfandegários intensifiquem a vigilância e o controle sistemático dos certificados de autorização das cargas de madeira que chegam à França.

O ministro francês afirmou que pretende defender "uma posição ambiciosa" diante de seus parceiros da União Européia (UE), cuja Presidência estará nas mãos de Paris no segundo semestre do ano, período no qual impulsionará "uma melhora da luta contra o comércio ilegal de madeira exótica". Militantes do Greenpeace abordaram na segunda-feira um navio com madeira procedente do Brasil perto do porto de Ouistreham, no noroeste da França, em protesto contra a chegada de uma carga que consideram ilegal.

Fonte: EFE

Meteorologistas fazem previsão climática para o segundo trimestre

Especialistas de vários estados se reúnem para realizar previsões do tempo e discutir as mudanças climáticas globais. Esse é o objetivo da 4ª Reunião de Análise e Previsão Climática para os Setores Norte e Leste do Nordeste em 2008, que termina hoje (19).

Os meteorologistas divulgam hoje, último dia do evento, a previsão climática para o Nordeste para o próximo trimestre. O evento se realiza, na sede do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), em Recife. Participam representantes dos Núcleos Estaduais de Meteorologia de todo o Nordeste. No encontro, meteorologistas do Pará, Goiás, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais apresentam trabalhos técnico-científicos e de monitoramento de chuva nos seus estados. Também está em debate o tema "Análise e discussão dos campos atmosféricos e oceânicos globais e dos modelos de previsão".

Na abertura, o pesquisador Paulo Nobre, do Centro de Previsão e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), apresentou palestra com o tema "Mudanças Climáticas Globais e os Impactos em Pernambuco". Nobre é doutor em Meteorologia pela Universidade de Maryland (EUA). Participam também da reunião técnicos dos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e de Integração Nacional (Defesa Civil), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Embrapa, da Sudene, das universidades federal de Pernambuco (UFPE), Rural de Pernambuco (UFRPE) e de Alagoas (Ufal), das Secretarias de Ciência e Tecnologia e de Recursos Hídricos de Pernambuco.

Fonte: Itep

Criação de agência nuclear será debatida em audiência pública

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados pode votar hoje (19) pela manhã requerimento da deputada Rebecca Garcia (PP-AM) para realizar audiência pública sobre a criação de uma agência reguladora de energia nuclear e os resíduos radiativos.A parlamentar lembra que o governo federal pretende ampliar a participação da geração nuclear na matriz energética. Entre as medidas que adotará nesse sentido está a retomada da construção da usina nuclear de Angra 3.

No entanto, "a reativação desse projeto vem provocando reações desfavoráveis decorrentes, em grande parte, da preocupação quanto à destinação dos resíduos que serão gerados pela usina", diz a deputada.Essa preocupação, observa Rebecca, se estende a Angra 1 e Angra 2, uma vez que o País não conta com depósitos definitivos para os rejeitos dessas usinas. "Uma medida eficaz nesse sentido seria a criação de uma agência reguladora de atividades nucleares." Essa iniciativa, no entanto, é prerrogativa do presidente da República.A comissão se reúne no plenário 13, a partir das 10 horas.

Fonte: Agência Câmara

Especialistas definem uso de agrotóxicos em culturas secundárias

Eliana Lima

Em uma iniciativa inédita o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa solicitou a formação de um grupo de trabalho (foto) composto por 22 pesquisadores de institutos, empresas e universidades públicas e privadas além de especialistas do próprio Mapa para discutir a utilização de agrotóxicos nas minor crops(culturas secundárias).

Fazem parte do grupo a Embrapa por meio de oito Unidades de Pesquisa: Agroindústria de Alimentos, Algodão, Amazônia Ocidental, Clima Temperado, Meio Ambiente, Milho e Sorgo, Mandioca e Fruticultura, Uva e Vinho); Instituto Biológico de São Paulo; Universidade de Taubaté – Unitau; Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT e Unesp de Botucatu, SP,
Os objetivos da reunião, que ocorreu por três dias em março deste ano, na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Mapa, foram estudar, debater e subsidiar com alternativas viáveis a proposta da Instrução Normativa Conjunta nº 20 do Mapa, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, de 27 de abril de 2006, levada na ocasião à Consulta Pública. Ela institui critérios e procedimentos a serem adotados para o estabelecimento de limites máximos de resíduos (LMR) de agrotóxicos para as minor crops (culturas secundárias), ou seja, culturas com suporte fitossanitário insuficiente.

Segundo a Norma, são aquelas para as quais falta ou há número reduzido de agrotóxicos e afins registrados, o que acarreta impacto sócio-econômico negativo, em função do não atendimento das demandas fitossanitárias. A inclusão destas culturas na monografia dos agrotóxicos registrados para uso agrícola no Mapa também foi outro ponto debatido no encontro.
Instrução Normativa De acordo com os pesquisadores envolvidos, o grupo de discussão foi formado principalmente porque até o momento, apenas as grandes culturas, denominadas representativas, são consideradas no estabelecimento dos LMR’s. A Instrução Normativa diz que “representativas são as culturas eleitas dentro de um grupo de culturas em função de sua importância econômica, área de cultivo, consumo humano, disponibilidade de agrotóxicos registrados ou similaridade de problemas fitossanitários, a partir da qual os LMR’s podem ser extrapolados temporariamente para as demais integrantes do grupo”. Assim, estas culturas definem o LMR para uma cultura não representativa, aquela que não tem o suporte fitossanitário adequado. “O mesmo agrotóxico aplicado no tomate, considerada uma cultura representativa, também seria aplicado em pimentão, berinjela, jiló, pimenta e chuchu, não representativas, até a realização dos estudos para determinar os LMR’s”, explica Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e um dos organizadores do encontro.

Problemas à vista

No entanto, segundo ele os problemas aumentam quando as pequenas culturas dentro dos grupos representativos das hortaliças, ornamentais e frutíferas são consideradas. “Basicamente não existem produtos registrados para a maioria dessas pequenas culturas e o uso de agrotóxicos por área é mais intenso do que nas grandes. Assim, são constantes as notícias de contaminação com agrotóxicos nesses alimentos”, salienta o pesquisador. Um bom exemplo é o morango.
A especialista do Mapa, engenheira agrônoma Marcella Alves Teixeira, concorda com Bettiol quando diz que desse modo, não tendo registro para pequenas culturas os produtores acabam usando produtos destinados a outras culturas, que já possuem farto material com estudo de resíduos. “As pequenas culturas não têm estudos suficientes para determinar a quantidade de resíduos que pode haver no produto sem causar problemas de contaminação ao consumidor final”, informa ela. Por exemplo, o produto que é usado em cebola (cultura representativa) é usado pelos agricultores também em cebolinha. “A cebola se come o bulbo e o agrotóxico é aplicado na parte aérea, já na cebolinha as folhas é que são consumidas”, compara.

Produtos alternativos

Bettiol enfatiza que além dos agrotóxicos deve ser considerada a situação dos agentes de biocontrole e outros produtos alternativos ou biocompatíveis, como por exemplo, a do leite para controlar oídios e óleos naturais para o controle de pragas, que apesar de não causarem danos ao meio ambiente, não podem ser recomendados oficialmente. Nesse contexto, incluem-se todos os produtos utilizados na agricultura orgânica para fins fitossanitários. Pensando em todos estes problemas dos LMR’s nas culturas e principalmente nas com suporte fitossanitário insuficiente, o Mapa pediu a formação do grupo de discussão, para que estas culturas consideradas não representativas, mas que representam a pequena agricultura, que garante a alimentação da população com hortaliças e frutas, sejam devidamente incluídas na Norma.

Resultados

No desenvolvimento dos trabalhos no grupo de discussão os pesquisadores salientaram que estas considerações demonstram a necessidade de uma forte atuação da Embrapa em conjunto com o Mapa, o Ibama e a Anvisa para tentar reverter o aumento do uso de agrotóxicos por área, além de desenvolver alternativas a estes produtos e às pequenas culturas. Eles dizem que “apesar de constatarmos que é grande o número de princípios ativos registrados para algumas culturas consideradas com suporte fitossanitário insuficiente, resolvemos manter uma lista ampla para permitir o desenvolvimento de pesquisas com essas culturas pelas instituições credenciadas”.

Na ocasião foi discutida a real necessidade da utilização de agrotóxicos para resolver parte dos problemas fitossanitários dessas culturas, ficando evidente que o maior problema é o uso desses produtos em desacordo ao recomendado pelo MIP – Manejo Integrado de Pragas.
Essas informações não são exclusivas para a realidade brasileira. Entretanto, outros países já estão elaborando programas para reverter esse quadro. No Brasil, o Mapa está fazendo a sua parte, chamando os especialistas no assunto para propor uma nova regulamentação na área.
O especialista do Mapa, engenheiro agrônomo Carlos Ramos Venâncio, diz que “pouquíssimos países têm a arquitetura de inter-relação de três órgãos oficiais e também de três ministérios (Mapa, Ibama e Anvisa) na questão do registro de agrotóxicos como o Brasil”, enfatiza.

De acordo com ele, o Mapa financiará os testes de eficiência agronômica e os testes de resíduos para as minor crops. As instituições que se interessarem em fazer os testes receberão apoio financeiro. Ao final do encontro elaboraram uma carta enviada ao Mapa contendo recomendações importantes, desde estabelecer um programa de racionalização do uso de agrotóxicos com normas e padrões de qualidade para a sua aplicação, além de capacitar agricultores, extensionistas e técnicos em práticas de MIP até promover a atualização da grade curricular de profissionais de Ciências Agrárias. Sugerem também que o Mapa considere a urgente necessidade de implementar as estratégias encaminhadas na carta para modificar esta situação e assim permitir que os conceitos de MIP sejam utilizados “de fato” no país.

Fonte: Embrapa

terça-feira, 18 de março de 2008

Exploração de recursos em terras indígenas é tema de audiência Agência Brasil

O projeto de lei que autoriza a exploração de recursos minerais em terras indígenas somente com o crivo do Congresso Nacional e com o pagamento de royalties para os índios e para a Fundação Nacional do Índio (Funai) será discutido hoje (18) na Câmara dos Deputados. A audiência pública começa às 14h30 no Plenário 13. Entre os convidados estão o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Cláudio Scliar; o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto Freitas de Meira; e o diretor- presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), Agamenon Sérgio Lucas Dantas.

Fonte: Agência Brasil

R$ 2 milhões para pesquisa no Amazonas

O Centro Gestor e Operacional de Proteção da Amazônia (Censipam) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) lançaram na semana passada edital de seleção de projetos de pesquisa do Programa de Capacitação Científica e Tecnológica para o Desenvolvimento do Estado e Projetos Aplicados ao Censipam (Prosipam).

O programa reserva R$ 2 milhões para a pesquisa científica no Estado do Amazonas, envolvendo temas exclusivamente regionais. Seis projetos de pesquisa serão selecionados.
Os trabalhos serão executados a partir de 1º de junho, com duração de 24 meses. A ação tornou-se possível a partir de parceria firmada entre o Censipam, a Fapeam e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT). Os pesquisadores interessados poderão submeter propostas de trabalhos ao processo seletivo até o dia 29 de março.

Serão atendidas pelo Prosipam seis linhas de pesquisa, em convergência com as linhas de atuação do Censipam:

1) Modelagem de tempo e clima, na área de meteorologia/proteção ambiental;

2) Desmatamento em áreas especiais (com ênfase em unidades de conservação e terras indígenas);

3) Sistematização de informações/banco de dados (na área de meio ambiente/proteção ambiental);

4) Rede VSAT (Very Small Aperture Terminal), HUB (estação concentradora da rede VSAT) e rede de sensores, incluindo sensores meteorológicos, sensores de detecção de raios, plataforma de coleta de dados, radares meteorológicos e antenas de recepção de imagens meteorológicas (na área de tecnologia da informação/telecomunicações);

5) Radar multipolarimétrico e interferométrico aerotransportado (na área de sensoriamento remoto); e

6) Análise do movimento aéreo (na área de sensoriamento remoto e sistema de informações geográficas).
“São seis bolsas para doutores e seis bolsas para mestres e mais, no mínimo, seis bolsas para graduados e seis bolsas para técnicos de nível médio, compondo quadro de 24 pessoas”, disse Marcelo de Carvalho Lopes, diretor-geral do Censipam. As bolsas têm valores entre R$ 1,1 mil e R$ 6 mil mensais.

O edital está disponível para consulta no site da Fapeam, na seção editais, em www.fapeam.am.gov.br.

Fonte: Fapeam

ONG bloqueia navio com madeira brasileira e acusa UE de financiar desmatamento

Luana Lourenço

Ativistas da organização não-governamental (ONG) Greenpeace bloquearam ontem (17) um navio que transportava madeira brasileira para portos da União Européia (UE). Cinco ativistas da ONG ficaram "pendurados" nos guindastes da embarcação Galina III, em águas francesas, segundo o engenheiro florestal Marcelo Marquesini, que participou do início da ação. Parte da madeira, originária de Santarém (PA), foi desembarcada em Portugal e na Espanha. De acordo com o Greenpeace, por causa do protesto, as autoridades francesas recomendaram que o navio não se aproxime do porto e a tripulação tenta seguir para a Holanda.

Os ambientalistas argumentam que a madeira brasileira, apesar de ser exportada como produto legalizado, tem origem irregular e passa por um processo de "esquentamento" entre a retirada da floresta e a chegada aos portos para exportação. "A madeira sai com documento, mas sabemos que o envolvimento de algumas madeireiras com a ilegalidade é grande. A União Européia consome entre 40% e 50% da madeira produzida no Brasil. É co-responsável pela destruição da Amazônia", afirmou Marquesini. Em relatório divulgado hoje no Brasil, o Greenpeace aponta o bloco europeu como financiador da exploração ilegal da floresta. "A demanda global por madeira e a falta de controle nacional e internacional estimulam e financiam a exploração ilegal e a UE possui uma responsabilidade importante", de acordo com o documento Financiando a destruição: a contribuição do governo brasileiro e do mercado europeu para a indústria ilegal e predatória de madeira na Amazônia brasileira.

O relatório informa ainda que 36% da madeira amazônica são destinados à exportação e que 47% desse total vão para os 27 países da UE. No entanto, "fora as restrições da Convenção Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora, não há nenhum sistema para verificar a legalidade dos produtos comercializados no mercado europeu", segundo o Greenpeace. Atualmente, a UE aplica medidas voluntárias de controle de origem da madeira que chega ao continente. Em troca da certificação, o bloco destina investimentos para a melhoria da administração dos setores florestais de países como Indonésia e Malásia, que ratificaram a parceria. Na avaliação do Greenpeace, além da falta de controle europeu obrigatório, problemas do lado brasileiro, como falhas na fiscalização, impunidade, corrupção e falta de investimento são os principais gargalos do combate à exploração ilegal para exportação.

Fonte: Agência Brasil

Sistema de coleta garante reciclagem de lâmpadas fluorescentes na Poli


Júlio Bernardes

Nenhuma lâmpada fluorescente da Escola Politécnica (Poli) da USP é descartada com os resíduos comuns. O Programa Poli USP Recicla, junto com os zeladores dos prédios e eletricistas, sistematizou o processo de gestão de lâmpadas usadas. Para isso, implantou uma rede de coletores, treinou funcionários da limpeza e fez um trabalho de conscientização entre alunos, professores e funcionários. Todos foram orientados a entregar as lâmpadas aos zeladores, que são colocadas nos coletores dos prédios e recolhidas para reciclagem, evitando a contaminação por substâncias tóxicas.

Criado em 2005, o Poli USP Recicla realizou um diagnóstico da situação dos resíduos na Escola, verificando a quantidade de lixo gerada e as formas de descarte. “Normalmente, programas de coleta seletiva e reciclagem são iniciados com os resíduos mais comuns, como papel, plástico e vidro”, aponta a gestora ambiental, Patrícia Caixeta da Fonseca Franco, da equipe do programa.“Entretanto, o levantamento mostrou uma grande quantidade de resíduos perigosos misturados ao lixo comum, por isso paralelamente foi iniciado um trabalho específico”.

Coleta

O primeiro alvo do programa foram as lâmpadas fluorescentes. Além de serem um produto de uso comum, elas apresentam substâncias tóxicas em sua composição, como mercúrio e fósforo. “A administração da Poli já possuía um processo de reciclagem, e os eletricistas da unidade eram orientados a levarem todas as lâmpadas trocadas para o Serviço de Manutenção e Obras, onde eram encaminhadas para descontaminação por empresa especializada”, conta Patrícia. Porém, algumas pessoas, em função da pressa, faziam a troca por conta própria, sem chamar os eletricistas da Poli. “Com isso havia lâmpadas que não iam para a reciclagem, sendo descartadas com o lixo comum”. O Poli USP Recicla instalou sete coletores de lâmpadas fluorescentes, que atendem todos os prédios da unidade. Ao mesmo tempo, os funcionários da limpeza e zeladores dos prédios foram orientados para utilizar o sistema de coleta, depositando as lâmpadas e i nformando quando os coletores estiverem cheios. Um levantamento feito antes da implantação dos coletores a partir das saídas de material no almoxarifado da Poli mostra que das 2.687, 287 não retornaram para reciclagem.Depois das ações do programa, verificou-se que foram recicladas 2.406 lâmpadas, sete a mais do que as 2.399 saídas registradas do estoque. “A diferença mostra que a coleta também passou a incluir lâmpadas trocadas por conta própria”, ressalta Patrícia. “Agora, com o sistema de coleta implantado, será feita a qualificação da empresa que faz a descontaminação, para garantir que o descarte aconteça de forma ambientalmente correta”, completa a gestora ambiental.

Gestão

A próxima etapa do programa é a implantação da coleta de pilhas e baterias, outro tipo de resíduo perigoso e de uso comum. “No momento estão sendo adquiridos os coletores, que vão ser implantados simultaneamente com um trabalho de conscientização junto a professores, alunos e funcionários da Poli”, aponta Welson Barbosa, gestor do Poli USP Recicla. A coordenação geral do programa é feita pelo professor Vanderley Moacyr John, do Departamento de Engenharia Civil. Ao mesmo tempo, está em andamento um levantamento dos resíduos que oferecem riscos à saúde humana, gerados pelas atividades de ensino e pesquisa nos laboratórios da Poli. “Há muitas substâncias perigosas, como metais pesados, ácidos, bases e solventes, mas não há um detalhamento sobre a origem desses resíduos”, alerta Patrícia. “Muitos laboratórios acumulam essas substâncias porque a grande diversidade de resíduos gerada em pequena quantidade torna inviável a contratação de serviços especializados de descarte, problema que pode ser resolvido numa ação conjunta de toda a Escola”.Os números levantados pela equipe do Poli USP Recicla darão origem a um plano de gerenciamento de resíduos perigosos, que deverá ser colocado em prática no início do ano que vem.

A implantação do sistema, que inclui acondicionamento, armazenamento, tratamento e disposição final, será feita em duas etapas. “Primeiro, será feita a destinação do passivo, ou seja, dos resíduos que já estão armazenados”, explica a gestora ambiental. “A etapa seguinte é gerenciar o ativo, isto é, o resíduo que a Poli produz em seu dia-a-dia”. Mais informações sobre o Poli USP recicla estão no site http://www.poli.usp.br/recicla/

Fonte: Agência USP