quarta-feira, 24 de março de 2010

Futuro da energia

Por Fábio de Castro, da Agência FAPESP
O Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB) – que reúne cientistas de vários países em um esforço internacional para viabilizar a futura produção de energia sustentável em escala mundial – iniciou nesta terça-feira (23/3), em São Paulo, a terceira das cinco convenções que compõem sua primeira etapa.

A Latin American Convention of The Global Sustainable Bioenergy Project prosseguirá até a próxima quinta-feira (25/3), na sede da FAPESP, com o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia. As duas convenções anteriores foram realizadas na Holanda e na África do Sul. As duas últimas estão marcadas para junho, na Malásia, e julho, nos Estados Unidos.

Durante o evento, o presidente do comitê diretor do Projeto GSB, Lee Lynd, professor de biologia do Dartmouth College (Estados Unidos), destacou os rápidos avanços conseguidos pela iniciativa, oficialmente iniciada em junho de 2009.

“Há um ano, todo esse processo era apenas uma ideia. Mas o projeto cresceu e a cada semana temos um círculo maior de participantes. Já nas duas primeiras convenções tivemos indicações de uma possível resposta favorável à questão que colocamos como ponto de partida para o projeto: se é fisicamente possível chegar ao uso de bioenergia em escala global, suprindo ao mesmo tempo as necessidades alimentares e ambientais do planeta”, disse.

Lynd, pioneiro no estudo da utilização da biomassa para a produção de energia, explicou que as convenções têm o objetivo de identificar os obstáculos para a produção de bioenergia em larga escala. No segundo estágio, além de responder se há possibilidade física de uma generalização sustentável da bioenergia, os organizadores vão procurar também responder se esse objetivo é de fato desejável.

“A certeza que temos é que as tendências atuais de consumo de energia não são sustentáveis. A manutenção desses padrões é mais uma fantasia do que uma perspectiva real. Por isso, o primeiro passo para o projeto GSB é tentar mostrar o que é possível, sempre com foco no que é desejável. Sem isso não conseguiremos o apoio dos responsáveis pelas políticas públicas”, disse.

Segundo Lynd, os estudos realizados até o momento deixam claro que a cana-de-açúcar – cuja produção para bioenergia é dominada pelo Brasil – é o melhor dos insumos de primeira geração disponíveis para uso em biocombustíveis.

“A cana-de-açúcar é também claramente competitiva em termos econômicos. O custo do insumo não seria uma limitação. Já o custo da terra configura uma questão importante. Será necessário cultivar variedades com uma composição otimizada para a fotossíntese”, afirmou.

As discussões, segundo Lynd, começam a indicar que há realmente viabilidade física para a produção global de bioenergia sustentável. Com o uso da biomassa, existe até mesmo a possibilidade de se chegar a um ciclo neutro para o carbono. Mas os especialistas ainda não conseguiram um consenso quando se trata de discutir se a adoção da bioenergia como matriz principal é desejável.

“O problema é que existem ainda muitas avaliações negativas disseminadas pelo mundo quanto ao desejo de um futuro com matriz bioenergética. Mesmo aqueles que têm acesso às mesmas informações acabam chegando a conclusões diferentes em relação a isso. Essas divergências refletem as expectativas diferentes em relação à capacidade de inovação e de mudança de hábitos”, disse.

Construir uma visão de futuro
Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e membro do comitê de organização do GSB, o projeto está organizando uma discussão mundial sobre aspectos importantes relativos ao uso de biocombustíveis e bioenergia. Isso está sendo feito na forma de um desafio: será possível substituir 25% da gasolina do mundo por biocombustíveis, preservando o meio ambiente, sem trazer prejuízos à sociedade?

“Trata-se de uma pergunta que sugere uma solução, mas estabelece também obstáculos muito importantes. Muitas vezes, no Brasil, tendemos a supor que a resposta é fácil, já que no país um terço da gasolina foi substituída por etanol. Mas fazer isso em escala mundial é um desafio muito mais complexo – e também um desafio fascinante”, afirmou.

A discussão está mobilizando cientistas de vários países, segundo Brito Cruz. “É preciso que haja essa discussão mundial, para que cada um entenda os pontos de vista dos outros e para que, assim, possamos avançar. É um debate de importância crucial para o Brasil e para o mundo. Essa convenção latino-americana foi organizada para que possamos estabelecer uma linguagem comum sobre a bioenergia, que vai nos permitir uma discussão no cenário mundial.”

Nathanael Greene, diretor de Políticas Energéticas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, disse que o Projeto GSB se caracteriza por um olhar diferenciado: no lugar de focar nas soluções mais prováveis, o grupo tenta imaginar as respostas mais desejáveis. “Em vez de conformar nossas perspectivas à realidade atual, temos que pensar em construir uma visão de futuro”, afirmou.

De acordo com Greene, sem uma visão de futuro sólida e baseada em ciência, não será possível estabelecer metas ao mesmo tempo viáveis e ambiciosas para o futuro energético do planeta.

“Muitas vezes, em nossas análises, estamos extrapolando para o futuro tendências e práticas atuais, o que nos direciona para um futuro extremamente sombrio. Na nossa visão, temos que mudar essa mentalidade e pensar qual é o futuro desejável. A partir daí, vamos fazer uma interpolação para saber como chegaremos a esse objetivo. Temos que levar em conta que existem muitas alavancas tecnológicas e políticas que podemos usar para atingir essa meta de sustentabilidade – e é isso que o GSB está mostrando”, disse.

Glaucia Mendes de Souza, uma das coordenadoras do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), afirmou que a sustentabilidade, por ser um problema extremamente complexo, requer o trabalho conjunto de cientistas de diferentes áreas de pesquisa. Esse, segundo ela, é um dos objetivos da Convenção.

“O Brasil é um exemplo para a indústria de produção de biocombustíveis. Mas temos percebido que há um problema de percepção pública em relação ao que estamos fazendo no país. É importante que se saiba o que estamos pesquisando e como nossa indústria está operando. Essa experiência deve ser mostrada, ao mesmo tempo em que também devemos aprender com as experiências dos outros países. Com essa união poderemos chegar a uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

De acordo com Ricardo Silva, secretário-adjunto de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, o governo paulista tem trabalhado no desenvolvimento de políticas públicas para a expansão do uso de energias sustentáveis.

“Segurança energética e fontes de energia renováveis correspondem a um binômio que tem sido central no estabelecimento de políticas públicas. Temos trabalhado na criação de alternativas para o futuro do estado, dando prioridade à inovação e à pesquisa sobre energias sustentáveis. Projetos como o GSB certamente vão nos ajudar nessa missão”, disse.

Para o deputado federal Arnaldo Jardim, o parlamento brasileiro também tem dedicado muita atenção à questão dos biocombustíveis. Segundo ele, o Congresso aprovou, dias antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em dezembro, um fundo de combate às mudanças climáticas, que deverá estimular a produção de bioenergia. “Vemos com muito entusiasmo também a atuação do governo paulista e da FAPESP nessa área”, afirmou.

Jardim contou que o Congresso também está trabalhando em um projeto de macrozoneamento que regulamentará as zonas de plantio de cana-de-açúcar, impedindo que a produção avance sobre os biomas da Amazônia e do Pantanal.

André Corrêa do Lago, ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que, no setor energético, o Brasil está na ponta tanto em termos de pesquisa científica, como em relação à sustentabilidade.

Segundo ele, a posição da política externa do país em relação aos biocombustíveis está relacionada à Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir da qual o conceito de sustentabilidade foi mundialmente aceito.

“O problema é que esse conceito sofreu certos desequilíbrios em anos recentes. A Convenção do Projeto GSB é muito importante para restabelecer esse equilíbrio. O Brasil tem defendido, no âmbito internacional, esse legado de 1992, que trata a questão da sustentabilidade em seus aspectos ambientais e sociais, mas também econômicos. Do ponto de vista dos países em desenvolvimento, é fundamental que a dimensão econômica não seja esquecida”, afirmou.

Resende/RJ: “A Mata atlântica é aqui” de 24 a 28/03


O projeto da Fundação volta para o Rio de Janeiro esta semana, visitando a cidade de Resende entre amanhã (24 de março) e domingo (28 de março). O caminhão adaptado da SOS Mata Atlântica fica no Parque das Águas em sua última visita ao Estado fluminense.

O projeto tem o patrocínio de Bradesco Cartões, Natura e Volkswagen Caminhões & Ônibus e nesta cidade recebe o apoio de Agência do Meio Ambiente do Município de Resende (AMAR), Mosaico Mantiqueira, Parque Nacional do Itatiaia, ONG SOS 4 Patas, Projeto Viva Óleo, Agenda 21 Resende, Grupo Excursionista Agulha Negra (GEAN), ONG Crescente Fértil e Projeto Corredores Ecológicos.

Entre os destaques da programação estão a palestra “A importância da conservação de áreas protegidas”, em parceria com o Parque Nacional do Itatiaia e do Mosaico Mantiqueira, na quinta-feira (25 de março), e a apresentação teatral “Viva a Reciclagem do Óleo”, em parceria com o Projeto Viva Óleo, no sábado (27 de março).

Na próxima semana, a exposição visita Mogi das Cruzes, em São Paulo.

Se você já visitou a exposição escreva sobre sua experiência para comunicação.apoio@sosma.org.br que iremos publicar seu texto aqui no nosso Blog.

Confira a programação completa de nossa passagem por Resende:

24 de março (qua) – Parque das Águas

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 11h às 16h

11h – Solenidade de Abertura.

16h - Coleta de água do Rio Paraíba do Sul para análise.

25 de março (qui) – Parque das Águas

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 10h às 16h

11h – Palestra: A importância da conservação de áreas protegidas, em parceria com o Parque Nacional do Itatiaia e Mosaico Mantiqueira.

14h - Palestra: A importância da conservação de áreas protegidas, em parceria com o Parque Nacional do Itatiaia e Mosaico Mantiqueira.

26 de março (sex) – Parque das Águas

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 10h às 16h

11h às 15h - Túnel dos sentidos.

14h – Roda de conversa: Curta a Natureza praticando Montanhismo, em parceria com o GEAN - Grupo Excursionista Agulha Negra.

27 de março (sáb) – Parque das Águas

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 10h às 16h

14h – Apresentação teatral: Viva a Reciclagem do Óleo, em parceria com o Projeto Viva Óleo.

15h – Palestra: A Importância da Reciclagem de Óleo de Cozinha, em parceria com o Projeto Viva Óleo.

28 de março (dom) - Parque das Águas

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 10h às 16h

10h30 – Apresentação teatral: Viva a Reciclagem do Óleo, em parceria com o Projeto Viva Óleo.

11h30 – Palestra: A Importância da Reciclagem de Óleo de Cozinha, em parceria com o Projeto Viva Óleo.

FAS confirma presença em Fórum Internacional de Sustentabilidade

Lirio Parisotto e Virgílio Viana, da FAS, confirmaram presença em evento que contará, também, com Al Gore, James Cameron e Thomas Lovejoy

Da Fundação Amazonas Sustentável

O vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Amazonas Sustentável – FAS e presidente da Videolar, Lírio Parisotto, e o superintendente geral da instituição, Virgilio Viana, confirmaram presença como debatedores no Fórum Internacional de Sustentabilidade, promovido pelo Lide, em Manaus, dias 26 e 27.

Lírio Parisotto será um dos debatedores do primeiro dia do evento, durante o tema “A responsabilidade das empresas na criação de uma economia sustentável na Amazônia”. Enquanto Virgílio Viana, no segundo dia do Fórum, debate o tema “REDD e outros mecanismos para a valorização econômica das florestas tropicais. Qual o potencial de serviços ambientais?”.

terça-feira, 23 de março de 2010

GSB divulga resolução para África

Da Agência FAPESP
 A convenção africana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), realizada em Stellenbosch, na África do Sul, de 17 a 19 de março, resultou na publicação de uma resolução. No texto, os especialistas presentes na reunião destacam o potencial do continente para a produção em bioenergia.

O documento destaca a necessidade de se desenvolver urgentemente “uma visão para a bioenergia na África” que leve em conta os desafios do continente, tais como pobreza, segurança alimentar, desenvolvimento econômico, saúde e segurança energética.

“À medida que o mundo considera caminhos para o futuro sustentável e o papel da bionergia nesse contexto, a África apresenta recursos importantes e quer ser um parceiro ativo nesse processo, mas, para isso, será preciso garantir que o desenvolvimento da bioenergia seja implementado de modo a responder a necessidades humanas críticas. Um mundo sustentável exige uma África sustentável”, destacou a resolução.
Nesta terça-feira, na sede da FAPESP, terá início a convenção latino-americana do projeto, reunindo alguns dos principais especialistas no mundo em bioenergia. Tendo em vista viabilizar, no futuro, a produção de bioenergia sustentável em larga escala – definindo estratégias para implementação de políticas públicas –, o projeto GSB é composto, em sua primeira fase, por uma série de cinco convenções internacionais. Cada uma tem o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia.

A convenção em São Paulo é a terceira. Em seguida, serão realizadas as últimas duas, na Universidade Tecnológica da Malásia, na cidade de Skudai, em junho, e na Universidade de Minneapolis, Estados Unidos, em setembro.

O evento é aberto e será em inglês, com tradução simultânea para o português. Mais informações sobre o evento e o projeto: www.fapesp.br/gsb.

OMI debate impacto ecológico do transporte marítimo

Reunião de Londres vai debater formas de reduzir a emissão de gases do efeito estufa por embarcações de todo o mundo; encontro deverá também discutir regras para classificar barcos e navios de acordo com a eficiência energética.

Por Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova York.*


O Comitê de Proteção Ambiental Marítimo está reunido esta semana em Londres para debater a poluição causada pelo transporte marítimo mundial.

O órgão da Organização Marítima Internacional vai também discutir regras para classificar barcos de acordo com a eficiência energética.

Efeito Estufa
"O comitê faz parte da Organização Marítima Internacional e tem como uma de suas principais missões reduzir a emissão de gases do efeito estufa por embarcações de todo o mundo.

Os delegados tentam neste ano aprovar mudanças numa convenção internacional chamada "Marpol" para ajudar a diminuir a poluição causada pelo tranporte marítimo internacional.

Se as propostas apresentadas forem aprovadas, haverá uma área especial perto da América do Norte que precisará fazer um esforço extra para cortar a emissão de gases como o óxido sulfúrico e o óxido de nitrogênio.

Eficiência Energética
Espera-se que também sejam discutidas regras para classificar barcos e navios de acordo com a eficiência energética. Assim, ficará mais fácil para as empresas de transporte investir na renovação de suas frotas de maneira mais eficiente do ponto de vista ambiental".
O encontro de cinco dias termina na sexta-feira, dia 26.

Corais em luta pela sobrevivência

A sobrevivência dos corais, gravemente ameaçada pela acidificação dos oceanos, pesca de arrasto e pelo comércio de joias e enfeites, depende em grande parte de uma conferência que acontece em Doha, capital do Catar. A extração de exemplares centenários movimenta um negócio internacional multimilionário. São tão belos que ganham a forma de colares de US$ 25 mil ou são exibidos em luxuosas mansões.

Para garantir que haja corais para as gerações futuras, Estados Unidos e a União Europeia propõem incluir as variedades vermelha e rosada (Corallium spp. e Paracorallium spp.) na lista de proteção da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites). Os 175 países signatários da Cites estão reunidos entre os dias 13 e 25 deste mês, em Doha, onde votarão a proteção dos corais e de outras 40 espécies, entre elas o atum de barbatana azul.

"Os corais vermelho e rosado estão entre as matérias-primas mais valiosas. Incluí-los no Apêndice II da Cites não proibirá seu comércio, simplesmente o regulará", explicou Kristian Teleki, vice-presidente para Iniciativas de Ciências da SeaWeb, uma organização não governamental internacional que trabalha pela conservação dos oceanos. "Neste momento são explorados de modo insustentável para o comercio de joias", disse Teleki ao Terramérica, de Doha.

Cerca de 32 mil espécies, como a iguana verde (Iguana iguana), o mogno (Swietenia macrophylla) e o urso negro (Ursus americanus) figuram no Apêndice II da Convenção. Ao colocar uma espécie no Apêndice I, como proposto para o atum de barbatana azul, todo seu comércio passa a ser ilegal. "Por mais de 20 anos, os países do Mediterrâneo falam em implementar regulamentos para o coral, e nada foi feito", disse. Os corais vermelho e rosado são encontrados principalmente no Mar Mediterrâneo e no Oceano Pacífico, e estão entre os mais valiosos e comercializados do mundo. Podem parecer plantas, mas na verdade são colônias de pequenos animais, pólipos, que formam os exoesqueletos de carbonato de cálcio que formam os arrecifes.

É precisamente o esqueleto, que permanece depois que morre o pólipo, que é usado com fins comerciais. Os corais vermelho e rosado são animais marinhos longevos, de lento crescimento, que durante séculos foram alvo de intensa pesca para satisfazer a demanda mundial de joias e enfeites, disse Teleki. Os vermelhos podem crescer 50 centímetros, porém, mais de 90% de suas colônias no Mediterrâneo têm de três a cinco centímetros de altura e menos da metade é suficientemente adulto para se reproduzir. Sabe-se muito menos sobre as populações do Pacífico, que ficam em águas do Japão e de Taiwan, ilhas Midway e Havaí.

A extração mundial de corais rosado e vermelho caiu entre 60% e 80% desde a década de 80, e o tamanho dos capturados também baixou significativamente, disse Andy Bruckner, do Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Essa redução de tamanho nos corais vermelhos do Mediterrâneo representa perda de capacidade reprodutiva das espécies entre 80% e 90%, porque os corais maiores têm mais pólipos e, portanto, podem produzir mais colônias novas, disse Bruckner em um comunicado.

O comércio de aquários domésticos também consome grande quantidade de corais, pois são usados para recriar pequenos arrecifes como decoração. "Essa demanda levou a uma explosão do comércio de corais vivos, com crescimento anual entre 10% e 50% desde 1987", afirmou Bruckner em um estudo publicado em dezembro na revista PLoS One. Nessa matéria estima que tal comércio movimente entre US$ 200 e US$ 330 milhões por ano, e que segue em crescimento. Porém, é dada pouca atenção aos impactos sobre os arrecifes, acrescentou. "Precisamos alguma forma de proteção para estes corais, a fim de que os governos e o público compreendam sua importância", disse Teleki.

E isto implica um grande esforço, disse Matt Patterson, ecologista marinho do Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos e coordenador da South Florida and Caribbean Monitoring Network. Em 2005, 90% dos corais das norte-americanas Ilhas Virgens esbranquiçaram. Como consequência, 60% dos arrecifes morreram. Quando foram solicitados recursos para ajudar a proteger os arrecifes que restavam, o governo norte-americano nada fez, disse Patterson ao Terramérica, de seu escritório em Miami. "Imaginemos os protestos e as respostas se 60% da Estátua da Liberdade fosse destruída", disse.

Os arrecifes mantêm entre 25% e 33% das criaturas viventes dos oceanos. Cerca de um bilhão de pessoas dependem direta e indiretamente deles para sua subsistência. Os arrecifes coralinos não fornecem apenas alimento, como também reduzem os impactos de ciclones, furacões e atenuam as ondas. Há poucos anos, os cientistas pensavam que o excesso de pesca era a principal ameaça para os arrecifes, mas agora sabem que é a mudança climática, que aquece os oceanos e os acidifica.

Reduzir as capturas de corais, eliminar da terra os resíduos derivados da sedimentação e contaminação, e impedir que os barcos ancorem em áreas de arrecifes pode ajudar muito a proteger estas formações da mudança climática, disse Patterson. "Os corais são ecossistemas em perigo. A menos que priorizemos sua proteção, podem deixar de existir enquanto estivermos vivos, o que, na verdade, me assusta", acrescentou.

* O autor é correspondente da IPS.

Energia nuclear volta à tona

Por Washington Novaes*

As questões referentes a formatos de energia, já no centro das discussões  quando o tema são mudanças climáticas, também por isso alimentam algumas das mais complexas polêmicas de hoje - principalmente a da energia nuclear. E o combustível mais inflamável dessa polêmica é o mais recente livro de James Lovelock, "pai" da "Teoria Gaia", que entende o universo como um organismo vivo. Lovelock, que já foi adversário acirrado da energia nuclear, agora pensa (Gaia: Alerta Final, Editora Intrínseca, 2010) que não há tempo para esperar outro formato eficaz de redução nas emissões de poluentes, a não ser a energia nuclear.

Considera pequenos os riscos de acidentes na operação (no pior desastre, Chernobyl, morreram 70 pessoas, diz). Quanto à falta de destinação para os perigosos resíduos das usinas, afirma que o lixo nuclear  de uma geradora de mil MW "cabe num táxi", e terá sua radioatividade comparável à do urânio natural em 600 anos. Mas ressalva que não considera a energia nuclear a melhor opção para o Brasil, que tem feito "um bom trabalho com hidrelétricas"; só para países populosos com restrições de espaço.

Seja como for, há uma ofensiva no mundo em favor da energia nuclear. Mas também surgem estudos - até estritamente econômicos - para apontar seus problemas e sua inviabilidade. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, hoje há 53 usinas nucleares em construção no mundo, para gerar 47.223 MW até 2017. Elas se somarão às 436 em operação, com 370.304 MW, que correspondem a 17% da energia total. A elas se devem juntar mais 135 em fase de planejamento (148 mil MW), que elevarão a potência instalada em 50%.

China (16 usinas), Grã-Bretanha (10), Rússia (9), Índia e Coreia do Sul (6 cada), Bulgária, Ucrânia, Eslováquia, Japão e Taiwan (2 cada) são os países com maior número de projetos (O Globo, 25/1). Mas nos EUA, com mais uma usina em construção (já tem 104, ou 19% da energia total), o presidente

Barack Obama anunciou em fevereiro medidas que estimularão esse setor. Ao todo, US$ 54,5 bilhões para várias usinas - embora haja muitas controvérsias internas, já que não há destinação final para resíduos, que continuam armazenados em "piscinas" nas próprias geradoras (o depósito "final" em implantação sob a Serra Nevada continua embargado pela Justiça). Os Emirados Árabes Unidos tocam seu projeto, assim como a Argentina, a Finlândia, a França, o Irã, a Indonésia. Na Itália, que renunciou à energia nuclear em 1987, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi está oferecendo incentivos financeiros a municípios que aceitem novas usinas. O argumento central é o de que a Itália importa 85% da energia que consome.

Por aqui, o presidente da República e a ministra Dilma Rousseff continuam a defender novas usinas, além de Angra 3, que já teve licença prévia do Ministério do Meio Ambiente. Seu argumento principal é de que sem elas teremos problemas de abastecimento de energia, por causa das "dificuldades ambientais" no licenciamento de hidrelétricas. Só não se sabe ainda onde serão e quantas (fala-se de 4 a 8). Mas isso não elimina polêmicas. Ainda por ocasião dos mais recentes deslizamentos de terra e mortes que levaram à
interdição da BR-101 perto de Angra dos Reis, o prefeito dessa cidade pediu o fechamento de Angra 1 e 2, argumentando que não haveria como evacuar a população se um deslizamento ameaçasse uma das usinas. Não foi atendido. E num recente programa Roda Viva, na TV Cultura de São Paulo, o professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que será o coordenador da política científica brasileira na área do clima, ao comentar números sobre a elevação do nível do mar no litoral fluminense, respondeu
que se deveria ter muito cuidado no licenciamento de Angra 3, tendo em vista essa questão e os depósitos de lixo nuclear nas duas usinas já em funcionamento.

Mas a questão da segurança não é a única polêmica. Na Europa, nova discussão está em curso, após a divulgação (IPS/Envolverde, 27/2) de estudo do Citibank, sobre riscos tecnológicos e financeiros dos projetos nucleares.

Diz ele - New Nuclear - the economics say no - que esses riscos são tão altos que "podem derrubar financeiramente as maiores empresas de serviços públicos. Uma usina de mil MW, afirma, pode custar US$ 7,6 bilhões e levar 20 anos para dar lucro - impraticável para empresas.

Entre nós, as notícias sobre investimentos no setor de energia ainda não contabilizam futuros projetos na área - a não ser Angra 3. Segundo o BNDES (Estado, 28/2), os novos projetos de geração, transmissão e distribuição de energia no País absorverão 33,6% dos R$ 274 bilhões que serão investidos na infraestrutura em quatro anos. Aí se incluem R$ 20 bilhões para as usinas do Rio Madeira, R$ 8 bilhões para Belo Monte e R$ 8 bilhões para usinas eólicas. Mas a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia afirma (Agência Estado, 28/2) que as tarifas no setor no Brasil só perdem para as da Alemanha; as residenciais são mais altas que as da Noruega (US$ 184 por MWh ante US$ 48), enquanto as industriais aqui chegam a US$ 138 por MWh, ante US$ 68 no Canadá.

Outra polêmica entre nós está no licenciamento e na implantação de usinas termoelétricas muito poluentes, também com o argumento de que é preciso tê-las de reserva, para a hipótese de a oferta de energia não ser ampliada. O BNDES em 2009 financiou R$ 2,6 bilhões para projetos nessa área, mais de metade do total destinado ao setor elétrico, contemplando projetos de 30 mil MW de energia térmica para serem implantados até 2030. (Folha de S.Paulo, 20/12/2009).

E tudo continuará nesse terreno da polêmica enquanto o governo federal não se dispuser a debater com a sociedade nosso modelo de energia. Uma boa oportunidade poderá ser o novo Plano Decenal de Energia, cuja discussão, em princípio, está programada para as próximas semanas.




segunda-feira, 22 de março de 2010

Ministério do Meio Ambiente e Fiocruz vão assinar acordo de cooperação técnico-científica

Ricardo Valverde, da Fiocruz

O Ministerio do Meio Ambiente (MMA) e a Fiocruz assinam nesta segunda-feira (22/3), no campus da Fundação, em Manguinhos, um acordo de cooperação técnico-científica com duração de cinco anos e que tem por objetivo a integração intersetorial entre as políticas públicas de saúde e meio ambiente, a implementação de ações comuns e a consolidação de agenda bilateral. De acordo com o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel Fernandes, que será o gestor do convênio por parte da Fundação, esta cooperação vem sendo delineada desde a participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em uma reunião do Conselho Deliberativo da Fiocruz, em 2009. O ministro Minc estará presente à assinatura do acordo, nesta segunda-feira, às 12h.

“A meta é darmos seguimento às deliberações da 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiente, ocorrida no ano passado. Já participamos de diversas ações com o MMA e o acordo vem tornar mais integradora a relação com as secretarias estaduais e municipais de Meio Ambiente”, diz Fernandes. Segundo o vice-presidente, projetos sobre qualidade do ar e da água, agrotóxicos, impacto ambiental de obras e a respeito do banimento do amianto, entre outros temas, serão os focos da cooperação.

“As conferências nacionais de Saúde, Saúde Ambiental, Meio Ambiente e das Cidades são o norte dos projetos que vamos assumir a partir da cooperação com o Ministério. Um dos frutos é a criação, no âmbito da Fiocruz, do Grupo de Trabalho sobre Clima, Saúde e Cidadania, que reunirá algumas das unidades da Fundação para atuar na intersetorialidade entre saúde e ambiente”, afirma Fernandes. A cooperação com o MMA prevê também a produção e a disseminação de conhecimento e o desenvolvimento tecnológico, buscando contribuir para a melhoria das condições de saúde da população e dos ecossistemas em escalas local, regional e nacional. Os principais eixos serão a biodiversidade, as mudanças climáticas, os projetos de grandes impactos, a sustentabilidade socioambiental e a Rede de Cidades Saudáveis.

O vice-presidente lembra que, cada vez mais, um dos campos de atuação da Fiocruz se constitui da interface entre saúde e ambiente. A atuação nesse campo, em nível nacional e internacional, trouxe como desdobramento o recente processo de designação da Fiocruz como Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que traz oportunidades mas também desafios. A degradação progressiva dos ecossistemas, a contaminação crescente da atmosfera, solo e água, bem como o aquecimento global são exemplos dos impactos das atividades humanas sobre o ambiente. Esses problemas são exacerbados em situações locais em que se acumulam fontes de riscos advindas de processos produtivos passados ou presentes, como a disposição inadequada de resíduos industriais, a contaminação de mananciais de água e as péssimas condições de trabalho e moradia.

Entre os projetos que a cooperação entre o MMA e a Fiocruz vai abranger estão intensificar as ações de fiscalização e substituição do amianto por produtos não lesivos à saúde e ao meio ambiente dos estados; contribuir para formulação e implantação do Plano Nacional de Qualidade do Ar; fortalecer a política de reavaliação dos princípios ativos de agrotóxicos utilizados no Brasil; contribuir para revisão e implantação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas; incentivar a qualificação da participação dos trabalhadores no processo de licenciamento ambiental, por meio dos Centros de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest).

A cooperação MMA-Fiocruz vai considerar os seguintes aspectos:

1) A relação direta entre meio ambiente e seus determinantes na promoção da saúde, bem como na prevenção e controle de doenças que afetam a saúde humana e sua qualidade de vida, por meio de alterações significativas no meio ambiente, as quais levam as mudanças nos padrões de distribuição de enfermidades e nas condições de saúde dos diferentes grupos populacionais;

2) A necessidade do estabelecimento de estratégias conjuntas para reduzir impactos diretos e indiretos, provenientes de alterações ambientais, que a saúde humana pode sofrer;

3) Que a exposição aos efeitos relacionados à mudança do clima tem 66% de probabilidade de afetar a condição de saúde de milhões de pessoas, particularmente àquelas com menor capacidade de adaptação, de acordo com o 4º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

Cientistas inventam aparelho que dessaliniza pequenas porções de água

da Efe, em Londres

Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um aparelho capaz de transformar pequenas quantidades de água do mar em água potável graças a uma bateria, e de forma muito mais simples que os métodos de dessalinização existentes, publica a revista "Nature".

As técnicas de dessalinização usadas atualmente requerem um alto consumo energético e só são eficientes quando envolvem grandes quantidades de água. Por isso, é difícil utilizá-las em regiões afetadas pela pobreza ou por desastres naturais.

O aparelho, desenvolvido por cientistas do MIT liderados por Jongyoon Han, funciona mediante um fenômeno conhecido como "polarização por concentração de íons". Esse processo se produz quando uma corrente de íons circula através de um nanocanal que vai selecionando os íons.

O nanocanal se situa entre dois microcanais por onde circula a água salgada e, quando se aplica uma voltagem ao nanocanal, os íons se concentram em um extremo do nanocanal e se esvaziam no extremo oposto. Em consequência desse processo, se repelem os íons salinos de água marinha próximos ao nanocanal.

Ao transformar um dos microcanais em dois canais próximos à zona de repulsão, apenas a água dessalinizada, que não tem carga iônica alguma, pode atravessar a zona carregada e passar assim a outro canal destinado à água potável.

O método permite eliminar os sais e as partículas de maior tamanho, como as células, os vírus e microorganismos, com tanta eficácia quanto as mais modernas usinas de dessalinização.

"Temos tratado a água como um recurso inesgotável".

Por Marina Silva

SEM ÁGUA não existe vida, saúde ou desenvolvimento sustentável. Se a água for mal tratada e mal gerida, pode ser morte, doença e desigualdade social. E, a cada ano que passa, torna-se maior o complexo desafio para o homem tratar da questão da água em um cenário de industrialização, de urbanização e de mudanças climáticas.

Todos os cenários vislumbrados para o Brasil, no âmbito das mudanças climáticas, apontam para alteração do padrão de chuvas no ano. Avaliando-se o que já acontece hoje em todas as regiões do país, é de se esperar que aumentem os efeitos desastrosos desses fenômenos naturais.

Historicamente, temos tratado a água como um recurso inesgotável. Embora vivamos em um planeta cuja superfície é ocupada por cerca de dois terços de água, esquecemos que apenas 0,09% dessa água pode ser aproveitada para consumo do homem. E há uma parte significativa que já foi poluída ou degradada pela ação humana.

O Brasil é favorecido com o maior volume de água doce do planeta. Entretanto, difundiu-se aqui, desde Pero Vaz de Caminha, a falsa ideia de abundância. É enganosa a ideia, uma vez que a distribuição é desigual e a maior parte da água está concentrada na bacia amazônica.

Como destino natural das águas de chuvas em um território, os rios, os lagos e os mares trazem em suas entranhas as marcas e os reflexos das atividades humanas. Os rios traduzem, assim, as virtudes e as mazelas de nossa relação com o meio ambiente. Viram o melhor indicador do gerenciamento e da consciência ambiental de uma sociedade. Sob essa perspectiva, há pouco a festejar e muita preocupação com o Dia Mundial da Água, celebrado hoje (22/03). Para se ter uma ideia, a maior parte do esgoto gerado nas cidades é despejado sem tratamento nos cursos d’água.

Nas últimas décadas, o Brasil avançou na criação de um aparato legal e institucional que permite gerenciar, de forma adequada, as águas do país. É um sistema que exige a participação cidadã e a consideração das diferentes situações regionais.

Com esse sistema implantado, certamente o Brasil estaria mais bem preparado para enfrentar os desafios que se avizinham. No entanto, o batalha é ainda imensa, já que a questão da água ainda não ocupa a prioridade que deveria ter para os gestores públicos.

Fizemos o Plano Nacional de Recursos Hídricos com intensa participação da sociedade. Agora precisamos enfrentar o grande desafio de implementá-lo. Saneamento básico é a prioridade, investimento obrigatório para quem deseja uma sociedade que sabe cuidar das suas águas em benefício de seus cidadãos.

Fonte: jornal A Folha de São Paulo

ONU: água poluída mata mais que violência no mundo

Por Tim Cocke, da Reuters

A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira. "A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras", disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).

Em um relatório intitulado "Água Doente", lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes. O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada." O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

"Se o mundo pretende... sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto", disse o diretor da Unep, Achim Steiner. "O esgoto está literalmente matando pessoas."

Comemore o dia de hoje com atitudes ecológicas

Por Ronaldo Callmann*

No mês em que celebramos a importância da água para planeta, é importante lembrarmos como podemos praticar e promover o uso deste recurso natural tão necessário para a nossa sobrevivência. Em questão de atitude e, principalmente, conscientização de que pequenas mudanças podem gerar grandes economias. Segundo levantamento do International Water Management Institute (em português, Instituto Internacional de Gestão de Água), o futuro sem água já não está mais tão distante quanto pensávamos. O estudo revela que, se o desperdício continuar da maneira como está, 1.8 bilhão de pessoas ficará sem uma gota de água até 20251. Para mudar esta realidade cada vez mais próxima, é preciso agir agora.

Você já parou para pensar o quanto gasta de água na sua casa por dia? Você pensa em como pode reduzir este consumo? Muitas pessoas não fazem ideia do uso abusivo que fazem da água em hábitos rotineiros, como escovar os dentes, tomar banho, lavar calçadas, jardins, carros... As capitais brasileiras, onde está o maior índice de consumo de água no país, são responsáveis por utilizar 150 litros/habitante ao dia2, o que excede em 36% a recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas), de 110 litros por dia.

Um dos pontos que gostaria de destacar é o costume brasileiro ao lavar sua casa, que me chama a atenção pelo fato de ser facilmente evitável. Para se ter uma ideia do tamanho do desperdício, uma mangueira comum de uso residencial, com três quartos de polegada, gasta 600 litros de água a cada trinta minutos, o equivalente a mais de quatro vezes o que uma pessoa deveria consumir por dia.

Soluções alternativas e econômicas podem ser mais simples do que se imagina. No caso da lavagem de calçadas e garagens, por exemplo, os fatores mais alegados para a utilização da mangueira são o cansaço causado pelo trabalho com a vassoura, e o tempo gasto na atividade. Mas para reduzir tempo e esforço a tecnologia já oferece benefícios nas mais diversas áreas e, inclusive, pode auxiliar em atividades domésticas.

Exemplo disso são os sopradores de folhas disponíveis no mercado, capazes de reduzir o tempo gasto com os cuidados no lar, além de substituir a água neste processo. Trata-se de um equipamento de alta potência e fácil manuseio que une inovação tecnológica e respeito ao meio ambiente, sendo ideal para limpeza profissional e residencial, em gramados ou asfalto. Por seu caráter multifuncional, pode ser aplicado para limpar folhas, poeira e objetos em geral em ambientes abertos.

Além da preservação ambiental, a redução de consumo de água culmina também em diminuição dos gastos gerais da sociedade e em economia financeira para cidadão. Aproveite esta data para refletir sobre maneiras úteis de aproveitar com consciência os recursos naturais de nosso país, que possui a maior reserva hídrica do mundo. E não se esqueça de calcular quanto suas novas atitudes podem contribuir para o bem estar das próximas gerações e, claro, também para suas contas domésticas. Faça o bem para o planeta e também para sua família.

*Ronaldo Callmann é gerente de Marketing e Produto para a América Latina da Husqvarna, multinacional com mais de 320 anos e uma das líderes mundiais no desenvolvimento de produtos para o manejo de parques, florestas e jardins.

1. O estudo foi realizado em 2000 e pode ser encontrado no site http://www.iwmi.cgiar.org/

2 Pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pode ser encontrado no site http://www.socioambiental.org/

Fonte: Envolverde/Plurare

Mundo celebra Dia Mundial da Água

Suelene Gusmão, da MMA

O mundo celebra hoje (22) o Dia Mundial da Água preocupado com o efeito que as mudanças no clima, provocadas pelas atividades humanas, podem desencadear no ciclo das águas. Debatido na 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA), promovida pelos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, no final de 2009, o tema Água e Clima alertou para os perigos provenientes da emissão de gás carbônico e outros gases de efeito estufa na atmosfera, responsáveis por efeitos como o agravamento das secas, o aparecimento de furações e enchentes.

A conferência debateu também a questão do saneamento ambiental que contempla entre seus aspectos a questão do abastecimento de água, a coleta e tratamento de esgotos, o controle de doenças, o lixo e a drenagem. Documento divulgado durante a conferência, alerta que a má qualidade das águas multiplica os riscos de doenças de veiculação hídrica e a balneabilidade de praias, afetando diretamente a saúde pública.

Além da questão da saúde foi levantado o problema da poluição dos mananciais, que onera o custo do tratamento da água. A proteção do abastecimento de água envolve ações como o controle de agrotóxicos, a reposição de matas ciliares e de topo e a eliminação de atividades poluidoras.

O documento debatido dentro da 1ª CNSA alerta que ao longo dos anos, os recursos hídricos em áreas urbanas vêm sofrendo intervenções variadas que os poluem e afetam o sistema de drenagem, abastecimento e esgoto. A ação humana degrada a água, ao lançar substâncias que a poluem, conferindo-lhe cor, tornando-a turva e menos transparente. A água suja ou contaminada por coliformes, nutrientes como o nitrogênio, fósforo e outras substâncias prejudica a saúde, a qualidade de vida e o ambiente.

O investimento na despoluição de bacias hidrográficas é apontado como um dos fatores preponderantes para a melhoria da qualidade das águas. São enumerados ainda investimentos no monitoramento da qualidade das águas, em programas relacionados à prevenção de cheias e também em programas como os de educação ambiental, sanitária e educação para a saúde.

Dentro do Ministério do Meio Ambiente, a recuperação e preservação das bacias hidrográficas do Alto Paraguai e da Bacia do São Francisco estão entre as principais atividades desenvolvidas pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SHRU) no programa intersetorial voltado ao uso e conservação de recursos hídricos. Na bacia do Alto Paraguai, a prioridade é a revitalização de sete sub-bacias, entre elas, a do rio Taquari, ação considerada de vital importância para a recuperação da bacia do Alto Paraguai.

Uma iniciativa que vem sendo implementada no local é a instalação de uma rede de viveiros para a produção de mudas. A elaboração do macrozoneamento das Áreas de Preservação Ambiental (APA) das nascentes do rio Paraguai junto com a sensibilização e mobilização da comunidade local, com o objetivo de promover a educação ambiental são ações adicionais que fazem parte do processo de recuperação daquela bacia.

No processo de recuperação da Bacia do São Francisco, também vem sendo desenvolvidas ações de conservação, recuperação e manejo do solo e da água em microbacias, com ações de recuperação de áreas degradadas na APA das nascentes, levantamento florístico, implantação de viveiros, plantio de mudas e monitoramento da água.

Para este projeto, a SHRU está investindo na instalação de um Centro de Referência Integrado. Ele será responsável por articular inter e intrainstitucionalmente as atividades de pesquisa e estudos sobre o Rio São Francisco. No local estão sendo promovidos cursos de capacitação para gestores, produtores e técnicos que atuam na região e ações de educação ambiental que garantam o princípio da transversalidade entre as ações do Governo Federal. Uma novidade no processo de recuperação da bacia é a implementação de um sistema de monitoramento ambiental que vai quantificar em quilômetros quadrados o desmatamento e gerar polígonos de indicativos de desmatamento recentes.

Até junho de 2010, deverão estar selecionadas as áreas prioritárias para criação de parques fluviais nos municípios que têm sua zona urbana na calha do Rio São Francisco ou na calha de seus afluentes. As potencialidades de cada um destes locais para a criação de parques fluviais serão determinadas por meio de sobrevôo e a seleção se dará a partir de detalhamento de proposta e à adesão de parceiros aos projetos.

Ainda é considerado pequeno o nível de conhecimento sobre a quantidade e qualidade das águas subterrâneas no Brasil. Por isso mesmo, a SHRU com parceiros de diversos segmentos, vem incrementando, por meio de estudos e pesquisas, o aumento do conhecimento hidrológico e implantando um sistema de monitoramento para este tipo de recurso natural. Estes estudos envolvem pesquisas específicas para um maior conhecimento e o monitoramento dos aquíferos de abrangência transfronteiriça e interestadual. Este conhecimento é fundamental para a criação de mecanismos de gestão integradas destes aquíferos.

Carente de recursos hídricos, o Nordeste tem no programa Água Doce uma alternativa para a obtenção de água potável e o desenvolvimento de atividades de cultura de peixes. O programa tem por base a dessalinização da água e já beneficiou até o momento mais de 50 mil pessoas naqueles estados. Para concretizar o processo, já foram implantadas três Unidades Demonstrativas (UDs) distribuídas nos estados do Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas e outras quatro aguardam para serem implantadas este ano, uma delas no Ceará.

Ciência pelo rádio

Da Agência FAPESP
 O Museu da Vida, ligado à Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, acaba de lançar a publicação Ciência em Sintonia – Guia para montar um programa de rádio sobre ciências, destinada a escolas e comunidades interessadas em divulgar informações sobre ciências por meio do rádio.

Elaborado por Catarina Chagas, Ana Cristina Figueira e Marzia Mazzonetto e sob a coordenação de Luisa Massarani, a publicação traz dez lições simples sobre como fazer um programa de rádio explicando as características desse meio de comunicação.

A obra ainda dá dicas de como utilizar os temas e a ferramenta de comunicação em sala de aula e em centros comunitários. O guia também relata a experiência da Escola Municipal Padre Leonel Franca ao desenvolver um programa de rádio sobre ciência voltado para uma comunidade de Niterói (RJ).

O guia Ciência e Sintonia está disponível no endereço: http://www.museudavida.fiocruz.br/media/ciencia_em_sintonia_web2.pdf.
Mais informações: nestudos@coc.fiocruz.br .

domingo, 21 de março de 2010

CNPq abre inscrições para o Prêmio José Reis 2010

Por Assessoria de Comunicação Social do CNPq

As inscrições para o Prêmio José Reis de Divulgação Científica foram abertas no ultimo dia 16. Concedido anualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), o Prêmio é destinado aos que contribuam significativamente para tornar a ciência, a tecnologia, a pesquisa e a inovação mais conhecidas do público.

Neste ano, o prêmio será atribuído à categoria Divulgação Científica e Tecnológica , que premiará um pesquisador ou escritor que tenha contribuído na divulgação da CT&I para o público leigo. O vencedor desta 30ª edição será agraciado com montante de R$ 20 mil e diploma, além de passagem aérea e hospedagem para participar da solenidade de entrega do prêmio na reunião anual da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), a ser realizada entre 25 e 30 de julho, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Os trabalhos inscritos serão julgados por uma comissão designada pelo presidente do CNPq, composta por quatro membros de sua livre escolha e outros quatro indicados pelas entidades Associação Brasileira de Divulgação Científica; Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência; Associação Brasileira de Jornalismo Científico; Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica, A ssociação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras e Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores. O resultado será anunciado pelo CNPq até 18 de junho. Para saber mais consulte o site http://www.cnpq.br/premios/2010/pjr/index.htm, ou o endereço eletrônico prêmios@cnpq.br .


História
O prêmio é uma homenagem ao médico, pesquisador, jornalista e educador José Reis, falecido em 2002, aos 94 anos de idade. É concedido anualmente em sistema de rodízio a três modalidades: Divulgação Científica e Tecnológica, Jornalismo Científico e Instituição.

A diversidade dos vencedores ao longo de sua história - entre os quais veículos de comunicação, instituições de pesquisa, equipes de programas de televisão, além de pesquisadores e seus trabalhos individuais - comprova a importância do Prêmio José Reis em motivar a criação dos mais diferentes mecanismos de divulgação científica no Brasil.

As inscrições
Os interessados têm até o dia 14 de maio para enviar as inscrições. O endereço é: CNPq – Serviço de Prêmios , SEPN 507, Bloco B, Sala 203, Brasília – DF, CEP 70740-901. A documentação é composta por ficha de inscrição preenchida; currículo atualizado na Plataforma Lattes; justificativa em que se evidencie significativa contribuição à divulgação científica e tecnológica e cópia dos trabalhos mais importantes, no mínimo cinco e no máximo dez.

Ampla programação inicia a programação dos 30 anos da FAPERJ

Marcando a passagem de seus 30 anos de existência – e o centenário de nascimento de seu Patrono, Carlos Chagas Filho (1910-2000) –, a Fundação promove um grande evento em que apresenta os resultados de relevantes projetos desenvolvidos com seu apoio.

A feira FAPERJ 30 Anos acontece nas dependências do Museu de Arte Moderna, nos próximos dias 24 e 25 de março. Paralelamente, e em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, será realizado o simpósio Academia – Empresa, com uma programação de palestras sob o tema "Inovação: histórias de sucesso com foco no estado do Rio de Janeiro".

O evento pretende reunir pesquisadores e empreendedores, particularmente aqueles que vêm recebendo financiamento para a execução de seus projetos de algum dos vários programas de fomento da Fundação.

No MAM, o visitante poderá constatar, em um panorama bastante diverso, a diversidade de produtos e processos resultantes do apoio financeiro da instituição. Entre eles, um dos exemplos é o game que simula várias situações de risco que um motorista enfrenta cotidianamente nas ruas da cidade. O simulador de direção, desenvolvido pela empresa Technology and Trainning (T&T), em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF), com recursos do edital Apoio ao Desenvolvimento da Tecnologia de Informação - 2008, está em vias de ser adotado pelo Conselho Nacional de Trânsito para testar os candidatos à obtenção de carteiras de habilitação. O game também deverá ser empregado para treinamento de alunos em autoescolas.

No simpósio organizado pela ABC, a programação, que se estende das 14h às 18h, inclui palestras e histórias de sucesso em inovação no Estado do Rio de Janeiro, com uma grande diversidade de pesquisadores e empreendedores, como o físico Luiz Pinguelli Rosa, do Instituto Luis Alberto Coimbra de Pós-Graduação (Coppe-UFRJ); Hayne Felipe, de Farmanguinhos-Fiocruz; João Moreira Salles, da Revista Piauí; Odair Gonçalves, da Comissão Nacional de Energia Nuclear; entre muitos outros.

Dos primeiros tempos de sua criação, em junho de 1980, até 2010, a Fundação veio mudando seu perfil. Fruto da fusão da Fundação Centro de Recursos Humanos da Educação e Cultura (CDRH) e da Fundação Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio de Janeiro, no início, a instituição teve sua vocação para a pesquisa dificultada pela vinculação com a Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral do governo do Estado.

Na primeira gestão do governador Leonel Brizola (1982 a 1986), seu trabalho esteve focado na implantação do Programa Especial de Educação e gerenciamento dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e apenas na gestão seguinte, do governador Moreira Franco, uma mudança de estatuto e de objetivos, possibilitou centrar seu objetivo no apoio à pesquisa, tal como vem desempenhando, desde então.
"Hoje, a FAPERJ é uma Fundação de grande relevância no cenário do governo estadual e mesmo nacional.

Fechamos o triênio 2007/2009 com a execução de um orçamento recorde de R$ 785 milhões, com perspectiva de se atingir a marca de R$ 1,1 bilhão no quadriênio 2007-2010, cifra bem superior à que poderíamos prever no início de 2007. Além disso, há que se ressaltar que, desde 2007, cerca de R$ 197 milhões foram captados em convênios com diversos ministérios e suas agências, aumentando, ainda mais, a disponibilidade de recursos para o fomento que vimos praticando e que continuaremos a praticar nos próximos anos. Esse aumento no orçamento da FAPERJ propiciou uma mudança radical no fomento à C,T&I no nosso Estado, permitindo a implementação de muitos programas estratégicos e de grande valor para todos nós", comentou o diretor-presidente Ruy Garcia Marques.

O dirigente também declarou que inúmeras atividades vêm sendo planejadas para a comemoração dos 30 anos de existência da FAPERJ, a se completar em 26 de junho, e o centenário de nascimento do patrono Carlos Chagas Filho. Destacou, por fim, que, neste último triênio, a FAPERJ expandiu bastante a sua área de atuação: até 2006, apenas 12 municípios tinham projetos apoiados, e hoje são 76 municípios, em todas as regiões do Estado. "Nossa meta é, brevemente, estarmos apoiando projetos de pesquisadores e empreendedores em todos os municípios do estado do Rio de Janeiro.”

Serviço

FAPERJ 30 Anos
MAM – Museu de Arte Moderna
Av. Infante D. Henrique 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro
24 e 25 de março de 2010
Horário: de 10h às 22h

Linha de crédito verde

Da Agência FAPESP

Uma linha de crédito especial vai financiar pequenas e médias empresas paulistas que tenham projetos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

A nova linha, chamada Economia Verde, é coordenada pela Agência de Fomento Paulista, ligada à Secretaria de Desenvolvimento, e foi criada com base na Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC - Lei 13.798), que define uma meta de redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa até 2020 para o Estado de São Paulo.

Com taxa de juros de 6% ao ano, a Linha Economia Verde será destinada a projetos de empresas na área de agroindústria, mudança de combustíveis, saneamento, tratamento e aproveitamento de resíduos, energias renováveis, eficiência energética, transporte, processos industriais, recuperação florestal em áreas urbanas e rurais e manejo de resíduos.

O financiamento do projeto é de 100%, e o prazo é de cinco anos para o pagamento, com até um ano de carência. Para ter acesso à Linha Economia Verde, os interessados podem acessar o site da Nossa Caixa Desenvolvimento www.nossacaixadesenvolvimento.com.br ou entrar em contato com uma das entidades parceiras da Agência de Fomento Paulista.

Uma das vantagens para o empresário é que não há exigências de abertura de conta, nem há obrigatoriedade de contrapartidas. O empresário poderá encaminhar a documentação necessária por meio de entidade de classe.

Mais informações: www.desenvolvimento.sp.gov.br

Bactérias descontaminam água e solo

por Fábio Reynol, da Agência FAPESP

Por ser um solvente potente e não inflamável, o tetracloroetileno (PCE) começou a ser largamente utilizado em meados do século 20 em serviços de lavagem a seco, indústrias metalúrgicas, instalações militares e até em residências.

Com o tempo, entretanto, percebeu-se que o PCE havia se tornado um dos contaminantes ambientais mais frequentes, sendo encontrado em solos e em lençóis d’água e constituindo uma ameaça à saúde e ao meio ambiente.

O produto é altamente tóxico, potencialmente carcinógeno e se acumula no tecido de organismos vivos, podendo afetar o aparelho reprodutor humano. O PCE é enquadrado na família dos produtos orgânicos persistentes, devido à sua resistência à degradação.

Um estudo feito na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, e apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, mostrou a possibilidade de utilização de consórcios bacterianos para degradar o PCE.

Iniciado em 2006, o trabalho de pesquisa “Desenvolvimento de uma técnica de bioestímulo para a remediação de solo e água subterrânea contaminada com tetracloroetileno”, coordenado pelo professor Marcio Rodrigues Lambais, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, conseguiu alto índice de degradação do PCE (98%) em um tempo considerado bastante curto (cerca de 12 horas).

“Os resultados publicados na literatura especializada reportam taxas de degradação em torno de 80% de degradação do PCE após um período entre 15 e 20 dias”, comparou Lambais.

Um dos segredos da rapidez da descontaminação obtida pela equipe da USP está no processo utilizado, que emprega bactérias que se desenvolvem com a presença de ar. Apesar de pouco utilizado no Brasil, o método de descontaminação por bactérias aeróbias apresenta outra vantagem: a praticidade.

“Geralmente, os organismos anaeróbios [que vivem na ausência de oxigênio] são sensíveis ao ar, o que dificulta o seu manuseio e a aplicação em campo”, explicou o professor. Para desenvolver a pesquisa, o grupo localizou uma área contaminada na capital paulista, de onde retirou amostras de água para serem testadas em laboratório.

Com a água, o grupo levou também amostras de sedimento, das quais isolou as bactérias locais. Esses organismos passaram por triagem para selecionar aqueles com potencial de degradação do PCE. Os pesquisadores utilizaram espécies de Microbacterium, Stenotrophomonas, Exiguobacterium, Bacillus, Acinetobacter, Pseudomonas e Cupriavidus, dentre outras bactérias.

A utilização de microrganismos locais é importante, de acordo com Lambais, uma vez que eles já estariam adaptados ao ambiente contaminado. “Introduzir novas bactérias em um ambiente contaminado e mantê-las ativas não é uma tarefa trivial, pois as bactérias introduzidas normalmente apresentam baixa capacidade de colonização do novo ambiente e, na maioria das vezes, acabam morrendo”, afirmou.

Para contornar o problema da baixa densidade populacional de bactérias capazes de degradar o PCE, a solução foi enriquecer as comunidades microbianas locais em laboratório utilizando um reator horizontal de leito fixo (RHLF).

Bactérias locais
Os consórcios bacterianos selecionados se mostraram extremamente eficientes na degradação do produto e ainda geraram subprodutos menos nocivos durante o processo, em relação ao processo anaeróbio descrito na literatura.

“Os processos convencionais de degradação do PCE geraram cloreto de vinila, que é altamente tóxico e se dispersa facilmente na água subterrânea. Em nosso processo, em vez de cloreto de vinila foi produzido clorofórmio, que, apesar de tóxico, é facilmente biodegradado”, explicou Lambais.

A técnica de remediação utilizada pela equipe da Esalq pode ser aplicada em campo de duas maneiras: injetando a biomassa cultivada em laboratório diretamente na água ou bombeando a água contaminada para dentro do RHLF. As bactérias presentes no interior do reator eliminam o PCE da água, que pode ser devolvida limpa ao ambiente.

A utilização de um reator, segundo os pesquisadores, proporciona um controle maior da remediação e de sua efetividade. O sistema permite até ajustar as características químicas da água a fim de propiciar condições mais favoráveis para a atuação das bactérias.

Nesse sistema, as bactérias não têm contato com o ambiente externo. “Os organismos não saem do reator”, afirmou Lambais. A equipe não fez um levantamento de custos comparativo entre os dois métodos, mas a rapidez e o alto grau de limpeza alcançados coloca a técnica como uma eficiente alternativa para processos de remediação de água subterrânea contaminada.

Outras alternativas de remediação, como a extração de vapores e adsorção em carvão ativado, chegam a apresentar bons índices de retirada de contaminantes, mas o resultado é um subproduto indesejável, o qual precisa ser destinado a aterros sanitários.

“Nos processos físico-químicos de remediação, com a extração de vapores e adsorção em filtros, o PCE é retirado da água contaminada e transferido para o carvão ativado que fica contaminado, devendo ser disposto em aterros adequados”, disse Lambais. Por sua vez, a técnica de biorremediação degrada o contaminante, não deixando subprodutos tóxicos.

A equipe pretende agora detalhar bioquimicamente o processo de degradação aeróbia do PCE e identificar cada subproduto oriundo desse processo. Esse trabalho está sendo feito pelo doutorando Rafael Dutra de Armas.

Armas participa dessa pesquisa desde 2006 quando iniciou o seu mestrado, o qual contou com bolsa da FAPESP e resultou na dissertação “Caracterização da comunidade bacteriana em água subterrânea contaminada por tetracloroetano e espécies associadas com sua degradação”.

Agora, durante o doutorado, o estudante pretende identificar quais bactérias participaram do processo de degradação do PCE. “Pode ter sido um consórcio microbiano ou um só organismo o responsável pela degradação”, disse Lambais.

Essa identificação deverá facilitar futuros trabalhos de remediação e economizar tempo, uma vez que serão investidos esforços no enriquecimento somente das bactérias envolvidas na degradação. 

Poluidores do mar são pouco punidos e fiscalizados

* Por Vladimir Passos de Freitas
A proteção do meio ambiente, felizmente, passou a ser uma preocupação de todos. Discursos, palestras, filmes, não surtiram muito efeito. Mas agora, ciclones, inundações, terremotos, secas, altas temperaturas, fazem com que se sinta no corpo o que antes eram apenas palavras.Tais fatos e a preocupação mundial vêm fazendo com que se alterem posturas, hábitos, negócios.

Mesmo havendo quem duvide da mudança climática, o fato é que ninguém mais pode negar as alterações e os riscos existentes no meio ambiente. A preocupação é tanta que até mesmo entidades que resistiam a qualquer adesão vêm mudando sua postura. Por exemplo, a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) celebrou convênio com a Embrapa e comprometeu-se a investir 20 milhões de reais, destinados a conciliar a atividade rural com a proteção do meio ambiente (Gazeta do Povo, Curitiba, 25 de fevereiro de 2010, página 20). Ótimo.

No entanto, em meio a progressos na proteção ambiental no Brasil, que vêm sendo obtidos em diversas frentes, há uma área que parece estar estagnada, não avança: a proteção do mar territorial.
Realmente, aí não há motivo para qualquer comemoração. Como observa Dario A. Passos de Freitas, “as águas marinhas, principalmente nas regiões costeiras, acabam recebendo todo tipo de poluição, causada geralmente pela própria população ou por indústrias. Além disso, a grande maioria dos acidentes ocorre em águas próximas à costa, pois é onde se concentram os navios, portos, terminais e plataformas” (Poluição Marítima, Juruá, 2009, página 17).

Em poucas palavras, enquanto o licenciamento ambiental se torna cada vez mais rigoroso, as florestas são cada vez mais controladas (v.g. reserva legal de 20% das propriedades do sul/sudeste), as indústrias são submetidas a rígido controle dos órgãos ambientais, as águas superficiais e subterrâneas possuem uma agência específica para protegê-las (ANA) e a poluição atmosférica passa a ser acompanhada de perto (v.g., poluição por veículos), o mar territorial continua abandonado à sua própria sorte.

A poluição marítima nos limites da zona costeira pode dar-se por emissões de esgoto, poluição trazida por rios que deságuam no oceano (v.g., vazamento, em 2003, de 1,2 bilhão de resíduos tóxicos de indústria de Cataguazes, MG, que atingiu o litoral norte do RJ), descargas industriais, acidentes marítimos com vazamento (v.g., o vazamento, em 2004, de 291 mil litros de óleo do navio Vicuña, em Paranaguá, PR), lançamento de lixo ao mar por embarcações, pesca predatória e outros tantos.

E não são poucas as conseqüências disto. Por exemplo, o lançamento de esgoto sem tratamento cria zonas mortas, onde as algas proliferam, reduzindo o oxigênio da água e causando a morte de peixes. O vazamento de petróleo pode originar, pela toxicidade, a morte de peixes e vegetais marinhos.

No âmbito da pesca predatória de grande porte, a destruição em massa contribui para que diminuam os pescados, com manifesto dano ao meio ambiente e à população que deles se alimenta. Nesta área estamos quase na estaca zero. Há alguns acórdãos criminais condenando pequenos pescadores, mas nada, ou quase nada, sobre a pesca de grandes proporções. Uma das únicas exceções vem do TRF da 4ª. Região (Apelação Cível 2006.71.00.016888-4, 3ª. Turma, relator desembargador Castro Lugon, j. 29.4.2008). Na busca de ações efetivas, cita-se o papel do Instituto Justiça Ambiental, ONG com sede em Porto Alegre, RS, que vem tomando iniciativas judiciais a respeito (www.ija.org.br).

Pois bem, sendo reconhecida a ineficiência ─ e eu ficarei feliz se me provarem o contrário ─ pergunta-se: qual a razão?

A resposta é simples. A fiscalização da poluição marítima é atribuída aos funcionários dos órgãos ambientais (v.g. IBAMA) e aos agentes da Capitania dos Portos do Ministério da Marinha. É o que dispõe o artigo 70, parágrafo 1º da Lei 9.605/98. Esta atribuição da Marinha vem desde a Lei 5.357, de 1967, e continua até hoje, reforçada pela Lei 9.966/2000. Mas, na realidade, ela ou é pouco ou não é exercida.

O papel do Ibama (ou de um órgão estadual ou municipal) limita-se aos casos em que a poluição origina-se da zona costeira. É o que se deu, por exemplo, em caso de descarga de esgoto de um hotel em um rio no Estado de Santa Catarina, que desaguava no mar, fato que resultou não apenas na autuação administrativa, mas também em ação penal que condenou a pessoa jurídica e um diretor por crime de poluição, artigo 54 da Lei 9.605/98 (TRF-4, ACR 2000.72.04.001531-8/SC, 8ª Turma, relator Fernando Penteado, Diário Oficial da União, 9 de abril de 2005).

Mas quando os fatos ocorrem no mar e a fiscalização fica por conta da Capitania dos Portos, as autuações são raríssimas. A bem da verdade, em 35 anos de atividades e estudos do Direito Ambiental não tomei conhecimento de mais do que 5 casos. E minha preocupação é antiga. Sobre o tema, escrevi em 16.6.1991 artigo denominado “Poluição do mar,” no jornal Estado do Paraná. Por que será assim?

Bem, a Marinha de Guerra tem por finalidade a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa dos demais Poderes, a defesa da lei e da ordem (CF, art. 142). Proteger o meio ambiente não é  prioridade da Capitania dos Portos. Não é comum Oficiais da Marinha frequentarem congressos de Direito Ambiental, divulgarem orientações ambientais, relatórios, artigos, ações ou declarações a respeito.

Daí se pode inferir que a vocação natural da Marinha por outros temas resulta em ineficiência na proteção do meio ambiente, atribuição que a Lei 9.605/98 dá aos agentes da Capitania dos Portos. E não apenas no mar, mas também nas águas interiores do Brasil onde a Marinha se faz presente, como nos rios internacionais.

Ora, sem qualquer desconsideração à Marinha e aos seus Oficiais, mas apenas porque o mar territorial reclama proteção ambiental e esta não vem ocorrendo, levanta-se a questão para que as Capitanias dos Portos e suas Delegacias sejam estruturadas, capacitadas e orientadas a assumir este papel. E, caso não o façam, que o passem às mãos do Ibama, a quem deverá ser dado o necessário aporte instrumental (v.g. lanchas modernas) ou a órgãos estaduais. O que não se admite é que persista a impunidade.
Quem dará o primeiro passo?

Desembargador Federal aposentado do TRF 4ª Região, onde foi presidente, e professor doutor de Direito Ambiental da PUC-PR.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sudeste bem representado

No sudeste, as cidades começam a se movimentar para participarem ativamente da Hora do Planeta 2010. São os casos de Taubaté, Tarumã (SP), Rio das Ostras (RJ) e Carangola (MG).

O Cristo Redentor é um dos maiores símbolos do Rio de Janeiro. Conhecido nos quatro cantos do mundo, milhões de turistas embarcam no bondinho - situado no bairro de Laranjeiras - eufóricos com a possibilidade de, em poucos minutos, conhecerem a imponente estátua de braços abertos construída no topo do Corcovado. Cenário de filmes, pedidos de casamento e paisagem de muitas fotografias, o local ficará às escuras no dia 27 de março, entre 20h30 e 21h30. Trata-se da Hora do Planeta, movimento inaugurado em Sidney, Austrália, em 2007 e que, pelo segundo ano consecutivo, chega ao país por meio do WWF-Brasil.

Por mais curioso que possa parecer, no entanto, o famoso cartão-postal carioca não será o único Cristo Redentor a ter as luzes desligadas no gesto simbólico de combate ao aquecimento global marcado para a próxima semana. Em Taubaté, cidade com cerca de 270 mil habitantes, no interior do estado de São Paulo, uma estátua homônima seguiu a tradição do parceiro famoso e se transformou no maior ícone da cidade. Localizado no bairro Alto do Cristo, é o ponto mais alto de todo o município. Aceso durante todas as noites do ano e ponto de referência em qualquer rua, o ‘Cristo de Taubaté’ será apagado durante 60 minutos para mostrar a preocupação da população local com as mudanças climáticas e a conservação de ambientes terrestres e aquáticos – principais focos da versão nacional da mobilização.

"Recebemos muitos e-mails e ligações de habitantes com perguntas a respeito do que significa a Hora do Planeta e pedidos de informações sobre o que pode ser feito. Além disso, vamos comunicar sobre a nossa decisão e o que faremos no dia 27 através de jornais locais. O legal é que todos conseguem ver a estátua do Cristo, de onde estiverem”, avalia Getúlio Kater, engenheiro agrônomo da Diretoria de Meio Ambiente, Turismo e Cultura.

Também no estado paulista, outra cidade aderiu ao movimento que, acima de tudo, pretende ressaltar a importância, no Brasil, do combate ao desmatamento e defesa dos alicerces do Código Florestal, como as áreas de preservação permanentes (APPs) e reservas legais. Ela chama-se Tarumã e, uma vez mais, decidiu mostrar ao mundo que se preocupa com o equilíbrio ecológico, manutenção das florestas em pé e redução imediata das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Com vontade de dar um ótimo exemplo para a região sudeste, o lugar conhecido, no início dos anos 20, por ser uma fazenda cujo dono contratava seus vaqueiros com o pré-requisito de serem bons jogadores de futebol, garantiu que vai apagar todas as suas áreas públicas. Para isto, a prefeitura entrará em contato e firmará parcerias com a Câmara Municipal, Polícia e outras instituições, com o intuito de garantir a ordem e a segurança durante a Hora do Planeta.

“Também faremos uma mobilização com todos os moradores, em especial funcionários da prefeitura. Começaremos agora, há cerca de quinze dias do evento, e usaremos carros de som e spots de rádio. Temos espaço de propaganda nas emissoras locais. A noite de 27 de março começará com o apagar das luzes do mastro situado na entrada da cidade com a bandeira do município. Ele tem 40 metros de altura e fica aceso a noite toda. Até quem está na rodovia consegue vê-lo”, afirma Angelo Henrique Biazi, supervisor de Meio Ambiente de Tarumã.

Além do mastro, também ficarão sem qualquer resquício de luminosidade o prédio da Prefeitura Municipal, a Praça das Palmeiras, o Centro Integrado de Educação e Cultura e a Câmara. A urgente necessidade de combater o aquecimento global e manter o equilíbrio na natureza para a adaptação às conseqüências do aquecimento serão a base de toda a comunicação no município.

Carangola

Terra natal do Ministro do Supremo Tribunal Federal entre 1960 e 1969, o advogado Victor Nunes Leal, Carangola (MG) já foi referência na plantação de café. Atualmente, a cidade, conhecida como Princesinha da Zona da Mata, tem como principal virtude a prestação de serviços na área de saúde. Mas não é só. Em seus domínios está uma das mais importantes fábricas de laticínios do Brasil.

Entre as 20h30 e 21h30 do dia 27 de março, a principal notícia que virá deste pequeno município mineiro é a escuridão que tomará conta do Cruzeiro, símbolo e monumento religioso, tombado pelo Patrimônio Histórico, da Praça da Matriz e de todos os prédios no entorno (como a Igreja Matriz e o Fórum) e de placas de divulgação na fachada dos prédios públicos. As vias permanecerão acesas em função da segurança. Esse será o gesto simbólico da cidade de Carangola e seus habitantes de preocupação e alerta contra o aquecimento global.

“No próximo ano, o prédio da prefeitura, que está em obras e é uma arquitetura muito bonita, já estará pronto e reformado. Na ocasião, ele será o grande símbolo da Hora do Planeta. Em 2010, faremos uma apresentação musical de voz e violão, sob a luz de tochas, durante os 60 minutos”, explica Francisco Cabral, secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Carangola.

Rio das Ostras
A cada verão, cerca de 200 mil pessoas visitam Rio das Ostras, uma das cidades mais concorridas do litoral Fluminense em função de suas belas e diversificadas praias. O seu maior símbolo é a ponte que passa logo acima do rio que dá nome ao lugar. Ela, é claro, foi anunciada como um dos três monumentos a serem apagados durante a Hora do Planeta, como gesto de alerta contra os graves impactos das mudanças climáticas.

“A ponte é a logomarca da cidade, símbolo oficial ao lado da bandeira, do brasão e hino. Mas também desligaremos as luzes da Praça José Pereira Câmara, nova e central, à beira da praia, e o prédio da prefeitura, de grande porte. Por fim, temos um núcleo de educação ambiental que está visitando escolas, divulgando o projeto e pedindo a adesão. Anúncios em jornais impressos e rádios entrarão na semana do evento”, diz Max José de Almeida, secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca.

Almeida explica que a repercussão na mídia da Hora do Planeta foi tão grande no último ano que, tão logo souberam do movimento em 2010, decidiram participar ativamente. Para isso, também haverá uma apresentação musical na praça. Além das citadas, Osasco, Barueri, Porto Ferreira e São José dos Campos (todas de São Paulo) se engajaram na campanha. E a sua cidade, participará também?

Sobre a Hora do Planeta
A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas. No sábado, dia 27 de março de 2010, às 20h30, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global. Na primeira edição, realizada em 2007 na Austrália, 2 milhões de pessoas desligaram suas luzes. Em 2008, mais de 50 milhões de pessoas de todas as partes do mundo aderiram à ação. Em 2009, quando o WWF-Brasil realizou pela primeira vez a Hora do Planeta no Brasil, quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram suas luzes.

Informações para Imprensa:
CDN Comunicação Corporativa:
Carmen Lucia Nery 21-3535-8329 - carmen_nery@cdn.com.br
Sheila Albuquerque: 21-35358357 – sheila.albuquerque@cdn.com.br
Ana Maria Machado: 21-3535-8363 – anamaria.machado@cdn.com.br


WWF-Brasil:
Maristela Pessoa: 61-3364-7464 - maristela@wwf.org.br
Ligia Barros: 61-3364-7433 / 61-8175-3788 – LigiaBarros@wwf.org.br

www.wwf.org.br