terça-feira, 27 de abril de 2010

Projeto investe em agroflorestas na Amazônia para seqüestrar carbono

Por André Alves
Recuperar áreas degradadas com sistemas agroflorestais (SAFs) para fixação de carbono e geração de renda. Esta é a proposta do projeto Poço de Carbono Juruena que está sendo executado no município, a 830 km de Cuiabá-MT. Implementado pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – ADERJUR e com o patrocínio do Programa Petrobras Ambiental, o projeto irá envolver cerca de 150 famílias, entre pequenos e médios agricultores, além do estabelecimento de diversas parcerias para que em dois anos cerca de 660 hectares sejam recuperados e outros sete mil hectares tenham seu desmatamento evitado pelo estímulo a atividades econômicas que conservam a floresta.

“Nós temos a oportunidade de sermos uma referência na adoção de SAFs para seqüestro de carbono e induzir novas formas de produção, menos impactantes para a biodiversidade local”, aponta Paulo Nunes, coordenador técnico do projeto. “Para trabalhar com a agricultura familiar numa região como o Noroeste de Mato Grosso tem que levar em conta a agregação de valor aos produtos e a geração de renda, pois há enormes dificuldades no desenvolvimento de atividades, seja por conta da distância do mercado consumidor, seja pela falta de infra-estrutura para escoamento da produção”.

Para atingir os resultados esperados o Poço de Carbono Juruena irá beneficiar as comunidades Assentamento Vale do Amanhecer, Gleba 13 de Maio, Comunidade Santo Antônio, Linhas: Sapucaia, Sorriso, Jota, Monte Azul e Vale do Canamã. A seleção das famílias se deu por meio de reuniões e oficinas de sensibilização onde os técnicos do projeto apresentaram a proposta de implantação dos SAFs, baseados em quatro modelos: quintais produtivos, cafezais com sombreamento, palmeiras e silvopastoris. A escolha desses sistemas levou em conta diversos aspectos, como a agregação de renda, sustentabilidade, segurança alimentar e tradição com a cultura, além de intercalar espécies madeireiras, frutíferas, palmáceas comerciais e espécies fixadoras de nitrogênio.

De acordo com o interesse e área a ser recuperada de cada agricultor, é feito um estudo sobre as possibilidades de consórcios de espécies, mas a decisão de quais serão plantadas é de cada produtor. Os técnicos do projeto irão fornecer mudas e todo acompanhamento técnico necessário para que na seleção das espécies plantadas possam vir a gerar renda a pequeno, médio e longo prazos, assim como garantir a fixação de carbono por meio de espécies como a castanheira, a seringa, o ipê, entre outras.

José Lorivaldo de Souza está desde 1998 em seu lote, que é diferente do modelo de ocupação daquele comumente encontrado na região. Ele consorcia plantas, “planta árvores com capim para o boi ter sombra”, tem uma produção diversificada de arroz, mandioca, cupuaçu, limão, laranja, jambo, jabuticaba e outras duzentas espécies. Nem todas são para garantir renda, conforme ele mesmo explica, mas para o solo ter qualidade e para sua alimentação. Mesmo com essa diversidade e se considerando uma exceção na região, seu Loro, como é conhecido, quis fazer parte do projeto. “Sempre tive um lado de preservação, mas claro que fazia algumas coisas erradas. Com apoio a gente consegue fazer mais coisas da forma certa”, explica.

Já Cecílio Rosa é um mineiro da região de Governador Valadares que foi jovem para os Estados Unidos em busca de um futuro melhor. Depois de sete anos fazendo bicos e trabalhando em diversos empregos de forma árdua, juntou dinheiro, voltou ao Brasil e hoje cria gado leiteiro, produz arroz e milho e investe em piscicultura no município. Entrar para o projeto é uma oportunidade para ele recuperar a área de preservação permanente da represa onde cria os peixes. “Fiz os cálculos e ia sair R$ 1,50 cada muda para recuperar a APP, agora eu vou ter as mudas de graça. Vou entrar apenas com meu trabalho”, explica. “Quero plantar ipê, garrote, cupuaçu, castanheira e outras espécies. Vai ficar mais bonito, com um clima melhor para viver como é na floresta e meus netos e bisnetos terão renda com as árvores que vamos plantar”, anima-se.

Saiba mais sobre o Poço de Carbono Juruena
Além da implantação dos SAFs, o projeto investe em ações de Educação Ambiental e apóia formas de organização social em torno do planejamento e gestão para conservação de reservas legais e recuperação de áreas alteradas, ajudando a firmar parcerias como a da madeireira Rohden que vai permitir a extração de castanhas-do-Brasil da sua área por agricultores de uma cooperativa, ou da Secretaria Municipal de Educação, que compra biscoitos de castanha de uma associação de mulheres para reforçar a merenda escolar.

A escolha do município de Juruena para realização do projeto é porque, além de ser a sede da ADERJUR, há a atuação de diversos parceiros como o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Juruena, Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (COOPAVAM) e do projeto “Conservação da Biodiversidade e Uso Sustentável das Florestas de Fronteira do Noroeste de Mato Grosso”, executado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) além de uma forte rede de parcerias contribuindo para a maior chance de sucesso de novos empreendimentos.

Sobre a ADERJUR
A Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena - ADERJUR foi fundada em 1994 e sua principal finalidade é realizar atividades que contribuam com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar rural, de uma forma que possibilite trazer melhoria da qualidade de vida para seus associados, beneficiários e parceiros. Funciona como uma “central das associações”, buscando apoiar todas as comunidades do município através das demais associações constituídas nas comunidades, corroborando com projetos em parcerias.Através do Programa de Apoio Direto às Iniciativas Comunitárias – PADIC, da Secretaria de Planejamento do Estado de Mato Grosso, conseguiu implantar uma agroindústria para despolpar frutas, processando parte da produção do município de Juruena.

A ADERJUR, em parceria com o INCRA, trabalhou na proposta de adequação ambiental do assentamento Vale do Amanhecer visando valorizar a Reserva Legal comunitária, a partir da implantação de uma Unidade de Beneficiamento de Castanha do Brasil e recuperar áreas degradadas a partir da implantação de sistemas Agroflorestais. Hoje o assentamento conta com uma unidade de Beneficiamento de Castanha do Brasil com capacidade de beneficiamento de 10 toneladas/mês, beneficiando a produção de castanha dos agricultores familiares dos assentamentos, índios das etnias Rikbaktsa e os seringueiros da Reserva Extrativista dos rios Guariba e Roosevelt.

Comissão dos códigos florestal e ambiental discute agenda

Da Agência Câmara

A comissão especialComissão temporária criada para examinar e dar parecer sobre projetos que envolvam matéria de competência de mais de três comissões de mérito. Em vez de tramitar pelas comissões temáticas, o projeto é analisado apenas pela comissão especial. Se aprovado nessa comissão, segue para o Senado, para o Plenário ou para sanção presidencial, dependendo da tramitação do projeto. criada para analisar as 11 propostas que pretendem mudar ou revogar o Código Florestal (Lei 4.771/65) e a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) se reúne nesta terça-feira (27) para discutir sua agenda de trabalho.

O presidente da comissão é o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR). O relator é o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). A reunião está marcada para as 14 horas, no plenário 15.


Frente ambientalista discute incentivo a projetos ambientais

Da Agência Câmara
A Frente Parlamentar Ambientalista se reúne na quarta-feira (28), às 8h30, para discutir a necessidade de uma lei de incentivo a projetos ambientais. Atualmente, tramita na Câmara o Projeto de Lei 5974/05, que cria o chamado Imposto de Renda Ecológico e permite a pessoas físicas e jurídicas deduzir do IR parte das doações a projetos de conservação dos recursos naturais.

Esse projeto já foi aprovado pelo Senado e aguarda inclusão na pauta do Plenário da Câmara. “O país com a maior diversidade ambiental do planeta merece uma legislação de incentivo a projetos ambientais”, disse o coordenador da frente parlamentar, deputado Sarney Filho (PV-MA).

Dia da Caatinga
Durante a reunião, a Frente Parlamentar Ambientalista também vai comemorar o Dia Nacional da Caatinga (28 de abril), com uma exposição de fotos e lançamento de projetos desenvolvidos pelo Ministério do Meio Ambiente. A reunião ocorrerá na cafeteria do 10º andar do anexo 4 da Câmara.

Íntegra da proposta:

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Malária ameaça pelo menos 3,3 bilhões de pessoas no mundo, diz ONU

Da Agência Brasil

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, advertiu que a malária é responsável pela morte de quase 500 mil pessoas por ano no mundo. Segundo ele, pelo menos 3,3 bilhões – a metade da população mundial – vive em situação de risco por causa da doença.

De acordo com a ONU, a cada ano cerca de 250 milhões novos de casos de malária são registrados em todo o mundo. Em geral, os mais vulneráveis à doença vivem em países pobres ou em desenvolvimento. “O desafio agora é garantir que todos os que são expostos à malária recebam o diagnóstico de qualidade garantida e tratamento. Os avanços dos últimos anos mostram que a malária pode ser vencida”, afirmou Ban Ki-moon.

Segundo ele, desde 2003, os compromissos internacionais de controle da malária cresceram mais de cinco vezes, “elevando os investimentos no combate e controle da doença em um total de US $ 1,7 bilhão apenas em 2009”.

O secretário-geral acrescentou, no entanto, que os resultados obtidos até o momento ainda estão “muito aquém do que é exigido”. “A malária é um adversário tenaz. Para manter os ganhos atuais temos de estar vigilantes. É necessário ficar em alerta porque há a resistência aos medicamentos antimalária, o que é uma ameaça considerável”, disse neste domingo (25/4) o secretário-geral das Nações Unidas, no Dia Mundial de Combate à Malária.

A Organização Mundial da Saúde, ligada às Nações Unidas, informou que foi constatado que há uma forma de parasita resistente da malária que é frequente na região fronteiriça entre o Camboja e a Tailândia. De acordo com a OMS, esse transmissor pode prejudicar as atividades de controle da doença. A recomendação é utilizar uma combinação à base de artemisinina terapias (ACT).

“A campanha global contra a malária tem mostrado que é possível combater a doença quando a comunidade internacional se une em várias frentes para enfrentar o mais pesado pedágio nas populações pobres e carentes”, disse Ban Ki-moon.

“O compromisso forte provocou inovação: iniciativas criativas têm facilitado a entrega de um número maciço de mosquiteiros, parcerias inovadoras estão desenvolvendo novos medicamentos contra a malária e tornando mais acessíveis os medicamentos existentes”, completou.

Vazamento de plataforma afundada ameaça causar desastre ambiental

Por BBC Brasil


Os esforços de limpeza do óleo em frente à costa da Louisiana foram suspensos nos últimos dois dias por causa do mau tempo na região e a mancha no mar já chega a 1.500 quilômetros quadrados.

Onze funcionários da plataforma - que era operada pela BP - continuam desaparecidos e acredita-se que eles tenham morrido no acidente. Mais de cem funcionários foram resgatados.

A plataforma Deepwater Horizon explodiu na terça-feira passada e afundou na quinta, depois de ficar dois dias em chamas.

Segundo as autoridades locais, o vazamento de óleo - de quase 160 mil litros por dia - tem potencial para danificar praias, ilhotas e manguezais na costa da região.

A plataforma realizava perfurações exploratórias 84 quilômetros ao sudoeste de Venice, na Louisiana, quando ocorreu a explosão.

A BP está usando um submarino robô para tentar fechar válvulas no poço e acabar com o vazamento, mas a tarefa é extremamente complexa e pode não ser bem sucedida, disseram fontes da BP à agência de notícias Reuters.

A empresa também acionou mais de 30 navios e vários aviões para espalhar agentes dispersantes sobre a mancha de óleo, mas os esforços foram suspensos no fim de semana por causa do mau tempo.

Por enquanto, as condições meteorológicas estão mantendo a mancha distante da costa e especialistas esperam que as ondas ajudem a "quebrar" a mancha, permitindo que o óleo endureça e desça para o chão do oceano.

Prioridade
Inicialmente, a guarda costeira acreditava estar lidando apenas com um vazamento residual na superfície, mas depois constatou que havia óleo vazando de canos a 1.500 metros de profundidade.

No ano passado, a BP foi multada em US$ 87 milhões por não ter melhorado as condições de segurança depois de uma enorme explosão que provocou a morte de 15 pessoas em uma refinaria na cidade do Texas.

O Serviço de Administração Mineral dos Estados Unidos tinha realizado inspeções de rotina na plataforma Deepwater Horizon em fevereiro, março e abril deste ano, sem encontrar nenhuma violação às normas de segurança. A causa da explosão ainda não foi identificada.

Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que seu governo está oferecendo "toda assistência necessária" para o resgate e para os esforços de limpeza na região. Ele descreveu a crise na plataforma operada pela BP como a "prioridade número um" de seu governo.

Water pollution expert derides UN sanitation claims

Asit Biswas brands as 'baloney' WHO claim that it is on course to halve proportion of people without access to safe water

Juliette Jowit, The Guardian

Hundreds of millions of people that the UN declares have gained access to safe water and sanitation are still struggling with polluted supplies and raw sewage, a leading expert has told the Guardian.

In its latest report on the progress of the UN Millennium Development Goal to halve the proportion of people lacking access to safe drinking water and basic sanitation, the World Health Organisation said that since 1990 1.3 billion people had gained access to improved drinking water and 500 million better sanitation. The world was on course to "meet or exceed" the water target, it said, but was likely to miss the sanitation goal by nearly 1 billion people.

However, Prof Asit Biswas, who has advised national governments, six UN agencies and Nato, said official figures showing that many cities and countries had met their targets were "baloney", and predicted that by the UN deadline of 2015 more people in the world would suffer from these problems than when the goals were first adopted.

Biswas, president of the Third World Centre for Water Management, spoke to the Guardian ahead of a speech tomorrow in which he will tell water industry leaders that inadequate improvements to drinking water and sewage are hiding the true scale of the problem and storing up environmental problems for future generations.

"If somebody has a well in a town or village in the developing world and we put concrete around the well – nothing else – it becomes an 'improved source of water'; the quality is the same but you have 'improved' the physical structure, which has no impact," said Biswas. "They are not only underestimating the problem, they are giving the impression the problem is being solved. What I'm trying to say is that's a bunch of baloney."

The problem would not have been halved by 2015, he added. "I would say more people will not have access to drinking water in the sense they will have water they can drink straight from the source, and sanitation is even worse."

Biswas will also tell the Global Water Intelligence conference in Paris that water problems are caused not by physical scarcity of supplies but by poor management, including corruption, interference by politicians and inexperience. Such comments will be controversial in an industry dominated by companies providing technological solutions to "water stress" or "scarcity" – a lack of reliable supplies for average daily needs – which experts estimate affect more than 1 billion people around the world.

"These are real-life problems, but are we talking about them in the water profession? No. We talk about water scarcity," the professor said. "With the water we have, and the money we have, we can manage it better."

Biswas, whose awards include the prestigious Stockholm water prize for "his outstanding and multi-faceted contributions to global water resource issues", has travelled to cities and countries that have officially met the UN goals, such as India, Egypt and Mexico, visited the new facilities and carried out tests on the water supplied.

"I'm asking them which planet they are on," he said. "I advise the government of India, I have been advising Egypt since 1974: you'd be hard-pressed to find anybody lower-middle class or up [in those countries] who drinks that water."

Instead, most homes in these countries pay high prices for extra filters, expensive membranes so they can create mini sewage plants to treat their own water, and bottled water, said Biswas. He is calling for politicians to be removed from water management, well-paid experts to be appointed to run water authorities and more public outcry when supplies are too bad to drink.

His comments follow another report last week from the WHO and Unicef, which claimed aid for water and sanitation improvements was falling and that only 42% of money donated to the issue went to where it was needed most. Furthermore, a report from the World Bank Group and the International Monetary Fund on Friday said the global financial crisis would cut progress towards the provision of clean water, meaning that in 2015 more than 100 million people would be enduring dirty water.

Responding to Biswas's criticism, a WHO spokesman told the Guardian the organisation shared his concerns about water quality and the spread of improvements in water and sanitation.

The latest WHO update on progress, published in March, also warned that even if the Millennium Development Goals were reached in full, billions of people would still live with very poor water and sanitation.

Barbara Frost, chief executive of the UK-based global charity WaterAid, said: "Here is a global catastrophe which kills more children than HIV/AIDS, malaria and tuberculosis combined and which is holding back all development efforts including health and education."

Predadores protetores

Por Fábio de Castro, da Agência FAPESP

Os insetos herbívoros da espécie Guayaquila xiphias – “parentes” próximos das cigarrinhas e dos pulgões – produzem uma substância açucarada que atrai formigas, garantindo sua defesa contra outros predadores. Mas os herbívoros também precisam de proteção contra as próprias formigas, que são os insetos mais agressivos da floresta.

Uma pesquisa feita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) demonstrou pela primeira vez que esses insetos herbívoros são capazes de se proteger contra os ataques de formigas por meio de uma camuflagem química.

O estudo foi parte da pesquisa de mestrado de Henrique Silveira, defendida na Pós-Graduaçao em Ecologia do Instituto de Biologia da Unicamp, sob a orientação dos professores José Trigo e Paulo Sérgio de Oliveira. Os resultados foram descritos em um artigo publicado em fevereiro pelos três autores na revista The American Naturalist, editada pela Sociedade Norte-Americana de Naturalistas.

A formiga é o artrópode mais abundante encontrado nas folhagens de ecossistemas tropicais. Vivendo nas folhagens, seus principais interesses são a busca de açúcar e a predação de insetos.

“Para um inseto herbívoro que vive nas folhagens, o risco de ser atacado pelas formigas é muito grande. Uma das formas que eles encontraram para minimizar esse risco é produzir gotículas de secreções açucaradas que induzem as formigas a mantê-los como fonte de alimento, em uma relação semelhante a que temos com o gado de leite”, disse Oliveira à Agência FAPESP.

Os criadores de gado, no entanto, não estão interessados apenas no leite: os animais servem também para corte. No caso das formigas não é diferente. “Além do açúcar, as formigas estão interessadas em proteínas. Queríamos saber o que impede que as formigas ataquem os insetos herbívoros depois de consumir o açúcar que eles produzem”, disse.

Ao atrair as formigas, os insetos Guayaquila, segundo Oliveira, conseguem um eficiente “guarda-costas” contra os predadores da floresta. Mas, com isso, ficam expostos exatamente ao mais agressivo de todos eles. Um verdadeiro dilema. Para escapar a essa ameaça, esses insetos desenvolveram, no decorrer da evolução, uma camuflagem que faz com que as formigas não os reconheçam como presas.

“Normalmente, quando pensamos em uma camuflagem, tendemos a imaginar um recurso visual, como uma mariposa disfarçada pela semelhança de suas asas com a casca de árvores. Mas o universo sensorial das formigas não é visual como o nosso – é predominantemente químico. Elas reconhecem o que tateiam com suas antenas”, explicou o pesquisador.

A camuflagem dos insetos herbívoros é, portanto, química. Isto é, sua superfície é quimicamente semelhante à superfície das plantas onde vivem. “Ao consumir a substância secretada pelos herbívoros, as formigas os percebem como se fossem glândulas da planta secretando o açúcar”, disse.

Para provar essa camuflagem, os pesquisadores traçaram o perfil químico da superfície do inseto herbívoro e o compararam com o perfil da superfície da planta, constatando uma plena semelhança.

O grupo experimentou ainda colocar o inseto herbívoro em uma planta que não se parecia quimicamente com ele. Nesse caso, as formigas atacaram. “Sabíamos, também, que se a hipótese fosse verdadeira, ao transferir o ‘vestido químico’ do herbívoro para um animal que a formiga normalmente come, ele também passaria a ser menos atacado”, disse Oliveira.

A hipótese foi comprovada. Os cientistas “vestiram” uma larva que geralmente é comida pelas formigas com o “traje químico” do herbívoro que é capaz de enganá-las. Conforme o esperado, as larvas passaram a não ser reconhecidas como presas pelas formigas.

“A camuflagem química já havia sido levantada na literatura, mas pela primeira vez demonstramos que um inseto herbívoro que atrai formigas consegue se proteger dos ataques delas por meio desse recurso”, apontou.

Segundo Oliveira, em ambientes tropicais, cerca de 90% dos artrópodes nas folhagens são formigas. “Elas são tão abundantes porque são animais sociais. Uma colônia de formigas pode ter milhares de indivíduos e isso responde por sua dominância nos ecossistemas tropicais”, disse.

O artigo Attracting Predators without Falling Prey: Chemical Camouflage Protects Honeydew‐Producing Treehoppers from Ant Predation (DOI: 10.1086/649580), de Henrique Silveira, José Trigo e Paulo Sérgio de Oliveira, pode ser lido por assinantes da The American Naturalist em www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/649580.

Fragmentação questionada

Por Alex Sander Alcântara, da Agência FAPESP

Um estudo publicado na revista Science, em 2009, indicou que a parte sul da Mata Atlântica (de São Paulo ao Rio Grande Sul) passou por um processo de “recolonização recente”. Espécies de plantas e animais teriam reocupado a área nos últimos 10 mil anos, após extinção associada aos períodos frios e secos do Último Máximo Glaciário, há cerca de 21 mil anos.

Na pesquisa, o grupo de cientistas brasileiros e norte-americanos aplicou um método – com base em registros climáticos e utilizando como modelo de análise três espécies de anfíbios – para estimar as distribuições das espécies no passado e, com isso, localizar possíveis áreas de refúgios.

Uma das conclusões do trabalho aponta a existência de três refúgios históricos na parte norte da Mata Atlântica, localizados no sul da Bahia e em Pernambuco, com outro menor no Estado de São Paulo. A explicação é que, por ter sido mais estável climaticamente, a parte norte do bioma reuniria uma maior diversidade biológica e mereceria, portanto, maior esforço de conservação.

Mas um novo estudo, publicado na revista Molecular Phylogenetics and Evolution, levanta a hipótese de que pode não ter havido uma fragmentação tão intensa da Mata Atlântica como se acreditava ou que, se houve, teriam existido refúgios também na parte sul do bioma.

O motivo é que, ao utilizar um grupo de sapos (Rhinella gr.crucifer) como modelo, os pesquisadores identificaram que a linhagem mais antiga e diferenciada está localizada justamente no extremo sul da Mata Atlântica.

“Os resultados atestam que a Mata Atlântica não se comportou como se pensava e que, se houve mesmo a fragmentação massiva da mata durante as glaciações, houve também refúgios na parte sul. E, de fato, ao pesquisar na literatura encontramos outros trabalhos que descrevem linhagens antigas na parte sul, reforçando essa ideia”, disse Maria Tereza Thomé, pesquisadora do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e primeira autora do artigo, à Agência FAPESP.

O trabalho corresponde ao capítulo inicial de sua tese de doutorado orientada pelo professor João Alexandrino, do mesmo instituto, com Bolsa da FAPESP, e está inserido no projeto de pesquisa “Biogeografia, filogeografia e diversificação de anuros endêmicos da Mata Atlântica do Brasil”, conduzido por Alexandrino com apoio da Fundação por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

De acordo com Maria Tereza, a ideia central foi encontrar pistas sobre o surgimento de espécies na Mata Atlântica utilizando como modelo um grupo de sapos que conta atualmente com cinco espécies.

“O grupo escolhido é comum, mas é também endêmico, ou seja, ocorre por toda a Mata Atlântica e, ao mesmo tempo, só ocorre nesse bioma, dependendo dele para continuar existindo. A intenção era trabalhar com um grupo de animais que fosse comum e com distribuição mais ampla”, explicou Maria Tereza.

Os objetivos do estudo são investigar a variação genética e morfológica desse grupo de anfíbios, verificar se as espécies consideradas atualmente são entidades evolutivas independentes e se existem mais espécies ainda desconhecidas e tentar propor uma hipótese biogeográfica que explique como elas se formaram.

De acordo com Alexandrino, coautor do artigo e agora professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo, o objetivo do artigo foi discutir se houve ou não refúgios de Mata Atlântica em períodos mais frios do Quaternário.

“Ainda não sabemos se a persistência de linhagens e espécies diferenciadas no sul da Mata Atlântica resultou da existência de refúgios históricos de mata, da ação de barreiras fluviais associadas a tectonismo ou de uma combinação de ambos”, disse.

Para avaliar a diversidade genética e estudar como a diversidade está distribuída geograficamente, o grupo trabalhou com sequenciamento de fragmentos de DNA mitocondrial (herdados apenas do lado materno) e também do DNA nuclear.

“Com esses métodos é possível averiguar os padrões de parentesco entre as linhagens, e ainda aplicar um relógio molecular baseado na taxa de mutação desses fragmentos para estimar há quanto tempo essas linhagens estão evoluindo independentemente”, explicou Maria Tereza.

Outro método utilizado pelos pesquisadores foi a paleomodelagem ecológica de nicho, em que são usados cenários climáticos que tentam descrever as condições do clima no passado para estimar qual teria sido a distribuição provável desses animais em cada período glacial.

Segundo Alexandrino, a proposta foi primeiro identificar as condições climáticas em que os animais ocorrem atualmente, para, então, gerar um modelo matemático preditivo (que descrevesse as condições de que esses animais necessitam). O modelo poderia ser então alimentado com cenários climáticos passados, produzidos por equipes internacionais de climatologistas.

“Usufruímos desses cenários para tentar encontrar os locais que teriam tido as mesmas condições necessárias para os animais existirem no passado. Ao gerar essas previsões para diferentes pontos no tempo, inferimos as áreas de distribuição dos animais que provavelmente foram mais estáveis ao longo do tempo. Considerando que os animais dependem da Mata Atlântica para existir, postulamos que onde eles estavam existia também a mata”, acrescentou Maria Tereza.

Os resultados indicam que em todas as espécies estudadas até o momento neste projeto houve populações que se mantiveram também na parte sul do bioma, tanto no Rio Grande do Sul como em Santa Catarina ou no Paraná.

“Isso tem implicações para a própria história da Mata Atlântica, porque todas essas espécies são endêmicas do bioma e necessitam da floresta para existir. Ou seja, põe em discussão se existiram ou não as chamadas áreas de refúgios que, por terem permanecido muito estáveis ao longo do tempo, abrigariam uma riqueza imensa de organismos e, portanto, deveriam ter prioridade de conservação”, reforçou Alexandrino.

Relevância do método
Para Celio Haddad, professor do Instituto de Biociências de Rio Claro da Unesp e coautor dos artigos publicados nas duas revistas, houve uma ineficiência da metodologia para estimar inicialmente as áreas de refúgios, porque foram utilizados como modelo apenas três espécies.

“A grande relevância do trabalho publicado na Science foi a proposta do método que representava um nova fronteira a ser explorada. Nós ampliamos a amostragem no número de espécies e começamos a detectar os refúgios ao sul. O novo estudo não inviabiliza o método proposto anteriormente, longe disso, mas mostra que, à medida em que se amplia a amostragem do número de espécies, achamos mais refúgios”, disse Haddad, que é membro da coordenação do programa Biota-FAPESP.

Segundo ele, no momento em que foram tiradas as conclusões que seriam publicadas na Science, o grupo discutiu a necessidade de se aprofundar os estudos, pois existem gêneros e espécies endêmicos da Mata Atlântica no sul do Brasil, um indicativo de que a floresta persistiu por lá também.

“O trabalho de Maria Tereza cobre certas lacunas que foram deixadas em relação ao trabalho anterior. Apesar de negar a conclusão de que os refúgios só estão ao norte, não inviabiliza a metodologia daquele trabalho, que é bastante útil”, reforçou.

Segundo Haddad, agora se torna necessário aumentar a amostragem para localizar melhor as áreas de refúgios tanto ao norte – que talvez tenha mais – como ao sul.

“A recomendação final que fazemos no artigo resulta de a história da Mata Atlântica parecer ser muito mais complexa do que se imagina e que, provavelmente, será impossível encontrar uma única explicação para a formação de todas suas espécies. Portanto, o planejamento da conservação deve ser feito com mais cautela”, disse Maria Tereza.

Assinam também o artigo Kelly Zamudio, da Universidade de Cornell (Estados Unidos), João Giovanelli, da Unesp, e Flávio Baldissera Jr., da Universidade Católica de Santos.

O artigo Phylogeography of endemic toads and post-Pliocene persistence of the Brazilian Atlantic Forest pode ser lido por assinantes da Molecular Phylogenetics and Evolution em www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20139019.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Combate à malária na Amazônia

Da Agência Fapesp

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) participará do Projeto para Prevenção e Controle da Malária na Amazônia Brasileira. A iniciativa pretende reduzir pela metade a incidência da malária nos próximos cinco anos na Amazônia, região que representa 99% dos casos da doença no Brasil.

O coordenador do projeto, professor Carlos Corbett, do Departamento de Patologia da FMUSP, explica que o diagnóstico e o tratamento efetuados rapidamente reduzem tanto a mortalidade como a transmissão da doença, que é feita por fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles.

Financiado pelo Fundo Global de Luta contra a Aids, Tuberculose e Malária do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), o projeto envolverá R$ 100 milhões e começa a operar em junho.

Segundo a FMUSP, foram selecionados 47 municípios em seis Estados da região Norte para receberem o programa. Serão comprados 200 microscópios para a detecção da doença e 250 técnicos serão contratados para atuar no projeto.

Medicamentos também serão distribuídos pelo Ministério da Saúde com a finalidade de baixar a quantidade do parasita no sangue e, desse modo, reduzir a taxa de transmissão. Também serão disponibilizados 1 milhão e 100 mil mosquiteiros impregnados com inseticidas de longa duração. 

Economia da natureza

Por Alex Sander Alcântar, da Agência FAPESP

Seria a natureza a única limitante do processo econômico? Existem barreiras biofísicas que impediriam o crescimento exponencial de produção de bens de consumo de tal forma que o mundo caminhasse para uma “estabilização das atividades econômicas”?

Essas e outras questões envolvendo economia e ecologia estão presentes no livro A natureza como limite da economia – a contribuição de Nicolas Georgescu-Roegen, de Andrei Cechin, lançado na segunda-feira (19/4) na livraria da Edusp, a editora da Universidade de São Paulo (USP). Antes do lançamento, o autor e convidados debateram os principais pontos abordados na obra, na sede do Instituto de Estudos Avançados (IEA).

O livro é resultado da pesquisa de mestrado de Cechin, com Bolsa da FAPESP, defendido em 2008 no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (Procam) da USP, com orientação de José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

O título faz referência ao pensamento de Nicolas Georgescu-Roegen (1906-1994), matemático e economista romeno considerado o precursor do conceito de desenvolvimento sustentável. Segundo Georgescu-Roegen, a natureza é a única limitante do processo econômico.

De acordo com Veiga, um dos debatedores do encontro no IEA, o livro aborda interrelações entre economia e natureza e resgata o pensamento do economista romeno na moderna discussão sobre clima, sustentabilidade e governança corporativa.

“Quando, nos anos 1980, ele disse que a economia, no futuro, seria mais um capítulo da ecologia, foi ‘expurgado’ totalmente e caiu no esquecimento. O livro do Andrei traz uma contribuição inédita porque permite que muitos estudantes tenham acesso às suas ideias no Brasil”, disse à Agência FAPESP .

Na oportunidade, o professor também lançou o livro Economia socioambiental, uma coletânea de 14 artigos organizada por ele que enfoca mudanças de paradigmas entre a economia convencional e a economia ecológica ou ambiental. Segundo Veiga, para fazer a introdução à coletânea – que escreveu junto com Cechin – teve como suporte o livro do orientando.

Georgescu ficou conhecido – e pagou um alto preço por suas ideias nos anos de 1970 – por aplicar à economia o conceito de entropia, emprestado da termodinâmica, ao mostrar que as concepções tradicionais da economia pecavam pelo extremo mecanicismo.

“Os manuais de economia sempre começam com o diagrama do fluxo circular, que mostra como o dinheiro, mercadorias e insumos circulam entre famílias e empresas. Para Georgescu, isso é um sintoma claro do mecanicismo que predomina na economia”, disse Cechin.

Segundo ele, o economista romeno tentou mudar a visão sistêmica do fluxo circular unitário e isolado, segundo a qual capital e trabalho são considerados a estrutura do processo que transforma fluxo de energia em produtos e resíduos.

“Ele muda para uma visão metabólica do processo, mostrando que o sistema econômico não era um moto-perpétuo, que alimenta a si mesmo de forma circular, sem perdas. Ao contrário, é um sistema que transforma recursos naturais em rejeitos que não podem mais ser utilizados. Ao desenvolver uma nova representação do processo, Georgescu destacou que ele não é circular e isolado, mas linear e aberto”, disse Cechin.

Novos ritmos

De acordo com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e debatedor no encontro no IEA, o trabalho do economista romeno é fundamental, porque conecta duas ciências aparentemente separadas: economia e ecologia.

“Outro ponto atual é a discussão sobre os limites ao desenvolvimento, sejam eles da natureza ou material. Esse recado parece que vem sendo entendido ou pelo menos valorizado pela humanidade”, disse.
Brito Cruz destacou alguns pontos que acha importantes para o debate do crescimento sustentável, como a questão da velocidade do processo, o custo social, o aumento da população e a criação de novas ideias.

“Como entender as partes desse sistema e como elas se combinam e de que maneira as ideias da humanidade vão empurrar para a frente esse ‘fim’ a partir da lei fundamental da natureza? As premissas de Georgescu são também uma oportunidade de conhecer novas ideias, já que sabemos que criamos uma solução para um problema e, em consequência, geramos outros desafios”, destacou.

O livro A natureza como limite da economia está dividido em cinco partes. No capítulo introdutório, Cechin apresenta o paradigma que une todas as escolas do pensamento econômico e o ponto de ruptura com as ideias de Georgescu.

A segunda é dedicada à vida e obra do economista romeno, do seleto grupo de economistas da Universidade Harvard, nos anos de 1930, ao banimento dos círculos acadêmicos nos idos de 1970, quando passou a estudar as bases biofísicas da economia, conhecimento que ele chamou de bioeconomia.

Nos capítulos seguintes, o autor avalia as idéias de Georgescu no contexto do debate sobre a escassez de recursos naturais e o crescimento econômico e a influência de seus postulados para formar a base do pensamento econômico.

Os capítulos apontam ao final para a discussão de que o futuro energético da humanidade está no centro da problemática do chamado desenvolvimento sustentável. “Georgescu mostrou que, para que o termo desenvolvimento sustentável não representasse uma mera inovação retórica, é necessário atentar para o duplo aspecto da relação entre processo econômico e natureza, ou seja, o esgotamento dos recursos naturais e a saída inevitável de resíduos”, disse Cechin.

Uma das principais teses de Georgescu – e a mais polêmica – gira em torno da ideia de decrescimento da economia. “A tese sinalizava que um dia a humanidade terá que pensar em estabilizar as atividades econômicas, pois não haverá como evitar a dissipação dos materiais utilizados nos processos industriais. Em algum momento, segundo ele, haverá a necessidade de diminuir o ritmo da economia”, disse.

Durante os debates outras questões foram levantadas, como o papel das inovações entre países ricos e emergentes. Como defender, por exemplo, o não crescimento em países que ainda precisam crescer.
Para Cechin, não seria correto dizer que o economista romeno se opõe ao desenvolvimento, mas que ele defende que a sociedade precisará se desenvolver decrescendo, sob novos paradigmas. “Os questionamentos sobre as teses de Georgescu só mostram o quanto o momento é propício para aceitação de suas ideias”, disse.

Título: A natureza como limite da economia: a contribuição de Nicolas Georgescu-Roegen
Autor: Andrei Cechin
Edição: Edusp/Senac
Páginas: 264
Preço:
R$ 45
Mais informações: 

www.edusp.com.br/detlivro.asp?ID=412356

www.editorasenacsp.com.br

Desafios da cana sustentável

Da Agência Fapesp

Como qualquer cultura, a da cana-de-açúcar também apresenta custos ao ambiente que precisam ser avaliados. O consumo de água, o uso de fertilizantes e a participação da cultura da cana na dinâmica dos gases de efeito estufa são os principais desafios ambientais a serem enfrentados no cultivo da matéria-prima do etanol, segundo Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e um dos coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Para Cantarella, pesa sobre a cana uma responsabilidade ambiental ainda maior, uma vez que a cultura faz parte da cadeia de um biocombustível importante e do qual se espera uma contribuição para mitigar o efeito estufa no planeta.

Com plantações concentradas em áreas com boa distribuição de chuvas, o cultivo da cana-de-açúcar na maior parte do Brasil não precisa de irrigação, segundo apontou Cantarella durante a convenção latino-americana do projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada em março na sede da FAPESP. Além disso, a planta necessita de menos água em relação a outros vegetais, como soja e café. Trata-se de uma ótima notícia, na opinião do pesquisador, uma vez que a água tem se tornado um recurso escasso.

Mesmo nas regiões em que é necessária, como no Brasil central, a irrigação da cana não precisa ser intensiva. “Em Estados como Goiás, por exemplo, é necessária a chamada irrigação de salvação para provocar a germinação ou a brotação da planta”, explicou.

Mesmo assim, esse procedimento se faz necessário somente na época de inverno, o período de seca. No restante do ano, o Estado mostra índices pluviométricos semelhantes aos de São Paulo.

Por outro lado, a irrigação constante pode aumentar muito a produtividade. Cantarella apontou uma variedade da planta desenvolvida pelo pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell no IAC, em Ribeirão Preto, que alcançou uma produtividade de mais de 300 toneladas por hectare ao ser cultivada sem limite de água ou de nutrientes.

“Esse aumento de produtividade pode reduzir a área plantada e diminuir outros impactos ambientais”, disse o cientista, afirmando ser necessário ponderar sobre o dilema de se utilizar água em locais em que seu suprimento é limitado.

O uso de água pelas usinas também foi considerado. Cantarella conta que, no Estado de São Paulo, esse consumo vem se reduzindo ao longo dos últimos 20 anos, caindo de 5,6 metros cúbicos por tonelada de cana processada para o atual 1,8 metro cúbico. Essa redução, segundo ele, já é um esforço de adequação da indústria diante de um cenário de escassez.

Recentemente, a legislação estadual impôs restrições quanto ao uso da água que variam de acordo com a região no Estado. As novas plantas industriais, por exemplo, podem consumir, no máximo 1 metro cúbico de água por tonelada de cana.

Estudos indicam que a indústria da cana-de-açúcar tem se preocupado com a preservação das águas superficiais e lençóis freáticos. Subprodutos contaminantes, como a vinhaça, não podem ser jogados em rios e são reaproveitados como fertilizantes, que também são submetidos a limites de aplicação a fim de que não haja contaminação por excesso.

Outra preocupação ambiental é a contaminação por fósforo e nitrato, causada pelo excesso de fertilizantes. “Por ser extremamente solúvel, o nitrato penetra no subsolo com muita facilidade e o excesso de fósforo provoca a eutrofização, que é a proliferação de algas na água”, explicou Cantarella. Segundo ele, ambos os problemas têm sido pouco encontrados no Brasil, ao contrário de outros países.

Dependência dos fertilizantes
O pesquisador do IAC destaca que os fertilizantes são uma preocupação de ordem estratégica para o país. “O Brasil importou, em 2008, 83% do fertilizante consumido nas lavouras. A cultura da cana é responsável por cerca de 13% do total utilizado na agricultura no país”, disse.

Segundo Cantarella, essa dependência brasileira de insumos estrangeiros é uma questão que merece muita atenção. Citou um episódio de 2007 em que a China elevou o imposto de exportação para garantir o seu suprimento de fertilizantes e causou a preocupação mundial de que outros produtores de insumos fizessem o mesmo.

Embora não exista nenhum país no mundo autossuficiente na produção dos três principais fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio), uma vez que as reservas estão espalhadas pelo mundo, o Brasil tem alta dependência de todos eles, importando 75% do nitrogênio, 50% do fósforo e 92% do potássio que utiliza.

No entanto, os biocombustíveis utilizam somente 2,4% dos fertilizantes consumidos em toda a agricultura mundial. No caso da cana-de-açúcar, a produtividade por quantidade de fertilizante utilizada é ainda mais vantajosa.

Cantarella conta que, mesmo apresentando produções equivalentes de etanol no ano de 2008, Brasil e Estados Unidos consumiram quantidades muito diferentes de fertilizantes em suas plantações de cana-de-açúcar e milho, respectivamente. A lavoura brasileira gastou 910 mil toneladas desses insumos, praticamente um terço dos 2,8 milhões de toneladas empregadas na produção do milho norte-americano no mesmo período.

Etanol e efeito estufa
A contribuição da cultura da cana nas emissões de gases de efeito estufa é um dos pontos que têm recebido atenção em estudos internacionais. Nesse balanço ambiental, os fertilizantes nitrogenados têm um papel importante, pois liberam óxido nitroso (N2O), considerado 300 vezes mais potente que o carbono na contribuição para o efeito estufa. Cerca de 1% do fertilizante empregado acaba sendo disperso na atmosfera em forma de gás.

No entanto, esse valor é um tema controverso e algumas pesquisas chegaram a dados discrepantes. “Houve até um estudo que apontou a proporção de 4% de gás liberado por nitrogênio aplicado, uma quantidade tão alta que ameaçaria as vantagens do etanol como mitigador do efeito estufa”, disse Cantarella, lembrando que o valor foi considerado exagerado por outras avaliações.

Para melhorar esse aspecto, pesquisas no Brasil procuram desenvolver bactérias fixadoras de nitrogênio. “Ainda não sabemos se os microrganismos vão substituir parte substancial da adubação nitrogenada nem a sua eficiência, mas é um potencial interessante”, disse.

O mais abundante gás estufa, o dióxido de carbono (CO2), também está sendo considerado na avaliação ambiental da cana. Há mais carbono na camada superficial do solo do planeta do que na atmosfera. Isso faz com que qualquer atividade de manejo do solo tenha um potencial de liberação de CO2.

Mais uma vez Cantarella apontou que a cana-de-açúcar apresenta vantagens nessa questão em relação a outras culturas. A estrutura da planta é favorável nesse sentido, pois concentra a parte seca e mais rica em carbono na parte inferior e na raiz do vegetal, o que mantém o CO2 sob o solo.

Além disso, como a cana produz grande quantidade de matéria seca, parte desse material retorna ao solo repondo carbono. A colheita da cana crua, sem a queima, eleva ainda mais a devolução desse elemento ao solo e pode, inclusive, aumentar o teor de carbono na terra e com isso, eventualmente, mitigar o efeito estufa, segundo o cientista.

Os subprodutos como a vinhaça e a torta de filtro retornam ao campo como adubos. Já a colheita da cana crua vem crescendo gradualmente por força de lei. A legislação do Estado de São Paulo prevê a extinção da colheita com fogo até 2031. Além de manter a palha no campo, a cana crua não libera o CO2 inerente à queima.

Outro atestado “verde” da cadeia sucroalcooleira é a sua grande capacidade de reciclar nutrientes, segundo lembrou Cantarella. “Se analisarmos as estruturas moleculares dos dois principais produtos da cana, a sacarose e o etanol, veremos que elas contêm somente carbono, hidrogênio e oxigênio, ou seja, boa parte dos minerais contidos nos fertilizantes pode ser reciclada, permanecendo no campo”, disse. 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

São Paulo fará gestão de sua fauna silvestre

Da Agência FAPESP

A gestão da fauna silvestre do Estado de São Paulo, atualmente sob a responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), passará para o Centro de Fauna Silvestre da Secretaria do Meio Ambiente (SMA) do Estado de São Paulo.

Segundo a SMA, a transferência será executada gradualmente com a participação de técnicos dos dois órgãos. Para isso, os profissionais estão alinhando o Sistema Integrado de Gestão Ambiental (Sigam) da SMA ao Sistema Nacional de Gestão da Fauna (Sisfauna), operado pelo Ibama.

Atualmente, o Ibama controla todos os empreendimentos que usam e manejam animais silvestres no Estado de São Paulo. A proposta é que zoológicos, criadouros comerciais e científicos (para fins de pesquisa ou conservação), mantenedores, criadores de pássaros utilizados em torneios (devido ao canto ou à beleza), centros de triagem e reabilitação, estabelecimentos comerciais, abatedouros e frigoríficos e programas de soltura e monitoramento passem a se cadastrar no Sigam para que o Centro de Fauna Silvestre da SMA seja a instância responsável pelo manejo dos recursos faunísticos.

Os empreendimentos que usam e manejam animais silvestres serão oficialmente comunicados sobre o início da gestão estadual. Até que a integração de sistemas seja finalizada, os empreendimentos devem se reportar ao Ibama. A idéia é que o Sigam facilite a gestão da fauna e agilize o atendimento ao usuário.

O cadastro servirá como banco de dados de estabelecimentos que utilizam animais da fauna silvestre nativa ou exótica, bem como seus produtos e subprodutos. A Resolução SMA 25, que estabelece os critérios da gestão da fauna silvestre, cumpre o que determina o acordo de cooperação técnica, firmado entre a SMA e o Ibama, que compartilha a gestão dos recursos faunísticos no Estado de São Paulo.

De acordo com a resolução, o Centro de Fauna Silvestre, que pertence à Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais da SMA, será responsável por autorizar o transporte e o manejo ex situ e in situ da fauna silvestre.

Mais informações: http://www.ambiente.sp.gov.br/

Esperteza vegetal

Por Fábio de Castro da Agência FAPESP 
Plantas como o mulungu (Erythrina velutina) – árvore nativa da Mata Atlântica – produzem sementes duras e coloridas muito utilizadas na fabricação de colares e pulseiras. Além de garantir o sucesso nas feiras de artesanato, as características das chamadas sementes miméticas fazem parte de uma complexa estratégia evolutiva de dispersão de sua espécie.

Um estudo realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que o fenômeno de dormência tem um papel importante para o sucesso dessas estratégias de dispersão das sementes miméticas. O trabalho foi publicado na edição online e em breve aparecerá na versão impressa da revista Annals of Botany, uma das mais importantes da área.

O primeiro autor do estudo, Pedro Brancalion, concluiu em dezembro de 2009 seu doutorado na Esalq, com bolsa da FAPESP, sob orientação do professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas – coautor do trabalho e ex-coordenador do Programa Biota, da FAPESP. Os outros autores são Ana Novembre e Júlio Marcos Filho – ambos professores do Departamento de Produção Vegetal da Esalq.

De acordo com Brancalion, diversas espécies de plantas utilizam a estratégia de atrair animais para auxiliar na dispersão de suas sementes. Em geral, essas plantas possuem frutos carnosos, nutritivos e coloridos que estimulam o animal a comê-los. As sementes não são digeridas e acabam excretadas longe da planta mãe.

O grupo de plantas com sementes miméticas, no entanto, vale-se de uma espécie de “estelionato biológico”: elas produzem sementes coloridas que ludibriam o animal, atraindo-o sem, no entanto, oferecer nada de nutritivo.

“Essas plantas produzem apenas a semente, cuja dispersão é o que realmente lhes interessa e, com as cores, mimetizam a aparência do fruto. Elas aproveitam o serviço de dispersão oferecido pelo animal, mas não pagam por ele. E com isso economizam muito, pois a produção de frutos verdadeiros – sintetizando grande quantidade de lipídios, proteínas e açúcar – tem um preço muito elevado em termos de energia”, disse Brancalion à Agência FAPESP.

O “golpe” aplicado pelas plantas de sementes miméticas, no entanto, não é perfeito. Normalmente as aves – principais agentes de dispersão – percebem o engodo e, aos poucos, deixam de consumir as sementes miméticas.

“De forma geral, quem consome essas sementes são as aves jovens, que ainda não têm uma dieta muito especializada. Conforme ganham experiência de vida, percebem que não vale a pena comer aquelas sementes. Por conta disso, essas espécies de plantas têm taxa de remoção de sementes muito baixa”, explicou Brancalion, que atualmente é pesquisador do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Esalq.

A solução para aumentar a chance de ser consumida por aves “inexperientes” é deixar as sementes miméticas expostas durante longo tempo. Essa é justamente uma das características marcantes de tais espécies. Segundo o pesquisador, há relatos de sementes que ficam presas às árvores por até três anos. O longo tempo compensa a baixa taxa de remoção.

“No entanto, com essa estratégia surge outro problema: a semente precisa se manter viva, na árvore, por um tempo longo demais. Sabemos que a maior parte dessas plantas vive em climas tropicais – em ambientes muito quentes e úmidos, onde as condições de deterioração são muito fortes”, disse o pesquisador.

Dois pontos intrigavam os cientistas, motivando a pesquisa: como essas sementes miméticas evitam a deterioração por fungos em tais condições de calor e umidade e como evitam a predação ficando expostas por tanto tempo à ação de larvas, insetos e roedores, por exemplo.

“Essas sementes têm altas concentrações de alcaloides, que as torna muito tóxicas, podendo até matar um ser humano. Com isso elas evitam uma eventual predação. Mas não se tinha conhecimento, até agora, de como essas espécies combatiam a deterioração fisiológica, provocada pelas condições do ambiente. Esse foi o foco do meu trabalho”, explicou Brancalion.

Dormência e exaptação
A principal hipótese levantada pelos pesquisadores da Esalq era que as sementes se protegem da deterioração fisiológica por meio da dormência física – um fenômeno bastante comum entre espécies arbóreas, caracterizado pelo atraso da germinação provocado pela dureza do tegumento da semente, que impede a absorção de água.

“O artigo veio preencher uma lacuna no conhecimento sobre a estratégia evolutiva dessas espécies. Investiguei se a dormência de sementes atua para essas espécies como uma vantagem adaptativa para que consigam de fato superar, vivas, todo esse período sem dispersão”, afirmou.

Os pesquisadores investigaram se a dormência era uma adaptação – quando uma determinada característica é criada por meio da seleção natural para um fim específico – ou uma exaptação, isto é, uma característica que surgiu a partir de uma adaptação determinada para uma finalidade, mas que acaba servindo também para outros fins.

“A dormência de sementes ocorre em varias espécies e seria muita pretensão dizer que as sementes miméticas criaram essa característica para superar a deterioração fisiológica. Se a característica já existia nesse gênero de plantas, deve ter surgido para outra finalidade, mas, nessas espécies, adquiriu essa função”, explicou.

Os pesquisadores submeteram, então, sementes miméticas com dormência e sem dormência, de cinco espécies, a condições de envelhecimento acelerado – um método padrão de testes com sementes. “Colocamos as sementes em atmosfera úmida a uma temperatura de 41 graus Celsius por seis dias, simulando uma situação altamente favorável à deterioração. Assim, testamos se a dormência de fato protegia da deterioração”, disse.

As sementes que se mantiveram íntegras, sem superar a dormência, germinaram normalmente depois do tratamento. Já as sementes desprovidas de dormência foram deterioradas, segundo Brancalion.

“Em seguida testamos a hipótese de que a dormência é uma exaptação. Para isso, utilizamos o gênero Erythrina , que tem espécies com sementes miméticas e outras com sementes marrons. Fizemos os mesmos tratamentos e vimos que, mesmo com a semente marrom, a dormência também ajudava a proteger da deterioração”, disse.

Comparando a filogenia das duas espécies, os pesquisadores verificaram que a espécie de semente marrom era mais basal – isto é, mais antiga em termos evolutivos. “Em certo ponto da evolução deve ter ocorrido uma mutação pontual que gerou as sementes coloridas. Isso deve ter trazido uma vantagem seletiva, aumentando a taxa de dispersão dessas espécies”, disse.

O artigo Dormancy as exaptation to protect mimetic seeds against deterioration before dispersal (doi:10.1093/aob/mcq068), de Pedro Brancalion e outros, pode ser lido por assinantes da Annals of Botany em http://aob.oxfordjournals.org/cgi/content/abstract/mcq068.

Feel free to doubt climate change: just don't deny it

After months of controversy, the University of East Anglia climate unit was exonerated last week over the leaked emails affair. Science editor Robin McKie says there are lessons to be learned – but those who call themselves sceptics must address their own intellectual dishonesty.

Robin McKie, science editor, The Guardian

t was, by many accounts, the worst academic outrage of modern times. A host of emails, illegally obtained from the climate research unit at the University of East Anglia, "revealed" that researchers were manipulating data about global warming and were guilty of perpetrating "the worst scientific scandal of a generation". At least that is how many writers reacted to the news of the leaking of emails between unit leader Phil Jones and fellow researchers.

Last week, however, they adopted a different approach after a report, written by a team of experts recommended by the Royal Society and led by Lord Oxburgh, vindicated the work of the climate research unit, completely exonerated Jones and pronounced that his research was robust and solid. Those hostile writers were largely silent. Given all the hot air they have vented over the affair, this is perhaps not surprising.

Nor am I complaining. A bit of silence from climate-change deniers is always welcome. However, it would be wrong to let last week's revelations pass without comment. Climate science, and science in general, has undoubtedly been harmed by the affair. It is important that lessons are learnt from it.

For a start, it is obvious that scientists need to face the simple matter of dealing with requests for access to data. The small-scale nature of Jones's operations made him a target for critics who bombarded him with requests under freedom of information legislation. Jones struggled to meet those demands. Hence the testy nature of his email responses on occasions, a feature that was seized on by deniers.

Bureaucratic help is now needed when dealing with the deluge of data requests that scientists face. Questions must also be asked if freedom of information legislation should cover access to raw scientific data.

So far, so good. However, there are deeper issues to emerge from this affair, and these will be harder to address. Most fundamental of all is understanding how science itself proceeds, a point made by Tim Palmer, professor of climate physics at Oxford. As he says, scientists operate by trying to disprove ideas put up by fellow researchers. Those ideas that survive this critical analysis are then accepted. Newtonian physics, relativity, continental drift and a thousand other theories are only believed today because they have survived such trials by academic fire.

Thus science is simply organised scepticism. "In truth, we are all climate sceptics," says Palmer – a key point that should be borne in mind when you examine those who claimed that Jones's emails revealed that he and his colleagues were involved in a vast conspiracy to suppress the "fact" that carbon dioxide emissions are not really heating the planet and that they were fraudulently trying to get grants to keep them in work.

In reality, few groups of people would submit themselves to that kind of degradation. Yet somehow we are supposed to believe that scientists, the most sceptical of all professions, were doing that. As Palmer says: "People who believe they are involved in a global conspiracy simply don't understand the process of science and the mindset of its practitioners."

And that leads us to a second key issue: that of terminology – for if the scientist is the true sceptic, then what name do we give to those individuals who dispute the validity of their work and who deny global warming is happening. The latter like to flatter themselves by claiming they are sceptics, but lack the intellectual integrity which goes with the term.

Hence the term denier, which neatly encapsulates their flat refusal to face facts. Some complain that the term has echoes of Holocaust denial. I find such emotional sensitivities hard to stomach, however, given the vitriol that so many deniers pour out in blogs and emails.

The issue that divides the sceptical scientist and the denier is a simple one, says Professor Alan Thorpe, director of the Natural Environment Research Council, one of the bodies that funds the climate research unit at East Anglia.

"We know that carbon dioxide is a molecule that heats up the atmosphere," he says. "We also know we are pumping more and more of it into the atmosphere. Theory then says we should be observing a rise in global temperatures, and that indeed is what we see – thanks to research units like the CRU."

And here the story of the CRU and Phil Jones is illuminating in another way. Jones had been working for decades on the collection of data – from instrument measurements, tree rings (which reveal ancient weather variations) and other sources – that have provided clear evidence that global temperatures are higher now than they have been for several thousand years.

It should be noted that this work was begun long before climate change was considered a mainstream science and was carried out by Jones, a man working virtually on his own – scarcely a sign that he was part of a grand conspiracy involving thousands of others.

The other key issue raised by the CRU affair is the perennial problem of explaining uncertainty. Scientists have uncovered compelling evidence that the world is warming, but cannot say by how much. Rises of between 1C and 6C this century are put forward. This lack of specificity puzzles many people and suggests, to deniers, that scientists are unsure of their facts. Such a claim confuses caution with ignorance. Nor is it an excuse for inaction.

You may be confident that your house will not burn down this year, but you would be considered a fool by many people if you failed to take out insurance. And so it is with climate change. The detailed nature of global warming's impact on the planet is not yet agreed by scientists. It could be dreadful; it could be limited. It might destroy vast stretches of the planet's farmlands and send deserts spreading round the globe. Or it might merely result in sea level rises that inundate parts of Bangladesh and Florida and not much else.

"There might be a 50% risk of widespread problems or possibly only 1%," says Palmer. "Frankly, I would have said a risk of 1% was sufficient for us to take the problem seriously enough to start thinking about reducing emissions."

Most observers now agree that the risk of the world undergoing serious temperature rises by 2100 is certainly greater than one in a hundred. The implication is therefore clear. It's time to stop talking about conspiracies and think seriously about fire insurance.

Comissão aprova cessão de estação ecológica a Rondônia

Por Luiz Claudio Pinheiro, da Agência Câmara
A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional aprovou ontem (14) o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1641/09, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que autoriza a União a transferir a Rondônia a área de 15,5 mil hectares, no município de Porto Velho (RO), que abriga a Estação Ecológica Estadual Antônio Múgica Nava.

A unidade de conservação foi criada por decreto estadual em 1996, mas essa área de propriedade da União nunca foi repassada ao estado, mesmo após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que detém a guarda do imóvel para fins de reforma agrária, ter concordado com a transferência.

Com o projeto, a situação é regularizada. O texto foi elaborado a partir de sugestão do Executivo enviada à Câmara em 2008. Segundo a Constituição, a cessão de terras públicas com área superior a 2,5 mil hectares, não destinadas à reforma agrária, exige aprovação do Congresso Nacional.

Mudanças
Foi aprovada emenda do relator, deputado Eduardo Valverde (PT-RO), que exclui do texto dispositivos que definem as formas de uso da estação ecológica. "Essas formas de uso já estão determinadas pela Lei 9.985/00, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza", explicou o relator.

Também foi excluído o prazo de dois anos concedido no projeto original para o governo de Rondônia elaborar o plano de manejo. Segundo Valverde, esse prazo é inconstitucional.

Além disso, foi aprovada emenda com o objetivo, de acordo com Valverde, de deixar mais clara a compatibilização da conservação da natureza com o uso sustentável de uma parcela dos recursos naturais: a expressão "estudos e pesquisas científicas e tecnológicas" foi substituída por "outras atividades de estudo e pesquisa relacionadas com a preservação e utilização dos recursos naturais da floresta amazônica".

Outras duas emendas de redação corrigem citações equivocadas a artigos anteriores.

Área de fronteira
A estação ecológica só poderá ser usada para atividades de preservação natural e de pesquisa científica. Caberá ao governo de Rondônia implementar o plano de manejo da estação (forma de uso do espaço). A falta do plano poderá motivar a retomada da área pela União.

Como o imóvel fica em área de fronteira, o texto determina que ele poderá ser livremente usado pelas Forças Armadas e pela Polícia Federal para trânsito de tropas e atividades relacionadas à segurança e à integridade do território. Unidades militares poderão ser instaladas no local para facilitar o trabalho. Por causa disso, o governo estadual deve consultar o federal durante a elaboração do plano de manejo.

O PDC estabelece também que Rondônia deverá criar uma estrutura para administrar a unidade de conservação. Caberá ao estado impedir a entrada de invasores, coibir atividades de biopirataria, controlar a poluição e a erosão dos solos no entorno da estação e combater incêndios florestais. Também é previsto que a falta de material humano e logístico poderá proporcionar a retomada do imóvel.

Tramitação
O projeto segue para as comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votado pelo Plenário.

Íntegra da proposta:



Educação aprova criação de unidades de preservação cultural

Por Oscar Telles, da Agência Câmara

A Comissão de Educação e Cultura aprovou na quarta-feira (14) a criação das Unidades de Preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, áreas ocupadas por comunidades que desempenharam papel relevante na formação do País.

Essas comunidades poderão ter seu patrimônio imaterial - como modo de vida, expressões orais e manifestações artísticas - salvaguardadas pelo Estado.

A medida foi proposta pelo deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), no Projeto de Lei 3056/08, e tem como objetivo reconhecer segmentos da população que, ao lado de portugueses, índios e negros, foram cruciais na formação populacional e territorial, como os imigrantes europeus e asiáticos.

Relatório técnico
O projeto recebeu parecer favorável do relator, deputado Pedro Wilson (PT-GO). O relator considerou a iniciativa positiva, pois, observa, constitui uma nova modalidade de preservação, já que propicia ao mesmo tempo a conservação do meio ambiente e a preservação de seus bens culturais.

"Esses bens imateriais constituem uma herança milenar desses povos e, muitas vezes, pela falta de políticas públicas e medidas legais eficazes de preservação, estão ameaçados de completo desaparecimento", argumenta Pedro Wilson.

O relator recomendou a inclusão de outros órgãos, como Advogacia-Geral da União (AGU), estados e municípios, entre os que vão se manifestar sobre o relatório técnico da criação da unidade de preservação. A proposta já prevê a manifestação Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); da Secretaria do Patrimônio da União (SPU); do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur); e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Tramitação
O projeto tramita de forma conclusivaRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário. e já foi aprovado pela Comissão de de Direitos Humanos e Minorias. O texto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CONCLUÍDAS AS CONSULTAS SOBRE PRINCÍPIOS E CRITÉRIOS SOCIOAMBIENTAIS DE REDD+ COM OS POVOS DA FLORESTA

Por Pedro César Batista, do Fórum Amazônia Sustentável
Encerrou na tarde do dia 15 de abril, na sede da CNNB, em Belém (PA), a série de três Oficinas de Consulta sobre Princípios e Critérios de REDD+, organizadas pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Coordenação das organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Coordenação das Populações Extrativistas (CNS). Participaram ativistas dos movimentos sociais, técnicos e interessados em geral no assunto. Foram realizadas consultas em Manaus, Porto Velho e Belém, reunindo representantes dos nove Estados da Amazônia Legal.

Os resultados das oficinas servirão para fundamentar a elaboração dos Princípios e Critérios de REDD+.

A representante do CNS, Raimunda Gomes da Silva, conhecida como Dona Raimunda dos Cocos, ressaltou no encerramento “que já foi pior, chegamos aqui devido a muitas lutas, inclusive muitos foram mortos. Estamos aqui para honrar o sangue dos companheiros que foram mortos. Assim mesmo, a gente não se cansa de lutar. Essa oficina é a prova de que os movimentos sociais estão fortes e firmes em sua caminhada”.

Para Sonia Guajajara, integrante da direção da COIAB, “as oficinas mostraram a diversidade de público da região amazônica envolvida nos debates sobre REDD. Estaremos defendendo a inclusão de todas as contribuições. Há muitas contradições, cada organização tem a liberdade de escolher qual caminho seguir, nós da COIAB decidimos debater o REDD e aplicar na defesa dos interesses das nossas populações”.

O presidente do GTA, Rubens Gomes, agradeceu a parceria com o Imaflora e o Ipam e a presença de todos, ressaltando que as discussões sobre os princípios e critérios de REDD+ terão importante papel na definição de uma legislação que respeite as populações da floresta. A soma das três oficinas será sistematizada em um único documento, com importantes colaborações que serão acrescentadas no documento final sobre princípios e critérios de REDD+.

O GTA, a COIAB e o CNS tiveram uma experiência no passado com a Aliança dos Povos da Floresta que possibilitou muitas atividades conjuntas, mostrando, com a realização das consultas sobre princípios e critérios de REDD+ que muitos debates e lutas conjuntas ainda serão desenvolvidas. As lutas e dificuldades enfrentadas pelas comunidades representadas são semelhantes. Pretende-se fazer vários eventos como esse, visando fortalecer outras ações e lutas conjuntas no futuro.

O Fórum Amazônia Sustentável apoiou a realização das consultas com ampla divulgação da iniciativa. Além disso, a Carta de Princípios para REDD do Fórum foi um dos documentos que embasaram a construção dos princípios e critérios socioambientais de REDD+.

Desastres ambientais impactam de acordo com a estrutura local

Por Carolina Simas e Clara Montagnoli, da Revista Com Ciência

Aproximadamente um milhão de pessoas estão desabrigadas ou vivendo em tendas no Haiti após o terremoto que assolou a capital, Porto Príncipe. Apesar de ter tido intensidade maior, o terremoto no Chile fez menos vítimas que no país caribenho, em função da qualidade de suas construções. O governo do Haiti já estuda o estabelecimento de novos códigos de construção para o país.

As construções haitianas não estavam planejadas para resistir a terremotos. Deficiência de reforço de aço em suas edificações, somada ao uso de concreto de má qualidade, foram um dos principais fatores para os desabamentos. Esses eventos vêm levando especialistas a estudarem tecnologias mais resistentes de construção.

Posicionado no interior da placa tectônica, o Brasil não sofre com abalos intensos da terra. Mas, em compensação, suas habitações irregulares são alvo frequente de outros fenômenos naturais como, por exemplo, as chuvas.

Se uma área é mais propensa a terremotos, a condição econômica local é que irá definir a quantidade de investimentos em tecnologias anti-sísmicas ou em uma arquitetura mais conectada com o ambiente - muitas vezes, a solução para os danos causados por desastres naturais não está na sofisticação das construções, mas sim em sua simplicidade. A arquiteta paulistana Rita Müller de Almeida, acredita que a resposta para o problema das construções no Haiti pode estar em suas origens. “A arquitetura vernacular que usa materiais locais dos haitianos mantinha vínculo com a natureza local, o que atendia às necessidades do povo”, afirma. Segundo ela, é provável que o país colonizador do Haiti, a França, tenha interferido em seus modos de construção.

A comunidade internacional prometeu destinar cerca de US$ 5,3 bilhões ao Haiti nos próximos dois anos. Isso significa que os interesses de construtoras também vão definir os tipos de construção. “Neste momento, a ajuda financeira está atraindo construtoras preocupadas em atender seus interesses econômicos e não das habitações dos haitianos”, alerta Rita.

A resistência das fundações e estruturas
Segundo o professor do Departamento de Sismologia, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Afonso E. Vasconcelos Lopes, a ideia de que o Chile estava mais bem preparado para o terremoto, em termos de tecnologias de construção, é parcialmente falsa. “O Chile não possui construções anti-sísmicas, mas sim obras dentro dos parâmetros aceitos pelo país”, afirma. O controle das normas de construção não é algo dispendioso para os países, ao contrário da implantação de novas tecnologias nessa área.

Durante um terremoto, as estruturas são danificadas ou destruídas pelo intenso movimento de placas tectônicas que causam ruptura e estremecimento do solo. A resistência sísmica nas edificações depende de suas estruturas e fundações.

Um importante recurso utilizado em prédios novos, no Chile e em outras regiões sísmicas, é o uso de aparelhos de apoio na base dos edifícios. De acordo com Waldemar Hachich, professor da Escola Politécnica da USP e especialista em engenharia geotécnica, esses aparelhos servem para isolar o efeito das fortes vibrações. Coloca-se entre as fundações e a super-estrutura uma peça constituída de camadas de elastômero (neoprene) e aço. Essa peça é resistente, porém muito deformável. "Durante as vibrações do tremor, o aparelho de apoio se deforma bastante horizontalmente, devido à sua flexibilidade, mas por isso mesmo transmite poucas vibrações aos pilares da edificação”, explica Hachich.

Em edifícios que não possuem esses aparelhos de apoio, o efeito do tremor é diferente. De acordo com Hachich, toda a movimentação da base do edifício é então transmitida à super-estrutura, a qual, por inércia, demora a reagir, criando-se assim um efeito de corte nos pilares, que pode levar à ruína das edificações.

Para tornar o edifício mais preparado aos tremores, uma medida complementar ao uso de aparelhos de apoio é utilizar paredes bastante rígidas ( shear walls, em inglês) em pontos estratégicos. Esse tipo de parede faz com que o edifício se deforme pouco sob a ação do terremoto e resista bem a essas deformações, preservando o restante da estrutura. Outra solução às vezes utilizada é baseada em amortecedores ativos: basicamente osciladores projetados para que grandes massas (em geral instaladas no topo de edifícios altos) deslizem vários centímetros, de modo a prover uma “compensação dinâmica” que leva os próprios edifícios a oscilarem muito menos. É o que se vê, por exemplo, no topo do edifício do Citicorp, um dos marcos da skyline de Nova Iorque.

Uma técnica de fundação rasa, chamada radiê, atua na distribuição uniforme das cargas da estrutura da construção para o terreno. “O radiê produz movimentos de ondulação que acompanham as vibrações do terremoto e, com isso, evitam maiores danos na construção”, explica Rita. O uso do radiê é comum em países com maior incidência de terremotos, como o Japão. Ele funciona como uma laje de concreto armado com armadura dupla de aço nas direções superior e inferior.

A escolha dos materiais nas edificações também é um fator decisivo para evitar estragos depois dos terremotos. O aço, por exemplo, possui propriedades flexíveis se comparado ao concreto e permite que edifícios mais altos se ajustem melhor ao forte tremor.

Apesar de muitas residências no Chile terem desmoronado no terremoto do último dia 27 de fevereiro – de magnitude 8.8 na escala Richter –, o saldo foi menos desastroso se comparado ao ocorrido décadas atrás. No recente terremoto, houve cerca de setecentas mortes e não foi mais trágico em razão de precauções de códigos urbanísticos adotados no país. Em 1960, após um tremor de magnitude 9.5, dois milhões de pessoas ficaram desabrigadas e cinco mil foram mortas.

No caso do Haiti, infelizmente, a catástrofe foi maior. Após o terremoto do dia 12 de janeiro, morreram mais de 200 mil haitianos, mesmo tendo sido cerca de quinhentas vezes menos violento do que o abalo sísmico no Chile.

Novas tecnologias em construção
Novas técnicas estão sendo desenvolvidas com o mesmo intuito de preservar as estruturas dos edifícios, casas e pontes. Pesquisadores ingleses e franceses estão testando um escudo antiterremoto a partir de metamateriais – que possuem propriedades eletromagnéticas produzidas artificialmente – capazes de proteger as construções das ondas de choque superficiais, que são as mais nocivas e causam os maiores danos. A tecnologia é caracterizada por anéis de plástico instalados na superfície da terra. Colocados próximo às construções, os metamateriais desviam as ondas na superfície da terra, como um escudo antiterremoto.

Outra nova tecnologia é oriunda de um dos países mais atingidos por fortes abalos sísmicos, o Japão. A descoberta, feita por físicos da Universidade Tohoku, consiste em uma liga metálica de alto poder de elasticidade. O material suporta deformações de até 15%, retornando em seguida à sua forma original. Batizada de NCATB, a liga é constituída de um composto de ferro e uma mistura de níquel, cobalto, alumínio e tântalo, além de ser duas vezes mais elástica que o nitinol (liga metálica de titânio e níquel). Esse material poderia, em princípio, ser utilizado com vantagens em aparelhos de apoio.

Prevenções contra inundações
As fortes chuvas, enchentes e deslizamentos tem sido um dos problemas que mais tem afligido os estados brasileiros. Segundo Hachich, a primeira providência a ser tomada é preventiva: a construção em áreas regularizadas e com observância estrita dos códigos de construção.

Para evitar desabamentos causados por tempestades e inundações, a principal medida a ser tomada é o controle da água, que pode ser feito de duas maneiras: drenagem externa ou superficial e drenagem interna ou profunda. A primeira consiste no uso de canaletas e outras obras relativamente simples, que impedem a água de infiltrar o solo. Já a drenagem interna é feita para controlar a água já infiltrada: ao invés da água ficar fazendo pressão dentro do terreno e tendendo a instabilizá-lo, drenos profundos, perfurados no terreno, permitem que ela escoe, drenando o lençol freático.

Essas duas técnicas são as formas mais básicas de controlar a água e muitas vezes são necessários outros tipos de intervenção. “Qual é o papel do sistema de drenagem superficial e interna? É o mesmo papel dos aparelhos de apoio colocados nos prédios chilenos. É tentar conviver com algo que você sabe que vai acontecer. Técnicas de minimizar o efeito”, explica Hachich.