segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Código Florestal: desce Aldo Rebelo, sobe Ivan Valente

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog

Dois congressistas se destacaram na Câmara dos Deputados, neste ano, por conta dos debates sobre a reforma do Código Florestal: de um lado, o relator do novo texto, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e, do outro, um dos principais críticos à mudança, Ivan Valente (PSol-SP). No que pese ambos estarem em partidos à esquerda no espectro político, eles defendem posições opostas. Agora, analisando os números vindos das urnas, é possível afirmar que o debate chegou à sociedade e causou algum impacto nas votações que os dois receberam neste domingo.

De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral, em 2006, Aldo teve 169.621 votos e Ivan, 83.719 eleitores.

Nesta eleição, a situação se inverteu: com 99,99% dos votos apurados, Aldo tinha 132.099 votos, enquanto Ivan ostentava 189.000. Aldo está 22% menor em comparação à situação de quatro anos atrás e Ivan 126% maior. Ou seja, mesmo com a previsão de ganho de simpatizantes entre os produtores rurais que se vêem beneficiados com seu discurso e prática (vale a leitura de matéria do jornal Valor Econômico sobre isso), o relator do novo Código Florestal não conseguiu compensar a perda de seus eleitores tradicionais, urbanos e de esquerda.

Vale ressaltar que ambos foram reeleitos e com as maiores votações de seus partidos em São Paulo.

Segundo informações passadas por quadros do PC do B e do aliado PT, eram muitos os que tecem críticas à forma através da qual o deputado está lidando não apenas com a reforma do Código mas também com temas caros a parcelas desses partidos, como o direito das populações indígenas a seus territórios. Analistas políticos esperavam que Aldo tivesse uma expressiva votação por conta do apoio político e financeiro de eleitores do agronegócio. Mas não contavam com uma forte queda na base tradicional do candidato. Ao mesmo tempo, Ivan Valente pode ter ganho votos entre esses mesmos insatisfeitos e junto aos que não concordam com as mudanças na legislação ambiental.

Ainda é cedo para uma análise mais profunda mas é possível que isso seja uma reação social à tentativa de mudança no Código. Uma sinalização que terá que, a partir de agora, ser considerada nos próximos passos do trâmite do novo texto.

A novela do Código – Por 13 votos a 5, uma comissão especial criada na Câmara dos Deputados para discutir a reformulação do Código Florestal aprovou o texto do relator Aldo Rebelo. A matéria ainda têm que passar pelos plenários do Congresso Nacional e ser sancionada pela Presidência da República, mas já causa polêmica entre produtores rurais e militantes sociais e ambientais.

O novo texto anistia quem cometeu infrações ambientais, isenta propriedades de até quatro módulos fiscais (cerca de 400 hectares na Amazônia) de refazerem as reservas desmatadas e reduz a faixa mínima de mata ciliar que deve ser preservada à beira de cursos d’água, entre outros pontos. Também proíbe novos desmatamentos por um prazo de cinco anos, algo de difícil cumprimento uma vez que a política do fato consumado já mostrou que funciona. Aldo Rebelo foi um dos 13 e Ivan Valente um dos 5.

Água doce e ameaçada

Da Agência FAPESP

Uma análise em escala global, que poderá auxiliar a identificar as áreas em que a disponibilidade de água para consumo estão mais ameaçadas no mundo, é o destaque na edição desta quinta-feira (30/9) da revista Nature.

A pesquisa, feita por cientistas da Austrália, Estados Unidos, Alemanha e China, destaca as maiores ameaças tanto à segurança da água como à biodiversidade nos rios do planeta.

Apesar de a água ser o mais essencial dos recursos naturais, os sistemas de água doce que podem ser usados para consumo humano estão fortemente ameaçados justamente pelo homem, principalmente pela poluição e também como resultado de processos como a urbanização, industrialização, irrigação e a construção de reservatórios.

Soma-se a isso o aquecimento global e o resultado está longe de ser animador. Segundo os autores do estudo, desenvolver alternativas que possam reverter essa tendência exige primeiramente que se tenha um diagnóstico das ameaças à segurança da água tanto no nível local como no global.

Charles Vorosmarty, da Universidade da Cidade de Nova York, e colegas descrevem no artigo um modelo espacial que fornece uma análise global das ameaças à água doce. É o primeiro modelo a considerar a segurança da água usada para consumo humano em conjunto com a biodiversidade aquática.

Além de listar quais são as principais ameaças, o estudo identifica as áreas de maior risco. Segundo o trabalho, grandes investimentos no uso e no tratamento de água nos países mais ricos têm beneficiado seus habitantes, diminuindo em até 95% a ameaça à segurança da água nesses locais.

Em compensação, nos países mais pobres os investimentos reduzidos no setor implicam que a vulnerabilidade ao problema nessas áreas é muito elevada.

Mas, mesmo nas nações mais ricas, de acordo com a pesquisa, os investimentos em massa em tecnologia de uso da água têm permitido “ofuscar os níveis de estresse”, mas sem remediar as causas por trás do problema.

O estudo concluiu que 80% da população mundial está exposta a níveis elevados de ameaças à segurança da água. A falta de investimento no cuidado dos rios e corpos de água doce também coloca em risco a biodiversidade, indicam os autores.

“A proliferação de áreas densamente povoadas em zonas costeiras, incluindo megacidades, implica que seus rios apresentem alto nível de ameaças à segurança da água por virtualmente toda a sua extensão, como, por exemplo, o Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo, o Pasig, em Manila, nas Filipinas, e o Ogun, em Lagos, na Nigéria”, disseram.

Segundo eles, é urgente a necessidade de mobilizar recursos para apoiar abordagens que possam enfrentar o problema. “Sem grandes compromissos políticos e financeiros, contrastes marcantes na segurança da água usada por humanos continuarão a separar os ricos dos pobres”, afirmam.

O artigo Global threats to human water security and river biodiversity (doi:10.1038/nature09440), de Charles Vorosmarty e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em http://www.nature.com/.

Análise global publicada na Nature identifica ameaças à segurança da água usada para o consumo humano e destaca que o problema afeta principalmente os países mais pobres (Nature)

Contaminantes emergentes na água

Por Fabio Reynol, da  Agência FAPESP 



Antibióticos, pesticidas, hormônios e componentes de plásticos são alguns dos itens encontrados na água de abastecimento cujos efeitos começaram a ser percebidos nas duas últimas décadas e estão sendo investigados (foto: Wikimedia)


Durante a década de 1990, houve uma redução na população de jacarés que habitava os pântanos da Flórida, nos Estados Unidos. Ao investigar o problema, cientistas perceberam que os machos da espécie tinham pênis menores do que o normal, além de apresentar baixos índices do hormônio masculino testosterona.

Os estudos verificaram que as mudanças hormonais que estavam alterando o fenótipo dos animais e prejudicando sua reprodução foram desencadeadas por pesticidas clorados empregados em plantações naquela região.

Esses produtos químicos eram aplicados de acordo com a legislação norte-americana, a qual estabelecia limites máximos baseados em sua toxicidade, mas não considerava a alteração hormonal que eles provocavam, simplesmente porque os efeitos não eram conhecidos.

Assim como os pântanos da Flórida, corpos d’água de vários pontos do planeta estão sendo contaminados com diferentes coquetéis que podem conter princípios ativos de medicamentos, componentes de plásticos, hormônios naturais e artificiais, antibióticos, defensivos agrícolas e muitos outros em quantidades e proporções diversas e com efeitos desconhecidos para os animais aquáticos e também para pessoas que consomem essas águas.

“Em algumas dessas áreas, meninas estão menstruando cada vez mais cedo e, nos homens, o número de espermatozoides despencou nos últimos 50 anos. Esses são alguns problemas cujos motivos ninguém conseguiu explicar até agora e que podem estar relacionados a produtos presentes na água que bagunçam o ciclo hormonal”, disse Wilson Jardim, professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à Agência FAPESP.

O pesquisador conta que esses contaminantes, chamados emergentes, podem estar por trás de vários outros efeitos relacionados tanto à saúde humana como aos ecossistemas aquáticos.

“Como não são aplicados métodos de tratamento que retirem esses contaminantes, as cidades que ficam à jusante de um rio bebem o esgoto das que ficam à montante”, alertou o pesquisador que coordena o Projeto Temático “Ocorrência e atividade estrogênica de interferentes endócrinos em água para consumo humano e em mananciais do Estado de São Paulo”, apoiado pela FAPESP.

O aumento no consumo de cosméticos, de artigos de limpeza e de medicamentos tem piorado a situação, de acordo com o pesquisador, cujo grupo encontrou diversos tipos de produtos em amostras de água retirada de rios no Estado de São Paulo. O antiinflamatório diclofenaco, o analgésico ácido acetilsalicílico e o bactericida triclosan, empregado em enxaguatórios bucais, são apenas alguns exemplos.

A esses se soma uma crescente coleção de cosméticos que engorda o lixo químico que vai parar nos cursos d’água sem receber tratamento algum. “Estima-se que uma pessoa utilize, em média, dez produtos cosméticos e de higiene todos os dias antes mesmo de sair de casa”, disse Jardim.

Sem uma legislação que faça as empresas de distribuição retirar essas substâncias tanto do esgoto a ser jogado nos rios como da água deles captada, tem sido cada vez mais comum encontrar interferentes hormonais nas torneiras das residências. Os filtros domésticos disponíveis no mercado não dão conta dessa limpeza.

“Os métodos utilizados pelas estações de tratamento de água brasileiras são em geral seculares. Eles não incorporaram novas tecnologias, como a oxidação avançada, a osmose inversa e a ultrafiltração”, disse o professor da Unicamp, afirmando acreditar que tais métodos só serão incorporados pelas empresas por meio de uma legislação específica, uma vez que eles encareceriam o tratamento.

Peixes feminilizados
Uma das primeiras cidades a enfrentar esse tipo de contaminação foi Las Vegas, nos Estados Unidos. Em meio a um deserto, o município depende de uma grande quantidade de água retirada do lago Mead, o qual também recebe o esgoto da cidade.

Apesar de contar com um bom tratamento de esgoto, a água da cidade acabou provocando alterações hormonais nas comunidades de animais aquáticos do lago, com algumas espécies de peixes tendo apresentado altos índices de feminilização. Universidades e concessionárias de água se uniram para estudar o problema e chegaram à conclusão de que o esgoto precisava de melhor tratamento.

“Foi uma abordagem madura, racional e que contou com o apoio da população, que se mostrou disposta a até pagar mais em troca de uma água limpa desses contaminantes”, contou Jardim.

Alterações como o odor na água são indicadores de contaminantes como o bisfenol A, produto que está presente em diversos tipos de plásticos e que pode afetar a fertilidade, de acordo com pesquisas feitas com ratos no Instituto de Biociências do campus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Jardim alerta que o bisfenol A é um interferente endócrino comprovado que afeta especialmente organismos em formação, o que o torna perigoso no desenvolvimento endócrino das crianças. Além dele, a equipe da Unicamp também identificou atrazina, um pesticida utilizado na agricultura.

Não apenas produtos que alteram a produção hormonal foram detectados na pesquisa, há ainda outros que afetam o ambiente e têm efeitos desconhecidos no consumo humano. Um deles é o triclosan, bactericida empregado em enxaguatórios bucais cuja capacidade biocida aumenta sob o efeito dos raios solares.

Se o efeito individual de cada um desses produtos é perigoso, pouco se sabe sobre os resultados de misturas entre eles. A interação entre diferentes químicos em proporções e quantidades inconstantes e reunidos ao acaso produz novos compostos dos quais pouco se conhecem os efeitos.

“A realidade é que não estamos expostos a cada produto individualmente, mas a uma mistura deles. Se dois compostos são interferentes endócrinos quando separados, ao juntá-los não significará, necessariamente, que eles vão se potencializar”, disse Jardim.

Segundo ele, essas interações são muito complexas. Para complicar, todos os dados de que a ciência dispõe no momento são para compostos individuais.

Superbactérias
Outra preocupação do pesquisador é a presença de antibióticos nas águas dos rios. Por meio do projeto “Antibióticos na bacia do rio Atibaia”, apoiado pela FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular, Jardim e sua equipe analisaram de 2007 a 2009 a presença de antibióticos populares na água do rio paulista.

A parte da análise ficou por conta do doutorando Marco Locatelli, que identificou concentrações de cefalexina, ciprofloxacina, amoxicilina e trimetrotrin em amostras da água do Atibaia.

A automedicação e o consumo exacerbado desse tipo de medicamento foram apontados por Jardim como as principais causas dessa contaminação que apresenta como risco maior o desenvolvimento de “superbactérias”, microrganismos muito resistentes à ação desses antibióticos.

Todas essas questões foram debatidas no fim de 2009 durante o 1º Workshop sobre Contaminantes Emergentes em Águas para Consumo Humano, na Unicamp. O evento foi coordenado por Jardim e recebeu o apoio FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica.

O professor da Unicamp reforça a gravidade da questão da água, uma vez que pode afetar de inúmeras maneiras a saúde da população e o meio ambiente. “Isso já deve estar ocorrendo de forma silenciosa e não está recebendo a devida atenção”, alertou.

Bactérias associadas às raízes de plantas podem remover óleo de derramamentos

Por Débora Motta, da Agência Faperj

Um dos maiores vazamentos de óleo da história, que ocorreu recentemente no Golfo do México, no poço danificado da petrolífera britânica British Petroleum (BP), deixou no mar um desastroso legado de 4,9 milhões de barris, segundo dados do governo americano. Frente ao desafio de despoluir o meio ambiente em situações extremas como essa, uma alternativa natural aponta para o que pode vir a ser um aliado na limpeza de mares e vegetações costeiras. Um trabalho realizado no Laboratório de Microbiologia Marinha da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob orientação da pesquisadora Mirian Crapez, com participação da graduanda Luciana Chequer, bolsista de Iniciação Científica da FAPERJ, avaliou a possibilidade de recuperar áreas de manguezais poluídas com óleo, utilizando a capacidade biodegradante de bactérias que vivem associadas, em simbiose, às raízes de planta


O projeto comprovou que bactérias associadas às raízes das
plantas podem ajudar a recuperar áreas poluídas com óleo

Trocando em miúdos, essas bactérias são capazes de “comer” o petróleo, transformando as moléculas de hidrocarboneto em outras bem mais simples e menos tóxicas ao meio ambiente (álcoois, ácidos, dióxido de carbono e água) e aproveitando-as em seu metabolismo como fonte de energia vital. “A utilização de micro-organismos associados às raízes de vegetais para ajudar a recuperar ambientes impactados por petróleo é conhecida como fitobiorremediação”, explica Luciana. Essa técnica ainda é pouco estudada no Brasi


A preocupação de se estudar, especificamente nos manguezais, esse mecanismo de limpeza para minimizar os efeitos da poluição por óleo justifica-se pelo fato de a maioria das refinarias de petróleo do país estar localizada na região costeira, onde esse tipo de ecossistema, altamente sensível aos impactos dos vazamentos, está localizado. “Os manguezais fornecem habitat para uma grande variedade de plantas, animais e micro-organismos e são de grande importância na proteção de regiões litorâneas”, diz ela, lembrando que eles funcionam como uma espécie de filtro das impurezas presentes no mar, o que os torna mais suscetíveis em casos de vazamentos de óleo.

Para testar o papel despoluente das bactérias em plantas atingidas por óleo diesel, foram escolhidas três espécies comuns no manguezal brasileiro: Rizophora mangle, Avicennia shauerianna e Laguncularia racemosa. As mudas (200 exemplares de cada uma dessas espécies) foram germinadas em viveiro e receberam a adição de consórcios bacterianos (10 milhões de células por cm³) capazes de usar os hidrocarbonetos de petróleo como fonte de carbono e energia, ou seja, de se alimentar deles.

As bactérias utilizadas no experimento foram isoladas do solo de manguezais localizados na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, na Baía de Guanabara. Depois, elas passaram por um processo de bioamplificação no laboratório, para aumentar sua concentração e facilitar o estudo dos efeitos bacterianos. Posteriormente, as mudas sofreram o impacto da poluição devido à adição de 0,5% de óleo diesel às suas raízes. A atividade do consórcio de bactérias e o desenvolvimento das mudas foram observados ao longo de 30 dias. “O objetivo era ver como as plantas reagiam ao impacto do poluente e se as bactérias realmente usavam o petróleo como fonte de alimento ”, conta.

Para isso, foram verificados aspectos do crescimento das plantas antes e depois da adição do poluente (tamanho do caule e número de folhas), as taxas de mortalidade das mudas e a massa orgânica (biomassa) das bactérias associadas às raízes. Entre os resultados, a pesquisa revelou que o processo de fitobiorremediação dos solos contaminados por óleo pode ter resultados diferentes de acordo com fatores ambientais. “Observamos que diferentes tipos de solo, teor de matéria orgânica, quantidade de água, disponibilidade de oxigênio e nutrientes, radiação solar e salinidade são variáveis que influenciam na eficácia da fitobiorremediação”, afirma.

A biomassa do consórcio bacteriano não variou durante o experimento. “Isso pode significar que as bactérias se alimentaram do hidrocarboneto ou utilizaram a matéria orgânica do ambiente”, diz Luciana. “Os parâmetros monitorados na biometria não apresentaram muitas diferenças no tratamento com óleo nas espécies de Rhizophora mangle. Porém, para as espécies de Laguncularia racemosa e Avicenia schaueriana, ocorreu uma redução no tamanho das plantas depois do tratamento com óleo”, completa.

A boa notícia é que parte do composto do óleo diesel foi “digerida” pelas bactérias e utilizada como fonte de energia. Testes realizados no Laboratório de Química Analítica da UFF constataram que alguns hidrocarbonetos tiveram redução em sua concentração. A despoluição, no entanto, está longe de ser um milagre. “Alguns hidrocarbonetos foram degradados, mas outros não”, ressalta, apontando a necessidade da realização de outras pesquisas para desenvolver a técnica e viabilizar a sua implementação no meio ambiente, além do laboratório. “É possível transportar esse estudo para os manguezais afetados, mas é um trabalho a longo prazo e que deve levar em conta os fatores ambientais”.

Em relação às técnicas de remoção de petróleo por meios mecânicos (barreira de contenção) e pela aplicação de produtos químicos, a fitobiorremediação apresenta vantagens econômicas e ecológicas. “A técnica é barata e dispensa a aplicação de tecnologias de ponta”, diz a pesquisadora. E prossegue: “Por utilizar bactérias do próprio ecossistema, ela preserva as características ambientais. Além disso, a remoção dos poluentes pela fitobiorremediação pode ocorrer tanto na superfície quanto em áreas mais profundas do solo, o que não ocorre com as outras técnicas, que são aplicadas na superfície da água, permitindo que os poluentes se alojem no fundo dos mares.”

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Poli/USP inaugura laboratório de sustentabilidade

Da Agência FAPESP 

A Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou o Laboratório de Sustentabilidade em Tecnologia de Informação e Comunicação (Lassu), abrigado no Departamento de Engenharia, Computação e Sistemas Digitais.

O laboratório atuará nas áreas de ensino, pesquisa, cultura e extensão em engenharia de computação, visando ao desenvolvimento social, à proteção ambiental e ao crescimento econômico sustentável.

De acordo com Tereza Cristina Carvalho, professora de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli e diretora do laboratório, a proposta é promover pesquisas ligadas à reciclagem de eletroeletrônicos e incentivar a iniciativa privada na elaboração de projetos sustentáveis.

“O principal objetivo é desenvolver pesquisas tendo como meta a sustentabilidade em tecnologias da informação e comunicação, com foco no ensino e na extensão universitária”, disse à Agência FAPESP .

Segundo a diretora, o laboratório tratará de assuntos como o uso racional de recursos de tecnologias da informação, o tratamento de lixo eletrônico, a inclusão digital no mercado de reciclagem, eco-design e tecnologias para população de baixa renda.

“Queremos desenvolver, por exemplo, um computador que seja mais facilmente reciclável, projeto que envolverá não apenas os alunos da Poli, mas também da área de design de outras faculdades da USP, como a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, além de parcerias com a comunidade”, disse, ao salientar que a iniciativa envolverá parcerias com o setor privado.

O Lassu foi criado a partir da atuação do Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir), inaugurado em dezembro de 2009, que recebe equipamentos de pessoas físicas para reciclagem.

“A indústria de reciclagem pode gerar empregos, abrindo caminho para projetos sociais como o treinamento de pessoas para ingressar nesta nova indústria”, disse Tereza.

Segundo ela, a Poli já tem um programa nessa área, Poli Cidadã, que são projetos de responsabilidade social. “O objetivo é que os alunos desenvolvam tecnologias apropriadas para comunidades carentes”, diz.

O Lassu está localizado na Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, travessa 5, nº 97 (ao lado do Cedir), na Cidade Universitária, em São Paulo.

Mais informações: www2.pcs.usp.br e (11) 3091-5262

Ecologia aplicada

Por Fábio de Castro, da  Agência FAPESP 

As atividades humanas, de modo geral, causam interferências na estrutura e no funcionamento dos ecossistemas. Para minimizar a degradação de recursos hídricos, do solo e do ar, é importante que profissionais de diversas áreas tenham acesso a um conhecimento fundamental sobre os ecossistemas naturais e antrópicos.


Livro apresenta fundamentos sobre ecologia e poluição a estudantes e profissionais que atuam em áreas tecnológicas, especialmente do setor sucroalcooleiro (foto: Wikimedia)

É o que pretende o recém-lançado livro Ciências do Ambiente: conceitos básicos em ecologia e poluição, organizado por Irineu Bianchini Júnior, professor do Departamento de Hidrobiologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Marcela Bianchessi da Cunha-Santino, professora do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UFSCar.

Segundo Bianchini, a publicação, desenvolvida para apoiar os cursos da modalidade a distância vinculados à Universidade Aberta do Brasil, oferecidos pela UFSCar, tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um pensamento crítico e de alcance global sobre o desenvolvimento sustentável, o crescimento populacional, a interferência antrópica no ambiente e o papel da educação na preservação do planeta.

"O texto foi concebido para um curso a distância de Ciências do Ambiente voltado para tecnólogos do setor sucroalcooleiro. O curso, com foco em ecologia aplicada, é dividido em duas fases: a primeira apresenta os conceitos básicos das ciências do ambiente e a segunda discorre a respeito das diversas formas de poluição”, disse à Agência FAPESP.

Bianchini é responsável, desde 1992, pela disciplina de Ciências do Ambiente nos cursos de engenharia da UFSCar, ministrada atualmente por Marcela no curso a distância. O professor também coordenou dois projetos de pesquisa finalizados em maio, apoiados pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, e é um dos pesquisadores principais do Projeto Temático “Destino da matéria orgânica dissolvida liberada por cianobactérias em um reservatório eutrofizado do rio Tietê: estudo de processos”.

Segundo Bianchini, a proposta inicial do livro era levar aos alunos – especialmente técnicos e pesquisadores vinculados à produção de açúcar e álcool no Estado de São Paulo – um conhecimento básico sobre os efeitos da cadeia produtiva sucroalcooleira sobre o meio ambiente.

“A primeira parte do livro trata de conceitos ecológicos. A segunda parte aborda a poluição do solo, águas e ar. E a última parte fala dos efeitos da agroindústria, em particular na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, sobre o meio ambiente”, explicou.

A abrangência da abordagem sobre o setor sucroalcooleiro, segundo ele, vai desde a manifestação da paisagem até os efluentes eliminados pela usina, com eventual contaminação dos corpos d’água, do solo e da atmosfera. “A ideia é que o trabalhador envolvido com essas usinas tenha consciência dos aspectos ambientais, além dos aspectos técnicos, químicos e físicos”, disse.

Apesar de o último capítulo ter foco específico sobre a indústria da cana-de-açúcar, o livro, segundo os organizadores, pode ser utilizado por estudantes em geral e profissionais de inúmeras áreas.

“Os capítulos que tratam dos conceitos ecológicos têm grande abrangência e abordam a ecologia com um viés prático. Esse foco foi estabelecido com base nos cursos que apresentei ao longo dos anos para os alunos de engenharia”, disse Bianchini.

Durante os cursos, segundo o professor, ficava evidente que muitas vezes os alunos de engenharia – e das áreas tecnológicas de modo geral – não tinham muita informação sobre questões ecológicas. “A intenção não era ensinar-lhes biologia, mas mostrar como o ambiente natural funciona, de maneira simples e prática”, explicou.

Outras áreas
Passar o conhecimento sobre ciências do ambiente a esses estudantes, segundo o professor da UFSCar, é uma tarefa coerente com as necessidades atuais da sociedade, que está mais sensível às preocupações ecológicas e mais exigente em relação aos impactos ambientais.

“É esse pessoal das áreas tecnológicas que vai colocar a mão na massa e alterar de fato o meio ambiente. É bom que os projetos deles contenham noção ambiental. Essa base de conhecimento ambiental pode mudar algo dentro de seus projetos que os tornem menos agressivos”, afirmou.

O livro está dividido em oito unidades, correspondentes às oito semanas de duração do curso a distância da UFSCar. Os capítulos foram feitos nos moldes de uma publicação científica e todos eles são referenciados.

“Como as disciplinas são apresentadas a alunos que não são de biologia – mas que atuam em outras áreas com interface com a ciência ambiental –, tivemos a preocupação de apresentar informação de qualidade, com formato de um banco de dados”, disse.

* Título: Ciências do Ambiente: conceitos básicos em ecologia e poluição
Autores: Irineu Bianchini Júnior e Marcela Bianchessi da Cunha-Santino
Lançamento: 2010
Preço: R$ 31
Páginas: 179
Mais informações: http://editora.ufscar.br/

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Laboratório atmosférico

Da Agência FAPESP

Um estudo publicado na edição desta sexta-feira (17/9) da revista Science, realizado na Amazônia, acaba de elucidar uma série de mecanismos de interação entre a floresta e o clima da região Amazônica, por meio da emissão de partículas de aerossóis – partículas sólidas ou líquidas suspensas na atmosfera.

Coordenado por Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, o trabalho teve a participação de pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, do Instituto Max Planck da Alemanha, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e de outras instituições.

A Amazônia é uma das poucas regiões continentais em que as partículas de aerossóis e seus efeitos climáticos não são dominados por fontes antropogênicas – derivadas da ação humana. Durante a estação chuvosa, as condições atmosféricas da Amazônia lembram as condições limpas pré-industriais do ponto de vista das partículas de aerossóis.

“Foram medidas concentrações ultrabaixas de partículas, de cerca de 200 partículas por centímetro cúbico, enquanto em área continentais no hemisfério Norte esta concentração é de cerca de 20 mil a 30 mil partículas por centímetro cúbico, por causa da poluição sempre presente”, explicou Artaxo.

O estudo mostra que a Amazônia é um forte reator biogeoquímico, no qual a biosfera e a atmosfera produzem núcleos para a formação de nuvens e sustentam o vigoroso ciclo hidrológico na região. “O regime de interações aerossóis-nuvens-precipitação nesse ambiente natural é muito distinto de regiões poluídas de nosso planeta”, disse.

O estudo revelou mecanismos em que a floresta emite diretamente partículas que são chave na nucleação de nuvens. As propriedades físico-químicas dessas partículas revelam mecanismos de formação de aerossóis secundários na atmosfera da Amazônia que são muito particulares.

"Cerca de 85% da massa de aerossóis da fração fina das partículas (aerossóis menores que 2,5 micrometros) é constituída de partículas orgânicas, em forte contraste com áreas oceânicas e áreas continentais poluídas, dominadas por compostos inorgânicos tais como sulfatos e nitratos”, disse Artaxo.

O estudo mostrou que a composição das partículas de aerossóis na Amazônia é muito particular e reflete como eram as condições atmosféricas nos ecossistemas terrestres há milhares de anos, antes da poluição generalizada que caracteriza a atmosfera continental atual, em particular no hemisfério Norte.

A Amazônia é uma das poucas regiões continentais (a outra é a Antártica) em que ainda é possível observar condições atmosféricas extremamente limpas durante a estação chuvosa, que foi quando o estudo foi realizado.

O estudo mostra que as partículas submicrométricas, que são a maior parte dos núcleos de condensação de nuvens, são predominantemente compostas de material orgânico secundário formado na atmosfera pela oxidação de compostos biogênicos gasosos emitidos pela vegetação.

“Compostos voláteis gasosos emitidos para a atmosfera pelas plantas são oxidados por reações com ozônio e radicais hidroxila que mudam sua estrutura química adicionando átomos de oxigênio. Isso faz com que estes compostos sejam menos voláteis e condensam formando novas partículas ou se condensando em partículas pré-existentes”, disse Artaxo.

Essas partículas servem como núcleos nos quais vapor de água atmosférico condensa e nuvens são formadas. Esses mecanismos são fundamentais para o ciclo hidrológico da Amazônia e no balanço radiativo atmosférico. Por outro lado, as partículas maiores que 1 micrometro são emitidas diretamente pela vegetação e constituem uma fração majoritária dos núcleos de condensação de gelo, que formam nuvens convectivas profundas e congeladas na Amazônia.

“Núcleos de gelo que são necessários para a formação de nuvens profundas na Amazônia foram observados como sendo originários majoritariamente de processos biológicos, emitidos pela vegetação como partículas primárias”, disse o pesquisador que coordena atualmente o Projeto Temático “Aeroclima – Efeitos diretos e indiretos de aerossóis no clima na Amazônia e no Pantanal”, apoiado pela FAPESP.

O estudo – que além da FAPESP teve apoio financeiro do CNPq, da National Science Foundation (Estados Unidos) e do Instituto Max Planck, entre outras agências de fomento – mostra também que o número e o tamanho de partículas de aerossóis é mais importante do que as propriedades das partículas de absorver líquidos. Isso tem implicações importantes nos mecanismos de produção de nuvens convectivas sobre a Amazônia.

“As implicações do estudo indicam que as atividades humanas estão definitivamente alterando de modo intenso as propriedades atmosféricas em amplas áreas de nosso planeta, e os mecanismos de formação e desenvolvimento de nuvens estão sendo modificados pela ação do homem”, afirmou Artaxo.

“A alta atividade biológica controlando processos atmosféricos da região Amazônica mostra que os seres vivos de nosso planeta de certo modo moldam o meio ambiente de acordo com suas necessidades. Mas, quando a poluição industrial domina, esses mecanismos são suprimidos. Para entender o futuro do clima de nosso planeta, precisamos compreender como o clima era formado antes do advento da revolução industrial e a contaminação atmosférica que ocorreu nos últimos séculos”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o estudo adiciona mecanismos científicos mais sólidos para entender o papel da floresta amazônica no clima global, e como as alterações no uso do solo em curso na Amazônia podem influenciar o clima da região e do planeta como um todo.

Além de Artaxo, o artigo é assinado pelos brasileiros Theotonio Mendes Pauliquevis, da Universidade Federal de São Paulo, e Antônio Manzi, do Inpa.

Na mesma edição da Science, um artigo de Antony Clarke e Vladimir Kapustin, da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, descreve estudo feito com aerossóis atmosféricos sobre várias regiões do oceano Pacífico. Os pesquisadores observaram que os tipos de partículas diferem bastante, dependendo de onde têm origem.

O estudo concluiu que a quantidade de aerossóis aumenta grandemente quando são originários de atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e da biomassa, em comparação com as partículas atmosféricas suspensas observadas sobre as regiões mais remotas e limpas.

Segundo a Science, juntos, os dois estudos destacam diferenças importantes entre aerossóis originados de processos naturais e da ação antropogênica.

Como os aerossóis atmosféricos têm influência tanto no clima global como na saúde humana, os resultados das duas pesquisas deverão ajudar a compreender melhor o processo de formação de nuvens, as diferenças químicas específicas entre ambientais naturais e poluídos e, também, a criar modelos para avaliar como mudanças em regiões como a Bacia Amazônica podem afetar a atmosfera tanto regional como globalmente.

Os artigos Rainforest Aerosols as Biogenic Nuclei of Clouds and Precipitation in the Amazon (doi:10.1126/science.1191056), de Ulrich Pöschl, Paulo Artaxo e outros, e Hemispheric Aerosol Vertical Profiles: Anthropogenic Impacts on Optical Depth and Cloud Nuclei (doi:10.1126/science.1188838), de Clarke e Kapustin, podem ser lidos por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org/.

Programa oficial pretende recuperar e proteger o que resta do Cerrado

Programa oficial pretende recuperar e proteger o que resta do Cerrado

WWF-Brasil participa da solenidade de apresentação do PP Cerrado, no Palácio do Planalto, e confere as novas políticas anunciadas pelo governo.

Foi detalhado ontem (15/9) o programa nacional para tentar reduzir o desmatamento, as queimadas e incêndios e as perdas de recursos naturais no Cerrado. Os planos do governo prevêem investimentos de 340 milhões de reais do orçamento federal para colher resultados até 2020, como a redução em 40% das emissões de gases que ampliam o efeito estufa e aquecem o planeta a partir da degradação do Cerrado. Mais de 65% dos recursos - ou 224 milhões de reais - serão direcionados ao fomento de atividades produtivas sustentáveis.

O leque de ações é voltado para as áreas com maior índice de desmatamento e as mais ricas em biodiversidade e recursos hídricos. A estratégia envolve a criação de mais 25 mil quilômetros quadrados (Km2) em parques nacionais e outras unidades federais de conservação, a homologação e demarcação de 5,8 milhões de hectares em terras indígenas e o zoneamento ecológico-econômico de todo o bioma, além de apoiar os oito estados que englobam o Cerrado a realizarem zoneamentos próprios.

Apenas 8,24% (168 mil Km2) do Cerrado estão hoje oficialmente protegidos. As terras indígenas homologadas ou regularizadas somam 4,39% (89,4 mil Km2) da área total do bioma. Como parte da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas, o Brasil se comprometeu a abrigar ao menos 10% do Cerrado em unidades de conservação até o fim deste ano.

O WWF-Brasil fará uma análise completa do programa governamental, mas a avaliação inicial da secretária-geral da entidade, Denise Hamú, é de que pela primeira vez o Cerrado ganha maior atenção em políticas públicas federais.

“O Cerrado era tradicionalmente visto como o ‘patinho feio’ entre outros biomas brasileiros, como uma área livre para a expansão de fronteiras econômicas em bases insustentáveis. Mas a região é uma das mais ricas no mundo em biodiversidade e fonte de recursos indispensáveis ao bom desenvolvimento do Brasil. Deixar o Cerrado morrer é perder patrimônio natural e prejudicará inclusive a proteção da Amazônia”, ressaltou Denise Hamú.

Cerca de um quarto do território brasileiro é ocupado pelo Cerrado, que faz uma espécie de “meio-de-campo” entre a maioria dos biomas terrestres do país. Ele é responsável por fornecer sete em cada dez litros da água que flui pelas bacias dos rios Araguaia, Tocantins, São Francisco, Paraná e Paraguai, essas últimas vitais para a sobrevivência do Pantanal. Estima-se que 5% da biodiversidade mundial esteja no Cerrado.

Os planos federais incluem a recuperação de oito milhões de hectares de pastagens degradadas a partir da oferta de linhas de crédito rural, da ampliação de fundos constitucionais do Centro-Oeste e Nordeste para financiar plantios voltados a sistemas agroflorestais e à produção de matéria-prima para a siderurgia. O governo espera ampliar em 3,2 milhões de hectares as plantações destinadas à produção de carvão vegetal.

Também está previsto o pagamento por serviços ambientais no Cerrado, após a aprovação e regulamentação de projeto de lei em tramitação no Congresso, mais fiscalização contra ilegalidades em rodovias e entroncamentos e o treinamento de 4,5 mil brigadistas no combate a queimadas e incêndios. E ainda, o monitoramento por satélite do bioma deverá se tornar permanente e fornecer informações em “tempo real”, assim como já ocorre para a Amazônia.

O governo também abriu espaço aos povos indígenas na Comissão Nacional do Programa Cerrado Sustentável (Conacer), que ganhou status executivo para se adequar ao plano nacional de combate às mudanças do clima.

PP Cerrado
Resumo executivo -

Texto na íntegra -

Contato:

Aldem Bourscheit – Comunicação WWF-Brasil
Fone: 61 – 3364.7483

Maristela Pessôa – Assistente de Comunicação – WWF-Brasil
Fone: 3364.7464

Reciclagem pode gerar R$ 8 bilhões em ganhos econômicos e ambientais

Por Murilo Souza, da Agência Brasil

Governo e empresas discutem regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada neste ano pelo Congresso.

Estimativas de coleta e destinação de resíduos sólidos urbanos no Brasil indicam que o País jogou no lixo em 2009 o equivalente a R$ 8 bilhões em materiais recicláveis. O montante decorre do fato de que apenas 13% de todo o lixo produzido no País - aproximadamente 56 milhões de toneladas por ano - é separado por coleta seletiva e consegue retornar para o sistema produtivo na forma de matéria-prima reutilizável. Os números fazem parte de um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea), que avaliou os principais benefícios econômicos e ambientais da reciclagem.

Mesmo com poucos estudos que quantifiquem, por tipo de material, o volume de resíduos reaproveitáveis disposto sem separação ou tratamento em vazadouros a céu aberto - os "lixões" -, o levantamento do Ipea não deixa dúvidas: por meio de coleta e disposição adequadas, boa parte desse material poderia se transformar em insumo, renda e ganhos ambientais.

"Os resíduos sólidos não são mais vistos como lixo. Hoje, esses resíduos são um negócio com enorme potencial econômico e de inserção social", afirma o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Sérgio Antônio Gonçalves. "O segmento já sinaliza para a criação de uma nova cadeia de produção, principalmente com a presença de pequenas empresas e de microindústrias de reciclagem."

Mas essa constatação não é nova. A percepção de que uma mudança de atitude em relação ao lixo poderia render benefícios já existe no País há pelo menos 19 anos, quando começou a tramitar no Congresso o projeto de uma nova Política Nacional de Resíduos Sólidos. Resultado de uma compilação de mais de 140 projetos, a proposta foi finalmente aprovada em março pela Câmara e em julho pelo Senado, vindo a ser sancionada em agosto deste ano na forma da Lei 12.305/10.

Regulamentação
"A grande conquista foi convencer a indústria e a maioria dos empresários a assumir o compromisso de não somente produzir, mas passar também a se preocupar com o pós-consumo", diz o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), que presidiu o grupo de trabalho que analisou a proposta. O recém-aprovado ordenamento jurídico brasileiro impõe obrigações a governos, empresários e cidadãos e abre caminho para a prática da retroalimentação do setor produtivo brasileiro.

Membro do grupo de trabalho responsável pelas propostas de regulamentação da nova política, Sérgio Gonçalves destaca que o sucesso depende de ações paralelas. "A nova política não prevê multa, mas já obriga o empresariado a recolher aquilo que ele coloca no mercado, sob pena de ser enquadrado em crime ambiental por descartar material de forma indevida", diz.

Por outro lado, segundo ele, além de ações empresariais, o efetivo cumprimento da política decorre também de acordos com o Poder Público e com cooperativas de catadores. "Alguns setores, como o de pneus e de óleos lubrificantes, já são orientados por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e possuem sistemas de logística visando o recolhimento do material após o uso", diz. "O que se busca com a regulamentação é exatamente definir, por meio de acordos empresariais, como isso vai funcionar, por exemplo, no segmento de embalagens." A expectativa, segundo ele, é que o processo esteja esquematizado e vigorando até o fim do ano.

A nova lei, além de reafirmar a importância do conceito de coleta seletiva, inova ao estabelecer uma visão sistêmica de todo o processo, passando a tratar também de conceitos igualmente importantes como ecoeficiência, responsabilidade compartilhada e logística reversa.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Proposta cria agente comunitário de reflorestamento

Deputados avaliam nova profissão para recuperação de biomas

Do Globo Rural online

A Câmara analisa um projeto de lei que cria o agente comunitário de reflorestamento e meio ambiente. Segundo o texto, esses profissionais deverão executar atividades como: identificação de áreas degradadas; reconhecimento e catalogação de plantas; plantio em regiões degeneradas; transporte de espécies da flora local; organização de eventos de conscientização para a preservação do meio ambiente; e docência em cursos de capacitação.

O autor da proposta, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), explica que a medida vai garantir o reconhecimento de profissionais que já atuam nessas áreas, mas não são organizados em uma carreira própria. "Esses profissionais são responsáveis pelas ações de reflorestamentos e recuperação dos biomas brasileiros, realizam operações de preservação e compensação ambiental, entre tantas outras. Eles, contudo, prestam serviços sem ter reconhecida a sua profissão e sem gozar de garantias para o melhor desempenho de suas atividades", afirma.

Requisitos
A proposta determina que, para exercer a profissão, será necessário, no mínimo, ter concluído o ensino fundamental. Além disso, será preciso residir na área da comunidade em que atuar ou próximo a ela, e haver concluído curso de qualificação básica, cujo conteúdo programático será definido pelo Ministério do Meio Ambiente.

Pelo projeto, os profissionais de qualquer outra carreira que já atuarem em atividades próprias dos agentes comunitários de reflorestamento na data da publicação da lei não precisão comprovar a conclusão do ensino fundamental para requerer o reconhecimento do cargo. Essas pessoas, porém, deverão comprovar os outros requisitos necessários.

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, segue agora para análise das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Água livre de arsênico

Da Revista Fapesp

Em vários países subdesenvolvidos, um importante problema de saúde pública é o consumo de água contaminada por arsênico, substância nociva ao organismo presente naturalmente no solo e em rochas. Duas novas tecnologias mostraram-se eficazes no processo de descontaminação.

A primeira delas, criada na Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang, na Coreia do Sul, é fruto da combinação de nanocristais magnéticos com materiais baseados em grafeno, formado apenas com átomos de carbono. O compósito resultante é adicionado na água e em apenas 10 minutos remove as partículas de arsênico. Em seguida, o líquido passa por um processo simples de filtragem e está pronto para o consumo humano.

O outro método emprega um sistema de tubos de vidro e plástico que, submetido à luz solar durante algumas horas, faz a purificação da água. A desinfecção é feita pela radiação solar. Desenvolvido pelas universidades de Tarapacá, do Chile, e Nacional de Engenharia, do Peru, o protótipo foi capaz de reduzir o nível de contaminação por arsênico de 500 partes por bilhão (ppb) para 30 ppb.

A tecnologia foi projetada para funcionar em áreas isoladas. A água tratada é própria para a irrigação, mas, dependendo do índice de purificação, pode tornar-se potável.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Implantação de fitoterapia no SUS é tema de seminário

Da UFJF

Nos dias 10 e 11 de setembro será realizado o “Seminário sobre fitoterapia na atenção básica à saúde”, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (ICB/UFJF). O evento acontece no Anfiteatro A do ICB e é voltado para estudantes e profissionais da área de saúde de Juiz de Fora e região. A inscrição é gratuita e pode ser feita no primeiro dia do evento.


De acordo com o coordenador do seminário, professor Daniel Pimenta, o principal objetivo é promover a troca de experiência entre programas de fitoterapia já usados em algumas cidades do Brasil com o programa em fase de discussão em Juiz de Fora. A implantação da ‘Farmácia Viva’, voltada para a manipulação e distribuição de medicamentos produzidos a partir de plantas medicinais, no Sistema Único de Saúde (SUS), também será debatida.

A programação conta com palestras, mesas-redondas e debates. Entre os palestrantes convidados estão profissionais da área de saúde dos municípios de Fortaleza (CE), Betim (MG), Brasília (DF), Ipatinga (MG) e Belo Horizonte (MG). Eles irão apresentar o modelo do programa de fitoterapia implantado nessas cidades. Também estará presente no evento o representante do Departamento de Assistência Básica do Ministério da Saúde, Ângelo Giovani Rodrigues.

Pimenta espera que o encontro possa ampliar a discussão do tema dentro da universidade e atrair mais parcerias. “A expectativa é de efetivarmos mais convênios, parcerias com empresas de Juiz de Fora para a implantação da fitoterapia responsável”, ressalta. O seminário faz parte da ação extensionista “Produção de Plantas Medicinais e Fitoterapia”, aprovada no Programa de Apoio à Extensão Universitária (Proext 2009).

Os interessados em participar devem se inscrever no local do evento, entre 17h e 18h, no dia da abertura do seminário. As vagas são limitadas. Todos os inscritos que tiverem 100% de frequência receberão certificados emitidos pela Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).

Outras informações: (32) 2102-3207 – Departamento de Botânica/UFJF



Alex Salmond unveils plan to turn Scotland into 'world's first hydro-economy'

Proposed legislation would allow state-owned Scottish Water to use vast landbank and pipe network for renewable energy projects

From Severin Carrell, The Guardian


Alex Salmond told the Scottish parliament that he wanted to 'give Scottish Water room to grow'. Photograph: David Cheskin/PA

The state-owned utility Scottish Water is to be given new powers to build windfarms, hydro schemes and "green" power stations in partnership and competition with established energy companies.

The company, one of the country's last remaining state-owned firms, could generate £300m or more in extra revenues by using its 80,000 acres of land and vast pipe network for renewable energy projects.

The proposal was unveiled by Alex Salmond, Scotland's first minister and leader of the Scottish National Party, in his government's last legislative programme before next May's Scottish elections. He claimed it would turn Scotland into "the world's first hydro-economy – wisely exploiting our water to help drive our economy".

Salmond is resisting pressure to convert Scottish Water into a mutualised company under public ownership, similar to Welsh Water, to generate much-needed revenue and offset cuts of up to £3.7bn expected in next month's spending review.

The Conservatives and Salmond's own economic advisers believe mutualisation would immediately raise up to £3bn for the Treasury, with £1bn going to the Scottish government, and save the taxpayer £140m a year in loans.

Salmond, an enthusiast for renewable energy investment, said that the company would remain entirely in public ownership, while having much greater freedom to exploit commercial opportunities that would eventually allow it to become self-financing and self-sufficient.

"They have identified potential for new economic activity in other business areas of some hundreds of millions in the medium term," he told the Scottish parliament. "If we give Scottish Water room to grow, then we have the makings of a great Scottish company, in public ownership."

Scottish Water, which has annual revenues of about £1bn and assets worth £5.5bn, is the UK's fourth-largest water company. It owns about 80,000 acres, including high ground with great potential value for onshore wind and hydro schemes.

The company hopes the legislation proposed by Salmond will allow its fledgling commercial services division, called Harmony, to drive its new energy projects. The Tories hope to amend the water bill with Labour support, forcing the SNP to mutualise the company.

The utility is also in talks about joint projects with some of the largest players in renewables and potential competitors, which are thought to include Scottish and Southern Energy and ScottishPower.

Richard Ackroyd, the company's chief executive, said: "Our success in reducing our carbon footprint and expanding our work into renewables and recycling is helping to put Scottish Water in a position where it can make a real contribution to the environmental challenges facing Scotland."

Scottish and Southern Energy, the UK's largest hydro-electricity producer, would not comment directly on Scottish Water's entry into the energy market. "There are other people who are becoming players in the market all the time; we wouldn't have any comment to make on Scottish Water becoming part of that," a spokeswoman said.

A spokesman for ScottishPower's renewables arm welcomed Scottish Water's involvement, saying: "Scotland has a wealth of renewable energy opportunities and we are keen to see the country fulfil its renewables potential. Investment from both the public and private sector will be critical in achieving this."

Comunicação científica

Da Agência USP

A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP realiza na sexta-feira (10) o evento Fator de Impacto – Seminário sobre o desempenho dos periódicos brasileiros no Journal Citation Reports.

O seminário tem como motivação os resultados da versão 2009 do Journal Citation Reports, publicado em junho deste ano, que conformam um novo cenário da inserção internacional da comunicação científica brasileira. O debate envolve as características e conseqüências que emergem deste novo contexto com a participação de especialistas em comunicação científica e cienciometria.

São esperadas a participação de autores, pesquisadores, editores de periódicos brasileiros, bibliotecários, profissionais de informação e demais interessados. Não há taxa de inscrição, que pode ser feita pelo site do evento.

O seminário ocorre no auditório João Yunes da FSP, que fica na Av. Dr. Arnaldo, 715, Cerqueira César, São Paulo, próximo ao metrô Clínicas.

Mais informações: site http://www.eventos.bvsalud.org/

Biorreator obtém vinhaça mais limpa para adubação do solo

Por Antonio Carlos Quinto, da Agência USP

Um biorreator aeróbio desenvolvido nos laboratórios do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, possibilitou a degradação da vinhaça em mais de 80%, tornando o líquido apto a ser utilizado na adubação da cana-de-açúcar.

A vinhaça é um resíduo obtido após o processo de produção do etanol a partir da fermentação do mosto (o caldo proveniente da cana-de-açúcar prensada) e da destilação do vinho proveniente da cana. “O tratamento do líquido no equipamento é feito utilizando-se fungos da podridão branca. Alguns deles são classificados como comestíveis, como os pertencentes ao gênero Pleurotus”, explica o biólogo Luiz Fernando Romanholo Ferreira, que demonstrou a tecnologia em sua tese de doutorado.

De acordo com o pesquisador, o equipamento traz duas vantagens em relação aos métodos tradicionais de tratamento da vinhaça. Além de se obter um produto mais adequado para a adubação, os fungos poderão servir para a alimentação animal. “Estudos sobre tais aspectos ainda deverão ser feitos, mas ao que tudo indica, os fungos poderão ser reaproveitados para a alimentação animal”, adverte Romanholo. Ele é autor da pesquisa Biodegradação de vinhaça proveniente do processo industrial de cana-de-açúcar por fungos, apresentada na Esalq em 2009 sob orientação da professora Regina Teresa Rosim Monteiro, do Laboratório de Ecologia Aplicada do Cena. O estudo foi realizado no programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola da Esalq.

Contaminação do lençol
Romanholo explica que a vinhaça obtida no processo de produção do etanol é rica em potássio e, usada na fertirrigação, pode percolar no solo e contaminar o lençol freático quando aplicada de maneira inadequada. “Ao consumir a água contaminada, a pessoa poderá adquirir algumas doenças, como a hipercalemia, caracterizada pelo nível de potássio acima do normal na corrente sanguínea”, explica. 


Vinhaça "in natura" e vinhaça tratada com posterior filtração

Os experimentos com o biorreator também possibilitaram a obtenção de um líquido com um odor mais agradável. Normalmente, a vinhaça sem tratamento possui cheiro forte e ácido e uma coloração marrom escura. Como explica o biólogo, a melanoidina contida na vinhaça é um dos principais responsáveis pela sua cor. “Os fungos atuam na descoloração e o produto obtido após a degradação no biorreator apresenta uma cor clara, amarelada”, descreve Romanholo.

Ele explica que os fungos são capazes de produzir enzimas de interesse biotecnológico, como a lacase e a manganês peroxidase, que possuem a capacidade de degradar moléculas recalcitrantes, de difícil de degradação, presentes no resíduo.

Escala piloto
As pesquisas de Romanholo possibilitaram o desenvolvimento de um biorreator (do tipo Air-lift) em escala laboratorial que tem a capacidade de tratar 7 litros de vinhaça. Para se ter uma idéia, nas usinas que produzem etanol, para cada litro de álcool são obtidos entre 8 e 18 litros de vinhaça. “Em testes laboratoriais obtivemos sucesso. Pretendemos ainda este ano desenvolver um reator em escala piloto. Para tanto, esperamo contar com a cooperação de Usinas produtoras de etanol que tenham interesse em agregar valor a este importante resíduo”, avisa o biólogo.

Nos tratamentos convencionais do líquido, segundo o pesquisador, ainda não se obteve uma vinhaça tão limpa. “Testamos, inclusive, a toxicidade após o tratamento fúngico com organismos aquáticos de diferentes níveis tróficos e os resultados foram excelentes”, garante Romanholo. Além disso, segundo ele, as qualidades da vinhaça após o tratamento biológico visam atender a uma norma estabelecida pela Cetesb. A entidade recomenda o tratamento da vinhaça antes da mesma ser lançado ao solo para a fertirrigação.

Mais informações: (79) 8167-5511; email romanholobio@gmail.com

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Murici (AL) recebe exposição itinerante "A Mata Atlântica é aqui"

Os moradores de Murici, em Alagoas, já podem conhecer o caminhão adaptado pela SOS Mata Atlântica e aprender um pouco mais sobre desmatamento, preservação, hábitos sustentáveis e outros temas relacionados ao bioma. De quarta a domingo (08 a 12 de setembro), a exposição itinerante "A Mata Atlântica é Aqui" estaciona no Parque Padre Cícero, funcionando das 10h às 16h, exceto no primeiro dia, quando abre às 11h.

A programação inclui palestras e debates sobre a Mata Atlântica, oficinas, análise de água do Riacho Salgadinho, exibições de vídeos ambientais, maquetes interativas, jogos educativos, exposições, dentre outras atrações. As atividades são gratuitas e destinam-se ao público de todas as idades. Em Murici, está a Estação Ecológica que tem o mesmo nome da cidade e possui um dos principais remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste.

A SOS Mata Atlântica e outras organizações fundaram o Pacto Murici, que deu origem à Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane) e desenvolve uma série de trabalhos na região. O caminhão, que já passou por diversas cidades brasileiras, tem o patrocínio de Bradesco Cartões, Natura e Volkswagen Caminhões & Ônibus e o apoio local da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, IMA – Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, da Amane e da RPPN Osvaldo Timóteo.

Escolas e grupos interessados podem agendar visitas monitoradas ao projeto, através do email itinerante@sosma.org.br. A programação completa está disponível no portal www.sosma.org.br e os relatos da equipe itinerante podem ser acompanhados em www.sosma.org.br/blog.

Fonte: SOS Mata Atlântica

Tecnologias ajudam a evitar uso do fogo na agricultura

Por Diva Gonçalves , da Embrapa Acre

A época de maior estiagem em algumas regiões do Brasil acontece entre os meses de agosto e setembro. Este período é marcado pela intensificação das queimadas e pela espessa nuvem de fumaça que cobre as cidades.


Além dos danos causados à natureza, as queimadas prejudicam a saúde porque afetam a qualidade do ar e provocam doenças respiratórias. No início de agosto, o governo do Acre decretou estado de alerta ambiental, devido ao elevado número de queimadas no estado.

Encontrar alternativas ao uso do fogo na agropecuária tem sido um desafio para instituições de pesquisa e fomento do País. Com esta preocupação, há vários anos a Embrapa atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas acessíveis ao pequeno produtor, para evitar o fogo nas atividades agrícolas e pecuárias da região.

O fogo é uma das mais antigas práticas incorporadas aos sistemas de produção, por facilitar a limpeza de área e porque, acredita-se, a prática torna a terra mais fértil, incorporando nutrientes da vegetação ao solo. Apesar dessa crença ser verdadeira, parte dos nutrientes incorporados com a queimada como cálcio, potássio e magnésio - promotores do efêmero fenômeno de fertilização do solo - se perde na atmosfera, fazendo com que o efeito dessa “fertilização” seja de rápida ação.

Pesquisas comprovam que a queima provoca a perda de 98% de carbono, 96% de nitrogênio, 76% de enxofre, 48% de potássio, 47% de fósforo, 40% de magnésio e 30% de sódio, provocando o empobrecimento do solo.

Em 2005, quando o Acre vivia uma das maiores secas de sua história, foram registrados 22.948 focos de calor e um recorde de incêndios florestais, com prejuízos para a biodiversidade, fertilidade dos solos, produtores, governo e a população em geral. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), este ano os satélites registram, em um único dia de agosto, 12.629 focos de queimadas em todo o País, a maioria nas regiões Norte e Centro-Oeste. Dados da fiscalização estadual revelam que a quantidade de focos de incêndio no Acre cresceu 123% em comparação a 2008 e 587% em relação ao ano passado.

Alternativas
Tecnologias simples e acessíveis, como o uso de leguminosas, podem substituir o sistema de derruba e queima. A mucuna preta está entre as alternativas utilizadas por agricultores de diversos municípios acrianos para evitar o uso do fogo na agricultura, ajudando na recuperação de áreas degradadas. De fácil cultivo, a planta proporciona benefícios ao solo e pode melhorar a produtividade agrícola.

Segundo o pesquisador da Embrapa Acre, Falberni Costa, o cultivo de plantas de cobertura de solo, como as leguminosas, ajuda na proteção contra os processos erosivos, causados pela ação da chuva, adiciona nitrogênio orgânico ao solo, para cultivos sucessores às leguminosas, auxilia no combate às ervas daninhas, com reflexos na limpeza das áreas para cultivo, e incorpora matéria orgânica ao solo, servindo de adubo natural.

O uso destas plantas, porém, deve ser associado a outras práticas agronômicas para garantir a recuperação e o aumento da fertilidade de solos empobrecidos com o sistema de derruba e queima. Para maior eficiência desta técnica é necessário, por exemplo, a associação a programas de correção e fertilização de solos, além da diversificação da produção e dos sistemas agrícolas que revolvam minimamente o solo, como é o caso do plantio direto”, explica Costa.

Outra alternativa para uma agricultura sem fogo é a trituração da capoeira, que serve de cobertura e adubo natural para o solo. Esta prática é possível com o equipamento conhecido como Tritucap, um trator de grande porte equipado com triturador de capoeira. A tecnologia desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA), em parceria com duas Universidades alemãs, já é adotada em alguns estados da Amazônia e, em breve, será realidade também para produtores familiares do Acre.

Por meio de um programa de transferência de tecnologias voltado para o fortalecimento da agricultura familiar, a Embrapa Acre adquiriu dois destes equipamentos para uso em atividades de pesquisa em propriedades rurais nas regiões do Alto Acre, Baixo Acre e Purus, e para atendimento de demandas tecnológicas de comunidades rurais do Vale do Juruá. Segundo Francisco de Assis Silva, chefe adjunto de Comunicação e Negócios da Unidade, os tratores vão estimular a utilização de métodos de recuperação e conservação da fertilidade do solo, evitando a abertura de novas áreas de produção e a prática das queimadas.

As tecnologias alternativas ao uso do fogo, desenvolvidas pela Embrapa Acre, também contemplam a pecuária. Entre elas está o amendoim forrageiro, leguminosa bastante utilizada em consórcio com gramíneas. Suas folhas e talos secos servem para adubar o solo, aumentando a fertilidade e a capacidade produtiva, resultando em melhoria na qualidade das pastagens e aumento da longevidade dos capins e evitando a queima para renovação de pastagens.

We can in Cancún – former UN man has a plan

From The Guardian

Erstwhile UNFCCC chief Yvo de Boer explains how to overcome the obstacles preventing a global climate deal from being signed

The priority for the next big UN climate change meeting in Cancún, Mexico, is to set out exactly what a global climate deal would mean in practice, according to the man who was until July the head of the UN's climate body, the UNFCCC.

Yvo de Boer's prescription sounds rather a modest goal to me, but is perhaps a sign of how far ambition has fallen since the feverish days ahead of the Copenhagen climate change summit in December 2009.

But it would, de Boer says, overcome the obstacle that is preventing a global deal being signed – the countries simply don't know what they are signing up for.

They don't know what to expect in terms of the "rules and tools" that will govern measures to cut carbon emissions, to adapt to global warming and to pay for it all.

De Boer, now looking far more relaxed in his new role with accounting giant KPMG than he was in the fraught days of Copenhagen and Bali, remains adamant that Copenhagen was a success, but does acknowledge that views on that differ very widely.

Indeed they do: Low targets, goals dropped: Copenhagen ends in failure was our headline.  He also says that lots of the political momentum that was there in the runup to Copenhagen, attended by 130 or so world leaders, is still there. I think we can agree de Boer is an optimist, to say the very least.

He remains, as befits his new business-oriented job, certain that a global cap and trade scheme – a "market-based mechanism" – is the ultimate solution to cutting greenhouse gas emissions and limiting global warming.

And it is here that a glimpse of anxiety can be seen: "I just hope they hurry up and define what exactly those market-based mechanisms will mean, as they will need to continue after 2012 [when the current Kyoto agreement ends] ... 2012 is getting frighteningly close."

The US has abandoned efforts to introduce a cap and trade scheme and even de Boer thinks it is unlikely that Barack Obama will be able to try again before the next presidential election. He also used some colourful language when addressing the lobbying by certain fossil fuel interests. If I was a more ruthless kind of journalist, I could tell you de Boer said fossil fuel companies were living in the stone age. I'm not, but the full quote is still fun.

"I do not think oil, gas and coal companies are evil. They are selling products that we as consumers want. The question is how to balance that with the needs of the environment. There will always be winners and losers [during change]. When the massive economic transformation from the stone age to the bronze age took place, I am sure that stone spearhead makers were pretty upset."

Sisbiota-Brasil é lançado

Por Fabio Reynol, da Agência Fapesp

Uma rede nacional de pesquisa com a finalidade de aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira acaba de ser lançada com aporte inicial de R$ 51,7 milhões, que financiarão trabalhos científicos sobre o assunto.

O Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota-Brasil) é uma iniciativa conjunta entre os ministérios da Ciência e Tecnologia, da Educação e do Meio Ambiente, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de 18 fundações de amparo à pesquisa estaduais: Fapeam, Fapema, Fapepi, Fapergs, Fapes, Fapesb, Fapespa, Fapitec, Fundect, Fapemig, Facepe, Fapemat, Fapeg, Fapesc, FAPDF, Fapern, Fundação Araucária e FAPESP.

“Ter um sistema nacional para reunir informação da biodiversidade brasileira era um anseio da comunidade científica que atua nessa grande área”, disse Carlos Alfredo Joly, coordenador do Programa Biota-FAPESP e professor da Universidade Estadual de Campinas, que ressaltou serem fundamentais essas informações para subsidiar políticas públicas de utilização sustentável dessa biodiversidade.

A experiência do programa paulista auxiliou na elaboração do Sisbiota-Brasil, que contou com a participação de membros do Biota-FAPESP e da diretoria científica da FAPESP nas reuniões que deram origem ao programa.

O texto do edital de lançamento também foi apresentado a membros da coordenação do Biota-FAPESP para sugestões e contribuições. Dois membros da coordenação do programa paulista participarão da gestão do sistema nacional: Roberto Berlinck, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos, que fará parte do conselho técnico, e Joly, que terá uma cadeira no conselho científico.

Joly espera que o Sisbiota reproduza nacionalmente o salto de qualidade que o Biota-FAPESP representou para o Estado de São Paulo. “Isso só ocorrerá se houver garantias de que o financiamento será mantido em médio e longo prazos, uma condição que a FAPESP sempre manteve”, disse.

No Sisbiota-Brasil as FAPs serão cofinanciadoras dos projetos de pesquisa desenvolvidos dentro de seus respectivos estados.

O edital 47/2010, lançado em 2 de setembro pelo CNPq, regulamenta o processo de financiamento do Sisbiota-Brasil. As propostas de trabalhos serão recebidas até o dia 18 de outubro, os resultados serão divulgados em novembro e a contratação dos aprovados terá início em dezembro.

Do valor total do edital, R$ 22,7 milhões virão das FAPs, sendo que a FAPESP participará com R$ 10 milhões. Os outros 29 milhões serão financiados pelo FNDCT (R$ 12 milhões), pelo CNPq (R$ 6 milhões), pelo MMA (R$ 6 milhões) e pela Capes (R$ 5 milhões).

O Sisbiota-Brasil será dividido em três chamadas. A primeira visa a preencher lacunas do conhecimento da biodiversidade brasileira financiando propostas de projetos individuais que elaborem sínteses das informações disponíveis de todos os grupos taxonômicos de vertebrados, invertebrados, plantas e microrganismos.

Na chamada, o valor máximo destinado a cada trabalho é estabelecido de acordo com o bioma a ser investigado. Amazônia e Zona Costeiro-Marinha são os biomas que envolvem os maiores valores individuais por proposta: R$ 600 mil. Pesquisas sobre o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica poderão ser financiadas com até R$ 300 mil cada uma; para o Pantanal e o Pampa, cada projeto terá o teto de R$ 150 mil.

A pesquisa em redes temáticas será o foco da segunda chamada. As propostas dessa fase deverão ser abrangentes e englobar vários grupos taxonômicos, funcionais ou ecológicos e envolver um ou mais biomas.

Estima-se que as propostas da segunda chamada tenham valor máximo de R$ 2 milhões de financiamento para pesquisas novas e de R$ 1 milhão para propostas que integrem programas já existentes e contem com financiamentos.

A terceira chamada visa a financiar projetos que objetivem o entendimento e a previsão de respostas da biodiversidade às mudanças climáticas e aos usos da terra. Essa fase terá o financiamento máximo de R$ 650 mil por proposta.

Biota-FAPESP
Iniciado em março de 1999, o Programa Biota-FAPESP de pesquisas em caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade do Estado de São Paulo englobou 94 projetos que descreveram mais de 1,8 mil novas espécies e levantaram informações sobre outras 12 mil.

Joly atribui o sucesso à capacidade de a FAPESP financiar projetos de longo prazo e ao fato de o programa ser totalmente gerenciado por cientistas, fatores que preservam o Biota de ingerências políticas,

Inspirado no Biota-FAPESP, Sistema Nacional de Pesquisa da Biodiversidade começa com R$ 51 milhões cofinanciados por órgãos federais e 18 FAPs (foto: Biota-FAPESP)

Além dos resultados científicos, o Biota-FAPESP serviu de modelo para a elaboração de programas como o Biota-MS, voltado ao estudo da biodiversidade do Estado do Mato Grosso do Sul.

Em junho deste ano, a revista científica Science publicou um balanço da primeira década do Biota-FAPESP, em artigo assinado por cientistas participantes do programa.
Após dez anos, o programa paulista foi reavaliado e novas fronteiras de investigação foram abertas. Entre elas estão pesquisas sobre o bioma marinho da costa paulista. A pesquisa oceânica contará com um workshop promovido pelo Biota-FAPESP nos dias 9 e 10 de setembro.