quarta-feira, 25 de abril de 2007

Educadores discutem ações pelo meio ambienteProfessores

Juiz de Fora

Profesores da rede municipal de ensino estarão reunidos, nesta quinta-feira, dia 26, no auditório do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, para desenvolver ações educativas que vão contribuir para o conhecimento e a conservação do meio ambiente. O encontro, que começa às 8h, é o primeiro passo do projeto “Educação ambiental: Compromisso Social por um mundo melhor” que vai envolver organismos oficiais, comunidade escolar e iniciativa privada.No encontro, os participantes vão ter a oportunidade de conhecer alguns objetivos do projeto, como a construção de uma política de educação ambiental para a cidade que envolva aspectos sociais, econômicos, culturais e éticos. Além disso, o evento contará com palestra do presidente da Associação pelo Meio Ambiente de Juiz de Fora (AMA-JF), Theodoro Guerra.

Professor e engenheiro agrônomo, ele vai falar sobre os trabalhos desenvolvidos pela associação na proteção dos recursos naturais e implementação de projetos sócio-ambientais.A elaboração desse projeto foi recomendada para atender à política traçada pelo município de preservação do meio ambiente a todo custo, a começar pela educação das crianças sobre a importância de se lutar, diariamente, pela redução das conseqüências de ações humanas irresponsáveis. Para a secretária de Educação, Regina Célia Mancini, “é necessário que ações preventivas sejam tomadas e, no caso da educação, temos um trabalho extremamente importante de divulgar informações e conscientizar as futuras gerações”.

Fonte: Secom

Impactos do aquecimento global

Fernanda Alves

Mudanças no clima levarão a escassez de água e savanização da Amazônia, diz relatório do IPCC

Na última sexta-feira, 6 de abril, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou a segunda parte de seu relatório, em que aborda as possíveis conseqüências do aquecimento global sobre os sistemas socioeconômicos e naturais. O documento conclui, com 80% de certeza, que mais da metade da floresta amazônica pode se transformar em savana e que o aumento da temperatura provocará escassez de água, com impactos na economia e na saúde da população. As regiões mais afetadas seriam a América do Sul e a África, justamente as mais pobres e que menos contribuíram para o efeito estufa. Essas previsões foram debatidas pela comunidade científica durante um evento realizado ontem na Universidade de São Paulo, em que os quatro pesquisadores do Brasil que participaram da elaboração do documento explicaram em detalhes os fenômenos que podem mudar drasticamente a vida na Terra.

A segunda parte do relatório do IPCC, elaborada por 2.500 cientistas de todo o mundo, trata da adaptação e da vulnerabilidade dos países ao aumento de temperatura global – que, segundo o Painel, pode chegar a 4 °C até o fim deste século. No Brasil, entre os impactos previstos, está a savanização da floresta amazônica. “Com o aumento do calor, os ciclos de evaporação se tornam mais constantes, sem tempo suficiente para cultivar a vegetação tropical”, explica o biólogo Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Segundo ele, o cenário mais pessimista prevê ondas de calor (como a que matou 35 mil pessoas em 2003 na Europa) a cada dois anos. “As primeiras vítimas serão as árvores de grande porte”, declara.

O epidemiologista Ulisses Confalonieri, da Fundação Oswaldo Cruz, diz que a escassez de água decorrente do aquecimento global provocará o aumento de doenças diarréicas. “Não haverá só redução na quantidade de água potável, mas também queda na sua qualidade”, destaca o pesquisador, que participou da elaboração do capítulo sobre saúde humana do relatório do IPCC. Com esse quadro, a ocorrência de doenças como malária e leishmaniose pode alcançar proporções ainda maiores, e não só no Brasil. “Acredita-se que o mosquito transmissor da malária consiga chegar mesmo em regiões altas da África, o que não ocorre hoje”, acrescenta. Confalonieri também ressalta que o aumento na temperatura, combinado à maior concentração de gases poluentes, vai aumentar a incidência de doenças cardio-respiratórias na população.

Injustiça ambiental

Quem mais vai perder com os impactos do aquecimento global serão os países mais pobres, justamente os que menos contribuíram com emissões de carbono – o continente africano, por exemplo, tem uma ‘parcela de culpa’ que não chega a 2% e será uma das regiões mais afetadas. Por se localizarem em áreas de clima mais quente, a América do Sul e a África sofrerão com a transformação não só da temperatura e da paisagem, mas também da economia local. A agricultura será o primeiro setor prejudicado, explica Antônio Magalhães, do Banco Mundial. Apesar da injustiça ambiental, ele diz que os países mais pobres não podem “ficar esperando a ajuda dos ricos” e devem tomar suas próprias iniciativas. Segundo Magalhães, o governo brasileiro ainda ensaia um plano de controle da desertificação atrelado ao Ministério do Meio Ambiente. Para ele, no entanto, o Mistério do Planejamento também deveria elaborar medidas de adaptação para o Brasil, pois o país deve enfrentar ainda a intensificação no fluxo migratório do Nordeste – que tende a ficar ainda mais seco – em direção a outras regiões. “A questão mais preocupante atualmente é que não podemos ter planos bem elaborados se não investirmos em pesquisa no Brasil.” Os cientistas concordam: “O relatório do IPCC não fala muito sobre o Brasil porque temos poucos dados a fornecer. Sem estudos sobre os impactos ambientais já existentes, fica difícil tomar medidas completas de adaptação e mitigação”, acrescenta o meteorologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Uma voz solitária Apesar das evidências, há quem discorde das previsões do relatório – que tem 80% de confiabilidade. Para o geógrafo Aziz Ab’Saber, a elevação da temperatura provocará maior evaporação do oceano Atlântico, o que aumentará a umidade na floresta amazônica. Segundo ele, esse fenômeno faria com que a vegetação crescesse – e não diminuísse.

Mesmo solitária, a afirmação do geógrafo não é absurda. Os pesquisadores concordam que, em um primeiro momento, o aumento das chuvas pode estimular o crescimento da vegetação. Mas, se a temperatura continuar subindo, o clima da região se tornará mais seco e a floresta vai adquirir características próprias da savana. Embora as conclusões tenham alto grau de confiabilidade, esse cenário pode ser menos assustador do que o previsto. Para isso, a redução do desmatamento e a adoção de medidas de adaptação e de mitigação das emissões de gases do efeito estufa são fundamentais. Mas a hora de começar é agora.

Mudanças afetarão maravilhas da natureza

Alguns dos lugares mais bonitos do mundo – além de espécies da fauna – podem sucumbir ao aquecimento global. Um relatório divulgado no dia 5 pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) listou as dez maravilhas naturais que mais seriam afetadas pela escassez de água e a elevação da temperatura.

São elas:

floresta amazônica;

barreiras de corais da Austrália;

salmões selvagens de Bering, no Ártico;

deserto de Chihuahua, entre o México e os Estados Unidos;

tartarugas Hawksbill, que vivem na América Latina e no Caribe;

floresta Valdivia, no Chile e na Argentina;

tigres de Sundarbans, que vivem na Índia;

rio Yangtze, na China; - geleiras do Himalaia;

florestas costeiras do leste da África

Fonte: Ciência Hoje

O mal das ruas


O Mycobacterium tuberculosis, que causa a tuberculose (também conhecido como bacilo de Koch). Incidência da doença é 60 vezes maior entre moradores de rua do que na população em geral, segundo estudo feito na USP


Fábio de Castro

A ocorrência da tuberculose é mais de 60 vezes maior entre os moradores de rua da cidade de São Paulo do que na população em geral. A constatação vem de uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP). No último levantamento feito pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, com dados de 2005, foram registrados 7.906 casos da doença na capital.

Apesar de ser conhecida como “mal do século 19”, a tuberculose não é uma doença do passado. Mesmo com diagnóstico barato e simples, tratamento gratuito e vacina eficaz, ela ainda atinge 2 bilhões de pessoas, quase um terço da população mundial. O novo estudo confirma uma explicação para a contradição: a tuberculose está fortemente associada à pobreza e às más condições sociais. Coordenada por Rubens de Camargo Ferreira Adorno, professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da FSP, a pesquisa, que durou 14 meses, foi apoiada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e contou com recursos do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE). O aluno de doutorado da FSP Walter Varanda é o outro autor do estudo. “O estudo fez parte de uma linha de pesquisa da FSP que trabalha com o desenvolvimento de um modelo de atenção especial. O objetivo era não restringir a pesquisa à epidemiologia da tuberculose entre as populações vulneráveis, mas verificar os problemas do atendimento e do acesso aos serviços de saúde”, disse Adorno à Agência FAPESP.

A equipe trabalhou nas regiões das subprefeituras do Centro e de Pinheiros, que abrigam 65% da população de rua da capital paulista, segundo o censo municipal. “Dividimos essa região em dez setores, a fim de pesquisar os circuitos dessa população. Fizemos um mapeamento dos albergues e locais prováveis de concentração. Observamos também alguns indivíduos dispersos”, disse o pesquisador. A segunda etapa consistiu da aplicação de um questionário e da coleta de escarro. Cada um dos circuitos foi visitado três vezes. Foram aplicados 823 formulários e feitas 300 coletas. “O estudo envolveu uma logística complexa de transporte. Trabalhamos com monitores que tinham sido moradores de rua ou trabalhado com eles”, contou Adorno.
Foram detectados 12 casos de tuberculose em uma amostra de 300 pessoas, indicando uma incidência de 4%. “Os valores são coerentes com a alta incidência de tuberculose entre moradores de rua cadastrados no Programa de Saúde da Família, no âmbito municipal”, disse o pesquisador da FSP. Estima-se que haja 12 mil pessoas em situação de rua na cidade.

A Secretaria Municipal da Saúde registrou, em 2003, uma taxa de 3,36% de casos de tuberculose em um total de 3.270 moradores de rua cadastrados no programa, 67 vezes maior que a ocorrência da doença na população em geral, em torno de 0,05% em mais de 3,3 milhões de cadastrados. Unidade exclusiva de atendimento. O estudo aponta que a rede de assistência social, de maneira geral, é refratária à população de rua. Os moradores de rua, segundo os pesquisadores, sofrem preconceito quando chegam às unidades de atendimento em más condições de higiene, muitas vezes alcoolizados. “A vida sob os viadutos, em condições de alto estresse, torna essas pessoas mais vulneráveis. Por outro lado, o atendimento não chega onde elas estão e o SUS não tem experiência para tratar populações com tais características. As limitações de horários em algumas unidades não são propícias para a realidade do morador de rua. Para eles, um atendimento agendado para dois dias depois é algo impensável”, disse Adorno.

Segundo o pesquisador, o estudo indica que há necessidade de criação de uma unidade de referência em saúde exclusivamente voltada para a população de rua, combinando serviços de higiene e acolhimento terapêutico, em espaço de recepção incondicional. “Seria preciso ter uma equipe de profissionais que trabalhem diretamente nas ruas, intermediando a relação entre moradores de rua e a rede do SUS. Em algumas unidades, encontramos um pessoal técnico extremamente sensibilizado com o atendimento a esse segmento. Mas são pessoas dispersas em um sistema de funcionamento precário”, disse. De acordo com Adorno, algumas instituições sociais, como o Lar de Nazaré e a Toca de Assis, têm serviço diferenciado, com maior sucesso no tratamento da população de rua, oferecendo estrutura física adequada ao abrigo coletivo. “O trabalho deles é muito bom. O problema é que são iniciativas que não estão integradas ao sistema de políticas públicas”, disse. O pesquisador da FSP afirma que falta, no Brasil, uma gestão técnica para a saúde das populações de rua. “Cidades norte-americanas, européias e japonesas mostram preocupação técnica com essas populações em mobilidade. São Paulo não tem tal política pública. Aqui ainda há um abismo entre o sistema e a população”, disse.
O Programa de Equipamentos Multiusuários da FAPESP tem o objetivo de financiar a aquisição de equipamentos de valor bastante elevado e de uso compartilhado por pesquisadores e instituições.

Criado em 1996, como um módulo do Programa de Apoio à Infra-Estrutura de Pesquisa, foi tratado de 1998 a 2002 como um programa especial autônomo. Reativado por meio do edital 02/2004, o Programa de Equipamentos Multiusuários desembolsou mais de R$ 50 milhões em 113 projetos em 2005 e 2006.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Lixo hospitalar é usado no estudo de células-tronco

Fabrício Escandiuzzi

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está aproveitando material que seria destinado ao lixo hospitalar para avançar em pesquisas do campo das células-tronco.

Lixo em muitas maternidades brasileiras, os cordões umbilicais e as placentas estão sendo utilizadas por pesquisadores do Laboratório de Neurobiologia e Hematologia da universidade. A equipe usa material dos partos realizados no Hospital Universitário de Florianópolis e uma das grandes vantagens é que esses tecidos não acarretam problemas éticos e religiosos, como no caso das células-tronco embrionárias. A pesquisa estuda a transformação de dois tipos específicos de células: as hematopoéticas e as mesenquimais. As hematopoéticas estão ligadas ao sangue e servem, por exemplo, para o tratamento de leucemias. Já as mesenquimais são capazes de gerar tecido cardíaco e neural. Esse material tem a capacidade de se transformar em diferentes tecidos e sobre elas estão depositadas esperanças para melhoria do tratamento do câncer, doenças cardíacas e neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer.

O uso de material gerado através do sangue do cordão umbilical já é realizado há algum tempo. O grande problema é que o material obtido é considerado insuficiente para utilização em adultos. "O maior potencial está na terapia em crianças por estarem em estágio primário de desenvolvimento, por terem mais chances de serem bem aceitas pelo receptor em transplantes", diz professor Márcio Alvarez Silva, coordenador do projeto. Ele explica que os pesquisadores se questionaram de onde viriam as células do cordão umbilical e chegaram à placenta. "Nos perguntamos de onde viria esse material e chegamos à placenta. Era o lógico, estava diante dos nossos olhos há muito tempo", conta. "Ali encontramos as células e começamos a encarar a placenta como material de possibilidades clínicas muito interessantes".

Os pesquisadores agora estão estudando as células geradas pela placenta in vitro e em testes em animais e ovos de aves. As células-tronco de cordão umbilical e da placenta são injetadas nos vasos sanguíneos dos ovos e eles observam sua capacidade de reconhecer pontos específicos. Os estudos com células-tronco mesenquimais usando ovos de aves são pioneiros no Brasil e o grande desafio, segundo Alvarez, é a célula reconhecer o local para onde deve agir. Márcio diz ser muito interessante encontrar num material que era destinado ao lixo hospitalar, a esperança para diversos problemas clínicos. "Era um material descartado que pode ser usado em tratamento de doenças e regeneração de tecidos", afirma, acrescentando que vários outros estudos estão sendo realizados. "Iremos acompanhar o desenvolvimento dessas células para que ela seja tratada como medicamento de fato".

O custo de um enxerto ou transplante de medula óssea gira em torno de R$ 70 mil. O sistema de produção de células e a sua amplificação in vitro custam aproximadamente R$ 2 mil, segundo o professor Márcio. "É uma economia imensa para o Ministério da Saúde".

Fonte: Redação Terra

Merkel não crê em concessões dos EUA sobre clima

A chanceler alemã Angela Merkel, cujo país preside a União Européia (UE) este semestre, disse que não espera grandes concessões dos Estados Unidos sobre a questão da proteção climática. "Não espero que os Estados Unidos adotem os objetivos europeus sobre a proteção climática", declarou Merkel ao jornal Muenchener Merkur, ao comentar a reunião UE-EUA de 30 de abril em Washington.

No entanto, Merkel saudou o crescente sentimento de responsabilidade comum sobre o tema. "Em alguns pontos, como a utilização de combustíveis biológicos, os Estados Unidos superam os objetivos europeus", destacou a chanceler. Merkel espera abordar o problema do aquecimento global na reunião de cúpula do G8 (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), que contará com a presença de cinco países emergentes (Brasil, México, China, Índia e África do Sul), em junho na cidade alemã de Heiligendamm. A UE se comprometeu em março com uma série de metas para combater o aquecimento global, com esforços particulares na área de energias renováveis.

Fonte: AFP

Poluição gera esterilidade em esturjão e espécie pode sumir do rio Yang Tsé

A esterilidade causada pela poluição tornou-se uma das maiores ameaças à sobrevivência do esturjão chinês, espécie que pode desaparecer em 10 anos de seu habitat no rio Yang Tsé, informou hoje uma rádio chinesa.

"Os poluentes tiveram impacto na fecundidade e causaram um significativo desequilíbrio de gêneros. As gônadas se degeneraram e a vida do esperma, que costumava ser de até 30 minutos, é agora de menos de cinco minutos", afirmou Liu Denghong, do Instituto de Pesquisa sobre o Esturjão Chinês. Atualmente, apenas 500 exemplares desta espécie pré-histórica vivem no rio mais longo do país asiático e um dos mais poluídos do mundo, apesar das campanhas de repovoamento realizadas com peixes criados em cativeiro desde 1983.
A última, e uma das maiores, foi realizada no domingo, quando foram libertados em 11 pontos da corrente do rio 110 mil exemplares de esturjão. Os especialistas acreditam que esta campanha terá melhores resultados que as anteriores.

"Os exemplares soltos foram criados em águas com uma qualidade semelhante à do rio, e devem se adaptar em breve", disse Li Luoxin, especialista do Instituto de Conservação do rio Yang Tsé, citado pela agência oficial "Xinhua". Caso a situação não mude, o esturjão chinês (Acipenser sinensis), que existe há mais de 140 milhões de anos, seguirá o caminho de um tipo de golfinho cuja extinção funcional foi anunciada há alguns meses. Outras espécies enfrentam o mesmo risco no Yang Tsé, que recebe 3 mil toneladas de águas residuais todos os dias e cujo nível de água diminuiu de forma alarmante nos últimos tempos.

Fonte: Agência EFE

Ibama promoverá audiências públicas sobre a construção da hidrelétrica de Tijuco Alto em maio

Gustavo Rick

O Ibama marcou para os dias 18,19,20 e 21 de maio as audiências públicas para discutir o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental da hidrelétrica de Tijuco Alto com a população dos municípios atingidos. Caso o projeto seja considerado ambientalmente viável, a hidrelétrica será construída na divisas do estado de São Paulo com o Paraná, nos municípios de Ribeira (SP) e Adrianópolis (PR) e terá a potência de 75 MW. O empreendimento vai atingir outros três municípios: Itapirapuã Paulista, em São Paulo; Cerro Azul e Doutor Ulysses, no Paraná. Confira abaixo os dias e locais das audiências públicas.

Dia 18/05/2007 – Distrito de Cerro AzulLocal: Ginásio de Esportes Laranjinha

Dia: 19/05/2007 – Distrito de Ribeira Local: Ginásio de esportes de Ribeira - Endereço: Avenida Cândido Dias Batista, s/n – Centro - Horário: 14h

Dia: 20/05/2007 – Distrito de Adrianópolis Local: Quadra Esportiva Deputado Aníbal Cury -Endereço: Rua Alcides Dias Batista, esquina coma a Rua Benedito Dias Batista - Centro - Horário: 14h

Dia: 21/05/2007 – Distrito de Eldorado Local: Clube Recreativo de Eldorado - CRE - Endereço: Estrada Caverna do Diabo, Km 01 - Horário: 14h

Fonte: Ibama

Acidentes com aranhas no Rio de Janeiro aumentaram 350% em quatro anos

Alessandro Pereira

Com o título Perfil dos acidentes por animais peçonhentos no Estado do Rio de Janeiro no período de 2001 a 2005, a pesquisa desenvolvida por Rosany Bochner e Rosane Abdala, ambas do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fiocruz, conquistou o segundo lugar entre os trabalhos sobre doenças por artrópodos e animais peçonhentos apresentados no 43º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, promovido em Campos do Jordão (SP). O estudo, organizado em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), o Instituto Vital Brazil e a Secretária de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, teve como base os dados divulgados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.

O estudo revela que as aranhas apresentaram os maiores índices de aumento nos registros, o que representa uma mudança no perfil dos acidentes. Os dados de 2005 mostram que houve uma elevação de 350% em relação ao número de casos ocorridos em 2001. Mesmo assim, as serpentes permanecem na liderança sendo responsáveis por mais da metade dos acidentes. Os escorpiões seguem em segundo lugar, causando um em cada quatro acidentes com animais peçonhentos. Além de uma melhoria na notificação dos casos, Rosany Bochner acredita que mudanças ambientais, como a urbanização desordenada e o desflorestamento, sejam os possíveis responsáveis pela modificação nas características dos acidentes durante o período analisado.

Fonte: Agência Fiocruz

Proteômica abre novas perspectivas para compreensão e controle do dengue

Fernanda Marques

Uma pesquisa da Fiocruz vai ajudar a compreender melhor os processos envolvidos na patologia do dengue. O estudo pode, no futuro, contribuir para o aperfeiçoamento das técnicas de diagnóstico e prognóstico, assim como para o desenvolvimento de uma droga específica para a doença. No mestrado em biologia parasitária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), a bióloga Lidiane Martins de Albuquerque identificou dez proteínas plasmáticas (da parte líquida do sangue) que são expressas de forma diferenciada por pacientes com dengue, se comparados a pessoas saudáveis. A participação dessa dezena de proteínas nos mecanismos do dengue constitui uma novidade, na medida em que ainda não havia sido descrita na literatura científica.

Lidiane fez uma análise proteômica do plasma, isto é, verificou quais proteínas eram expressas pelos pacientes com dengue e comparou-as às das pessoas saudáveis. Para essa análise, foram coletadas amostras de sangue de 13 pacientes com dengue grave e de igual número de indivíduos saudáveis. Foram retiradas das amostras as células do sangue e também as seis proteínas mais abundantes do plasma, como albumina e IgG. O material restante foi submetido a duas técnicas: a eletroforese de fluorescência diferencial em gel 2D (DIGE) e a espectrometria de massas. A primeira técnica serviu para separar as proteínas e a segunda, para identificá-las. Das proteínas diferenciais detectadas por Lidiane, cinco tiveram sua expressão aumentada e as outras cinco apresentaram níveis reduzidos nos pacientes com dengue. “A literatura científica, em geral, descreve que, no dengue, estão envolvidas proteínas conhecidas como citocinas, mas não fomos capazes de detectar nenhuma delas com a metodologia empregada”, diz. “As proteínas diferenciais identificadas podem estar relacionadas ao processo inflamatório desencadeado na infecção pelo vírus do dengue e/ou indicar mecanismos de reparo do dano vascular causado pela doença”, explica Lidiane, que foi orientada pelos pesquisadores Jonas Perales e Ana Gisele C. Neves Ferreira.

Os ensaios foram feitos no Laboratório de Toxinologia do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica do IOC, que conta com equipamentos de ponta para a realização das técnicas. No caso da espectrometria de massas, o laboratório dispõe de um aparelho de última geração, o único existente na América Latina. O MALDI-TOF-TOF, modelo 4700, é utilizado em diversos projetos da Fiocruz e da Rede Proteômica do Rio de Janeiro, vinculada à Faperj. A pesquisa de Lidiane durou quatro anos. O projeto teve início quando ela ainda era bolsista de iniciação científica e continuou ao longo de seu curso de mestrado. “Na primeira etapa, fiz a padronização das técnicas, de modo a otimizá-las para o que eu queria estudar”, lembra. Embora tenha analisado poucas amostras – 26 ao todo –, o objetivo de Lidiane foi alcançado. “Estamos diante de dez proteínas que devem ter um papel importante no dengue. A partir desses resultados, podemos fazer outros estudos específicos sobre cada uma delas”, afirma.

As técnicas proteômicas de fluorescência diferencial e espectrometria de massas usadas são caras, o que limita a análise de uma quantidade maior de amostras. “Contudo, essas técnicas revelam o caminho a seguir. Pesquisas posteriores, com metodologias mais rotineiras e maior número de amostras, poderão revelar, por exemplo, se alguma das proteínas diferenciais que encontramos é um bom marcador biológico para diagnóstico do dengue ou até um bom alvo terapêutico”, sugere. Segundo o pesquisador Jonas Perales, a análise proteômica realizada por Lidiane para o caso do dengue pode ser repetida para uma variedade de outras doenças, o que abre muitas perspectivas de pesquisas.

Fonte: Agência Fiocruz

Embrapa lança Prêmio de Reportagem 2007

Com o tema “O Brasil e a Agricultura Tropical: Liderança Movida a Conhecimento”, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, lança no dia 23 de abril a edição 2007 do Prêmio Embrapa de Reportagem. A premiação tem entre seus objetivos reconhecer trabalhos jornalísticos que se destaquem por haver tornado acessíveis ao público informações geradas pela pesquisa agropecuária.

Esta é a 11ª edição do prêmio. Em edições anteriores já foram premiados jornalistas da Folha de São Paulo, da Rádio Jovem Pan, da Gazeta Mercantil, da Rede Globo; do Zero Hora e do Canal Rural, entre outros. A equipe da Agência Safras foi a primeira a receber a premiação na categoria Internet, incluída na edição do ano passado. O Prêmio Embrapa de Reportagem 2007 conta com o patrocínio da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (CNA/SENAR), e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Regulamento

Podem participar matérias que se adeqüem ao tema, veiculadas por meios de comunicação com sede no Brasil no período de 1º de julho de 2006 a 15 de agosto de 2007. As inscrições serão recebidas até 15 de agosto de 2007 e podem ser realizadas pessoalmente ou por correio. São quatro categorias: Impresso, TV, Rádio e Internet. A Comissão Julgadora será composta por, no mínimo, cinco jornalistas, estando incluídos um representante da Embrapa e um de cada patrocinador. O julgamento será feito mediante notas atribuídas pelos membros da a cada um dos trabalhos inscritos em sua categoria. Os resultados serão divulgados até o dia 10 de setembro de 2007. A Embrapa e seus parceiros concederão ao primeiro colocado de cada categoria prêmio no valor bruto de R$10 mil. A íntegra do regulamento está disponível no site www.embrapa.br.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Embrapa

Homens estressados, doenças à vista?

João Gabriel Rodrigues

Estresse causa mais alterações imunes e hormonais na população masculina do que na feminina

Uma recente pesquisa realizada no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo mostra que homens, ao lidarem com situações de estresse agudo, sofrem mais alterações no sistema imune do que as mulheres. Os resultados sugerem que essas mudanças podem estar relacionadas a variações hormonais – também observadas nos testes – e que a população masculina ficaria mais suscetível a doenças do que a feminina após períodos estressantes. O estudo, desenvolvido pela psicóloga Alessandra Faustino em sua tese de doutorado, tinha como ponto de partida investigar os motivos que levam uma pessoa a adoecer ao passar por algum tipo de estresse.

Para isso, dois grupos – um com 13 pessoas (sete mulheres e seis homens) com diagnóstico de fobia social e outro com 19 (sete mulheres e 12 homens) sem qualquer patologia psiquiátrica – foram submetidos a momentos de estresse e monitorados. Os participantes tiveram que falar sobre diferentes situações estressantes em frente a uma câmera. Durante os testes, eles permaneciam com um cateter intravenoso para coleta de sangue e conectados a eletrodos, para que dados como pressão, temperatura e freqüência cardíaca fossem medidos. Segundo Faustino, os testes eram realizados de modo que o estresse dos participantes fosse maximizado. “No início, o tom da minha voz e minha atitude eram mais amenos e amistosos, mas, durante o procedimento, adotava uma postura mais firme e seca”, relata. As principais diferenças observadas entre os dois grupos estavam relacionadas ao aspecto psicológico. “Os pacientes com fobia social sentiam-se tão incomodados com a situação que deixavam de se concentrar na tarefa proposta e focavam-se nos próprios sintomas (coração acelerado e sudorese). Já os voluntários sem patologia, ainda que tivessem apresentado os mesmos sintomas, preocupavam-se com a tarefa de falar em público”, conta a pesquisadora. Comparação surpreendente A grande surpresa, no entanto, ocorreu na comparação entre os sexos.

Os homens sofreram mais alterações em seu sistema imune do que as mulheres. A variação mais freqüente foi a diminuição no número de células responsáveis pela resposta imune específica (forma mais eficaz e mais demorada de combate a agressões sofridas pelo organismo) e aumento nos parâmetros responsáveis pela imunidade inata, primeira forma de autodefesa do corpo, mas menos eficiente. Segundo Faustino, as mudanças no sistema imune estão relacionadas a alterações nos níveis dos hormônios ACTH (que controla a liberação do hormônio cortisol) e noradrenalina. O experimento afetou a porcentagem de células NK (responsáveis por combater vírus e células cancerosas) no sangue, o que está associado à liberação de adrenalina e noradrenalina – fortemente influenciada pelas reações emocionais dos participantes. Os testes também interferiram nas taxas de cortisol, que tiveram um pico durante o período de estresse, independentemente do sexo ou dos grupos estudados. A maior liberação do hormônio, no entanto, ocorreu nos homens. “Mas o aumento verificado não ultrapassou os índices considerados normais, o que pode ser parcialmente explicado pelo fato dessas situações terem sido simuladas em laboratório”, ressalta.

A psicóloga explica que o ACTH e o cortisol atuam no direcionamento de recursos nutricionais e energéticos para os diversos sistemas do organismo e são fundamentais para que, em momentos de estresse, ele esteja pronto para reagir. Mas, quando o corpo é exposto a níveis de cortisol superiores ao normal por períodos prolongados, os efeitos tornam-se prejudiciais. Sua ação sobre o sistema imune é geralmente inibitória e provoca uma baixa na atividade imunológica, permitindo o surgimento de doenças. Ainda há dúvidas sobre as maneiras pelas quais o organismo de cada sexo se adapta às alterações provocadas pelo estresse e como isso interfere na suscetibilidade a doenças. Segundo a pesquisadora, novos estudos, especialmente em situações reais, devem ser feitos para o melhor entendimento dos efeitos do estresse no organismo humano.

Fonte: Ciência Hoje

Meio Ambiente celebra Caatinga com série de seminários

Transmissão ao vivo (partir das 15h), clique aqui

Adriano Ceolin

O Ministério do Meio Ambiente promove, de hoje (23) a sexta-feira (27), a Semana da Caatinga. Série de eventos que servirá para celebrar o bioma que abrange 10 estados brasileiros - nove do Nordeste e um do Sudeste (Minas Gerais). O evento será aberto pela ministra Marina Silva, em solenidade marcada para as 15 horas desta segunda (23), no auditório do edifício-sede do Ibama. A solenidade e demais seminários serão transmitidos ao vivo pela internet. Para assistir basta acessar o site www.mma.gov.br.

Em seguida, está prevista a entrega do prêmio Bioma Caatinga 2007 ao professor e doutor Paulo Nogueira Neto. E, depois, a entrega do prêmio Asa à Fundação Museu do Homem Americano (Fundham) e ao engenheiro Francisco Barreto Campelo. Ainda na solenidade de abertura da Semana, o professor Ronaldo Morato, do Cenap, fará uma palestra cujo tema é a Conservação de Felinos na Caatinga do São Francisco. Depois, a ministra Marina Silva assinará a portaria de criação do grupo de trabalho sobre Corredor das Onças da Caatinga e lançará o Plano de Turismo Sustentável na Bacia do São Francisco.

O cronograma de seminários e palestras terá início na manhã do dia 24, no auditório do edifício sede do Ibama. Com o título Conservação e Manejo Florestal no Bioma Caatinga, quatro especialistas vão debater temas diversos como o impacto das mudanças climáticas, o mapeamento da vegetação nativa e a importância do manejo sustentável. No período da tarde do dia 24, a Embaixada da Suíça vai abrigar duas palestras sobre a Caatinga. No dia 25, além da continuidade da programação de seminários, está prevista a exibição do filme "As fulô do sertão - as mulheres das Caatingas fazendo econegócios".

A Semana da Caatinga conta com o apoio da Embaixada da Suíça. Pelo MMA, são organizadores o Projeto GEF Caatinga, a Diretoria de Áreas Protegidas, o Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco e a Diretoria de Ecossistemas do Ibama. As organizações não-governamentais Agendha e a TNC, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Conselho da Reserva da Biosfera da Caatinga também apóiam o evento.

Confira programação da Semana da Caatinga

Fonte: MMA

Liberada a caça aos ursos


Os ursos estão cada vez mais longe de focas e morsas, que são as suas presas naturais


Natália Rangel


Rússia legaliza caçada para proteger apopulação contra os ataques de ursos famintos devido ao aquecimento global

Knut está doente. Trata-se do ursinho polar que comoveu o mundo ao ser rejeitado pela mãe, ameaçado de morte pelos próprios ambientalistas que alegavam que ele estava sendo criado com muito mimo e acabou salvo pelo governo alemão que proibiu sua execução. Knut está estressado e, segundo os veterinários, precisa de descanso. Enquanto repousa num zoológico em Berlim, ganhou atenção especial da ONU que o transformou na semana passada em um dos símbolos oficiais de proteção aos ursos. A primeira resposta desafiadora a essa iniciativa veio da Rússia: o governo anunciou a legalização da caça aos ursos polares no país, sob a alegação de que está “resgatando uma tradição secular” que foi banida há cinco décadas justamente para preservar essa espécie da extinção.

O argumento da “tradição” não convenceu e despertou protestos de ambientalistas de todo o mundo. Vieram então mais duas explicações. No campo teórico, o governo diz que assim controlará a matança clandestina. No terreno do pragmatismo, afirma que está protegendo os habitantes do extremo norte do país de serem atacados e mortos pelos animais – desde 2003, três pessoas morreram em ataques de ursos polares famintos. Na verdade, esse é de fato o motivo da legalização da caça e expõe um outro grave problema ambiental: o degelo conseqüente do aquecimento global. Focas e morsas estão vivendo cada vez mais próximas ao continente e os ursos, que delas se alimentam, têm de nadar longas distâncias de seu habitat para alcançá-las. A reação em cadeia natural ficou assim estabelecida: matam-se ursos, que estão com dificuldade de matar suas presas, para que eles não matem pessoas – o que não pode mesmo acontecer.

A caça legal determina que apenas 40 ursos podem ser abatidos anualmente, reduzindo em cerca de 60 o número de animais que vêm sendo mortos de forma clandestina – estima-se que haja aproximadamente 25 mil no planeta. Com a nova lei, no entanto, a questão pode estar contornada, mas não resolvida. Os próprios moradores do vilarejo de Vankarem, que já foi atacado, não acreditam que a legalização impedirá a ação de caçadores clandestinos nem a invasão de animais em busca de alimentos. “Não há como colocar um policial diante de cada urso”, diz o biólogo Vladimir Mikhailov. Assim, diante de um colapso ambiental onde um problema puxa o outro, sorte mesmo teve Knut, que viverá em paz no zoológico de Berlim.

Fonte: Isto É

Abordagem dupla

Um grupo de 15 pacientes com diabetes tipo 1 recebeu um tratamento que incluiu altas doses de quimioterapia e o transplante de células-tronco originárias de suas próprias medulas ósseas. O resultado foi animador: 14 deles ficaram, até agora, independentes das altas doses diárias de insulina que recebiam, uma vez que seus organismos voltaram a produzir a substância.

O estudo, cujos resultados foram publicados na edição desta quarta-feira (11/4) do Journal of the American Medical Association (Jama), foi realizado por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.
Coordenada por Julio Voltarelli, a equipe teve colaboração de Richard Burt, da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. O diabetes tipo 1, também conhecido como diabetes juvenil ou insulino-dependente, atinge cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil. Segundo Voltarelli, a doença corresponde a, no máximo, 10% dos casos de diabetes, mas é justamente o tipo mais grave, principalmente para crianças. “Ainda é muito cedo para se falar em cura. Como constatamos a ausência de efeitos colaterais, pretendemos agora ampliar o número de testes e tentar a terapia em crianças, que são o principal foco de interesse”, disse Voltarelli à Agência FAPESP.

De acordo com o imunologista, o estudo, iniciado no fim de 2003, foi feito com pacientes entre 12 e 35 anos. Todos estavam em estágio inicial da doença, até seis semanas após o diagnóstico. “Nessa fase, eles ainda têm uma reserva de células produtoras de insulina no pâncreas”, explicou o pesquisador. O primeiro passo foi submeter os pacientes a uma imunossupressão, isto é, receberam altas doses de drogas que desativam o sistema imunológico, impedindo-o de atacar as células do pâncreas. “O diabetes tipo 1 faz com que as próprias células do sistema de defesa do corpo ataquem as que estão no pâncreas e são especialistas na produção de insulina”, disse Voltarelli. Com o sistema imune “desligado”, foram injetadas no sangue de cada paciente células-tronco de seu próprio corpo. O transplante possibilitou a reconstituição da medula e do sistema imunológico do doente, após receber agressiva quimioterapia. “Com isso, conseguimos uma recuperação rápida do sistema imune, de até nove dias. Após o transplante, o sistema foi reconstruído de modo a não atacar mais o pâncreas. A maioria dos pacientes ficou livre da insulina”, disse o pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Livre das injeções?

Voltarelli destaca, no entanto, que o estudo não revela uma cura para o diabetes, embora aponte um caminho para futuras terapias. “Ainda não sabemos quanto tempo vai durar o efeito. Os pacientes serão acompanhados ao longo de toda a vida”, disse. O acompanhamento dos pacientes feito até agora variou entre sete e 36 meses. “O primeiro deles foi o único que não teve tratamento bem-sucedido e voltou a usar insulina um ano após o transplante. Mudamos um pouco os parâmetros e os outros 14 pacientes ficaram independentes da insulina”, disse o imunologista. Um dos pacientes está livre das injeções de insulina há 35 meses, quatro há pelo menos 21 meses e sete há mais de seis meses. Dois deles, com resposta mais tardia, ficaram independentes da insulina por um e cinco meses, segundo o estudo. Houve efeitos colaterais em apenas três pacientes – um teve pneumonia e dois tiveram disfunções endócrinas.

O artigo Autologous nonmyeloablative hemaopoietic stem cell transplantation in newly diagnosed type 1 diabetes mellitus, de Julio Voltarelli e outros, pode ser lido por assinantes do Jama em jama.ama-assn.org.

Fonte: Agência Fapesp

Educação ambiental ganha portal

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou, na semana passada, o Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental (Sibea), voltado especialmente a educadores.
O portal permite ao educador conhecer redes em educação ambiental, obter informações e encontrar outros profissionais da área, instituições e materiais pedagógicos.

Elaborado pela diretoria de educação ambiental do MMA e pelo Instituto Stela, o Sibea faz parte do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima) e tem como proposta servir como ferramenta de mobilização social para o desenvolvimento e o fortalecimento de ações de educação ambiental no Brasil. “O Sibea é um sistema público, não governamental. É de toda a sociedade. Não tenho dúvidas de que a tecnologia a ser manejada será importante fator de promoção da educação ambiental, pela capacidade de integração de todas as pessoas preocupadas com a questão”, disse a ministra Marina Silva.“Além do baixo custo, o sistema pode ser amplamente utilizado, promovendo amplo acesso e integração das redes”, disse Claudio Langone, secretário executivo do MMA. Segundo ele, o MMA e a sociedade também devem utilizar o Sibea para aumentar o nível de interlocução do setor de educação ambiental com o conjunto das políticas ambientais do país.

“Temos pela frente o desafio de afirmar o Sibea, mas também de pensar que ele deve ser um meio não só de fortalecer a integração de educadores ambientais, mas de fortalecer a relação destes com um conjunto mais amplo da gestão da política ambiental do Brasil”, disse Langone.
Sibea: sibea.mma.gov.br

Fonte: Agência Fapesp

Resfriamento global?


Estudo revela que desmatamento em escala global pode produzir efeito de resfriamento do clima. Segundo cientistas, reflorestamento só ajudaria a mitigar aquecimento global quando feito em baixas latitudes


O desmatamento dá uma contribuição incontestável para o aquecimento global? Nem sempre, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores franceses e norte-americanos e publicado hoje no site da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
Os autores realizaram simulações de desmatamento utilizando um modelo global 3-D do ciclo de carbono e do clima, representando interações físicas e biogeoquímicas entre a terra, a atmosfera e o oceano. Os resultados sugerem que o desmatamento em escala global produz um claro efeito de resfriamento.

Os pesquisadores não contestam que o desmatamento envia grandes quantidades de CO2 à atmosfera, exercendo uma influência de aquecimento no clima da Terra. No entanto, diz o estudo, os efeitos biofísicos do desmatamento – como mudanças no índice de reflexividade da terra, evapotranspiração e cobertura de nuvens – também afetam o clima. O efeito de aquecimento causado pelo ciclo de carbono e pelo desmatamento, diz a pesquisa, é sobrepujado pelo efeito de resfriamento associado com mudanças na reflexividade e na evapotranspiração.
O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (Estados Unidos), do Departamento de Ecologia Global da Carnegie Institution (Estados Unidos) e da Universidade de Montpellier (França).

Experimentos voltados para o desmatamento em latitudes específicas indicaram que, embora os esforços de reflorestamento nos trópicos possam reduzir o aquecimento global, projetos semelhantes nas regiões temperadas poderiam trazer apenas benefícios menores.
Os cientistas advertem que o desmatamento tem diferentes conseqüências globais e locais, produzindo principalmente esfriamento local por clarear a superfície da Terra, mas esquentando o resto do planeta ao emitir CO2. Embora os resultados questionem a eficácia dos projetos de reflorestamento em regiões temperadas para fins de mitigação do aquecimento global, os cientistas frisam que as florestas continuam sendo valiosas fontes de recursos ambientais por diversas razões não relacionadas com o clima. “A destruição de ecossistemas para prevenir o aquecimento global seria uma estratégia perversa e contraproducente”, dizem.

O artigo Combined Climate and Carbon-Cycle Effects of Large-Scale Deforestation, de Govindasamy Bala e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em www.pnas.org.


Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Aumento de risco de malária e dengue com aquecimento global exigirá atenção redobrada, alerta pesquisador

Irene Lôbo e Luana Karen

Um dos prognósticos contidos no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), cuja segunda parte foi divulgada ontem (6), é que a Terra poderá ficar até 4 graus mais quente até 2050. Esse aumento de temperatura poderá trazer problemas para a saúde humana. De acordo com o pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Luiz Tauil, é provável que o aquecimento aumente a proliferação de insetos vetores, como os que causam malária e dengue.

De acordo com o pesquisador, as regiões que já têm as condições adequadas para o desenvolvimento dos mosquitos, como Norte e Nordeste, não sentirão tanto o aumento na quantidade de insetos. Por outro lado, regiões que praticamente não têm doenças transmitidas por vetores, como a Sul, vão sentir o aumento dos mosquitos. Tauil explica que o mosquito da dengue já está bem adaptado ao cenário urbano e ao calor excessivo, o que torna mais difícil o seu controle. Já o mosquito que transmite a malária está restrito a uma área endêmica, ou seja, a floresta amazônica. No caso da dengue, ele afirma que a grande esperança para combater a doença é a descoberta de uma vacina.

Enquanto a vacina não vem, o pesquisador atribui a responsabilidade de combater a dengue às ações do governo e da população para eliminar os criadouros de mosquitos. “Do governo, a necessidade de garantir abastecimento regular de água, coleta regular de lixo, limpeza de cemitérios, vigilância em borracharias, vigilância em depósitos de ferro velho, isso por parte do governo", diz ele. "Por parte da população, é fundamental que não acumule recipientes em casa que favorecem a presença de água, isso é fundamental. Então, os quintais têm que ser bem limpos, não jogar recipientes em terrenos baldios, manter os seus vasos de flores com água trocada semanalmente e com isso ela diminui a possibilidade de desenvolvimento do mosquito”, finaliza. Já no caso da malária, doença restrita à região amazônica, Tauil recomenda que se evite o contato com o mosquito. “Nessas áreas existem possibilidades, além das ações do governo de controle com a aplicação de inseticida, eliminação, redução de criadouros, existe a possibilidade do uso de repelente, ou dormir com mosquiteiro impregnado com inseticida e manter as suas casas teladas.”

Fonte: Agência Brasil

Economia da boa saúde

Thiago Romero

A prática regular de exercícios físicos pode ser responsável pela economia de 36% dos custos com o tratamento da hipertensão arterial, considerada um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares. A economia para o Sistema Único de Saúde (SUS) seria de estimados R$ 28,8 mil para cada grupo de cem pacientes.

Essa é a conclusão de pesquisa realizada por Sandra Lia do Amaral e Henrique Luiz Monteiro, professores do Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Bauru, e por Livia de Castro Rolim, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu, também da Unesp. O estudo, intitulado Hipertensão e exercício: custos do tratamento ambulatorial, antes e após a adoção da prática regular e orientada de condicionamento físico, reuniu informações sobre o custo do tratamento de hipertensos, que foram acompanhados em ambulatório 12 meses antes e 12 meses após serem submetidos à rotina regular de exercícios físicos.

Os pesquisadores colheram informações dos prontuários clínicos de 31 pacientes do Núcleo de Saúde Otavio Rasi, em Bauru, no interior paulista, que aderiram ao Projeto Hipertensão, programa de condicionamento físico desenvolvido pela Unesp e pela Secretaria de Saúde do Município de Bauru. Com o auxílio de graduandos do curso de educação física, séries de exercícios físicos foram prescritas aos pacientes. “Eles foram submetidos a exercícios aeróbios, de resistência, de coordenação e alongamentos, duas horas por dia, três vezes por semana”, disse a coordenadora do estudo, Sandra Lia do Amaral, à Agência FAPESP. “Peso, altura, massa corporal, pressão arterial e freqüência cardíaca também foram informações coletadas.”
Os pesquisadores se basearam nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, que indicam procedimentos para medição da pressão arterial e freqüência cardíaca. Antes e após os exercícios físicos foram calculados os recursos financeiros empregados pelo SUS no tratamento dos pacientes, com valores referentes a consultas médicas, exames clínicos laboratoriais e medicamentos prescritos. Os resultados mostraram redução de 28% dos custos relacionados às consultas, de 45% nas despesas com exames e de 25% na distribuição de medicamentos, “devido principalmente à queda da pressão arterial dos indivíduos”, segundo Sandra.

De acordo com informações do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), cerca de 80% das internações hospitalares por problemas cardiovasculares no país estão relacionadas à hipertensão arterial. “Há um consenso entre a comunidade científica a respeito da eficácia da atividade física para o tratamento de diversas doenças. A implantação de programas de exercícios em núcleos de saúde é importante tanto para otimizar os gastos como também para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, disse Sandra.
O trabalho será publicado na próxima edição da revista Hipertensão, editada pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

Fonte: Agência Fapesp

domingo, 8 de abril de 2007

Estudo da Embrapa mostra que resíduos de esgoto podem ser usados na agricultura

Paula Renata

Um estudo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados mostra que os resíduos do lodo do esgoto de estações de tratamento sanitário podem ser usados como fertilizante na produção de grãos, reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e em culturas permanentes.

Segundo a pesquisa, os resíduos, ricos em material orgânico e em nutrientes, apresentam vantagem econômica, sanitária, e ambiental. O levantamento avaliou os parâmetros agronômicos, sanitários e ambientais da reciclagem desse material em culturas de milho, soja e pastagens. O pesquisador José Eurípedes da Silva, um dos envolvidos no estudo, explica como é feito o processo. “O milho produzido na roça se transforma em farinha, que se transforma em alimentos, que são excretados pelo homem. Isso vai para estação de tratamento, e nós buscamos retornar parte desses nutrientes que não foram absorvidos pelo corpo humano para produzir fertilizantes, que vão produzir novos alimentos, fechando, assim, o ciclo”.

Em Brasília (DF), por exemplo, a produção atual de lodo de esgoto é de 400 toneladas. O estudo levanta a possibilidade de uso desse material como fertilizantes na produção de grãos no Distrito Federal. Além da questão econômica, Silva ressalta a vantagem ambiental. “Essa é idéia: reaproveitarmos o que for possível e reduzirmos o lixo que deixamos na natureza”, observa. "A reciclagem, inclusive, é um dos propósitos da Agenda 21, definida da Eco Rio 92".

Fonte: Agência Brasil

Japão fará arroz resistente à falta de água

O Ministério da Agricultura do Japão anunciou ontem que desenvolverá um novo tipo de arroz resistente ao calor e à falta de água, em antecipação a períodos de escassez ocasionados pelo aquecimento global.

A medida faz parte de um estudo que prevê quedas na produção de arroz e perdas de florestas se os níveis de dióxido de carbono na atmosfera duplicarem e aumentar o nível de mercúrio, segundo a agência Kyodo.Regiões no centro e no oeste do Japão perderão até 40% de seus cultivos de arroz devido ao aquecimento global, mas algumas das zonas setentrionais verão aumentar suas colheitas do grão, diz o estudo.O aumento da temperatura deslocará as zonas aptas para o cultivo de frutas para o norte do arquipélago japonês, enquanto, nas atuais regiões produtoras, as frutas sofrerão deterioração ou descoloração.

Segundo a informação, no final deste século, as emissões de dióxido de carbono serão de entre 1,3 e 3,3 vezes os níveis atuais, elevando as temperaturas atuais em até 6,4 graus.

Fonte: EFE