segunda-feira, 23 de abril de 2007

Poluição gera esterilidade em esturjão e espécie pode sumir do rio Yang Tsé

A esterilidade causada pela poluição tornou-se uma das maiores ameaças à sobrevivência do esturjão chinês, espécie que pode desaparecer em 10 anos de seu habitat no rio Yang Tsé, informou hoje uma rádio chinesa.

"Os poluentes tiveram impacto na fecundidade e causaram um significativo desequilíbrio de gêneros. As gônadas se degeneraram e a vida do esperma, que costumava ser de até 30 minutos, é agora de menos de cinco minutos", afirmou Liu Denghong, do Instituto de Pesquisa sobre o Esturjão Chinês. Atualmente, apenas 500 exemplares desta espécie pré-histórica vivem no rio mais longo do país asiático e um dos mais poluídos do mundo, apesar das campanhas de repovoamento realizadas com peixes criados em cativeiro desde 1983.
A última, e uma das maiores, foi realizada no domingo, quando foram libertados em 11 pontos da corrente do rio 110 mil exemplares de esturjão. Os especialistas acreditam que esta campanha terá melhores resultados que as anteriores.

"Os exemplares soltos foram criados em águas com uma qualidade semelhante à do rio, e devem se adaptar em breve", disse Li Luoxin, especialista do Instituto de Conservação do rio Yang Tsé, citado pela agência oficial "Xinhua". Caso a situação não mude, o esturjão chinês (Acipenser sinensis), que existe há mais de 140 milhões de anos, seguirá o caminho de um tipo de golfinho cuja extinção funcional foi anunciada há alguns meses. Outras espécies enfrentam o mesmo risco no Yang Tsé, que recebe 3 mil toneladas de águas residuais todos os dias e cujo nível de água diminuiu de forma alarmante nos últimos tempos.

Fonte: Agência EFE

Ibama promoverá audiências públicas sobre a construção da hidrelétrica de Tijuco Alto em maio

Gustavo Rick

O Ibama marcou para os dias 18,19,20 e 21 de maio as audiências públicas para discutir o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental da hidrelétrica de Tijuco Alto com a população dos municípios atingidos. Caso o projeto seja considerado ambientalmente viável, a hidrelétrica será construída na divisas do estado de São Paulo com o Paraná, nos municípios de Ribeira (SP) e Adrianópolis (PR) e terá a potência de 75 MW. O empreendimento vai atingir outros três municípios: Itapirapuã Paulista, em São Paulo; Cerro Azul e Doutor Ulysses, no Paraná. Confira abaixo os dias e locais das audiências públicas.

Dia 18/05/2007 – Distrito de Cerro AzulLocal: Ginásio de Esportes Laranjinha

Dia: 19/05/2007 – Distrito de Ribeira Local: Ginásio de esportes de Ribeira - Endereço: Avenida Cândido Dias Batista, s/n – Centro - Horário: 14h

Dia: 20/05/2007 – Distrito de Adrianópolis Local: Quadra Esportiva Deputado Aníbal Cury -Endereço: Rua Alcides Dias Batista, esquina coma a Rua Benedito Dias Batista - Centro - Horário: 14h

Dia: 21/05/2007 – Distrito de Eldorado Local: Clube Recreativo de Eldorado - CRE - Endereço: Estrada Caverna do Diabo, Km 01 - Horário: 14h

Fonte: Ibama

Acidentes com aranhas no Rio de Janeiro aumentaram 350% em quatro anos

Alessandro Pereira

Com o título Perfil dos acidentes por animais peçonhentos no Estado do Rio de Janeiro no período de 2001 a 2005, a pesquisa desenvolvida por Rosany Bochner e Rosane Abdala, ambas do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fiocruz, conquistou o segundo lugar entre os trabalhos sobre doenças por artrópodos e animais peçonhentos apresentados no 43º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, promovido em Campos do Jordão (SP). O estudo, organizado em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), o Instituto Vital Brazil e a Secretária de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, teve como base os dados divulgados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.

O estudo revela que as aranhas apresentaram os maiores índices de aumento nos registros, o que representa uma mudança no perfil dos acidentes. Os dados de 2005 mostram que houve uma elevação de 350% em relação ao número de casos ocorridos em 2001. Mesmo assim, as serpentes permanecem na liderança sendo responsáveis por mais da metade dos acidentes. Os escorpiões seguem em segundo lugar, causando um em cada quatro acidentes com animais peçonhentos. Além de uma melhoria na notificação dos casos, Rosany Bochner acredita que mudanças ambientais, como a urbanização desordenada e o desflorestamento, sejam os possíveis responsáveis pela modificação nas características dos acidentes durante o período analisado.

Fonte: Agência Fiocruz

Proteômica abre novas perspectivas para compreensão e controle do dengue

Fernanda Marques

Uma pesquisa da Fiocruz vai ajudar a compreender melhor os processos envolvidos na patologia do dengue. O estudo pode, no futuro, contribuir para o aperfeiçoamento das técnicas de diagnóstico e prognóstico, assim como para o desenvolvimento de uma droga específica para a doença. No mestrado em biologia parasitária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), a bióloga Lidiane Martins de Albuquerque identificou dez proteínas plasmáticas (da parte líquida do sangue) que são expressas de forma diferenciada por pacientes com dengue, se comparados a pessoas saudáveis. A participação dessa dezena de proteínas nos mecanismos do dengue constitui uma novidade, na medida em que ainda não havia sido descrita na literatura científica.

Lidiane fez uma análise proteômica do plasma, isto é, verificou quais proteínas eram expressas pelos pacientes com dengue e comparou-as às das pessoas saudáveis. Para essa análise, foram coletadas amostras de sangue de 13 pacientes com dengue grave e de igual número de indivíduos saudáveis. Foram retiradas das amostras as células do sangue e também as seis proteínas mais abundantes do plasma, como albumina e IgG. O material restante foi submetido a duas técnicas: a eletroforese de fluorescência diferencial em gel 2D (DIGE) e a espectrometria de massas. A primeira técnica serviu para separar as proteínas e a segunda, para identificá-las. Das proteínas diferenciais detectadas por Lidiane, cinco tiveram sua expressão aumentada e as outras cinco apresentaram níveis reduzidos nos pacientes com dengue. “A literatura científica, em geral, descreve que, no dengue, estão envolvidas proteínas conhecidas como citocinas, mas não fomos capazes de detectar nenhuma delas com a metodologia empregada”, diz. “As proteínas diferenciais identificadas podem estar relacionadas ao processo inflamatório desencadeado na infecção pelo vírus do dengue e/ou indicar mecanismos de reparo do dano vascular causado pela doença”, explica Lidiane, que foi orientada pelos pesquisadores Jonas Perales e Ana Gisele C. Neves Ferreira.

Os ensaios foram feitos no Laboratório de Toxinologia do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica do IOC, que conta com equipamentos de ponta para a realização das técnicas. No caso da espectrometria de massas, o laboratório dispõe de um aparelho de última geração, o único existente na América Latina. O MALDI-TOF-TOF, modelo 4700, é utilizado em diversos projetos da Fiocruz e da Rede Proteômica do Rio de Janeiro, vinculada à Faperj. A pesquisa de Lidiane durou quatro anos. O projeto teve início quando ela ainda era bolsista de iniciação científica e continuou ao longo de seu curso de mestrado. “Na primeira etapa, fiz a padronização das técnicas, de modo a otimizá-las para o que eu queria estudar”, lembra. Embora tenha analisado poucas amostras – 26 ao todo –, o objetivo de Lidiane foi alcançado. “Estamos diante de dez proteínas que devem ter um papel importante no dengue. A partir desses resultados, podemos fazer outros estudos específicos sobre cada uma delas”, afirma.

As técnicas proteômicas de fluorescência diferencial e espectrometria de massas usadas são caras, o que limita a análise de uma quantidade maior de amostras. “Contudo, essas técnicas revelam o caminho a seguir. Pesquisas posteriores, com metodologias mais rotineiras e maior número de amostras, poderão revelar, por exemplo, se alguma das proteínas diferenciais que encontramos é um bom marcador biológico para diagnóstico do dengue ou até um bom alvo terapêutico”, sugere. Segundo o pesquisador Jonas Perales, a análise proteômica realizada por Lidiane para o caso do dengue pode ser repetida para uma variedade de outras doenças, o que abre muitas perspectivas de pesquisas.

Fonte: Agência Fiocruz

Embrapa lança Prêmio de Reportagem 2007

Com o tema “O Brasil e a Agricultura Tropical: Liderança Movida a Conhecimento”, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, lança no dia 23 de abril a edição 2007 do Prêmio Embrapa de Reportagem. A premiação tem entre seus objetivos reconhecer trabalhos jornalísticos que se destaquem por haver tornado acessíveis ao público informações geradas pela pesquisa agropecuária.

Esta é a 11ª edição do prêmio. Em edições anteriores já foram premiados jornalistas da Folha de São Paulo, da Rádio Jovem Pan, da Gazeta Mercantil, da Rede Globo; do Zero Hora e do Canal Rural, entre outros. A equipe da Agência Safras foi a primeira a receber a premiação na categoria Internet, incluída na edição do ano passado. O Prêmio Embrapa de Reportagem 2007 conta com o patrocínio da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (CNA/SENAR), e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Regulamento

Podem participar matérias que se adeqüem ao tema, veiculadas por meios de comunicação com sede no Brasil no período de 1º de julho de 2006 a 15 de agosto de 2007. As inscrições serão recebidas até 15 de agosto de 2007 e podem ser realizadas pessoalmente ou por correio. São quatro categorias: Impresso, TV, Rádio e Internet. A Comissão Julgadora será composta por, no mínimo, cinco jornalistas, estando incluídos um representante da Embrapa e um de cada patrocinador. O julgamento será feito mediante notas atribuídas pelos membros da a cada um dos trabalhos inscritos em sua categoria. Os resultados serão divulgados até o dia 10 de setembro de 2007. A Embrapa e seus parceiros concederão ao primeiro colocado de cada categoria prêmio no valor bruto de R$10 mil. A íntegra do regulamento está disponível no site www.embrapa.br.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Embrapa

Homens estressados, doenças à vista?

João Gabriel Rodrigues

Estresse causa mais alterações imunes e hormonais na população masculina do que na feminina

Uma recente pesquisa realizada no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo mostra que homens, ao lidarem com situações de estresse agudo, sofrem mais alterações no sistema imune do que as mulheres. Os resultados sugerem que essas mudanças podem estar relacionadas a variações hormonais – também observadas nos testes – e que a população masculina ficaria mais suscetível a doenças do que a feminina após períodos estressantes. O estudo, desenvolvido pela psicóloga Alessandra Faustino em sua tese de doutorado, tinha como ponto de partida investigar os motivos que levam uma pessoa a adoecer ao passar por algum tipo de estresse.

Para isso, dois grupos – um com 13 pessoas (sete mulheres e seis homens) com diagnóstico de fobia social e outro com 19 (sete mulheres e 12 homens) sem qualquer patologia psiquiátrica – foram submetidos a momentos de estresse e monitorados. Os participantes tiveram que falar sobre diferentes situações estressantes em frente a uma câmera. Durante os testes, eles permaneciam com um cateter intravenoso para coleta de sangue e conectados a eletrodos, para que dados como pressão, temperatura e freqüência cardíaca fossem medidos. Segundo Faustino, os testes eram realizados de modo que o estresse dos participantes fosse maximizado. “No início, o tom da minha voz e minha atitude eram mais amenos e amistosos, mas, durante o procedimento, adotava uma postura mais firme e seca”, relata. As principais diferenças observadas entre os dois grupos estavam relacionadas ao aspecto psicológico. “Os pacientes com fobia social sentiam-se tão incomodados com a situação que deixavam de se concentrar na tarefa proposta e focavam-se nos próprios sintomas (coração acelerado e sudorese). Já os voluntários sem patologia, ainda que tivessem apresentado os mesmos sintomas, preocupavam-se com a tarefa de falar em público”, conta a pesquisadora. Comparação surpreendente A grande surpresa, no entanto, ocorreu na comparação entre os sexos.

Os homens sofreram mais alterações em seu sistema imune do que as mulheres. A variação mais freqüente foi a diminuição no número de células responsáveis pela resposta imune específica (forma mais eficaz e mais demorada de combate a agressões sofridas pelo organismo) e aumento nos parâmetros responsáveis pela imunidade inata, primeira forma de autodefesa do corpo, mas menos eficiente. Segundo Faustino, as mudanças no sistema imune estão relacionadas a alterações nos níveis dos hormônios ACTH (que controla a liberação do hormônio cortisol) e noradrenalina. O experimento afetou a porcentagem de células NK (responsáveis por combater vírus e células cancerosas) no sangue, o que está associado à liberação de adrenalina e noradrenalina – fortemente influenciada pelas reações emocionais dos participantes. Os testes também interferiram nas taxas de cortisol, que tiveram um pico durante o período de estresse, independentemente do sexo ou dos grupos estudados. A maior liberação do hormônio, no entanto, ocorreu nos homens. “Mas o aumento verificado não ultrapassou os índices considerados normais, o que pode ser parcialmente explicado pelo fato dessas situações terem sido simuladas em laboratório”, ressalta.

A psicóloga explica que o ACTH e o cortisol atuam no direcionamento de recursos nutricionais e energéticos para os diversos sistemas do organismo e são fundamentais para que, em momentos de estresse, ele esteja pronto para reagir. Mas, quando o corpo é exposto a níveis de cortisol superiores ao normal por períodos prolongados, os efeitos tornam-se prejudiciais. Sua ação sobre o sistema imune é geralmente inibitória e provoca uma baixa na atividade imunológica, permitindo o surgimento de doenças. Ainda há dúvidas sobre as maneiras pelas quais o organismo de cada sexo se adapta às alterações provocadas pelo estresse e como isso interfere na suscetibilidade a doenças. Segundo a pesquisadora, novos estudos, especialmente em situações reais, devem ser feitos para o melhor entendimento dos efeitos do estresse no organismo humano.

Fonte: Ciência Hoje

Meio Ambiente celebra Caatinga com série de seminários

Transmissão ao vivo (partir das 15h), clique aqui

Adriano Ceolin

O Ministério do Meio Ambiente promove, de hoje (23) a sexta-feira (27), a Semana da Caatinga. Série de eventos que servirá para celebrar o bioma que abrange 10 estados brasileiros - nove do Nordeste e um do Sudeste (Minas Gerais). O evento será aberto pela ministra Marina Silva, em solenidade marcada para as 15 horas desta segunda (23), no auditório do edifício-sede do Ibama. A solenidade e demais seminários serão transmitidos ao vivo pela internet. Para assistir basta acessar o site www.mma.gov.br.

Em seguida, está prevista a entrega do prêmio Bioma Caatinga 2007 ao professor e doutor Paulo Nogueira Neto. E, depois, a entrega do prêmio Asa à Fundação Museu do Homem Americano (Fundham) e ao engenheiro Francisco Barreto Campelo. Ainda na solenidade de abertura da Semana, o professor Ronaldo Morato, do Cenap, fará uma palestra cujo tema é a Conservação de Felinos na Caatinga do São Francisco. Depois, a ministra Marina Silva assinará a portaria de criação do grupo de trabalho sobre Corredor das Onças da Caatinga e lançará o Plano de Turismo Sustentável na Bacia do São Francisco.

O cronograma de seminários e palestras terá início na manhã do dia 24, no auditório do edifício sede do Ibama. Com o título Conservação e Manejo Florestal no Bioma Caatinga, quatro especialistas vão debater temas diversos como o impacto das mudanças climáticas, o mapeamento da vegetação nativa e a importância do manejo sustentável. No período da tarde do dia 24, a Embaixada da Suíça vai abrigar duas palestras sobre a Caatinga. No dia 25, além da continuidade da programação de seminários, está prevista a exibição do filme "As fulô do sertão - as mulheres das Caatingas fazendo econegócios".

A Semana da Caatinga conta com o apoio da Embaixada da Suíça. Pelo MMA, são organizadores o Projeto GEF Caatinga, a Diretoria de Áreas Protegidas, o Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco e a Diretoria de Ecossistemas do Ibama. As organizações não-governamentais Agendha e a TNC, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Conselho da Reserva da Biosfera da Caatinga também apóiam o evento.

Confira programação da Semana da Caatinga

Fonte: MMA

Liberada a caça aos ursos


Os ursos estão cada vez mais longe de focas e morsas, que são as suas presas naturais


Natália Rangel


Rússia legaliza caçada para proteger apopulação contra os ataques de ursos famintos devido ao aquecimento global

Knut está doente. Trata-se do ursinho polar que comoveu o mundo ao ser rejeitado pela mãe, ameaçado de morte pelos próprios ambientalistas que alegavam que ele estava sendo criado com muito mimo e acabou salvo pelo governo alemão que proibiu sua execução. Knut está estressado e, segundo os veterinários, precisa de descanso. Enquanto repousa num zoológico em Berlim, ganhou atenção especial da ONU que o transformou na semana passada em um dos símbolos oficiais de proteção aos ursos. A primeira resposta desafiadora a essa iniciativa veio da Rússia: o governo anunciou a legalização da caça aos ursos polares no país, sob a alegação de que está “resgatando uma tradição secular” que foi banida há cinco décadas justamente para preservar essa espécie da extinção.

O argumento da “tradição” não convenceu e despertou protestos de ambientalistas de todo o mundo. Vieram então mais duas explicações. No campo teórico, o governo diz que assim controlará a matança clandestina. No terreno do pragmatismo, afirma que está protegendo os habitantes do extremo norte do país de serem atacados e mortos pelos animais – desde 2003, três pessoas morreram em ataques de ursos polares famintos. Na verdade, esse é de fato o motivo da legalização da caça e expõe um outro grave problema ambiental: o degelo conseqüente do aquecimento global. Focas e morsas estão vivendo cada vez mais próximas ao continente e os ursos, que delas se alimentam, têm de nadar longas distâncias de seu habitat para alcançá-las. A reação em cadeia natural ficou assim estabelecida: matam-se ursos, que estão com dificuldade de matar suas presas, para que eles não matem pessoas – o que não pode mesmo acontecer.

A caça legal determina que apenas 40 ursos podem ser abatidos anualmente, reduzindo em cerca de 60 o número de animais que vêm sendo mortos de forma clandestina – estima-se que haja aproximadamente 25 mil no planeta. Com a nova lei, no entanto, a questão pode estar contornada, mas não resolvida. Os próprios moradores do vilarejo de Vankarem, que já foi atacado, não acreditam que a legalização impedirá a ação de caçadores clandestinos nem a invasão de animais em busca de alimentos. “Não há como colocar um policial diante de cada urso”, diz o biólogo Vladimir Mikhailov. Assim, diante de um colapso ambiental onde um problema puxa o outro, sorte mesmo teve Knut, que viverá em paz no zoológico de Berlim.

Fonte: Isto É

Abordagem dupla

Um grupo de 15 pacientes com diabetes tipo 1 recebeu um tratamento que incluiu altas doses de quimioterapia e o transplante de células-tronco originárias de suas próprias medulas ósseas. O resultado foi animador: 14 deles ficaram, até agora, independentes das altas doses diárias de insulina que recebiam, uma vez que seus organismos voltaram a produzir a substância.

O estudo, cujos resultados foram publicados na edição desta quarta-feira (11/4) do Journal of the American Medical Association (Jama), foi realizado por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.
Coordenada por Julio Voltarelli, a equipe teve colaboração de Richard Burt, da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. O diabetes tipo 1, também conhecido como diabetes juvenil ou insulino-dependente, atinge cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil. Segundo Voltarelli, a doença corresponde a, no máximo, 10% dos casos de diabetes, mas é justamente o tipo mais grave, principalmente para crianças. “Ainda é muito cedo para se falar em cura. Como constatamos a ausência de efeitos colaterais, pretendemos agora ampliar o número de testes e tentar a terapia em crianças, que são o principal foco de interesse”, disse Voltarelli à Agência FAPESP.

De acordo com o imunologista, o estudo, iniciado no fim de 2003, foi feito com pacientes entre 12 e 35 anos. Todos estavam em estágio inicial da doença, até seis semanas após o diagnóstico. “Nessa fase, eles ainda têm uma reserva de células produtoras de insulina no pâncreas”, explicou o pesquisador. O primeiro passo foi submeter os pacientes a uma imunossupressão, isto é, receberam altas doses de drogas que desativam o sistema imunológico, impedindo-o de atacar as células do pâncreas. “O diabetes tipo 1 faz com que as próprias células do sistema de defesa do corpo ataquem as que estão no pâncreas e são especialistas na produção de insulina”, disse Voltarelli. Com o sistema imune “desligado”, foram injetadas no sangue de cada paciente células-tronco de seu próprio corpo. O transplante possibilitou a reconstituição da medula e do sistema imunológico do doente, após receber agressiva quimioterapia. “Com isso, conseguimos uma recuperação rápida do sistema imune, de até nove dias. Após o transplante, o sistema foi reconstruído de modo a não atacar mais o pâncreas. A maioria dos pacientes ficou livre da insulina”, disse o pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Livre das injeções?

Voltarelli destaca, no entanto, que o estudo não revela uma cura para o diabetes, embora aponte um caminho para futuras terapias. “Ainda não sabemos quanto tempo vai durar o efeito. Os pacientes serão acompanhados ao longo de toda a vida”, disse. O acompanhamento dos pacientes feito até agora variou entre sete e 36 meses. “O primeiro deles foi o único que não teve tratamento bem-sucedido e voltou a usar insulina um ano após o transplante. Mudamos um pouco os parâmetros e os outros 14 pacientes ficaram independentes da insulina”, disse o imunologista. Um dos pacientes está livre das injeções de insulina há 35 meses, quatro há pelo menos 21 meses e sete há mais de seis meses. Dois deles, com resposta mais tardia, ficaram independentes da insulina por um e cinco meses, segundo o estudo. Houve efeitos colaterais em apenas três pacientes – um teve pneumonia e dois tiveram disfunções endócrinas.

O artigo Autologous nonmyeloablative hemaopoietic stem cell transplantation in newly diagnosed type 1 diabetes mellitus, de Julio Voltarelli e outros, pode ser lido por assinantes do Jama em jama.ama-assn.org.

Fonte: Agência Fapesp

Educação ambiental ganha portal

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou, na semana passada, o Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental (Sibea), voltado especialmente a educadores.
O portal permite ao educador conhecer redes em educação ambiental, obter informações e encontrar outros profissionais da área, instituições e materiais pedagógicos.

Elaborado pela diretoria de educação ambiental do MMA e pelo Instituto Stela, o Sibea faz parte do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima) e tem como proposta servir como ferramenta de mobilização social para o desenvolvimento e o fortalecimento de ações de educação ambiental no Brasil. “O Sibea é um sistema público, não governamental. É de toda a sociedade. Não tenho dúvidas de que a tecnologia a ser manejada será importante fator de promoção da educação ambiental, pela capacidade de integração de todas as pessoas preocupadas com a questão”, disse a ministra Marina Silva.“Além do baixo custo, o sistema pode ser amplamente utilizado, promovendo amplo acesso e integração das redes”, disse Claudio Langone, secretário executivo do MMA. Segundo ele, o MMA e a sociedade também devem utilizar o Sibea para aumentar o nível de interlocução do setor de educação ambiental com o conjunto das políticas ambientais do país.

“Temos pela frente o desafio de afirmar o Sibea, mas também de pensar que ele deve ser um meio não só de fortalecer a integração de educadores ambientais, mas de fortalecer a relação destes com um conjunto mais amplo da gestão da política ambiental do Brasil”, disse Langone.
Sibea: sibea.mma.gov.br

Fonte: Agência Fapesp

Resfriamento global?


Estudo revela que desmatamento em escala global pode produzir efeito de resfriamento do clima. Segundo cientistas, reflorestamento só ajudaria a mitigar aquecimento global quando feito em baixas latitudes


O desmatamento dá uma contribuição incontestável para o aquecimento global? Nem sempre, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores franceses e norte-americanos e publicado hoje no site da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
Os autores realizaram simulações de desmatamento utilizando um modelo global 3-D do ciclo de carbono e do clima, representando interações físicas e biogeoquímicas entre a terra, a atmosfera e o oceano. Os resultados sugerem que o desmatamento em escala global produz um claro efeito de resfriamento.

Os pesquisadores não contestam que o desmatamento envia grandes quantidades de CO2 à atmosfera, exercendo uma influência de aquecimento no clima da Terra. No entanto, diz o estudo, os efeitos biofísicos do desmatamento – como mudanças no índice de reflexividade da terra, evapotranspiração e cobertura de nuvens – também afetam o clima. O efeito de aquecimento causado pelo ciclo de carbono e pelo desmatamento, diz a pesquisa, é sobrepujado pelo efeito de resfriamento associado com mudanças na reflexividade e na evapotranspiração.
O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (Estados Unidos), do Departamento de Ecologia Global da Carnegie Institution (Estados Unidos) e da Universidade de Montpellier (França).

Experimentos voltados para o desmatamento em latitudes específicas indicaram que, embora os esforços de reflorestamento nos trópicos possam reduzir o aquecimento global, projetos semelhantes nas regiões temperadas poderiam trazer apenas benefícios menores.
Os cientistas advertem que o desmatamento tem diferentes conseqüências globais e locais, produzindo principalmente esfriamento local por clarear a superfície da Terra, mas esquentando o resto do planeta ao emitir CO2. Embora os resultados questionem a eficácia dos projetos de reflorestamento em regiões temperadas para fins de mitigação do aquecimento global, os cientistas frisam que as florestas continuam sendo valiosas fontes de recursos ambientais por diversas razões não relacionadas com o clima. “A destruição de ecossistemas para prevenir o aquecimento global seria uma estratégia perversa e contraproducente”, dizem.

O artigo Combined Climate and Carbon-Cycle Effects of Large-Scale Deforestation, de Govindasamy Bala e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em www.pnas.org.


Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Aumento de risco de malária e dengue com aquecimento global exigirá atenção redobrada, alerta pesquisador

Irene Lôbo e Luana Karen

Um dos prognósticos contidos no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), cuja segunda parte foi divulgada ontem (6), é que a Terra poderá ficar até 4 graus mais quente até 2050. Esse aumento de temperatura poderá trazer problemas para a saúde humana. De acordo com o pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Luiz Tauil, é provável que o aquecimento aumente a proliferação de insetos vetores, como os que causam malária e dengue.

De acordo com o pesquisador, as regiões que já têm as condições adequadas para o desenvolvimento dos mosquitos, como Norte e Nordeste, não sentirão tanto o aumento na quantidade de insetos. Por outro lado, regiões que praticamente não têm doenças transmitidas por vetores, como a Sul, vão sentir o aumento dos mosquitos. Tauil explica que o mosquito da dengue já está bem adaptado ao cenário urbano e ao calor excessivo, o que torna mais difícil o seu controle. Já o mosquito que transmite a malária está restrito a uma área endêmica, ou seja, a floresta amazônica. No caso da dengue, ele afirma que a grande esperança para combater a doença é a descoberta de uma vacina.

Enquanto a vacina não vem, o pesquisador atribui a responsabilidade de combater a dengue às ações do governo e da população para eliminar os criadouros de mosquitos. “Do governo, a necessidade de garantir abastecimento regular de água, coleta regular de lixo, limpeza de cemitérios, vigilância em borracharias, vigilância em depósitos de ferro velho, isso por parte do governo", diz ele. "Por parte da população, é fundamental que não acumule recipientes em casa que favorecem a presença de água, isso é fundamental. Então, os quintais têm que ser bem limpos, não jogar recipientes em terrenos baldios, manter os seus vasos de flores com água trocada semanalmente e com isso ela diminui a possibilidade de desenvolvimento do mosquito”, finaliza. Já no caso da malária, doença restrita à região amazônica, Tauil recomenda que se evite o contato com o mosquito. “Nessas áreas existem possibilidades, além das ações do governo de controle com a aplicação de inseticida, eliminação, redução de criadouros, existe a possibilidade do uso de repelente, ou dormir com mosquiteiro impregnado com inseticida e manter as suas casas teladas.”

Fonte: Agência Brasil

Economia da boa saúde

Thiago Romero

A prática regular de exercícios físicos pode ser responsável pela economia de 36% dos custos com o tratamento da hipertensão arterial, considerada um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares. A economia para o Sistema Único de Saúde (SUS) seria de estimados R$ 28,8 mil para cada grupo de cem pacientes.

Essa é a conclusão de pesquisa realizada por Sandra Lia do Amaral e Henrique Luiz Monteiro, professores do Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Bauru, e por Livia de Castro Rolim, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu, também da Unesp. O estudo, intitulado Hipertensão e exercício: custos do tratamento ambulatorial, antes e após a adoção da prática regular e orientada de condicionamento físico, reuniu informações sobre o custo do tratamento de hipertensos, que foram acompanhados em ambulatório 12 meses antes e 12 meses após serem submetidos à rotina regular de exercícios físicos.

Os pesquisadores colheram informações dos prontuários clínicos de 31 pacientes do Núcleo de Saúde Otavio Rasi, em Bauru, no interior paulista, que aderiram ao Projeto Hipertensão, programa de condicionamento físico desenvolvido pela Unesp e pela Secretaria de Saúde do Município de Bauru. Com o auxílio de graduandos do curso de educação física, séries de exercícios físicos foram prescritas aos pacientes. “Eles foram submetidos a exercícios aeróbios, de resistência, de coordenação e alongamentos, duas horas por dia, três vezes por semana”, disse a coordenadora do estudo, Sandra Lia do Amaral, à Agência FAPESP. “Peso, altura, massa corporal, pressão arterial e freqüência cardíaca também foram informações coletadas.”
Os pesquisadores se basearam nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, que indicam procedimentos para medição da pressão arterial e freqüência cardíaca. Antes e após os exercícios físicos foram calculados os recursos financeiros empregados pelo SUS no tratamento dos pacientes, com valores referentes a consultas médicas, exames clínicos laboratoriais e medicamentos prescritos. Os resultados mostraram redução de 28% dos custos relacionados às consultas, de 45% nas despesas com exames e de 25% na distribuição de medicamentos, “devido principalmente à queda da pressão arterial dos indivíduos”, segundo Sandra.

De acordo com informações do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), cerca de 80% das internações hospitalares por problemas cardiovasculares no país estão relacionadas à hipertensão arterial. “Há um consenso entre a comunidade científica a respeito da eficácia da atividade física para o tratamento de diversas doenças. A implantação de programas de exercícios em núcleos de saúde é importante tanto para otimizar os gastos como também para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, disse Sandra.
O trabalho será publicado na próxima edição da revista Hipertensão, editada pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

Fonte: Agência Fapesp

domingo, 8 de abril de 2007

Estudo da Embrapa mostra que resíduos de esgoto podem ser usados na agricultura

Paula Renata

Um estudo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados mostra que os resíduos do lodo do esgoto de estações de tratamento sanitário podem ser usados como fertilizante na produção de grãos, reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e em culturas permanentes.

Segundo a pesquisa, os resíduos, ricos em material orgânico e em nutrientes, apresentam vantagem econômica, sanitária, e ambiental. O levantamento avaliou os parâmetros agronômicos, sanitários e ambientais da reciclagem desse material em culturas de milho, soja e pastagens. O pesquisador José Eurípedes da Silva, um dos envolvidos no estudo, explica como é feito o processo. “O milho produzido na roça se transforma em farinha, que se transforma em alimentos, que são excretados pelo homem. Isso vai para estação de tratamento, e nós buscamos retornar parte desses nutrientes que não foram absorvidos pelo corpo humano para produzir fertilizantes, que vão produzir novos alimentos, fechando, assim, o ciclo”.

Em Brasília (DF), por exemplo, a produção atual de lodo de esgoto é de 400 toneladas. O estudo levanta a possibilidade de uso desse material como fertilizantes na produção de grãos no Distrito Federal. Além da questão econômica, Silva ressalta a vantagem ambiental. “Essa é idéia: reaproveitarmos o que for possível e reduzirmos o lixo que deixamos na natureza”, observa. "A reciclagem, inclusive, é um dos propósitos da Agenda 21, definida da Eco Rio 92".

Fonte: Agência Brasil

Japão fará arroz resistente à falta de água

O Ministério da Agricultura do Japão anunciou ontem que desenvolverá um novo tipo de arroz resistente ao calor e à falta de água, em antecipação a períodos de escassez ocasionados pelo aquecimento global.

A medida faz parte de um estudo que prevê quedas na produção de arroz e perdas de florestas se os níveis de dióxido de carbono na atmosfera duplicarem e aumentar o nível de mercúrio, segundo a agência Kyodo.Regiões no centro e no oeste do Japão perderão até 40% de seus cultivos de arroz devido ao aquecimento global, mas algumas das zonas setentrionais verão aumentar suas colheitas do grão, diz o estudo.O aumento da temperatura deslocará as zonas aptas para o cultivo de frutas para o norte do arquipélago japonês, enquanto, nas atuais regiões produtoras, as frutas sofrerão deterioração ou descoloração.

Segundo a informação, no final deste século, as emissões de dióxido de carbono serão de entre 1,3 e 3,3 vezes os níveis atuais, elevando as temperaturas atuais em até 6,4 graus.

Fonte: EFE

IPCC: falta de pesquisa no Brasil prejudica avaliação

Márcia Bizzotto

Os problemas de saúde pública que o Brasil poderá enfrentar em conseqüência do aquecimento global não são abordados na segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, e a culpa é da falta de estudos brasileiros sobre o tema.

Segundo membros do painel ouvidos pela BBC Brasil, o documento de conclusões, que será apresentado nesta sexta-feira em Bruxelas, não tem nenhum resultado de pesquisas feitas no Brasil no capítulo relativo à saúde, apesar de o país ser considerado um dos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças no clima. "O Brasil tem um território e uma população enormes, e uma desigualdade social muito grande. Tudo isso enquadra a população brasileira na definição do IPCC, que considera mais vulneráveis as populações que não têm meio de se adaptar às mudanças, essas populações de baixa renda", explica o médico brasileiro Ulisses Confalonieri, coordenador do capítulo dedicado à saúde humana. "Entretanto, as conclusões falam sobre alergia e a doença da língua azul no gado, que são todas de incidência na Europa."

O relatório também faz projeções globais sobre dengue e malária, "mas não são muito úteis para a situação brasileira, porque não levam em conta as especificidades regionais ou a capacidade do país de controlar a doença", avalia Confalonieri. De acordo com o médico, um dos maiores problemas causados pela mudança ambiental para o Brasil será a diarréia. O número de casos poderá subir drasticamente em decorrência do aumento da seca e da falta de água, principalmente no Nordeste do País.

Falta de dados

Os cientistas envolvidos no painel afirmam que a ausência dos problemas brasileiros no documento da ONU não é fruto de negligência, mas da falta de dados para serem analisados.
"O IPCC não faz pesquisas. É uma reunião de cientistas que discutem resultados já existentes. O problema é que a maioria das pesquisas na área de saúde são feitas no hemisfério norte, pelos países que têm mais recursos", diz Confalonieri."Só agora estão começando a aparecer estudos específicos na América do Sul". A brasileira Thelma Krug, membro do conselho do IPCC, também reclama que alguns países não dispõem de dados científicos sobre temas importantes.
"Precisamos desses dados para poder fazer as projeções dos impactos da mudança climática. Este é um grande problema, até para podermos expandir os resultados para todas as regiões", explica."Os governos revisam os resultados (do relatório) do IPCC. E quando não acreditam que os dados expostos são suficientes, não aceitam que determinada conclusão seja incorporada no documento. Então, os relatórios do IPCC refletem exatamente aquilo que todos os países, indistintamente, se sentem confortáveis para revelar".

Fonte: BBC Brasil

Municípios amazônicos mais desmatados estão entre os mais violentos do país

Aloísio Milani e Sabrina Craide

Dos 100 municípios com maiores índices de desmatamento, 61 estão entre os que apresentam as maiores taxas de assassinatos no país. Esta foi a conclusão de levantamento realizado pela Agência Brasil, que cruzou dados do Projeto Prodes – Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, realizado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI), com o apoio do Ministério da Saúde.

A idéia foi identificar a relação entre o desmatamento e a violência nos municípios da Amazônia Brasileira. Para isso, foram analisados o Gráfico do Desflorestamento até 2005 e os 556 municípios com as maiores taxas de homicídios na população total. Essas cidades representam 10% dos municípios brasileiros, mas, em 2004, concentraram 71,8% do total de homicídios ocorridos no país. Entre os municípios que figuram nas duas listas, 28 estão no Mato Grosso, 21 no Pará, oito em Rondônia e dois no Maranhão. Os estados do Acre e Tocantins aparecem com um município cada. Além disso, entre os 100 mais desmatados, 16 estão também entre os 100 municípios com maior número de assassinatos, incluindo o 1º, o 5º e o 8º lugares dessa lista: respectivamente, Colniza, São José do Xingu e Aripuanã, os três em Mato Grosso.

Fonte: Agência Brasil

Ibama solicita ao MPOG mais de 700 cargos para concurso de analista e técnico administrativos

Sandra Tavares

A Diretoria de Administração e Finanças do Ibama (Diraf), por meio de sua Coordenação Geral de Recursos Humanos, encaminhou nesta última semana solicitação formal ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), propondo a edição de um decreto presidencial que poderá transformar 570 cargos do antigo PCC (Plano de Classificação de Cargos – Lei 5.645/70) do Instituto em igual número de cargos de Analista Administrativo, da carreira de Especialista em Meio Ambiente. Caso o decreto seja aprovado pelo MPOG e pela Presidência da República, o Ibama poderá obter a autorização para realizar concurso público para admissão de 570 novos analistas administrativos.

Além disso, o Ibama requer ainda a autorização para realização de concurso público para o cargo de Técnico Administrativo (Nível Intermediário), visando o preenchimento de 158 vagas já existentes na carreira de especialista em Meio Ambiente. Segundo a Coordenação Geral de Recursos Humanos, espera-se que o Instituto acrescente a seu quadro de pessoal mais de 700 novos servidores concursados. A expectativa é que eles sejam lotados nas coordenações da Diraf, Auditoria, Assessoria de Comunicação, Procuradoria Geral Especializada, além das diretorias finalísticas do Instituto, para atuarem em atividades como as de gestão e administração financeira dos projetos e acordos de cooperação internacional. Boa parte do pessoal irá atuar também nas Divisões de Administração e Finanças das Superintendências, Gerências Executivas e Centros Especializados do Ibama.

Substituição será gradativa

Segundo a Coordenação Geral de Recursos Humanos, encontram-se em andamento negociações entre MPOG, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público do Trabalho de um cronograma de substituição gradativa da mão-de-obra terceirizada em todo Poder Executivo Federal, principalmente, no que se referem às atividades que, por definição, deveriam estar sendo realizadas por servidores de carreira (efetivos). Segundo dados fornecidos por todas as unidades gestoras do Ibama, em nível nacional, o número de trabalhadores terceirizados, que estão atuando em atividades permanentes - que não aquelas legalmente previstas por execução indireta, ultrapassa mil colaboradores. De qualquer forma, a substituição total dos terceirizados não deve ocorrer de uma única vez. Para isso seria necessário um número maior de cargos de Nível Intermediário, a ser conquistado apenas via Projeto de Lei - de iniciativa do Executivo, o que demanda um prazo maior.

Fonte: Ibama

ONU prevê secas e falta de água para mais de 1 bilhão

Márcia Bizzotto

Mudanças já estão sendo notadas nos pólos da Terra

Depois de uma semana de reuniões em Bruxelas, os mais de 400 cientistas que participaram da segunda parte de um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) concluíram que mais de 1 bilhão de pessoas poderão sofrer com a falta de água a partir de 2020 e que as populações mais pobres do mundo serão as mais afetadas pelo aquecimento global.

A principal causa será o derretimento precoce da camada de gelo de grandes cadeias de montanhas, como o Himalaia e os Andes, causado pelo aumento da temperatura na Terra.
Elas funcionam como reservatórios, acumulando água em forma de gelo durante o inverno para liberá-la gradualmente com o derretimento no verão - um processo natural fadado a terminar, pois, segundo os cientistas, o derretimento já começou. O relatório aponta que as montanhas Chacaltaya, na Bolívia, perderam quase toda a capa de gelo em 2004. Até o final do século, 75% do gelo dos Alpes também pode ter desaparecido. Com a aceleração também do derretimento do gelo polar, as regiões costeiras e baixas serão inundadas, obrigando comunidades inteiras a se deslocarem.

Biodiversidade

O relatório também prevê que, se a temperatura global subir mais de 1,5º em relação aos índices de 1990, os ecossistemas regionais mudarão ao ponto de levar à extinção de cerca de um terço das espécies de animais e plantas do planeta. O rendimento dos cultivos agrícolas e da pecuária também serão afetados, principalmente na África e Ásia. “Atualmente há cerca de 900 milhões de pessoas passando fome no mundo e esse número deve aumentar por causa da mudança climática”, disse Martin Perry, co-presidente do grupo de trabalho responsávelpela segunda parte do relatório.

A malnutrição, por sua vez, contribuiria com o aumento da incidência de doenças nas regiões mais pobres do mundo. “Reduzir a vulnerabilidade da população em relação a saúde e desnutrição é o mais importante que deve ser feito pelos países em desenvolvimento”, completou. Segundo os cientistas, o cenário mundial já começou a sofrer modificações por culpa do aquecimento global e as sociedades deverão enfrentar grandes dificuldades para se adaptar a seus impactos. Medidas para a adaptação das sociedades poderão “reduzir ou atrasar as implicações da mudança climática pelos próximos 10 ou 15 anos”, mas “não serão suficiente para fazer frente a todos os impactos esperados do aquecimento global a longo termo”, alerta o documento.

Relatório

De acordo com a ONU, as regiões que sofrerão mais consequências da mudança climática serão o Ártico, a África subsaariana, as pequenas ilhas, e os deltas asiáticos. O Brasil e a América Latina não são consideradas regiões de alto risco. A segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) analisa as implicações do aumento de temperatura da Terra em diversas áreas, como economia, ecossistema e saúde humana. O documento é resultado de uma semana de debates entre 400 especialistas sobre 28 mil dados científicos copilados sobre todo o planeta. O relatório está sendo lançado em quatro partes ao longo deste ano.

Na primeira parte, divulgada em fevereiro em Paris, os cientistas projetaram um aumento de até 4º C na temperatura da Terra até o fim deste século e culparam o homem pelo aquecimento global. Em maio, na Tailândia, o IPCC divulgará a terceira parte, que abordará as formas de impedir o aumento da concentração de gases nocivos ao ambiente.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Campanha propõe cultura de turismo sustentável no Brasil

Rubens Júnior

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os Ministérios do Meio Ambiente e do Turismo e a Comissão Européia deram início nesta quarta-feira (4), em São Paulo, à campanha nacional de comunicação intitulada Férias Sustentáveis, destinada a criar uma cultura de turismo "saudável" no Brasil. A campanha, que será realizada neste ano, na forma "piloto", em local do País a ser decidido, incentivará turistas, empresários do setor e poder público nesse sentido, e pretende ser parâmetro para novas iniciativas semelhantes no Brasil e fora dele. Um site, a ser posto no ar em três línguas (português, francês e inglês), possibilitará aos segmentos-alvo e a interessados acessarem todas as informações da campanha.

Na reunião, em São Paulo, os participantes criaram o Comitê Provisório da Campanha, do qual fazem parte os parceiros citados e outras entidades de expressão do ramo turístico. O comitê fará nova reunião no próximo dia 18, em Brasília, quando seus membros farão sugestões de temas a serem tocados na campanha, de critérios para definição do local aonde será realizada a sua etapa piloto e das peças de propaganda a serem utilizadas. Durante a campanha, o comitê abordará pontos que favoreçam a mudança de "apelo" na atividade turística, agregando ao valor estético (paisagens e etc.), conceitos de responsabilidade ambiental, ética e social.

As reuniões e a própria campanha serão oportunidades de prospectar formas de consumo e produção sustentável, negócios inovadores, estratégias de marketing que associem desenvolvimento/oferta de tecnologias a produtos/serviços ecologicamente "prudentes". Aqueles eventos serão uma chance também de fomentar o esclarecimento dos turistas, o intercâmbio de informações e de expectativas, de problemas e objetivos comuns, além de propiciar a identificação de potenciais ações de parceria voltadas a alcançar os objetivos traçados para a campanha. "Nós desejamos que os turistas passem a pensar no ambiente a partir do momento em que saem de casa. Que façam opções saudáveis em cada etapa da viagem. Desde a escolha de veículos limpos de transporte (que não emitam carbono ou o façam com parcimônia), passando por hotéis que adotem gestão ecológica (como controle da água e do fornecimento de energia elétrica), chegando ao consumo de suvenires corretos, produzidos sem elementos naturais de fauna e flora, como penas de animais ou madeiras em extinção", diz o coordenador do Programa Nacional de Ecoturismo (Proecutor/MMA), Alan Milhomens.

Com mensagens, exemplos e sugestões positivas, os organizadores vão mobilizar o turista, mas também o empreendedor do trade turístico, o poder público, cuja participação é condição para o fortalecimento de uma cultura de cuidados com o ambiente. Além dos parceiros citados, participam do Comitê Provisório da Campanha representantes de organizações não-governamentais, como Conservação Internacional e Fundo Mundial para Natureza (WWF), mais a Associação Brasileira de Hotéis, o Instituto de Hospitalidade, o Fórum Mundial de Turismo pela Paz e Desenvolvimento Sustentável, a Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica, Associação dos Hotéis Roteiros de Charme, Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Braztoa (Agência Brasileira de Operadores de Turismo do Brasil), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), dentre outros.

Fonte: MMA

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Comitê de Gestão da Orla estende sua atuação na Zona Sul ao Leblon

O Comitê de Gestão da Orla Marítima, coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), estendeu ao Leblon a atuação nas praias da Zona Sul, iniciada em Copacabana e Ipanema. Mais de 150 agentes da Prefeitura já iniciaram o trabalho educativo, de fiscalização e repressão nos postos 11 e 12, além de manter o trabalho já realizado em Ipanema (Posto 10) e Copacabana (postos 4, 5 e 6).

Para garantir o bom uso do espaço urbano, as operações abrangem do comércio ambulante ilegal ao tráfego de triciclos e carros de bebê na ciclovia. Carros-guincho da CET-Rio são utilizados no combate ao estacionamento irregular. O Comitê de Gestão da Orla inclui representantes das secretarias municipais de Urbanismo e Fazenda, Instituto Pereira Passos, Comlurb, Defesa Civil, Guarda Municipal, Vigilância Sanitária e Subprefeituras.

Fonte: Secom

Poluição 'pode ser mais nociva do que radiação de bomba nuclear'

Sobreviventes de Hiroshima podem viver mais que fumantes

Respirar o ar poluído de grandes cidades como São Paulo e Londres pode ser mais perigoso para a saúde do que ser exposto a altos níveis de radiação, de acordo com uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista científica BMC Public Health. O estudo concluiu que os sobreviventes do acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, e das bombas atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki, em 1945, sofrem conseqüências parecidas ou até menores do que quem vive em áreas poluídas, fuma ou é obeso. "A percepção comum é de que a exposição à radiação causa grandes riscos para a saúde pública. Este estudo mostra que a população exposta a doses significativas de radiação (...) têm o mesmo risco de morte prematura que aqueles que comem demais ou são sujeitos a longos períodos de fumo passivo", diz o autor da pesquisa, Jim Smith. "Todos nós enfrentamos esses riscos à saúde no nosso dia a dia", afirma ele.

Cigarro, obesidade e poluição

Estimativas sugerem que pessoas que fumaram a vida inteira podem morrer dez anos antes por causa do hábito, enquanto quem é severamente obeso aos 35 anos (com um Índice de Massa Corporal acima de 40) pode viver de quatro a dez anos a menos. Já os sobreviventes das bombas atômicas do Japão que estavam num raio de 1,5 quilômetro do epicentro da explosão têm a expectativa de vida reduzida em 2,6 anos, em média, de acordo com a pesquisa.

Problemas de Saúde

Cigarro: 10 anos a menos de vida

Obesidade mórbida: 4 a 10 anos a menos de vida

Bomba Atômica: 2,6 anos a menos de vida

BMC Public Health

O estudo revelou ainda que pessoas expostas à radiação em Chernobyl têm uma chance em 100 de contrair um câncer fatal ao longo da vida, o que representa uma alta no risco de mortalidade de 1%. Já um não-fumante que vive com um parceiro que fuma tem 1,7% mais chance de morrer de uma doença cardíaca devido ao fumo passivo e alguém que deixa uma cidade pouco poluída para um grande centro aumenta seu risco de morte devido aos efeitos da poluição em 2,8%.

Chernobyl

O autor da pesquisa, Jim Smith, afirma ainda que as pessoas que optaram por viver na zona de exclusão ao redor de Chernobyl podem sofrer menos problemas de saúde do que se elas decidissem se mudar para uma cidade grande próxima, como Kiev, devido aos níveis de poluição.
Um relatório da Organização das Nações Unidas estima em 9 mil pessoas o número total de pessoas que morreram ou ainda morrerão por causa da exposição à radiação durante o acidente em Chernobyl, apesar de o Greenpeace acreditar que o número de mortes ligados ao desastre será próximo a 90 mil. As bombas atômicas que atingiram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki mataram mais de 200 mil pessoas devido a efeitos da explosão, queimaduras e doenças ligadas à radiação.

Fonte: BBC Brasil

Carne aumenta risco de câncer de mama, diz estudo

Por ser rica em gordura, carne aumentaria produção de estrogênio

O consumo de carne vermelha pode aumentar significativamente o risco de câncer de mama em mulheres que já passaram da menopausa, segundo um estudo publicado no British Journal of Cancer. Uma equipe de cientistas da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, monitorou a saúde de 35 mil mulheres durante sete anos e concluiu que mulheres que comiam uma porção de cerca de 60g de carne por dia apresentaram 56% mais risco do que aquelas que não consumiam o alimento.

Ainda segundo o estudo, as mulheres que comiam carne processada, como bacon, salsichas e presunto, têm 64% mais risco de desenvolver o câncer de mama do que aquelas que evitam esses pratos. "A carne vermelha é rica em gordura saturada, e esse tipo de gordura influencia na quantidade de colesterol produzida pelo organismo. O colesterol é um precursor do estrogênio, substância que está associada a um maior risco de câncer de mama", explicou Janet Cade, chefe da equipe que realizou a pesquisa.

Fibras

Segundo a médica, cozinhar a carne em altas temperaturas também pode acelerar a formação de componentes cancerígenos. "Meu conselho para mulheres que consomem grandes quantidades de carne vermelha e processada diariamente é para que elas reavaliem sua dieta", disse. Cade afirmou ainda que mulheres mais jovens, que ainda não entraram na menopausa e que comem carne vermelha, também apresentaram mais chances de sofrer da doença, mas os resultados não foram significantes estatisticamente.
O mesmo estudo mostrou que mulheres mais jovens que consomem grande quantidades de fibras cortaram pela metade o risco de desenvolver o câncer de mama.

Estilo de vida

A pesquisa foi elogiada por entidades britânicas de prevenção e combate à doença. "Este estudo é interessante porque até agora era difícil isolar os efeitos específicos da carne vermelha sobre o câncer de mama", disse Alexis Willett, da Breakthrough Breast Cancer. "Os cientistas também encontraram diferenças em outros fatores como idade, peso e nível de atividade física entre aquelas mulheres que comiam e as que não comiam carne, e tudo isso também influencia no desenvolvimento da doença." Henry Scowcroft, do Cancer Research UK, disse que as mulheres deveriam tentar manter um peso saudável, fazer exercícios físicos e evitar porções regulares de alimentos gordurosos, como a carne vermelha.

Fonte: BBC Brasil

Aquecimento global em Marte

Variações na radiação refletida na superfície de Marte têm contribuído para mudar o clima do planeta. As mudanças têm provocado um aumento no transporte de poeira e na circulação dos ventos, segundo artigo publicado nesta quinta-feira (5/4), na revista Nature.

O estudo, feito por cientistas norte-americanos, estima que Marte aqueceu por volta de 0,65ºC entre 1976, quando as sondas Viking 1 e 2 pousaram em solo marciano, e o fim da década de 1990, quando a sonda Mars Global Surveyor orbitou e mapeou parte do planeta. Esse aquecimento pode ter sido o motivo que levou à recente diminuição da camada de gelo no pólo sul marciano. Segundo os pesquisadores, grandes áreas da superfície marciana apresentam diferenças em contraste com regiões próximas, que têm sido atribuídas à presença de areia, mas até agora seus efeitos na circulação dos ventos e no clima eram desconhecidos.

O modelo produzido por Lori Fenton, do Centro Carl Sagan para Estudo da Vida no Universo, e colegas aponta que as mudanças nos padrões de reflexão têm promovido um efeito muito maior no clima do que se esperava. Grandes partes da superfície escureceram nas últimas três décadas, à medida que perderam poeira e viram aumentos expressivos tanto nas temperaturas quanto nos ventos. Para os cientistas, o resultado aponta para uma possível relação entre erosão e reflexão luminosa. Como variações nessa última estariam interagindo – e até mesmo conduzindo –, processos ligados a mudanças no clima deveriam ser considerados como componente importante em futuros estudos atmosféricos e climáticos em Marte.
O artigo Global warming and climate forcing by recent albedo changes on Mars, de Lori Fenton e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência Fapesp

Merscosul discute protocolo sobre produção e consumo sustentáveis

Adriano Ceolin

O subgrupo de trabalho de Meio Ambiente do Mercosul reúne-se, entre os dias 9 e 14 de abril em Assunção, no Paraguai, para discutir o protocolo comum sobre a política de produção e consumo sustentáveis. A intenção é fechar os termos do documento que será adotado pelos países-membros (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela). "Depois de realizar consultas com outros setores do governo e da sociedade civil, o Brasil finalizou suas propostas em novembro do ano passado", diz Helio Lôbo, técnico da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. "Na reunião, em Assunção, vamos discutir as propostas dos demais países ao documento comum", completa.

Segundo Lôbo, os representantes do Brasil na reunião serão Marília Marreco, diretora de Programa da Secretaria de Qualidade Ambiental do MMA, e José Alfredo Araújo, consultor da agência de cooperação alemã do Projeto Cyma (Competitividad y Medio Ambiente).

Apesar de ainda não ter sido aprovado, o protocolo tem como um dos seus principais objetivos promover práticas de produção e consumo dos setores produtivos, mais particularmente das micro, pequenas e médias empresas. As definições previstas no documento são:

1) uso de produção mais limpa, por meio de uma estratégia ambiental preventiva e integrada a fim de melhorar a eficiência e reduzir os riscos de saúde;

2) integração das variáveis econômicas, ambientais e sociais na produção;

3) estímulo ao uso de bens e serviços que proporcionem qualidade de vida e ao mesmo tempo minimizem o uso de recursos naturais.

A reunião do subgrupo de trabalho contará ainda com a realização de um workshop sobre produção e consumo sustentáveis. Também deverão ser discutidos no encontro o sistema de informação ambiental, gestão ambiental de substâncias e produtos químicos, proteção e gestão da base de recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social, além de outros outros temas.

Fonte: MMA

Rio terá o maior aquário marinho da América Latina

A cidade do Rio de Janeiro terá uma nova atração de grande porte e nível internacional: o AquaRio, o maior aquário marinho da América Latina, com 5,4 milhões de litros de água e espaços para lazer e pesquisa. Decreto no Diário Oficial do Município aprova o projeto apresentado pelo escritório Alcides Horacio Azevedo Arquitetos Associados, estimado em R$ 65 milhões e que será construído pela iniciativa privada em parceria com a Prefeitura na área onde existia o frigorífico da Cibrazem, na Avenida Rodrigues Alves (Zona Portuária).

O projeto prevê exposição de 12 mil animais marinhos de 400 espécies diferentes em dois tanques de grande porte, e outros 40 secundários. No tanque principal, com 3,7 milhões de litros de água e 7 metros de altura, um túnel atravessando seu interior dividirá dois ambientes: o Recinto Oceânico, com diversas espécies marinhas, e o Recinto Mergulho, onde o público terá a oportunidade de cair na água com os peixes. Haverá ainda espaços para educação ambiental e pesquisas em Biologia Marinha e Oceanografia, um centro para cuidar de animais marinhos resgatados nas praias, estacionamento subterrâneo com 294 vagas, restaurante panorâmico e galeria comercial.

Fonte: Secom

Batucada primata


No Piauí, estudo feito com grupos de macacos-prego que batem pedras para intimidar predadores reforça evidências da transmissão cultural em primatas. Resultados foram publicados em revista suíça de primatologia (foto: divulgação)

Fábio de Castro

Agência FAPESP – A observação de um grupo de macacos-prego (Cebus apella libidinosus) batendo pedras com a possível finalidade de afugentar predadores representa mais uma evidência de que, assim como os humanos, os macacos são capazes de transmitir tradições culturais.

O estudo, realizado no Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por Antonio Christian de Moura, pesquisador do Laboratório Tropical de Primatologia da instituição, foi publicado em fevereiro na revista suíça Folia Primatologica, um dos principais periódicos do mundo na área.

De acordo com Moura, diversos estudos anteriores constataram a capacidade de transmissão cultural de determinados grupos de macacos. Desde 2001, sabe-se que os macacos-prego utilizam pedras como ferramentas para quebrar castanhas e outros objetos. Mas é a primeira vez que tais animais são observados realizando uma “sinfonia” de golpes com as pedras.

O grupo de macacos foi observado no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. “Quando eu me aproximava, os macacos procuravam pedras e começavam a bater com elas em rochas, repetidamente. Aparentemente, era um ato agressivo, dirigido a mim como um predador potencial. Quando eles se acostumavam com a minha presença, as batidas diminuíam”, disse Moura à Agência FAPESP.

Segundo o cientista, a espécie é a única em que foi observado o comportamento. “Bater objetos em superfícies parece ser uma característica inata, mas que pode ser moldada em comportamentos sociais para novas funções. Ao bater a pedra, o ruído viaja a uma distância bem maior que um grito, tornando-se um alarme eficiente”, afirmou.

Nas observações feitas anteriormente, a batucada só havia se manifestado pelos macacos para vasculhar ou quebrar alimentos, principalmente em grupos em cativeiro. “Desta vez foi constatado em um grupo selvagem. A falta do dispositivo em outras populações da mesma espécie, que têm acesso a pedras, sugere que bater pedras possa ser uma tradição social da população estudada”, disse.

Resposta social

Para Moura, os primatas reagem freqüentemente a posíveis predadores utilizando dispositivos de intimidação, mas a elaboração desses dispositivos depende do risco. “Estudos de origem evolutiva sugerem que a cultura teria um benefício muito maior em áreas nas quais o ambiente é hostil”, disse.

A capacidade de responder a diferentes predadores pode ser adquirida socialmente e as tradições sociais explicariam, de acordo com Moura, diferenças entre populações em respostas aos mesmos predadores potenciais. “Esse dispositivo foi observado em seis grupos diferentes e a hipótese mais plausível é que sua função primária seja a de um comportamento de dissuasão de predadores”, afirmou.

Em poucos casos, macacos adultos e filhotes foram vistos batendo pedras juntos, sem prestar atenção ao pesquisador, sugerindo que os mais jovens aprendiam a técnica com os mais experientes. “Macacos cativos inseridos na área do grupo estudado também, aparentemente, aprenderam a bater as pedras com os outros”, disse o pesquisador.


segunda-feira, 2 de abril de 2007

Válvulas cardíacas são criadas de células-tronco

Pela primeira vez, cientistas britânicos desenvolveram parte de um coração humano a partir de células-tronco. O cardiologista Magdi Yacoub, que liderou a equipe do Harefield Heart Science Centre, em Londres, disse que, dentro de três anos, os médicos podem estar usando partes do coração desenvolvidas artificialmente para transplantes.

Yacoub disse ao jornal britânico The Guardian que um coração inteiro poderá ser criado a partir de células-tronco dentro de dez anos. "É um projeto ambicioso, mas não impossível. Se você quer que eu adivinhe, digo dez anos", afirmou.

Escassez de órgãos

Os pesquisadores acreditam que a experiência bem sucedida é um grande passo para o cultivo de órgãos inteiros para transplante. Yacoub, que também é professor de Cirurgia Cardíaca do Imperial College, em Londres, vem trabalhando em formas de lidar com uma escassez de corações doados para pacientes. Sua equipe extraiu células-tronco a partir de medula óssea e as cultivou para que formassem células de válvulas do coração. Depois que elas foram colocadas em estruturas formadas por colágeno, formaram-se discos de tecidos de válvulas cardíacas com 3 centímetros de diâmetro. Até o final do ano, eles serão implantados em animais como ovelhas e porcos, para verificar seu desempenho. Células-tronco têm o potencial de se transformar em vários tipos diferentes de células.

Muitos cientistas acreditam que deveria ser possível atrelar a habilidade das células de desenvolver tecidos diferentes ao reparo de tecidos e tratamento de doenças. Anteriormente, cientistas desenvolveram tendões, cartilagens e bexigas, que são estruturas menos complexas.

Fonte: BBC Brasil

MG: 7 t de peixes morrem; causas serão apuradas

A Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) de Minas Gerais vai enviar hoje para a represa da Usina Hidrelétrica de Três Marias, no Rio São Francisco, no norte do Estado, um técnico para apurar as causas do acidente ecológico que matou cerca 7 t de peixes no último sábado.

De acordo com a Feam, os peixes estavam num poço localizado na parte do vertedouro da usina. Os cardumes se deslocaram para a parte das turbinas, onde houve a mortandade, provavelmente, provocada pela falta de oxigênio na água. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que cerca de 10 t de peixes se deslocaram para a área das turbinas. Devido à grande quantidade de cardumes, houve falta de oxigênio, o que provocou o acidente ambiental. Para interromper a mortandade, a Cemig abriu as comportas da usina, para entrar mais água na represa, mesmo assim, 7 t de peixes morreram. A maioria dos peixes que morreram são de pequeno porte, de diversas espécies como mandi, matrichã e dourado. A mortandade pode comprometer a pesca no rio São Francisco. Cerca de 1,5 mil pescadores são cadastrados na Feam, somente na região de Três Marias.

A Cemig informou ainda que as causas do acidente ecológico não estão relacionadas com nenhuma falha de manutenção, e que o cardume teria entrado numa turbina que estava parada para manutenção.

Fonte: Redação Terra

Operação apreende seis geleiras carregadas de pescados em Santarém

Christian Dietrich

Atendendo denúncias das comunidades do Lago Grande do Curuai, em Santarém, no oeste do Pará, fiscais do Ibama em conjunto com a Polícia Militar, Marinha do Brasil e Agentes Ambientais Voluntários da região, entre outras instituições, apreenderam seis embarcações pesqueiras, conhecidas na região como “geleiras” com carga estimada em 45 toneladas, em operação realizada entre os dias 22 e 24 de março. As embarcações estavam descumprindo o Acordo de Pesca do Lago Grande.

A operação foi realizada no âmbito da Unidade Integrada de Defesa Ambiental (UNIDA), que congrega diversas instituições da sociedade civil e do poder público no sentido de otimizar a utilização dos recursos disponíveis para a defesa do meio ambiente e mostra como os Acordos de Pesca são instrumentos importantes no combate à pesca predatória. Foram lavrados sete Autos de Infração somando R$ 465.700,00. Além das geleiras e dos pescados, também foram apreendidas várias canoas do tipo bajara, utilizadas na captura dos peixes, e redes malhadeiras, sendo que uma delas media 960 metros. Os peixes foram capturados com técnicas e petrechos proibidos pelo Acordo de Pesca, celebrado pelas comunidades do Lago Grande do Curuai e o Ibama, através da Instrução Normativa 030/2004, e em quantidade superior à permitida na norma. No Lago Grande as geleiras poderiam capturar apenas uma tonelada de peixes cada uma por viagem, e utilizar somente três canoas para a captura dos pescados.

As geleiras foram trazidas para Santarém, onde ficaram retidas em frente ao prédio do Ibama desde sábado. Devido à grande quantidade de pescados apreendidos e à necessidade da carga ser pesada antes da doação, as embarcações deveriam aguardar até hoje (2) no local para que houvesse condições de realizar o procedimento. Na madrugada desta segunda-feira, três das embarcações apreendidas fugiram do local, caracterizando os responsáveis pelas embarcações como infiéis depositários, uma vez que haviam assinado os Termos de Apreensão e Depósito dos peixes e dos barcos. O Ibama solicitou às Polícias Militar e Federal e à Marinha colaboração no sentido de encontrar as geleiras fugitivas, bem como os seus responsáveis, que correm o risco de serem presos.

As embarcações procuradas são: o Barco Motor (B/M) Comandante Mateus, do município de Prainha, B/M Esperança III, de Monte Alegre, e B/M Tupã, de Abaetetuba. Cada um dos responsáveis por essas embarcações foi autuado e multado em R$ 100 mil. Foram pesados 15.400 kg de peixes nas três geleiras que respeitaram a apreensão. Os pescados apreendidos foram doados para a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social de Santarém (SEMTRAS), Polícia Militar do estado do Pará, 8º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército Brasileiro e para Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), entre outras entidades.

Fonte: Ibama

No horizonte, as causas da miopia


As imagens mostram uma mesma cena vista por um indivíduo com visão normal, à esquerda, e por alguém que sofre de miopia, à direita (fotos: NIH National Eye Institute).

Pesquisas indicam que o ambiente é forte determinante da ocorrência desse distúrbio da visão

Qualquer criança é capaz de observar que “quase todo mundo usa óculos”. De fato, as ametropias (distúrbios ópticos da formação da imagem nos olhos) estão entre os transtornos da saúde mais comuns da humanidade. Só a miopia aflige cerca de 50% das pessoas em todo o mundo! Por que será? Terá sido sempre assim, mesmo quando ainda não existiam os óculos para corrigir a visão desfocada? Quais as causas dessa tão freqüente e incômoda anomalia visual? Teoricamente, o olho deve ser uma esfera perfeita para que os raios luminosos formem uma imagem em foco exatamente sobre a retina, que é o “filme” neuronal que fica no fundo, encarregado de traduzir a cena visual em impulsos nervosos que o cérebro possa compreender e interpretar. É o que mostra a figura abaixo. Nos míopes, entretanto, o olho é mais comprido que o normal, e as estruturas transparentes que ficam na frente (a córnea e o cristalino) não conseguem concentrar os raios no plano de foco natural, ou seja, exatamente sobre a retina.

Tudo acontece durante o desenvolvimento da criança, até a adolescência: o olho cresce cerca de três vezes em tamanho, em paralelo com o crescimento do corpo, mas nem sempre isso ocorre mantendo a esfericidade perfeita.

A visão influi sobre a forma do olho

Uma descoberta feita há trinta anos pelo neurocientista Torsten Wiesel, prêmio Nobel de medicina ou fisiologia em 1981, e seu colaborador Elio Raviola, trouxe uma dica inicial sobre as causas da miopia. Eles observaram que macacos recém-nascidos submetidos à fusão das pálpebras durante várias semanas apresentavam olhos mais compridos do que o normal. A fusão das pálpebras impede que o animal veja formas e cores e causa uma diminuição acentuada da luminosidade incidente sobre a retina, já que a luz tem que passar pelas pálpebras fechadas para chegar ao fundo do olho. Isso significa que, de algum modo, a interrupção da visão estruturada nesses animais interferiu sobre o crescimento do olho. Raviola e seu grupo recentemente retomaram esse modelo experimental de miopia e chegaram a conclusões da maior importância. Trabalharam mais uma vez com macacos recém-nascidos, realizando fusões palpebrais de apenas um dos olhos, para compará-lo com o outro que permanecia sem qualquer manipulação experimental. A fusão palpebral durava dois a quatro meses. Depois disso, os animais tinham seus olhos medidos através de ultra-sonografia, revelando diferentes taxas de alongamento do olho privado de visão, que podia chegar a mais de 1 mm de diferença com o olho normal, equivalente a 4,5 graus de miopia.

O passo seguinte foi utilizar técnicas de biologia molecular para investigar se havia genes mais ativos ou menos ativos nos olhos míopes. Havia. 119 genes apresentavam alterações de expressão: 100 estavam mais ativos, 19 menos ativos. Qual seria a função desses genes com expressão alterada nos olhos míopes? Como cerca de 70% deles produziam proteínas envolvidas com a proliferação celular ou o metabolismo do material genético, os pesquisadores imaginaram a hipótese de que olhos maiores surgissem devido a uma maior taxa de proliferação celular. Dito e feito, como comprova a figura ao lado. Marcadores de proliferação mostraram um grande aumento da neurogênese na retina dos olhos míopes, e revelaram que as células produzidas eram novos neurônios fotorreceptores. Os óculos com os dias contados? O que se pode concluir dos resultados do grupo de Raviola é que existe uma correlação entre a experiência visual durante a infância e o crescimento proporcional do olho.

Olhos não estimulados adequadamente se tornam desproporcionais e, portanto, míopes. Mas o que seria “estimular adequadamente”? O experimento que os pesquisadores fizeram interfere com muitos aspectos da estimulação visual: pelo menos com a visão de cores, de formas, de objetos em movimento, e com a luminosidade global que incide sobre a retina. Qual deles é mais importante na determinação do correto crescimento ocular? E como se poderia quantificar a influência de cada um na causa da miopia? De qualquer modo, a comprovação de que a própria visão regula o crescimento do tamanho do olho abre caminho para a prevenção da miopia (e das demais ametropias). Quando pudermos saber exatamente quais fatores da estimulação visual provocam olhos grandes (míopes) ou pequenos (hipermétropes), não será difícil dosar a exposição visual de nossas crianças para prevenir esses transtornos oculares. Só teremos que lutar contra a pressão da indústria de televisores e de monitores de computador, telefones celulares, videogames e a multidão de objetos de consumo “visual” que desenvolvem a cada dia para seduzir nossas crianças a comprá-los compulsivamente...

Fonte: Ciência Hoje

Educação ambiental lança sistema de informações pela internet

Fundamental para o desenvolvimento de uma cultura mais comprometida com a defesa do planeta, a educação ambiental vai ganhar um forte aliado. No dia 4 de abril será lançado em Brasília o Sistema Brasileiro de Informações sobre Educação Ambiental (Sibea), portal eletrônico que abrigará dados sobre especialistas, instituições e redes sociais relacionados ao tema.

O Sibea foi concebido pela diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Instituto Stela (IS), organização sem fins lucrativos especializada em gestão do conhecimento e constituída por pesquisadores em inovação tecnológica. O sistema atende a uma determinação da Política Nacional de Educação Ambiental (Pnea), regulamentada em 2002.

O desenvolvimento do projeto deu-se a partir do suporte da plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). "Isso nos permitiu começar o Sibea com um volume maior de informações", diz José Vicente de Freitas, diretor-substituto de Educação Ambiental do MMA

Em 2002, o Sibea detinha 5,4 mil registros de informações. "Hoje já estamos com 200 mil registros", diz José Vicente de Freitas, diretor-substituto de Educação Ambiental do MMA. "O objetivo é fazer com que qualquer pessoa tenha acesso às informações do sistema", completa. Dois dos princípios que orientam o Sibea são democratização e a descentralização de dados.

O Sibea iniciará suas operações com três blocos diferentes de informações. Chamados de diretórios de competência, eles abrigarão, respectivamente, as categorias "pessoas" (dados sobre especialistas em educação ambiental); "instituições" (sobre entidades, institutos, etc.); e redes sociais (informações sobre grupos que atuam no setor).

Fonte: MMA

Ovitrampas podem reduzir custos no combate ao mosquito transmissor do vírus do dengue


Soldado do Exército instala ovitrampa em domicílio do Recife (Foto: Bruna Cruz)

Bruna Cruz

As ovitrampas, armadilhas especiais para colher ovos do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus do dengue, podem ser empregadas em larga escala por programas de controle do mosquito em todo o país. É o que comprova o modelo de monitoramento populacional e de controle do vetor desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco. O trabalho, feito de abril de 2004 a maio de 2006, revelou que 98,5% das 464 ovitrampas usadas no estudo continham ovos do Aedes. Durante o período, foram retirados do ambiente cerca de 12 milhões de ovos. O método, que poderá ser usado para orientar ações de controle em tempo hábil de prever surtos da doença, é mais barato que a pesquisa larvária, metodologia empregada atualmente pelo Programa Nacional de Controle do Dengue do Governo Federal. Parte dos dados foram apresentados por Ridelane Acioli como trabalho de conclusão do mestrado em saúde pública do CPqAM, concluído recentemente.

O índice de positividade de infestação do ambiente pelo mosquito, calculado a partir das ovitrampas, atingiu valores superiores a 85%, durante todo o período do trabalho e em todas as áreas estudadas, indicando o elevado grau de sensibilidade do método do CPqAM. Já o percentual calculado a partir da pesquisa das larvas foi da ordem de 1% nas áreas estudadas. Esse método consiste na vistoria dos domicílios pelo agente de saúde para a procura de possíveis criadouros, coleta e posterior identificação das larvas do mosquito. “Pela experiência que tivemos, é mais fácil obter a colaboração dos moradores para instalar e monitorar uma ovitrampa do que inspecionar os cômodos das residências”, ressaltou Ridelane.

O trabalho do Centro de Pesquisa baseou-se no monitoramento contínuo das ovitrampas instaladas em cinco localidades do Recife: Engenho do Meio, Casa Forte/Parnamirim, Morro da Conceição/Alto José do Pinho, Dois Irmãos/Sítio dos Pintos e Brasília Teimosa. Para distribuí-las, o CPqAM contou com a colaboração do Centro de Vigilância Ambiental (CVA) da Secretaria de Saúde do Recife, parceira na iniciativa, e do Exército. “Todas as áreas estudadas, selecionadas por contemplarem diferentes características ambientais e socioeconômicas, apresentaram alta densidade de populações reprodutivamente ativas do mosquito”, comentou Leda Régis, pesquisadora do Departamento de Entomologia do CPqAM e coordenadora do estudo. O modelo que utiliza as ovitrampas possibilita o monitoramento da população de Aedes, com a substituição de seu conteúdo – palhetas, biolarvicida (Bti) e infusão de gramínea – a cada quatro semanas.

Custos

A pesquisa do CPqAM mostrou que o modelo de monitoramento do Aedes aegypti, além de mais sensível, pode custar, para uma cidade como o Recife, duas vezes menos se os gastos forem comparados à pesquisa de larvas empregada atualmente nos programas de controle. Levando em consideração apenas o material de consumo, o custo anual é estimado em R$ 4.831.200,00, com a adoção do método convencional, e R$ 785.680,00, adotando-se as ovitrampas. As armadilhas foram instaladas em 2,8% dos 16.791 imóveis das cinco áreas pesquisadas, percentual considerado, segundo os pesquisadores, suficiente para obtenção de dados consistentes para o monitoramento da infestação pelo mosquito. O índice propicia a aplicação do mesmo método em larga escala, nessa mesma proporção, a um menor custo e uma maior facilidade de operacionalização das ações. “Se considerarmos que as armadilhas devem ser inspecionadas uma vez por mês e deveríamos instalar cerca de 14 mil para o monitoramento em toda cidade, que tem cerca de 500 mil imóveis, totalizamos 168 mil visitas ao ano. O custo, em material, seria de R$ 384.700,00, cerca de 12,5 vezes menor do que o da pesquisa larvária tradicional. Em relação à pesquisa larvária rápida, o monitoramento com as ovitrampas, mesmo com um número de visitas maior, custa um pouco menos do que a metade”, detalhou Ridelane.
Com as informações coletadas em quase três anos de trabalho, os pesquisadores do CPqAM participarão do desenvolvimento instrumentos que vão facilitar a aplicação da metodologia em larga escala. O desafio inclui a criação de um software que automatizará a estimativa do número de ovos por palheta e de um modelo matemático para estimar o número de fêmeas que depositam ovos por ovitrampa. O modelo de monitoramento e controle do vetor do dengue no Recife faz parte do projeto Sistema de Apoio Unificado para Detecção e Acompanhamento em Vigilância Epidemiológica (Saudavel), aprovado numa chamada conjunta entre o Ministério da Ciência e Tecnologia , a Finep e o CNPq.

Armadilhas fazem detecção precoce de infestação do mosquito

O modelo revelou que o crescimento da população do mosquito tem início entre outubro dezembro, quando ocorrem as primeiras chuvas após o período de estiagem. Os pesquisadores registraram picos de aumento da população entre março e maio, mas o índice permanece elevado até julho/agosto. “O cruzamento das informações que coletamos com os dados oficiais sobre o dengue sugere uma relação direta entre o crescimento populacional do vetor e o aumento do número de casos da doença”, comentou Leda Régis. Ela contou que, apesar das cinco localidades onde a pesquisa foi feita apresentarem características socioeconômicas diferentes, o estudo não encontrou relação entre esse fator e a variação da densidade dos mosquitos. A menor densidade foi registrada em Dois Irmãos (1.024.890 ovos coletados), onde a qualidade de vida é baixa, enquanto a segunda maior densidade foi observada em Casa Forte/Parnamirim (2.009.965 ovos coletados), bairro nobre da cidade. Os bairros mais populosos tiveram o maior número de ovos, mostrando que a concentração demográfica apresenta associação direta com a infestação pelo mosquito. Brasília Teimosa, a área mais infestada (3.570.848 ovos coletados), também é a mais povoada. A menos infestada (Dois Irmãos) tem a menor densidade demográfica. Essas informações, associadas às variáveis ambientais das localidades, podem ajudar na identificação precoce de aumentos significativos da população do Aedes aegypti, evitando situações como a epidemia de 2002 no Recife. “Esse sistema pode ajudar as autoridades a detectarem momentos críticos, orientando ações de controle para prevenir surtos da doença”, disse Leda.

Fonte: Fiocruz

Ipen inaugura estação de monitoramento de poluentes atmosféricos

Lilian Bueno

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) passa a integrar oficialmente, a partir de amanhã (29), a rede de monitoramento da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), com a inauguração de uma estação de monitoramento da qualidade do ar destinada estudar gases precursores de ozônio e monóxido de carbono. A estação, a melhor para medição de ozônio na cidade, localiza-se longe das fontes de poluição do ar, ou seja, afastada de onde o ozônio está sendo produzido, e a uma altitude de 800 metros, similar à Avenida Paulista e equivalente ao ponto mais alto da cidade. A inauguração acontece às 15 horas, no Ipen, e contará com a presença de autoridades e pesquisadores da área.

A estação é resultado de um convênio de cooperação científica entre as duas instituições. No laboratório do Centro de Química e Meio Ambiente (CQMA) do instituto, as amostras coletadas diariamente serão analisadas, identificadas e quantificadas. “Além de ser adicionada à rede telemétrica da Cetesb, a estação fornecerá à comunidade científica um ponto privilegiado de experimentos em atmosfera”, afirma Luciana Vanni Gatti, pesquisadora do CQMA. O ozônio é o poluente que mais ultrapassa os parâmetros de qualidade do ar estabelecidos nas legislações federal e estadual. Chega a atingir níveis de concentrações elevadas que levam à classificação na cidade da má qualidade do ar. A agência ambiental mantém 29 estações automáticas de monitoramento da qualidade do ar na Região Metropolitana de São Paulo, a maior parte localizada em áreas de grande fluxo de veículos.

No boletim da qualidade do ar da Cetesb desta quinta-feira os dados coletados pela estação já estarão disponíveis. Ozônio A destruição da camada de ozônio é uma das preocupações mundiais. Na camada chamada estratosfera (entre 15 e 30 quilômetros da superfície da terra), o ozônio filtra os raios ultravioleta, protegendo os seres vivos da radiação UV-B. No entanto, quando se concentra na faixa de ar próxima ao solo (troposfera), é um poluente. Pode afetar tanto pessoas com problemas respiratórios quanto indivíduos saudáveis. Experimentos realizados com voluntários mostram que o ozônio produz irritação passageira do sistema respiratório, provocando tosse, respiração ofegante e dor no peito durante a respiração profunda. A maior concentração do ozônio ocorre no horário de pico da radiação solar. Por isso, essa seria a pior hora para realizar, por exemplo, a prática de esportes como a corrida.

Serviço

Estação de medição de poluentes atmosféricos Local: Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, no campus da USP - Avenida Professor Lineu Prestes, 2242 Data: 29 de março, às 15 horas

Fonte: Assessoria do Ipen

O cerrado e a cana: convivência possível?


A demanda crescente por biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis, responsáveis por grande parte das emissões de gases do efeito estufa, pressupõe a expansão do cultivo de cana-de-açúcar para produção de etanol. (Foto: José Reynaldo da Fonseca)


Mariana Ferraz


Expansão do cultivo da cana para produção de etanol pode por em risco áreas de alto valor biológico


O cerrado deve ser o bioma mais impactado pela esperada expansão do cultivo da cana-de-açúcar para produção de etanol. Da extensão total de aproximadamente 2 milhões de quilômetros quadrados ocupada por essa formação vegetal, 19,7% são considerados áreas de extrema importância biológica. E mais da metade (70%) dessas regiões corresponde exatamente aos locais onde a cana encontra condições ideais de cultivo. Os dados são de um estudo feito por mais de 200 pesquisadores de diferentes universidades brasileiras, por encomenda do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e foram divulgados no seminário ‘A expansão da agroenergia e seu impacto sobre os ecossistemas brasileiros’, realizado nos dias 26 e 27 de março no Rio de Janeiro.


A pesquisa, apresentada pelo biólogo Ricardo Machado, diretor do Programa do Cerrado da organização não-governamental Conservação Internacional (CI) – procurada pelo MMA para dar apoio técnico e treinamento aos participantes do estudo –, identificou áreas prioritárias para conservação e áreas de extrema importância biológica na floresta amazônica, no pantanal e no cerrado. O critério usado foi a ocorrência de espécies ameaçadas, de endemismo (espécies que só ocorrem naquele local), de remanescentes de vegetação nativa e de componentes hidrológicos importantes, como nascentes. “Áreas com essas características que ainda não são protegidas por unidades de conservação deveriam receber atenção especial”, explica Machado.


A inserção desses critérios em um programa computacional específico gerou um mapa que revela as 294 áreas prioritárias para conservação – 166 delas consideradas de extrema importância biológica. Outro mapa, que mostra as melhores áreas para o cultivo da cana, também foi produzido. “Nesse caso, utilizamos como critério os níveis de precipitação – que precisavam ser maiores do que 1200 milímetros por ano –, a existência de estação seca demarcada, temperaturas mínimas maiores que 18 °C e máximas menores que 45 °C”, enumera o biólogo. Todas essas condições favorecem a produtividade da cana. Segundo Machado, o mapa do estudo do MMA ficou bem parecido com o apresentado por Luiz Cortez, engenheiro agrícola da Universidade Estadual de Campinas, que divulgou estudo no qual foram identificadas as áreas prioritárias para o cultivo da cana levando em conta, além desses fatores, aspectos como qualidade dos solos e declividade do terreno.


O cruzamento do mapa de áreas prioritárias para conservação com o de áreas ideais para cultivo da cana evidenciou o risco que a expansão do agronegócio representa para o cerrado, caso medidas reguladoras não sejam tomadas. As regiões mais afetadas seriam: o Triângulo Mineiro, todo o estado de Goiás, o entorno do Pantanal, no Mato Grosso do Sul, as cabeceiras dos rios Xingu e Araguaia, na porção oeste do Mato Grosso, o sul do Piauí e do Maranhão e o norte de Tocantins.

Efeitos indiretos do plantio da cana


O aumento da produção de cana de forma impensada provocaria também efeitos indiretos sobre a biodiversidade: empurraria as plantações de soja e a pecuária para áreas florestadas (inclusive na Amazônia) e provocaria o surgimento de cidades desordenadas.


Para Machado, algumas medidas poderiam impedir os prejuízos da expansão da cana. Entre elas, estão: a realização – e o cumprimento – do zoneamento econômico-ecológico (instrumento que determina os locais permitidos para cada tipo de empreendimento, desde a ocupação urbana e a instalação de indústrias até o estabelecimento de áreas de preservação), a criação de selos que garantam que a cana e seus derivados, como o etanol, foram produzidos seguindo critérios de responsabilidade social e ambiental e a valorização das terras florestadas. Ele ressalta: “A preservação não pode ficar com o refugo das áreas usadas para a produção”. E acrescenta que é preciso o comprometimento de governos, da sociedade civil e do setor privado para garantir a sobrevivência do cerrado e das florestas.


O biólogo acredita que a principal atitude a ser tomada no momento é reunir os envolvidos para tentar encontrar soluções que satisfaçam a todos. Segundo ele, há abertura suficiente no setor privado para ouvir as demandas conservacionistas. “Hoje, quem quiser entrar ou continuar no mercado, deverá adotar práticas social e ambientalmente responsáveis. No mercado externo, por exemplo, essa condição está se tornando imprescindível”, finaliza.


Fonte: Ciência Hoje