quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Instituto Chico Mendes promove reuniões para apresentar proposta de novo parque na Mantiqueira

Sandra Tavares

O Instituto Chico Mendes promove, nos próximos dias 22 e 23 de outubro, duas reuniões com representantes das prefeituras de municípios em São Paulo e Minas Gerais. O objetivo é apresentar de forma clara uma proposta de criação do Parque Nacional dos Altos da Mantiqueira, na divisa dos dois Estados com o Rio de Janeiro.

A primeira reunião acontece nesta quinta-feira (22), às 10 horas, na Prefeitura de Piquete/SP (Salão de Atividades Luiz Vieira Soares, Rua Francisco de Paula Rodrigues Ribeiro, Bairro da Raia). Para esta foram convidados os prefeitos e autoridades ambientais dos municípios do estado de São Paulo (Campos do Jordão, Cruzeiro, Guaratinguetá, Lavrinhas, Pindamonhangaba, Piquete, Queluz, Cachoeira Paulista e Santo Antônio do Pinhal).

Já a segunda acontece nesta sexta-feira (23), também às 10 horas, na sede da Floresta Nacional de Passa Quatro/MG (Estrada do Taboão S/N). Foram convidados os prefeitos e autoridades ambientais dos municípios de Minas Gerais e Rio de Janeiro (Delfim Moreira, Itamonte, Itanhandu, Marmelópolis, Passa Quatro, Resende e Virgínia) foram convidados.

Estudos que embasam a proposta de criação do parque revelam a importância de se preservarem os últimos remanescentes de matas (Mata Atlântica) e campos de altitude da região da Mantiqueira, entre os municípios de Resende (RJ) e Campos do Jordão (SP). A proposta já conta com o apoio dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais.

Diferente das consultas públicas, em que a participação da população é fundamental, essas reuniões acontecem numa fase anterior às consultas. Após apresentar a proposta de criação, a equipe de técnicos do ICMBio busca colher as observações colocadas pelas autoridades estaduais e municipais, partindo assim para a próxima fase, que é a consultiva.

As consultas públicas serão agendadas e divulgadas com antecedência mínima de 30 dias, de modo a garantir a participação ampla da sociedade. “A previsão é de que façamos as consultas públicas no início de dezembro”, explica o analista ambiental da Diretoria de UCs de Proteção Integral João Augusto Madeira.

Tendo como premissa o Sistema Nacional de meio Ambiente (Sisnama – Lei 6938/81), que distribui as competências de defesa do meio ambiente entre União, estados e municípios, as autoridades estaduais e municipais devem ser envolvidas em todo o processo de criação de uma nova unidade de conservação federal. "As autoridades representam os interesses da população estadual e municipal, foram eleitas e têm que participar das decisões que envolvem as questões ambientais locais. E na verdade, nesse processo de criação em particular, juntou-se uma demanda da sociedade civil com o interesse e apoio dos governos estaduais na sua criação”, frisa Madeira.

Após essas reuniões, deverão ser marcadas as consultas públicas. Nestas últimas, a população participa de forma ativa, colocando suas críticas, preocupações e sugestões. Após as consultas, em quantidade, dias e locais a serem definidos pelo ICMBio, a equipe técnica analisa as contribuições e prepara a minuta de decreto de criação, que segue para o MMA e Casa Civil. Os decretos de criação de unidades de conservação federais são sempre assinados pelo presidente da República.

Histórico
O processo de criação do Parque Nacional dos Altos da Mantiqueira teve início em 2006, fruto de reivindicações da sociedade civil organizada (ONGs e movimentos sociais locais). A preocupação comum era preservar a cadeia de montanhas da Mantiqueira – considerada hoje um dos maiores corredores de remanescentes de Mata Atlântica do país, pela riqueza em biodiversidade, beleza das paisagens e abundância de mananciais hídricos.

Desde o início da colonização do Brasil, o grau de devastação deste bioma sempre foi o mais intenso. Estima-se que restem atualmente cerca de 7% da área original da Mata Atlântica em território brasileiro. E como todo remanescente mais extenso e em bom estado de conservação, como é o caso da região onde se encontra o futuro Parque Nacional dos Altos da Mantiqueira, tal riqueza é considerada uma preciosidade merecedora de preservação.
No caso particular da Mantiqueira, cercada pelas regiões mais desenvolvidas e densamente povoadas do país, soma-se à sua importância biológica a abundância de nascentes que abastecem tanto o vale do Paraíba do Sul, nas vertentes paulista e fluminense, quanto estâncias hidrominerais e tributários da bacia do Paraná, na vertente mineira.

Mas atualmente todo esse potencial, embora inserido na Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira, que vem atuando no ordenamento do uso, ocupação do solo e na conservação dos recursos naturais da região, necessita de instrumentos mais restritivos para garantir a preservação destes remanescentes da Mata Atlântica que está sujeito a fortes pressões de ocupação e parcelamento do solo. “Estamos diante da última oportunidade de dar a estes ecossistemas, mananciais e formações de flora e fauna singulares e insubstituíveis uma proteção efetiva e perene”, explica João Madeira. “Paralelamente ao processo de criação do parque já estamos caminhando com a elaboração do Plano de Manejo da APA. Estes dois instrumentos se complementarão. O decreto do Parque estabelecerá nesta área a proteção integral dos recursos naturais existentes. Já o plano de manejo norteará as atividades possíveis e as ações de conservação dentro do território da APA”, destaca o chefe da APA da Serra da Mantiqueira, Clarismundo Nascimento.

Na mesma região onde se encontra a APA e será criado o Parque Nacional já existem outras unidades de conservação federais, estaduais e municipais. “A idéia é que trabalhemos juntos, União, estados e municípios, na chamada gestão 'por mosaico', considerando as áreas de relevante interesse que devam permanecer preservadas e interligadas, para manutenção do fluxo genético da flora e fauna”, destaca Nascimento.

Mais informações: Chefe da APA da Serra da Mantiqueira
Clarismundo Nascimento
(35) 3363-1090/3597

Fonte: Ascom/ICMBio
(61) 3341-9290

Amapá sedia III Fórum Ciência e Sociedade Brasil-França

Preservação ambiental do Estado impulsiona discussões sobre biodiversidade, saúde e desenvolvimento sustentável

Realizado no estado do Amapá, no período de 20 a 23 de outubro, o encontro faz parte da programação do Ano da França no Brasil e integra a agenda da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. “É uma grande emoção. Participar de um evento de integração como este, descobrir a cultura brasileira e ter a oportunidade de incrementar meus conhecimentos é maravilhoso”, declara o estudante francês Lilian Serre, 20 anos. Ele veio ao Brasil com a delegação de professores e alunos de seu país para unir-se a mais de 130 estudantes no III Fórum Ciência e Sociedade Brasil-França.

“Biodiversidade, saúde e desenvolvimento sustentável para todos” foi o tema escolhido para o debate entre técnicos, cientistas, pesquisadores, estudantes e professores. O secretário de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Antônio Carlos Farias, representando o Governo do Estado, ressaltou a pertinência da temática para a região: “Macapá é capital do Estado mais preservado do país, uma cidade banhada pelo maior rio do mundo, o Amazonas, a única capital do mundo cortada pela Linha do Equador. Aqui fica localizado o maior parque de floresta tropical do mundo, o Parque do Tumucumaque. Assim, nos apresentamos como protagonistas nesse contexto e é necessário observar que aqui a biodiversidade faz parte de um grande processo de desenvolvimento sustentável”, disse.

O representante da Direção Geral de Ensino e Pesquisa do Ministério da Alimentação, da agricultura e da pesca da França (DGER/ MAAP), Gerardo Ruiz, inspirou-se nos atributos naturais do Estado anfitrião para descrever suas expectativas com relação ao evento: “Eu cheguei a uma conclusão enquanto olhava o Rio Amazonas – esse rio que atravessa quilômetros e quilômetros, estados e países para se transformar em outra coisa. O Fórum é como o Rio Amazonas, todos nós atravessamos as fronteiras de países e estados. Nós somos matéria e, ao final de três dias, nos transformaremos em outra coisa”, comparou.

O encontro reúne delegações do Amapá, Goiás, Pernambuco, Distrito Federal, diversas regiões da França e Guiana Francesa, por isso, a coordenadora do evento, professora Luciana Sepulveda, acredita que ele propicia muitas trocas. “O Fórum é um espaço de descoberta de diferentes culturas. A comunicação precisa da fala, mas vai além dela”, afirma. A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, é um momento para mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades de Ciência e Tecnologia, valorizando a criatividade, a atitude cientifica e a inovação. O diretor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Manaus, Roberto Senna, compartilha do pensamento: “É importante para o pesquisador discutir seus resultados com a sociedade, principalmente com os jovens.

Discutir temas como esse não é só importante para a ciência, mas também para a formação da cidadania”. Os patrocinadores do Ano da França no Brasil

Informações para jornalistas:Assessoria do Ano da França no Brasil: Entrelinhas Comunicação
Contatos: (11) 3066-7700 e franca.br2009@entrelinhas.net As fotos também estão disponíveis em http://www.flickr.com/photos/francabr2009/ e os vídeos, em http://www.youtube.com/francabr2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

24/10 - Dia Internacional de Ação - Alerta!

No dia 24 de outubro, em todo o planeta, haverá eventos para que ações sejam definidas no Brasil, e demais países para que apontem caminho seguro do desenvolvimento, evitando maiores desastres provocado pelas mudanças do climáticas. Este movimento quer ser uma forma de alerta para o Encontro dos Lideres Mundiais(COP-2009),agendado para 7 a 19 de dezembro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca.

Em *Volta Redonda* um grupo de pessoas como vocês realizarão um *Ato Cívico-Ambiental no dia 24/10, a partir das 8:30h ATÉ 12h, na entrada da Feira Livre, no Aterrado, próximo a Justiça Federal, no local uma BANCA AMBIENTAL acolherá adesões à proposta.

Contribua para o sucesso do evento, inscrevendo sua participação com nome e/ou sua instituição pelo e-mail ou telefone.

O ato em Volta Redonda se somará às outras cidades brasileiras, que estarão demonstrando a preocupação com proposta para o futuro.Venha fazer parte deste movimento mundial.

*“O mundo precisa das soluções climáticas que a ciência e a justiça exigem.”

*Contato:*

Guará – L&L Consultores – (24) 3343-6773 / 8114-0882

Délio – Ong IDEAIS – deguefi@gmail.com

Zezinho – Secretaria do MEP – mepvoltaredonda@yahoo.com.br

Ainda no post, o relato da Guará contando como se deu a iniciativa:
http://aguadonadavida.blogspot.com/2009/10/2410-dia-internacional-de-acao-alerta.html


*SE SOUBEREM DE INICIATIVAS EM OUTRAS CIDADES, POR FAVOR, NOS ENVIEM PARA DIVULGAÇÃO!*

OUTRAS NOTÍCIAS:

Mercado Brasileiro já paga mais por produtos certificados http://migre.me/9oVm (do @WWF_Brasil)

Alerta sobre clima: Reunião ministerial debaixo d´água http://migre.me/9jLV

Conheça o Projeto da SOS Mata Atlântica que conscientiza população para preservação da floresta http://migre.me/9kBe
Fonte: Blog da Água

Indignação com as laranjeiras

* LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?

HÁ uma semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras?" -como se na pergunta tudo estivesse dito.
Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas.

Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".

Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura".

Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.

Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior -o princípio da ordem-, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.

Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?

A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil -e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

* LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". www.bresserpereira.org.br

Do pasto ao prato


Por Cláudia Izique

Duas empresas brasileiras desenvolveram, com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), sistemas capazes de rastrear a cadeia de carnes, permitindo identificar a trajetória do produto desde o nascimento do animal até a chegada do bife no prato. O objetivo é agregar valor à produção de carne bovina e suína no país, abrindo mercados e aumentando a margem de lucro da atividade pecuária.

No caso da carne bovina, com o maior rebanho comercial do mundo, o Brasil exportou 1,3 bilhão de toneladas em 2008, volume 14% inferior ao registrado em 2007. A cotação da tonelada, no entanto, compensou a queda: o setor fechou o ano com ingressos de US$ 5,3 bilhões, 20% a mais do que no período anterior.

O país, agora, procura se alinhar às exigências do mercado externo para se consolidar na posição de maior exportador global de carnes. Mas, para tanto, ainda há barreiras a vencer e a principal delas é atender às exigências de controle do rebanho.
Para isso, o governo federal já conta com o Sistema Brasileiro de identificação Bovina e Bubalina (Sibov) que permite rastrear a cadeia da carne do campo, garantindo a origem e manejo adequado do gado, entre outras informações.

Mas, a partir do frigorífico até o varejo, há o risco desse acervo se perder: ao desossar uma banda de carne identificada por um chip, por exemplo, pode haver erro na identificação das peças e ainda não existe um sistema que permita o seu monitoramento.

Foi exatamente para cobrir essa área cinzenta da cadeia de comercialização e, ao mesmo tempo, alinhar-se às demandas futuras do mercado externo, que a Sima Comércio e Serviços, empresa de consultoria de negócios e de desenvolvimento de tecnologias, arquitetou, em 2004, o projeto Rastro.

Com o apoio do PIPE, a empresa projetou um software para permitir ao consumidor final rastrear a origem da carne. “Constatamos que já existiam softwares semelhantes para atender a criação do gado no campo e outro, para identificação de origem, nos frigoríficos”, disse Arnaldo Ferreira Sima, diretor da empresa, à Agência FAPESP.

Os dois sistemas, no entanto, não são integrados. Essa falha de informação foi constatada in loco. “Pegamos 20 picanhas identificadas como sendo de um novilho macho, de 11 meses, e, depois de teste genético, constatamos que oito eram de fêmeas”, contou.

O projeto então foi modificado e o Rastro se transformou em uma plataforma de integração de vários softwares disponíveis no mercado, inclusive o do Sisbov. Assim, quando o consumidor digitasse o código de barras da embalagem de uma determinada peça de carne, poderia recuperar todas as informações sobre o novilho: fazenda de origem, dados sobre vacinação, sexo, idade do abate, entre outras.
De acordo com Sima, o projeto, que está iniciando a Fase 2 do Pipe, está quase pronto. Por razões de marca, o nome Rastro foi alterado para Pathfinder.

Segundo ele, o projeto estava em andamento quando, em 2007, a FAPESP percebeu que a proposta tinha sinergia com outro PIPE, da empresa BiomicroGen Soluções em Biotecnologia, residente na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), que desenvolve sistema de identificação de genética de matrizes de suínos.
“A FAPESP promoveu o nosso encontro com a Sima”, contou José Luiz Donato, diretor da BiomicroGen, cujo projeto, atualmente, também está na Fase 2 do Pipe. Diferentemente dos bovinos, a identificação suína ainda utiliza sistemas convencionais, como brinco na orelha e tatuagem. Por meio de marcadores genéticos é possível identificar a matriz e, assim, a fazenda ou local de criação de origem.

A parceria entre a Sima e BiomicroGen foi bem sucedida, de acordo com Donato. “Fizemos vários encontros e pensamos, no futuro, em uma associação em uma terceira empresa para, juntos, poder comercializar os dois produtos”, disse.

Quando isso ocorrer, ao adquirir uma peça da carne produzida no Brasil, um consumidor em outro país poderá rastrear, por meio da internet, e em seu próprio idioma, a história do animal que lhe deu origem: a região onde cresceu, se a fazenda neutralizava emissões de carbono proveniente do gado, idade do abate e vacinação.
“Se ainda assim, ele tiver dúvidas quanto à certificação do produto, pode ter acesso à prova genética, já que esses dados estarão armazenados no sistema. Será uma espécie de teste de maternidade”, afirmou Sima. Carnes nobres O Sistema Rastro – Pathfinder é um sistema aberto, baseado na web e que opera de maneira integrada com os sistemas de gestão dos diversos elos da cadeia produtiva. Tem uma arquitetura composta por sete módulos funcionais – em diversos idiomas – que poderão ser acessadas pelos usuários: agrícola, de gestão e produção de insumos, pecuária a manejo, frigorífico, logística, varejo e genética.

Essas informações serão ainda mais estratégicas em caso, por exemplo, de contaminação. “A vigilância sanitária poderá percorrer o caminho de volta daquela carne na cadeia produtiva e fazer o controle de segurança mais preciso”, disse Sima.

Ele observa, por exemplo, que sem ferramentas de rastreabilidade adequadas, o Brasil não conseguirá cumprir a Cota Hilton, uma parcela de exportação de carne bovina sem osso de alta qualidade e valor que a União Européia outorga anualmente a países produtores e exportadores de carnes.

No caso brasileiro, são 11 mil toneladas de cortes nobres, cotadas a US$ 15 mil a tonelada, ante os US$ 7.740 da tonelada de carne comum, e que podem gerar receita superior a US$ 300 milhões.


Fonte: Agência Fapesp

Projeto Sala de aula no meio da Mata Atlântica em São José dos Campos - SP

Projeto de EDUCAÇÃO AMBIENTAL vai deixar a escola pública mais interessante para alunos em São José dos Campos (SP).
A cidade dispõe de uma área pública de Mata Atlântica preservadíssima de 245,7 hectares que foi comprada em 1902 para proteger os rios e nascentes que abasteciam a cidade. A área foi transformada na atual Reserva Ecológica Augusto Ruschi, sendo adminstrada pela Secretaria de Meio Ambiente de São José dos Campos - SEMEA.

Há mais de 30 anos dispõe de trilhas interpretativas para atividades de educação ambiental das escolas. O que é bastante supreendente. Porém, o local era mais utilizado pelas escolas particulares.Agora, chegou a vez das escolas públicas serem beneficiadas.

Confiram como foi a estréia do projeto, que atenderá 100 estudantes de escolas públicas por dia.http://ra-bugio.blogspot.com/Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade / Jaraguá do Sul - SC

Desconhecidas e já ameaçadas



Pesquisadores do Butantan e da USP descrevem duas novas espécies de aranhas caranguejeiras encontradas na Mata Atlântica (Avicularia diversipes/divulgação)

Por Alex Sander Alcântara

O Brasil tem a mais diversificada fauna de espécies de aranhas caranguejeiras, mas boa parte delas ainda não foi catalogada. Um novo estudo publicado na revista Zootaxa descreve duas novas espécies dessas aranhas: a Avicularia sooretama, coletada no Espírito Santo, e a Avicularia gamba, no sul da Bahia. Além disso, o estudo redescreveu a descrição da Avicularia diversipes, que havia sido feita originalmente em 1842.

Mas, para surpresa dos pesquisadores, a Avicularia diversipes e a Avicularia sooretama, embora ainda não estivessem descritas, já eram objeto de comercialização ilegal na Europa.
O objetivo do estudo foi revisar espécies importantes de aranhas caranguejeiras encontradas no bioma da Mata Atlântica. De acordo com um dos autores do artigo, Rogério Bertani, pesquisador do Instituto Butantan, vinculado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, existem poucos grupos no país pesquisando essas espécies, que são muito parecidas.
“Atualmente, a identificação de espécies de aranha caranguejeira é muito complicada, porque faltam trabalhos que revisem a literatura e comparem material recentemente coletado com espécies descritas há mais de 100 anos”, disse à Agência FAPES.

Bertani coordenou o projeto “Sistemática e zoogeografia de aranhas terafosideas neotropicias (Aranea, mygalomorphae, theraphosidae), conduzido com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e concluído este ano.

Segundo o pesquisador, as Avicularias são espécies arborícolas, ou seja, são encontradas principalmente em galhos e troncos de árvores, e são mais comuns na Amazônia. “Mas a Mata Atlântica tem uma fauna interessante e diversa que até agora foi pouco estudada”, disse.

O estudo constatou que a espécie Avicularia diversipes , descrita em 1842, tem uma distribuição geográfica restrita ao sul da Bahia. A A. diversipes era conhecida até então, segundo Bertani, por dois exemplares que estão no Museu de Berlim, na Alemanha, em mau estado de conservação depois de 150 anos.
“Havia apenas dois ou três parágrafos de uma descrição que não permitia identificar o animal. A genitália que é usada na identificação não foi ilustrada porque então não se dava importância para isso. Na época, não se tinha uma dimensão da quantidade de espécies que existiam”, explicou.

Segundo Bertani, detalhes como esse precisam ser incluídos na descrição para que os animais possam ser diferenciados. “Refizemos a descrição acrescentando novas características, incluindo aspectos internos como genitálias. Descrevemos também o macho, que não era conhecido e apresentamos a distribuição geográfica dessa espécie, mostrando que sua presença se dá em uma área bastante limitada”, disse.
A A. diversipes, segundo o pesquisador, espalha-se por uma faixa de cerca de 60 quilômetros por uma extensão de aproximadamente 250 quilômetros, desde Elísio Medrato (BA) até Jussari (BA).

O artigo publicado na Zootaxa é de autoria de Bertani e Caroline Sayuri Fukushima, que faz o doutorado no Butantan com orientação de Paulo Nogueira-Neto, professor emérito da Universidade de São Paulo, co-orientação de Bertani, e apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de Doutorado.

Comércio ilegal A Avicularia sooretama tem seu nome derivado da Reserva Biológica de Sooretama, no extremo norte capixaba. Segundo o estudo, essa espécie ocupa uma faixa de cerca de 100 quilômetros de largura, estendendo-se por áreas florestais que vão de Una, no sul da Bahia, até Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro – localidades que estão afastadas por cerca de mil quilômetros.

A terceira espécie descoberta, a Avicularia gamba, de acordo com Bertani, não tem registros em nenhum outro lugar além do sul da Bahia. Mas para surpresa dos pesquisadores, as espécies raras ou ainda desconhecidas pela ciência já são comercializadas ilegalmente.
“Levamos um susto, porque enquanto estávamos escrevendo o artigo recebemos um e-mail com fotos que comprovavam a existência do comércio desses animais na Europa”, disse.
Segundo ele, ao fazer um mapeamento na internet, o grupo conseguiu datar a entrada dessas espécies na Europa. “Começaram a ser levadas para lá mais ou menos no fim de 2006 ou início do ano seguinte. Em 2008, o comércio da Avicularia diversipes já estava espalhado por oito países da Europa”, afirmou.

“O mais assustador é que se trata de uma espécie encontrada em uma região restrita e eles não apenas tiveram acesso a ela, mas já puderam estabelecer um comércio de escala internacional, antes que pudéssemos terminar de redescrevê-la”, disse.
Com o estudo publicado, os pesquisadores pretendem apresentar aos órgãos de fiscalização ambiental proposta para que essas espécies passem a integrar listas de animais ameaçados. “Seriam as primeiras espécies de aranhas caranguejeiras do Brasil nessas listas”, disse.

Para ler o artigo Description of two new species of Avicularia Lamarck 1818 and redescription of Avicularia diversipes (C.L. Koch 1842) (Araneae, Theraphosidae, Aviculariinae) – three possibly threatened Brazilian species, de Rogério Bertani e Caroline Sayuri Fukushima clique aqui.

Fonte: Agência Fapesp

Descoberto parasitismo social em espécie de abelha sem ferrão


Por Rodrigo Martins - rodrigo.barros.martins@usp.br

Em cada período de sua curta vida uma abelha-operária comum passa pelo chamado “polietismo etário”, ou seja, ela exerce por um determinado tempo uma tarefa específica na colméia, desde sua fase reprodutora, passando pelos períodos em que sai da colméia para recolher néctar e pólen. No entanto, a pesquisadora Denise de Araujo Alves do Instituto de Biociências (IB) da USP, em colaboração com o doutor Tom Wenseleers da Universidade de Leuven na Bélgica, descobriu que algumas abelhas da espécie Melipona scutellaris, também conhecida como uruçu, não participam desse processo, permanecendo a vida toda da colônia, colocando seus ovos nas células de cria dentro do favo.

A pesquisa também mostrou que as abelhas exclusivamente reprodutivas tinham uma idade de aproximadamente 110 dias, o que não é comum para a espécie, que costuma viver por cerca de 31 dias. “Nós acreditamos que elas passaram a vida toda se reproduzindo e sem passar para atividades mais arriscadas”, explica a pesquisadora. Ela comenta ainda que se essas abelhas tivessem saído da colméia para, por exemplo, buscar alimento, elas provavelmente teriam uma vida mais curta, já que essa é considerada uma atividade de alto risco.

A reprodução das abelhas obedece a um princípio chamado partenogênese, onde os óvulos fecundados produzem fêmeas e os ovos não-fecundados produzem machos. As Melipona scutellaris, abelha sem ferrão encontrada nos trechos de Mata Atlântica do Nordeste brasileiro, também são capazes de produzir ovos, contudo, como elas não podem ser fecundadas, todos os seus filhotes nascem machos. A abelha-rainha é a única que tem a capacidade de produzir descendentes dos dois sexos, as fêmeas, que se tornam operárias ou rainhas, e os machos, conhecidos popularmente como zangões, estes também pelo processo de partenogênese.

Parasitismo social
Contudo, o que é mais curioso no caso das abelhas que permanecem se reproduzindo pela vida toda é que elas privilegiam os seus filhotes em detrimento dos da rainha. Cada célula de cria no favo é construída pelas abelhas para que a rainha deposite um ovo. Lá é disponibilizado alimento para que a larva se desenvolva até se tornar uma abelha. O problema é que as abelhas-reprodutoras também depositam seu ovo e fecham a célula para que seu filhote desenvolva.
Dessa maneira, o trabalho realizado pelas abelhas-operárias visando o desenvolvimento dos filhotes da rainha é apropriado pela abelha-reprodutora. “Se as operárias começam a por ovos, elas deixam de trabalhar dentro da colônia e começam a se reproduzir de forma egoísta e entram em conflito com a rainha, pois ela que é a reprodutora da colméia.”

A pesquisadora entende que o mais relevante dessa descoberta é que mesmo com a morte de uma rainha e a chegada de outra, as abelhas-reprodutoras continuam vivendo em razão própria. “Acreditávamos que assim que uma nova rainha se estabelecesse, as abelhas-reprodutoras descendentes dessa nova rainha é que poriam os ovos, e isso não foi exatamente o que aconteceu. O que se viu é que as abelhas ligadas a rainha anterior continuavam na colônia pondo os ovos, o que chamamos de parasitismo social,” esclarece a bióloga.

Denise acredita que essa reação esteja ligada às relações de parentesco entre as abelhas. “Para elas (as operárias-reprodutivas) é muito melhor criar o seu próprio filho do que ficar criando, no caso dessas abelhas que ultrapassam gerações, o filho da sua sobrinha, o seu sobrinho-neto.”

Prevalência da geração anterior
A pesquisa faz parte da tese de doutorado da bióloga, desenvolvida no Laboratório de Abelhas do Departamento de Ecologia do IB. O estudo, que é mais amplo que as evidências encontradas, está voltado para a análise da produção de abelhas sexuadas em pequenas populações de Melipona scutellaris, mais especificamente uma população na sua zona de ocorrência natural, em Igarassu, Pernambuco, e duas populações isoladas no estado de São Paulo. Por abelhas sexuadas entenda-se os machos e a rainha de cada colméia.
Justamente por analisar os machos dentro da colméia, Denise quis descobrir qual era a quantidade de zangões que não eram filhos da rainha. Em uma parceria com a Universidade de Leuven, ela analisou a geneticamente os machos para saber qual era sua ascendência.

Dos zangões analisados cerca de 23% não descendiam da rainha, mas sim das abelhas-reprodutoras. E dentro desse grupo 80% eram filhos das abelhas ligadas à rainha anterior. O que pode demonstrar que a relação de parentesco é um fator importante para o parasitismo social entre as abelhas.

Para a pesquisadora, o parasitismo não chega a prejudicar o funcionamento da colméia. Das cerca de 3 mil abelhas que chegam a habitar simultaneamte uma colméia, as abelhas-reprodutoras chegam a apenas 4% do total (de acordo com estudo realizado em outra espécie de abelha sem ferrão). “É uma fração tão pequena de abelhas que faz isso, que não causa nenhum dano à colônia.”
Fonte: Agência Fapesp

Descoberto parasitismo social em espécie de abelha sem ferrão

Por Rodrigo Martins - rodrigo.barros.martins@usp.br

Em cada período de sua curta vida uma abelha-operária comum passa pelo chamado "polietismo etário", ou seja, ela exerce por um determinado tempo uma tarefa específica na colméia, desde sua fase reprodutora, passando pelos períodos em que sai da colméia para recolher néctar e pólen. No entanto, a pesquisadora Denise de Araujo Alves do Instituto de Biociências (IB) da USP, em colaboração com o doutor Tom Wenseleers da Universidade de Leuven na Bélgica, descobriu que algumas abelhas da espécie Melipona scutellaris, também conhecida como uruçu, não participam desse processo, permanecendo a vida toda da colônia, colocando seus ovos nas células de cria dentro do favo.

A pesquisa também mostrou que as abelhas exclusivamente reprodutivas tinham uma idade de aproximadamente 110 dias, o que não é comum para a espécie, que costuma viver por cerca de 31 dias. "Nós acreditamos que elas passaram a vida toda se reproduzindo e sem passar para atividades mais arriscadas", explica a pesquisadora. Ela comenta ainda que se essas abelhas tivessem saído da colméia para, por exemplo, buscar alimento, elas provavelmente teriam uma vida mais curta, já que essa é considerada uma atividade de alto risco.

A reprodução das abelhas obedece a um princípio chamado partenogênese, onde os óvulos fecundados produzem fêmeas e os ovos não-fecundados produzem machos. As Melipona scutellaris, abelha sem ferrão encontrada nos trechos de Mata Atlântica do Nordeste brasileiro, também são capazes de produzir ovos, contudo, como elas não podem ser fecundadas, todos os seus filhotes nascem machos. A abelha-rainha é a única que tem a capacidade de produzir descendentes dos dois sexos, as fêmeas, que se tornam operárias ou rainhas, e os machos, conhecidos popularmente como zangões, estes também pelo processo de partenogênese.

Parasitismo social
Contudo, o que é mais curioso no caso das abelhas que permanecem se reproduzindo pela vida toda é que elas privilegiam os seus filhotes em detrimento dos da rainha. Cada célula de cria no favo é construída pelas abelhas para que a rainha deposite um ovo. Lá é disponibilizado alimento para que a larva se desenvolva até se tornar uma abelha. O problema é que as abelhas-reprodutoras também depositam seu ovo e fecham a célula para que seu filhote desenvolva.

Dessa maneira, o trabalho realizado pelas abelhas-operárias visando o desenvolvimento dos filhotes da rainha é apropriado pela abelha-reprodutora. "Se as operárias começam a por ovos, elas deixam de trabalhar dentro da colônia e começam a se reproduzir de forma egoísta e entram em conflito com a rainha, pois ela que é a reprodutora da colméia."

A pesquisadora entende que o mais relevante dessa descoberta é que mesmo com a morte de uma rainha e a chegada de outra, as abelhas-reprodutoras continuam vivendo em razão própria. "Acreditávamos que assim que uma nova rainha se estabelecesse, as abelhas-reprodutoras descendentes dessa nova rainha é que poriam os ovos, e isso não foi exatamente o que aconteceu. O que se viu é que as abelhas ligadas a rainha anterior continuavam na colônia pondo os ovos, o que chamamos de parasitismo social," esclarece a bióloga.

Denise acredita que essa reação esteja ligada às relações de parentesco entre as abelhas. "Para elas (as operárias-reprodutivas) é muito melhor criar o seu próprio filho do que ficar criando, no caso dessas abelhas que ultrapassam gerações, o filho da sua sobrinha, o seu sobrinho-neto."

Prevalência da geração anterior
A pesquisa faz parte da tese de doutorado da bióloga, desenvolvida no Laboratório de Abelhas do Departamento de Ecologia do IB. O estudo, que é mais amplo que as evidências encontradas, está voltado para a análise da produção de abelhas sexuadas em pequenas populações de Melipona scutellaris, mais especificamente uma população na sua zona de ocorrência natural, em Igarassu, Pernambuco, e duas populações isoladas no estado de São Paulo. Por abelhas sexuadas entenda-se os machos e a rainha de cada colméia.

Justamente por analisar os machos dentro da colméia, Denise quis descobrir qual era a quantidade de zangões que não eram filhos da rainha. Em uma parceria com a Universidade de Leuven, ela analisou a geneticamente os machos para saber qual era sua ascendência.

Dos zangões analisados cerca de 23% não descendiam da rainha, mas sim das abelhas-reprodutoras. E dentro desse grupo 80% eram filhos das abelhas ligadas à rainha anterior. O que pode demonstrar que a relação de parentesco é um fator importante para o parasitismo social entre as abelhas.

Para a pesquisadora, o parasitismo não chega a prejudicar o funcionamento da colméia. Das cerca de 3 mil abelhas que chegam a habitar simultaneamte uma colméia, as abelhas-reprodutoras chegam a apenas 4% do total (de acordo com estudo realizado em outra espécie de abelha sem ferrão). "É uma fração tão pequena de abelhas que faz isso, que não causa nenhum dano à colônia."

Mais informações no Laboratório de Abelhas do IB, email daalves@ib.usp.br, com a pesquisadora Denise de Araujo Alves.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Metais extraterrestres

Segundo um novo estudo feito por geólogos da Universidade de Toronto (Canadá) e da Universidade de Maryland (Estados Unidos), a riqueza de alguns minerais abaixo da superfície da Terra pode ter origem extraterrestre.

“A temperatura extrema na qual o núcleo da Terra se formou há mais de 4 brilhões de anos teria eliminado completamente qualquer metal precioso da crosta rochosa e o depositado no núcleo”, disse James Brenan, do Departamento de Geologia da Universidade de Toronto e coautor do estudo publicado na revista Nature Geoscience neste domingo (18/10).

“Desse modo, a pergunta é por que há, atualmente, concentrações detectáveis, e mesmo capazes de serem extraídas pela mineração, de metais preciosos como platina ou ródio, na porção rochosa da Terra? Os resultados de nossos estudos indicam que eles não poderiam ter parado ali por qualquer processo interno”, disse Brenan.

Há tempos os cientistas especulam que de 4 a 4,5 bilhões de anos atrás a Terra era uma massa fria de rocha misturada com ferro e o metal teria sido derretido pelo calor gerado do impacto de objetos de grande massa na superfície do planeta que então se formava.

O processo teria feito com que o ferro se separasse da rocha e formasse o núcleo do planeta. Brenan e William McDonough, da Universidade de Maryland, recriaram a pressão e temperatura extremas do processo, submetendo uma mistura semelhante a temperaturas acima de 2.000º C e medindo a composição de rocha e ferro resultante.

Como o metal foi eliminado da rocha no processo, os cientistas estimam que o mesmo teria ocorrido quando a Terra foi formada. Ou seja, alguns metais, como os metais de transição ósmio e irídio, não poderiam derivar de processos internos.

Segundo eles, algum tipo da fonte externa teria contribuído para a sua presença na porção rochosa exterior da Terra. “Como uma ‘chuva’ de detritos extraterrestres, tais como cometas ou meteoritos”, apontou Brenan.

“A noção dessa chuva extraterrestre também pode explicar outro mistério, que é como a porção rochosa da Terra acabou tendo hidrogênio, carbono e fósforo, os componentes essenciais da vida, que provavelmente foram perdidos durante a violenta formação do planeta”, disse.

O estudo teve apoio da Nasa, a agência espacial norte-americana, e do Conselho de Pesquisas em Ciências Naturais e Engenharias do Canadá.

O artigo Core formation and metal-silicate fractionation of osmium and iridium from gold, de James M. Brenan e William F. McDonough, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em www.nature.com/naturegeoscience.

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 4 de agosto de 2009

OEMAs debatem politicas ambientais em congresso

No período de 12 a 14 de agosto, cerca de 500 pessoas, entre secretários de Estado, técnicos e gestores dos órgãos ambientais estaduais de todo o Brasil estarão reunidas no I Congresso da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (ABEMA), na cidade de São Paulo.

Fundada em 1985, a entidade representa 48 órgãos estaduais de Meio Ambiente (OEMAs) e promove seu primeiro congresso. Segundo Aloysio Costa Junior, presidente da ABEMA, “o congresso é um esforço político, institucional e financeiro do conjunto dos estados, que, entendendo sua importância no contexto ambiental, resolveram buscar a consolidação de uma estratégia política e técnica visando à tomada de decisão coletiva e harmônica para o fortalecimento do Sisnama”.

Na opinião de Aloysio, os estados têm o que falar, pois executam parte importante da política nacional. "O momento acalorado das discussões ambientais no país também contribuiu para essa decisão de elaborar uma agenda programática e contribuir no melhoramento da eficácia da política ambiental", destacou.

O Congresso

Tendo como foco principal "O papel dos estados na política ambiental brasileira", durante três dias os participantes terão a oportunidade de debater sobre os mais importantes temas ambientais do cenário nacional.

Com as presenças já confirmadas do governador do Estado de São Paulo, José Serra, do ministro do meio ambiente, Carlos Minc, da presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu, dos presidentes do IBAMA e do ICMBio, entre os mais de vinte palestrantes, o congresso promete trazer aos presentes discussões intensas sobre alterações no Código Florestal Brasileiro, licenciamento ambiental, mudanças climáticas, áreas protegidas, compensação ambiental, biodiversidade, entre outros temas.

O Congresso, que terá fóruns de secretários e dirigentes, de técnicos e de assessores jurídicos dos OEMAs, definirá a agenda política dos estados para os próximos dois anos e elegerá a nova diretoria da entidade. “Num momento de grandes polêmicas envolvendo as questões ambientais, os estados querem ter sua agenda própria e definir suas posições em relação a esses temas”, afirma Aloysio.

Feira de Boas Práticas dos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAs)

Secretarias de meio ambiente de diversas regiões do Brasil estarão apresentando seus principais projetos na Feira de Boas Práticas dos OEMAs, que será realizada juntamente com o Congresso. O grande objetivo da feira é dar visibilidade aos projetos e experiências de sucessorealizadas pelos estados, além de proporcionar um espaço para que seusprotagonistas troquem informações e estabeleçam futuras relações. De acordo com a ABEMA, a ideia é que as instituições mostrem suas experiências e projetos de sucesso, proporcionando um espaço para dialogo e intercâmbio entre elas.

Sobre a ABEMA

Fundada em 1985, a entidade completa 24 anos de existência neste mês de agosto, representando 48 órgãos estaduais de meio ambiente, congregando secretarias de estado, autarquias e fundações, responsáveis pela implementação da política ambiental, pelo licenciamento ambiental, pela gestão florestal, da biodiversidade e dos recursos hídricos, que concentram boa parte das responsabilidades pelas políticas públicas de meio ambiente do Brasil.

A ABEMA foi criada num período de início da redemocratização do país. Sua criação se deu logo após a aprovação da Lei que instituiu a Política Nacional de Meio Ambiente (1981) e a instalação do Conselho Nacional de Meio Ambiente (1983), e teve como objetivo inicial fortalecer as posições dos estados, então de orientação progressista em relação ao governo federal, no debate nacional.

A entidade teve participação ativa no processo de consolidação da política ambiental, através da descentralização das atividades então concentradas no plano federal, e nos grandes momentos de tomada de decisão que fizeram com que o arcabouço normativo brasileiro seja considerado um dos mais avançados do mundo, em especial nas discussões sobre o capítulo de meio ambiente da Constituição Federal de 1988. A contribuição técnica dos estados também foi decisiva para as resoluções do CONAMA, como a 01/86, que estabeleceu a exigência de licenciamento ambiental e EIA-RIMA para atividades potencialmente poluidoras, e a 237/97, que disciplinou as responsabilidades sobre o licenciamento de atividades de impacto local e iniciou o processo de municipalização da gestão ambiental no país, entre outras.

A ABEMA também conquistou espaços importantes no cenário internacional participando ativamente dos fóruns globais do setor, como as Conferências das Partes das Convenções e Tratados Internacionais. Em 2002, em encontro paralelo à Cúpula Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em Johanesburgo, deu ao Brasil papel de destaque na fundação da Rede Mundial de Governos Regionais Para o Desenvolvimento Sustentável, que tem como objetivo organizar os governos subnacionais e garantir sua participação nas discussões sobre a agenda ambiental global.
Mais detalhes sobre o I Congresso podem ser obtidos pelo site do evento: www.congressoabema.com.br

Fabrício Ângelo
Assessoria de Imprensa
fabrangelo@gmail.com

terça-feira, 14 de julho de 2009

Por Fábio de Castro, de Manaus

Em julho de 2007, pesquisadores que atuam no Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF) – o principal experimento no mundo dedicado ao estudo dos efeitos da fragmentação em florestas tropicais – já alertavam que aquela verdadeira floresta laboratório estava seriamente ameaçada pela política de colonização da área.

Dois anos depois, apesar do apelo dos cientistas, publicado na revista Nature, a situação permanece estagnada, segundo o coordenador científico do PDBFF, José Luís Camargo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Desde então, a chegada de novos colonos à área do projeto praticamente cessou, graças à crise econômica. Mas nada foi feito para impedir que isso volte a ocorrer no futuro. Sem uma definição precisa da política de colonização da área, a pressão populacional de Manaus em breve se tornará uma ameaça real ao experimento”, disse Camargo à Agência FAPESP durante a 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na capital amazonense.

Uma parceria entre o Inpa e o Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais, nos Estados Unidos, o PDBFF tem o objetivo de avaliar mudanças causadas no ecossistema da floresta tropical à medida que ela é fragmentada. Criado há 30 anos, o projeto já gerou mais de 500 artigos, além de 115 teses e dissertações.

Segundo Camargo, o projeto ocupa uma área de 1 quilômetro quadrado na qual há fragmentos comparáveis de 1, 10 e 100 hectares, ilhados em áreas desmatadas desde a década de 1970. Essa configuração permite o monitoramento comparativo antes mesmo de as áreas terem sido alteradas, o que confere ao projeto um valor científico incalculável. Mas a localização, a apenas 80 quilômetros de Manaus, representa um risco iminente. “O acesso é relativamente fácil e a pressão urbana tende a aumentar. Manaus já dobrou a sua população nos últimos 20 anos, o que caracteriza uma explosão habitacional. Com os investimentos que serão trazidos à cidade com sua escolha para ser uma das sedes da Copa do Mundo de futebol, essa pressão populacional poderá se tornar incontrolável”, afirmou.

Camargo explica que o projeto se localiza no Distrito Agropecuário da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A Suframa, segundo ele, realizou, em associação com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), um plano de distribuição de pequenos lotes adjacentes às áreas de pesquisa. “Nos últimos dois anos a crise diminuiu essa movimentação, mas não houve iniciativas para uma definição política que impusesse, por exemplo, a criação de zonas-tampão que impedissem os assentamentos contíguos às áreas de pesquisa”, disse.

Para o cientista, o impacto não seria tão ameaçador se a instalação dos colonos estivesse associada a Sistemas Agroflorestais (SAF). “Mas não é o que vemos. As famílias que vão para lá estão se dedicando à produção de carvão. No entanto, aquelas áreas poderiam ser recuperadas, pois hoje temos técnicas de enriquecimento de capoeiras capazes de recuperar a floresta”, destacou.

Entender a floresta

O norte-americano William Laurance, do Instituto Smithsonian – que em 2007 assinou em coautoria com Regina Luizão, do Inpa, o artigo na Nature alertando para os riscos corridos pelo PDBFF –, afirmou que a própria Suframa realizou há cerca de cinco anos um projeto de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) no distrito, concluindo que a área é um hotspot de biodiversidade (uma das áreas prioritárias para a conservação global). “O estudo foi extraordinariamente bem feito mas, aparentemente, os autores ficaram sentados em cima dele, porque nunca chegou a ser lançado oficialmente. Achamos preocupante a atitude da Suframa em relação à colonização. Os colonos estão queimando a floresta para fazer carvão e vender em Manaus. E essa devastação, ainda por cima, rende muito pouco a essa população”, disse.

Segundo Laurance, as pesquisas realizadas no PDBFF têm contribuído de forma contundente para o conhecimento dos impactos da fragmentação florestal. “Graças aos estudos feitos nesse experimento pudemos verificar que o tamanho dos fragmentos tem uma correlação com a vulnerabilidade da floresta: quanto menor o fragmento, maior a mortalidade de árvores e a suscetibilidade aos impactos das mudanças climáticas, da exploração de madeira e queimadas”, disse.

A partir desses estudos, os pesquisadores tentam entender que fatores causam as mudanças ecológicas detectadas em fragmentos florestais, como a alta mortalidade de árvores. “Foi identificado, por exemplo, que a mortalidade é muito maior perto das bordas dos fragmentos, já que os ventos são mais intensos, expondo especialmente as árvores maiores. Outro fator é o efeito das matrizes adjacentes: as pastagens em torno do fragmento, por exemplo, causam mudanças microclimáticas importantes, tornando as bordas mais secas e quentes”, disse.

Segundo Laurance, novos estudos realizados na área, que serão publicados em breve, têm feito a identificação botânica das árvores jovens, com diâmetro entre 1 e 10 centímetros.
“Estamos fazendo estudos fitodemográficos com essas árvores jovens para saber em que medida sua composição está sofrendo modificações e se determinadas espécies são mais ou menos vulneráveis à fragmentação. Já sabemos que entre as árvores adultas há muito mais mortalidade nas bordas dos fragmentos. Nos interessa entender agora a dinâmica das árvores jovens porque elas correspondem ao futuro da floresta”, afirmou.

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 7 de julho de 2009

Vaga-lumes sinalizam impactos ambientais

Por Jussara Mangini

O Brasil é o país com maior diversidade de espécies luminescentes no mundo. A emissão de luz fria e visível por seres vivos é observada em organismos que vão de bactérias a peixes, incluindo vaga-lumes e as chamadas larvas “trenzinho”, que emitem luz em duas cores.

Entender como a luz é produzida nesses organismos pode iluminar o caminho para o diagnóstico e tratamento de doenças como câncer e infecções bacterianas. As enzimas responsáveis pela bioluminescência – as luciferases, que catalisam a reação que produz a luz nos animais, e as proteínas fluorescentes, que têm a propriedade de mudar a cor da luz – estão sendo aplicadas em biotecnologia e em bioimageamento de processos patológicos.

Dada a importância dos organismos bioluminescentes, sua conservação é prioridade para Vadim Viviani, professor do campus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele investiga, há mais de dez anos, o mecanismo de funcionamento da bioluminescência e as possibilidades de aplicação como agentes bioanalíticos, bioindicadores e biossensores.

Há dois anos, Viviani coordena o projeto de pesquisa “Vaga-lumes da Mata Atlântica – Biodiversidade e uso como bioindicadores”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular e realizado no âmbito do programa Biota-FAPESP.
“Com os impactos ambientais, a riqueza desses organismos está se perdendo. Para utilizar espécies como o vaga-lume para essas finalidades, é necessário preservá-las, principalmente conservando seus ambientes naturais”, disse à Agência FAPESP.

Nesse estudo, a equipe orientada pelo pesquisador, que também é líder do grupo Bioluminescência e Biofotônica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), está catalogando a biodiversidade de vaga-lumes na Mata Atlântica do Estado de São Paulo, estudando sua evolução sob o aspecto molecular e avaliando algumas espécies-chave como indicadores ambientais de áreas palustres e ribeirinhas.

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em vaga-lumes no mundo. Em um único trecho, em Salesópolis (SP), por exemplo, foram catalogadas 50 espécies. Segundo Viviani, embora o Brasil concentre cerca de 25% das 2 mil espécies descritas, não se aproveita o potencial do vaga-lume como bioindicador de impacto ambiental.

Existem espécies que vivem em ambientes palustres (aquáticos). Quando a água está poluída desaparece o caramujo, que é o alimento do vaga-lume, e, com isso, a espécie some. Já em locais em que os cursos de água (brejo) estão preservados, o inseto permanece ou volta. “No Japão, vaga-lumes são muito usados como bioindicadores na recuperação de cursos de água”, comentou.

Tais insetos também são bons modelos para entender o impacto da poluição luminosa. Eles usam seu sinal luminoso para fins de reprodução – é um padrão de comunicação sexual. Quando o nível de iluminação de fundo aumenta, macho e fêmea não conseguem se localizar pelo sinal.

De acordo com Viviani, o impacto da poluição luminosa ocorre em diversos organismos, principalmente os noturnos. Pode afetar a relação predador-presa tornando um ou outro mais visível.

Os filhotes de tartarugas marinhas, por exemplo, quando os ovos eclodem, se orientam pela luz das estrelas a caminho do mar. Quando avistam luz da cidade seguem na direção contrária, comprometendo sua sobrevivência. “Infelizmente, nunca foi dada muita atenção para a poluição luminosa”, ressaltou. Conhecimento acumulado Há muito interesse em saber qual o mecanismo de funcionamento das enzimas relacionadas com a bioluminescência e, a partir disso, tentar modificá-las para torná-las ainda mais aplicáveis do que já são, inclusive na área ambiental. Existem, por exemplo, diversos biossensores que usam luciferases de vaga-lume, em nível molecular, para detectar agentes tóxicos na água. Recentemente, outro grupo orientado por Viviani comparou enzimas luciferases clonadas com uma proteína semelhante, mas fracamente bioluminescente – uma AMP-ligase, presente em todos os organismos e que desempenha variadas funções metabólicas.

O objetivo foi descobrir se e como a AMP-ligase pode adquirir a propriedade de produzir luz. Segundo o professor da UFSCar, esse tipo de informação pode ajudar a tornar mais eficientes as enzimas que já produzem luz e tornar enzimas que não produzem em luminescentes.
Durante o 15º Congresso Internacional de Fotobiologia, realizado em Dusseldorf, na Alemanha, de 18 a 23 de junho, Viviani coordenou o Simpósio de Bioluminescência, no qual importantes avanços científicos sobre a estrutura e função dessas enzimas e as crescentes aplicações em bioimageamento foram discutidos por cientistas de diferentes nacionalidades.

Em 2008, o conhecimento produzido por diversos especialistas da área de bioluminescência foi apresentado no livro Luciferases and fluorescent proteins: principles and biotechology and bioimaging (Luciferases e proteínas fluorescentes: princípios e avanços em biotecnologia e bioimageamento), editado por Viviani.

Fonte: Agência Fapesp

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Rebia promove debate sobre Comunicação e Educação Ambiental durante o VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental

O Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, que está em sua sexta edição, é um evento de âmbito nacional que se constitui no grande encontro dedicado a esta temática no Brasil. Sob a responsabilidade da Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea), coletivo que reúne os educadores ambientais do país, os fóruns vêm se consolidando como um espaço de destaque que congrega e articula os mais diversos atores e segmentos da Educação Ambiental (EA).

As três primeiras edições do evento aconteceram em São Paulo. Esse ano o VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental será sediado pela cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 22 a 25 de julho. A expectativa da organização do evento é contar com mais de cinco mil participantes.
No dia 24 de julho a Rebia (Rede Brasileira de Informação Ambiental), estará oferecendo aos participantes do Fórum uma oficina de Comunicação para Sustentabilidade, ministrada pelos jornalistas Efraim Neto e Fabrício Ângelo. Além disso, irá promover o I Encontro de Educação e Informação Ambiental, que será realizado no dia 25.

A instituição terá um stand instalado na área do evento para que os participantes do Fórum possam conhecer os produtos da Rebia, que levam informação sobre meio ambiente a mais de 30 mil enredados e assinantes de seu boletim informativo.

Segundo o jornalista e escritor Vilmar Berna, fundador da Rebia e da Revista do Meio Ambiente, a Comunicação e a Educação Ambiental são indispensáveis no processo de formação e fortalecimento da cidadania socioambiental. De acordo com Berna, uma sociedade ambientalmente mais bem informada será capaz de fazer escolhas melhores rumo a uma sociedade de baixo carbono, ambientalmente sustentável e socialmente mais justa. “Entretanto, sem uma educação ambiental que contribua para a formação de novos valores, a simples democratização da informação ambiental pode provocar um efeito inverso, como o aumento da corrida consumista e predatória a recursos naturais em risco de extinção, por pessoas movidas por valores gananciosos e egoístas.”

O escritor e editor do Portal do Meio Ambiente ressaltou que a Rede Brasileira de Informação Ambiental – REBIA vem apoiando as Redes de Educação Ambiental no Brasil e de Educomunicação, principalmente quando compreendem e divulgam a importância desta convergência entre Comunicação e Educação Ambiental, “como é o caso deste VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental e também do II Simpósio de Educação Ambiental Empresarial do Rio de Janeiro (II SEARJ), que ocorrerá em outubro de 2009”, disse.

O jornalista Efraim Neto, coordenador do Núcleo de Juventude da Rebia, informou que a oficina “Comunicação para Sustentabilidade” objetiva proporcionar aos participantes um embasamento teórico e prático sobre as diferentes visões de mundo e modelos de desenvolvimento, a partir do papel exercido pela comunicação. “Pretendemos mostrar aos participantes como podem exercitar a visão sistêmica, promover a alfabetização ecológica e o entendimento mais amplo do que seja a sustentabilidade e seus múltiplos desdobramentos”, concluiu.
Mais informações em : http://forumearebea.org e www.rebia.org.br

* Vilmar Berna é autor do livro e curso à distância na UFF (Universidade Federal Fluminense), “Como Fazer Educação Ambiental” – mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Consumidor informado pode ajudar no combate ao desmatamento

Ministério Público Federal pede apoio dos consumidores; objetivo é saber se empresas deixaram de revender produtos derivados do gado criado em áreas devastadas da Amazônia.

A partir deste mês o consumidor brasileiro tem mais um argumento para exigir informações sobre a procedência da carne e de outros produtos derivados do boi: ajudar o Ministério Público Federal (MPF) a combater o desmatamento na Amazônia.

O MPF encaminhou notificações a grandes empresas revendedoras de derivados do boi e a fabricantes que utilizam essa matéria-prima, alertando-as a evitarem comercializar produtos cuja origem é a criação ilegal de gado em áreas desmatadas.

As empresas também foram advertidas sobre a obrigação de informarem seus consumidores sobre a origem dos produtos. Se nas embalagens você não encontrar a informação de que aquilo que você está comprando não incentiva a degradação ambiental, evite adquirir o produto e avise o Ministério Público Federal ou o Procon mais próximo.

“Essa participação dos cidadãos na luta contra o desmatamento é importantíssima. No século XXI, o consumidor é quem decidirá os rumos do mercado, e não o contrário”, enfatiza o procurador da República Daniel César Azeredo Avelino, um dos autores das notificações.

Entre as empresas notificadas estão varejistas de grande porte, como o Carrefour, Wal Mart, Bompreço e Pão de Açúcar. Além de notificar as revendedoras, o MPF, juntamente com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entrou na justiça contra quem cria gado em áreas de desmatamento e quem compra produtos desses criadores.

A atividade dos fazendeiros ilegais ficou conhecida como “a farra do boi na Amazônia”. Foram propostas 21 ações pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações pelos danos ambientais à sociedade brasileira. Entre os frigoríficos processados está um dos maiores do Brasil, a Bertin S.A, que comprou gado de fazendas multadas pelo Ibama e de uma que fica dentro de uma reserva indígena. Entre as fazendas irregulares, nove pertencem à agropecuária Santa Bárbara.

EMPRESAS

ACADIL-ARMAZENAGEM COMERCIO E DISTRIBUICAO DE ALIMENTOS LTDA

ARTE E CARNE SAUDE FRIGORIFICO LTDAASA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA

ATACADAO DISTRIBUICAO COMERCIO E INDUSTRIA LTDA

AVIPAL NORDESTE S/A (PERDIGÃO)

BARRA COMERCIAL DE CARNES LTDA

BBA - INDUSTRIA OPOTERAPICA LTDA

BOMPRECO SUPERMERCADOS DO NORDESTE LTDA

BONANZA SUPERMERCADOS LTDA

CALÇADOS DILLY NORDESTE S/A

CARREFOUR COMERCIO E INDUSTRIA LTDA

CEARA FRANGOS

CENTRO SUL COMERCIO ATACADISTA DE CARNES LTDA

CEREAIS BRAMIL LTDA

COAN - ALIMENTACAO & SERVICOS - GERALDO J COAN & CIA LTDA

COMCARNE COMERCIAL DE CARNE LTDA.

COTEMINAS S.A.

CURTUME ZEBLUE LTDA

D’AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA

DEL MONTE FRESH PRODUCE BRASIL LTDA

DISTCARNES - DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA.

DISTRIBUIDORA CODOENSE - F. C. OLIVEIRA & CIA. LTDA

DISTRIBUIDORA P H DE CARNE LTDA

ESMALTEC S/A

ESPERANCA NORDESTE LTDA

FORMOSA SUPERMERCADOS E MAGAZINE LTDA

FRESENIUS KABI BRASIL LTDA. (FARMACÊUTICA)

FRIBOI - JBS S/AGELITA DO BRASIL LTDA.

GR S.AGRAN SAPORE BR BRASIL S.A.

GRANJA SELECTA LTDA EPP

GRUPO PÃO DE AÇUCAR - COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUICAO

HIPER MATEUS SUPERMERCADOS LTDA.

IFC INTERNATIONAL FOOD COMPANY INDUSTRIA DE ALIMENTOS S.A. (MISTER Z)

INDUSTRIAS REUNIDAS RAYMUNDO DA FONTE SA (BRILUX, EVEN ETC.)

INTERCONTINENTAL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDAJ.

B. RACOES NORDESTE LTDA

LIDER SUPERMERCADOS E MAGAZINE LTDA

LOPESCO INDUSTRIA DE SUBPRODUTOS ANIMAIS LTDA.

MAKARU INDUSTRIA COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA

MAKRO ATACADISTA SOCIEDADE ANONIMAMASTERBOI LTDA.

MINERVA S.A.

NORDESTE BOI - NORDESTE COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA

NORSA REFRIGERANTES LTDA

NUTRON ALIMENTOS LTDA

PENASUL ALIMENTOS LTDA

PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A

QUALIT CARNES - COMERCIO DE CARNES PADRE CICERO LTDA

RACOES MAURICEA - MAURICEA ALIMENTOS DO NORDESTE LTDA

REBIERE GELATINAS LTDA

REGINA ALIMENTOS S A

ROLDAO AUTO SERVICO COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA.

ROUSSELOT GELATINAS DO BRASIL S/A

SABUGI CARNES - COMERCIAL SABUGI LTDA

SADIA S.A.SANTOS - BRASIL S/A

SEARA ALIMENTOS S/A

SENDAS DISTRIBUIDORA S/A

SINCOPLEMA-SOC INDL E COML PROD LIMPEZA DO MARANHAO LTD

SOLABIA BIOTECNOLOGICA LTDA

TORLIM PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA

VICUNHA TEXTIL S/A.

VULCABRAS DO NORDESTE S/A

WAL MART BRASIL LTDA

WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA.

YPÊ - QUIMICA AMPARO LTDA

YPIOCA AGROINDUSTRIAL LTDA

Fonte : Assessoria de comunicação, Procuradoria da República no Estado do Pará.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dia da Mata Atlântica marca desafio de proteger o que ainda resta

Maiores remanescentes contínuos do país, parques paulistas iniciam testes para criar sistema de monitoramento dos impactos da visitação

Ela protege uma das mais ricas biodiversidades do mundo, oferece locais de beleza cênica sem igual, contribui com o fornecimento de água para mais da metade da população brasileira e na regulação do clima de algumas das maiores cidades do país. É impossível falar da Mata Atlântica, uma das florestas mais exuberantes do mundo, sem usar superlativos para dimensionar sua importância e evidenciar sua urgente proteção. Restam apenas 7% do bioma em seu estado natural e 60% dos animais ameaçados de extinção do país dependem desse ambiente para sobreviver.Nesta quarta-feira, 27, comemora-se o Dia da Mata Atlântica. A data marca a necessidade de barrar o desmatamento, recuperar o que foi degradado, ampliar o número de áreas protegidas, públicas e privadas, e melhorar a gestão daquelas que já existem. Os principais núcleos de resistência da floresta são as áreas já protegidas, ou seja, parques públicos e reservas particulares criados por lei.

Setenta anos depois de criada a primeira unidade de conservação - o Parque Nacional do Itatiaia - para evitar a destruição de trechos fundamentais do bioma, agora o desafio é aperfeiçoar a infraestrutura e modelo de gestão dos parques para que o visitante destas áreas passe a ser mais um aliado na conservação da Mata Atlântica.
"À medida que as pessoas conheçam e descubram para que servem as unidades de conservação e a relação direta dessas áreas com sua qualidade de vida, elas passarão a apoiar e contribuir para que elas se perpetuem, tornando-se aliadas da conservação ambiental", aposta a coordenadora do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil, Luciana Simões.
Sistema será criado para minimizar impactos

No estado de São Paulo, onde se encontram os maiores trechos florestais em bom estado de conservação, especialistas iniciam em junho atividades em três parques estaduais - Intervales, Serra do Mar e Itinguçu. As informações como largura e condições das trilhas, presença de lixo, e outros possíveis impactos vão compor os testes essenciais para, de um lado, controlar e prevenir o impacto da visitação e, de outro, melhorar as condições para que as unidades de conservação possam melhor receber as pessoas que queiram conhecer e proteger a Mata Atlântica. Com os testes pilotos espera-se criar um sistema de monitoramento para ser incorporado por todos os 29 parques paulistas que recebem por ano 1,2 milhões de visitantes. Neste primeiro semestre de 2009, o projeto prevê ainda a capacitação das equipes dos parques sobre o acompanhamento e a manutenção das trilhas até os atrativos naturais como cachoeiras, riachos, formações rochosas etc.

Conforme Luiz Roberto Oliveira, técnico da Fundação Florestal, o principal objetivo não é aumentar a visitação destas áreas, mas "oferecer aos visitantes melhores atrativos, informação e segurança, propiciando que os parques tenham os meios para garantir a conservação desses recursos naturais".

O projeto de melhoria das unidades de conservação desenvolvido em parceria entre WWF-Brasil e Fundação Florestal soma-se a um conjunto de medidas propostas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo para aprimorar a gestão dos parques e consolidar a vocação turística sustentável dessas áreas. Além de estudos para evitar e minimizar os impactos da visitação, será realizado o levantamento do potencial econômico dos produtos turísticos e o investimento na infraestrutura receptiva (centro de visitação, sinalização, instalações sanitárias, trilhas suspensas) dos parques.

Patrimônio biodiverso

A complexa interação entre as correntes oceânicas e o relevo de altitude da costa brasileira resultou numa das regiões naturais de maior biodiversidade do planeta. Caracterizada por diferentes ecossistemas, como exuberantes florestas, campos de altitude, mangues e restingas, a chamada Mata Atlântica originalmente cobria todo litoral brasileiro, ao longo de 1,3 milhões de quilômetros quadrados.

Toda essa riqueza de ambientes também repercutiu na formação de um berçário de espécies únicas. Nestes bolsões de biodiversidade são encontrados nada menos de 7% das espécies mundiais de animais e plantas, que vivem sob intensa ameaça numa das áreas mais populosas do país. "Pela sua importância em escala global, como uma das florestas mais biodiversas e ameaçadas do mundo, ações para a conservação da Mata Atlântica significam manter um patrimônio fundamental não só para o país, mas para o planeta", ressalta a secretária geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Saiba mais no site www.wwf.org.br/diadamata

Fonte: WWF Brasil

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Brasil na contra-mão da história

Por Dal Marcondes

Ruralistas e ambientalistas estão travando um embate sobre a legislação que vai definir os limites da preservação florestal no Brasil. Um “afã produtivista”, conforme o ministro Carlos Minc, que pode comprometer as metas e a responsabilidade do Brasil em relação ao aquecimento global.

Soube que na última sexta-feira o ministro e ambientalistas se reuniram em São Paulo, na casa de um conhecido ambientalista paulista, e que a conversa teve tons de aspereza, principalmente porque Minc não está conseguindo frear o avanço da frente parlamentar ruralista sobre a legislação ambiental, o que pode abrir brechas para a instalação de usinas de álcool no Pantanal e legitimar a grilagem na Amazônia.

Segundo a Folha de São Paulo desse sábado os projetos polêmicos são:

Código Florestal

Legislação – A lei não fixa limites de desmatamento no país e exige a manutenção de vegetação nativa em parcela das propriedades e das áreas de preservação ao longo de rios.

Discussão – Agronegócio defende mudanças.

Regularização Fundiária

Legislação – Projeto doa ou vende a preço simbólico aos atuais ocupantes 67,4 milhões de hectares na Amazônia.

Discussão – Bancada ruralista quer impedir a futura retomada das terras em caso de desmatamento.

Licenciamento de Estradas

Projeto em votação no Senado acelera processo de licença ara estradas já abertas. Regras se aplicam a projetos do PAC.

Discussão – ONGs afirmam que a pavimentação de estradas é o maior vetor de desmate da Amazônia. Ministro Carlos Minc classificou a mudança como “contrabando completo”.

Zoneamento da Cana

Legislação – Lula prometeu regulamentar a expansão do cultivo de cana para a produção de biocombustíveis na Amazônia.

Discussão – O anúncio foi adiado por conta de pressões para liberar áreas no entorno do Pantanal, na bacia do alto Paraguai; ambientalistas temem contaminação dos rios.

Compensação Ambiental

Legislação – Decreto do presidente Lula reduziu para 0,5% o percentual máximo a ser cobrado dos empreendimentos como construção de rodovias e hidrelétricas, pelos impactos que geram, apenas sobre parte do custo da obra.

Discussão – Contrária ao governo, proposta do MMA era de que o piso fosse de 2% sobre o valor total da obra.O grupo de ambientalistas reunidos em São Paulo, está se articulando para a formulação de uma estratégia de reação aos ataques à legislação ambiental.

A equipe de Jornalistas da Envolverde vai aprofundar a cobertura deste tema. Leiam mais em http://leitorenvolverde.blogspot.com/

Fonte: Blog Envolverde

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Resistindo bravamente

Cientistas identificam no Gabão a maior população de tartarugas-de-couro no mundo. Espécie em risco de extinção é a maior entre as tartarugas (divulgação)

Um grupo internacional de cientistas identificou a maior população no mundo de tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), também conhecida como tartaruga-gigante. A espécie, que atinge mais de 500 quilos, corre sério risco de extinção.

Os pesquisadores estimam que existam entre 15.730 e 41.373 fêmeas em praias do Gabão, na África, em áreas onde são feitos trabalhos de conservação da espécie marinha, a maior entre as tartarugas atuais e a quarta maior entre os répteis, depois de três crocodilianos.

A espécie também está na lista de espécies ameaçadas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo o projeto Tamar, a estimativa mundial era de 34 mil fêmeas em idade reprodutiva. Ou seja, com o novo estudo, a população aumenta consideravelmente.

O estudo, publicado na edição de maio da Biological Conservation, destaca a importância dos esforços de conservação da biodiversidade. A tartaruga-de-couro teve suas populações nos oceanos Pacífico e Índico reduzidas em mais de 90% nas décadas de 1980 e 1990. A União Internacional para Conservação da Natureza lista a espécie como “criticamente ameaçada”, mas há carência de registros populacionais no Atlântico, especialmente na África.

O novo estudo foi coordenado por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, em parceria com a Wildlife Conservation Society, por meio da Gabon Sea Turtle Partnership, uma rede de organizações que atua na proteção de tartarugas marinhas. Os pesquisadores colheram dados durante três estações de assentamento, entre 2002 e 2007. O levantamento envolveu a produção de registros aéreos por 600 quilômetros, cobrindo toda a costa do país no oeste africano. Além de fotos e vídeos para análise, foi feita o monitoramento detalhado em solo por toda a área.

Ao cobrir toda a costa, os cientistas puderam estimar não apenas o número de ninhos e de fêmeas poedeiras, mas também identificar os principais pontos de assentamento, dado fundamental para o desenvolvimento de trabalhos de conservação da espécie. O levantamento apontou que 79% das áreas de assentamento identificadas estão dentro de parques nacionais e outros locais protegidos. “Sabíamos que o Gabão tinha uma importante área de assentamento para a tartaruga-de-couro, mas não conhecíamos o tamanho da população e sua participação no total mundial. Agora, estamos direcionando nossos esforços para trabalhar com agências locais de modo a coordenar trabalhos de conservação.

O objetivo é garantir que essa população esteja protegida contra ameaças como pesca ilegal, poluição ou mudanças climáticas”, disse Matthew Witt, da Universidade de Exeter, um dos autores do estudo.
Mais informações: www.seaturtle.org/groups/gabon

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 19 de maio de 2009

Pesquisador identifica ecorregiões prioritárias para a conservação de espécies

Manuel Alves Filho

No Brasil, as reservas ambientais são frequentemente delimitadas sem que sejam observados critérios científicos. Quase sempre, prevalecem outros aspectos, como interesses políticos, belezas naturais ou preços das terras.

Graças a um estudo desenvolvido para a tese de doutoramento do biólogo Rafael Loyola, defendida recentemente no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, a demarcação de áreas para a preservação de espécies vegetais e animais não precisa continuar obedecendo ao antigo receituário. No trabalho, orientado pelo professor Thomas Lewinsohn, o pesquisador identificou, em diferentes escalas geográficas (regional, continental e global), ecorregiões prioritárias para a conservação de vertebrados terrestres. “O que nós fizemos foi oferecer o necessário suporte científico para a tomada desse tipo de decisão”, afirma.

De acordo com Rafael Loyola, o estudo adotou critério único para a seleção das ecorregiões, qual seja, o quanto uma determinada área representa da diversidade do espaço mais geral onde ela está inserida. Dito de outro modo, o biólogo mensurou, por exemplo, a importância dos Andes em relação à América Latina, tendo como perspectiva a conservação dos vertebrados, com exceção das espécies marinhas. “O procedimento independe do país ou do continente, pois as espécies não se distribuem de maneira homogênea. A Mata Atlântica no litoral paulista, por exemplo, abriga um número maior de espécies do que a dos campos ao Sul do Brasil”, compara. O objetivo principal do trabalho, prossegue, foi resolver o seguinte problema: como conservar o maior número de espécies, usando a menor área possível.

Para chegar a essa resposta, o pesquisador trabalhou com duas dimensões diferentes. Primeiro, ele analisou o planeta como um todo, para que pudesse ter uma ideia aproximada do custo econômico de eventuais projetos. Assim, ele estabeleceu uma equação que lhe deu o valor, em dólar, do quilômetro quadrado para a criação de áreas de conservação. “Chegamos a várias possibilidades”, diz. Além disso, Rafael Loyola também selecionou as ecorregiões a partir de dois outros critérios - as que detinham muitas espécies e as que abrigavam espécies mais vulneráveis. “De maneira geral, algumas áreas se repetiram, independentemente da estratégia de preservação traçada”, informa.

Segundo ele, Sul do México, Andes, América Central e Sudeste Asiático sempre surgem como áreas prioritárias, a despeito do parâmetro escolhido. “Esses territórios necessitam de rápida intervenção, visto que são alvos de desmatamentos e abrigam espécies ameaçadas de extinção, sendo que algumas são únicas no mundo”, adverte Rafael Loyola. Em relação ao Brasil, emergiram do estudo as ecorregiões representadas pela Mata Atlântica, Cerrado e, obviamente, Amazônia. O autor da tese destaca, porém, que a pesquisa deve ser encarada como uma espécie de primeiro filtro. “Evidentemente, a proposta não é preservar essas macrorregiões como um todo. A partir dessa identificação, é preciso aplicar um segundo filtro, que determinará os segmentos que devem merecer uma ação de conservação propriamente dita”, explica.

Rafael Loyola assinala que embora não tenham sido delimitadas com base em critérios científicos, as áreas de preservação já existentes no país não devem ser desconsideradas e muito menos extintas. “Elas cumprem um papel, ainda que não seja da melhor maneira possível. Ou seja, têm que ser mantidas e complementadas”.

Conforme o biólogo, o conceito de planejamento sistemático de conservação, no qual a sua tese está inserida, surgiu no final dos anos 80, mas ficou inicialmente restrito ao âmbito da academia. Somente uma década depois a sociedade começou a discutir mais amplamente e a colocar em prática os seus pressupostos. “O maior exemplo nesse sentido é a Austrália, onde temos experiências muito positivas. Na América Latina em geral e no Brasil em particular, muito pouco tem sido feito nessa linha”, considera.

Em parte, acrescenta o pesquisador, isso ocorre porque os tomadores de decisão nem sempre recorrem à comunidade científica para formular políticas públicas de conservação ambiental. As definições nessa área, diz Rafael Loyola, deveriam ser precedidas de uma análise multidisciplinar. “O que nós fizemos foi dar uma contribuição do ponto de vista biológico.

Obviamente, um projeto de preservação pode envolver outros aspectos, como a eventual transferência de comunidades ou a eliminação de barragens. Nesse caso, seria necessário o aporte de outros campos do conhecimento, como a sociologia, antropologia, engenharia etc”.
Recentemente, de acordo com o biólogo, o Ministério do Meio Ambiente divulgou uma relação de áreas consideradas importantes do ponto de vista conservacionista, que foram definidas com base em algum critério científico. “Essas áreas não foram delimitadas com base no que estamos propondo, mas de toda forma representam um avanço em comparação com o que vinha sendo feito até então.

Isso significa que, ainda que de forma incipiente, o conceito de planejamento sistemático de conservação começa a chegar aos órgãos governamentais. Ainda não estamos no mesmo patamar da Austrália, mas já é algo positivo”, avalia, acrescentando que é otimista quanto ao avanço dessa compreensão no país.

Artigos

A tese desenvolvida por Rafael Loyola rendeu nada menos do que sete artigos científicos, sendo que seis já foram publicados por revistas indexadas internacionalmente. Um deles também foi amplamente divulgado por jornais não especializados, causando uma grande repercussão junto à sociedade. Nele, o biólogo e seus colaboradores propuseram pela primeira vez a definição de áreas prioritárias para a conservação de anfíbios na América Latina. “Esse tipo de divulgação é importante, pois rompe os muros da academia e atinge a sociedade como um todo, o que de alguma forma também ajuda a sensibilizar as autoridades públicas para o problema”, afirma o pesquisador, que atualmente é coordenador do Laboratório de Ecologia Aplicada e Conservação da Universidade Federal de Goiás (UFG) e professor de Ecologia e Evolução da mesma instituição.

Fonte: Jornal da Unicamp

Água em crise

Por Thiago Romero

Diversos pesquisadores e especialistas têm atribuído a problemática da água a dois fatores fundamentais: escassez e gestão. A “crise da água” vivida atualmente pela humanidade se deveria a uma ou outra variável.

Para Adolpho José Melfi, professor titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), no entanto, não se trata de um problema causado apenas pela gestão ou pela escassez do recurso natural, mas sim pelos dois fatores intimamente interligados. “É inegável que hoje temos um problema causado pela escassez, devido principalmente à distribuição desigual de água no planeta e agravado pela má gestão, que sempre foi pontual e setorial, deixando de ser integrada para resolver a questão das bacias hidrográficas brasileiras de modo mais sistêmico”, disse Melfi à Agência FAPESP.

O reitor da USP de 2001 a 2005 e que também já integrou o Conselho Superior da FAPESP, esteve na semana passada na Fundação, como um dos palestrantes do workshop que sucedeu a cerimônia de assinatura do termo de cooperação entre a FAPESP e a Sabesp para apoio à pesquisas em recursos hídricos e saneamento. Melfi falou sobre “Água: Pesquisa para a sustentabilidade”. “As consequências dessa crise são claras para países como o Brasil. Ainda que tenhamos 14% de todos os recursos hídricos do mundo, grandes cidades, como São Paulo, estão no limite da escassez”, disse.

Ao enfatizar as consequências de problemas de gestão e de escassez, que para ele representam um dos maiores desafios para as próximas décadas, Melfi ressaltou que a soma de todas as atividades humanas, sejam agrícolas, industriais, de serviços, lazer e outras, resulta em um consumo aproximado de 20 milhões de litros por ano por habitante do planeta.

Esse consumo elevado faz com que pelo memos 26 países se encontrem atualmente no que o pesquisador define como “situação de penúria”, sendo que mais 50 devem atingir esse patamar até a metade deste século.

Melfi é membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências da América Latina, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, da Académie d'Agriculture de France e da Académie des Sciences d'Outre Mer, também na França. É detentor de vários prêmios acadêmicos, como a Medalha de Prata de Geologia, a Gran Cruz do Mérito Científico, a Palma Acadêmica do governo francês e o prêmio de Geocientista do Ano de 2004 da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento. Desde 2007 é diretor do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina da Fundação Memorial da América Latina.

Segundo Melfi, com relação ao uso da água nas sociedades modernas, em média 69% são para atividades agrícolas, 23% para a indústria e 8% para atividades urbanas. “Mas temos observado que mesmo países com grande quantidade de água podem ter regiões com pouca disponibilidade do recurso. Entre os fatores que mais explicam a distribuição heterogênea da água estão a ocupação do solo e as variações do clima”, apontou.

No Brasil, segundo ele, o uso mais intenso está na irrigação de culturas, com 69%, seguido pela utilização para a criação animal (11%), uso urbano (11%), industrial (7%) e rural (2%).
Melfi usou também dados do Relatório sobre Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2006, que aponta que 1,2 bilhão de pessoas estariam atingidas diretamente pela escassez de água.

De acordo com o relatório, 2,7 bilhões devem ser atingidas até 2025, 2,6 bilhões não contam com saneamento básico e 1,8 milhão de crianças morrem anualmente por infecções transmitidas por água insalubre. De acordo com Melfi, esse panorama tende a se agravar, uma vez que a demanda por água continua a crescer devido ao aumento populacional de cerca de 90 milhões de habitantes por ano no mundo, alidado a fatores como a necessidade de produzir maior quantidade de alimentos e a rápida industrialização dos países em desenvolvimento, nos quais a indústria aumentou o consumo de água em cerca de 30 vezes apenas no século 20. Pesquisa básica e aplicada

Para o enfrentamento da crise, Melfi sugere que uma das principais saídas estaria na realização de mais pesquisas científicas, tanto básicas como aplicadas, que levem, sobretudo, à redução do consumo e ao reúso de água. “A pesquisa sobre o assunto é fundamental e deve ser multidisciplinar, envolvendo todos os elementos possíveis que constituem a paisagem natural e os sistemas hídricos. Os estudos precisam ainda ser sistemáticos no sentido do constante monitoramento dos resultados. Nesse sentido o acordo FAPESP-Sabesp é fantástico por garantir a continuidade dos projetos, que deverão ter longa duração”, disse.

O termo de cooperação entre as instituições prevê um investimento de até R$ 50 milhões, sendo metade de cada uma, ao longo de cinco anos, voltados para o financiamento de projetos propostos por pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa paulistas e da empresa de saneamento.

Serão apoiadas pesquisas em sete principais eixo temáticos: “Tecnologia de membranas filtrantes nas estações de tratamento de água e de esgoto”; “Alternativas de tratamento, disposição e utilização de lodo de estações de tratamento de água e estações de tratamento de esgotos”; “Novas tecnologias para implantação, operação e manutenção de sistemas de distribuição de água e coleta de esgoto”; “Novas tecnologias para melhorias dos processos de operações unitárias”; “Monitoramento da qualidade da água”; “Eficiência energética”; e “Economia do saneamento”. Mais informações: www.fapesp.br/materia/5172

Fonte: Agência Fapesp