terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Plantio direto com rotação de culturas é eficaz na mitigação de gases de efeito estufa

Por Liliane Castelões, da Embrapa Cerrados 

Foto: André Minitti
Experimentos de longa duração na região central do Cerrado brasileiro apontaram que o sistema plantio direto (SPD) com uso da rotação de culturas e presença de plantas de cobertura é o mais promissor para mitigação de gases de efeito estufa (GEE), quando comparado ao cultivo mínimo, sem a presença de plantas de cobertura, ou ainda em relação ao preparo convencional do solo. Os sistemas integrados, ou mesmo os sistemas em que a gramínea braquiária foi utilizada somente como planta de cobertura após a soja, também apresentaram menores emissões de GEE.

Na avaliação das emissões acumuladas por unidade de produto (grãos/massa seca), os pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) observaram que o SPD com milho na presença de nitrogênio (N) e com milheto, como planta de cobertura, resultou na menor intensidade de emissão: 77 miligramas de óxido nitroso (N2O) por quilo de grãos produzido (77 mg N-N2O kg-1 grãos). Esse resultado foi obtido em comparação a outras espécies de plantas de cobertura, a exemplo do sistema com a leguminosa feijão-bravo-do-ceará, que apresentou emissão de 100 mg N-N2O kg-1 grãos.

No experimento mais antigo de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) do Brasil, conduzido na Embrapa Cerrados desde 1991, as emissões acumuladas após um período de 509 dias de avaliação no sistema integrado com plantio direto foram de 1,75 kg/ha de N2O, valor 53% e 62% menor do que os observados na área de agricultura contínua sem rotação com pasto e na área de lavoura contínua com preparo anual do solo, respectivamente.

Os experimentos também avaliaram os estoques de carbono após 22 anos de implantação. De acordo com o pesquisador da Embrapa Robélio Marchão, na amostragem para cálculo dos estoques de carbono do solo até a profundidade de um metro, somente os sistemas integrados foram capazes de retornar os estoques aos valores iniciais observados no Cerrado.

Potencial mitigador de gás estufa
Dentre os gases de efeito estufa, o óxido nitroso (N2O) é um dos mais importantes na agricultura, por estar associado com a entrada de nitrogênio (N) no sistema de produção pelo uso de fertilizantes nitrogenados, manejo e decomposição dos resíduos vegetais e pela mineralização da matéria orgânica do solo. Embora tenha menor concentração na atmosfera, o N2O apresenta potencial de impacto 310 vezes maior quando comparado ao dióxido de carbono (CO2), além do tempo de permanência na atmosfera de 150 anos.

No plantio direto com a rotação de culturas, o potencial de mitigação das emissões de N2O é maior independentemente da adoção ou não da adubação nitrogenada, sendo indicado, por exemplo, o uso de milheto e feijão guandu em sucessão ao milho. Para sistemas com uso de soja, as pesquisadoras da Embrapa Arminda Carvalho e Alexsandra de Oliveira sugerem a cultura do sorgo como opção de safrinha sob condição de sequeiro.

As cientistas explicam que o potencial de mitigar GEE do sistema plantio direto com rotação de culturas se deve também à produção de matéria seca das plantas de cobertura, considerando sobretudo a qualidade dessa biomassa produzida. “A produção da matéria seca pode contribuir efetivamente, já que está ligada a processos fundamentais, como a ciclagem e acúmulo de nutrientes, aumentando a sua disponibilidade para as culturas subsequentes, principalmente o nitrogênio, se utilizado eficientemente. Além de proporcionar cobertura e incrementar a matéria orgânica do solo ao longo dos anos”, explica Arminda.

Maior produtividade do milho
A pesquisadora ressalta também o incremento de produtividade de milho cultivado em sucessão à safra agrícola de milheto e braquiária. A especialista conta que a prática produz maiores quantidades de palhada no sistema plantio direto e, consequentemente, promove maior proteção contra agentes erosivos e acumula mais carbono no solo.

De acordo com Alexsandra de Oliveira, na avaliação das emissões acumuladas por unidade de produto em cada sistema de manejo, com rotação e pousios, o pior resultado foi o da soja em sistema de preparo convencional de solo e posterior pousio (com ausência de plantas de cobertura e sem safrinha), quando comparado ao sistema plantio direto com rotação de culturas. Nesse caso, o plantio convencional apresentou emissão por produto de 3,9 e 9 vezes mais em comparação à rotação milho-guandu e soja-sorgo, respectivamente, em sistema plantio direto.

Para as pesquisadoras, o uso de espécies vegetais que promovam menor dependência por fontes externas de nitrogênio, e que incrementem o rendimento de culturas, precisa ser intensificado nos agroecossistemas. “Os estudos devem relacionar a emissão acumulada de N-N2O pela produtividade, buscando sistemas ou arranjos que resultem em maior eficiência na conversão por produto, isto é, quantidade de nutriente aplicado via fertilizante versus quantidade de grão produzido”, destacam.

Acúmulo de carbono no solo

O plantio direto na palha é uma prática agrícola adotada por produtores no Cerrado desde a década de 1980. Sua adoção viabiliza várias safras num mesmo ano agrícola. Além de reduzir a erosão e evitar perdas de solo, o SPD reduz os custos de produção por não necessitar revolver o solo (menor custo energético) e também aumenta o rendimento das operações de semeadura, ampliando a janela de plantio para o produtor. Dada sua importância, o SPD é uma das tecnologias incluídas no Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC).

A inclusão teve como objetivo melhorar a qualidade do sistema, uma vez que há a necessidade de uma cobertura permanente do solo, o que não ocorre nos sistemas de cultivo mínimo ou semeadura direta, nos quais, na maioria dos casos, não há revolvimento do solo. Há ainda em todas as regiões do País uma grande área sob preparo convencional na qual o solo é revolvido, causando emissões de carbono para a atmosfera.

Um dos problemas que podem ocorrer após vários anos da adoção do plantio direto é a saturação do carbono na camada superficial do solo, devido à ausência de revolvimento. O pesquisador Robélio Marchão explica que esse desafio de encontrar outras formas de promover o acúmulo de carbono no perfil do solo em profundidade poderá ser superado com a adoção da integração lavoura-pecuária (ILP), que se baseia na rotação com pastagens em áreas agrícolas.

“Já podemos afirmar, para o caso de solos agrícolas corrigidos, que a rotação dessas áreas com pastagens, em sistemas que integram lavoura e pecuária, é uma das formas de potencializar o sistema plantio direto, permitindo, assim, acumular carbono em camadas mais profundas do perfil do solo”. Em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF) onde ocorre essa rotação entre agricultura e pastagens há um maior acúmulo de carbono no solo, principalmente devido ao sistema radicular das espécies forrageiras, que se torna abundante ao encontrar o perfil de solo corrigido.

Trabalhos realizados pela equipe da Embrapa Cerrados no sudoeste goiano, em Rio Verde e Montividiu, também demonstraram que após aproximadamente 15 a 20 anos nos sistemas convencionais de sucessão safra-safrinha há uma saturação do carbono na camada superficial do solo (0-20 cm), não sendo mais possível estocar quantidades significativas de matéria orgânica no perfil. Daí a importância da integração e rotação com pastagens.

A importância da adoção de práticas de manejo sustentáveis

A intensificação sustentável utilizando plantas de cobertura e ainda rotação com pastagens na ILP é apontada como solução técnica para melhoria da qualidade do solo e formação de palhada para o SPD no Cerrado, além da mitigação de GEE. O conceito de intensificação sustentável está ligado ao melhor uso de recursos naturais combinado com o uso das melhores tecnologias e insumos disponíveis (melhores genótipos e maior eficiência ecológica) que minimizem ou eliminem danos ambientais e maximizem os processos ecológicos nos agroecossistemas.

De acordo com a equipe da Embrapa Cerrados responsável pelos estudos, a intensificação sustentável da produção tem sido estudada em todo o mundo e reflete uma busca constante pela maior sustentabilidade no campo, principalmente em relação à sustentabilidade ambiental da produção agrícola.  

Arminda Carvalho, Alexsandra de Oliveira e Robélio Marchão chamam a atenção para o fato de a intensificação sustentável na agricultura atender a um dos grandes desafios da produção de alimentos, o de aumentar a produção nas áreas agrícolas existentes, proporcionando menor pressão pela abertura de novas fronteiras agrícolas, sem reduzir a capacidade de continuar produzindo alimentos e garantindo a segurança alimentar.

Arminda reforça que quanto mais eficiente for o sistema em relação ao uso de nitrogênio e em acumular carbono, como no caso da intensificação sustentável, maior seu potencial de mitigar GEE.  A necessidade de buscar alternativas de adoção de práticas de manejo que permitam equacionar produtividade com sustentabilidade é enfatizada por Alexsandra. A pesquisadora destaca principalmente a questão da produtividade, tendo em vista que haverá uma crescente demanda por alimentos em função do aumento populacional.

A previsão da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) é de que a população mundial até 2050 será de nove bilhões de pessoas, e a demanda por alimentos será de 3,2 bilhões de toneladas por ano, o que representa 40% a mais do que a demanda atual. “Diante desse cenário, a intensificação sustentável da produção por meio da melhoria da qualidade do sistema plantio direto será fundamental para o futuro da agricultura brasileira”, afirma Alexsandra.

Fonte: Agência Embrapa



Uma vez degradado, o Cerrado não se regenera naturalmente

Por José Tadeu Arantes, da Agência FAPESP


Alguns dos mais importantes rios do Brasil – Xingu, Tocantins, Araguaia, São Francisco, Parnaíba, Gurupi, Jequitinhonha, Paraná e Paraguai, entre outros – nascem no Cerrado. Trata-se da única savana do planeta dotada de rios perenes. A rápida conversão do Cerrado em pastagens e lavouras e o manejo inadequado das áreas preservadas colocam em risco esse formidável recurso natural, em um país com o terceiro maior potencial hidrelétrico tecnicamente aproveitável do mundo, e em que 77,2% da matriz elétrica é suprida pela hidroeletricidade.

Abandonadas, áreas do bioma convertidas em pastagens se transformam em cerradão, uma formação
 de vegetação adensada mas pobre em biodiversidade, indica pesquisa feita na Unesp (fotos: divulgação)


Além disso, a destruição do Cerrado constitui uma perda inestimável em termos de biodiversidade, pois, na microescala, esse bioma, que pode apresentar 35 espécies diferentes de plantas por metro quadrado, é mais rico em flora e fauna do que a floresta tropical (leia em: http://agencia.fapesp.br/25865).

Sabe-se que o Cerrado tem um potencial de regeneração natural muito alto. Mas até que ponto vai sua resiliência? O que é necessário para que, uma vez convertido em pastagens, o Cerrado recupere sua configuração natural? Quanto tempo seria necessário para isso?

Um novo estudo, feito na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com resultados publicados no Journal of Applied Ecology, procurou responder a essas perguntas.

“Nosso esforço inicial foi localizar, no Estado de São Paulo, as áreas de antigas pastagens que agora se encontram em regeneração natural na condição de ‘reserva legal’”, disse a coordenadora do estudo Giselda Durigan, professora da pós-graduação em Ciência Florestal da Unesp e pesquisadora do Instituto Florestal do Estado de São Paulo.

O trabalho foi realizado no âmbito do doutorado de Mário Guilherme de Biagi Cava, com Bolsa da FAPESP e orientação de Durigan. O trabalho também foi apoiado por meio de um Auxílio à Pesquisa concedido ao professor Milton Cezar Ribeiro e de uma Bolsa de Doutorado a Natashi Aparecida Lima Pilon.

“Foram encontradas mais de 80 áreas, o que pareceu de saída um dado bastante promissor. Mas o entusiasmo inicial de meu orientando foi arrefecido pela resistência dos proprietários em permitir o acesso às áreas para amostragem. E isso nos levou a uma primeira constatação: a de que o rigor das leis de preservação não tem sido acompanhado da necessária assistência que deveria ser prestada pelo poder público aos particulares para a restauração da vegetação”, disse.

Apesar do interesse social de uma pesquisa como essa, a oposição dos proprietários fez com que a amostragem fosse reduzida para 29 áreas, que haviam sido convertidas de Cerrado em pastagens, e foram posteriormente incorporadas como unidades de conservação ou reservas legais de empresas de reflorestamento, usinas e propriedades agropecuárias.

Nelas, foi feito o levantamento da vegetação, tanto das árvores quanto das plantas pequenas que compõem o estrato herbáceo-arbustivo e que constituem a maior riqueza da flora do Cerrado. Apesar de estarem localizadas em regiões diferentes, essas 29 áreas, com idades variando de quatro a 25 anos, puderam ser ordenadas em uma sequência cronológica no que se refere ao estágio de regeneração.

“Para resumir nossos resultados, de maneira bastante simplificada, descobrimos que o estrato arbóreo se recupera, até mesmo com muita facilidade. Mas, uma vez eliminada, a vegetação rasteira ou de pequeno porte, que compõe o estrato herbáceo-arbustivo e que contém a maior parte das espécies endêmicas, não se regenera. Então, quando a pastagem é simplesmente abandonada, ela se transforma, depois de algum tempo, em um cerradão, que é uma formação caracterizada por vegetação muito adensada, com grande predomínio de árvores e pobre em biodiversidade”, afirmou Durigan.

As árvores se recuperam por possuírem raízes muito profundas e terem evoluído, ao longo de milhões de anos, desenvolvendo a capacidade de rebrotar inúmeras vezes.

“Quem tenta implantar pastagens no Cerrado sabe que o custo maior de manutenção é a roçada. Sem que seja roçada pelo menos de dois em dois anos, a vegetação arbórea volta a se impor. Não é possível eliminá-la nem aplicando herbicida”, disse Durigan.

Porém o estrato herbáceo-arbustivo, que é removido para a implantação das pastagens, não se recompõe, devido à invasão dos terrenos por gramíneas exóticas muito resistentes e agressivas: as braquiárias.

“Essas só desaparecem com o sombreamento, causado pelo adensamento das árvores. Mas, quando desaparecem as gramíneas exóticas, as plantas originais de pequeno porte, que foram completamente erradicadas pelos herbicidas, pelas roçadas e pela competição com as braquiárias e que não toleram a sombra, também não voltam mais”, continuou a pesquisadora.

Para fazer com que a área voltasse a abrigar um cerrado típico, seria necessário eliminar as gramíneas exóticas, com manejo por meio de fogo associado a herbicida, e, depois, reintroduzir as espécies nativas. Mas isso constitui uma operação difícil e cara, que, com os recursos atuais, não pode ser realizada em larga escala.

“Temos pesquisado diferentes técnicas para promover a recuperação. Com sementes, é necessária uma quantidade gigantesca, que não há nem de onde tirar. O que deu muito certo, em escala experimental, foi o transplante do estrato herbáceo-arbustivo: a camada superficial do solo, acompanhada das touceiras de capim e das pequenas plantas”, disse Durigan.

“O grande problema é que, no Estado de São Paulo, já não há mais áreas-fonte para isso. O que sobrou de Cerrado aberto está invadido por gramíneas exóticas. Então, quando se transplanta a camada superficial do solo, a braquiária vai junto. Isso acontece inclusive nas áreas protegidas”, acrescentou.

Floresta degradada

O estudo feito na Unesp permitiu fechar um diagnóstico e fazer predições. Espontaneamente, uma vez degradado, o cerrado típico não se recompõe totalmente. Para que uma área de pastagem volte a ser um cerrado típico, com riqueza de biodiversidade, com a flora característica, com habitats para fauna especializada em savana, é necessário manejo humano: não se pode deixar que o adensamento das árvores passe do limiar de 15 metros quadrados por hectare; é preciso erradicar o capim exótico; e deve-se reintroduzir o estrato herbáceo-arbustivo nativo.

Evoluindo espontaneamente, sem manejo, em 49 anos a vegetação arbórea nas antigas áreas de pastagem irá se transformar em cerradão. A cobertura esparsa de solo característica do cerradão é alcançada em quatro anos e a biodiversidade pobre do estrato herbáceo é obtida em 19 anos. “O processo é rápido, mas os resultados não são os que procuramos. O cerradão não se distingue de uma floresta degradada”, disse Durigan.

Dois anos depois do levantamento, já na segunda fase do doutorado de Cava, os pesquisadores vão voltar às mesmas áreas em fevereiro e março de 2018, e medir tudo novamente, para obter a taxa precisa de aumento de cobertura, densidade e biodiversidade.

“Esses valores precisos nos permitirão saber com exatidão qual é o potencial de regeneração das diferentes áreas e quais são os fatores favoráveis. É o tipo de solo? É a distância a uma fonte de sementes? É a proximidade de recursos hídricos? Todos esses parâmetros serão considerados”, disse Durigan.

Conforme afirmou, o artigo publicado por seu grupo é muito inovador porque não há ninguém em outros países tratando de recuperação de savanas.

“Isto porque ainda não ocorreu na África nem na Austrália um processo similar ao que estamos vivendo aqui, de conversão da savana em pastagens extensivas e em grandes lavouras de soja, cana ou milho. Na África, as savanas estão bem degradadas, mas devido ao sobrepastoreio, à exploração de lenha e a outras ações os impactos são menos visíveis no curto prazo. No Brasil, estamos presenciando transformações que ocorrem de um dia para o outro”, comentou a pesquisadora.


O artigo Abandoned pastures cannot spontaneously recover the attributes of old-growth savanas (doi: 10.1111/1365-2664.13046), de Mário G. B. Cava, Natashi A. L. Pilon, Milton Cezar Ribeiro e Giselda Durigan, está publicado em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.13046/full.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Curso online gratuito traz informações sobre a Amazônia e as mudanças climáticas

Professores, jornalistas e leigos interessados em conhecer mais sobre a floresta amazônica e as mudanças climáticas acabam de ganhar a nova versão de um curso completo, gratuito e disponível organizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Basta um click no site e os usuários terão acesso a informações atualizadas por especialistas e cientistas. O curso está dividido em módulos e pode ser feito de acordo com a disponibilidade de tempo dos usuários.

Com um design que favorece a navegação e a busca de dados e imagens, o curso é simples o suficiente para atender àqueles com pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema e diversificado e completo também para auxiliar e esclarecer profissionais que se relacionam com os temas abordados no curso.

O curso A Floresta Amazônia e as Mudanças Climáticas é uma iniciativa conjunta entre duas organizações norte americanas, National Environment Education Foundation (NEETF) e Cooperative Program for Operational Meteorology, Education and Training (Comet), juntamente com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Educação e conhecimento

O material é dividido em cinco seções: Terra e seu Clima; Evidências das Mudanças Climáticas; Projeções para o Futuro; Brasil, a Amazônia e Mudanças Climáticas e Acordos Internacionais. O curso tem versões em português e inglês. Pode ser feito diretamente na internet ou impresso para uso em salas de aula.

O curso também é uma fonte de informação segura para profissionais que tratam diariamente com o tema e uma opção de leitura para os leigos interessados nos temas da atualidade.

Fonte: IPAM

IPBES lança em março novos relatórios sobre o status da biodiversidade

Por Karina Toledo, da  Agência FAPESP 

Cinco novos relatórios sobre o status da biodiversidade no planeta serão divulgados em março, na Colômbia, durante a 6ª Reunião Plenária da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – entidade criada em 2012 com a missão de sistematizar o conhecimento científico sobre o tema e, assim, subsidiar decisões políticas em âmbito internacional.

O evento será realizado em Medelín de 17 a 24 de março. Entre os participantes estará Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MEP) da IPBES. Também estará presente a pesquisadora Cristiana Simão Seixas, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp.

“Será debatida e aprovada uma avaliação global temática sobre Degradação e Restauração de Áreas Degradadas, além de quatro avaliações regionais sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos – uma com foco nas Américas, outra na África, a terceira na região da Europa e Ásia Central e, a última, Ásia e Pacífico”, contou Joly.

Como explicou o coordenador do BIOTA, as quatro regiões do planeta não foram divididas segundo os critérios geopolíticos tradicionalmente adotados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e sim com base na biogeografia, ou seja, nos padrões de evolução da biodiversidade de cada região geográfica.

Os relatórios regionais servirão de base para o primeiro Diagnóstico Global sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, previsto para 2019 – documento que deverá orientar a tomada de decisão em todas as convenções da área. Seixas, da Unicamp, integra a equipe que coordenou o Diagnóstico Regional das Américas.

Além dos relatórios na íntegra, também serão divulgados em março os sumários para os tomadores de decisão – tanto políticos na área pública como gestores ambientais no setor privado. Esses resumos serão elaborados com uma linguagem acessível a um público mais amplo.

Contribuições da Natureza para as Pessoas

De acordo com Joly, todos os documentos divulgados pela IPBES a partir de 2018 terão como base um novo conceito denominado Nature’s Contributions to People (Contribuições da Natureza para as Pessoas ou NCP, na sigla em inglês), detalhado por cientistas ligados à plataforma em artigo publicado em janeiro na revista Science.

Trata-se de uma evolução do conceito de “serviços ecossistêmicos”, introduzido originalmente em 2005, no relatório Millennium Ecosystem Assessment da ONU.

“Naquela ocasião, foram definidos como serviços ambientais ou ecossistêmicos todos aqueles benefícios que a humanidade obtém da natureza direta ou indiretamente, como polinização, purificação da água e do ar, fertilização dos solos e dispersão de sementes. Essa abordagem permitiu atribuir valores para esses serviços. Por exemplo, a polinização no Estado de São Paulo valeria, no mínimo, o equivalente ao ganho monetário com a produção de laranja – que depende integralmente dos polinizadores”, explicou Joly.

Os serviços ecossistêmicos foram divididos em quatro categorias: Serviços de Provisão (produtos como alimentos, água doce, fibras, compostos químicos, madeira); Serviços de Regulação (processos naturais que regulam as condições ambientais, como absorção de dióxido de carbono pela fotossíntese das florestas, controle do clima, polinização de plantas, controle de doenças e pragas); Serviços de Suporte (contribuem para a produção de outros serviços ecossistêmicos, como ciclagem de nutrientes, formação do solo, dispersão de sementes); e Serviços Culturais (relacionados com benefícios recreacionais, educacionais, estéticos e espirituais).

Com o passar dos anos, porém, os membros da IPBES avaliaram ser necessária uma nova classificação que, além de questões financeiras, considerasse os benefícios imateriais proporcionados à humanidade, como o uso tradicional de uma determinada região por populações indígenas ou a possibilidade de desfrutar uma paisagem natural preservada.

“É uma visão mais holística e que leva em consideração percepções de diferentes culturas. Por exemplo, em vez de defender a preservação de uma determinada área apenas pelo fato de ela proteger recursos hídricos, leva-se em conta que aquela região tem um valor intrínseco por ser conservada. Tem pessoas que vão pagar para ficar em uma pousada ao lado da área preservada. Ou então argumenta-se que a área é relevante para índios Guarani, que extraem o bambu nativo para sua cestaria. Atualmente, estes aspectos não são adequadamente considerados”, disse Joly.

O artigo publicado na Science foi elaborado por 30 cientistas liderados por Sandra Díaz, da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, e Unai Pascual, do Centro Basco para Mudanças Climáticas, na Espanha.

“Por mais de uma década, as políticas públicas relacionadas à natureza foram dominadas pelo conhecimento das ciências naturais e da economia”, disse Díaz. “A pesquisa vibrante desenvolvida a partir da abordagem de serviços ecossistêmicos avançou na questão da sustentabilidade, mas ignorou as evidências e as ferramentas das ciências sociais, humanidades e outras visões de mundo. A noção muito mais ampla das NCPs enfatiza que a cultura é fundamental para todos os laços entre as pessoas e a natureza e reconhece outros sistemas de conhecimento, como, por exemplo, as comunidades locais e os povos indígenas, muito mais do que antes.”

“Este novo contexto conceitual inclusivo demonstra que, embora a natureza ofereça uma recompensa de bens e serviços essenciais, como alimentos, proteção contra inundações e muito mais, possui um rico significado social, cultural, espiritual e religioso que também precisa ser avaliado na elaboração de políticas públicas”, disse Robert Watson, presidente da IPBES.

Joly ressalta, no entanto, que no Brasil a valoração dos serviços ecossistêmicos na elaboração de políticas públicas é algo ainda embrionário. “Estamos tentando fazer avançar uma legislação que reconheça a importância, por exemplo, de manter paisagens conservadas ao lado de áreas cultivadas e outras questões associadas à preservação dos serviços ecossistêmicos”, disse.

Prestes a concluir seu segundo mandato no MEP, o coordenador do BIOTA se despedirá da plataforma em março. Na 6ª Reunião Plenária da IPBES, pelo menos 12 dos 25 membros serão renovados. A escolha leva em conta especialidade, reconhecimento na comunidade científica e distribuição entre países da região. Atualmente, a plataforma conta com representantes de 124 países-membros da ONU.

Ao longo dos seis anos que representou o Brasil, Joly coordenou as ações de Capacity Building (capacitação de profissionais e instituições) da plataforma. Além disso, coordenou o MEP nos seus primeiros anos de existência, ao lado do australiano Mark Londsdeale, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO).

A experiência adquirida na coordenação do BIOTA e na IPBES levaram Joly – ao lado de Fábio Scarano (Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável e Universidade Federal do Rio de Janeiro), Cristiana Seixas (Unicamp), Jean Paul Metzger (Universidade de São Paulo), Jean Pierre Ometto (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Mercedes Bustamante (Universidade de Brasília) – a criar, em fevereiro de 2017, a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES). 

O artigo Assessing nature's contributions to people (doi: 10.1126/science.aap8826), de Sandra Díaz, Unai Pascual e colaboradores, pode ser lido em http://science.sciencemag.org/content/359/6373/270.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Chile é primeiro país da América Latina a proibir uso de sacolas plásticas

Por Suzana Camargo, do site Conexão Planeta

A presidente Michelle Bachelet assinou na semana passada o projeto de lei que proíbe a venda de sacolas plásticas em mais de 100 cidades e vilarejos ao longo da costa do Chile. A medida torna o país o primeiro da América Latina a enfrentar de maneira séria o problema que o plástico vem causando ao meio ambiente, ao poluir os oceanos e matar milhares de animais marinhos.
“Precisamos cuidar de nossos ecossistemas marinhos”, disse Michelle Bachelet. “Nossos peixes e outras espécies estão morrendo pela ingestão de plástico ou estrangulados com estes resíduos. Esta é uma luta que todos temos que abraçar: comércio, consumidores e governos”.
Comerciantes chilenos que não obedecerem a nova lei poderão receber multas de até US$ 300 dólares.
Referência na produção de pescados, o Chile é o maior vendedor de salmão para o mercado brasileiro. Tanto através da pesca artesanal como da aquicultura (produção em fazendas marinhas), o país exporta ainda outras espécies, como mexilhão e a truta arco-íris.
Em 2016, os pescados representaram 7,6% das exportações chilenas, ficando em quarto lugar numa lista dos dez produtos mais comercializados para o exterior. O setor foi ainda o que mostrou o maior crescimento, 65,5% em relação a 2009.
Não é difícil entender então a preocupação do governo do Chile em proteger suas águas. Além da proibição do plástico, o país anunciou que irá criar uma área de proteção marinha de 1,6 milhão de kmem 2018.

A Era do ‘Plasticídio”

Um estudo publicado pela revista Science, em 2015, revelou que oito milhões de toneladas de resíduos plásticos são jogadas nos oceanos por ano. Cientistas afirmam que no futuro, nossa época será conhecida como a do “Plasticídio”.
É por isto que medidas, como a tomada agora pelo Chile, são tão bem-vindas. Em sua conta no Twitter, a presidente Michelle Bachelet conclamou as pessoas a usarem a hashtag #chaobolsasplásticas(#tchausacolasplásticas, em português) nas redes sociais.
Em diversos países da Europa, a distribuição das sacolas plásticas já é proibida há anos. Quando não, ela é cobrada. Mostramos aqui, neste outro post, no ano passado, que entre outubro de 2015 e abril de 2016, os sete maiores supermercados da Inglaterra viram uma queda de 85% na entrega de sacolas, de 7,6 bilhões de unidades para 600 milhões, depois que elas deixaram de ser dadas gratuitamente nas lojas e uma taxa de apenas 5 centavos de libra foi imposta para cada unidade.
Irlanda, Escócia, Dinamarca, Alemanha, Portugal e Hungria são outros lugares onde, se você quer a sacola plástica, é obrigado a pagar por ela. Recentemente noticiamos aqui também que o Quênia proibiu a produção, venda e uso de sacolas plásticas com pena de multa e até prisão (leia mais aqui).
E o Brasil, quando vai tomar uma atitude?

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Projeto de lei quer proibir agricultores de produzir, distribuir e armazenar sementes

O Projeto de Lei 827/2015 propõe o pagamento de royalties sobre espécies de plantas que foram alteradas, como as híbridas 

Por Lilian Campelo, do Brasil de Fato

A troca, a livre distribuição e o armazenamento das melhores sementes é uma das práticas mais comuns das comunidades tradicionais, mas esta herança cultural do cultivo corre sérias ameaças. Isso porque o Projeto de Lei (PL) 827/2015, conhecido como Projeto de Lei de Proteção aos Cultivares, quer passar para grandes empresas o controle sobre o uso de sementes, plantas e mudas modificadas.

De acordo com o projeto, a comercialização do produto que for obtido na colheita dependerá da autorização do detentor das chamadas cultivares, que são plantas que tiveram alguma modificação pela ação humana, como as híbridas, por exemplo.

Para o educador popular da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, Lourenço Bezerra, do Programa Amazônia, o projeto prejudica práticas ancestrais: “Com essas sementes, o agricultor tradicional não precisa utilizar fertilizantes sintéticos e não precisa utilizar os defensivos agrícolas, que são os agrotóxicos, que eles chamam de defensivos agrícolas".

Bezerra ressalta que a medida tem como objetivo beneficiar as grandes empresas que comercializam agrotóxicos: "Então, as empresas querem obrigar, além do agricultor comprar a semente, mas também de comprar os insumos, os agrotóxicos fertilizantes sintéticos e isso vai beneficiar quem? Vai beneficiar as empresas”.

O projeto é de autoria do deputado ruralista Dilceu Sperafico (PP-PA) e tem a proposta de alterar a Lei de Proteção de Cultivares, que regulamenta a propriedade intelectual referente às cultivares.

Para o deputado federal e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, Nilto Tatto (PT-SP), a proposta ameaça a segurança alimentar e também a segurança nacional do país, ao transferir para as grandes empresas o controle de quais sementes plantar e do volume. Ele ressalta ainda que o projeto apresenta um discurso que visa desenvolver a pesquisa nacional sobre as cultivares, mas, na opinião dele, amplia o controle das grandes empresas no domínio da política da agricultura brasileira.

“Então você joga na mão da iniciativa privada a definição da relação do que cobre e do que não cobre de royalties da agricultora. Talvez a questão mais grave e conceitual que está por trás desse relatório é tirar o papel do Estado sobre determinada parte da política da agricultura brasileira”, diz o parlamentar.

Diferença entre sementes:


O projeto de lei, caso aprovado, também irá aumentar o número de cultivares protegidas, isto é, aquelas que não podem ser utilizadas livremente. Até 2015 foram feitos pedidos 3.796 pedidos de proteção de cultivar e foram concedidos títulos para 2.810 cultivares. Segundo informações no site, que estão atualizadas, a última modificação data de novembro de 2017 e para acessar a lista completa de quem solicitou os pedidos clique aqui.

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o PL segue em tramitação ordinária. No dia 5 deste mês, estava marcada votação do parecer do relator do deputado federal Nilson Aparecido Leitão (PSDB-MT), mas a pauta dividiu a bancada ruralista e o relatório não foi votado.

Entenda:

Cultivar é o nome dado a uma nova variedade de planta, ou seja, são espécies de plantas que foram modificadas devido a alteração ou introdução feita pelo homem, desenvolvida do cruzamento entre duas espécies puras e diferentes. Elas apresentam características específicas de outras variedades da mesma espécie de planta por sua homogeneidade, estabilidade e novidade, logo, não é encontrada no meio ambiente.

As novas espécies desenvolvidas em território nacional e caracterizadas como novas cultivares são cadastradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)  pelos criadores para conferir proteção aos direitos de propriedade intelectual. O prazo de proteção de um cultivar vigora a partir da data de concessão do Certificado Provisório de Proteção, que dura 15 anos, com exceção das videiras, árvores frutíferas, árvores florestais e árvores ornamentais. Após esse prazo, a cultivar cai em domínio público e seu uso passa a ser livre de pagamentos de royalties.

De acordo com o projeto, a comercialização do produto que for obtido na colheita dependerá da autorização do detentor da cultivar. Assim, a proposta irá limitar os agricultores familiares de produzir, armazenar, distribuir, comercializar e trocar as suas sementes.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cinco municípios do Amazonas aguardam reconhecimento de situação de Emergência

Mesmo com decreto municipal, as cidades precisam da homologação do Estado para receber ajuda humanitária e verbas

MANAUS – Caapiranga, Borba, Codajás, Itacoatiara e até a capital do Amazonas, Manaus, aguardam reconhecimento da situação de Emergência por parte do Governo do Estado. 

As cidades ainda estão com documentação incompleta junto a Defesa Civil do Amazonas, órgão que homologa a situação no Estado e garante o envio de verbas e ajuda humanitária às localidades atingidas pela enchente. A Defesa Civil do Amazonas não deu previsão de quando o processo de reconhecimento será concluído. Outros 30 municípios já tiveram a condição reconhecida desde o início da cheia. Em todo o Estado já são mais de 230 mil pessoas afetadas pela enchente.

Em Manaus, a área mais crítica é Zona Rural, onde escolas já foram transferidas de localidade para dar continuidade ao ano letivo. "Temos avisado as prefeituras e o Estado sobre a situação das grandes cheias. É possível que elas se repitam com mais frequência nos próximos anos e nós temos que nos preparar construindo edificações mais altas e distantes das áreas de alcance dos rios”, alerta o coordenador de articulação do órgão, Hermógenes Rabelo.

As situações de Emergência e Calamidade são caracterizadas pela incapacidade das prefeituras em prestarem socorro aos seus habitantes e manterem o funcionamento de serviços básicos como saúde e educação. Para que o município tenha a condição reconhecida, é necessário que a prefeitura publique um decreto municipal e em seguida, envie a documentação necessária à Defesa Civil estadual, que homologa a situação. Só então o Governo Estadual envia ajuda humanitária e verbas para medidas paliativas de socorro aos atingidos pela cheia.



Fonte: Portal Amazônia

Museu da Vida promove série de atividades culturais na Semana do Meio Ambiente

Para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o Museu da Vida — espaço da Fiocruz que integra ciência, cultura e sociedade — preparou uma série de atividades culturais, todas gratuitas e abertas ao público, entre os dias 1º e 6 de junho. O objetivo da “Semana do Meio Ambiente” é promover reflexões sobre a importância da preservação do meio ambiente e sua relação com a saúde e sociedade em geral.

As atividades acontecem no campus Manguinhos, localizado na Zona Oeste da cidade, de segunda a sexta, das 9h às 16h30, e sábado, das 10h às 16h. “Nós inserimos a Semana do Meio Ambiente em nosso calendário de eventos devido à tradição do museu em trabalhar questões ambientes e de sustentabilidade na maioria de suas atividades junto ao público”, explica Diego Bevilaqua, chefe do Museu da Vida.

Quem passar pelo Museu da Vida durante a semana poderá participar de palestras na Tenda da Ciência e no auditório, 'contação' de histórias, oficinas de brinquedos com sucatas, passeio pelo campus da Fiocruz e Horto, além de ter a oportunidade de conhecer uma minicolônia de formigas saúvas e observar no microscópio óptico a vida que existe na água não tratada.

O Museu da Vida fica localizado no campus da Fiocruz, na Av. Brasil, 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro.

Confira a programação

Fonte: Portal Fiocruz

Auditorias reforçam sucesso do Compromisso Público da Pecuária

Resultados mostram que os fornecedores diretos dos gigantes do setor não contaminam mais a carne com desmatamento da Amazônia

Há dez anos o Greenpeace começou a investigar a cadeia produtiva da pecuária na Amazônia, setor que ainda hoje representa uma das principais ameaças à preservação da floresta. Em 2009 lançamos o relatório “A Farra do Boi da Amazônia”, que mostrava a terrível relação entre empresas frigoríficas e clientes como Nike, Adidas, Unilever, Casino, Carrefour e Walmart com o desmatamento da floresta e o uso de trabalho escravo.
Terras da Floresta Nacional de Jamanxim, próximas à BR-163 são queimadas ilegalmente para abrir espaço para a criação de gado. (© Rodrigo Baléia / Greenpeace)


O esforço valeu a pena. Apenas um mês depois da publicação do relatório, os maiores frigoríficos do Brasil - JBS, Marfrig e Minerva – que representam hoje algo em torno de 60% de tudo o que é abatido no bioma, assumiram um compromisso público de só negociarem carne e couro com fazendas que não recorressem ao desmatamento, ao uso de trabalho escravo ou invasão de áreas protegidas. As empresas firmaram também, junto ao Greenpeace, um Termo de Referência, onde se comprometeram, com base nos mesmos critérios, a auditar e publicar anualmente seus resultados nesta empreitada contra o desmatamento.
Hoje, os frigoríficos divulgaram os resultados da segunda auditoria anual independente realizada para testar o sistema de controle socioambiental de compras e as conclusões são animadoras: de acordo com as empresas de auditoria, BDO e DNV, os três frigoríficos tem, de fato, conseguido cortar relações comerciais com fazendas que continuam a desmatar. Segundo o relatório, 99% das compras, analisadas por amostragem, vieram de fornecedores diretos que deixaram o desmatamento no passado.
Todas as empresas aumentaram o percentual de propriedades e compras de gado de fazendas fornecedoras monitoradas com mapas georreferenciados, que são mapas muito mais precisos e completos. Este ano a Marfrig atingiu 100% de fornecedores com este tipo de identificação. Em 2014 a empresa possuía 98% de seus fornecedores mapeados. A JBS passou de 50%, em 2014, para 71% das compras de gado de fazendas monitoradas. Já a Minerva tinha 43% de fazendas com mapas no ano passado e esse percentual pulou para 85%.
Veja aqui os resultados das auditorias
“Os três frigoríficos avançaram muito ao banir produtores diretos que continuam destruindo a floresta ou invadindo ilegalmente terras indígenas. Os frigoríficos estão monitorando de forma mais precisa as fazendas que fornecem diretamente para eles. Tem equipes de sustentabilidades dedicadas a monitorar diariamente as fazendas das quais querem comprar e mostraram que dá para monitorar a produção pecuária. Coisa que, em um passado recente, era impensável.”, disse Adriana Charoux, da campanha Amazônia do Greenpeace.
Infelizmente, a produção pecuária ainda é uma das principais causas do desmatamento na Amazônia. O gado ocupa atualmente mais de 60% da área já desmatada de floresta. Mas esse cenário vergonhoso para o setor e para o Brasil – que se vangloria de ser o maior produtor de carne do mundo, mas que oculta os impactos e passivos socioambientais presentes na cadeia de produção – pode acabar.
“A publicação desses resultados é crucial para assegurar a transparência e favorecer o controle social da produção na Amazônia brasileira”, conta Charoux. “Vemos que, cada vez mais, as empresas vem dando preferência a fornecedores que estão em acordo com a lei e praticando as condições do Compromisso que exige mais do que a lei – o Desmatamento Zero.  Isso é um grande incentivo para todo o mercado e, sobretudo, uma trilha aberta para a preservação da floresta”, observa.
Um estudo publicado recentemente na revista científica Conservation Letters, assinado pela professora Holly Gibbs, da Universidade de Wisconsin, mostra que o Compromisso vem ajudando a reduzir o desmatamento e que isso ocorreu graças a pressão exercida pelo mercado, que adotou critérios mais rígidos de compra. A análise de Gibbs mostra que o compromisso assinado em 2009 vem ajudando a reduzir o desmatamento, tornando a destruição da floresta um mau negócio. Através de estudo de caso baseado na JBS, em 2009, 36% das propriedades que forneciam carne ou couro para a empresa tinham registros de desmatamentos recentes. Em 2013 este número caiu para 4%. Fazendeiros fornecedores registraram suas propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR) quase dois anos antes de propriedades vizinhas não fornecedoras, e 85% dos fazendeiros entrevistados indicaram que os acordos eram a causa principal para essa atitude.Consequentemente, frigoríficos diminuíram as compras de fazendas com desmatamento recente, que foi cerca de 50% menor que o registrado em fazendas que forneciam antes da assinatura do compromisso.
Mas segundo a pesquisadora, para que o acordo seja ainda mais efetivo, é preciso acabar com as falhas e com o vazamento de gado que acontece quando outro frigorífico compra de fazendas rejeitadas pelas empresas comprometidas com desmatamento zero “contaminando assim a cadeia com desmatamento”.
“Para que o setor deixe de vez o inglório posto de `maior desmatador da Amazônia’ implementar o controle sistemático de fornecedores indiretos deve ser uma prioridade daqui em diante. Está também mais do que na hora de outros frigoríficos e supermercados assumirem o compromisso com o Desmatamento Zero como critério básico de compra. As associações brasileiras de carne (ABIEC e ABRAFRIGO) e a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) devem orientar firmemente seus associados a abandonarem de vez o desmatamento”, avalia Charoux. “Fazer qualquer coisa menos do que isso é inaceitável”, conclui.
A preservação da Amazônia é fundamental para muito além de suas fronteiras. É a floresta que regula o clima e a geração de chuvas em todo o Brasil e no continente sul-americano, o que impacta na própria produção agropecuária. Sem floresta, não tem água, comida nem clima para que nosso planeta continue sendo a casa das futuras gerações.  É por isso que o Greenpeace exige que as empresas se comprometam com o desmatamento zero - uma cadeia de abastecimento, sem destruição da floresta.  
Fonte: Greenpeace

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Agricultores promovem qualidade de vida com proteção ao meio ambiente

Por Aline Dias

A transição agroecológica é o processo gradual de mudança de práticas e manejo convencionais. Fazer a transformação significa deixar de utilizar produtos químicos, que oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, e investir em práticas sustentáveis que trarão mais qualidade de vida ao agricultor. E para conscientizar os consumidores, o Governo Federal promove, de 24 a 31 de maio, a Semana dos Alimentos Orgânicos - evento realizado em 21 estados do Brasil e no Distrito Federal simultaneamente.
A conscientização do consumidor é um dos fatores que ajuda a aumentar o número de produtores orgânicos, sendo a maioria constituída por agricultores familiares. E para adotar práticas agroecológicas, o agricultor conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que, para garantir a segurança alimentar e promover o desenvolvimento rural sustentável disponibiliza políticas públicas que valorizam e fortalecem a agricultura familiar.
O agricultor familiar que opta pela transição agroecológica e passa a cultivar alimentos orgânicos, pode ter acesso à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), ao crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), nas linhas Agroecologia, Eco e Floresta e aos programas que auxiliam na comercialização, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
Fonte: MDA

Passo a passo
Quando o agricultor decide fazer a transição agroecológica, caso ainda não possua um acompanhamento técnico, deve procurar uma instituição que ofereça Ater para fazer um planejamento da área onde produz. Assim, será possível verificar quais as condições do solo e quais as práticas que tem utilizado para que sejam definidos os ajustes que devem ser realizados. O técnico, então, vai orientar sobre como adequar o plantio e como produzir adubos orgânicos e insumos para tratar a produção, além de auxiliar na escolha de sementes adequadas. Gradualmente, o agricultor vai aprendendo como fazer o manejo do solo da forma correta e como produzir alimentos livres de agrotóxicos.
Para que seja possível fazer a transição, o produtor pode acessar o Pronaf, que disponibiliza crédito para investimento nas técnicas de base agroecológica. Após realizar todo o processo, o agricultor tem a oportunidade de ampliar a comercialização de seus produtos, vendendo para o PAA e Pnae. Além disso, o agricultor familiar que produz orgânicos pode obter o selo de certificação e se inscrever no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos. Tendo seu produto reconhecido, o agricultor poderá participar de feiras agroecológicas ou orgânicas, tendo a possibilidade de gerar ainda mais renda.
Com a adoção de práticas agroecológicas, a saúde do agricultor e de sua família é a mais beneficiada. Mas o meio ambiente também ganha. Além da melhora na alimentação, a produção de alimentos orgânicos permite a recuperação do solo e de fontes de água. Optar pela transição agroecológica é produzir com segurança e investir na saúde e valorização da agricultura familiar.
Brasil Agroecológico
A necessidade de produzir alimentos mais saudáveis com a conservação dos recursos naturais fez com que o Governo Federal instituísse, em 2012, a Política Nacional de Agroecologia (Pnapo). Com a implementação da política e do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Agroecológica – Brasil Agroecológico, os agricultores familiares que ainda não adotaram a produção de base agroecológica, mas que desejam produzir alimentos mais saudáveis, têm a opção de fazer a transição agroecológica e contribuir com o desenvolvimento rural sustentável.

Fonte: MDA

Projeto Murucututu recupera aves vítimas de maus tratos

Iniciativa tem o objetivo de preservar a fauna e proteger aves de rapina, como corujas e gaviões

Preservar a fauna da reigão e protegar as aves de rapina é o principal objetivo do projeto Murucututu, que se dedica à recuperar pássaros maltratados e devolvê-los de volta à natureza ou a locais adequados para a sobrevivência dos animais. O projeto surgiu de uma parceira da ONG No Olhar com a Universidade Federal Rural da Amazônia e empresta o nome de uma simpática espécie de coruja.

Um exemplar da espécie Murucututu está entre os beneficiados da parceria, que conseguiu recursos para revitalizar o solário, espaço mais amplo e arejado para tentar reduzir os estresses do cativeiro e oferecer mais conforto aos animais em recuperação.
"Precisamos respeitar eles, já que não é possível mais levar estes animais silvestres de volta ao habitat dele é preciso haver harmonia entre eles e o homem", afirma Marcos Wilson, coordenador da ONG No Olhar.

As aves representam a maioria dos pacientes do Ambulátorio de Animais Silvestres da UFRA, que tem 21 pássaros em tratamento. Um deles é o papagaio apelidado de "Carequinha", que se recupera de uma queimadura. "Ele ficou careca por causa disso. As penas estão nascendo, ele ficou cego e é bastante agressivo por causa disso, mas está se recuperando", conta Leila Menezes, veterinária da UFRA.

Projeto Murucututu recupera aves vítimas de maus tratos (Foto: Reprodução/TV Liberal)
Veterinária Leila Menezes cuida de aves atendidas no projeto. (Foto: Reprodução/TV Liberal)

Leila conta que acaba se apegando aos animais que recebem cuidados no ambulatório, como o araçari que se tornou o xodó da veterinária. Ele e mais três tucanos devem ganhar um criadouro para morar em breve.

Maus tratos
Segundo o biólogo Felipe Furtado, a maioria das ocorrências de violência com animais silvestres envolve aves como gaviões e falcões. "Eles são tidos como agressivos e as pessoas maltratam eles". Furtado explica ainda que as vítimas de agressão podem ser reabilitadas com a falcoaria, técnica há cerca de seis mil anos para treinar e cuidar de aves de rapina.

As corujas também são alvos frequentes de maus tratos. "Por causa de mitos populares, muitas pessoas maltratam a coruja, queimam ninhos inteiros, acham que ela está relacionada com azar, mal agouro", conta o cientista ambiental César Silva.
Além de uma jibóia de quase dois metros, César adquiriu por meio de licença ambiental uma coruja da espécie suindara, conhecida popularmente como "rasga mortalha". Os animais são usados pelo cientista em suas palestras e aulas sobre educação ambiental, e já se tornaram parte da vida dele.

Fonte: G1

Sistema de agroflorestas é mais vantajoso na produção de orgânicos

Andreia Verdélio, da Agência Brasil

A produção de alimentos orgânicos no sistema de agroflorestas vem ganhando destaque entre produtores rurais e pode ser mais vantajoso a longo prazo. Segundo o extensionista rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Rafael Lima de Medeiros, a agrofloresta é um ambiente mais equilibrado do ponto de vista biológico e também um sistema mais vantajoso para o agricultor que sempre vai ter lucro com alguma colheita da área.

Para produzir alimentos orgânicos não é permitido ao agricultor o uso de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e transgênicos na lavoura, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E mais que isso, o processo de produção deve respeitar as relações sociais e culturais e seguir os princípios agroecológicos, com o uso sustentável dos recursos naturais.
A produtora rural Silvia Pinheiro adotou o sistema agroflorestas em sua propriedade, e, segundo Silvia, a biodiversidade é tão grande que evita muitas pragas e dá mais saúde para os vegetais (Antonio Cruz/Agência Brasil)
A produtora rural Silvia Pinheiro  disse que  a biodiversidade é tão grande que evita muitas pragas e dá mais saúde para os vegetais  Antonio Cruz/Agência Brasil

A produtora rural Silvia Pinheiro dos Santos adotou esse sistema em sua propriedade de 21 hectares no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, na região de Brazlândia, no Distrito Federal. As verduras, frutas e madeiras de lei estão plantadas juntas, em consórcio, e, segundo Silvia, a biodiversidade é tão grande que evita muitas pragas e dá mais saúde para os vegetais. No terreno crescem, entre outras plantas, a hortelã, que afasta os insetos, e o feijão-guandú, capaz de fixar o nitrogênio no solo.

“Horta é a atividade que menos dá dinheiro, a que dá mais é a fruta e o mais rentável é a madeira. Então a ideia é aposentar com aquilo ali”, diz Silvia, apontando para as árvores. “Conforme a madeira vai crescendo vamos escolhendo o que vai ficando. As hortaliças são de imediato e é o que nós comemos”, completou.

Silvia conta que a propriedade está há mais de 40 anos na família e que até dez anos atrás a área era toda de pasto para o gado. “Hoje temos gado, ovelha e agrofloresta. O gado não é problema, o problema é tirar tudo para colocar o pasto. Nós fizemos a agrofloresta de um jeito que daqui a um tempo vamos criar o gado lá, porque plantamos inclusive a fruta que o gado gosta de comer”, disse.

Para Silvia, o sistema agroflorestal é uma evolução do orgânico. “No orgânico há ainda quem plante como na cultura tradicional, uma só espécie, e o produto fica mais caro porque não se pode aplicar nada, então precisa de muita gente para fazer a limpeza. No agroflorestal, você só induz a natureza, então vai poder ter um preço mais competitivo”, disse, acrescentando que utiliza a própria poda das árvores e o húmus produzido no sítio como adubos para as plantas.

O engenheiro agrônomo da Emater-DF, Rafael Lima de Medeiros, conta que o mercado de orgânicos está crescendo e a Emater já trabalha o programa de agroecologia como prioritário. “No Distrito Federal, a produção está crescendo, mas as propriedades orgânicas ainda são uma parcela muito pequena. Temos mais de 5 mil propriedades rurais e pouco mais de 150 são orgânicas. Mas o número de feiras orgânicas está crescendo e mais agricultores querem aderir a essa venda”, observou.

O engenheiro agrônomo conta ainda que a Emater trabalha também para atingir o agricultor convencional, para que ele passe a utilizar práticas mais sustentáveis, diminuindo o uso de agrotóxicos. “Eles começam a se adequar e, no futuro, isso pode servir de incentivo para que passem definitivamente para a produção orgânica”, completou.

De 24 a 31 de maio é celebrada a Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos em todo país. A Emater-DF disponibiliza uma lista com os pontos de venda de alimentos orgânicos no Distrito Federal.

Fonte: EBC

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Indústria moveleira amazonense pode ser destaque com pesquisa e investimentos

Por Fabrício Ângelo

manejo florestal é uma promissora alternativa de renda para as comunidades rurais, ao mesmo tempo em que alia o uso eficiente e racional das florestas ao desenvolvimento sustentável local, regional e nacional.
Somente no Amazonas em 2013, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autorizou o manejo de mais de 550 milhões de metros cúbicos de floresta em 32 municípios. Uma das incentivadoras dessa forma de obtenção de melhores índices sociais e econômico por meio da preservação da floresta deveria ser a indústria moveleira. Mas não é isso que ocorre na Região Norte, segundo dados da Organização Não Governamental (ONG) Imazon, o setor ainda é incipiente representando apenas 2,6% do nicho produtivo.
No Amazonas também não é diferente. “Temos um polo moveleiro que ainda trabalha de forma artesanal e com baixa lucratividade”, diz o professor doutor, Fernando Cardoso Lucas Filho, chefe do Laboratório de Estruturas e Secagem, localizado no Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Segundo ele, por possuir um grande potencial de exploração de recursos madeireiros, o Estado deveria ser um dos principais fornecedores de móveis do País, mas isso não acontece. “A perda de matéria-prima e baixa utilização de tecnologia faz com que os empresários tenham pouco lucro com o empreendimento”, observa.
Fernando Cardoso e seu orientando, Álefe Lopes Viana, mestre em Ciências Florestais e Ambientais, realizaram pesquisas junto a fabricantes de móveis no Amazonas e também em outras regiões. Para Aléfe, que defendeu o ponto de vista em sua dissertação de mestrado “Aplicação do Método de Custeio baseado em atividades (abc) na Produção de Artefatos de Madeira”, entre os principais problemas na fabricação de móveis pelos amazonenses estão a utilização de tecnologias obsoletas nos processos de industrialização e ausência de design.
“Existe um manejo florestal que pode ser bem utilizado para a produção de matéria-prima, mas ainda falta organização ao setor. O processo produtivo ainda é feito de maneira arcaica, o que resulta em um baixo valor agregado ao bem”, disse.
PRESERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
Produção pequena, mercado reduzido e altos custos são apontados pelos pesquisadores como o cenário atual da indústria moveleira no Amazonas. “No trabalho, tentamos identificar quais as falhas que encarecem tanto o produto e o deixam fora do mercado externo e até interno, pois mesmo em Manaus, poucos móveis locais são consumidos”, ressalta Viana.
Pesquisadores Prof. Dr. Fernando Cardoso Lucas Filho e Msc. Àlefe Lopes Viana. Foto: Fabrício Ângelo

Outro importante ponto destacado por Fernando Cardoso é a falta de motivação dos produtores rurais para investir em manejo florestal. “O manejo só é sustentável se agregar valor social e econômico à região. Hoje, verificamos que existem políticas públicas para o setor, mas ainda não é perceptível o desenvolvimento gerado por isso, principalmente quanto à geração de empregos. Temos uma produção madeireira, mas ainda não temos uma indústria forte de beneficiamento e produto final”, alerta.
A demora no retorno financeiro com o manejo faz com que a indústria pecuária continue crescendo de forma avassaladora no Estado. “Sabemos que a abertura de pasto é a principal causa do desmatamento na Amazônia e logo depois vem o cultivo de soja. Isso porque os grandes e pequenos produtores rurais ainda não veem o manejo como uma forma permanente de rendimento”, analisa o professor.
USO DE TECNOLOGIAS
Ser produtor de madeira não significa que não pode ser competitivo no setor. Um dos exemplos é a Itália, país europeu com limitadas áreas florestais, que desde a década de 70 lidera o mercado mundial de produção de móveis.
Conforme Aléfe Viana, mesmo importando madeira de vários países, inclusive o Brasil, os italianos têm um alto valor agregado em seus produtos. “A madeira representa cerca de 10% do valor de um móvel que poderá ser comercializado por dez ou vinte vezes do seu valor de produção, mas para isso é importante utilizar as tecnologias corretas e melhorar o aspecto estético do produto”.
Apesar de longo, há um caminho que pode ser percorrido pelos empresários do setor. “Hoje somos apenas fornecedores de madeira, mas isso pode mudar com investimento na capacitação dos empresários, de mais pesquisas na área e também do apoio de agências de fomento, pois temos o que há de mais importante, os recursos naturais, que podem e devem ser preservados ajudando a gerar desenvolvimento nas localidades que dependem da floresta’, finalizou Viana.
Fonte: CIÊNCIAemPAUTA