Domingo, Novembro 15, 2009

Líderes mundiais defendem adiamento de acordo final sobre clima

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes mundiais se uniram no domingo sobre planos para evitar um fracasso na cúpula sobre o clima em Copenhague, em dezembro, que adiariam os acordos até 2010 ou mais. "Em vista do fator tempo e da situação dos países individualmente, precisamos, nas próximas semanas, focar o que é possível e não deixar nossa atenção ser desviada para o que não é possível," disse aos líderes o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.

"O Acordo de Copenhague deve tornar obrigatória a continuação das negociações legais e fixar um prazo final para a conclusão delas," disse o anfitrião das negociações em Copenhague, que viajou a Cingapura durante a noite para apresentar sua proposta durante o café da manhã na cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec).

O plano apresentado por Rasmussen abriria caminho para um acordo político nas negociações que ocorrem de 7 a 18 de dezembro, seguido por discussões minuciosas sobre compromissos legalmente compulsórios em relação a metas, finanças e transferências de tecnologia, que seriam levadas adiante com menos pressa, mas ainda com um prazo para serem concluídas.
"Houve uma avaliação por parte dos líderes de que seria irrealista esperar que um pacto completo, legalmente compulsório, seja negociado entre hoje e o momento em que o encontro de Copenhague começar, em 22 dias," disse o negociador sênior dos EUA, Michael Froman, a jornalistas, após o encontro, no qual estavam presentes os líderes dos EUA, China, Japão, Rússia, México, Austrália e Indonésia.

"Acreditamos que é melhor contar com algo bom que não contar com nada," disse o chanceler chileno Mariano Fernandez.
As negociações andam atoladas em impasses, com os países em desenvolvimento acusando o mundo rico de não fixar para si metas suficientemente altas de redução das emissões de gases estufa até 2020.

Não ficou claro se a China, hoje o maior emissor de carbono do mundo, aderiu à proposta apresentada em Cingapura. Na reunião durante o café da manhã, o presidente chinês Hu Jintao falou sobre a necessidade de se criar um mecanismo de financiamento para os países ricos darem apoio financeiro aos países em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas.
Suas declarações ganharam o respaldo do presidente mexicano Felipe Calderon, que disse que, se for possível chegar a um acordo em Copenhague sobre um mecanismo de financiamento global, será "muito mais fácil acordar medidas claras e pragmáticas".

As declarações de Hu Jintao e Calderon foram feitas um dia depois de os presidentes da França e do Brasil, em documento conjunto, terem lançado um pedido por ajuda financeira "substancial" de países mais ricos para ajudá-los a combater as emissões.

Brasil anuncia metas voluntárias que vai apresentar em Copenhague

País deve reduzir suas emissões de gases do efeito estufa entre 36,1% e 38,9% sobre as emissões previstas para 2020, através da redução do desmatamento na Amazônia e Cerrado e ações nas áreas da agropecuária, energia e siderurgia.

Por Maiesse Gramacho - Ministério do Meio Ambiente

As metas de redução de emissão de gases do efeito estufa que o Brasil levará para a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca) foram anunciadas na tarde desta sexta-feira (13), em São Paulo, pelo governo.

Em reunião, o presidente Lula e os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, da Casa Civil, Dilma Rousseff, da Agricultura, Reinholds Stephanes, da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, o interino das Relações Exteriores Antônio Patriota, o presidente do Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas, Luiz Pingueli Rosa e o responsável pelo Departamento de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, definiram que o País deve reduzir entre 36,1% e 38,9% sobre as estimativas de emissões previstas para 2020.

O estabelecimento de metas definidas agradou ao ministro Carlos Minc, que desde o início das discussões defendeu uma proposta objetiva para o país apresentar no encontro na Dinamarca. "A variação é porque algumas das ações propostas precisam de recursos específicos. Por isso o presidente Lula mandou agora realizar reuniões para definir as fontes de financiamento para cada uma delas", explicou o ministro. Segundo ele, a variação significa um "intervalo de confiança", que pode, inclusive, ser ultrapassado. "Podemos ir além", afirmou Minc.

Considerando cenários de crescimento econômico de 5% e 6%, as ações para mitigação das emissões até 2020 prevêem iniciativas nas áreas de uso da terra, agropecuária, energia e siderurgia. "É importante destacar que essas são ações que decidimos tomar de forma voluntária. E que elas, além de voluntárias, são factíveis, quantificáveis, reportáveis e, inclusive, podem ser verificadas", disse a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, ao anunciar as metas em entrevista coletiva à imprensa.

"Estamos assumindo uma queda de quase 21% com a redução de 80% no desmatamento da Amazônia e um intervalo variável para demais ações, que são complementares à de combate ao desmatamento da floresta", acrescentou, se referindo às áreas de agropecuária, energia e siderurgia.

Ainda de acordo com a ministra, a definição das ações de mitigação que devem ocorrer em cada um dos setores mostram que "o Brasil tem compromisso com o desenvolvimento sustentável e com o meio ambiente". Segunda ela, o próximo passo, determinado pelo presidente Lula é o levantamento das fontes e recursos necessários para o financiamento das ações. "Vamos contar com recursos do governo, de ajuda internacional e até do setor privado", disse Dilma.

Para a ministra, o fato de o Brasil levar metas detalhadas a Copenhague pode favorecer o país, no sentido de receber investimentos internacionais para cumpri-las. "Já que estamos elencando as iniciativas, estaremos qualificados para receber recursos", avaliou.

Amazônia

As metas prevêem uma redução de 20,9% nas emissões de CO2 com a redução de 80% no desmatamento da Amazônia. E 3,9% com a redução de 40% no desmatamento do Cerrado, um total de 24,8% do total das emissões. Coube ao ministro Carlos Minc detalhar as iniciativas que deverão ser feitas em cada setor para que as metas sejam cumpridas. "No caso do desmatamento da Amazônia, nós já nos antecipamos. Ontem foi anunciado o menor desmatamento dos últimos 21 anos", disse.

Para a agropecuária, a proporção de redução varia de 4,9% a 6,1%. Para isso, são listadas ações de recuperação de pastos, integração lavoura-pecuária, plantio direto e fixação biológica de nitrogênio.

No setor de energia, a proporção de redução varia de 6,1% a 7,7%, com foco em eficiência energética, incremento no uso de biocombustíveis, expansão da oferta de energia por hidrelétricas e fontes alternativas como, por exemplo, bioeletricidade e energia eólica. Na siderurgia, com proporção de redução variando de 0,3% a 0,4%, o foco estará na substituição de carvão de desmate por árvores plantadas.

O ministro frisou que as metas não impedirão o crescimento do país. "O Brasil não vai ficar engessado. Porque nós somos um dos poucos países que pode ter menos desmatamento, menos emissões, e mais desenvolvimento", afirmou. Tanto Dilma quanto Minc destacaram a importância da proposta brasileira. "Com essas metas nós mostramos que temos boa vontade e compromisso", avaliou a chefe da Casa Civil. "Mas esse tem que ser um compromisso não só do governo, é de todo o país", completou o ministro do Meio Ambiente.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Ministério da Agricultura cria selo único para produtos orgânicos

Por Christina Machado da Agência Brasil


O Ministério da Agricultura instituiu o selo único oficial para os produtos orgânicos. O selo só pode ser usado nos orgânicos produzidos em unidades credenciadas pelo ministério. A instrução normativa foi publicada no Diário Oficial da União de hoje (6).

A exceção da obrigatoriedade de certificação dos orgânicos vale para os produtos da agricultura familiar, que podem ser vendidos diretamente aos consumidores, desde que os agricultores estejam vinculados a uma organização de controle social (OCS). O selo de certificação serve para dar ao consumidor a certeza de estar levando para casa um produto sem contaminação química.

Os orgânicos são cultivados sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outras substâncias tóxicas e sintéticas, o que os torna mais saudáveis. A agricultura orgânica busca criar ecossistemas mais equilibrados, preservando a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. O agricultor orgânico se preocupa com a preservação do meio ambiente e não cultiva produtos transgênicos porque não quer arriscar a diversidade de variedades existentes na natureza.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o selo só é conferido após rigorosos exames de controle de qualidade de solo, da água e reciclagem de matéria orgânica.

Ministério da Agricultura cria selo único para produtos orgânicos

Por Christina Machado da Agência Brasil


O Ministério da Agricultura instituiu o selo único oficial para os produtos orgânicos. O selo só pode ser usado nos orgânicos produzidos em unidades credenciadas pelo ministério. A instrução normativa foi publicada no Diário Oficial da União de hoje (6).

A exceção da obrigatoriedade de certificação dos orgânicos vale para os produtos da agricultura familiar, que podem ser vendidos diretamente aos consumidores, desde que os agricultores estejam vinculados a uma organização de controle social (OCS). O selo de certificação serve para dar ao consumidor a certeza de estar levando para casa um produto sem contaminação química.

Os orgânicos são cultivados sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outras substâncias tóxicas e sintéticas, o que os torna mais saudáveis. A agricultura orgânica busca criar ecossistemas mais equilibrados, preservando a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. O agricultor orgânico se preocupa com a preservação do meio ambiente e não cultiva produtos transgênicos porque não quer arriscar a diversidade de variedades existentes na natureza.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o selo só é conferido após rigorosos exames de controle de qualidade de solo, da água e reciclagem de matéria orgânica.

Aumenta número de registros de incêndios

Por Rebeca Casemiro do Jornal da Paraíba

Um princípio de incêndio, registrado no início da tarde de ontem no bairro Santo Antônio, em Campina Grande, assustou moradores e estudantes do Centro de Educação da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Com a chegada do período quente, os focos de queimadas estão aumentando.

O incêndio ocorreu num terreno que fica na avenida Floriano Peixoto. O fogo começou a aumentar por volta das 14h, quando o Corpo de Bombeiros teve que ser acionado para conter as chamas. Os moradores ficaram assustados e o fogo chamou atenção de quem passava no local e também de alguns alunos que estudam no Ceduc, que fica em frente ao terreno, principalmente pela proximidade de um posto de gasolina.

Segundo o sargento Adiel, que atendeu à ocorrência, o fogo pôde ser controlado rapidamente, sem causar maiores danos. Ele ressaltou que nessa época do ano, quando as temperaturas estão mais elevadas, a incidência de focos de incêndio aumenta consideravelmente. “Existem vários motivos para esse aumento, sobretudo o calor. O mato seco queima com facilidade, mas algumas ações ajudam, como a prática de queimar o lixo e de soltar cigarros nesses locais”, alertou.

Os moradores do bairro do Santo Antônio, por exemplo, contam que no local os incidentes estão acontecendo quase que diariamente e já sentem consequências do problema. “Além do cheiro de fumaça que fica impregnado nas roupas e dos perigos do fogo ganhar proporções maiores, a gente tem problemas respiratórios, o olho fica lacrimejando, as crianças tossindo”, lamentou a dona de casa Rita de Cássia Gomes, que reside na rua Giló Guedes.

O 2° Batalhão de Bombeiros Militar de Campina Grande tem registrado uma média de 10 chamadas diárias para atender a esse tipo de ocorrências. Dois automóveis da corporação estão destinados para realizar o trabalho e estão sempre ocupados.
A orientação é que as pessoas evitem botar fogo em lixo e galhos de árvore para evitar o problema.

Taking the earth's temperature

From Israel 21ct
An Israeli researcher has developed a 'thermometer' or 'soil dipstick' that can help diagnose the effects of global warming on the earth's crust.

A new Optical Soil Dipstick (OSD) developed by Israeli professor Eyal Ben-Dor can forecast the health of the planet's farms and forests, helping scientists, urban planners and farmers understand the changing health of the soil - as well as the soil's agricultural potential and other environmental concerns.

According to climate change experts, while most people know about the melting glaciers, global warming's effects on farming and water resources are still a mystery. Ben-Dor, of the Department of Geography at Tel Aviv University, believes his new invention could solve this mystery. "We can finally get an accurate picture of the earth's crust in these environmentally critical years," explains Ben-Dor.

The OSD is a thin catheter-like device, which is inserted into a small hole in the soil to give real-time, immediately accurate and reliable information on pollution and the all-round health of the soil. Analyzing chemical and physical properties, the dipstick outputs its data to a handheld device or computer.
"It's like a diagnostic device that measures soil health," says Ben-Dor. "Through a small hole in the surface of the earth, we can assess what lies beneath it."

Already the dipstick is being put to use in California, where is provides proof that organic farms are chemical-free, and it could be used as a whistle-blower to catch environmental industrial polluters.

Testing for soil health in the field
And as climate change alters our planet radically, Ben-Dor believes that this dipstick could instantly tell geographers which parts of the US are best - or worst - for farming.
Today, there is no simple and inexpensive way to test for soil health in the field. Soil maps of individual states are only compiled every 10 or 20 years, and each one costs millions. One testing process even requires the use of a bulldozer, which dredges up large tracts of land to be sampled and analyzed in a laboratory.

Testing is much simpler with Ben-Dor's dipstick, which can even be used by non-professionals. "To optimize production and save costs, farmers need to know if their crops are getting the right blend of minerals. This tool could permit them to pursue ‘precision agriculture,'" says Ben-Dor.
The OSD, which is expected to cost about $10,000 per unit per application, allows technicians to determine if the soil needs water or is contaminated.

It also provides information about the condition of root zones where crops are growing. And the quality of information, the researchers explain, is identical to that provided by large government laboratories.

Ben-Dor, who began developing the device because of his interest in drug development and diagnostics, says that these dipsticks can also be remotely and wirelessly networked to airplanes and satellites, providing the most detailed, comprehensive and reliable soil maps.
Helping map the effects of climate change

The efficacy of his OSD was recently reported on in the Soil Science Society of America Journal.
Currently in the prototype stage, the OSD is set for commercialization. Once the right strategic partner is found, the device could be on the shelves, and in the ground, within a year.
Soil maps are important tools of the trade for land developers, city planners, farmers and environmental prosecutors. Those employed today tend to be outdated, rendering them useless for many applications, and only about 30% of the planet has been mapped in this way.

Soil maps for the Far East, the Arctic and Africa, which can be more readily developed with the OSD, will better tell scientists, researchers and government agencies how climate change and population growth are affecting our planet and its resources.
"Soil mapping is a national undertaking," Ben-Dor observes. "It takes years and millions of dollars worth of manual labor and laboratory analysis, not to mention exhausting headaches with government authorities and ministries.

"For a fraction of that energy and money, and with a staff that has minimal training, the OSD could do the same job, and could continue doing it on a yearly, monthly, and possibly even a daily basis. The headaches would be gone, and we would finally get an accurate picture of the earth's crust," he concludes.

A Amazônia é que torna o Brasil protagonista global

Por Dal Marcondes, da Envolverde

Reunião do Fórum Amazônia Sustentável, em Belém, reforça a necessidade de participação das empresas e da sociedade civil na definição de um modelo para o desenvolvimento da região.
A Amazônia é a principal responsável pelo protagonismo global do Brasil. Sem ela o país seria como muitos outros no cenário internacional, com capacidade industrial média e um bom desempenho no quesito exportação de insumos primários.

No entanto, a Amazônia catapulta o Brasil para o centro das decisões globais quando o assunto é o futuro. O Brasil é visto como o país detentor da maior riqueza global em biodiversidade e fiel depositário da maior floresta tropical do planeta. Desde que o governo militar acabou e deixou como herança a expansão da pecuária na Amazônia, governo, empresas e sociedade civil debatem, discutem, discordam e pouco concordam sobre o modelo de desenvolvimento ideal para um território que corresponde a 53% do país e tem uma população de 25 milhões de habitantes, entre povos indígenas, populações tradicionais, quilombolas, ribeirinhos e centros urbanos com alto grau de sofisticação, como as capitais Manaus (AM) e Belém (PA).

Uma das organizações mais ativas na busca de políticas públicas integradas para a Amazônia é o Fórum Amazônia Sustentável, que realizou no final de outubro, em Belém, seu terceiro encontro anual. Fundado por empresas e organizações não governamentais em outubro de 2007, o Fórum tem se mantido como um espaço privilegiando de debates e de proposições para a transformação do cenário de abandono da região e na busca de soluções permanentes para problemas estruturais, como a ocupação desordenada do solo, a falta de regularização fundiária, a exploração predatória de recursos naturais, como a madeira e minerais, e a existência, ainda, de formas degradantes de trabalho.

Desde que começou a atuar, o Fórum conseguiu avançar em compromissos das empresas com a legalidade das cadeias de valor relacionadas à Amazônia. Foi assim com pactos assinados relativos à soja, que embarga o produto de áreas desmatadas, à madeira, que embarga produtos sem origem legal, e à pecuária, que inibe a expansão da produção sobre a floresta e combate o trabalho escravo.

O Fórum avançou, também, na discussão de mecanismos de financiamento para a manutenção da floresta, como o da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Em parceria com o jornal Valor Econômico e com a GloboNews, construiu um dos mais importantes debates sobre o assunto já travados no Brasil. Mas qual é a contribuição que o Fórum, em sua terceira plenária, pode oferecer ao debate, num momento em que já atinge a maturidade como organização protagonista, próximo à Conferência do Clima (COP-15), em Copenhague, na qual as discussões vão projetar as políticas públicas globais contra as mudanças climáticas, e às vésperas, também, da sucessão do presidente Lula no Planalto?

Do otimismo maduro de Ignacy Sachs ao ceticismo ponderado de José Eli da Veiga, a sessão de abertura do III Encontro Anual do Fórum Amazônia Sustentável mostrou que existem modelos de desenvolvimento plausíveis para a região, inclusive com empresas e organizações já caminhando nessa direção. Contudo, ainda não existe um plano de desenvolvimento para ela.

Do alto de mais de 80 anos de observação privilegiada da inventividade humana, o economista Ignacy Sachs voltou a bater forte na tecla a biocivilização, um desenvolvimento baseado em valores humanos, com grande conteúdo de ciência, conhecimentos tradicionais e baixas emissões de carbono. Sachs também afirmou que é preciso haver uma revolução tecnológica a partir de investimentos maciços e estímulo à educação científica. "Ao discutir o futuro da Amazônia, temos que olhar todo o leque de tecnologias, desde as mais simples até as mais futuristas”, disse. Ele apontou ainda para a necessidade de investimentos em pesquisa sobre a biodiversidade, a implementação efetiva do zoneamento econômico ecológico e a exigência de certificação para os produtos florestais.

José Ely da Veiga apontou como o principal obstáculo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia a falta de um projeto de governo para a região. Para ele o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da Amazônia nada mais é do que uma série de projetos sem uma integração sistêmica. “Não carregam dentro de si uma visão integrada da região”, disse. Esta é uma visão compartilhada pelas lideranças do Fórum Amazônia, que questionam principalmente a falta do Estado na região. “O modelo de desenvolvimento baseado na ilegalidade, no crédito farto e na impunidade acabou”, diz Adalberto Veríssimo, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e um dos membros da Comissão Executiva do Fórum.
A sessão de abertura contou também com Rubens Gomes, do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Yuri Feres, do Walmart, Caio Magri, do Instituto Ethos, e Fábio Abdala, da Alcoa, uma representação bastante apropriada da diversidade presente no Fórum.

Esta reunião mostrou, também, a vitalidade da organização e que sua capacidade de mobilização e representatividade de seus membros é uma poderosa ferramenta de pressão para levar à Amazônia as mudanças necessárias para sua preservação e manejo voltados para a construção de futuros possíveis e sustentáveis. Afinal, um dos consensos é justamente o papel relevante que a região tem e sempre terá para o planeta e para a manutenção da qualidade de vida das populações humanas.

Após dois dias de reuniões e debates, o Fórum decidiu que deverá estruturar uma pauta de propostas para os candidatos à Presidência da República em 2010, temas que deverão ocupar espaço nos palanques nacionais e da Amazônia. Para isso, um grupo de trabalho deverá se reunir nos próximos meses. Também será preparado um documento, subscrito pelos signatários do Fórum Amazônia Sustentável, para ser entregue ao próximo presidente da República, com sugestões e contribuições que o ajudem a olhar para a Amazônia com a perspectiva da modernidade e da perenidade de um desenvolvimento baseado em valores humanos e serviços ambientais vitais para o mundo.

Comissão aprova incentivo a investimento em pesquisa privada

Por Geórgia Moraes da Agência Câmara

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática aprovou na quarta-feira (4) o Projeto de Lei 3558/08, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), que concede incentivo fiscal às empresas que contratarem instituições privadas sem fins lucrativos para desenvolver projetos de inovação e de pesquisa científica e tecnológica.

Pela proposta, essas empresas poderão abater as despesas da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)Hoje, as empresas só se beneficiam desse incentivo ao contratarem Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), que são entidades públicas. Para a relatora da proposta na comissão, deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), a medida pode incentivar instituições privadas a se envolverem em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, aumentando a massa crítica de pesquisadores e atraindo novos talentos para trabalhos dessa natureza. "Quanto maior o número de entidades envolvidas em atividades de pesquisa e desenvolvimento e de profissionais formados com essa vivência, mais propício o ambiente para a inovação tecnológica", afirmou.

A proposta muda a Lei 11.196/05, que regulamenta incentivos fiscais para a inovação tecnológica. Essa lei limita a exclusão das despesas da base de cálculo da CSLL a, no mínimo, a metade, e, no máximo, duas vezes e meia o valor dos recursos investidos nos projetos de inovação e pesquisa tecnológica.TramitaçãoO projeto, que tramita em caráter conclusivo e já tinha sido aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:- PL-3558/2008

Comissão do Código Florestal debaterá situação da Amazônia

Agência Câmara

A comissão especial sobre códigos ambiental e florestal vai realizar audiência pública para discutir o papel dos órgãos de segurança nacional na conservação e preservação da Amazônia, especialmente na faixa da fronteira norte do País. Será convidado para a audiência o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. A reunião foi sugerida pelo deputado Moreira Mendes (PPS-RO) e ainda não tem data marcada.

Moreira Mendes lembra que, em declarações feitas à imprensa, o general Augusto Heleno criticou a demarcação de áreas indígenas na faixa de fronteira e reclamou da falta de investimentos militares para a defesa da floresta e da região.

Reuniões temáticas
A comissão também vai realizar audiência pública para discutir o Código Ambiental de Santa Catarina e outra reunião sobre Economia da Reserva Legal. Esses debates, ainda sem data marcada, foram sugeridos pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP).

Segundo Valente, o Código Ambiental de Santa Catarina traz dispositivos contrários às leis federais, sendo inclusive objeto de ação direta de inconstitucionalidade (ADI). O deputado ressalta que, apesar disso, o código foi utilizado como base para as propostas de legislação ambiental em análise na Câmara.

Serão convidados para essas audiências o procurador-geral da República, Roberto Gurgel; o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Antonio Carlos Hummel; e o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Adalberto Veríssimo.

Proposta polêmica
A comissão especial foi criada para analisar o Projeto de Lei 1876/99 e outras cinco propostas que tramitam em conjunto (PLs 4524/04; 4395/08; 5020/09; 5226/09 e 5367/09). O projeto original, do ex-deputado Sérgio Carvalho, propõe um novo Código Florestal, em substituição ao atual (Lei 4.771/65).

Embora a proposta (PL 1876/99) seja antiga e tenha sido rejeitada em duas comissões, a comissão especial foi criada porque a ela está apensado o Projeto de Lei 5367/09, do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que institui o Código Ambiental Brasileiro e revoga o Código Florestal. Esse projeto tem o apoio de produtores rurais, mas enfrenta forte resistência de ambientalistas.

Íntegra da proposta:
- PL-5367/2009

Ciência e Tecnologia debaterá propriedade de portais de notícias

Agência Cãmara

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática vai realizar na quarta-feira (11) audiência pública para debater a possibilidade de se aplicar aos portais e sites de notícias na internet as mesmas restrições relativas ao capital estrangeiro previstas no artigo 222 da Constituição para as empresas jornalísticas e de radiodifusão.

O requerimento é do presidente da comissão, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), e do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). Eles argumentam que é crescente a criação de sites e portais de internet que veiculam conteúdos noticiosos. "Embora tenhamos consciência de que a internet é apenas uma estrada, por meio da qual se encaminham as informações, a grande penetração da rede vem suscitando calorosos debates na sociedade sobre a necessidade de se estabelecer algum tipo de controle
sobre ela", assinala Eduardo Gomes.

Fruet acrescenta que é preciso discutir se cabe ou não aplicar restrições à origem do capital das empresas que se utilizam da internet para prestar serviços que muito se assemelham aos prestados pelas empresas jornalísticas e de radiodifusão. "Muitas dessas últimas empresas já se utilizam da internet para fazer chegar ao público, em tempo real, as notícias que veiculam em jornais impressos ou telejornais.

Os deputados lembram que, desde 2002, quando foi aprovada a Emenda Constitucional 32/02, a Carta passou a admitir a participação de pessoas jurídicas na propriedade de empresas jornalísticas e de radiodifusão. "Na mesma oportunidade, a Constituição Federal passou a permitir a participação minoritária de recursos estrangeiros no capital social e votante das referidas empresas".

Convidados
Foram convidados para o debate, que está marcado para as 9 horas:
- o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara;
- o diretor-presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Fumes Parajo;
- o presidente-executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti;
- a presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito;
- o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero;
- o diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Demi Getschko; e
- o cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Silvio Meira.

A reunião ocorrerá no plenário 13.

Mapas e fundamentos para políticas públicas

Por Fábio de Castro da Agência Fapesp

Com base em dados científicos produzidos pelo Programa Biota-FAPESP, a Secretaria de Meio Ambiente (SMA) publicou resolução que amplia as exigências de recuperação de vegetação por parte das mineradoras no Estado de São Paulo.

Os novos critérios, estabelecidos a partir dos mapas “Áreas prioritárias para incremento da conectividade” e “Áreas prioritárias para criação de Unidades de Conservação”, produzidos pelo Biota-FAPESP, passam a valer para todos os novos processos de licenciamento ambiental no setor e para ampliações de atividades de mineração.

A Resolução da SMA 74, publicada no dia 20 de outubro, tem o objetivo de aprimorar as medidas existentes para reduzir os impactos ambientais causados pelo setor de mineração – uma “atividade modificadora do meio ambiente, que pode gerar impactos à paisagem, à topografia e ao solo”, como destaca o texto.

Com a resolução, a emissão das licenças prévias e de instalação de novos empreendimentos de mineração – assim como a ampliação daqueles já existentes – fica condicionada à revegetação de uma área correspondente à área de extração. Mas a escala de área de vegetação varia de acordo com a classificação presente nos mapas do Biota-FAPESP.

O sistema é escalonado. A mineradora que pretender realizar extrações em áreas prioritárias correspondentes às escalas 1 e 2 do mapa deverá reflorestar uma área igual à que for desmatada. Em áreas classificadas como escalas de 3 a 5, a revegetação terá que ocorrer em áreas duas vezes maior que a do empreendimento. Para projetos localizados nas escalas 6 a 8 do mapa, com maior prioridade de conservação, as mineradoras deverão reflorestar área seis vezes maior que a área impactada.

Segundo a assessora da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN) da SMA, Neide Araujo, a resolução amplia significativamente as medidas necessárias para a mitigação dos impactos ambientais das atividades de mineração.
“A SMA entendeu que havia necessidade de ampliar a mitigação de impactos dessa atividade. A resolução define, portanto, que a revegetação exigida das mineradoras quando elas pedem aprovação de um projeto será proporcional ao tamanho da área a ser degradada”, disse Neide à Agência FAPESP.

De acordo com ela, no entanto, essa proporcionalidade seguirá a importância ambiental, para o Estado de São Paulo, da área degradada pela mineradora. “Era preciso ter um critério objetivo para definir a importância de cada área em termos de conservação. O subsídio para auferir essa importância foi fornecido pelos estudos feitos no âmbito do Biota-FAPESP”, explicou.

O coordenador do Biota-FAPESP, Carlos Alfredo Joly, lembra que, antes da nova resolução com foco nas atividades de mineração, os diversos mapas de áreas prioritárias para conservação e recuperação da biodiversidade produzidos pelo programa resultaram em várias outras aplicações em sustentação de políticas públicas.
“A multiplicação das resoluções, decretos e atos normativos do governo paulista com base nos mapas do Biota-FAPESP decorre da solidez da base de dados e da precisão das ferramentas de ecologia da paisagem utilizadas no projeto que gerou esses mapas. Portanto é de se esperar que por muito tempo os resultados do programa continuem sendo utilizados para aperfeiçoar políticas de conservação e recuperação da biodiversidade paulista”, disse à Agência FAPESP.

Uma das aplicações mais recentes dos mapas produzidos pelo programa consistiu em fornecer dados para a elaboração de um Ato Normativo do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), que estabelece prioridades de atuação do Ministério Público Estadual no que diz respeito à identificação e repreensão das atividades causadoras de degradação ambiental em território paulista.

Antes disso, os mapas forneceram à Secretaria de Agricultura uma ferramenta para o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro – o primeiro adotado por um Estado a partir de parâmetros hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos.

Em 2008, os mapas foram base para uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente que determinou que a autorização para supressão de vegetação nativa em território paulista deve se basear no mapa Áreas prioritárias para incremento da Conectividade.
Em 2007, outros três mapas temáticos elaborados com dados obtidos no âmbito do Biota-FAPESP também foram incorporados para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo.

Também em 2007, o programa estabeleceu parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para desenvolver ferramentas que garantam a qualidade dos dados gerados pelos sistemas de monitoramento do sistema aquático paulista. Degradação recuperada

Segundo Joly, a nova resolução da SMA, assim como as outras iniciativas anteriores que tratam da restauração e recuperação de áreas degradadas, remete a um dos principais desafios do Programa Biota-FAPESP nos próximos dez anos.
“A questão da recuperação de áreas degradadas é tão prioritária que foi incorporada ao nome do programa, que passa a ser Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo”, disse Joly.

De acordo com Joly, que é professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o conhecimento disponível atualmente permite a implantação de bons projetos de recuperação da vegetação nativa, inclusive com a preocupação de recuperar a variabilidade genética das espécies arbóreas utilizadas. Mas, em termos da reintrodução de fauna, o conhecimento ainda é incipiente.
“Sem a presença de, por exemplo, dispersores, a dinâmica natural de recrutamento de novos indivíduos das espécies inicialmente plantadas pode ficar seriamente prejudicada e comprometer a longevidade da recuperação florestal implantada. Portanto é imprescindível investir significativamente em pesquisas com este cunho, para podermos, de fato, recuperar a biodiversidade de áreas degradadas”, destacou.

O programa realizará, nos dias 9 e 10 de novembro, na sede da FAPESP, o evento The Biota-FAPESP International Workshop on Applied Ecology and Human Dimensions in Biological Conservation.

O workshop contará com a participação de palestrantes do Brasil e do exterior, que discutirão temas como ecologia histórica, direções em conservação, uso de ferramentas moleculares, ecologia aplicada e perda da diversidade e doenças infecciosas.
Mais informações sobre o evento: www.agencia.fapesp.br/materia/11250

Mapas e fundamentos para políticas públicas

Por Fábio de Castro da Agência Fapesp

Com base em dados científicos produzidos pelo Programa Biota-FAPESP, a Secretaria de Meio Ambiente (SMA) publicou resolução que amplia as exigências de recuperação de vegetação por parte das mineradoras no Estado de São Paulo.

Os novos critérios, estabelecidos a partir dos mapas “Áreas prioritárias para incremento da conectividade” e “Áreas prioritárias para criação de Unidades de Conservação”, produzidos pelo Biota-FAPESP, passam a valer para todos os novos processos de licenciamento ambiental no setor e para ampliações de atividades de mineração.

A Resolução da SMA 74, publicada no dia 20 de outubro, tem o objetivo de aprimorar as medidas existentes para reduzir os impactos ambientais causados pelo setor de mineração – uma “atividade modificadora do meio ambiente, que pode gerar impactos à paisagem, à topografia e ao solo”, como destaca o texto.

Com a resolução, a emissão das licenças prévias e de instalação de novos empreendimentos de mineração – assim como a ampliação daqueles já existentes – fica condicionada à revegetação de uma área correspondente à área de extração. Mas a escala de área de vegetação varia de acordo com a classificação presente nos mapas do Biota-FAPESP.

O sistema é escalonado. A mineradora que pretender realizar extrações em áreas prioritárias correspondentes às escalas 1 e 2 do mapa deverá reflorestar uma área igual à que for desmatada. Em áreas classificadas como escalas de 3 a 5, a revegetação terá que ocorrer em áreas duas vezes maior que a do empreendimento. Para projetos localizados nas escalas 6 a 8 do mapa, com maior prioridade de conservação, as mineradoras deverão reflorestar área seis vezes maior que a área impactada.

Segundo a assessora da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN) da SMA, Neide Araujo, a resolução amplia significativamente as medidas necessárias para a mitigação dos impactos ambientais das atividades de mineração.
“A SMA entendeu que havia necessidade de ampliar a mitigação de impactos dessa atividade. A resolução define, portanto, que a revegetação exigida das mineradoras quando elas pedem aprovação de um projeto será proporcional ao tamanho da área a ser degradada”, disse Neide à Agência FAPESP.

De acordo com ela, no entanto, essa proporcionalidade seguirá a importância ambiental, para o Estado de São Paulo, da área degradada pela mineradora. “Era preciso ter um critério objetivo para definir a importância de cada área em termos de conservação. O subsídio para auferir essa importância foi fornecido pelos estudos feitos no âmbito do Biota-FAPESP”, explicou.

O coordenador do Biota-FAPESP, Carlos Alfredo Joly, lembra que, antes da nova resolução com foco nas atividades de mineração, os diversos mapas de áreas prioritárias para conservação e recuperação da biodiversidade produzidos pelo programa resultaram em várias outras aplicações em sustentação de políticas públicas.
“A multiplicação das resoluções, decretos e atos normativos do governo paulista com base nos mapas do Biota-FAPESP decorre da solidez da base de dados e da precisão das ferramentas de ecologia da paisagem utilizadas no projeto que gerou esses mapas. Portanto é de se esperar que por muito tempo os resultados do programa continuem sendo utilizados para aperfeiçoar políticas de conservação e recuperação da biodiversidade paulista”, disse à Agência FAPESP.

Uma das aplicações mais recentes dos mapas produzidos pelo programa consistiu em fornecer dados para a elaboração de um Ato Normativo do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), que estabelece prioridades de atuação do Ministério Público Estadual no que diz respeito à identificação e repreensão das atividades causadoras de degradação ambiental em território paulista.

Antes disso, os mapas forneceram à Secretaria de Agricultura uma ferramenta para o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro – o primeiro adotado por um Estado a partir de parâmetros hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos.

Em 2008, os mapas foram base para uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente que determinou que a autorização para supressão de vegetação nativa em território paulista deve se basear no mapa Áreas prioritárias para incremento da Conectividade.
Em 2007, outros três mapas temáticos elaborados com dados obtidos no âmbito do Biota-FAPESP também foram incorporados para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo.

Também em 2007, o programa estabeleceu parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para desenvolver ferramentas que garantam a qualidade dos dados gerados pelos sistemas de monitoramento do sistema aquático paulista. Degradação recuperada

Segundo Joly, a nova resolução da SMA, assim como as outras iniciativas anteriores que tratam da restauração e recuperação de áreas degradadas, remete a um dos principais desafios do Programa Biota-FAPESP nos próximos dez anos.
“A questão da recuperação de áreas degradadas é tão prioritária que foi incorporada ao nome do programa, que passa a ser Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo”, disse Joly.

De acordo com Joly, que é professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o conhecimento disponível atualmente permite a implantação de bons projetos de recuperação da vegetação nativa, inclusive com a preocupação de recuperar a variabilidade genética das espécies arbóreas utilizadas. Mas, em termos da reintrodução de fauna, o conhecimento ainda é incipiente.
“Sem a presença de, por exemplo, dispersores, a dinâmica natural de recrutamento de novos indivíduos das espécies inicialmente plantadas pode ficar seriamente prejudicada e comprometer a longevidade da recuperação florestal implantada. Portanto é imprescindível investir significativamente em pesquisas com este cunho, para podermos, de fato, recuperar a biodiversidade de áreas degradadas”, destacou.

O programa realizará, nos dias 9 e 10 de novembro, na sede da FAPESP, o evento The Biota-FAPESP International Workshop on Applied Ecology and Human Dimensions in Biological Conservation.

O workshop contará com a participação de palestrantes do Brasil e do exterior, que discutirão temas como ecologia histórica, direções em conservação, uso de ferramentas moleculares, ecologia aplicada e perda da diversidade e doenças infecciosas.
Mais informações sobre o evento: www.agencia.fapesp.br/materia/11250

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Adaptação prioritária

Por Fábio de Castro, da Agência FAPESP

Cientistas de mais de 30 países se reuniram nesta quarta-feira (4/11) na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), para discutir as possibilidades de adaptação às mudanças climáticas nas regiões mais vulneráveis do planeta: os países em desenvolvimento.

Organizado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e pelo Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (IGBP), em parceria com o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CST) do Inpe, o encontro “Impactos, adaptação e vulnerabilidade: necessidade e prioridades de pesquisa nos países em desenvolvimento” termina no dia 6.
De acordo com o coordenador do evento, Carlos Afonso Nobre, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, trata-se do maior encontro internacional sobre adaptação às mudanças climáticas já realizado até hoje envolvendo países em desenvolvimento.

“A ideia por trás do evento é estimular a expansão de uma comunidade de cientistas que trabalhe a questão da adaptação nos países em desenvolvimento, a fim de identificar quais são as grandes lacunas de pesquisa nessa área. Essa comunidade já existe, mas ainda é pequena. Queremos que ela tenha um papel maior no próximo relatório do IPCC, pois essa questão tem importância central”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Nobre, que também é coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, os países mais pobres têm, geralmente, mais dificuldades de adaptação a qualquer transformação, seja ambiental, econômica ou social. O mesmo ocorre no caso do clima. “As projeções para o século 21 mostram que muitas das mudanças climáticas têm relação com o ciclo da água e, portanto, afetam especialmente as regiões áridas e semiáridas. O que ocorre é que justamente essas regiões concentram a maior parte da pobreza no mundo. A soma dessa característica com a dificuldade de adaptação típica desses países faz com eles se tornem as regiões mais vulneráveis do planeta”, apontou.

Identificar as lacunas de pesquisa sobre impactos das mudanças climáticas – e sobre as possibilidades de adaptação – nos países em desenvolvimento, poderá motivar pesquisadores dos países mais ricos a trabalhar em cooperação com os colegas de países da América Latina, da África e da Ásia, segundo Nobre. “Com isso, os problemas específicos dessas áreas ganharão mais destaque nas avaliações do IPCC e, consequentemente, no direcionamento de políticas públicas”, disse.

O climatologista afirma ser importante influenciar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, na questão da adaptação, pois se trata de um tema que está claramente em segundo plano em relação à mitigação das emissões de gases de efeito estufa. “Todos sabem que a mitigação é um problema global que precisa de uma solução global. Não podemos pensar que a adaptação, por se manifestar localmente, não precise de soluções globais”, afirmou.

Mais informações sobre o encontro “Impactos, adaptação e vulnerabilidade”: www.ess.inpe.br/iavbrazil

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Retrocesso Ambiental Enorme

DENÚNCIA URGENTE
Votação neste quarta-feira (4/11) pode causar enorme retrocesso no Código Florestal

Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados vota projeto de lei que modifica o Código Florestal

A sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (4 de novembro), às 10h em Brasília, pode entrar para a história como um marco no retrocesso e no caminho contrário aos esforços de proteção ambiental. A Comissão votará o projeto de Lei 6424, de 2005, de relatoria do deputado Marcos Montes (DEM-MG), com os apensos PL 6.840/2006 e PL 1.207/2007. As propostas alteram o Código Florestal (Lei 4771 de 1965), permitindo flexibilidades perigosas como a recuperação de Reservas Legais com espécies exóticas, anistia para os desmatamentos realizados antes de julho de 2006 (sem obrigatoriedade de recuperação) e definição das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) pelos poderes locais.

“O Código Florestal brasileiro é um exemplo de lei moderna e no momento em que o mundo todo discute a redução das emissões de carbono e estratégias internacionais de proteção e mitigação, o Brasil – que poderia ser um exemplo positivo – coloca em risco uma parte ainda maior das nossas riquezas naturais”, alerta Mario Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica. “O povo brasileiro tem que garantir a proteção deste patrimônio que é seu. Este projeto de lei vinha sendo discutido e acordado democraticamente (com a participação de setores mais avançados do agronegócio, ambientalistas, empresas, etc), mas foi modificado à surdina, encaminhado num golpe de segmentos atrasados da CNA (Confederação Nacional de Agricultura) através dos deputados da bancada ruralista na última semana.

O relator anterior, deputado Jorge Khoury (DEM-BA), foi destituído e este novo projeto surgiu, colocando em ameaça as políticas públicas no País. Não podemos permitir tamanho absurdo”.

Na última semana, a Fundação SOS Mata Atlântica e outras ONGs ambientalistas (como Greenpeace, Instituto Socioambiental, Rede de ONGs da Mata Atlântica e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) conseguiram impedir a votação do Projeto de Lei, mas nesta quarta-feira a sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável o coloca como ponto único da pauta novamente. Se aprovado, por ser de caráter terminativo, ele segue para a Comissão de Constituição e Justiça e depois para votação em Plenário da Câmara, com posterior sanção do presidente da República. “Esperamos que os deputados da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável levem em conta o interesse da população brasileira e não as vontades da minoria ruralista”, finaliza Mantovani, convocando a sociedade a acompanhar e pressionar a votação desta quarta-feira.

A sessão da Comissão é aberta ao público e qualquer pessoa pode acompanhar, no plenário 2, do Prédio das Comissões da Câmara dos Deputados. Além disso, os eleitores podem exigir esta postura dos deputados que elegeram, lembrando-os que interesses eles representam. Os integrantes da Comissão que vota amanhã o Projeto de Lei que ameaça o futuro ambiental brasileiro são: Roberto Rocha (presidente – PSDB/MA), Marcos Montes (1º vice-presidente e relator do Projeto de Lei, DEM/MG), Jurandy Loureiro (2º vice-presidente, PSC/ES), Leonardo Monteiro (3º vice-presidente, PT/MG), André de Paula (DEM/PE), Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP), Antônio Roberto (PV/MG), Edson Duarte (PV/BA), Gervásio Silva (PSDB/SC), Givaldo Carimbão (PSB/AL), Jorge Khoury (DEM/BA), Marina Maggessi (PPS/RJ), Mário de Oliveira (PSC/MG), Paulo Piau (PMDB/MG), Rebecca Garcia (PP/AM), Rodovalho (DEM/DF), Sarney Filho (PV/MA) e Zé Geraldo (PT/PA). Os suplentes são: Aline Corrêa (PP/SP), Antonio Feijão (PTC/AP), Arnaldo Jardim (PPS/SP), Cezar Silvestri (PPS/PR), Fernando Gabeira (PV/RJ), Fernando Marroni (PT/RS), Germano Bonow (DEM/RS), Homero Pereira (PR/MT), Luiz Carreira (DEM/BA), Miro Teixeira (PDT/RJ), Moacir Micheletto (PMDB/PR), Moreira Mendes (PPS/RO), Nilson Pinto (PSDB/PA), Paulo Roberto Pereira (PTB/RS), Paulo Teixeira (PT/SP), Valdir Colatto (PMDB/SC), Wandenkolk Gonçalves (PSDB/PA) e Zezéu Ribeiro (PT/BA).

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Abertura Oficial da 8a. Bienal Internacional de Arquitetura

A abertura oficial da 8ª. edição da Bienal Internacional de Arquitetura acontece no sábado, 31 de outubro de 2009, às 19h e conta com a presença dos representantes da mostra: a presidente executiva Rosana Ferrari, os diretores executivos Demetre Anastassakis e Liane Makowski, o curador cultural Bruno Padovano e a curadoria executiva. O Prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab e o Secretário de Estado da Cultura João Sayad também estarão presentes na cerimônia de abertura.
Os representantes das comitivas internacionais de Portugal, Alemanha, Itália, França, Holanda, Hong Kong estarão à disposição da imprensa.

Serviço:
8ª. Bienal Internacional de Arquitetura
Ingressos: R$12,00 *
Data: 31 de outubro a 6 de dezembro de 2009
Horários: terças a quintas, das 12h00 ás 22h00; sextas, sábados, domingos e feriados, das 10h00 ás 22h00
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo – Fundação Bienal – Parque do Ibirapuera

Para credenciamento de imprensa, favor enviar um email com nome, veículo e telefone para marianalaila@mktmix.com.br.

MKT MIX Assessoria de Comunicação
Tânia Otranto, Balia Lebeis e Roberto Ethel
Atendimento: Juliana Vieira e Mariana Laila
Email: juliana.v@mktmix.com.br, marianalaila@mktmix.com.br
Tel. (11) 3060-3640 – ramal 3627
www.mktmix.com.br

"Sala Verde" de Itapeva recebe novos livros

Por MMA

O Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Filho “Projeto Sala Verde” recebeu neste mês de novembro mais um kit de publicações enviado pelo Departamento de Educação Ambiental (DEA) do Ministério do Meio Ambiente. São várias publicações que soma ao acervo atual da Biblioteca da Sala de Pesquisas Ambientais (SPA). Materiais que estão sendo catalogados, livros, CD’s, DVDs, revistas e panfletos.

O Projeto Sala Verde é realizado pela parceria do Ministério do Meio Ambiente com a Fundação Planeta Terra. È um viveiro educador que está à disposição de alunos de rede estadual, municipal e particular de ensino, bem como de toda comunidade tanto da cidade de Itapeva quanto da região, e tem por meta despertar o sentimento ambientalista e o respeito pela natureza em cada cidadão.

Implantado há um ano no município tem sua base estrutural localizada no CEA APF, no centro da cidade e tem como uma grande parceira a Prefeitura de Itapeva. “Esta já é a segunda remessa de publicações que recebemos desde a inauguração da Sala Verde e isso só faz enriquecer o acervo bibliográfico da Sala Verde, importante fonte bibliográfica para alunos e visitantes em geral realizarem suas pesquisas, além de facilitar os trabalhos de Educação Ambiental, somos também conhecedores que livros voltados ao meio ambiente custam caro e poucos tem condições de adquirir” finaliza o coordenador Paulo Saponga.

UFF promove feira solidária

Vai acontecer nos dias 4 e 5 de novembro, a última edição do BONDE DA TROCA, a Feira deTrocas Solidárias promovida pelo IEES UFF.Venha buscar o seu presente de natal!!

Na Praça Leoni Ramos, no Bairro do Gragoatá, Niterói, em frente à Cantareira, das 14 às 18 horas. Para os que vêm do Rio, a Praça fica a 10 minutos da estação das barcas.

Trocas Solidárias: vamos trocar ?"Troca" é quando alguém oferece e transfere algo a outro. Na troca solidária, o ato de dar ou receber "algo" em troca resgata o sentido do contato e da reciprocidade e se manifesta com sorrisos, abraços e desapego.Recicle!

Faça uma análise profunda do ser de consumo que somos. Precisamos de tudo o que está em nossos armários, gavetas, cabides e caixas ?O que levar para trocar?Descubra objetos dentro de casa que você não usa mais e que alguém pode precisar muito: roupas, cds, livros e outros itens em bom estado.Descubra-se!Traga também seu saber e suas técnicas, sua produção ou o excesso: artesanato, alimentos, marcenaria, massagem, poesia, aulas, consertos...

QUEM É O IEES?
A Incubadora de Empreendimentos em Economia Solidária é um projeto de extensão da Universidade Federal Fluminense que fomenta ações embasadas na autogestão, na valorização do humano e do trabalho, no desenvolvimento comunitário, na justiça social e no cuidado com o meio ambiente, criando modos diferentes de produzir, distribuir, trocar, vender/comprar e consumir.Incubadora de Empreendimentos em Economia Solidária - IEES - ICHF - UFF Universidade Federal Fluminense, Campus do Gragoatá, Bloco O, sala 344.Contatos:(21)2629-2892/3021-3035E-mail: iees_uff@yahoo.com.brBlog: http://incubadoraecosol.wordpress.com

Equipamento produz energia solar para abastecer a indústria


Acompanhando a trajetória do sol, o concentrador solar parabólico produz energia em larga escala

Por Rosilene Ricardo da Faperj

Aproveitar energia solar para fins industriais: foi com esse objetivo que a empresa petropolitana Global Master Internacional criou o concentrador solar parabólico (CSP), uma forma de usar energia de fontes naturais, como a do sol, para produzir um volume energético grande o bastante para suprir diversas necessidades de uma unidade industrial. Em geral, os equipamentos de energia alternativa produzem pequeno volume de energia, suficiente apenas para unidades residenciais.

Apoiado pelo edital de Apoio à Inovação Tecnológica da FAPERJ e contando com a participação da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), o projeto foi desenvolvido pela equipe formada por Rogério Müller, coordenador e dono da Global Master, Fernando Gordalina, idealizador do primeiro protótipo, e o professor Carlos Eduardo Reuther, da UCP. Atualmente, a equipe conta ainda com a contribuição do engenheiro Fábio José Borsatto Leitão e do especialista em automação industrial Célio Gomes. Depois de um modelo experimental, um segundo protótipo foi instalado na empresa Arcoflex e está em fase avançada de testes. No momento, ele fornece energia para a estufa de secagem de uma impressora de flexografia.

Para o funcionamento do equipamento, que só acontece com radiação direta, é necessário que os raios solares, captados pela parabolóica revestida de películas refletoras, se concentrem no foco onde está posicionada uma caldeira térmica contendo um fluido especial, capaz de suportar temperaturas elevadas com baixo coeficiente de dilatação. O objetivo é transferir a energia térmica produzida para um trocador de calor. É daí que a energia será distribuída para uso, de acordo com as necessidades de cada cliente. "No caso da Arcoflex, é preciso produzir ar quente para o sistema de secagem do equipamento de impressão flexográfica. Isso gera significativa economia de energia elétrica, confirmada em estudos e projeções já realizados até o momento.

Usado em combinação com o sistema elétrico atual, poderá formar um sistema híbrido e suprir energia para equipamentos de grande porte", explica o engenheiro Fábio Borsatto, diretor comercial da empresa.

Segundo Rogério Muller, o CSP difere das placas planas, usadas habitualmente para captação de energia solar, basicamente pela faixa de temperatura em que opera. Se nas placas, essa temperatura fica em torno de 70ºC – que é suficiente para aquecer água para uma residência –, no CSP, os níveis médios de energia podem chegar a 500ºC. "Por isso, ele foi desenvolvido para ser utilizado em empresas, que exigem maior volume de energia do que uma casa. Numa residência, o custo do equipamento não é convidativo, e nem seu uso é necessário. Na verdade, é um exagero. Nesse caso, as placas solares são bem eficientes e podem operar, embora com menor eficiência, em condições de baixa incidência direta de sol. Na minha casa, por exemplo, tenho placas suficientes para aquecer a água de banheiros e cozinha", exemplifica.

Para que o concentrador solar parabólico possa acompanhar a "trajetória solar", foi desenvolvido um sofisticado mecanismo de automação que conta com inversores de frequência, motorredutores, sensores de leitura do posicionamento solar e outros componentes, que formam um conjunto de controle de alta tecnologia.

O pesquisador explica as vantagens de cada equipamento. "As aplicações são distintas. No caso de aplicação no aquecimento de água, por exemplo, seja para fins residenciais ou mesmo industriais, os equipamentos planos apresentam maior vantagem. Mas se precisarmos de energia para climatização de ambientes ou ainda para fins industriais, ocupando menor área de instalação, podemos dizer que o CSP é o indicado, especialmente em regiões onde há maior incidência de sol durante o ano. Isso certamente traz significativa economia de despesas, já que o sol é uma fonte abundante, não perecível e não poluente", fala Rogério.

Ele diz ainda que o CSP também está em fase de testes para geração de frio industrial, abastecendo de energia uma geladeira e um aparelho de ar-condicionado da empresa. Outros estudos analisam a possibilidade de o equipamento ser instalado em um abatedouro de aves, em Petrópolis, gerando energia térmica para aquecimento do sistema de água utilizado na depenação do frango e também para produzir gelo para o frigorífico de armazenamento da produção.

Segundo Rogério, é importante frisar que o equipamento não exclui as fontes primárias habituais de geração de energia de cada empresa, seja elétrica, caldeira ou gás. "Ela será usada nos dias nublados ou chuvosos, já que o CSP requer a incidência direta do sol para gerar energia térmica.

Nos dias sem sol ou de baixa geração térmica, devido a uma alta incidência de nuvens, o mecanismo de automação faz a modulação de um sistema para o outro, sem prejudicar o funcionamento da empresa onde estiver instalado."

Um terceiro protótipo, que também será instalado na Arcoflex, entrará em teste no mês de novembro. Embora o projeto ainda esteja em desenvolvimento, a Global Master já vem participando de eventos ligados à área ambiental e de geração de energia. Em setembro, em parceria com a Arcoflex, a empresa esteve no X Festival de Limpeza de Araras, demonstrando o funcionamento de um pequeno protótipo para alunos do ensino médio de escolas da região.

Representantes da Global Master também estiveram presentes, entre as diversas empresas apoiadas pela Fundação, à mostra do Programa Rio Inovador, organizada pela FAPERJ e realizada no Palácio Guanabara, no final de setembro.
"Nosso objetivo é disponibilizar para o mercado um equipamento que proporcione, além da economia financeira, uma economia de recursos naturais. Mas é preciso entender que sua aplicação não substitui as fontes primárias de energia, atualmente empregadas em larga escala em nosso parque industrial. Como, pelo nosso cronograma, a finalização do projeto está prevista para início de 2010, devemos iniciar a comercialização do equipamento logo em seguida", conclui.

Eleições e Marina Silva pautam agenda verde do governo

Por Natuza Nery e Maria Carolina Marcello da Reuters Brasil

O governo quer ficar mais verde. A um ano das eleições de 2010, a agenda ambiental vem ganhando holofotes e passou a pautar ações da Presidência da República.

O objetivo, avaliam analistas e admitem fontes do próprio governo, seria transformar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) em pré-candidata à sucessão com credenciais para formular ações em favor do meio ambiente, sobretudo após a senadora Marina Silva (PV-AC) ter se transformado em virtual adversária.

Marina deixou as fileiras petistas em agosto e passou a figurar nas previsões eleitorais com a missão de incluir o tema de sua vida na agenda política do país.
Ao que consta, conseguiu.

Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prorrogou por mais três meses o IPI menor somente para eletrodomésticos da linha branca que consumam menos energia. Mostrou que diferentes setores do Executivo estão na mesma pauta.
"Não se espantem se, no futuro, tomarmos outras medidas tributárias com esse caráter (ambiental)", afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que a ministra vá em dezembro à Conferência do Clima, em Copenhague, como chefe da delegação brasileira. Segundo uma fonte do governo, essa ideia surgiu cerca de um mês atrás. Desde então, Dilma está debruçada em estudos sobre a área, abastecidos pelo Ministério do Meio Ambiente e Itamaraty.
"O Lula está tentando passar maquiagem verde na nossa ministra", avaliou João Talocchi, coordenador da campanha de clima do Greenpeace no Brasil. "Vejo a preocupação em dar uma carga ambiental para sua candidata", acrescentou.

O esforço do Planalto também guarda a intenção de ter o que mostrar à comunidade internacional durante o encontro na Dinamarca, no qual Marina Silva também é presença esperada.

A senadora foi ministra do Meio Ambiente por cinco anos na administração Lula. Acabou pedindo demissão após diversos choques com setores desenvolvimentistas do governo, inclusive Dilma.
"É para mostrar que a Dilma tem a face ambiental. É importante também para ampliar a projeção internacional dela e importante para a campanha (presidencial)", apontou David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

PAC VERDE
Apenas um dia depois da filiação da parlamentar ao Partido Verde, em 30 de agosto, o governo anunciou redução recorde no desmatamento da Amazônia.
Na ocasião, a chefe da Casa Civil também entrou em cena. Ela defendeu o viés ambientalista do Programa de Aceleração do Crescimento, afirmando que as obras de saneamento básico do PAC protegem as bacias hidrográficas do país.

"Logo após a filiação da Marina e o lançamento do marco regulatório do pré-sal, Dilma passou a falar (com regularidade) que o Brasil é o país que mais investe no meio ambiente e que busca o desenvolvimento sustentável", acrescentou Talocchi.

Nas palavras de uma fonte palaciana com acesso à pré-candidata, o combate às mudanças climáticas é tema para os próximos anos e, certamente, terá impacto na corrida presidencial de 2010. "Com o surgimento da Marina Silva, tivemos de investir nessa agenda mais rapidamente", disse a fonte sob condição do anonimato.

O Executivo discute metas ambiciosas para reduzir emissões de gases-estufa e um pacote florestal para resolver problemas agrários. Faz isso às vésperas de Copenhague, mas o faz também às vésperas das eleições presidenciais.

Investimento em ecossistema é chave para adaptação

Marcela Valente, da IPS/Envolverde

Se houver investimento no manejo sustentável dos ecossistemas e se deter sua atual degradação, haverá melhorar sensível na capacidade de adaptação dos países à mudança climática, afirma um estudo apresentado nesta quinta-feira por duas organizações ambientalistas realizado em 16 países. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a fundação Vida Silvestre da Argentina (FVSA) apresentaram em Buenos Aires um informe no qual afirmam que a conservação e o manejo sustentável dos ecossistemas são chaves para melhor adaptação ao aumento da temperatura do planeta.

As estimativas mais conservadoras indicam que são necessários US$ 63 bilhões ao ano para proteger os serviços ambientais que esses ecossistemas proporcionam à humanidade, avaliados em US$ 33 trilhões anuais, segundo uma pesquisa a um informe da revista norte-americana Nature. Às vésperas da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15), que acontecerá de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, estas entidades não-governamentais proporão que “o manejo efetivo do meio ambiente seja um componente fundamental das estratégias de adaptação”.

Foi o que destacou o diretor-geral da FVSA, Diego Moreno, antes da apresentação do estudo “Novos Modelos para Financiamento, Desenvolvimento e Natureza. Casos de adaptação para responder aos impactos da mudança climática”, que será lançado na próxima cúpula. O informe apresenta 16 casos de adaptação nos cinco continentes, em uma área total que envolve 10% da população mundial, que hoje supera os 6,8 bilhões de pessoas.

Em Copenhague, as nações deverão acordar um novo regime climático global que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. O compromisso incluirá medidas de redução das emissões de gases de efeito estufa por parte dos países industrializados e planos de adaptação à mudança climática em nações do Sul. Segundo o Painel Intergovernamental de Especialistas em mudança climática (IPCC), a adaptação é qualquer ajuste nos sistemas naturais e humanos realizado para responder ao estímulo esperado ou aos seus efeitos, que modere o prejuízo ou explore oportunidades benéficas para o meio ambiente.

Se as emissões de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera pararem imediatamente, a temperatura global continuaria subindo. Por isso os países devem propor-se estratégias de adaptação, para minimizar os impactos negativos da mudança climática. No geral, quando os governos discutem sobre adaptação fala-se dos recursos financeiros que necessitam os países em desenvolvimento para realizar uma série de obras de infraestrutura que permitam enfrentar eventos climáticos extremos, como aumento do nível do mar, tempestades severas ou doenças tropicais.

Neste contexto WWF e FVSA destacaram que os ecossistemas, tanto terrestres quanto marinhos, proporcionam serviços valiosos de água potável, proteção de bacias hídricas e do solo, provisão de alimentos, ar puro, polinização, redução de desastres e captura de carbono que devem ser preservados para evitar a mudança climática.

A secretaria da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática estima que o investimento anual necessário para gastos de adaptação oscila entre US$ 49 bilhões e US$ 171 bilhões ao ano, quantia que deve ser fornecida pelo Fundo de Adaptação da Convenção. Porém, as entidades que apresentaram seu informe destacaram que esses investimentos deveriam velar pela preservação dos ecossistemas que fornece serviços ao equilíbrio climático global e são vitimas do aquecimento.

O estudo divulgado pelas organizações ambientalistas destaca, por exemplo, a importância crítica de preservar o Grande Chaco Americano, área com mais de um milhão de quilômetros quadrados que pega parte de Argentina, Bolívia, Paraguai e em menor medida do Brasil, ameaçada pelas mais freqüentes secas e a consequente desertificação. Esta região “proporciona uma grande diversidade de bens e serviços ambientais” com regulação hídrica e climática, captação de carbono, conservação da produtividade do solo e provisão de madeira, lenha, carvão, frutas, fibras e produtos medicinais para as comunidades. “Diante da ameaça da mudança climática, a perda de capacidade do ecossistema de fornecer estes serviços redundará em menores possibilidades de adaptação para a região”, alerta o informe.

Ameaças semelhantes pendem sobre os Arrecifes Mesoamericanos no México, Belize, Guatemala e Honduras. O aumento do nível do mar e da temperatura da água afeta mangues, estuários, rios a pântanos costeiros, com grande diversidade de espécies de peixes e tartarugas aquáticas, que sustentam a economia local. A pesquisa também colocou na mira ecossistemas de outros continentes como o Triângulo de Coral na Indonésia, Filipinas, Malásia, Papua Nova Guiné, ilhas Salomão, Timor Leste e o Caribe, com arrecifes de enorme biodiversidade ameaçados pela superpopulação, depredação pesqueira e pelo desmatamento.
(IPS/Envolverde)

Líderes religiosos querem salvar a 'mãe Terra'

Por Silvia Dias, da Avivcomunicacao

Iniciativa das organizações não governamentais Vitae Civilis e IDEC, o Diálogo Interreligioso sobre Clima reuniu 14 lideranças religiosas em evento realizado na cidade de São Paulo. Após debates, os participantes redigiram e assinaram uma carta que será entregue ao presidente Lula, na qual pedem que ele compareça à Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas, agora no fim do ano, onde deverá ser ratificado um novo acordo para mitigar as mudanças climáticas. O documento, assinado por representantes de instituições católica, judaica, baha’i, budista, messiânica, presbiteriana, hare krishna, espírita e do candomblé, também pede que o Brasil assuma posições mais firmes nas negociações.

“Reconhecer o sagrado que existe na vida é o que falta nos debates sobre clima”, afirma Rubens Harry Born, coordenador adjunto do Vitae Civilis. “Porque não se trata apenas de uma questão técnico-científica ou político-econômica. Quando falamos de clima, entramos na esfera ética das relações humanas”, completa.

Para o reverendo Elias de Andrade Pinto, da Igreja Presbiteriana Independente, “nos habituamos com o Sagrado Criador Pai. Agora, é hora de nos abrirmos para o Sagrado Natureza, a Mãe. Na integração entre o Pai e a Mãe, entre o Céu e a Terra, haverá Paz e Vida para todos e todas as gerações. E nós podemos colaborar com essa jornada”.

O monge Jô-Shinm, da Comunidade Zen Budista do Brasil, lembrou que há 2.700 anos Buda passou algumas instruções para seus discípulos antes de morrer: não derrubar nenhuma árvore, não matar nenhum ser e cuidar da Terra. “É isso que os monges e monjas da Comunidade Zen Budista do Brasil, sob a orientação de nossa abadessa monja Coen Hochi, vêm tentado implementar para o maior numero de pessoas através dos ensinamentos de Buda”, declarou.

Para o padre Tarcísio, da Pastoral Ecológica da Igreja Católica, “o resgate do humano requer o resgate da natureza”. E essa tarefa deve unir a todos: para ele, as diferentes religiões devem se religar para lidar com os novos desafios do mundo moderno. Uma percepção comum a vários dos participantes, que estão analisando a possibilidade de criar um fórum interreligioso permanente para debater as questões climáticas.

Parte da carta que será enviada ao presidente Lula:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva,
Vimos solicitar de Vossa Excelência o compromisso com um acordo climático com força de lei em Copenhague que corresponda à urgência de ações de combate às mudanças do clima que já vem trazendo inúmeras catástrofes no mundo todo, inclusive no Brasil.

Cada instante é determinante para assegurar a sobrevivência das atuais e futuras gerações. A Educação de todos, sobretudo no que tange às questões ambientais, é fundamental para as transformações civilizatórias necessárias para proteger a Comunidade da Vida. (...)

Temos urgência em adotar decisões audaciosas para salvar a Humanidade e o Planeta, quando, em Copenhague, acontecerá a 15ª Conferência das Partes e com isso mitigar as causas do aquecimento global e implementar as medidas de adaptação aos efeitos inevitáveis de mudanças do clima. Trata-se de uma questão ética que transcende fronteiras: mesmo em proporções diferentes, somos igualmente responsáveis por construir uma solução comum. (...)

Pedimos que Vossa Excelência compareça em Copenhague e proponha um acordo que garanta a vida de milhões de seres humanos, que demonstre o respeito que o Brasil tem por toda as etnias, religiões e diversidade social. Temos uma tarefa de casa a ser cumprida e contamos com seu empenho. (...)

Por isso, organizações da sociedade civil e lideranças religiosas da Região Metropolitana de São Paulo, reunidas encaminham este pedido a Vossa Excelência.
Respeitosamente,

Comunidade Baha’i de São Paulo
Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Leste – Paróquia São Francisco
Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Sul – Paróquia Santos Mártires – Padre Jaime Crowe
Comunidade Shalom – Rabina Luciana Pajecki Lederman
Comunidade Zen Budista do Brasil – Monge Jô-Shin
Pastoral da Ecologia – Padre Tarcísio Marques Mesquita
Congregação Israelita Paulista – CIP
Federação Espírita do Estado de São Paulo – Zulmira Chaves Hassesian, Diretora da Área de Ensino
Igreja Messiânica Mundial do Brasil – Reverendo Rogério Hetemanek
Igreja Presbiteriana Independente – Reverendo Elias de Andrade Pinto
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC – Lisa Gunn – Coordenadora
Movimento Nossa São Paulo – Mauricio Broinizi Pereira – Secretário Executivo
Nação Angola – Candomblé
Ramakrishna Vedanta Ashrama de São Paulo (Hinduísmo ou Vedanta) – Swami Nirmalatmananda/Swami Sumirmalananda
Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento Meio Ambiente e Paz – Percival Maricato – Presidente do Conselho Deliberativo

Lixo eletrônico em excesso

da Agência FAPESP

Há mais de dez anos tem crescido enormemente o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, como computadores, telefones celulares e tocadores de música (primeiramente CD e, depois, arquivos digitais). Um dos resultados, que a princípio não parecia preocupante, é o acúmulo de lixo.
Eletrônicos hoje representam o tipo de resíduo sólido que mais cresce na maioria dos países, mesmo nos em desenvolvimento. Um dos grandes problemas de tal lixo está nas baterias, que contêm substâncias tóxicas e com grande potencial de agredir o ambiente.

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (30/10) da revista Science, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, comentam o problema e a ausência de políticas adequadas de reciclagem. “O pequeno tamanho, a curta vida útil e os altos custos de reciclagem de tais produtos implicam que eles sejam comumente descartados sem muita preocupação com os impactos adversos disso para o ambiente e para a saúde pública”, apontam os autores.
Eles destacam que tais impactos ocorrem não apenas na hora de descartar os equipamentos eletrônicos, mas durante todo o ciclo de vida dos produtos, desde a fabricação ou mesmo antes, com a mineração dos metais pesados usados nas baterias.

“Isso cria riscos de toxicidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a concentração média de chumbo no sangue de crianças que vivem em Guiyu, na China, destino conhecido de lixo eletrônico, é de 15,2 microgramas por decilitro”, contam.

Segundo eles, não há nível seguro estabelecido para exposição ao chumbo, mas recomenda-se ação imediata para níveis acima de 15,2 microgramas por decilitro de sangue.
Os pesquisadores estimam que cada residência nos Estados Unidos guarde, em média, pelo menos quatro itens de lixo eletrônico pequenos (com 4,5 quilos ou menos) e entre dois e três itens grandes (com mais de 4,5 quilos). Isso representaria 747 milhões de itens, com peso superior a 1,36 milhão de toneladas.

O artigo aponta que, apesar do tamanho do problema, 67% da população no país não conhece as restrições e políticas voltadas para o descarte de lixo eletrônico. Além disso, segundo os autores, os Estados Unidos não contam com políticas públicas e fiscalização adequadas para a reciclagem e eliminação de substâncias danosas dos produtos eletrônicos.

Os pesquisadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países coloquem em prática medidas urgentes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados. Também destacam a necessidade de se buscar alternativas para os componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.

O artigo The electronics revolution: from e-wonderland to e-wasteland, de Oladele Ogunseitan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

O desmonte da legislação ambiental no Rio Grande do Sul

Por Marco Aurélio Weissheimer, Carta Maior

O setor ambiental está sofrendo uma pilhagem no Rio Grande do Sul, denuncia o professor do Departamento de Botânica da UFRGS, Paulo Brack. Entregue há dois governos a políticos do PSDB, Secretaria Estadual do Meio Ambiente passou a atender interesses de grandes empresas, especialmente da área da celulose. Na Assembléia, deputados da base do governo Yeda querem aprovar lei que flexibiliza ainda mais legislação ambiental. "O cenário é bizarro e marcado pela truculência", diz Brack.

O governo Yeda Crusius (PSDB) entrará para a história, entre outras coisas, como o patrocinador do maior ataque à legislação ambiental no Rio Grande do Sul. No final de setembro, entrevistei Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para o Adverso, publicação da Associação dos Docentes da UFRGS (ADufrgs). Na entrevista, publicada na edição n° 170 do Adverso, Brack denuncia o que está acontecendo no Estado:
“O setor ambiental está sofrendo uma pilhagem no Rio Grande do Sul. O Estado, na área ambiental, deveria responder às demandas da sociedade e não apenas as de um grupo de empresas. Os técnicos da área ambiental não conseguem fazer nada e são pressionados a emitir licenças para obras sem estudo de impacto ambiental prévio. O cenário é bizarro e marcado pela truculência.”

Desde o governo Germano Rigotto (2003-2006), assinala Brack, a área ambiental do Estado foi loteada entre políticos do PSDB, “numa espécie de prêmio de consolação para candidatos que não tinham sido eleitos”. Passaram pela secretaria o deputado estadual Adilson Troca, o ex-chefe da Casa Civil, José Roberto Wenzel e o candidato a deputado não eleito Mauro Sparta. “Cada um deles ficou cerca de um ano na Secretaria, sem nenhuma política consistente”, avalia o professor da UFRGS. No governo Yeda, a situação se agravou ainda mais.

Em abril de 2007, aponta ainda Brack, ocorreu uma intervenção branca na área ambiental do Estado para favorecer as grandes empresas de celulose, rompendo as barreiras do zoneamento que tinha sido elaborado pelos técnicos da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A partir daí, o governo decidiu simplesmente afastar qualquer técnico ou administrador que pudesse ser um obstáculo a essa tendência de liberação total de empreendimentos. Em 2008, exemplifica, apenas 0,4% dos pedidos de licenciamento foram recusados. “Isso vai contra toda necessidade de obedecer ao sistema nacional de meio ambiente e suas leis”.

Além do uso político da pasta do Meio Ambiente, acrescenta Brack, dois ex-secretários receberam recursos das papeleiras (Adilson Troca e Mauro Sparta) em suas campanhas. Outro titular da pasta, Berfran Rosado, recebeu R$ 39 mil e era o coordenador da Frente Parlamentar Pró-Florestamento. “Como é que alguém que recebe dinheiro de empresas de celulose na sua campanha eleitoral vai atuar na área do Meio Ambiente e tomar decisões envolvendo interesses dessas empresas?”

O mais recente capítulo desse processo de desmonte ocorre agora na Assembléia Legislativa, onde o governo tenta aprovar o PL 154, protocolado como sendo da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, mas que nunca foi discutido nem votado pelos deputados integrantes da comissão. “O presidente Edson Brum (PMDB), simplesmente coletou nove assinaturas, exceto do PT e PSB e protocolou o projeto”, denuncia o deputado Dionilso Marcon (PT). Inspirado em legislação aprovada recentemente em Santa Cataria, o PL 154 significa uma flexibilização ainda maior da legislação ambiental no Estado, em flagrante desacordo com a legislação federal, em especial no que diz respeito ao Código Florestal.

O projeto que altera toda a legislação ambiental do RS poderá ser votado nesta terça-feira, na Comissão de Constituição e Justiça. As entidades ambientalistas estão mobilizadas para tentar evitar esse grave retrocesso no Estado. O relator, deputado Marquinhos Lang (DEM), já deu parecer favorável ao mesmo e o deputado Luiz Fernando Záchia (PMDB) pediu prioridade para que o PL seja votado rapidamente.

Diante desse quadro, a Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS) lançou uma ação via internet para lotar as caixas de correspondência dos deputados gaúchos com mensagens de protesto e indignação contra as mudanças propostas pelo PL 154.

A estratégia da ação é seguinte:
1 – Onde diz Assunto escreva – Vote não à PL 154, pela manutenção do Código Ambiental.

2 – Cole os endereços de email dos deputados:
alceu.moreira@al.rs.gov.br; fernando.zachia@al.rs.gov.br; edson.brum@al.rs.gov.br; elvino.bohngass@al.rs.gov.br; fabiano.pereira@al.rs.gov.br; francisco.appio@al.rs.gov.br; pedro.westphalen@al.rs.gov.br; nelson.marchezan@al.rs.gov.br; adroaldo.loureiro@al.rs.gov.br; giovani.cherini@al.rs.gov.br; iradir.pietroski@al.rs.gov.br; marquinho.lang@al.rs.gov.br; luciano.azevedo@al.rs.gov.br; bancada.dem@al.rs.gov.br; bancada.pdt@al.rs.gov.br ; bancada.pp@al.rs.gov.br; bancada.pps@al.rs.gov.br; bancada.prb@al.rs.gov.br; bancada.psb@al.rs.gov.br; bancada.psdb@al.rs.gov.br; bancada.pt@al.rs.gov.br; bancada.ptb@al.rs.gov.br

3 – No corpo de email
O ataque à legislação ambiental promovido pelos agentes políticos que deveriam zelar pela legislação do Estado é uma vergonha. A sociedade não foi consultada sobre as alterações propostas pelo Projeto de Lei 154, a consulta e proposição ficou limitada aos setores produtivos, e as conseqüências ambientais deste projeto serão sentidas por toda a sociedade.

Caros deputados, coloquem a mão na consciência e não dêem andamento a este suicídio ecológico. A produtividade das terras e a produção de alimentos necessitam de um ambiente equilibrado, fora isto toda iniciativa de ampliar a produção e explorar a terra de forma exaustiva, significa a perda de potencial produtivo em médio e longo prazos, além da dependência e subordinação dos produtores às empresas de insumos, deixando a terra apenas como suporte, um meio de cultura, onde a produção necessitada cada vez mais de aditivos externos para garantir a produção.

Ademais, fragilizar a legislação ambiental, no momento em que o mundo todo busca alternativas para conter os impactos da crise ambiental e climática, demonstra o grau de desconhecimento das verdadeiras demandas sociais e da urgência do tema, por parte do nosso legislativo, por parte dos nossos representantes. Estamos de olho nos Senhores, e vamos cobrar uma postura ética e moral referente às questões ambientais. Por nossos filhos e netos, pelas futuras gerações. Seu voto pode garantir a sustentabilidade ambiental de RS. Nossos votos podem garantir a sustentabilidade de seus mandatos.

Aquecimento vai acelerar migração na PB

Por Jacqueline Santos do Jornal da Paraiba

Calor intenso, terras sem condições de cultivo, baixa oferta de emprego na agricultura e paraibanos saindo das cidades de origem em busca de melhor qualidade de vida. O panorama dramático está previsto no estudo “Mudanças Climáticas, Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste – 2000-2050”, elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Fundação Oswaldo Cruz. Se um dos prognósticos se confirmar, a região metropolitana de João Pessoa será a segunda do Nordeste onde mais serão sentidas as mudanças no clima em relação aos níveis de migração nos próximos 40 anos.

Por conta das alterações climáticas, a agricultura vai ser afetada e parte da população deve procurar abrigo em áreas menos afetadas do país. A análise mostra que entre os municípios nordestinos com mais de 250 mil pessoas, Campina Grande lidera no prognóstico de maior perda no número absoluto de habitantes, seguida pela cidade pernambucana de Caruaru. O estudo mostra que os municípios mais dependentes do setor agropecuário serão os mais prejudicados com a migração resultante dos efeitos das elevadas temperaturas. Nesses dois casos (Campina e Caruaru) a perda da população pode ter como causa o impacto das modificações no clima em municípios vizinhos e nas economias estaduais.

Se a expectativa pessimista realmente se concretizar, a taxa de migração, que hoje se encontra estável, vai atingir níveis altos em pouco mais de 20 anos e chegar a 0,36% da população nordestina no período entre 2035 e 2040, o que resulta no fluxo migratório de 246.777 pessoas. Nos anos de 2045-2050, a taxa corresponderia a 0,34%, resultando a saída de 236.065 nordestinos de suas cidades de origem. Em uma visão mais positiva, o estudo estima que apenas 13.565 pessoas migrariam no quinquênio 2035-2040 e 20.603 no período de 2045 a 2050.

“Os dados históricos mostram que, desde o início do século passado, o saldo migratório da Paraíba é negativo, sendo ainda menor na última década. O que ocorre é que a taxa de natalidade tem caído muito nos últimos anos e como ainda há uma taxa de migração elevada, em comparação com outras regiões, existe uma previsão de diminuição da população, especialmente na capital e Campina Grande (segunda mais populosa do interior do Nordeste”, detalha José Ivaldo Brito, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas (DCA) da Universidade Federal de Campina Grande.

A desaceleração no desempenho econômico, proveniente das mudanças climáticas, deve culminar em um encolhimento da disponibilidade de empregos no Estado, já que a agricultura é base de subsistência para milhares de famílias paraibanas e redução das populações nas áreas em situação mais crítica. Embora a migração a partir de localidades do Nordeste não seja novidade, o clima quente e sem chuvas vai espantar um grande número de pessoas. A constatação feita pela análise alerta que alguns lugares do Semiárido devem se tornar inabitáveis. Previsões como diminuição da frequência de chuvas, solos mais pobres e vegetação com menor diversidade biológica estão descritas no relatório.

Com o declínio no ritmo de crescimento da economia e a pequena oferta de emprego, a tendência é que o poder de compra caia de maneira considerável.
Os resultados serão negativos para toda a atividade econômica, atingindo as taxas de empregabilidade e, consequentemente, a renda das famílias. Esse declínio vai afetar o poder de consumo dos paraibanos, que também foi considerado pelos pesquisadores. Ao analisar a tendência até o ano 2050 na Paraíba, as famílias devem consumir 19,8% menos do que ocorreria sem as modificações no clima. O índice é maior, no entanto, ao programado para a população de Pernambuco, Ceará e Piauí, que terão 18,1%, 16,9% e 15,2%, respectivamente. Os nordestinos, em comparação aos moradores de outras regiões do Brasil, terão chances de sofrer queda acentuada no consumo.

Os efeitos da mudança climática foram sentidos na Paraíba na forma de destruição pelas chuvas. Uma situação que, segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e da Ciência e Tecnologia, Francisco Sarmento, vem sendo acompanhada.


Chuvas já causaram destruição
Independente de qual seja a causa, as chuvas que caíram em parte do Estado e de várias localidades da região Nordeste resultaram em grandes danos para os moradores das áreas afetadas. Milhares de famílias ficaram desabrigadas ou desalojadas, pontes e estradas foram destruídas, obstruindo os principais acessos e trazendo prejuízos para a economia dessas populações. Segundo relatório da Gerência Executiva Estadual de Defesa Civil, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Infraestrutura, no início do ano passado, as chuvas atingiram uma população de mais de 1,7 milhão de pessoas de mais de 100 municípios.

O secretário executivo da Defesa Civil do Estado, coronel Sinval Pinheiro, enumerou os municípios de Sousa, Patos, Santarém e São João do Rio do Peixe como os que sofreram com as intensas chuvas este ano. “Nesses locais, a situação ficou caótica. Houve intervenção de diversos órgãos governamentais.
Quase 1 mil famílias ficaram sem ter onde se abrigar”, citou. Apenas em Sousa, foram improvisados 10 alojamentos para atender os desabrigados. Em Patos, a situação foi a mesma.

O secretário de Estado do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e da Ciência e Tecnologia, Francisco Jácome Sarmento, garantiu que estão sendo captados recursos para contornar as dificuldades. “O Ministério da Integração Nacional liberou R$ 16 milhões, fruto de convênio. A última parcela de R$ 11 milhões já foi repassada. O volume será destinado para obras como restauração de estradas, de barragens e barreiros em mais de 20 municípios”, disse.

As enchentes deste ano chegaram a reduzir cerca de 20% a quantidade de grãos plantados em áreas ribeirinhas, em especial no Sertão do Estado. Em Patos e Araruna, por exemplo, os rios transbordaram e arruinaram plantações inteiras de arroz, milho e feijão. Mesmo com essa diminuição na colheita, o supervisor de agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), José Rinaldo de Souza, assegurou que não haverá impacto significativo na produção do Estado.

Segundo o instituto, a previsão para 2009 já passou por alterações por conta das chuvas. A estimativa até fevereiro era de uma produção de 301.970 toneladas de grãos, o que equivaleria a um acréscimo de 27% em relação à estimativa aplicada em 2008. “O prognóstico poderia se concretizar caso as condições climáticas se apresentassem favoráveis, mas não foi isso que aconteceu”, lamentou Souza. A estimativa do IBGE é feita com os pesquisadores do órgão que tomam por base informações de técnicos da Emater, secretários municipais de Agricultura, cooperativas do segmento, sindicatos e produtores. (JS)

Fenômeno precisa ser analisado
Na Paraíba, desde 2004 são registrados períodos de intensas precipitações, com chuvas que deixam rastros de destruição em cidades que, em tempos anteriores, eram castigadas pela estiagem prolongada. No entanto, a relação das alterações climáticas no Estado com o aquecimento global não tem embasamento científico.

As consequências que poderiam ser atribuídas às mudanças na atmosfera de todo o mundo está sendo observada pelo paraibano que vive em cidades do interior do Estado, pelo menos nos últimos cinco anos. Um exemplo são as chuvas que deixaram milhares de desabrigados e desalojados e prejuízos em diversos setores: lavouras se perdendo pelo excesso de água, animais mortos, casas indo ao chão, e até mesmo saldos de pessoas mortas.

Mesmo que a mudança de clima esteja patente aos olhos, os especialistas dizem que ainda é muito cedo para relacionar as alterações verificadas por aqui aos efeitos do aquecimento do planeta. A meteorologista da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Carmem Becker, disse que seriam necessárias pelo menos duas décadas de análises para atestar a ligação entre os fenômenos. “Para afirmar o efeito do aquecimento global no clima dos municípios paraibanos era preciso vários anos de estudos. Há uns cinco anos começamos a observar ocorrência de muitas chuvas, mas a causa seria outro fenômeno da natureza que não necessariamente tem relação com o aquecimento da terra”, justificou.

Becker disse que as intensas precipitações registradas desde 2004, em anos alternados, devem-se à ocorrência de um fenômeno chamado La Niña, oposto do El Niño, que propicia o aumento do calor nas áreas onde surge. “Esta é a época de fortes chuvas, mas é comum por conta do La Niña que traz o resfriamento das águas do Oceano Pacífico. As mudanças favorecem maiores ventos. Com a alteração da circulação de ventos no globo, o Nordeste recebe mais chuvas, ao contrário da região Sul e Sudeste, que passam a sentir a estiagem. A previsão é de que a situação mude no próximo ano, com o enfraquecimento do La Niña. Até o final de novembro, teremos um prognóstico de como será o quadro nos próximos anos”, acredita.

Se para a Aesa, as mudanças no clima no Nordeste estão longe de ter origem no aquecimento global, especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirmam que o fenômeno tem tornado as catástrofes cada vez mais comuns no país. Em 2007, durante uma conferência realizada com a participação de técnicos do órgão no Rio de Janeiro, um dos assuntos levantados foi o fato de que o aquecimento tende a produzir mais raios em todo o planeta. (JS)

Previsão é de períodos prolongados de seca
De acordo com o professor do Departamento de Ciências Atmosféricas (DCA) da Universidade Federal de Campina Grande, José Ivaldo Brito, nos quadros mais otimistas, o aumento da temperatura deve ser de 1,2 °C até 2050 e de 2,1 ºC até 2100. As informações mais pessimistas dão conta de que a elevação na temperatura pode atingir os 2,5 ºC até 2050 e 5,6º C até 2100. “Na Paraíba como um todo, é provável que ocorra o aumento na frequência de extremos climáticos, ou seja, períodos prolongados de forte seca intercalados por períodos curtos de chuvas muito intensas”, explica.

Brito afirma ainda que, em áreas específicas, o Litoral e a Zona da Mata paraibanos, poderá ocorrer um meio ambiente mais próximo do atualmente observado em Parnaíba e Teresina no Piauí. “No Brejo, há uma tendência de savanização; e aumento da aridez no Agreste, Cariri, Curimataú, Seridó e Sertão”, acredita. As principais razões para essas catástrofes climáticas, segundo o professor, são o aumento na atmosfera dos gases de efeito estufa e o desflorestamento. Com a terra mais quente, há previsão para o aumento no nível dos mares em média de 18 a 59 centímetros, o que vai afetar as cidades costeiras em vários continentes, de acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). (JS)

Estudo prevê queda no PIB do Estado
Segundo previsões do estudo “Mudanças Climáticas, Migrações e Saúde:
Cenários para o Nordeste – 2000-2050”, o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na Paraíba da região nordestina será o segundo com maior queda nos próximos 40 anos. Somente Pernambuco, com previsão de baixa de 18,6% supera a estimativa para as cidades paraibanas, que terão queda de até 17,7% na taxa de evolução do PIB. Em seguida, ficam Piauí (17,5%) e Ceará (16,4%).

Na projeção mais drástica, em 2050 o PIB dos municípios nordestinos vai ter uma redução de 15% ao que seria registrado se os efeitos do clima não fossem tão intensos. Na Paraíba, as cidades de Riachão e Itapororoca estarão em situação mais dramática do que todos os outros municípios da região Nordeste. O PIB dessas localidades deverá subir 48,8% e 48,3% menos do que aumentaria sem as mudanças climáticas. Orós, cidade do Ceará, teve o pior resultado com um crescimento menor em 47,6% do que seria registrado sem as modificações previstas.

Essas consequências surgem de outro grande problema causado pelas alterações nas temperaturas. Mais uma vez a Paraíba está no topo do cenário negativo observado pela análise dos estudiosos e aparece em terceira posição entre os Estados nordestinos que vão perder extensões de terras cultiváveis. A previsão é que o volume de retração chegue a 66,6%, no quadro mais pessimista, e 65,1%, considerando o cenário climático mais favorável. A estimativa aponta para uma diminuição drástica, com índices menores apenas do que no Ceará, com 79,6%, e Piauí, com 70,1%. Pernambuco é um dos Estados que terá o maior reflexo com 64,9%.

Agroecologia muda a vida de agricultores

Cerca de R$ 20 milhões já foram investidos pelo Sebrae no projeto que tem 7.000 unidades de produção no PaísAntonio Diniz, José Abel da Silva e Elizio Saturnino da Silva moram no Alto Sertão da Paraíba, região com pouca água e muitas necessidades. Em suas pequenas propriedades familiares, no entanto, a situação é bem diferente.

Por onde olham, há fartura e organização. Os três passearam felizes da vida na Biofach 2009, que termina no fim de semana, em São Paulo, observando o crescente mercado da agricultura orgânica e da agroecologia."Isso aqui é uma maravilha", diz Elizio da Silva, da Serra do Mocó. Os três integram o sistema Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), uma tecnologia social desenvolvida pelo Sebrae e parceiros, que reúne técnicas simples de produção agroecológica e de promoção do desenvolvimento sustentável.

Funciona com um galinheiro no centro, uma horta ao redor, um quintal agroecológico e um sistema de irrigação por gotejamento."Antigamente eu trabalhava só na pesca e vivia no meio do mundo. Hoje eu vivo mais perto da minha família e posso cuidar da minha propriedade. Agora tambémcomemos melhor e o que sobra complementa a renda com os peixes que eu pego", diz José Abel da Silva, de Sumé. Orgulhoso, ele afirma ter tirado da terra recentemente um pé de alface com mais de 1,1 quilo de peso.

Segundo ele, não há desperdício, já que as verduras não aproveitadas vão para as galinhas e o esterco delas vai para a horta. "Falta agora um poço artesiano. Tenho apenas um pequeno poço, mas a água é insuficiente para tudo".Já Antonio diz que a vida melhorou bastante. "Vendi 40 quilos de quiabo no São João e na Semana Santa. Tiro uma faixa de R$ 40 a R$ 50 por semana. Crio porcos e galinhas", afirma o agricultor.O Sebrae já investiu no projeto cerca de R$ 20 milhões em 7 mil unidades de produção. Como o da Paraíba, onde o Sebrae estadual está investindo cerca de R$ 1,8 milhão, há casos exitosos em todo o País. No interior do Amazonas, por exemplo, sargentos do exército estão ensinando moradores a plantar alface, coentro, cebolinha, pimentão e couve-flor e a formar a produçãoagroecológica integrada.

No Rio de Janeiro, a Petrobras e a Fundação Banco do Brasil lançaram o programa em março com o objetivo de implantar 200 PAIS em municípios próximos ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em construção em Itaboraí.Em João Pinheiro, município da região noroeste do Estado de Minas Gerais, algumas unidades do PAIS estão trabalhando e vendendo o excedente da produção de frutas, verduras e legumes para as escolas públicas da região.

Chuvas remodelam paisagem

Por Jailma Simone dos Diários Associados

Fortes correntezas abriram crateras de até 3,70 metros de profundidade e deixaram cerca de cinco mil pessoas ilhadas, sem energia, nem comunicação.Essa situação foi vivenciada pela população de Camalaú, a 332 km de JoãoPessoa. Entre os meses de maio e julho deste ano o alto índice de pluviosidade assustou os moradores. Essa é a segunda reportagem da série"Desbravando o Cariri".

O Jonrla O Norte vai relatar a situação das estradas que dão acesso ao município de Camalaú e as condições do açude que abastece a cidade depois de um inverno rigoroso. Aesa alerta que desafio é conscientizar população a não invadir áreas deinundações, como os reservatórios

Uma vegetaçãoresistente a um período prolongado de secas, mas solos frágeis à intensidadedas chuvas. Essa característica é peculiar da caatinga. No verão, a vegetação se recolhe. A estratégia natural de sobrevivência é derrubar as folhas para evitar a evaporação de líquidos e minimizar o gasto de energia. Basta o anúncio de água, logo as plantas se recompõem com a mesma bravura.

O problema está nos solos. Quando as chuvas passam do limite aterra seca não suporta o fluxo da água e abre fendas, muitas vezes crateras. Esse processo modela a paisagem do semi-árido a cada inverno. Este ano o excesso das chuvas deixou a população impressionada. Os contornos das rochas, delineados pelas fortes correntezas, denunciam o quanto o período foi assustador.Trincheiras foram abertas devido às fortes chuvas registradas na região

Pela primeira vez, depois de 28 anos construído,o açude Zé Tourinho (açude de Camalaú), transbordou. "Ninguém imaginava queia acontecer isso. A gente só via uma cena como essa na televisão. Foi uma bela de uma surpresa", relatou emocionado Manoel Messias de Oliveira, morador da cidade. A força da água causou estragos numa faixa de terra de aproximadamente 300 metros. Nas rochas, a marca da energia causada pela correnteza. Buracos imensos se formaram nas pedras e parte da estrada que dá acesso à cidade se rompeu. A tragédia poderia ter sido pior caso o prefeito da cidade não tivesse recebido o alerta do professor da UFPB, Paulo Rosa."Numa visita anterior pude observar que se houvesse transbordamento da barragem, o sangradouro não iria suportar o volume da água e haveria uma inundação de grande parte de terras. Então, o prefeito mandou desviar ocanal de transbordamento e evitou um estrago maior", afirmou.

Cybelle Frazão, diretora presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), afirmou que um dos maiores desafios do órgão éconscientizar a população a não invadir as áreas de inundações, o que ocorrena maioria dos reservatórios do estado. A AESA monitora 123 açudes em todo oestado. "O caso específico em Camalaú é que a cidade aproximou-se do açude econstruíram a estrada dentro da bacia hidráulica. Devido as intensas chuvas no curto espaço de tempo, a AESA ficou em alerta permanente, inclusive,percebemos a necessidade de abrir as comportas para evitar a destruição daestrada, mas a população nos impediu", alegou.

Zona rural sem percurso
Os moradores da zona rural do município ainda sofrem para chegar à cidade. Alguns trechos continuam oferecendo riscos aos motoristas. No lugar de estradas, trincheiras. Devido o relevo íngreme, característico da região,parte das estradas cedeu deixando as passagens estreitas. "Outro dia encontrei o ônibus de um amigo, que carrega estudante, tombado na beira do caminho. A passagem estreita demais e o barro escorregadio puxou uma das rodas. Ele tentou frear mas, não teve jeito, caiu na ribanceira", disse o motorista Geraldo da Tayota, ou Geraldinho, como é conhecido em Camalaú. Rotas como a "passagem do caracol" sumiram quase que por completo.

O fato ocorreu a cerca de um mês. Apesar dos apelos dos motoristas, a prefeitura municipal ainda não conseguiu resolver todos os problemas oriundos das chuvas torrenciais. "A passagem do Caracol sumiu completamente. A manutenção é constante, mas ainda falta muito. Estamos viabilizando a aquisição de uma máquina patrol para podermos resolver a falta de estrutura das estradas. Esse tem sido o nosso maior desafio, oferecer condições de acessibilidade ao nosso município", afirmou Aristeu Chaves, prefeito de Camalaú.

Solon Diniz, diretor superintende do Departamento Estadual de Rodagens(DER), informou que há diversos projetos de recuperação de estradas que ligam as cidades do Cariri e, em outras está sendo licitado obras para asfaltar. "O governo do estado tem recebido diversos prefeitos com pedidos para recuperação das rodovias. Estamos agilizando todos os projetos para viabilizar as melhorias de infra-estrutura, inclusive para asfaltar alguns trechos, é o caso da estrada do Congo com a divisa de Pernambuco", afirmou.

Especialista diz que jornal impresso é modelo de negócio insustentável

Izabela Vasconcelos do Comunique-se

Em debate no 3º MediaOn, na quinta-feira, 29, Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco e doutor em computação pela Universidade de Kent, na Inglaterra, defendeu que o jornal impresso como existe hoje é um modelo de negócio insustentável, seja pelo avanço das informações em tempo real ou por questões ecológicas. “Não digo que o jornal vai acabar, mas o modelo de negócio irá acabar. Os jornais não vão existir na mesma proporção que existe hoje. É ecologicamente insustentável. Não dá mais para ficar disponibilizando conteúdo apenas no papel. As empresas têm de criar o seu DNA de adaptabilidade”, afirmou.

Meira deu um exemplo para ilustrar sua visão. “Não faz sentido uma pessoa enviar um Asahi Shimbun (maior jornal do Japão) para eu ler aqui. A pessoa que fizesse isso deveria levar uma multa”, criticou, em discussão mediada pelo editor-executivo do serviço mundial da BBC de Londres, Américo Martins. O especialista debateu com André Mermelstein, diretor editorial da Converge Comunicações, responsável pela revista Tela Viva, que falou sobre TV 2.0 e da convergência de mídias. Segundo ele, “a convergência entre televisão e computador, sem fazer nenhum chute do futuro, é uma tendência inexorável”.

Mermelstein também disse que a TV Digital ainda não atende às reais necessidades das pessoas. “A TV digital ainda não é tão democrática como falam. Traz alguma interatividade, mas ainda está com um pé no modelo tradicional”. Para o jornalista, a web é o local onde a TV se transformará de verdade, com recursos muito mais interativos.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Cobras gigantes chegam a áreas urbanas de Miami

Várias espécies de cobras gigantes, entre elas as terríveis boa constrictor e píton africana, estão invadindo de forma descontrolada o estado da Flórida, a tal ponto que conseguem se adaptar às áreas urbanas de Miami, alerta um estudo científico da agência americana de Pesquisas Geológicas (USGS).

O controle desses ofídios, que não são nativos dos Estados Unidos, é muito difícil devido ao fato de se reproduzirem rapidamente em extensas áreas dos pântanos do Everglades. Não há ainda mecanismos de controle que pareçam adequados para erradir essas cobras que representam um grande risco para espécies nativas e ecossistemas nas regiões cálidas do sul dos Estados Unidos, segundo o estudo.

O cientista Gordon Rodda, da USGS e um dos autores do estudo, afirma que a maior parte dessas serpentes pode se adaptar a uma variedade de habitats e é bastante tolerante à vida nas áreas urbanas. Boas constrictor e pítons da África, por exemplo, já vivem de maneira silvestre em áreas metropolitanas de Miami, acrescentou.

Segundo a Comissão de Conservação de Pesca e Vida Silvestre da Flórida (FWC), muitas das serpentes eram mascotes que foram abandonadas por seus donos, pelos mais variados motivos, no Everglades, a imensa reserva natural de pântanos no extremo sul do Estado. Os especialistas assinalam que se trata de um problema que provavelmente começou há uns 20 anos com o furacão Andrew (1992), que fez com que muitas serpentes escapassem de pet shops e serpentários.

O perigo que representa essas cobras é similar aos dos caimãs que habitam em grande número no Everglades e cidades do sul da Flórida. Em julho passado, uma menina de dois anos morreu estrangulada por um píton birmanês de 3,60 metros de extensão numa casa do condado de Sumter, na Flórida.

Procuram-se inovadores

Por Fábio de Castro da Agência Fapesp

Representantes da empresa Natura apresentaram a versão 2009 do Programa Natura Campus de Inovação Tecnológica nesta quarta-feira (28/10), na sede da FAPESP, em São Paulo, ao diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, e a membros da coordenação do Programa Biota-FAPESP.

De acordo com Gilson Manfio, gerente científico do setor de Pesquisa, Gestão de Inovação Tecnológica e Parcerias da Natura, o objetivo da reunião foi apresentar as modificações feitas no Natura Campus, com a intenção de prospectar novas oportunidades.
“O programa Natura Campus foi lançado em 2007, mas este ano modificamos e atualizamos os temas de projetos que interessam para que possamos fazer parcerias da Natura com universidades”, disse Manfio à Agência FAPESP.

Segundo Manfio, o programa agora engloba quatro grandes temas: “Eficácia e segurança”, “Tecnologias sustentáveis”, “Bem-estar” e “Sensorial”.
“Dentro desses temas, temos diferentes programas de pesquisa para os quais abrimos uma chamada de fluxo contínuo. O objetivo é atrair o interesse de pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa para que proponham projetos para a Natura dentro desses programas”, explicou.

Como se trata de uma chamada de fluxo contínuo, não há limite de tempo para o envio de propostas. “Também não há limite de número de propostas – todas as que forem de interesse da empresa serão consideradas –, nem de valores, que serão definidos de acordo com cada projeto.
É preciso apenas que eles sejam coerentes com as estratégias da empresa”, disse Manfio.
O pesquisador interessado deverá se cadastrar e apresentar uma proposta em linhas gerais. “Não queremos que apresentem projetos, mas apenas propostas bem básicas, ou seja, uma primeira ideia de projeto. A proposta será então avaliada internamente e, se houver interesse, chamaremos o pesquisador para conversar. A partir daí, começaremos uma negociação institucional, entre a empresa e a instituição à qual o pesquisador está vinculado”, afirmou.

O programa é válido para pesquisadores de todo o Brasil. “A única restrição é que o candidato precisa estar vinculado a uma instituição de ciência e tecnologia – universidade ou instituto de pesquisa reconhecido. Se for aluno de pós-graduação, podemos pagar bolsas dentro do programa, contanto que ele esteja regularmente matriculado e tenha a anuência do orientador”, disse.
O site do programa é o único canal para o envio de propostas. “Não recebemos por carta ou e-mail, pois queremos ter rastreabilidade no processo, o que permitirá documentar todas as suas fases”, disse Manfio.

A nova versão do programa foi lançada oficialmente no dia 15 de agosto. “Desde então só apresentamos o programa em universidades e, agora, aqui na FAPESP. A partir deste momento começaremos a divulgação mais geral”, afirmou. O programa prevê quatro formas de participação: cadastro de grupos de pesquisa; cooperação em pesquisa científica básica e pesquisa tecnológica; vivência empresarial; e Prêmio de Inovação Tecnológica Natura Campus, que visa à reconhecer a contribuição da comunidade científica brasileira para o processo de inovação tecnológica da empresa.

Mais informações: www.natura.net/campus

Deputados que assinaram CPI contra o MST receberam dinheiro da Cutrale

Quatro deputados federais que assinaram a CPMI receberam doações da empresa que monopoliza o mercado de laranja do Brasil e acumula denúncias na Justiça.

Por Nilton Viana do Brasil de Fato

De tempos em tempos as elites mostram suas garras contra os pobres. E pobres que se organizam para lutar por justiça, melhores condições de vida e reforma agrária entram na mira furiosa da classe dominante. Os trabalhadores rurais sem terra têm sido sistematicamente atacados. Suas organizações e todos aqueles que lutam pela democratização da terra no país tem sido permanentemente criminalizados.

No episódio mais recente, no qual famílias que ocuparam uma área pública grilada pela empresa Cutrale – maior exportadora de sucos do país – destruíram pés de laranjas, os latifundiários, a mídia e todos os seus asseclas dispararam todos os seus canhões contra os sem terra. As cenas foram repetidas a exaustão para convencer a sociedade que os sem terra são vândalos, criminosos e terroristas. Por outro lado, a mídia fez questão de esconder que, de acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda da Cutrale em Iaras (SP) é uma área pública grilada.

Imediatamente, a chamada oposição reacionária endureceu seu discurso com a criação de uma nova CPI contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e contra a atualização dos índices de produtividade rural prometida pelo governo Lula.

Mas o caso Cutrale foi apenas o mais recente pretexto das elites contrárias à reforma agrária. Desde que o governo Lula se comprometeu, em audiência com dirigentes do MST, a rever os índices de produtividade agrária, a mídia burguesa e seus jornalistas pré-pagos iniciaram sua ofensiva.

A revista Veja aproveitou o caso e “requentou” informações para municiar o ataque. Logo após à audiência entre os sem terra e o governo, a revista estampou em sua manchete: “Abrimos o cofre do M$T” com a chamada: “Como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra desvia dinheiro público e verbas estrangeiras para cometer seus crimes”. Ora, nada de novo havia para tal “reporcagem”, como bem definiu em artigo o jornalista Altamiro Borges. O fato é que conseguiram aprovar a criação de uma nova CPI contra o MST.

Porém, assim como a mídia escondeu que a tal fazenda da Cutrale está numa terra grilada de propriedade do Estado, e que os pés de laranja foram plantados para evitar a desapropriação da área antes improdutiva, além de não informar para a sociedade que a Cutrale tem vários processos na justiça, inclusive por débitos trabalhistas; a mídia também omite da opinião pública que quatro deputados federais que assinaram o requerimento favorável à criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST receberam doações da Cutrale, empresa que monopoliza o mercado de laranja do Brasil e acumula denúncias na Justiça.

Quanto vale um deputado?

Arnaldo Madeira (PSDB/SP) recebeu, em setembro de 2006, R$ 50.000,00 em doações da empresa. Carlos Henrique Focesi Sampaio, também do PSDB paulista, e Jutahy Magalhães Júnior (PSDB/BA), obtiveram cada um R$ 25.000,00 para suas respectivas campanhas. Nelson Marquezelli (PTB/SP) foi beneficiado com R$ 40.000,00 no mesmo período. Os quatro parlamentares que votaram favoravelmente à CPI integram a lista dos 55 candidatos beneficiados pela empresa em 2006.

"O episódio do laranjal entra numa situação de confronto dos ruralistas contra o governo, contra o Incra e contra o MST. É importante ter clareza que o caso, se houvesse acontecido em outra conjuntura, não teria a mesma repercussão como teve após o anúncio da atualização dos índices de produtividade rural”, aponta João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.
“Apesar de o censo do IBGE [Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística] mostrar que os assentamentos são produtivos, os ruralistas não querem discutir modelos agrícolas e colocam uma CPI para alterar o debate. O MST não tem nenhum problema em debater com a sociedade”, completa.

A Cutrale possui 30 fazendas em São Paulo e Minas Gerais, totalizando 53.207 hectares. Destas, seis fazendas com 8.011 hectares são classificadas pelo Incra como improdutivas. A área grilada de Iaras nem entra nesta conta.

Por conta do monopólio da Cutrale no comércio de suco e da imposição dos preços, agricultores que plantam laranjas foram obrigados a destruir entre 1996 a 2006 cerca de 280 mil hectares de laranjais. A empresa já foi processada por formação de cartel e danos ambientais e seus donos acusados por porte ilegal de armas de fogo.

O professor Ariovaldo Umbelino, em artigo publicado no Brasil de Fato, relembra que, numa reportagem de 2003, a insuspeita revista *Veja *denunciou a empresa Cutrale de ter subsidiária nas ilhas Cayman como forma de aumentar seus lucros, ou quem sabe de evasão fiscal. E em editorial, o *Brasil de Fato*, edição 347, sintetiza o comportamento das nossas elites:
“Independente das pacatas laranjas e das manipulações da Cutrale/Coca-Cola, detentora de 50 mil hectares distribuídos por mais de 30 fazendas, as duas semanas que se seguiram deram uma demonstração cruel, do vandalismo estrutural e ideológico que domina as mentes e a política da classe dominante”.

Veja a lista dos parlamentares que votaram a favor da CPMI e a relação de doações da Cutrale

Deputados

ACRE
Ilderlei Cordeiro PPS

ALAGOAS
Maurício Quintella Lessa (PR)
Carlos Alberto Canuto (PSC)
Augusto Farias (PTB)

AMAPÁ
Jurandil Juarez (PMDB)

AMAZONAS
Rebecca Garcia (PP)

BAHIA
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM)
Claudio Cajado (DEM)
Fábio Souto (DEM)
Jorge Khoury (DEM)
José Carlos Aleluia (DEM)
Luiz Carreira (DEM)
Paulo Magalhães (DEM)
João Carlos Bacelar (PR)
Tonha Magalhães (PR)
João Almeida (PSDB)
Jutahy Junior (PSDB)

CEARÁ
José Linhares (PP)
Leo Alcântara (PR)
Marcelo Teixeira (PR)
Pastor Pedro Ribeiro (PR)
Raimundo Gomes de Matos (PSDB)

DISTRITO FEDERAL
Alberto Fraga (DEM)
Osório Adriano (DEM)
Jofran Frejat (PR)
Laerte Bessa (PSC)

ESPÍRITO SANTO
Rita Camata (PMDB)
Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

GOIÁS
Ronaldo Caiado (DEM)
Luiz Bittencourt (PMDB)
Marcelo Melo (PMDB)
Carlos Alberto Leréia (PSDB)
João Campos (PSDB)
Leonardo Vilela (PSDB)
Professora Raquel Teixeira (PSDB)

MARANHÃO
Carlos Brandão (PSDB)
Pinto Itamaraty (PSDB)

MATO GROSSO
Professor Victorio Galli (PMDB)
Homero Pereira (PR)
Thelma de Oliveira (PSDB)

MATO GROSSO DO SUL
Waldemir Moka (PMDB)
Antonio Cruz (PP)

MINAS GERAIS
Carlos Melles (DEM)
Jairo Ataide (DEM)
Marcos Montes (DEM)
Vitor Penido (DEM)
Antônio Andrade (PMDB)
João Magalhães (PMDB)
Paulo Piau (PMDB)
Silas Brasileiro (PMDB)
Márcio Reinaldo Moreira (PP)
Alexandre Silveira (PPS)
Geraldo Thadeu (PPS)
Humberto Souto (PPS)
Aelton Freitas (PR)
Bilac Pinto (PR)
José Santana de Vasconcellos (PR)
George Hilton (PRB)
Bonifácio de Andrada (PSDB)
Eduardo Barbosa (PSDB)
Narcio Rodrigues (PSDB)
Paulo Abi-Ackel (PSDB)
Rafael Guerra (PSDB)
Rodrigo de Castro (PSDB)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV)

PARÁ
Lira Maia (DEM)
Vic Pires Franco (DEM)
Giovanni Queiroz (PDT)
Bel Mesquita (PMDB)
Lúcio Vale (PR)
Nilson Pinto (PSDB)
Wandenkolk Gonçalves (PSDB)
Zenaldo Coutinho (PSDB)

PARAÍBA
Efraim Filho (DEM)
Major Fábio (DEM)
Wellington Roberto (PR)
Rômulo Gouveia (PSDB)

PARANÁ
Abelardo Lupion (DEM)
Alceni Guerra (DEM)
Eduardo Sciarra (DEM)
Luiz Carlos Setim (DEM)
Moacir Micheletto (PMDB)
Osmar Serraglio (PMDB)
Dilceu Sperafico (PP)
Cezar Silvestri (PPS)
Takayama (PSC)
Affonso Camargo (PSDB)
Alfredo Kaefer (PSDB)
Gustavo Fruet (PSDB)
Luiz Carlos Hauly (PSDB)

PERNAMBUCO
André de Paula (DEM)
José Mendonça Bezerra (DEM)
Roberto Magalhães (DEM)
Edgar Moury (PMDB)
Eduardo da Fonte (PP)
Raul Jungmann (PPS)
Bruno Araújo (PSDB)
Bruno Rodrigues (PSDB)
Charles Lucena (PTB)

PIAUÍ
José Maia Filho (DEM)
Júlio Cesar (DEM)

RIO DE JANEIRO
Arolde de Oliveira (DEM)
Indio da Costa (DEM)
Rodrigo Maia (DEM)
Rogerio Lisboa (DEM)
Solange Amaral (DEM)
Felipe Bornier (PHS)
Marcelo Itagiba (PMDB)
Nelson Bornier (PMDB)
Jair Bolsonaro (PP)
Leandro Sampaio (PPS)
Marina Maggessi (PPS)
Dr. Paulo César (PR)
Filipe Pereira (PSC)
Andreia Zito (PSDB)
Otavio Leite (PSDB)
Silvio Lopes (PSDB)
Vinicius Carvalho (PTdoB)

RIO GRANDE DO NORTE
Betinho Rosado (DEM)
Felipe Maia (DEM)
Rogério Marinho (PSDB)

RIO GRANDE DO SUL
Germano Bonow (DEM)
Onyx Lorenzoni (DEM)
Darcísio Perondi (PMDB)
Eliseu Padilha (PMDB)
Ibsen Pinheiro (PMDB)
Afonso Hamm (PP)
Luis Carlos Heinze (PP)
Vilson Covatti (PP)
Nelson Proença (PPS)
Cláudio Diaz (PSDB)
Professor Ruy Pauletti (PSDB)

RONDÔNIA
Moreira Mendes (PPS)
Ernandes Amorim (PTB)

RORAIMA
Francisco Rodrigues (DEM)
Marcio Junqueira (DEM)
Luciano Castro (PR)
Urzeni Rocha (PSDB)

SANTA CATARINA
Paulo Bornhausen (DEM)
Acélio Casagrande (PMDB)
Celso Maldaner (PMDB)
Valdir Colatto (PMDB)
Zonta (PP)
Fernando Coruja (PPS)
José Carlos Vieira (PR)
Gervásio Silva (PSDB)

SÃO PAULO
Bispo Gê Tenuta (DEM)
Eleuses Paiva (DEM)
Guilherme Campos (DEM)
Jorginho Maluly (DEM)
Milton Vieira (DEM)
Walter Ihoshi (DEM)
Fernando Chiarelli (PDT)
Francisco Rossi (PMDB)
Beto Mansur (PP)
Dr. Nechar (PP)
Paulo Maluf (PP)
Arnaldo Jardim (PPS)
Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB)
Antonio Carlos Pannunzio (PSDB)
Arnaldo Madeira (PSDB)
Carlos Sampaio (PSDB)
Duarte Nogueira (PSDB)
Edson Aparecido (PSDB)
Emanuel Fernandes (PSDB)
Fernando Chucre (PSDB)
José Aníbal (PSDB)
José C. Stangarlini (PSDB)
Julio Semeghini (PSDB)
Lobbe Neto (PSDB)
Renato Amary (PSDB)
Ricardo Tripoli (PSDB)
Silvio Torres (PSDB)
Vanderlei Macris (PSDB)
William Woo (PSDB)
Nelson Marquezelli (PTB)
Paes de Lira (PTC)
Dr. Talmir (PV)

SERGIPE
Jerônimo Reis (DEM)
José Carlos Machado (DEM)
Mendonça Prado (DEM)
Albano Franco (PSDB)

TOCANTINS
João Oliveira (DEM)
Moises Avelino (PMDB)
Eduardo Gomes (PSDB)

Senadores

ACRE
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB)

ALAGOAS
João Tenório (PSDB)

AMAZONAS
Arthur Virgílio (PSDB)

AMAPÁ
Papaléo Paes (PSDB)

BAHIA
Antônio Carlos Magalhães Junior (DEM)
César Borges (DEM)

CEARÁ
Tasso Jereissati (PSDB)

DISTRITO FEDERAL
Adelmir Santana (DEM)

GOIÁS
Demóstenes Torres (DEM)
Marconi Perillo (PSDB)

MARANHÃO
Lobão Filho (PMDB)

MATO GROSSO
Gilberto Goellner (DEM)
Osvaldo Sobrinho (PTB)

MATO GROSSO DO SUL
Marisa Serrano (PSDB)
Valter Pereira (PMDB)

MINAS GERAIS
Eduardo Azeredo (PSDB)
Wellington Salgado (PMDB)

PARÁ
Flexa Ribeiro (PSDB)
Mário Couto (PSDB)

PARAÍBA
Cícero Lucena (PSDB)
Efraim Morais (DEM)

PARANÁ
Alvaro Dias (PSDB)

PERNAMBUCO
Jarbas Vasconcelos (PMDB)
Marco Maciel (DEM)

PIAUÍ
Heráclito Fortes (DEM)

RIO GRANDE DO NORTE
Garibaldi Alves (PMDB)
José Agripino (DEM)
Rosalba Ciarlini (DEM)

RONDÔNIA
Expedito Júnior (PSDB)

RORAIMA
Mozarildo Cavalcanti (PTB)

SANTA CATARINA
Neuto de Conto (PMDB)
Raimundo Colombo (DEM)

SÃO PAULO
Romeu Tuma (PTB)

SERGIPE
Maria do Carmo Alves (DEM)

TOCANTINS
Kátia Abreu (DEM)

fonte:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/deputados-que-assinaram-cpi-contra-o-mst-receberam-dinheiro-da-cutrale

Um planeta melhor com economia de baixo carbono

Por Luiz Pires*

No dia 8 de outubro de 2009, 320 pessoas presenciaram o nascimento um novo movimento que reúne líderes empresariais engajados para a construção coletiva de um novo modelo econômico para o Brasil baseado na economia de baixo carbono. Assim tem sido chamada a nova configuração do modo de produção e trocas da economia mundial, que tem como ingredientes eficiência e alternativas energéticas, redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE), adoção de novas tecnologias e inovação, entre outras propostas. O pano de fundo da nova economia é a mudança do clima. Ao exigir estratégias de mitigação e adaptação, a crise climática fundiu dois dos maiores desafios das empresas nas últimas décadas: a competitividade e a sustentabilidade.

Um grupo de 25 empresas pioneiras (detalhes em www.fgv.br/ces/epc) confiou ao Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas a coordenação de tão ambicioso projeto que tem por objetivo a construção das bases desse novo modelo econômico.

São empresas líderes em seus segmentos, pioneiras na elaboração de inventários de gases de efeito estufa, e que identificaram na proposta uma oportunidade de reverem seus modelos produtivos e contribuírem para a redução dos efeitos das mudanças climáticas globais.

Falamos de um modelo econômico moderno, baseado na inovação tecnológica, na pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços com menor emissão de gases de efeito estufa e que tem tudo para ser a nova moda mundial. Produzir para atender à demanda da humanidade e emitir menos. Essa deve ser a missão de todas as empresas!

A produção a qualquer custo é um modelo econômico fracassado! Ao longo dos últimos 30 anos, a comunidade científica acompanhou o crescimento exponencial das emissões de gases de efeito estufa e seus efeitos sobre o clima planetário. Estudos científicos publicados diariamente relacionam o incremento da temperatura global com o aumento da concentração de CO2 e demais gases estufa na atmosfera do nosso planeta.

E o que ganham esses empresários pioneiros? Eles ganham a oportunidade! A oportunidade de serem os pioneiros na identificação de riscos e oportunidades de negócios decorrentes das alterações climáticas, a oportunidade de se adaptarem mais precocemente aos efeitos ambientais previstos pelos cientistas, a oportunidade de desenvolverem produtos e serviços de acordo com a nova economia e conseguirem assim o reconhecimento público e ganhos em competitividade ... e com uma lista de oportunidades é que a competitividade associada à sustentabilidade pode ser a salvação desse visionário grupo, e também do mundo.

Os efeitos no Brasil são visíveis, infelizmente. Quer seja pela notícia da seca na Amazônia, que compromete o regime de chuvas em todo o país, quer seja pelas tempestades torrenciais e rajadas de ventos nas regiões Sul e Sudeste, os efeitos das mudanças climáticas ultrapassam a coletividade e começam a chegar ao bolso dos consumidores.

Nicholas Stern, renomado economista britânico, coordenou um dos primeiros relatórios econômicos sobre as mudanças climáticas. E anunciava, em outubro de 2006, que os efeitos das mudanças climáticas seriam catastróficos sobre a economia global. Em termos do PIB, uma ação imediata custará aos cofres mundiais de 1% a 2% de todas as riquezas produzidas no planeta enquanto uma ação somente em 2050 nos custaria cerca de 20%. E essas despesas serão investidas na garantia de suprimento de água potável à população, na recuperação de cidades atingidas por catástrofes ambientais como tempestades e tufões, na recomposição de lavouras e indústrias responsáveis pelo processamento de alimentos, entre outros.

Não se trata de uma “nova crise econômica” na qual as instituições sofreram os maiores reveses, mas sim da garantia de vida dos habitantes de um país. E a economia globalizada, mundialmente interligada, “sente” qualquer alteração rapidamente. Um exemplo: o intenso regime de chuvas na Ásia promoveu uma queda de produtividade dos cultivares de açúcar indiano. Essa poderia ser uma ótima notícia para o Brasil, um grande exportador de açúcar, se a produção de etanol não tivesse a mesma matéria-prima.

As empresas já visualizavam os efeitos das mudanças climáticas antes mesmo delas se concretizarem fisicamente, por meio de chuvas desproporcionais e atípicas. E com essa visão estratégica os maiores grupos sucroalcooleiros já acenavam para um incremento na produção de açúcar na atual safra. Como resultado, o incremento nos lucros, pois o preço do açúcar está cerca de 45% superior ao do etanol.

Apesar de estarmos em meio a uma ótima safra – período no qual teríamos uma natural queda no preço do combustível decorrente do incremento na oferta –, hoje pagamos mais pelo combustível do que na última entressafra, pois a mesma cana-de-açúcar que seria utilizada para a produção do etanol foi destinada ao abastecimento do mercado mundial de açúcar. Mesmo com a elevada cotação do real frente ao dólar, as exportações de açúcar estão em alta e quem paga por isso é o consumidor que, ao abastecer o carro, paga os efeitos da crise ambiental mundial.

Eis o ponto em que eu quero chegar. O elo mais fraco de toda a cadeia é sempre o consumidor final, mesmo tendo um enorme poder para ditar tendências e escolher produtos menos agressivos ao meio ambiente e à sociedade. É ele que pagará a conta das mudanças climáticas, seja pelo aumento do custo de produtos ou serviços, seja pela criação de novos impostos sobre a emissão de carbono como propõem alguns países.

E nesse sentido, me “aposso” do discurso introdutório de Kofi Annan, secretário geral da ONU entre 1997 e 2006 e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2001, para a regravação do hit Beds are burning, da engajada banda australiana Midnight Oil, no âmbito da campanha de ações globais para o clima (GCCA, na sigla em Inglês) e digo: Nós temos que fazer algo sobre isso. É nossa responsabilidade tornar nosso planeta um lugar melhor!

* É Biólogo, Coordenador do Programa Empresas pelo Clima, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas.

Maquiagem verde

Por Miriam Leitão

Hoje, quando faltam 39 dias para a reunião de Copenhague, o presidente Lula vai se reunir com os ministros para discutir que meta o Brasil adotará para conter os gases de efeito estufa.Ontem, o Ministério do Meio Ambiente divulgou a estimativa de que as emissões cresceram 31% desde 1994. Não é oficial. O Ministério da Ciência e Tecnologia não divulga os dados certos.

Esconder informação. Que triste papel para um ministério que se chama da Ciência e Tecnologia! Mas é o que o MCT tem feito. O MMA (Ministério do Meio Ambiente) pediu ajuda a vários órgãos para chegar a números sobre os quais calcular uma meta de redução das emissões, ou melhor, redução do ritmo de crescimento das emissões.Sem saber quanto emite hoje, como calcular as metas que serão mostradas em Copenhague? Por isso, o MMA divulgou as estimativas de quanto estaria hoje, para ter ao menos um ponto de partida para projetar os cortes.

O Brasil emitia 1,5 bilhão de tonelada de carbono/ano na última medição, entre 1990 e 1994. Na verdade, a medida é "carbono equivalente", porque transforma os outros gases no equivalente em CO. Em 2007 (ano da estimativa do ministro Carlos Minc), estaria em 2,1 bilhões de toneladas. Um crescimento de 4% ao ano. Neste ritmo, se chegará a 2,8 bilhões de toneladas em 2020.

Na última reunião do presidente com ministros sobre o tema, Minc sugeriu cortar 40% do nível a que se chegará se tudo for mantido constante. Ou seja, o corte não é calculado sobre o nível atual, mas sobre o nível que estaremos em 2020 (confira no gráfico abaixo o cenário se nada for feito).

E mesmo assim, algumas premissas são consideradas muito otimistas, como a do crescimento pequeno das emissões da agropecuária.Na hora de detalhar a proposta, Minc mostrou o quanto cada setor teria que reduzir do ritmo atual: agricultura; desmatamento; energia. Quando falou que era necessário reduzir o desmatamento no Cerrado, a ministra Dilma Rousseff discordou.—

Vamos com cuidado. O cerrado é a área natural de crescimento da agropecuária — disse a ministra. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discordou de tudo.— Para que oferecer um corte de 40%, se um corte de 20% já nos coloca no topo? — disse.Oferecer um corte de 20% significa limitar o nosso esforço de reduzir o desmatamento da Amazônia, e não adotar qualquer medida nas áreas de energia; agropecuária; transporte.Mesmo assim, o número do governo parece mais bonito do que é. Um corte de 80% no desmatamento parece lindo.

Mas é em relação ao nível de 1996 a 2005, que é 19.500 km de floresta destruída por ano. Hoje, já estamos em 12 mil. Ou seja, já houve 40% de queda.A proposta é que em 2020 o Brasil desmate "só" 3.900 Km por ano. Isso significa desmatar anualmente "apenas" 3,2 vezes um território do tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

Governo mantém IPI menor para produtos da linha branca com baixo consumo

Imposto reduzido será mantido até 31 de janeiro, informa Guido Mantega. Segundo ele, varejistas se comprometem a repassar IPI baixo para preços

Da Globo.com

O governo decidiu prorrogar, até o fim de janeiro, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor para os produtos da chamada linha branca, que são geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos, informou nesta quinta-feira (29) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo ele, serão beneficiados os produtos com baixo consumo de energia. Entretanto, no caso dos fogões, a alíquota ficará um pouco maior. Antes da redução do tributo, a alíquota estava em 4%, e caiu para zero. A partir da próxima sermana, será um pouco maior, mesmo para os produtos que consomem menos: de 2%.

Para o restante da linha branca, a alíquota baixa será mantida, mas somente para os produtos com baixo consumo. Com a medida, o governo espera economizar 35 gigawatts por ano, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A estimativa de renúncia fiscal (perda de arredacadação) com a prorrogação é de R$ 132 milhões.

Objetivo
O ministro da Fazenda informou que o governo decidiu estender o benefício do IPI reduzido para modo que os preços destes produtos continuem mais baixos para o consumidor. "Os varejistas se comprometem a repassar [a queda do IPI] para os preços. Com isso, as pessoas estarão consumindo mais", disse Mantega.

O ministro acrescentou que a medida vai possibilitar ao consumidor brasileiro de renda mais baixa ter acesso aos produtos. "Ainda tem carência de máquina de lavar no país. Cerca de 60% da população não possui. Isso melhora o trabalho da dona de casa e gera mais desenvolvimento econômico, emprego e investimentos", disse ele.

Mantega confirmou que os produtos realmente caíram de preço com o IPI reduzido que vigora desde abril. Entretanto, disse que os preços "poderiam ter caído mais" e criticou, ainda, as taxas de juros cobradas pelas financeiras que, em sua visão, "continuam altos".

Global Forum reúne executivos na busca por um futuro sustentável

Encontro em Curitiba vai debater as ações e responsabilidades do mundo empresarial para educar e inovar com sustentabilidade

Mais de 500 pessoas estão inscritas para o 2º BAWB Global Forum América Latina, que acontece de 4 a 6 de novembro, no Cietep, em Curitiba. O encontro, que reunirá empresários, executivos, representantes do meio universitário, do setor público e da sociedade civil, identificará quais os principais atributos e competências estratégicas para inovar e educar de forma a garantir um futuro sustentável.

Durante o evento, os participantes poderão assistir a palestras com Jeffrey Sachs, economista norte-americano, professor na Universidade de Columbia e conselheiro econômico de diversos governos pelo mundo; Fred Collopy, professor e diretor do departamento de Sistemas de Informação e Chairman do grupo de Design da Case Western Reserve University; e Ronald Fry, PhD, Diretor do Departamento de Comportamento Organizacional, da Case Western Reserve University.

Empresas engajadas com o desenvolvimento de um mundo melhor, com projetos e ações sólidas, o Banco Itaú, Real–Santander e HSBC também irão contribuir com suas experiências de sucesso em sustentabilidade no Global Forum América Latina. Um painel está reservado para eles no segundo dia do evento, 5 de novembro, chamado “Painel Educação Corporativa em Sustentabilidade”.

Este ano, todos os interessados nos temas abordados no encontro poderão acompanhar o evento ao vivo, online, através da videoteca Global Forum. Para acessar, basta fazer o cadastro no site (www.globalforum.com.br), gratuitamente. A ferramenta disponibiliza para pesquisa, além da transmissão ao vivo, filmes, entrevistas e depoimentos sobre assuntos relacionados ao Global Forum. A videoteca é interativa e permite que os usuários comentem e deem sugestões.
O Sistema Fiep foi o responsável por trazer os debates do Global Forum ao Brasil.

O Movimento é uma iniciativa do Sistema Fiep, Case Western Reserve University (EUA) e BAWB (Business as an Agent of World Benefit), realizado pela Unindus (universidade corporativa do Sistema Fiep) e Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), e patrocinado pelo Sesi.

Serviço
Global Forum América Latina 2009
Data: 4, 5 e 6 de novembro
Local: Cietep, Curitiba, PR
Informações e inscrições: www.globalforum.com.br

Fonte: Global Forum América Latina
Assessoria de imprensa
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Guarulhos realiza o I Encontro para Conservação da Fauna Silvestre

Da Redação

Evento discutirá o papel do município na proteção ambiental em temas atuais como o tráfico e fiscalização de animais silvestres e mapeamento da fauna local

A cidade de Guarulhos (Grande São Paulo) organiza no próximo dia 5 de novembro o 1º Encontro para a Conservação da Fauna Silvestre, das 9h às 17h, no Auditório Abilio Baeta Neves. Durante o encontro, a Prefeitura vai apresentar os resultados do programa Guarulhos tem Biodiversidade e discutir o fortalecimento e o estímulo de parcerias com outros setores da sociedade para a conservação da biodiversidade regional.

O evento contará com a presença de representantes públicos, Organizações Não Governamentais (ONGS) pesquisadores e profissionais das áreas de biologia e medicina veterinária. Eles vão debater o papel do município na proteção ambiental, o tráfico e a fiscalização de animais silvestres, as áreas de conservação e a rede de monitoramento da fauna local.

A preocupação de Guarulhos também se justifica porque parte de seu território é coberto pela Serra da Cantareira.Algumas iniciativas têm sido adotadas nos últimos anos para aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade local. No segundo semestre deste ano, Guarulhos divulgou uma pesquisa com os animais silvestres que compõem a fauna do município. O atual mapeamento da biodiversidade foi lançado pela primeira vez em 2007, com 274 espécies catalogadas.

A versão mais atualizada encontrou 349 espécies nos limites do município. O cruzamento dos dados também permitiu a identificação de 30 animais ameaçados de extinção.Serviço:O quê: 1º Encontro para a Conservação da Fauna SilvestreQuando: 5/11, das 9h às 17hOnde: Auditório Abilio Baeta Neves (Vila Rosália) – GuarulhosInformações: (11) 2455.6497 e (11) 2455.4999.

A programação está no site www.guarulhos.sp.gov.br <http://www.guarulhos.sp.gov.br/>

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

São Paulo sedia maior evento de agricultura sustentável da América Latina

Da Redação
Secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, fará abertura e anunciará a criação de um Programa de Agricultura Sustentável no Estado.

Esta semana, entre os dias 28 e 30, a capital paulista sedia a sétima edição do maior encontro de agricultura sustentável da América Latina, o BioFach/Expo Sustentat. O evento contará com a presença de palestrantes de diversas partes do mundo, que vão discutir a sustentabilidade na agricultura e a economia verde. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Xico Graziano, fará a abertura do evento, onde anunciará a criação de um Programa de Agricultura Sustentável da pasta de meio ambiente do Estado. O Programa visa incentivar a produção de produtos orgânicos no Estado e já conta com um projeto piloto na região da Guarapiranga, zona sul de São Paulo, que vai envolver 500 agricultores em uma área de seis mil hectares.

Paralelo ao encontro ocorre uma feira de produtos orgânicos com mais de 300 expositores, que aproveitam a oportunidade para fazer contatos e negócios envolvendo produtos orgânicos certificados. A organização da Biofach/Expo Sustentat espera, neste ano, um público aproximado de dez mil participantes.

Evento
Biofach/Expo Sustentat – Encontro de Agricultura SustentávelLocal: Transamérica Expo Center – Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo AmaroData: 28, 29 e 30 de outubro das 13h às 21h--

Moradores de baixa renda se unem para criar artesanato com fibra da bananeira

Da Redação

Associação Fibras da Serra, nome escolhido pelo grupo de artesãos, inaugura dia 26 de novembro sede própria em Rio Grande da Serra para a criação e fabricação em escala comercial de produtos feitos com a matéria-prima, abundante na região dos mananciais.

Dia 26 de novembro foi dia de festa para 30 moradores de Rio Grande da Serra. O grupo de artesãos sairá do anonimato para se tornar exemplo de empreendedorismo 100% sustentável para o Brasil. Neste dia, às 14h30, o grupo, formado por pessoas de baixa renda e sem trabalho fixo, inaugurou na cidade a sede da Associação Fibras da Serra, projeto de responsabilidade socioambiental e economia solidária, desenvolvido pela empresa Solvay Indupa junto às comunidades vizinhas da fábrica, com objetivo de gerar fonte de trabalho e renda para as famílias envolvidas, com sustentabilidade.

Instalado num galpão de 250 m², da rua do Autonomista, 357, centro, o Fibras da Serra começa a produzir em escala comercial artesanato, feito com palha e fibra de bananeira, como bolsas, cestas, bijuterias, artigos de decoração e outros frutos do talento e descobertas do grupo, sempre à caça de novas aplicações da abundante matéria-prima em Rio Grande da Serra e região.Com as mãos marcadas pelo trabalho de pedreiro, Agnaldo Ribeiro Dantas, 44 anos, produz cestas, bolsas femininas, jogos-americanos, portas-copos e outros objetos, uma arte que considera terapia.

Dantas faz parte do Núcleo Duro, o grupo de frente com funções fixas no projeto, que são a gestão da associação, operacionalização do trabalho e disseminação da arte. No Núcleo, Dantas ajudará a cuidar do plantio manejado de 800 mudas de bananeira, para a extração da fibra e a sustentabilidade do projeto. “Nas horas vagas lá no bananal, vou tecer o meu artesanato”, avisa. Aparecida Damazia Gomes, 49 anos, é uma dona-de-casa que fazia panos de prato para as amigas e adora cestaria. “Na verdade, gosto de todo tipo de artesanato, tanto que se eu vejo um diferente descubro rápido e faço igual”, diz Cida Gaia, como é conhecida a artesã, desde que entrou para o Fibras da Serra há quatro anos. O nome da associação, Cida Gaia também ajudou a escolher.

Originalidade
“Fibras é uma atribuição à matéria-prima, o pseudocaule extraído da bananeira, e serra é uma homenagem à Rio Grande da Serra, área de proteção aos mananciais onde há facilidade do plantio de bananal”, explica Maria Aparecida Falceti, presidente da associação e escultora de portas de madeira. Aparecida Falceti explica que o Fibras da Serra utiliza derivados da bananeira descartados quando a árvore dá os frutos. “Reaproveitamos o material para extração de palhas e fibras para confecção de produtos”, adianta Aparecida Falceti. O Fibras da Serra conta com o trabalho direto de 30 pessoas da comunidade, maioria mulheres, num total aproximado de 170 familiares e, destes, mais de 40 prestam pequenos serviços ao grupo em grandes encomendas.

“Todos têm algum talento para artesanato e muitos exercem a atividade para ajudar na renda familiar”, afirma Lisandre de Assis, coordenadora de Comunicação da Solvay Indupa e responsável pelo Fibras da Serra na empresa petroquímica. Além de consultoria especializada, o projeto fornece apoio na aquisição de materiais e infra-estrutura para produção da palha e fibra e o desenvolvimento de derivados. “Esse apoio visa garantir a sustentabilidade do projeto até alcançar a comercialização dos produtos”, diz Lisandre.

Atualmente, os integrantes do Núcleo Duro recebem treinamento com profissional de design para desenvolvimento de produtos com valor estético e com processos de produção compatíveis com a condição ambiental da região. Isso inclui visitas técnicas e participação em seminários, eventos e feiras. Desde que começou, o grupo aprendeu a extrair pigmentos de corantes vegetais e com eles tingir tecidos, e retirar fibra e palha de bananeira. Também descobriu novos métodos de secagem e armazenamento da fibra, como tecer a fibra em diferentes técnicas e produzir objetos de adorno e decoração com fibra de bananeira.
Aprendeu a calcular o valor do produto para venda, iniciar a fase de comercialização e como produzir um catálogo de técnicas e produtos.

Bananal
A plantação do bananal é feita em terreno da Prefeitura local (av.Francisco de Moraes Ramos, s/n, bairro Novo Horizonte), onde o grupo irá aprender, com orientação de engenheiro agrônomo, como dominar toda a operação de manejo, desde a preparação e correção do solo, compra e plantio de cerca de 800 mudas de banana prata (considerada pelo grupo como a mais apropriada para extração da fibra), adubação, eliminação de ervas daninhas até combate às pragas e retirada da matéria-prima.

Isso envolve capacitação de mão-de-obra e planejamento de produção de bananas para viabilização de produção escalonada e de manejo otimizado dos pseudocaules. “É um processo que o Núcleo Duro terá de dominar para a sustentabilidade do empreendimento”, comenta Lisandre de Assis. Durante o processo educacional, os integrantes do Fibras da Serra desenvolveram até uma ‘carta de valores’, definida para avaliação contínua e apresentação para parceiros externos.

São eles: união, iniciativa, capricho, organização, honestidade, auto-respeito e perseverança. O objetivo de produzir belezas sem destruir a natureza, com geração de trabalho e renda e ingresso até no mercado internacional está presente no dia-a-dia de cada integrante.Para viabilizar a construção da sede, compra de maquinário (máquina de costura e teares) e a execução do plantio manejado do bananal, a Solvay Indupa investiu R$ 420 mil, financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Mais R$ 150 mil foram investidos em formação e orientação do projeto, desde o início do projeto em 2006.

Peixinho ou Lambari de Folha - Planta usada na culinária caipira

Beldroega, ora-pro-nóbis, araruta. É provável que muita gente nunca tenha ouvido falar. Estas são algumas hortaliças tradicionais da cultura brasileira, mas que nunca tiveram cultivo comercial e acabaram sumindo da mesa dos brasileiros. Com a ideia de resgatar a tradição de produção e consumo de variedades não convencionais, a Embrapa Hortaliças está investindo em um projeto para manutenção e multiplicação de materiais genéticos de mais de 20 variedades.

O projeto começou tímido, há três anos, com atividades para multiplicar alguns materiais de hortaliças tradicionais no Distrito Federal e em Minas Gerais, onde a Embrapa conta com apoio da Emater. "Mas a demanda de produtores interessados foi tão grande que resolvemos traçar um projeto maior", diz o pesquisador Nuno Madeira, da Embrapa. Além de ampliar o trabalho para outros Estados - Pernambuco, Santa Catarina e Mato Grosso -, a lista de hortaliças não-convencionais que serão trabalhadas chegou a 23.

"São culturas rústicas, a maioria nativa brasileira, e bastante adaptáveis, ou seja, de fácil cultivo. O próprio agricultor pode produzir as mudas", destaca o pesquisador. Segundo ele, algumas espécies, como mangarito e jacatupé, estão quase em extinção.

Antes de investir na multiplicação mais ampla de mudas e sementes, porém, a Embrapa está editando - e deve lançar até o fim do ano - uma cartilha, com informações resumidas, e um manual de produção, com informações mais amplas sobre produção, características nutricionais e formas de consumo destas hortaliças. "Muitas caíram em desuso e a população não sabe mais como prepará-las", destaca Madeira.

As hortaliças do banco de multiplicação são: almeirão-de-árvore, azedinha, beldroega, bertalha, capiçoba, capuchinha, caruru, chicória-do-Pará, jambu, ora-pro-nóbis, peixinho, serralha, taioba, vinagreira, araruta, inhame (cará), jacatupé, mangarito, taro, cubiu, jurubeba, maxixe e maxixe-do-reino.

Contato, e-mail: nuno@cnph.embrapa.br

TCU vai investigar se recursos do BNDES estimulam desmatamento

Por Marcello Larcher da Agência Câmara

A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça uma auditoria nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que estariam sendo feitos a empresas que promovem desmatamento na Amazônia.

Segundo o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), autor da proposta de fiscalização e controle (PFC) que iniciou a auditoria, há informações na imprensa de que 50% dos investimentos do BNDES na região amazônica são aplicados em financiamentos ligados à pecuária e à participação acionária em frigoríficos.

Descumprimento da legislação
Valverde ponderou que, segundos dados do IBAMA e de diversas entidades ambientalistas, boa parte da criação bovina na Amazônia provem de propriedades que não cumprem a legislação ambiental e fundiária.Alguns dos frigoríficos, que são o final da cadeia produtiva bovina, têm participação acionária do BNDES-PAR, e podem estar adquirindo criação bovina de origem duvidosa. "Essa conjunção de interesses estimula a expansão da fronteira agrícola sobre as florestas e o consequente desmatamento", afirmou.

Segundo Valverde, enquanto o governo federal despende recursos para combater o desmatamento e desenvolve programas compensatórios, o BNDES pode estar investindo recursos públicos em empreendimentos incompatíveis com os critérios ambientais e fundiários da Amazônia. "Estaria o Tesouro Nacional bancando operações ambientais para combater irregularidades financiadas com os recursos do BNDES?", indagou.

Do mundo ideal da comunidade científica ao mundo real das coletividades heterogêneas de pesquisadores

Artigo de Carlos José Saldanha Machado*
"Não basta possuir um atributo comum para formar uma comunidade, é preciso que exista,no mínimo, um reconhecimento mútuo deste fato".
Ao longo dos últimos 15 anos, enquanto desenvolvia outras atividades de pesquisa, observei a dinâmica do processo de produção de conhecimentos científicos em duas instituições públicas de pesquisa (IPPs), uma da área de ecologia tropical, outra de biomedicina, uma situada na região Norte(observações feitas entre 1993 e 1994), outra na região Sudeste (observações feitas entre 2003 e 2008).

Ao término dessas observações, financiadas com dinheiro público, fui conduzido a substituir o conceito de "comunidade científica" ou "comunidadede cientistas" pelo de "coletividade heterogênea de pesquisadores" para poder apreender e nomear a forma de vida associativa praticada pelos pesquisadores dos dois espaços brasileiros de produção de conhecimentos científicos.
O conceito de comunidade científica utilizado pelos pesquisadores entrevistados é uma mistura das conceituações do pai da sociologia clássicada ciência, Roberto Merton, e do físico e historiador da ciência Thomas Khun. A conceituação de Roberto Merton baseia-se em regras, valores e normas internas compartilhadas pelos cientistas que ele identificou, nos anos 40 do século passado, com base na leitura de um número limitado de textos produzidos por grandes cientistas sobre seus próprios trabalhos. Com base nesses textos, Merton selecionou alguns enunciados para identificar, então, quatro normas éticas como princípio universal da atividade científica, uma espécie de arquétipo definindo os comportamentos admissíveis: o universalismo (os critérios de avaliação devem serimpessoais), o comunalismo (as descobertas são bens coletivos), odesinteresse e o cepticismo organizado. Esse ethos tornou-se possível pelos mecanismos de reconhecimento e de recompensas que motivam e controlam os indivíduos.

A crítica metodológica que se pode fazer ao modelo mertoniano é que o sociólogo não se deu conta que aqueles textos que ele analisou apresentavam uma visão idealizada da ciência construída pelos cientistas, pois era a imagem pública do cientista que estava em jogo num contexto de disputas acadêmicas e de relações com as instâncias econômicas e políticas de financiamento das pesquisas. O fato desses cientistas se referirem às normas não significava que elas fossem aquelas praticadas por eles no exercício de suas profissões ao longo do tempo.Por sua vez, 25 anos depois, Thomas Kuhn caracterizou "comunidade científica" como uma maneira semelhante de conceber e de perceber o mundo por um paradigma.

Um paradigma encarna um quadro conceitual através do qualo mundo é visto e descrito, ele é composto igualmente de técnicas experimentais e teóricas. Mas não basta possuir um atributo comum para formar uma comunidade, é preciso que exista, no mínimo, um reconhecimento mútuo deste fato, reconhecimento que inexistia nos dois espaços observados de produção de conhecimentos científicos. As expressões "comunidade científica" ou "comunidade de cientistas"utilizadas pelos próprios pesquisadores para qualificar suas vinculações comuns a uma organização estruturada, geradora de atitudes e de condutas comuns não fazia sentido porque conduziam a complexidade da vida científica cotidiana a uma depuração conceitual. Ao contrário da conceituação idealizada por Robert Merton e Thomas Khun, em ambos os espaços que eu pude observar estava na presença de disparidades, de incompreensões, de tensões constantes, de repovoamentos sucessivos, de relações de "boa vizinhança", de patrimonialismo, de relações amorosas diversas, de personalismos, de conflitos de interesse, de acertos de conta, de permanente recomposição e mistura de vozes que se transformavam numasóbria cacofonia de ações, de mal entendidos e de refutações, mas que se erguiam, com freqüência, até a saída de correções mútuas e de críticas severas. Confrontado, portanto, a uma realidade contingente e heteróclita, que é também a de inúmeros espaços universitários brasileiros, e procurando sintetizar e qualificar o tecido e a dinâmica da trama social observada,passei a me referir àqueles espaços de vida científica como "coletividades heterogêneas de pesquisadores".

Era preciso reconhecer que os pesquisadores ao fazerem uso recorrente da expressão "comunidade científica" estavam fazendo uma evocação nostálgica aum mundo ideal de convivência profissional face à uma real falta de solidariedade rotineira entre todos eles.Por detrás de um plano topográfico e de um organograma daqueles espaços das áreas de ecologia tropical e de biomedicina se desenhava a massa espessa eviva de redes de relações, de situações singulares, de interações einter-relações que faziam viver as coletividades heterogêneas de pesquisadores à maneira de um rizoma, destituído de um centro, uma coleção de pesquisadores individuais, ou ainda, como uma soma de parcelas reagrupadas no interior de uma fronteira /comum onde cada pesquisador detinha um poder soberano. Cada um era mestre de seus lugares, de suas alianças, de suas afinidades seletivas, além de serem obrigados a conhecer e a lidar, cotidianamente, com dispositivos legais que regulamentam o processo de compras públicas a fim de buscar soluções diante das especificidades dos pedidos de compras de insumos imprescindíveis à produção de conhecimentos que serão publicados, em inglês,em revistas com altos índices de impacto.

Ambos os espaços (IPPs) eram matrizes onde se formavam os lugares(laboratórios, departamentos, serviços, unidades) com suas fronteiras porosas que permitiam os pesquisadores deslocarem-se em direção a outros locais de pesquisa dos mundos científicos. Isto significa dizer que a dimensão horizontal dos lugares que davam sentido e profundidade, predomina sobre a dimensão vertical das instituições públicas de pesquisa. Ambas as IPPs são somente o reflexo das contradições da época que atravessamos, dos debates que agitam o Brasil e o mundo, o espelho de uma sociedade de diferenças que experimenta, mas que ainda não consolidou e incorporou formalmente as regras praticadas, um lugar onde as trocas definem somente prováveis caminhos.

Mas não se deve subestimar o desejo de dignidade e a aspiração de ser respeitado que permeia essas coletividades. Eis uma das razões pelas quais no momento mesmo em que o leitor tenha terminado de ler este pequeno textovárias situações e práticas que observei terão mudado ou desaparecido dacena histórica.
*Carlos José Saldanha Machado é antropólogo e pesquisador da Fiocruz e do CNPq.

Veículo 100% elétrico produzido pela Fiat é testado por empresas de energia

Até 2010 a montadora espera ter 50 unidades rodando apenas em fase de testes, pois ainda não há previsão para a fabricação em larga escala do automóvel, cujo preço de custo atinge R$ 145 mil em função dos componentes importados. A questão dos Veículos elétricos e as montadoras brasileiras será tema de debate no 6º Seminário e Exposição de Veículos Elétricos e 1º Workshop de Tecnologias de Veículos Elétricos -, que será realizado entre os dias 9 e 11 de novembro no Espaço CPFL Cultura, em Campinas, interior de São Paulo

Mesmo sem previsão para a comercialização de seu primeiro veículo elétrico no Brasil - o Palio Weekend Elétrico -, a montadora, em parceria com a hidrelétrica Itaipu Binacional, tem apostado e investido nas pesquisas que garantirão tecnologia nacional para dar ao país autonomia e agilidade na adoção desses automóveis. Considerado um projeto pioneiro de mobilidade sustentável para os centros urbanos, o Palio Weekend Elétrico será exibido no VE 2009 - 6º Seminário e Exposição de Veículos Elétricos e 1º Workshop de Tecnologias de Veículos Elétricos -, que será realizado de 9 e 11 de novembro no Espaço CPFL Cultura, em Campinas, interior de São Paulo.

O projeto teve início em 2006 e, até agora, foram produzidas 32 unidades que estão sendo utilizadas por empresas de energia elétrica, como a AMPLA, a CPFL Energia, a Copel, a Eletrobrás e a Cemig, parceiras para a realização de testes de rodagem. Todas elas, que fazem parte do projeto de desenvolvimento e pesquisa relatam, com base nesses testes, suas impressões sobre o Palio Weekend Elétrico, contribuindo para melhorias.

A previsão é de que até meados de 2010 a produção atinja um total de 50 veículos. "Não se trata de uma escala comercial. O objetivo, ainda, é fortemente concentrado no desenvolvimento e na busca de alternativas mais acessíveis para a tecnologia", explica o supervisor de Inovações e Veículos Especiais da Fiat, Leonardo Cavaliere. O preço de custo do veículo é de R$ 145 mil, o que corresponde ao triplo do valor de um carro normal, pois alguns componentes, além de ainda serem caros, são importados da Suíça.

Leonardo Cavaliere participará, em Campinas, da mesa redonda sobre Veículos elétricos e as montadoras brasileiras, no dia 10 de novembro, às 16h30, no 6º Seminário e Exposição de Veículos Elétricos. "A busca de alternativas energéticas para a mobilidade urbana é um dos grandes desafios da indústria automobilística, que tem investido em projetos inovadores de pesquisa e desenvolvimento, como é o caso do Palio Elétrico. Nesse sentido, iniciativas como esse seminário são importantes para ampliar o debate e mobilizar as demais forças da sociedade para o tema", destaca o supervisor da Fiat.

Produção
O veículo, além de não liberar gases poluentes, não emite nenhum tipo de ruído. Apenas a carroceria foi fabricada na montadora da Fiat localizada em Betim (MG), enquanto o motor, a transmissão e baterias foram instalados em uma linha de montagem na Usina Hidrelétrica de Itaipu.

O supervisor de Inovações e Veículos Especiais da Fiat, Leonardo Cavaliere, considera o Brasil o lugar ideal para o desenvolvimento de um carro 100% elétrico, já que grande parte da eletricidade gerada no país, proveniente de hidrelétricas, é energia limpa e muito barata.

O veículo elétrico produzido pela Fiat possui motor que gera potência máxima de 15 kW. Sua velocidade máxima chega a 100 km/h e tem o propulsor refrigerado a água, permitindo redução de seu peso e dimensões. O automóvel é alimentado por uma bateria de níquel, localizada no porta-malas, que garante uma autonomia de 120 km com carga completa. A recarga dessa bateria é realizada em oito horas, a partir de qualquer tomada de três pinos de 220 V. Outra vantagem é que a bateria pode ser 100% reciclada.

Sobre o seminário
O seminário terá tradução simultânea português-inglês, pois contará com a presença de especialistas internacionais no setor de veículos elétricos, como o diretor executivo da Electric Mobility Canadá, que como Key Note Speaker, falará sobre as ações da Associação Canadense de Veículos Elétricos, criada para promover o uso desses automóveis naquele país.

Para a discussão sobre a relação dos VEs e as concessionárias elétricas do Brasil foram convidados Paulo Cezar Tavares, vice-presidente de Gestão de Energia da CPFL Energia; Carlos Alberto Affonso, diretor administrativo-financeiro da UTENF; José Luiz Alquéres, presidente da LIGHT; Antonio Otelo Cardoso, diretor técnico executivo da Itaipu Binacional, e o presidente do Conselho Diretor da ABRADEE, Firmino Ferreira Sampaio, que coordenará o painel dedicado a esse tema.

Sobre a contribuição dos VEs para a redução das emissões urbanas e gases de efeito-estufa (painel Veículos elétricos: meio ambiente e responsabilidade social) deverão participar das discussões um dos fundadores da ABVE e seu primeiro presidente, Antonio Nunes Júnior; o chefe do Laboratório de Poluição Atmosférica e professor de Patologia da USP - Universidade de São Paulo, Paulo Hilário Nascimento Saldiva, e a diretora da ELETRA e da METRA, Maria Beatriz Setti Braga.

Sobre o tema Veículos elétricos e as montadoras brasileiras deverão participar dos
debates o gerente do departamento de Indústria Pesada do BNDES, Paulo Castor de Castro; o diretor de Desenvolvimento da FIAT, Carlos Eugênio Fonseca Dutra. E, para as discussões sobre os "novos atores brasileiros" desse mercado foram convidados o gerente da ABDI - Agência Brasileira do Desenvolvimento Industrial, Roberto dos Reis Alvarez; o presidente da Tutto Trasporti, Agenor Boff; o gerente da WEG Automação, Valter Luiz Knihs; e o diretor executivo da Zeppini, Paulo Rogério Fernandes.

Sobre a exposição e o workshop
Instalada em um espaço de 524 metros quadrados, a exposição reunirá exemplos de veículos elétricos, bem como de componentes e serviços. A exposição será aberta ao público a partir das 12h do dia 9 de novembro.

O 1º Workshop de Tecnologias de Veículos Elétricos acontecerá dia 9 de novembro, das 8h às 18h. A abertura dos trabalhos reunirá o coordenador da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia - SETEC/MCT, Eduardo Soriano Lousada; o diretor da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Amilcar Gonçalves Guerreiro; o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Junior; e o diretor geral do INEE e presidente do Conselho Diretor da ABVE, Jayme Buarque de Hollanda.

Durante todo o dia os profissionais discutirão questões do desenvolvimento tecnológico e as implicações dos veículos elétricos nas pesquisas e no ensino. Entre os temas estão os desafios para a política científico-tecnológica relacionada aos veículos elétricos, a acumulação de energia neste tipo de veículo e os motores e controles dos VEs.

Serviço
VE2009 - 6º Seminário e Exposição de Veículos Elétricos e 1º Workshop de Tecnologias de Veículos Elétricos
Data: de 9 a 11 de novembro
Horário: 8h30 às 18h
Endereço: Espaço CPFL Cultura (Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera), em Campinas, São Paulo, Brasil
Informações: telefone (21) 2532-1389, site www.ve.org.br ou pelos e-mails inee@inee.org.br e abve@abve.org.br

Costa da Austrália está ameaçada por aumento do nível do mar, diz relatório

da BBC Brasil

Um relatório oficial do Parlamento da Austrália afirmou que o governo do país poderá ter que obrigar os moradores das áreas costeiras a se retirarem da região devido ao aumento do nível do mar.
A Força-Tarefa Nacional de Mudança do Mar afirmou que são necessárias ações urgentes para proteger a costa australiana do aumento do nível do mar, que deve ultrapassar os 80 centímetros. O documento foi divulgado nesta semana depois de 18 meses de estudo da situação da região costeira da Austrália.

Segundo o relatório parlamentar, 80% dos australianos já vivem na costa do país. O texto afirma que o governo deve introduzir leis para proibir mais ocupação e empreendimentos imobiliários na região costeira.

O documento pede que as autoridades do país pensem na "possibilidade (da criação) de um instrumento do governo que proíba a ocupação da terra ou de futuros empreendimentos imobiliários devido à ameaça do mar".

Recomendações
O relatório fez quase 50 recomendações, que vão desde um plano para a região costeira e maior cooperação entre vários órgãos de governo até a revisão do código de construções para enfrentar tempestades e erosão do solo.

Alan Stokes, o diretor executivo da força-tarefa, afirmou que a proibição de construções em algumas áreas será necessária se o governo quiser evitar uma grande perda de vidas no caso de desastres naturais como tsunamis. "Não há dúvida de que a Austrália continua sendo uma comunidade costeira. Mas, teremos que ser mais cuidadosos a respeito de quais partes da costa vamos ocupar ainda mais e quais não vamos", afirmou.

O documento não afirma que o governo deve obrigar as pessoas a se mudarem das áreas costeiras, mas propõe a criação de um grupo independente para avaliar se o governo poderia ou deveria fazer isto. As grandes cidades da Austrália estão nas áreas costeiras, além das casas de cerca de seis milhões de pessoas fora dos principais centros populacionais do país, segundo o relatório. "O comitê concorda que esta é uma questão de importância nacional e que o momento para agir é agora", afirmou a Comissão Permanente sobre Mudança Climática, Água, Ambiente e Artes da Câmara dos Representantes.

Na semana passada, o governo voltou a introduzir a legislação de comércio de carbono que foi rejeitada em agosto e faz parte de um pacote de leis que visa cortar a emissão de gases de efeito estufa em até 25% até 2020.

Fatores de risco causam 15 milhões de mortes por ano

Relatório da OMS registra 24 riscos para a saúde da população mundial; maioria das vítimas vive em países em desenvolvimento.

Por Pollyana de Moraes, da Rádio ONU em Nova York.

15 milhões de mortes que ocorrem por ano no mundo, 1/4 do total, poderiam ser evitadas por meio do combate a cinco fatores de risco: subnutrição infantil, sexo não-seguro, alcoolismo, pressão alta, consumo de água contaminada aliado à falta de saneamento básico.
A conclusão está no relatório "Riscos Globais de Saúde", lançado nesta terça-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Combinação de Riscos
Segundo pesquisadores da agência, o maior perigo está na combinação de fatores. Oito são responsáveis por 75% das doenças cardíacas, que representam hoje as maiores causas de morte em todo planeta.

Nas crianças, mais de 1/3 das mortes são causadas pela falta de aleitamento materno e de alimentação adequada, com uma dieta rica em zinco.
O relatório afirma que a maioria das vítimas vive em países em desenvolvimento.

Países em Desenvolvimento
Para reverter esse quadro, a diretora de Saúde Pública e Meio-Ambiente da OMS, Maria Neira, disse à Rádio ONU, de Genebra, na Suíça, que a mudança de hábitos pode reduzir o número de mortes.
"Apenas ao combater esses fatores de risco, como o álcool, o tabaco, a pressão alta e o sexo não protegido, poderíamos mudar muita coisa. E acho que essas intervenções são acessíveis aos países em desenvolvimento, sem gastar muito dinheiro", afirmou.
Ao todo, o relatório da OMS registra 24 fatores que afetam diretamente o bem-estar das populações, incluindo a poluição do ar e a obesidade.

ONGs criticam “Código Ambiental” dos ruralistas

Amazonia.org.br

Mais de 30 ONGs divulgaram carta pública contra o desmonte da legislação ambiental brasileira, alertando para articulações de grupos ruralistas que querem flexibilizar o Código Florestal. A carta se refere a uma comissão formada no Congresso, sob controle dos parlamentares ruralistas, para debater e propor mudanças no Código Florestal Brasileiro.

Segundo a nota, a instalação da Comissão foi “notoriamente tendenciosa”, por ser formada em sua maioria pela bancada ruralista e não representar a diversidade dos setores da sociedade brasileira. Além disso, essa comissão tem “intenções retrógradas de eliminar direitos e flexibilizar garantias socioambientais conquistadas ao longo dos últimos 21 anos de vigência da Constituição Federal brasileira de 1988″.

As ONGs consideram que o governo brasileiro e o Congresso têm tomado posições temerárias sobre a legislação ambiental, como a revogação da legislação que protegia as cavernas ou a aprovação da chamada “MP da grilagem”. “É inaceitável que às vésperas da reunião da Convenção de Clima, em Copenhague, momento em que o Brasil discute compromissos de redução do desmatamento, e das emissões de gases causadores do efeito estufa, o Congresso Nacional tente promover retrocessos na legislação ambiental”.

Confira a nota na íntegra.
CÓDIGO AMBIENTAL RURALISTA
A Câmara dos Deputados instalou recentemente uma Comissão Especial criada para analisar as propostas de alteração do Código Florestal, incluindo o projeto de Lei de Código Ambiental de autoria do presidente da Frente Parlamentar Ruralista e que pretende revogar e alterar as principais leis ambientais brasileiras: lei de crimes ambientais, Código Florestal, lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação e lei da Política Nacional de Meio Ambiente.

O processo de instalação dessa Comissão, que levou a uma composição notoriamente tendenciosa, formada por maioria de membros da bancada ruralista e que, portanto, não representa a diversidade de setores da sociedade brasileira interessada na sustentabilidade do nosso desenvolvimento, aponta para intenções retrógradas de eliminar direitos e flexibilizar garantias socioambientais conquistadas ao longo dos últimos 21 anos de vigência da Constituição Federal brasileira de 1988.

Nos últimos meses o governo brasileiro e o Congresso Nacional tomaram decisões temerárias sobre a legislação ambiental. A revogação da legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras; a aprovação da MP 458 que incentivou a grilagem de terras, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal na Amazônia; a edição do Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais.

Além disso, o governo brasileiro tem negligenciado a política ambiental, mantendo paralisados na Casa Civil da Presidência da República várias propostas de criação de unidades de conservação.
As organizações da sociedade brasileira abaixo assinadas denunciam esse ataque à legislação ambiental. É inaceitável que às vésperas da reunião da Convenção de Clima, em Copenhague, momento em que o Brasil discute compromissos de redução do desmatamento, e das emissões de gases causadores do efeito estufa, o Congresso Nacional tente promover retrocessos na legislação ambiental.

Os compromissos de redução de desmatamento que o Brasil assumiu não serão alcançados e as áreas hoje ambientalmente comprometidas jamais serão recuperadas se o marco regulatório existente for desconfigurado, como propõe a Bancada Ruralista com a conivência e o apoio da base do Governo no Congresso Nacional.

Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável - FBOMS
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Grupo de Trabalho Amazônico - GTA
Rede de ONGs da Mata Atlântica - RMA
Fórum Carajás
Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro - APEDEMA-RJ
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Associação Alternativa Terrazul
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - APREMAVI
Associação de Proteção ao Meio Ambiente - APROMAC
Centro de Estudos Ambientais - CEA
Ecologia & Ação - ECOA
Fundação Vitória Amazônica - FVA
Greenpeace
Grupo Ambientalista da Bahia - GAMBA
Grupo de Defesa e promoção Socioambiental - GERMEN
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC
Instituto Centro Vida - ICV Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola - IMAFLORA
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia - IMAZON
Instituto Ipanema
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - IPAM
Instituto Socioambiental - ISA
Instituto Socioambiental da Baía da Ilha Grande - ISABI
4 Cantos do Mundo
Mater Natura - Instituto de Estudos
Ambientais MIRA-SERRA
Movimento pela Despoluição, Conservação e Revitalização do Rio do Antônio - MODERA
Programa da Terra - PROTER
TNC
WWF Brasil
Vitae Civilis - Instituto para o Desnvolvimento, Meio Ambiente e Paz

Pesadelo assombra os produtores de soja

Alejandro Nadal, do La Jornada

Um fantasma percorre os campos do Chaco, norte da Argentina. Após meses de investigação e acaloradas disputas, confirmou-se a existência de uma variedade de sorgo (Sorghum halepense - também conhecido no Brasil como capim Massambará, Pasto Russo ou Erva de São João) resistente ao herbicida glifosato, na província de Salta. É o primeiro caso de uma variedade de sorgo resistente ao glifosato desde que esse herbicida começou a ser usado no mundo, há três décadas. A difusão desta erva daninha através das colheitadeiras que circulam por todos os lados após cada safra não é um bom augúrio.

A presença do sorgo resistente ao glifosato já foi reconhecida pelo principal organismo encarregado de vigiar as ervas daninhas resistentes a herbicidas (www.weedscience.org). Essa descoberta é um pesadelo que se tornou realidade para os produtores de soja transgênica. É também uma lição para a Sagarpa (organização mexicana de proteção fitossanitária), que acaba de autorizar ilegalmente as primeiras plantações experimentais de milho transgênico no México.

É o primeiro passo no caminho para autorizar a plantação comercial e consolidar a liberação do milho geneticamente modificado no México, centro de origem deste cultivo de importância mundial.

Vamos por partes. O Sorghum halepense é uma das dez principais ervas daninhas que afetam a agricultura de climas temperados. É uma erva daninha perene, dotada de grande capacidade de reprodução e sobrevivência ao controle por meios mecânicos. A ironia é que em muitos países, incluindo a Argentina, foi introduzido como uma espécie forrageira, por sua alta produtividade e capacidade de adaptação. Em poucos anos, converteu-se em uma praga cujo combate com agentes químicos teve grandes custos para os agricultores e para a biodiversidade.

Na luta contra essa “erva daninha perfeita” vinha se usando o glifosato, herbicida de amplo espectro que destrói, em plantas superiores, a capacidade de sintetizar três aminoácidos essenciais. É o herbicida seletivo de maior venda no mundo e sua expansão acelerou-se com os cultivos transgênicos como os da soja Roundup Ready, da Monsanto, geneticamente modificada para aumentar sua resistência ao glifosato. Hoje, a soja transgênica é plantada em cerca de 18 milhões de hectares na Argentina. Esse cultivo transformou a paisagem rural do pampa, transtornando as relações sociais que permitiam a pequena agricultura e abrindo as portas para o agronegócio em grande escala. As exportações de soja são o principal sustento da política fiscal Argentina: 18% da receita fiscal total vêm do imposto sobre as vendas de soja ao exterior. Mas o colapso desta bolha da soja é uma questão de tempo. A aparição do sorgo resistente ao glifosato é só um aviso.

A soja transgênica usa um pacote tecnológico de plantio direto (ou lavragem mínima), onde se deixa o mato cobrir a terra para protegê-la da chuva e do vento. Isso reduz os riscos de erosão, mas deve ser acompanhado de um incremento no uso de herbicidas. Esse tipo de cultivo está associado a um crescimento espetacular do uso destes insumos: em apenas dez anos, o consumo de glifosato passou de 15 a 200 milhões de litros.

O resultado, no final do caminho, era de se esperar: cedo ou tarde, apareceriam espécies resistentes às estratégias desenhadas e implementadas por este modelo de agricultura comercial. Com a difusão do pacote tecnológico da soja transgênica, essa resistência apareceria mais rapidamente, pois o processo de co-evolução (que, no fundo, é o que rege esse fenômeno) iria se acelerando. É o que acontecerá também com o milho transgênico cujo plantio está sendo autorizado agora no México. A aparição de insetos resistentes à toxina produzida nos cultivos transgênicos Bt é uma questão de tempo.

Ainda não há registro de grandes populações resistentes à toxina Bt, mas em parte isso se deve à estratégia que consiste em deixar refúgios de plantas não transgênicas nas áreas plantadas. Nos Estados Unidos, essa prática tem sido acompanhada pelo uso complementar de inseticidas. Mas a advertência de ecólogos e agrônomos segue vigente: essas estratégias só retardam o processo de aparição de insetos resistentes ao Bt, não o detém. O cultivo de milho transgênico no México aumentará a probabilidade de surgimento de populações de insetos resistentes ao Bt em um menor espaço de tempo. Esse não é o único problema, mas o exemplo do sorgo na Argentina é um sinal que não devemos ignorar.

A trajetória tecnológica dos cultivos geneticamente modificados nos conduz a um beco sem saída. É claro que, para as empresas e seus cúmplices no governo, este é um bom instrumento para tornarem-se donas do campo, transformando-o em seu espaço de rentabilidade. Para a Sagarpa e o governo (falando aqui do caso mexicano) nada deve se interpor entre as companhias transnacionais e a rentabilidade, nem sequer a débil legislação sobre biossegurança que foi desenhada para servir aos interesses dessas mesmas empresas.

Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada, onde este artigo foi publicado originalmente dia 20 de outubro.

Fonte: Agência Carta Maior

Emissões do setor agropecuário aumentam em 30%

da Redação

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou nesta terça-feira (27/10) a nova estimativa de emissões de CO² do setor agropecuário. O estudo mostra que o setor passou a emitir 30% a mais de dióxido de carbono e gases equivalentes no período de 1994 a 2007. Segundo os dados, as emissões da pecuária aumentaram 25%, enquanto o uso do solo provocou acréscimo de 39%. O estudo destaca ainda que as emissões também aumentaram na área de energia (54%), nos processos industriais (56%) e no tratamento de resíduos (32%).

O estudo tem por objetivo fornecer estimativas atualizadas das emissões de gases de efeito estufa no Brasil como subsídio para o planejamento de políticas públicas e também devem servir de base para a proposta brasileira que será apresentada na Convenção do Clima, em Copenhagen, na Dinamarca. As estimativas de redução das emissões brasileiras prevêem até 2020 a redução em 80% do desmatamento na Amazônia, o que vai representar 20% a menos na conta das emissões.

O ministro falou sobre três medidas sugeridas pela Embrapa para manejo do solo que podem reduzir em 7% as emissões no setor agropecuário até 2020. Uma delas é a combinação da lavoura com a pecuária, que diminuirá o solo usado e as emissões. A outra, é a recuperação de áreas degradadas. O ministro também defendeu o aumento do plantio direto, com redução do uso de fertilizante. "Com essas três medidas combinadas, reduziremos em 7% as emissões do Brasil até 2020 somente na agropecuária", disse o ministro.

Com relação ao plantio direto, que significa plantar na palha e revolver menos o solo, evitando a emissão de gases, a meta é passar dos atuais 28 milhões de hectares para 40 milhões de hectares até o ano 2020, com um ganho de 224 milhões a menos de emissão de CO². Quanto à recuperação de áreas degradadas, a proposta é que em um prazo de 10 anos haja uma economia de 81 milhões de toneladas de CO², caso se recupere 10% destas áreas.

Os estudos apresentados utilizaram o mesmo método que vem sendo aplicado na confecção do inventário de emissões elaborado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.
Leia mais:
Estimativa das emissões brasileiras de gases de efeito estufa entre 1994 e 2007

Vacina anti-HIV: mito ou realidade?

Por Pâmela Pinto da Fiocruz

Há pelo menos duas décadas, a busca de uma vacina para a Aids é um dos grandes objetivos da biomedicina. Até agora, muito esforço foi feito, mas o avanço ainda é lento. Mariza Morgado, chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e atual vice-diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto, discutiu os desafios no desenvolvimento de uma vacina anti-HIV durante o Simpósio França Brasil, na Fiocruz.

A pesquisadora traçou uma retrospectiva dos protocolos em andamento na comunidade científica internacional para elaboração de uma vacina. Atualmente, existem mais de 50 protocolos em curso, mas a maioria ainda no estágio inicial do processo, no qual é verificada a segurança do protótipo. Um número menor atingiu, ao longo de duas décadas, a fase dois de estudos, quando é verificado se o produto induz a uma resposta imune. Apenas três projetos alcançaram a fase seguinte (IIb e III), que consiste em testes de eficácia: um primeiro na década de 1990 e outro concluído em 2007 (ambos abandonados pela inconsistência dos dados), além de um último com resultados apresentados recentemente, em 2009.

Entre as dificuldades encontradas para produção de uma vacina eficaz, Mariza apontou alguns aspectos. O primeiro é que o HIV é um retrovírus, capaz de se integrar ao material genético do hospedeiro, o que impossibilita o uso do vírus atenuado para a produção de vacina. Outras características são a grande variabilidade e a capacidade de recombinação do vírus, impedindo o sistema imune de montar uma resposta. O fato de não existirem pacientes curados também é outra barreira, pois não permite detectar os agentes de imunidades associados à proteção contra o vírus.

Em 23 de setembro deste ano, foi anunciada uma vacina com 30% de eficácia contra o HIV, desenvolvida numa cooperação entre os governos da Tailândia e dos Estados Unidos. O trabalho reuniu um total 16 mil pessoas, divididas em dois grupos, para participar de um protocolo de vacinação com quatro doses. Deste total, foi verificado cerca 30% de proteção. Os resultados oficiais deste protótipo de vacina foram detalhados durante a Conferência de Vacinas da Aids, em Paris. “É muito difícil manter um protocolo com grande número pessoas e garantir que todos cumpram todo o processo de vacinação. Os cálculos de precisão serão realizados somente após a publicação destes dados e então saberemos qual é a eficácia de fato. Mas esta pesquisa sinaliza uma vantagem no sentido de que foi a primeira vez que se mostrou algum nível de eficácia como este ou, pelo menos, uma diferença no número de infecções entre os indivíduos vacinados e aqueles que receberam placebo. No entanto, não foi observada nenhuma diferença quanto à carga viral plasmática nos dois grupos”, avaliou Mariza.

A bióloga destaca outro ponto importante no debate sobre uma vacina anti-HIV: os protocolos em curso buscam a não evolução da doença no indivíduo infectado, já que uma vacina capaz de evitar a infecção, que ocorre por diversas vias, ainda é um objetivo distante de ser alcançado. “Se o indivíduo tem uma resposta imune capaz de estancar a passagem do vírus para outra célula, isso faz com que o sistema imune fique pouco comprometido. E com isso não se desenvolveria a doença”, explicou.

Mapeamento dos tipos brasileiros
O isolamento do HIV tipo 1, na década de 1980, realizado por pesquisadores do IOC, marcou o ingresso do Brasil no cenário internacional de pesquisa em Aids. O feito alavancou estudos que priorizam o aumento da qualidade de vida dos pacientes que vivem com o vírus. Parte deste trabalho é desenvolvida no Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto, que atua no mapeamento dos vírus circulantes em todo o país, bem como no monitoramento da capacidade dos indivíduos infectados reagirem a antígenos. ”Já identificamos vários subtipos circulantes do HIV nas diversas regiões brasileiras e a variabilidade destes vírus, o que é importante para avaliar a resposta imune dos indivíduos infectados. Numa perspectiva futura, este levantamento poderá gerar subsídios para potencializar a eficácia de uma vacina no país”, disse Marilda.

Aids no BrasilDe 1980 a junho de 2008, foram notificados 506.499 casos de Aids no país. Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos. Os índices da doença são crescentes no Norte e Nordeste. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por Aids, de 1980 a 2006.

Para ler matérias sobre outras palestras do Simpósio França-Brasil, clique aqui.

Proteção neurológica

Por Alex Sander Alcântara da Agência FAPESP

Estudos têm apontado efeitos benéficos do ômega 3 na prevenção de doenças como Alzheimer e depressão. Agora, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de outras instituições indica que o ômega 3 também pode ser um forte aliado no combate à epilepsia.

Com testes experimentais feitos em ratos, os pesquisadores verificaram que esse tipo de ácido graxo é capaz de minimizar a morte de neurônios durante crises epilépticas, além de ajudar na regeneração do tecido cerebral. O estudo, publicado na revista Epilepsy & Behavior, demonstrou que o ômega 3 aumenta a produção de proteínas que “capturam” a entrada do cálcio no neurônio e, por conta disso, ajuda a diminuir a morte das células cerebrais.

Na pesquisa, um grupo de dez ratos recebeu 85 miligramas de ômega 3 por quilo de peso durante 60 dias, enquanto foi administrada uma substância inócua a um número igual de animais, que serviu de grupo controle. Os pesquisadores verificaram que os ratos que receberam ômega 3 apresentaram significativa preservação do tecido cerebral após a simulação de crises epilépticas, em relação aos demais.

Também foi observado que o ômega 3 desempenhou importante papel antiiflamatório, uma vez que o tecido cerebral dos animais com epilepsia apresentava anteriormente um processo inflamatório crônico. “Temos resultados que mostram que o ômega 3 é neuroprotetor e desempenha atividade ‘antiepilética’”, disse o coordenador da pesquisa, Fulvio Alexandre Scorza, professor adjunto do Departamento de Neurologia/Neurocirurgia da Unifesp e chefe da disciplina de Neurologia Experimental, à Agência FAPESP.

Scorza coordenou o projeto “O papel do ômega 3 no modelo de epilepsia induzido pela pilocarpina”, conduzido com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e concluído em agosto. “Essa pesquisa foi muito importante por ter sido a primeira a mostrar uma ação cerebral do ômega 3 relacionada à epilepsia”, disse. Os outros autores do artigo são Roberta Cysneiros (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Vera Terra e Hélio Machado (Universidade de São Paulo, USP), Ricardo Arida, Marly de Albuquerque, Carla Scorza e Esper Cavalheiro (Unifesp).

Scorza conta que, apesar de haver apenas outros seis grupos no mundo que estudam a morte súbita nas epilepsias, esse não é um evento raro. “As chances de os pacientes com muitas crises morrerem subitamente é de três a quatro vezes maior do que em indivíduos que não têm epilepsia”, disse. Os principais fatores de risco nesse caso são crises contínuas, início precoce da epilepsia, pacientes que estão tomando muitos medicamentos para controle das crises e idade (de 27 a 39 anos). “Como o principal tratamento é o medicamento, nossa proposta é o uso de ômega 3 por meio da alimentação”, afirmou. O pesquisador da Unifesp adverte, no entanto, que as pessoas com epilepsia não podem abdicar de seus remédios. “O ômega 3 é só mais uma forma de minimizar as crises da doença”, salientou.

A epilepsia é um distúrbio neurológico crônico que atinge cerca de 1% da população em geral. Causas comuns são traumas durante o parto e tumores no sistema nervoso central. No Brasil, a principal causa é o parasitismo, principalmente a neurocisticercose provocada pela ingestão de água e alimentos contaminados. “Tem-se a ideia errônea de que esse parasita vem da carne de porco. É fato que se o animal estiver contaminado pode passar para as pessoas. No entanto, o principal foco de contaminação da larva (Cysticercus cellulosae) está na verdura e na água contaminada”, explicou Scorza.

O cientista ressalta que a epilepsia é uma doença neurológica, e não psiquiátrica. “Essa observação é importante porque elimina o preconceito em torno daqueles que têm o problema. A saliva não transmite doença e não é infecciosa. Outro mito é que não precisa puxar língua. Sempre ensinamos isso para a população”, disse. O estudo atualmente prossegue em uma abordagem clínica com humanos, em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, em que estão sendo analisadas crianças com epilepsias refratárias.

Outro projeto de pesquisa, segundo ele, pretende avaliar a convulsão febril cerebral durante a infância para avaliar se o ômega 3 pode reverter o quadro. “Em geral, algumas crianças que têm crises convulsivas na infância quando chegam à adolescência desenvolvem as primeiras manifestações epilépticas”, disse. Peixes na dieta Os ácidos graxos ômega 3 são gorduras essenciais para o funcionamento do organismo e podem ser encontrados em alimentos, principalmente peixes e na linhaça. “O ômega 3 não tem efeito colateral, mas, como suas cápsulas são caras, a recomendação é a ingestão semanal de peixe”, disse Scorza.

Segundo ele, três porções de peixe por semana é o recomendado. Salmão, atum, anchova e sardinha são as espécies mais indicadas. Mas, segundo o pesquisador, é preciso ter algumas precauções, uma vez que alguns peixes são ricos em ômega 3, mas também possuem quantidades consideráveis de mercúrio. “Isso é ruim principalmente para crianças e mulheres gestantes, porque o mercúrio é neurotóxico. Apesar de ter muito ômega 3, o atum é rico em mercúrio. Para a população em geral, o mais viável economicamente, e mais indicado, é a sardinha”, disse.

Caso o peixe seja predador de espécies menores, poderá ter mais mercúrio. Outro aspecto é que existem espécies que têm pouco ômega 3, mas muito ômega 6, como a tilápia. “É claro que precisamos de ambos, mas, enquanto o ômega 3 é antiinflamatório, o ômega 6 é pró-inflamatório, ou seja, facilita o processo inflamatório. O ideal é um balanço”, explicou.

Para ler o artigo Epilepsia e morte súbita? Coma mais peixe! A hipótese de um grupo, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.