quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Corais do Caribe podem ser invadidos por algas

Os recifes de corais do Caribe correm o risco de se transformar em um novo tipo de ecossistema, dominado não pelos corais, mas pelas algas, segundo alerta um estudo publicado esta semana pela revista científica Nature. A pesquisa, realizada por ecólogos britânicos e americanos, destaca os contratempos sofridos pelas estruturas de corais nas últimas décadas.
Os pesquisadores, liderados por Peter J. Mumby, construíram um modelo matemático para analisar os efeitos sobre os recifes de coral de uma série de eventos ocorridos desde os anos 80, cada um dos quais teve um efeito devastador sobre esses ecossistemas.

O primeiro abalo veio com a passagem do furacão Allen, em 1980. Pouco depois, em 1983, os corais sofreram as conseqüências da mortandade em massa da espécie herbívora Diadema antillarum. Estes ouriços se alimentam de algas, por isso seu desaparecimento deixou os recifes sem um meio de controle da quantidade de algas. Estas conseguiram se reproduzir em excesso, tirando espaço dos recifes para seu desenvolvimento e crescimento. Além disso, houve o impacto do furacão Gilbert, que castigou o Caribe em 1988. Segundo os especialistas, a combinação de fatores deixou os recifes de corais vulneráveis diante da invasão de algas. Sua análise pode oferecer estratégias para recuperar os ecossistemas de recifes, talvez promovendo as povoações de peixes-papagaios, que também se alimentam de algas que crescem nos recifes.

Fonte: EFE

Fome na América Latina

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Semana Nacional de Comunicação Ambiental da UFRJ vai de 6 a 8 de novembro


Programa de Educação Tutorial da Escola de Comunicação da UFRJ (PET-ECO) vai realizar de 6 a 8 de novembro de 2007 a Semana Nacional de Comunicação Ambiental.O evento contará com mesas ministradas, das 9h às 12h, por acadêmicos, ativistas e profissionais vinculados a temas e projetos específicos de áreas geralmente ligadas à temática ambiental nas suas variadas formas, com foco na comunicação social. São três as temáticas: Perspectivas da Comunicação Ambiental (06/11/2007); Comunicação Ambiental e Sociedade Civil (07/11/2007); e Comunicação e Gestão Ambiental (08/10/2007). Na mesa do dia 06 de novembro, está confirmada a presença do atual secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc.

Além dos debates, ocorrerão durante a Semana três oficinas de comuincação ambiental e uma mostra audiovisual. Inscrições e maiores informações em www.eco.ufrj.br/semanaambiental

Fonte: PET ECO

Seminário de Gestão sustentável da água

Fernanda de Carvalho

O Programa de Pós-graduação em Urbanismo (Prourbe), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ), promove, nos dias 12 e 13 de novembro de 2007, a partir das 9h, o seminário “Gestão Sustentável da Água em Áreas Urbanas”.

O objetivo é discutir a gestão sustentável e integrada das águas em regiões metropolitanas, comparando casos da França e do Brasil, o que permite o intercâmbio entre pesquisadores e instituições dos dois países. As inscrições para o evento podem ser feitas até o dia 8 de novembro, através do telefone 2598-1990, ou pelo e-mail keilaprourb@gmail.com, entre 10h e 16h30. As vagas são limitadas em 80 participantes e haverá tradução simultânea durante as palestras em francês. O seminário irá ocorrer no auditório do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ), sala G-122, localizado no prédio do Centro de Tecnologia - Ilha da Cidade Universitária (Fundão).

O evento é organizado pelo Laboratório de Hidrologia (Coppe/UFRJ), Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional – Observatório das Metrópoles (Ippur/UFRJ), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Desma/UERJ), Centre International de Recherches sur l'Environnement et le Développement (CIRED) e pelo Laboratoire Techniques Territoires et Sociétés da École Nationale des Ponts et Chaussées (LATTS/ENPC).

Fonte: Agência UFRJ

China proíbe produção de pesticidas tóxicos exportados ao Brasil

Marina Wentzel

A China anunciou que vai banir a produção de cinco pesticidas tóxicos, que eram exportados para 60 países emergentes, entre eles o Brasil, informou o jornal estatal China Daily nesta terça-feira. Estatísticas do governo chinês revelam que no ano passado as exportações dos cinco químicos tóxicos somaram 28 mil toneladas para o mundo todo, o que corresponde a US$ 20 milhões.

A imprensa oficial não chegou a divulgar uma lista com o nome de todas as substâncias, mas revelou que metamidofós é uma delas. De acordo com um documento da FAO, órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, metamidofós é um organofosforado altamente tóxico utilizado no Brasil como inseticida. Já foi observado que homens expostos ao produto sofrem redução de espermatozóides e a ingestão pode causar morte, mas não há, porém, comprovação de que o agrotóxico seja cancerígeno, diz o documento da FAO. Não foram divulgadas estatísticas chinesas com o número específico das exportações ao Brasil. Entretanto, segundo dados do ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, de janeiro a setembro deste ano o Brasil comprou da China mais de 91 mil toneladas de fertilizantes à base de nitrogênio e fósforo, num valor superior a US$ 32 milhões.

Desvio de agrotóxicos

Em coletiva de imprensa, o vice-ministro de Agricultura chinês, Gao Honghin, disse que a proibição faz parte dos esforços do país em garantir que seus produtos alimentícios tenham padrões de qualidade confiáveis. Desde janeiro é proibido o uso dos cinco agrotóxicos nas plantações dentro da China, mas a produção seguia liberada para a exportação. Até o momento, o ministério da Agricultura da China já fechou sete indústrias e apreendeu 479 toneladas de químicos. Outras 16 empresas devem suspender a fabricação dos pesticidas em breve. O vice-ministro admitiu que apesar dos esforços para controlar o destino dos agrotóxicos, muitas vezes eles acabavam sendo desviados e utilizados domesticamente, e que por esse motivo a China decidiu banir toda a produção. A rigorosa campanha de inspeção e controle agrícola faz parte da ofensiva do governo chinês para reconquistar a credibilidade dos produtos nacionais junto aos consumidores. O esforço é uma resposta à recente onda de escândalos envolvendo a qualidade das manufaturas, remédios e alimentos fabricados no país.

Fonte: BBC Brasil

Bairro apresenta contaminação por chumbo elevada em Ribeirão Preto

Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP comparou o índice de contaminação por chumbo no esmalte dos dentes de 247 alunos de sete Escolas Municipais de Educação Infantil com o de 26 crianças que vivem no entorno de uma fábrica de baterias em Bauru, todas com idade entre 4 e 6 anos.

Os resultados do estudo mostram que o nível de contaminação em Bauru, mais elevado, se repete em 12% das crianças de Ribeirão Preto, principalmente no bairro Campos Elíseos. O chumbo é um dos poluentes ambientais mais perigosos para a saúde humana, em especial às crianças, cujos órgãos e sistemas ainda estão em desenvolvimento. A pesquisa deu origem ao artigo Lead contents in the surface enamel of deciduous teeth sampled in vivo from children in uncontaminated and in lead contaminated areas, escolhido para receber o prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS em 2007. A autora do trabalho é a dentista Glauce Regina Costa de Almeida. Ela realizou testes de contaminação no esmalte dos dentes de leite das crianças para sua dissertação de mestrado, orientada pela professora Raquel Gerlach, da FORP. Em Bauru, a média de contaminação foi de 785 microgramas de chumbo por grama de esmalte, enquanto em Ribeirão Preto essa média ficou em 200 microgramas. Nos Campos Elíseos, porém, 35% das crianças tiveram valores comparáveis aos da média de chumbo encontrada na área contaminada de Bauru.

No bairro já funcionaram duas fábricas de baterias e há uma fábrica de galvanização de ferro. Os encanamentos das construções são muito antigos e têm soldas de chumbo e podem comprometer a rede de abastecimento de água. Além disso, há muitos depósitos de ferro velho, locais onde as baterias são abertas. Esses locais reconhecidamente apresentam concentrações altas de chumbo no ar e na poeira, que se acumula no solo.

Testes

Em função dos resultados, Glauce já iniciou o doutorado, onde propõe focar a pesquisa exclusivamente nos Campos Elíseos e expandir o número de crianças pesquisadas para 500, com idade entre seis e oito anos, período de dentição mista nas crianças. “Além do teste no esmalte dos dentes, a meta é coletar saliva e sangue das crianças para avaliar se há contaminação aguda e correlacionar os valores de chumbo obtidos no sangue, saliva e dentes com anemia e polimorfismos genéticos”, explica. “A idéia é verificar como os polimorfismos genéticos, pequenas variações do DNA, afetam os níveis de chumbo nos diferentes marcadores de exposição, como sangue, saliva e dentes.”O estudo terá o apoio dos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto, que receberam um folder explicativo sobre os perigos que a contaminação por chumbo traz para a saúde das crianças. A proposta da pesquisa já foi premiada pela Fundação Mapfre, ficando com o segundo lugar entre sete projetos premiados nas áreas de saúde e meio ambiente. ContaminaçãoA doutoranda da FORP, Carolina Guerra, também orientada pela professora Raquel Gerlach, vai coletar e analisar dentes de leite de crianças em diferentes cidades com históricos de contaminação ambiental.

O objetivo é achar a linha neonatal e fazer a dosagem de contaminação por chumbo antes e depois do nascimento. As cidades escolhidas foram Ribeirão Preto e Cubatão (SP), Santo Amaro da Purificação (BA) e Mato Leitão (RS). Nesses locais já foram distribuídos potinhos para as crianças guardarem os dentes e entregarem nas escolas. As pesquisas na FORP contam ainda com a participação dos professores Fernando Barbosa Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), José Eduardo Tanus-Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Maria da Conceição Pereira Saraiva e Maria Cristina Borsatto, da FORP, e Francisco José Krug, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP. Também participam Maria da Luz Rosário de Souza e Jaime Aparecido Cury, da Unicamp.

Fonte: Agência USP

Defeso da Piracema começa no dia 1º de novembro

Como ocorre todos os anos, começa nesta quinta-feira e se estende até 28 de fevereiro, o período de defeso da piracema, na bacia hidrográfica do rio São Francisco. O defeso acontece para garantir a atividade pesqueira de forma controlada, permitir a renovação dos estoques e impedir um aumento significativo de algumas espécies que, todos os anos, sobem os rios em direção às cachoeiras, vencendo obstáculos naturais – como corredeiras e cachoeiras – para realizarem a desova e efetivar sua reprodução (fenômeno conhecido como piracema).

Nesse período, fica proibida a pesca de qualquer categoria, modalidade e petrecho nas lagoas marginas, ao longo do rio e até a distância de mil metros a montante e a jusante das barragens de reservatórios de usinas hidrelétricas, cachoeiras e corredeiras, além da realização de campeonatos, torneios e gincanas de pesca em águas continentais da bacia hidrográfica. Durante o período de defeso da piracema, fica permitido nos rios e reservatórios da bacia, a pesca profissional e amadora nas modalidades desembarcada e embarcada, a captura e o transporte de cinco kilos de peixes mais um exemplar por pescador registrado, permissionado, licenciado ou dispensado de licença.

A pesca amadora pode utilizar petrechos como linha de mão, vara, linha e anzol, molinete ou carretilha com iscas naturais e artificiais. Os pescadores profissionais podem utilizar os seguintes petrechos: tarrafa para captura de isca, com comprimento de malha entre 20 mm e 30 mm, medidos entre nós opostos e altura máxima de 2 metros, no trecho entre a jusante da Usina Hidrelétrica de Xingó até a foz do rio São Francisco; rede para captura de pilombeta, com malha entre 12mm e 20 mm, medidos entre nós opostos; covo para captura de camarões de água doce, com 20 mm de espaçamento entre telas; covo para captura de camarões marinhos, com 10 mm de espaçamento entre telas. No período em que acontece a piracema, fica permitido ao pescador profissional a captura e transporte, em qualquer quantidade, das espécies: pilombeta, pescada do Piauí, tucunaré, tilápia, bagre africano, apaiari, tambaqui, capas, pirambeba, piranha, caboge ou tamoatá, e o híbrido do tambaqui.

O Ibama informa que aqueles que praticarem a pesca neste período, contrariando as normas restritivas do defeso, estarão sujeitos à perda do produto capturado, à apreensão dos petrechos de pesca e a multa entre R$ 700,00 (setecentos reais) e R$ 100 mil (cem mil reais), com acréscimo de R$ 10,00 (dez reais) por quilo do produto apreendido, além de sofrer as penalidades previstas na Lei de Crimes Ambientais.

Fonte: Ibama

Alemanha oferece bolsas em sustentabilidade

Vão até 15 de novembro as inscrições para bolsas de mestrado (master), doutorado (integral e sanduíche) e postdoc voltadas para a pesquisa em recursos biogênicos e cadeias de valor. As bolsas são oferecidas dentro do programa Estudar e Pesquisar para a Sustentabilidade do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (Daad) e do Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha.

Os candidatos devem ter fluência em inglês e encaminhar os documentos solicitados ao escritório regional do DAAD no Rio de Janeiro. O edital e detalhes sobre os programas podem ser encontrados, em inglês, por meio dos links: Edital e Anexo. rio.daad.de/download/Offer_Biogen07.doc.

Fonte: Faperj

9ª Reunião Brasileira sobre Controle Biológico de Doenças de Plantas

“Biocontrole de doenças de plantas no Brasil: uso atual e perspectivas” será o tema central da 9ª Reunião Brasileira sobre Controle Biológico de Doenças de Plantas.

O evento, que ocorrerá de 6 a 9 de novembro no Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), é uma iniciativa da Embrapa Meio Ambiente, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Jaguariúna (SP), em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag). “Controle biológico de patógenos de solo em grandes culturas”, “Implantação de empresa para produção e comercialização de agentes de biocontrole” e “Integração de métodos biológicos para o controle de doenças e pragas de hortaliças orgânicas” serão assuntos discutidos.

A programação também abordará os efeitos das mudanças climáticas globais no controle biológico. Mais informações: www.cnpma.embrapa.br

Fonte: Agência Fapesp

Seminário discute energias alternativas

Jean Carlos Porto

A Embrapa Suínos e Aves sedia na quarta-feira(30 e quinta-feira(31), uma discussão importante sobre meio ambiente. Em parceria com a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Concórdia e Microrregião (Aecom), a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Concórdia (Agrocon) e a Universidade do Contestado (UnC), a Embrapa promoverá o Seminário Energias Alternativas e Meio Ambiente. São esperados 150 profissionais e estudantes para o evento, que acontece no auditório da Embrapa Suínos e Aves, em Vila Tamanduá (Concórdia/SC).

O presidente da Aecom, Nésio Tumelero, acredita que o seminário permitirá a troca de conhecimentos. “É uma oportunidade para debater com as empresas e sociedade as fontes de energias alternativas”. Cada um dos quatro painéis do evento discutirá um tipo de energia: elétrica, solar, biodisel e biogás. A abertura oficial está marcada para as 8h15m, no dia 30. O primeiro painel tratará sobre Produção de Biodisel e Biocombustível e terá a coordenação do pesquisador Cláudio Bellaver, da Embrapa Suínos e Aves. No painel será apresentado também o Programa de Bioenergia do Governo Federal, a cargo do coordenador geral de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Frederique Rosa e Abreu.A Geração e Utilização do Biogás no Meio Rural é tema do segundo painel, que será apresentado a partir das 13h30m, sob a coordenação do pesquisador Carlos Perdomo, da UnC.

A programação do dia 30 encerra no Clube 29 de Julho, com a palestra que será ministrada pelo engenheiro civil Marcos Túlio de Melo, presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), sobre Sistema Profissional e a Sociedade. Após a palestra será servido o “Jantar do Dourado”.No segundo dia de programação, os participantes terão informações sobre “Micro e Pequenas Usinas Hidrelétricas”, no terceiro painel, que inicia a partir das 9 horas, sob a coordenação do engenheiro civil Nésio Tumelero. O último painel, que aborda o “Uso Eficiente de Energias Naturais em Edificações”, será apresentado pela arquiteta Sandra Poletto, da Aecom, e pelo pesquisador Paulo Armando de Oliveira, da Embrapa. O tema abre espaço para discussões sobre “Conforto Ambiental em Edificações” e “Projeto Casa Eficiente”.

Fonte: Embrapa

Biomassa já supera grandes hidrelétricas

Roberto do Nascimento

Enquanto se fala no risco de um novo apagão elétrico e muitos tentam atropelar precauções com o meio ambiente com o argumento de que não pode faltar energia, projetos de todos os portes reconhecidos pela Organização das Nações Unidas como limpos e capazes de reduzir ou evitar a emissão de gases de efeito estufa vão se avolumando no Brasil.

Essa revolução limpa e silenciosa já gera quase 1.400 MW a partir de biomassa, ou 55% dos 2.512 MW de capacidade instalada de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) compreendendo, além da biomassa, grandes é pequenas centrais hidrelétricas, energia eólica e biogás. Somente aqueles que registraram seus projetos de acordo com o Protocolo de Kyoto para ter direito de emitir créditos de carbono já geram mais energia do que grandes usinas como Furnas e Serra da Mesa. Com base num ranking hipotético, esses projetos somados corresponderiam à 13ª maior hidrelétrica do País. A geração de energia, aí incluídas todas as fontes, é a principal fonte de projetos de MDL brasileiros (157), responsáveis por evitar a emissão de 115,94 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ou seu equivalente em outros gases-estufa. Em segundo lugar, vem a suinocultura, com 38 projetos capazes de evitar que 19,15 milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera na forma de gás metano.

Os aterros sanitários, embora em número menor (28), evitam um volume maior de emissões (66 milhões de toneladas de gases). No mais recente levantamento feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil conserva o terceiro lugar em projetos de MDL, com 260 milhões de toneladas de gases-estufa evitados, atrás da China (2,02 bilhões) e da Índia (929 milhões). Em número de projetos, a situação é a mesma: China, com 846, ìndia, com 762, e o Brasil, com 251. O total de projetos de MDL em todo o mundo já supera 4 bilhões de toneladas evitadas de CO2, equivalente ao emitido pelo cidade de São Paulo por 266 anos.

Fonte: DiárioNet

MMA cria o primeiro Corredor Ecológico Marinho

Suelene Gusmão

Entre os dias 5 e 9 de novembro será realizada na cidade de Caravelas (BA) a primeira Oficina de Planejamento para a criação do 1º Corredor Ecológico do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. O evento vai reunir mais de 60 profissionais e técnicos do setor entre gestores, pesquisadores, pescadores, extrativistas, representantes dos governos federal e municipal, de ONGs, dos setores de turismo e empresarial. A criação de corredores ecológicos é prioridade para o MMA e baseia-se, entre outros fundamentos, em ações de planejamento e conservação ambiental de forma participativa e descentralizada, ações de vigilância, fiscalização, monitoramento e controle e criação de oportunidades de negócios sustentáveis.

Segundo Roberto Xavier de Lima, coordenador do Corredor Central da Mata Atlântica, a criação do primeiro corredor ecológico marinho tem por objetivo contribuir para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais na porção costeira e marinha do Corredor Central da Mata Atlântica (CCMA) e estabelecer uma rede de Unidades de Conservação Marinha na região, por meio do planejamento, criação e implementação de uma rede de áreas marinhas protegidas.
"O primeiro corredor marinho vai fornecer bases sólidas de conhecimento para um planejamento de conservação compatível com as características sociais, econômicas e ambientais da região. Permitirá também a seleção de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, por meio de banco de dados gerados e de levantamentos em campo. Ele vai ainda desenvolver um mecanismo de financiamento e sustentabilidade econômica a longo prazo para a rede de áreas marinhas protegidas na área focal de Abrolhos", disse Roberto Lima.

Reconhecido internacionalmente pela Unesco, o Parque de Abrolhos é formado por inúmeras unidades de conservação costeiras e marinhas e tem importância inestimável para a conservação da natureza. Fundamental para a procriação de diversas espécies de corais, tartarugas, peixes e aves, o Parque de Abrolhos foi o primeiro parque marinho criado no Brasil, em 1983, abrangendo mais de 88 mil hectares.

Fonte: MMA

Ecologistas alemães protestam contra reator nuclear

O velho reator nuclear da central atômica de Rheisberg, na antiga Alemanha Oriental, chegou nesta madrugada a seu destino, na localidade litorânea de Lubmin, após percorrer 290 km por ferrovia sob fortes protestos de manifestantes ambientalistas, que tentaram bloquear o seu caminho.

A polícia mobilizou 1,7 mil agentes ao longo do percurso para garantir o transporte e deteve provisoriamente 16 ativistas. O reator ficará num depósito especial de Lubmin. Serão necessários de 40 a 70 anos até que seu nível de radiatividade desça, permitindo a sua desmontagem. O comboio especial levou 13 horas para fazer o percurso, duas a mais que o previsto. A razão do atraso foi o bloqueio das ferrovias pelos manifestantes na altura da pequena localidade de Kemnitz, a poucos quilômetros do seu destino. O reator, um dos primeiros a entrar em serviço em 1966 na extinta República Democrática Alemã (RDA), fez sua última viagem. A usina nuclear de Rheinsberg, que foi desativada em 1990, após a queda do muro de Berlim, será desmontada até 2012, com um custo de cerca de 400 milhões de euros.

O reator pesa mais de 170 t, mede 11 m de largura e três de altura e ainda emite radiação. Por isso, foi transportado com uma cobertura protetora de aço de quinze centímetros de espessura. É a primeira vez na Alemanha que um reator aposentado é transportado pela ferrovia convencional, o que despertou fortes críticas. O complicado processo de transporte obrigou a reforçar as bases de três pontes.

Fonte: EFE

Sensores suspensos do aquecimento

Thiago Romero

Estudos publicados em revistas científicas internacionais sugerem que plantas epífitas, que não enraizam no solo e se fixam em outras árvores para receber mais luz solar, são especialmente vulneráveis às variações de temperatura e, por isso, poderiam ser utilizadas como importantes indicadores biológicos do aquecimento global.

O potencial foi reforçado por Gerhard Zotz, responsável pelo Laboratório de Ecologia Funcional da Universidade de Oldenburg, na Alemanha, durante a palestra magistral “Flora epífitica e mudanças climáticas globais”, realizada no 58º Congresso Nacional de Botânica, terça-feira (30/10), em São Paulo. O epifitismo ocorre principalmente em florestas tropicais em que a competição por luz e espaço não permite que prosperem sobre o solo algumas espécies, que acabam germinando sobre as árvores. As raízes superficiais das plantas epífitas se espalham pelo ronco e galhos para absorver a matéria orgânica em decomposição. “Alguns trabalhos sinalizam que, se a fisiologia das epífitas for afetada, esse talvez seja o primeiro passo para que o resto da floresta sofra as consequências das mudanças climáticas”, disse Zotz. “As epífitas não só recebem uma carga de radiação solar maior como também ficam mais longe do solo, onde estão nutrientes e água. Mesmo assim, pesquisas recentes destacaram que elas são extremamente sensíveis a umidade e a eventos como a seca”, explicou.

Segundo ele, enquanto as árvores são responsáveis por cerca de 90% da biomassa das florestas tropicais, as epífitas a elas associadas representam aproximadamente 10% do total de plantas vasculares (com raiz, caule e folhas) presentes na biodiversidade mundial. “Por isso, as epífitas afetam diretamente a dinâmica das florestas tropicais no que diz respeito à absorção de nutrientes e à manutenção dos ciclos hidrológicos”, disse. O professor chamou a atenção para a potencial contribuição das plantas epífitas em um sistema de monitoramento de florestas nos países tropicais, de modo que informações sobre o comportamento das epífitas frente às variações climáticas seja colocado em perspectiva nos próximos anos. “Precisamos analisar com mais profundidade a criação de um sistema de alerta ao aquecimento global, principalmente em regiões montanhosas, nas quais as epífitas têm forte impacto sobre o ecossistema. Isso porque a biomassa das epífitas pode ser tão grande que a biomassa das próprias árvores”, disse à Agência FAPESP.

Zotz ressaltou a importância de que mais trabalhos sobre os teores de biomassa nas epífitas e sua contribuição para a medição do aquecimento sejam realizados. “Pesquisadores que já desenvolvem estudos sobre monitoramento climático a longo prazo precisam publicar seus resultados para que a comunidade científica mundial possa ter um melhor entendimento sobre esse assunto”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Conseqüências indesejáveis

Murilo Alves Pereira

Da saúde humana ao meio ambiente, a queima da cana-de-açúcar realizada durante a colheita gera uma série de problemas. Duas pesquisas feitas no Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, relacionaram a queima a problemas respiratórios e quantificaram as emissões de compostos de nitrogênio na atmosfera. O químico Willian Cesar Paterlini, da Unesp, defendeu em sua tese de doutorado a influência das partículas emitidas pela queima da cana-de-açúcar no aumento dos casos de asma e hipertensão na cidade de Araraquara, região central do estado de São Paulo.

Segundo ele, ao mensurar as emissões das queimadas e sobrepô-las aos números de internações por problemas respiratórios, fornecidos pelo Ministério da Saúde, foi possível estimar uma relação de causa e efeito, principalmente no caso da hipertensão. “Em nossas medições, quando houve picos nas emissões de partículas, três dias depois aumentavam também os números de internações por doenças respiratórias”, disse à Agência FAPESP durante o Congresso Brasileiro de Geoquímica, realizado na semana passada em Atibaia (SP). A equipe da Unesp mediu as partículas no período de junho de 2003 a maio de 2004, durante a queima da cana, que ocorre no período seco, e, quando não ocorre a queima, durante a estação chuvosa. Foram considerados três tamanhos de partículas, sendo que as menores são as que mais causam problemas à saúde, devido à facilidade de entrar nas correntes respiratória e sanguínea. Na comparação entre as épocas de queima (junho a outubro) e livre de queima (dezembro a abril) houve um aumento de 131% na quantidade das partículas mais finas no período de queima. A mesma comparação mostrou um aumento de 620% na concentração de potássio nas partículas.

O potássio é utilizado por pesquisadores como indicador de que a partícula é originada na queima da cana. “Nesses períodos também houve um aumento das internações nos hospitais dos casos de asma e hipertensão”, apontou Paterlini. Ele destacou o dia 21 de junho de 2003, quando a concentração das partículas na atmosfera chegou a 74,5 µg/m3 – a concentração máxima recomendada pela Organização Mundial da Saúde é de 10 µg/m3. “Três dias depois, as internações foram as mais altas de todo o período do estudo”, disse. O trabalho pode servir de base para orientar as prefeituras em relação à saúde pública, defendeu o químico. Sabendo quando ocorrem os períodos de queima, seria possível prever o aumento de internação nos hospitais.

Meio ambiente

Outra pesquisa feita na Unesp procurou mostrar que o aumento no número de canaviais, devido aos biocombustíveis, pode gerar graves problemas ao meio ambiente. Além da avaliação da pressão sobre áreas florestais, a intenção da química Cristine Machado foi mensurar a formação e a emissão de compostos de nitrogênio geradas pelo plantio da cana. “Sabemos que para produzir biocombustíveis é preciso gerar matéria-prima. Mas é preciso entender que a queima da cana-de-açúcar e o uso de fertilizantes no plantio podem influenciar o ambiente no entorno das plantações”, disse. As medições realizadas no mesmo local da pesquisa de Paterlini, e durante o mesmo período, levantaram a concentração na atmosfera de monóxido de nitrogênio (NO), dióxido de nitrogênio (NO2) e amônia (NH3). Foi constatado um aumento da concentração de NO e NO2 na estação de seca e no período noturno (quando ocorrem as queimadas). Foram feitas medidas próximas a queimadas controladas para certificar a fonte das emissões. Segundo Cristine, a cidade de Araraquara tem 40% de sua área tomada por plantações de cana-de-açúcar. “Se a pesquisa fosse feita em São Paulo, teríamos outras fontes de emissão.” Em relação à amônia, não houve grande diferença de concentração ao longo do ano.

A equipe estima que o uso de fertilizantes nitrogenados pode ter colaborado com as emissões na época em que não houve queima. “O acúmulo dessas substâncias no solo pode interferir na fotossíntese das plantas e prejudicar a biodiversidade”, disse a pesquisadora. Os compostos de nitrogênio também podem alterar a acidez da água e aumentar a formação do ozônio, um forte oxidante. Para Cristine, antes de apostar nos biocombustíveis, é preciso conhecer todos os aspectos de sua produção e pôr na balança os aspectos negativos da plantação de cana-de-açúcar.

Fonte: Agência Fapesp

Correios lançam selos em homenagem aos zoológicos do Brasil

Animais exóticos são o destaque da série escolhida via enquete popular, à exceção da Arara Vermelha, que representa a região Norte, e a coleção do Parque do Museu Goeldi, o mais antigo zôo nacionalOs zoológicos do Brasil são homenageados na série especial de selos que os Correios colocaram em circulação neste mês de outubro.

A edição é composta por seis selos, sendo que cada um apresenta as espécies mais lembradas nos zôos distribuídos pelas cinco regiões brasileiras: Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-oeste e Sul. A saudável iniciativa que mobilizou a sociedade brasileira em torno destes espaços emblemáticos de educação ambiental é resultado de uma parceria entre os Correios e a Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB). Os animais que compõem a série foram escolhidos por meio da votação popular “Bote o Bicho no Selo”, promovida pelos Correios via Internet. Segundo os Correios, mais de 50 mil pessoas participaram dessa seleção, na qual foram eleitos cinco animais para representar as regiões do Brasil. A sexta espécie que ilustra a série de selos foi proposta pela SZB. Além dos selos, os Correios produziram um cartão postal e uma embalagem temática com mensagens de combate ao tráfico de animais.

Trinta e seis animais foram submetidos à enquete popular é o resultado foi o seguinte: a arara-vermelha-grande foi a mais votada para representar a região Norte, o leão-africano simboliza a região Nordeste, o tigre é o representante escolhido pela região Sul, o elefante-africano foi o preferido pela região Sudeste e a girafa foi a opção da região Centro-Oeste. Dentre os animais sugeridos pela SZB, o chimpanzé foi a espécie apontada pela população para integrar a nova série. Exóticos – Com esta iniciativa, os Correios e SZB reafirmam seu compromisso de preservação dos valores nacionais e do meio ambiente. Mas é importante observar que a votação popular escolheu cinco animais exóticos para representar os zôos brasileiros. A única exceção foi a região Norte, que selecionou a Arara-Vermelha-Grande, animal americano atualmente restrito a Amazônia e que está representado na coleção faunística do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG. Este fato parece revelar que os representantes da fauna nacional ainda não estão na cabeça e na boca do povo brasileiro.

Messias Costa, veterinário do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, ressalta que a natureza está ameaçada em várias partes do planeta e, portanto, deve ser valorizada por toda humanidade. “Porém o resultado da votação Bote o Bicho no Selo demonstra a força da imagem do animal exótico no imaginário da população, visto que a maioria dos animais selecionados para compor os novos selos é de origem africana ou asiática”, interpreta Messias. Costa explica que o animal exótico é aquele que não faz parte do território brasileiro. “A fauna exótica predomina nos zoológicos brasileiros. Percebemos, aqui no Parque do Goeldi, que é um zoobotânico temático sobre a Amazônia, que várias crianças chamam a ariranha de foca e a onça de leão, o que retrata a necessidade de mais investimentos em uma educação ambiental voltada para a realidade do Brasil”, completa. Estimular o interesse da população brasileira pela fauna nacional é uma tarefa do sistema escolar, de zôos, museus, da indústria cultural nacional, da mídia jornalística e do Estado, defende Messias.

Quando perguntado se o resultado da votação na região Norte o surpreendeu, Messias Costa responde: “todos os animais possuem importância única na cadeia da vida. Araras e papagaios exercem grande fascínio em função das cores e dos barulhos que emitem, são animais extremamente comunicativos”. Ele acrescenta que os zôos têm um papel importante na conservação dos ambientes e das espécies nativas, função que já garantiu bons resultados mundo afora. O Coordenador de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, Nelson Sanjad, partilha da mesma opinião. Ele considera excelente a iniciativa dos Correios e da SZB de homenagear os zoológicos brasileiros, “mas seria muito interessante uma votação específica para os animais que ocorrem no Brasil”.

Museu Goeldi

O texto de lançamento da série especial de selos divulgado pela Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB) ressalta o mérito do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emilio Goeldi (MEPG), o mais antigo zôo nacional e que se localiza em Belém, capital do Pará. O Zoobotânico do Museu Goeldi, criado em 1895, constitui-se em uma mostra da fauna e da flora amazônica, um espaço com fins de conservação, educação e lazer para a população. Reconhecido como patrimônio na esfera municipal, estadual e federal, o Parque conta atualmente com uma área de 5,4hectares, onde apresenta além da fauna e flora da região, um expressivo conjunto de prédios históricos, esculturas e ermas de personalidades científicas que se destacaram nos estudos amazônicos. Mais de 250 mil visitantes são recebidos anualmente no Zoobotânico, que também funciona como um laboratório para aulas práticas de biologia. Entre as atrações se inclui o primeiro aquário público aberto no Brasil, além de exemplares botânicos que serviram para descrição científica da espécie, bem como outros elementos da flora e fauna amazônicas típicas e que se encontram ameaçados de extinção como o mogno, a castanheira, o pau-rosa, o peixe-boi, a arara-azul, a ararajuba, o pirarucu e a onça-pintada. Cerca de 2mil espécimes de plantas tropicais convivem com 600 exemplares da fauna amazônica. Atualmente o principal atrativo é uma pujante fauna livre.

São aves, preguiças, cutias, pacas, macacos, répteis e anfíbios, sem contar com os insetos, que estão distribuídos ao longo dos caminhos dessa floresta plantada. Muitos estão camuflados na vegetação. Porém a observação paciente e atenta permitirá ao visitante descobrir muito da beleza e diversidade que o circunda. Zoológicos – Segundo a SZB, o zoológico no Brasil é recente, pois data do final do século XIX, mas, em termos mundiais, um dos primeiros exemplares de zôos surgiu ainda antes de Cristo, no período compreendido entre 2.900 e 2.200 a.C, no antigo Egito. Contudo, nessa época, pensava-se em zoológico apenas como uma reunião de animais. Outras reuniões de várias espécies foram identificadas no decorrer da história, tais como as do rei bíblico Salomão e as do imperador asteca Montezuma, mas foi o zôo de Schönbrunn, na Áustria, construído pelo imperador Francisco I, em 1752, que inaugurou uma nova era conceitual de zoológicos ao prezar pela arquitetura de recintos, paisagismo e manejo de animais. Até então, o zoológico não era aberto à visitação pública. Foi só a partir de 1765 que ele se tornou um espaço de lazer popular. A maioria dos grandes zôos existentes hoje em dia também surgiu no século XIX, assim como o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. São eles: Jacarta (Indonésia), Adelaide (Austrália), Adis Abeba (Etiópia), Nova Iorque (EUA) e Buenos Aires (Argentina).

Fonte: Museu Goeldi

Inpa encerra curso de ‘Manejo Florestal e Monitoramento’

O Laboratório de Manejo Florestal da Coordenação de Pesquisas em Silvicultura Tropical (CPST) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e a Fundação Djalma Batista promovem nesta quarta-feira (31), em Manaus (AM), o encerramento do curso "Manejo Florestal e Monitoramento", coordenado pelo pesquisador da CPST, Niro Higuchi.A atividade foi direcionada a pesquisadores e técnicos de centros e instituições de pesquisas da Colômbia, com o objetivo de aumentar a capacidade de coletar e processar dados necessários para implementar o manejo de florestas nativas. As aulas foram realizadas no Laboratório de Informações Geográficas (Siglab) e na Estação de Silvicultura Tropical, na ZF-2, ambos pertencentes ao Inpa.

Durante o curso, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer sobre: ecologia para o manejo florestal: biodiversidade, dinâmica e sucessão florestal, análise de dimensões e ciclagem de água e nutrientes; estatística para o manejo florestal: organização de dados, medidas descritivas, distribuição amostral da média; manejo florestal: tipos florestais da Amazônia, convenções internacionais, legislações brasileiras, inventário florestal contínuo, alometria e exploração florestal.

Desenvolvido pelo Inpa com o apoio o financeiro da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), o curso é um desdobramento do projeto de longa duração Jacarandá, que tem como objetivo recuperar áreas degradadas da Amazônia. Depois do Brasil, a agência de fomento japonesa está financiando projetos de pesquisas na Colômbia. Como a experiência com o Inpa foi bem sucedida, a Jica convidou o Instituto brasileiro para ministrar o curso.

Serviço

Curso Manejo Florestal e Monitoramento

Dia: quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Local/horário: às 16h, biblioteca do Inpa, em Manaus (AM)

Praia de Icaraí amanhece com sujeira espalhada na areia

Tamara Ferreira

A sujeira em toda extensão da orla de Icaraí incomodou quem pretendia curtir a praia na manhã de ontem. Quem passava pelo calçadão também alertou para os perigos dos materiais encontrados na areia. A moradora Patrícia Damasceno, de 29 anos, pratica esporte na praia diariamente, mas disse não correr mais na areia por causa da sujeira. "Sempre gostei de correr na areia, mas hoje eu só corro no calçadão. Já vi muitas seringas entre os dejetos que cercam a praia. Tenho medo de espetar o pé em uma delas", indignou-se.

A Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin), informou que a coleta de lixo na praia é feita durante 24 horas e que o motivo da sujeira, encontrada ontem pela manhã, seria o lixo flutuante que vem com a maré.

Afogamentos

O final de semana em Niterói e Maricá foi de praias lotadas e muito trabalho para o Corpo de Bombeiros. Em Itaipu, uma pessoa morreu afogada por volta das 18h30min de domingo. Mário César Moratório, de 37 anos, foi socorrido por um helicóptero e levado para a Unidade Municipal Mário Monteiro, em Piratininga, mas não resistiu. Ao todo foram 10 salvamentos, e as principais vítimas são jovens. Mário Moratório foi a única vítima fatal que, segundo o Corpo de Bombeiros, se afogou depois de entrar no mar após ingerir bebidas alcoólicas. O major Aurélio, responsável pelo 4º GMar de Itaipu, informou que a boa condição do mar contribuiu para o baixo número de socorros. Ele disse que os banhistas que abusam do mar, em sua maioria, sabem nadar. "Eles não respeitam as placas que informam sobre correntezas e, por saberem nadar, acabam indo para o fundo". Ainda segundo o major, freqüentar praia não é só lazer, também requer cuidados. O horário de maior incidência de afogamentos é entre 11h e 15h. As causas são diversas, mas se destacam ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, choque térmico devido à exposição ao sol e à água gelada e a falta de precaução, como procurar o salva-vidas para saber das condições marítimas. Segundo o Corpo de Bombeiros, os 31 postos de salva-vidas estão a serviço da população. Praias consideradas perigosas, como Itaipuaçu, Itacoatiara e Ponta Negra, chegam a ter até três postos de atendimento. Nos feriados entram para esta estatística a Lagoa de Itaipu e o canal entre Itaipu e Camboinhas.

Falta de salva-vidas

O vice-presidente da Associação de Moradores do Ingá (Amiga), Márcio Bravo, pediu atenção para as praias das Flechas e da Boa Viagem. "Somente Icaraí tem salva-vidas. Apesar dessas praias serem calmas, nada impede que uma fatalidade aconteça", revoltou-se.

Fonte: O Fluminense

Nova dinâmica

Thiago Romero

Inspirado nas idéias do norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996), um dos mais influentes historiadores e filósofos da ciência, Francisco (Xico) Graziano Neto, secretário de Estado do Meio Ambiente, aponta que “a ciência tende a se tornar conservadora à medida que os pesquisadores constroem paradigmas de pensamento que se perpetuam no tempo e dificilmente são rompidos”. A opinião do secretário foi exposta na palestra de abertura do 58º Congresso Nacional de Botânica, na segunda-feira (29/10), em São Paulo.

Segundo ele, os paradigmas científicos, apesar de surgirem de idéias originais que unem os pesquisadores em torno de uma mesma teoria ou metodologia, também podem limitar, em vez de consolidar o conhecimento. “Com a realização de estudos que criam teorias inovadoras, os paradigmas começam a aprisionar os cientistas. Isso ocorre principalmente quando, nas universidades brasileiras, os paradigmas são transformados em manuais que são utilizados por várias gerações, muitas vezes sem levar em conta a evolução da ciência. Se não tomarmos cuidado, as pesquisas tendem não apenas a ficar conservadoras como também a perder "criatividade", afirmou.

Para Graziano, esse aprisionamento em modelos antigos limita a ousadia dos pesquisadores pela busca de novos saberes em linhas inovadoras. “É claro que temos que considerar teorias que ajudam a sedimentar as pesquisas, mas elas nem sempre levam a novas descobertas”, apontou. Engenheiro agrônomo e ex-professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal (SP), Graziano destacou que, uma vez que os paradigmas científicos estão em constante modificação, encontros como o Congresso Nacional de Botânica “são essenciais para motivar os jovens pesquisadores a descobrir o valor do novo”. A necessidade de rompimento com essa “dinâmica conservadora da ciência”, segundo ele, também é assunto recorrente nos trabalhos de gestores da Secretaria do Meio Ambiente e de membros de institutos de pesquisas a ela vinculados. “Fazer a gestão pública da pesquisa científica é extremamente complexo, uma vez que os governos são temporários enquanto a ciência é permanente”, disse.

Parceria com o Biota

Para incentivar o processo de renovação científica, a secretaria enfocou importantes desafios da atualidade ao traçar quatro grandes temas prioritários para a gestão ambiental do estado, em termos de apoio político e aplicação de recursos financeiros em pesquisas: Mudanças Climáticas Globais, Biodiversidade e Conservação, Recursos Hídricos e Bioprospecção. “Como a ciência deve ter seu valor fundamental independentemente dos governos, essas prioridades não devem impedir o avanço científico de outras áreas ambientais”, disse Graziano. O gerenciamento de estudos nessas quatro áreas do conhecimento integra o “Pesquisa Ambiental”, um dos 21 grandes programas e iniciativas ambientais mantidos pela Secretaria do Meio Ambiente. O programa inclui uma aproximação da secretaria com o programa Biota-FAPESP, que Graziano considera “um dos maiores exemplos em termos de conhecimento para a conservação da biodiversidade paulista”. A parceria deu origem à utilização dos mapas temáticos do programa Biota-FAPESP, pelos pesquisadores da secretaria, em procedimentos de gestão e manejo florestal.

Os mapas foram elaborados a partir de 3.326 espécies vegetais e animais, de modo a subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade. A coleta de dados contou com a participação de 160 pesquisadores de instituições paulistas (para saber mais, clique aqui) “Por meio dessa parceria estamos conseguindo definir as áreas mais frágeis, do ponto de vista da fauna e flora, e as prioritárias para conservação em São Paulo. Esse é um excelente exemplo de interpretação dos resultados de uma ciência inovadora, seja ela básica ou aplicada, em benefício do meio ambiente”, destacou. A 58ª edição do Congresso Nacional de Botânica será realizada até o dia 2 de novembro no Centro de Exposição Imigrantes com o tema “A botânica no Brasil: pesquisa, ensino e políticas públicas ambientais”. O encontro coloca em discussão diferentes temáticas na área por meio de simpósios, mesas-redondas, conferências, minicursos e reuniões-satélites. A promoção é do Instituto de Botânica de São Paulo (Ibot) e da Sociedade Botânica do Brasil.

Entre os destaques internacionais estão as palestras “Epiphytic flora and global climatic changes”, que será proferida nesta terça-feira (30/10) por Gehrard Zotz, da Universidade de Oldenburg, na Alemanha, “Medicinal plants anda metabolomics: a perfect holistic match”, ministrada no dia 31 de outubro por Roobert Vepoort, do Instituto de Biologia de Leiden, na Holanda, e “Mudanças ambientais globais e suas dimensões humanas: impacto sobre as interações humanas com a cobertura vegetal”, no dia 1º de novembro por Emílio Moran, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. A FAPESP abriga em seu estande uma exposição sobre a Flora Fanerogâmica, projeto que envolve mais de 200 pesquisadores que descreveram quase 2 mil espécies fanerógamas (plantas que produzem flores). No dia 1º de novembro será feito o lançamento do quinto volume do livro Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, que reúne informações e ilustrações sobre diversas novas espécies de begônias e cactáceas, entre outras famílias. Mais informações: www.58cnbot.com.br

Fonte: Agência Fapesp

Projeto faz monitoramento de qualidade da água na bacia do Rio Xingu

Cristina Tordin

A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat, Campus de Nova Xavantina, MT) realiza o monitoramento da qualidade das águas das nascentes e dos rios formadores da bacia do Rio Xingu, em Mato Grosso.

O objetivo é acompanhar as variações dos parâmetros de qualidade avaliados, correlacionando-os com outras variáveis, como o uso, a ocupação e a degradação das terras. O trabalho faz parte do projeto “Recuperação de Áreas de Preservação Permanente e Promoção de Boas Práticas Agropecuárias na Bacia do Rio Xingu”, em curso desde 2006, e apoiado com recursos do Fundo Setorial do Agronegócio (CT-Agro) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). É parte também da campanha Y Ikatu Xingu (salve a água boa do Xingu), promovida pelo Instituto Socioambiental (ISA).“A região dos formadores do rio Xingu encontra-se muito vulnerável, levando-se em conta os processos de ocupação ali observados”, salienta o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Ladislau Skorupa, coordenador do projeto pela Embrapa. “São áreas localizadas no entorno do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, e que se encontram sob pressão da expansão das fronteiras agrícola e pecuária, com impactos diretos e indiretos sobre as áreas de preservação permanente (nascentes e matas ciliares) e, consequentemente, sobre a qualidade dos recursos hídricos”.

Ainda, segundo o pesquisador, isso se deve em parte à carência de planejamento da ocupação do solo, uso de áreas inadequadas para agricultura e pecuária, uso de tecnologias inadequadas em sistemas produtivos locais, bem como a carência de informações sobre alternativas tecnológicas. Além do acompanhamento das variáveis físico-químicas, tradicionalmente utilizadas na avaliação da qualidade da água, a equipe também usa bioindicadores. “Nesse caso, esclarece o pesquisador, estão sendo observados os organismos bentônicos, macroinvertebrados que habitam o substrato de fundo de córregos e rios”. “O conhecimento de que esses organismos apresentam maior ou menor sensibilidade às alterações na qualidade da água é a base para o seu uso como bioindicador”, diz Skorupa.

Fonte: Embrapa

Uma incompetência conveniente

Por Aron Belinky*

A revista Veja desta semana (ed.2031, de 24/10/07) dá sua capa para o suposto "triunfo" das idéias ambientalistas pela salvação do planeta. E a própria capa dá pistas sobre o tom da matéria: num cenário de cores apagadas, emoldurando a foto de uma jovem com expressão vazia, vemos a menção aos "poucos (e honestos) cientistas céticos". Na matéria em si, revemos a moça de expressão vazia (será essa a cara de um neo-ecochato? ) e mais uma destacada referência aos cientistas céticos, apresentados como "aqueles que desconfiam das previsões catastrofistas" .

A seguir, num quadro de quase duas páginas, a voz soberana da revista ergue-se para pôr fim à polêmica que divide centenas de cientistas: a Veja julga "quem está certo" e arbitra um placar de 4 a 3 em favor dos "céticos", contra o IPCC**. Entende-se que certos estão os que "acham que sobre os efeitos do aquecimento global não existem dados suficientes para afirmar que serão catastróficos a ponto de pôr em perigo a vida humana na Terra". Os quadros nos rodapés reforçam todo cenário. Para os muitos que lêem só essa parte mais vistosa, fica a mensagem de que os ambientalistas estariam ganhando corações e mentes, surfando uma tsunami de alarmismo criada por eles mesmos e endossada por um tal IPCC, de credibilidade duvidosa. Sem questionar as motivações da revista (entre outras pérolas, a matéria diz que "com a queda do Muro de Berlim, os órfãos do marxismo viram na defesa do ambiente uma forma de desafiar o capitalismo" ) não há dúvida de que ela planta a dúvida e tende a arrefecer a atual escalada de preocupações, focada no aquecimento global.

Mas, contradizendo essa primeira impressão, os próprios dados e depoimentos da matéria revelam que SIM, A CRISE SOCIOAMBIENTAL É URGENTE. As polêmicas retratadas giram basicamente em torno de aspectos metodológicos e da escolha dos focos prioritários para ação, face à reversibilidade, ou não, do atual quadro. Todos dizem que precisamos mudar muito, e muito rápido. Atestam que apenas neutralizar emissões de carbono é pouco. Concordam que precisamos de uma revolução tecnológica e comportamental sem precedentes. Mas só vê isso quem lê atentamente a matéria.

Ao editar de forma tão desastrada assunto de tamanha importância, Veja presta um desserviço aos brasileiros e ao mundo. Combater angústias paralisantes e oferecer visões alternativas é bom e necessário. Mostrar que existem soluções possíveis e que devemos nos preocupar em identificar e implementar sem vacilação as mais promissoras é um passo para um futuro melhor. Mas propositalmente embrulhar tudo isso num pacote desmobilizador e achincalhar um dos mais meritórios avanços das últimas décadas seria um crime. Tomara seja só incompetência.

* Aron Belinky é consultor em Responsabilidade Social e Sustentabilidade e militante em causas socioambientais

Fonte: Envolverde

Veículo de economia de combustível

O primeiro veículo de economia de combustível desenvolvido por alunos da Escola Politécnica estará nas pistas entre os dias 1 e 3 de novembro no Kartódromo de Interlagos em São Paulo, durante a Maratona da Eficiência Energética 2007. Na competição, protótipos de catorze universidades do País tentarão superar o recorde de 599 km/l da etapa de 2006.

O projeto foi desenvolvido pela Equipe POLI/MAPFRE de Milhagem e do Programa de Educação Tutorial Mecânica (PET Mecânica) da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Cultura, e contou com o apoio da MAPFRE Seguros do Brasil. Para obter o menor consumo de gasolina por quilômetro rodado, os alunos basearam-se no conceito de um veículo leve, aerodinâmico e de baixa potência, permitindo assim a utilização racional dos recursos energéticos. A Equipe POLI/MAPFRE de Milhagem é composta por alunos de graduação do curso de Engenharia da Poli.

O projeto tem como objetivo oferecer aos alunos a vivência da engenharia de projeto e manufatura ao longo do curso, desenvolver habilidades como trabalho em grupo, liderança e gestão de projeto e principalmente formar engenheiros com a preocupação e capacidade técnica para abordar o problema da energia e o aquecimento global. Mais informações: (0XX11) 9620-1834 / 3091-9653, com Daniel Toledo (capitão da equipe); e-mail polimilhagem@gmail.com; site www.pme.poli.usp.br/pet

Fonte: Agência USP

Enviados preparam terreno para conferência de Bali

O governo da Indonésia mandará enviados especiais aos cinco continentes para buscar consenso na luta contra o aquecimento global e preparar o terreno para a Convenção das Partes sobre Mudança Climática das Nações Unidas, que será realizada em Bali, em dezembro.
Os emissários indonésios viajarão ao Brasil, entre outros países.

A delegação terá o ex-ministro de Relações Exteriores Ali Alatas e os ex-ministros de Meio Ambiente Emil Salim e Nabiel Makarim. Outras escalas serão Estados Unidos, China, Japão, Austrália, Rússia, Índia, Arábia Saudita e Europa. "Como anfitriões da reunião queremos que o encontro se desenvolva corretamente e que todas as partes tenham uma percepção unida no modo de combater os impactos da mudança climática", declarou o ministro de Meio Ambiente indonésio, Rachmat Witoelar, ao jornal The Jakarta Post. Em meados de novembro, os enviados especiais tentarão se reunir com as mais altas autoridades dos países que visitarem, para discutir formas de evitar o evitar o impacto da mudança climática.

Mais de 10 mil pessoas de todo o mundo deverão assistir ao encontro de Bali, de 3 a 14 de dezembro. A reunião ministerial contará com representantes de cerca de 10 países. O principal objetivo será conseguir um acordo global que prepare uma continuação do Protocolo de Kyoto, que termina em 2012.

Fonte: EFE

Países assinam parceria por um mercado global de carbono

Por Paula Scheidt,

Membros da União Européia (UE), Nova Zelândia, Noruega, os estados norte-americanos de Nova Jersey, Nova York e Califórnia, e províncias canadenses resolveram se unir para criar o primeiro mercado de carbono global com a assinatura ontem da Parceria de Ação Internacional do Carbono (ICAP - International Carbon Action Partnership) em Lisboa.“O mercado de carbono é a forma mais eficiente para reduzir emissões”, afirmou o vice-presidente do Deutsche Bank, Caio Koch-Weser.

A expectativa é de um crescimento de 30 bilhões de dólares em 2006 para 100 bilhões em 2010, segundo Kock-Weser.Atualmente existem vários sistemas de troca de emissões de gases com efeito de estufa, sendo o principal deles o Esquema Europeu. O ICAP foi criado para uniformizar as negociações e, assim, dar uma maior estabilidade ao mercado de carbono global. O primeiro-ministro português, José Sócrates, disse que o comércio de emissões é a forma "mais eficiente" e "mais econômica" de lidar com as mudanças climáticas. "Quanto mais parceiros e mais transações tivermos, melhores resultados iremos obter". Segundo Sócrates, o mercado do carbono vai gerar fluxos financeiros para ajudar os países subdesenvolvidos no combate às alterações climáticas. "A melhor forma de combater o flagelo das mudanças climáticas são os mercados do carbono. Só assim passamos a ter custos para a poluição, o que é o melhor estímulo para a mudança de consciência e inovação tecnológica", afirmou.

O presidente da Comissão Européia (braço executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, classificou o projeto como um "sinal" para países desenvolvidos assumirem a liderança da redução das emissões. "Dar um preço ao carbono é o impulso vital necessário para assegurar um saudável mercado de tecnologias limpas. É uma das prioridades para a inovação, a criação de mercados e a atividade futura", afirmou Durão Barroso.Mais uma vez a recusa do governo Bush em agir com firmeza contra as mudanças climáticas foi criticada. “Estamos desapontados que o nosso governo federal não esteja aqui”, afirmou o governador do estado de Nova Iorque, Eliot Spitzer, adiantando “não ter dúvidas” de que o sucessor de Bush vai ter uma posição diferente sobre o assunto.“Este é talvez o maior desafio global que enfrentamos”, adiantou Spitzer, defendendo que é “uma obrigação moral” tratar do problema das alterações climáticas. "Espero que com a presença dos governadores dos Estados Unidos possamos trabalhar juntos pela criação de um mercado global de emissões".

Alguns governantes que não puderam estar presentes mandaram mensagens em vídeo, como o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que encara o problema dos incêndios florestais. “Só porque não vêem Washington liderar esta questão, não pensem que nós não lutamos”, afirmou.O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também enviou sua vídeo-mensagem manifestando o interesse do seu país em aderir à iniciativa. "Trabalhando juntos, podemos fazer do mercado global do carbono uma realidade", disse.

Com informações de jornais portugueses.

Fonte: (Envolverde/Carbono Brasil)

Noruega doa 17 mi de euros para proteger Amazônia

A Noruega vai dedicar 130 milhões de coroas (17 milhões de euros) à proteção da floresta amazônica, o "pulmão do planeta"(sic), anunciou nesta terça-feira o governo norueguês.

O ministro do meio ambiente e da ajuda ao desenvolvimento, Erik Solheim, anunciou a concessão deste montante, estabelecido há três anos, após um encontro em Oslo com a colega brasileira Marina Silva. "A derrubada das árvores e as queimadas das florestas tropicais são causa importante do efeito estufa, assim como a utilização de produtos derivados do petróleo", estimou Solheim em comunicado. "As ações necessárias de prevenção serão tema importante das próximas negociações sobre o clima em Bali em dezembro", acrescentou, lembrando que o desflorestamento representava hoje 20% das emissões mundiais de CO2.

A conferência de Bali deve, de 3 a 14 de dezembro, traçar um mapa do caminho sobre novas reduções das emissões de gás de efeito estufa - consideradas responsáveis pelo reaquecimento climático - para além de 2012, após expirar a primeira fase do Protocolo de Kyoto.

Fonte: AFP

Juíza proíbe reabertura da Estrada do Colono

A Estrada do Colono, como ficou conhecido o trecho de 18 quilômetros que cortava o Parque Nacional do Iguaçu, deve permanecer fechada definitivamente. A decisão é da juíza federal substituta da Vara Federal Ambiental Agrária e Residual, Pepita Durski Tramontini Mazini. A sentença põe fim a uma polêmica que se arrasta nos tribunais há 21 anos e envolvia o governo do Estado do Paraná, 17 municípios vizinhos ao Parque e o Ibama.

Os municípios defendiam o afastamento da Estrada do Colono. Alegavam motivos econômico e social, pois tornaria mais rápida a ligação entre as cidades de Medianeira e Capanema, no Oeste do Paraná. Mas tal empreendimento é proibido no Parque do Iguaçu em função do que dispõe o seu plano de manejo. Por várias vezes, a estrada foi fechada pelo Ibama após invasões da comunidade local. A última reabertura da estrada ocorreu quatro anos atrás. Mais de 250 pessoas, bem articuladas e organizadas, ocuparam a área que já estava praticamente tomada pela vegetação. Entraram com tratores, derrubaram a vegetação e destruíram a guarita do Ibama. O instituto conseguiu na justiça reaver a posse da área e montou uma operação com 300 homens da Polícia Federal para retomar o controle do parque. A situação foi normalizada uma semana depois, com a retirada dos invasores.

Com a operação, o Ibama conseguiu garantir a integridade do Parque do Iguaçu e evitar a perda do título de Patrimônio Natural Mundial concedido pela Unesco a esta unidade de conservação. A decisão da juíza Pepita Manzini reforça a proteção do parque. Para inibir novas tentativas de ocupações, a juíza fixou “multa diária de R$10 mil para cada município incentivador de uma eventual nova invasão da Estrada do Colono” e determina que a população local respeite a sentença desta ação pública, que foi movida pelo Ministério Público Federal.
Ao Ibama, agora Instituto Chico Mendes, a juíza determina a elaboração de plano de recuperação da área degradada pela Estrada do Colono. Este estudo deverá ser apresentado em juízo no prazo de 120 dias após o trânsito em julgado da ação civil.

Fonte: Ibama

Livro Parques Nacionais da América Latina é lançado hoje em São Paulo

A fotógrafa Luciana Napchan e o ambientalista Walter Behr visitaram oito parques nacionais e o resultado deste trabalho é o registro de modelos notáveis de gestão ambiental, com imagens inesquecíveis que expressam a diversidade de vida do continente latino-americano.

As imagens estão no livro "Parques Nacionais da América Latina", de autoria de Behr em conjunto com a fotógrafa Luciana Napchan, que é lançado hoje (30), às 20 horas no Museu de Arte Moderna (MAM), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo (portão 3).

Fonte: Insituto Chico Mendes

3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul será aberta neste domingo

Evento internacional discute mudanças climáticas, impactos e políticas ambientais

No próximo domingo (04/11), será aberta a III Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul, no Hotel Bourbon (ex-Hotel Blue Tree Ibirapuera), em São Paulo, a partir das 18h. O pesquisador Luiz Gylvan Meira Filho (IEA/USP), um dos brasileiros que mais contribuíram para o IPCC, com participação destacada nas Conferências das Partes da Convenção do Clima pelo governo brasileiro, fará a conferência de abertura do evento.

Durante as solenidades do dia, será inaugurada a Exposição Tecnológica que ocorre simultaneamente à conferência, com a participação de instituições de pesquisa, universidades, sociedade civil e iniciativa privada. O ciclo de palestras e debates iniciam-se no dia seguinte (05/11). Serão quatro dias de apresentações e discussões, cada um deles dedicado a um tema específico.

Na segunda-feira (05/11), o evento, essencialmente científico, abordará o tema “A Ciência das Mudanças Globais”; terça-feira (06/11), ainda sob uma perspectiva científica, mas apontando para questões de natureza política, o assunto será “Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação”. Na quarta-feira (07/11), um debate mais amplo, envolvendo setores público, privado e sociedade civil, sob o tema “Evitando as Mudanças Climáticas”, traz à discussão as políticas públicas em torno do problema e solução para o controle das emissões dos gases do efeito estufa. Por último, na quinta-feira (08/11), estarão em pauta aspectos de política externa relacionados ao Protocolo de Kyoto sob o tema “O Futuro do Regime Climático Global”. A Ciência das Mudanças Globais No primeiro dia de debate, na segunda-feira (05/11), pesquisadores de várias instituições brasileiras e de outros países sul-americano exploram os resultado do último relatório do IPCC, buscando mapear a fronteira do conhecimento sobre mudanças climáticas.

A idéia, segundo o coordenador executivo do evento, o pesquisador Pedro Dias (IAG/USP), atual diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCT), é formar uma agenda científica, que indique os rumos necessários à pesquisa com foco na América do Sul. Os trabalhos neste dia (05/11) serão coordenadores pelos pesquisadores Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) e Jean Pierre Ometto (CENA/USP), ambos do Programa Internacional Geosfera-Biosfera (IGBP). As duas mesas redondas - Confiabilidade e Incertezas nos Resultados do IPCC 2007 e Águas e Mudanças Climáticas – estarão, respectivamente, sob a responsabilidade de Maria Assunção Faus da Silva Dias, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe, e de Carlos Eduardo Morelli Tucci, do Instituto de Pesquisa de Hidráulica (IPH), da UFRGS.

Fonte: INPE

Brasil inaugura estande em Feira de Tecnologia Hídrica em Israel

Um estande brasileiro será inaugurado hoje (30) pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o embaixador do Brasil em Israel, Pedro Motta Pinto Coelho, na Feira Internacional de Tecnologias Hídricas e Controle Ambiental (Watec 2007) em Tel Aviv, capital de Israel. O objetivo da feira é apresentar novas tecnologias no setor de água e meio ambiente que podem ajudar a resolver questões nas áreas de preservação ambiental e controle dos recursos hídricos. Ainda hoje, Geddel Vieira Lima terá encontro com o vice-primeiro ministro e ministro da Indústria, Comércio e Emprego, Eli Yshai. Amanhã (31), o ministro participará de mesa redonda sobre o Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Será no Centro de Convenções de Tel Aviv.Quinta-feira (1º), ele fará uma apresentação durante a 6ª Conferência do Primeiro-Ministro para Exportação e Cooperação Internacional, que terá como tema neste ano A Cooperação Internacional para o Desenvolvimento de Novas Regiões. O ministro vai falar sobre a política de desenvolvimento regional e os novos territórios para investimentos.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Alimento orgânico é melhor para saúde, diz estudo

Alguns tipos de alimentos orgânicos são melhores para a saúde do que os convencionais, de acordo com os resultados preliminares de um estudo financiado pela União Européia.
A pesquisa da Newcastle University, na Grã-Bretanha, vem sendo conduzida há três anos e deve ser concluída em 2008. O estudo indica que legumes e frutas orgânicos contêm até 40% mais antioxidantes do que seus equivalentes não-orgânicos.

O leite orgânico pode conter entre 50% e 80% mais antioxidantes (substâncias que, acredita-se, ajudam a combater câncer e problemas cardíacos) do que o leite normal.
Os resultados também sugerem que os orgânicos contêm menos ácidos graxos trans, considerados nocivos à saúde. Os pesquisadores admitiram, no entanto, que ainda não conseguem explicar as causas dessa diferença. "Os primeiros resultados mostram variações significativas na quantidade de antioxidantes presentes em frutas e legumes orgânicos em comparação com variedades não-orgânicas", disse o responsável pelo estudo, Carlo Leifert.
"O projeto ainda está em andamento e, embora tenhamos alguns resultados encorajadores, ainda há muito trabalho a ser feito", acrescentou.

Os resultados do estudo contrariam a opinião de especialistas que dizem que não há evidência de que o alimento orgânico seja melhor para a saúde. Os cientistas analisaram frutas, legumes e rebanhos orgânicos e não-orgânicos cultivados ou criados lado a lado em vários pontos da Europa, inclusive em uma fazenda próxima à universidade. Trigo, tomate, batata, repolho, cebola e alface orgânicos contêm entre 20 e 40% mais nutrientes do que seus equivalentes não-orgânicos, de acordo com a pesquisa. Leifert diz que os especialistas estão agora tentando entender o que causa as diferenças entre o alimento orgânico e o convencional.

Ou seja, os pesquisadores querem saber o que, na agricultura orgânica, dá um conteúdo nutricional maior e menos substâncias indesejadas ao alimento. O pesquisador afirma esperar que o estudo ajude os fazendeiros que optam pelos produtos orgânicos a melhorar a qualidade de seus alimentos. Os resultados finais devem ser publicados dentro de até 12 meses. A FSA, a entidade britânica que oferece informações e aconselhamento sobre alimentos, diz que ainda não há evidências científicas de que os alimentos orgânicos sejam mais seguros ou contenham mais nutrientes do que os convencionais.

Fonte: BBC Brasil

As crianças são as maiores vítimas do aquecimento global

Aumento de casos de malária, asma e problemas respiratórios seriam alguns dos perigos. Doenças vinculadas à poluição e ao calor podem ser fatais em crianças, diz estudo.

As crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos adversos do aquecimento global sobre a saúde, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira (29).
"As conseqüências diretas antecipadas da mudança climática sobre a saúde incluem danos e morte, produtos do clima extremo e dos desastres naturais, aumento das doenças infecciosas e das doenças vinculadas à poluição do ar e ao calor, potencialmente fatais", afirma o estudo apresentado no congresso anual da Academia de Pediatria dos Estados Unidos. "Em todas essas categorias, as crianças são as mais vulneráveis em relação a outros grupos", indicou.

Os autores do estudo pediram aos pediatras, especialmente nos Estados Unidos, país em que ocorre a maior quantidade de emissões de gases de efeito estufa per capita, que promovam práticas que não danifiquem o meio ambiente. Entre os perigos de saúde associados à mudança climática, que afetariam as crianças, está um aumento de doenças como a malária, asma e problemas respiratórios. O informe também advertiu sobre a escassez de comida devido ao aquecimento global e uma menor disponibilidade de água em regiões como a costa oeste dos Estados Unidos.

Fonte: AFP

Tarso Genro diz que desocupação da Raposa Serra do Sol precisa ser rigorosamente cumprida

Hugo Costa

Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, discutiram nesta segunda-feira (29), em Brasília, ações para solucionar o impasse sobre a desocupação de não índios da reserva indígena Raposa Serra do Sol, no norte de Roraima. Há quase cinco meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu retirar agricultores da área e manter o decreto presidencial que garante 1,74 milhão de hectares para os 18 mil índios da região.De acordo com o ministro Tarso Genro, a área reservada aos índios já foi devidamente demarcada, mas ainda serão necessárias providências para desocupar as áreas sem causar conflitos com a população não indígena. “A avaliação do Ministério da Justiça é de que a decisão [do STF] precisa ser rigorosamente cumprida. É preciso agir de forma mais tranqüila para que se minimizem os conflitos diretos”, disse.

Tarso garantiu que não houve pedido de auxílio das Forças Armadas e também não estabeleceu prazos para a liberação das terras. “Trouxe algumas questões ambientais para o ministro Jobim avaliar. Esse assunto tem importância econômica e repercussão política internacional”, disse o ministro sem entrar em detalhes. O ministro Nelson Jobim não conversou com os jornalistas após a reunião com Tarso Genro. Estima-se que ainda existam sete produtores de arroz na área indígena. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) ofereceu uma área de 24 mil hectares para assentar os agricultores, mas ainda há resistência. Vivem na reserva cerca de 14 mil índios das etnias Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona.

Fonte: Agência Brasil

Secretária do MMA defende gestão integrada para enfrentar acidentes ambientais

Lucia Leão

A secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, abriu nesta segunda-feira (29) o primeiro curso de Gestão Integrada de Riscos Químicos destacando a importância da integração, em todos os setores, para se alcançar os níveis de eficiência desejáveis no enfrentamento dos acidentes ambientais.

Segundo ela, o curso é uma das ações de "revitalização" do P2R2 (Plano Nacional de Prevenção, Preparação e Resposta Rápida a Acidentes Ambientais com Produtos Químicos Perigosos) que, instituído por decreto presidencial em 2004, foi fortalecido, no início do ano, com a reestruturação do Ministério. "Teremos oportunidade de proporcionar aos participantes desse encontro uma visão de conjunto, não só em nível nacional, mas dentro dos seus próprios estados, ao mesmo tempo em que demonstramos que estamos revitalizando o P2R2 dentro do próprio ministério, como decidimos fazer quando da criação da nossa Secretaria", afirmou Thelma Krug.
O diretor do Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria, Rudolf de Noronha, que acompanhou a secretária na saudação aos participantes do curso, reforçou a importância da integração de órgãos e pessoas, nas várias instância do poder, para a implantação efetiva do P2R2. "Estamos apostando alto neste plano, que é um plano de relações. Além da transmissão de conteúdos, estamos proporcionando uma oportunidade para que as pessoas se conheçam e se integrem, que é um pressuposto para o P2R2".

O plano foi elaborado como resposta do governo federal ao acidente ocorrido em Cataguazes, em Minas Gerais, em 29 de março de 2003, quando houve o rompimento de uma barragem de resíduos químicos industriais, que causaram a contaminação dos rios Pomba e Paraíba do Sul. Coordenado pelo MMA, ele envolve a participação de diversos órgãos federais das áreas de meio ambiente, saúde e segurança, além dos órgãos estaduais e municipais e representantes da comunidade. Participam do curso 38 técnicos especialistas nas áreas de emergências ambientais de nove estados (AM, AC, TO, PR, MG, GO, SC, RO e RS), que estão em diferentes estágios de implantação da comissões estaduais de P2R2. Dois deles - Rio Grande do Sul e Tocantins - já instalaram suas comissões. A maior parte dos estados está em fase de articulação enquanto outros ainda apenas se iniciam na organização de mecanismos de prevenção e enfrentamento de acidentes ambientais. Durante a manhã desta segunda-feira (29) os participantes apresentaram um diagnóstico de seus respectivos estados, que, de comum, têm a escassez de recursos financeiros para a aquisição de equipamentos e o treinamento adequado de recursos humanos.
"Esse tipo de evento também é importante para fortalecer politicamente, em nível dos estados, os organismos voltados para prevenção e o enfrentamento dos acidentes ambientais", constatou a coordenadora de Emergências Ambientais do MMA, Mirian de Oliveira.

O curso de Gestão Integrada de Riscos Químicos é uma realização do MMA em parceria com a Cetesb, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, considerada referência no Brasil na área de emergências ambientais. A programação contempla, entre outros temas, o planejamento e a implantação de sistemas de gestão e a apresentação de experiências para debates. O MMA promoverá dois outros cursos e até o final do ano terá reunido e reciclado 120 especialistas de todos os estados brasileiros.

Fonte: MMA

Pesquisadores do Insa participam de evento internacional sobre palma

Aline Guedes

Seis pesquisadores do Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa/MCT) participaram do 6º Congresso Internacional sobre Palma e Cochonilha, realizado na semana passada, em João Pessoa (PB).

Para discutir os diversos usos, melhoramento e o interesse econômico da palma, o evento realizado pela primeira vez no País, reuniu produtores e pesquisadores do Brasil, México, dos Estados Unidos, Chile, Argentina, Peru, Itália, África do Sul, Índia, Israel e da Tunísia.
O pesquisador do Insa, Alberício de Andrade, mostrou aos produtores rurais paraibanos as vantagens econômicas deste tipo de cultivo. Ele disse que a utilização da palma no Brasil e em especial no Nordeste é uma questão cultural, mas que ainda está restrita à alimentação animal. Alberício acredita que com a realização doevento, o preconceito seja quebrado e a planta venha a ser melhor aproveitada na região. Para o pesquisador, a palma é uma planta muito bem adaptada ao Semi-Árido e, devido ao seu potencial, será uma alternativa de renda no Nordeste. "Mais de 80 por cento da palma produzida no México é utilizada para o consumo humano, fabricação de cosméticos, como o dietético, entre outros, e a Paraíba não pode estar fora disso, já que 85% de seu território está inserido no Semi-Árido", contextualizou.

Para os participantes, a palma é a grande alternativa econômica para o pequeno, médio e grande produtor rural do Nordeste brasileiro, não somente como alimento animal, mas também para o consumo humano.

Fonte: Insa

Ibama/PB apreende quatro barcos de pesca no final de semana

No período de 23 a 27 de outubro, a equipe de fiscalização do Ibama/PB, a bordo de uma lancha, realizou uma ação de fiscalização no litoral paraibano. Como resultado desta ação, um barco foi notificado por não portar documentação e os barcos Lucas, Tanha, Deus do Monte e Rogério foram apreendidos por prática da pesca da lagosta de forma ilegal e com equipamentos proibidos.

O fiscal do Ibama, Severino Caetano da Silva, informou que quatro pessoas foram conduzidas à Polícia Federal para prestarem depoimentos, sendo também apreendidos dois compressores, 800 metros de redes de multifilamento tipo caçoeira e outros petrechos. Ao todo, 328 quilos de lagostas foram apreendidos e serão doados a instituições beneficentes. Com relação às multas, estas somaram a importância de R$43.275.

Fonte: Ibama

Aquecimento faz surgir "nova" flora na Groenlândia


O agricultor dinamarquês Hans Gronborg observa sua plantanção de couve-flor: é a primeira vez que esse tipo de vegetal é cultivado na Groenlândia

Algo de estranho está acontecendo à beira da floresta de Poul Bjerge, um lugar tão pequenino e tão inesperado que faz lembrar o pedaço de terra que o pai de Woody Allen leva com ele a todo lugar no filme A Última Noite de Bóris Grushenko.

As quatro árvores mais velhas da pequena floresta - de fato os quatro pinheiros mais velhos da Groenlândia, conhecidos como "árvores de Rosenvinge", em honra do estudioso holandês da botânica que as plantou em uma experiência maluca em 1833 - estão despertando. Depois de caírem a uma velhice confortável e estática, elas estão começando a desenvolver novos ramos verdes nos galhos mais altos, como se alguém tivesse, por brincadeira, colado pinhas novas às árvores envelhecidas. "As árvores velhas estão tendo uma segunda juventude", diz Bjerge, 78 anos, que viu o desenvolvimento, gradual e cheio de reviravoltas, da floresta desde que plantou a maioria das árvores, 50 anos atrás. Ele abriu um largo sorriso, como que de um neto orgulhoso. "Elas voltaram a crescer".

Quando a palavra "crescimento" é usada com relação a alguma coisa localizada na Groenlândia, sempre é bom lembrar que, embora a Groenlândia tenha o tamanho da Europa, a ilha abriga apenas nove florestas de coníferas como a de Bjerge, e todas elas cultivadas.
Existem apenas 51 fazendas na região. (Todas se dedicam à ovinocultura, ainda que um homem esteja tentando criar gado. Ele tem 22 vacas.). Excetuadas as batatas, os únicos vegetais que os moradores da Groenlândia comem - se é que os comem - são importados, principalmente da Dinamarca. Mas agora que o clima está aquecendo, não são apenas as velhas árvores que voltaram a crescer. Um supermercado da ilha este ano está vendendo brócolis, couve-flor e repolhos cultivados localmente, pela primeira vez. Oito dos criadores de ovelhas estão plantando batatas para comércio. Outros cinco estão tentando cultivar legumes.

E Kenneth Hoeg, o principal conselheiro agrícola da região, diz que não existe motivo para que o sul da Groenlândia não possa, um dia, estar repleto de plantações de legumes e de florestas viáveis."Se a temperatura subir, boa parte do sul da Groenlândia seria parecida com isso", disse Hoeg, caminhando por Qanasiassat, que fica a curta de distância de Narsarsuaq, uma minúscula comunidade no sul da ilha notável apenas por abrigar um aeroporto internacional.
A floresta de um hectare localizada aqui perto abriga pinheiros, abetos, lariços e abetos vermelhos importados, em meio a uma paisagem rochosa, em uma encosta não muito íngreme ao lado do fiorde, e surge aos olhos do visitante como uma miragem. "Se a temperatura subir um pouco mais, poderíamos estar falando de uma floresta com potencial de exploração madeireira", afirma Hoeg. Mais ao norte, sob a vasta geleira que recobre a Groenlândia formando uma vasta paisagem branca de 1,8 milhão de quilômetros quadrados que recobre 80% da massa terrestre da ilha, o derretimento vem acontecendo em ritmo acelerado, com repercussões não apenas para o modo de vida tradicional nessa ilha de 56 mil habitantes mas também para o resto do mundo. Quando mais o gelo derreter, maior será a elevação do nível dos oceanos em todo o mundo.

Mas aqui, na região sul da ilha, abaixo do círculo ártico - uma terra de água gelada, montanhas intransponíveis, colinas rochosas, ventos súbitos e comunidades isoladas espalhadas como que ao acaso, quase a contragosto, em meio aos fiordes de acesso ocasionalmente bloqueado por geleiras, as mudanças são mais sutis, e parecem oferecer perspectivas um pouco mais promissoras. "O fator que limita a sobrevivência humana na Groenlândia é a temperatura, e existem muitos benefícios que um clima mais quente poderia oferecer", disse Hoeg. "Estamos na fronteira da agricultura, e alguns graus de temperatura podem fazer a diferença". Hoje província autônoma da Dinamarca, a Groenlândia foi colonizada pelo líder viking Erik, o Vermelho, no século 10, depois que sua violência homicida fez com que ele terminasse expulso da Noruega e da Islândia. Reza a lenda que ele batizou a ilha de Groenlândia (Terra Verde) em um esforço para convencer outras pessoas a se juntarem a ele em seu exílio. E, na época, o nome de fato precedia. Era uma ilha relativamente verde, então, com florestas e terras férteis, e os vikings mantiveram plantações e criaram gado na Groenlândia por centenas de anos. Mas as temperaturas despencaram ferozmente durante a chamada Pequena Era do Gelo, iniciada no século 16, e os colonos de origem nórdica terminaram extintos. A agricultura havia deixado de ser possível na ilha.

O clima é um assunto delicado, em um lugar como esse. Um grau a mais de calor aqui, três centímetros a menos de chuva acolá, podem ter sérias repercussões para o fazendeiro que ganha a vida criando ovelhas em um ambiente tão hostil. Mas embora as temperaturas no sul da ilha tenham caído nos anos 80, elas voltaram a subir desde então. Entre 1961 e 1990, a temperatura média anual foi de 0,5 grau Celsius; em 2006, subiu a 1,6 graus Celsius, de acordo com o Instituto Meteorológico Dinamarquês.

Fonte: The New York Times

Técnicos prevêem metas de poluição para o Brasil

Roberto do Nascimento

Dois especialistas na comercialização de créditos de carbono do Banco ABN Amro Real, considerado um dos mais atuantes em questões ambientais, prevêem que o Brasil e outros países em desenvolvimento poderá ter de adotar algum tipo de meta de redução de gases de efeito estufa já na próxima reunião para tratar o tema, em dezembro, em Bali, na Indonésia

Em contrapartida, acreditam Maurik Jehee e Desiree Hanna, o País poderá ser compensado com a preservação de florestas. O desmatamento é responsável por 75% das emissões de gases que provocam o aquecimento global e mantém o Brasil entre os quatro maiores poluidores do mundo. Para eles, a reunião das partes (chamada de COP13), para debater as normas que vigorarão após 2012, definidas no Protocolo de Kyoto, devem ter atenção especial, depois da premiação do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e do IPCC com o Nobel da Paz. "Talvez seja exagerado falar em impasse, mas é nítido que estamos numa situação em que a grande maioria está esperando que alguém, que não seja ele próprio, mexa-se: os ricos querem que os emergentes, e principalmente países como China, Índia e Brasil, assumam um compromisso de redução da emissão de gases-estufa. Por outro lado, os emergentes cobram maior responsabilidade dos ricos", afirmam.

Para Jehee e Hanna, fica cada vez mais claro que as chances de o Brasil assumir algum tipo de compromisso após 2012 maiores a cada momento. "Entendemos que isto assusta muita gente, mas cria também muitas oportunidades, porque a meta não deve ser tão dura quanto para a Europa, que já assumiu o compromisso de reduzir as emissões em 20% até 2020." O grande passivo ambiental brasileiro decorre do desmatamento e das queimadas e não do setor energético, destacam. "Dessa forma, o País terá muitas oportunidades de atingir as metas e ainda vender as reduções excedentes como créditos de carbono, investindo em ecoeficiência e continuando o caminho das energias renováveis (etanol, biodiesel, PCHs e eólica, por exemplo)."

A possibilidade de ter incentivo econômico para a preservação de áreas florestais deve ser vista como uma ótima alternativa para o Brasil conseguir controlar o desmatamento, podendo aumentar o prestígio internacional e competitividade dos produtos brasileiros, já que os consumidores de todo o mundo estão cada vez mais exigentes em relação à origem e forma de produção de bens, afirmam os especialistas do Real.

Fonte: DiárioNet

PF faz operação de combate à exploração ilegal de ouro no Rio Madeira

Marcela Rebelo

A Polícia Federal (PF) realiza hoje (29) a Operação Iara, no estado de Rondônia, para combater a exploração ilegal de ouro no leito do Rio Madeira. Segundo nota da assessoria da PF, os policiais buscam o flagrante em diversas embarcações que praticam a extração nos garimpos ilegais. Participam da ação 69 policiais federais, sendo 29 da Superintendência de Rondônia e o restante de outros estados. De acordo com a assessoria da PF, a ação criminosa no Rio Madeira já havia sido denunciada por órgãos de fiscalização e por reportagens divulgadas pela imprensa.

Fonte: Agência Brasil

58º Congresso Nacional de Botânica

Durante o 58º Congresso Nacional de Botânica, de 28 de outubro a 2 de novembro, na capital paulista, a FAPESP irá abrigar em seu estande uma exposição sobre a Flora Fanerogâmica, projeto que envolve mais de 200 pesquisadores que descreveram quase 2 mil espécies fanerógamas (plantas que produzem flores).

No dia 1º de novembro haverá ainda o lançamento do quinto volume do livro Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, resultado do projeto temático da FAPESP que deu origem ao programa Biota. A obra, editada pelo Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, com apoio de diversas outras instituições, reúne informações e ilustrações sobre diversas novas espécies. O congresso terá como tema “A botânica no Brasil: pesquisa, ensino e políticas públicas ambientais” e tem o objetivo de discutir diferentes temáticas do campo da botânica por meio de simpósios, mesas-redondas, conferências, minicursos e reuniões-satélites.
A promoção é do Instituto de Botânica de São Paulo (Ibot) e da Sociedade Botânica do Brasil.
Mais informações: www.58cnbot.com.br

Fonte: Agência Fapesp

JB sedia o Workshop on CO2 Geological Storage and Ethics

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, o Collaborative Program on The Ethical Dimensions of Climate Change da Pensylvania State University, a Eco-Ethics International Union, a Petrobras e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro promoverão o Workshop on CO2 Geological Storage an Ethics entre os dias 30 de outubro a 1º de novembro de 2007, na Escola Nacional de Botânica Tropical, Rua Pacheco Leão, 2040, Horto. O evento, que abordará as dimensões éticas de opções tecnológicas para o enfrentamento das mudanças climáticas, será aberto pelo presidente do Jardim Botânico, Liszt Vieira.

A agenda tem como principal foco o conhecimento, as incertezas, os riscos sociais e ambientais e o significado ético do armazenamento geológico de carbono. Ela prevê uma série de apresentações sobre aspectos éticos do sequestro geológico de carbono, justiça distributiva e eqüidade intergeracional, direitos sobre uso e propriedade do solo, incertezas e possíveis impactos da tecnologia, metodologias para avaliação de riscos e papéis dos diferentes atores sociais na regulação e na elaboração de políticas para a reservação de carbono. O evento reunirá técnicos e representantes convidados de diversas organizações de ensino de pesquisa, empresas e sociedade civil. A segunda etapa constará de discussões em grupo, orientadas pelas apresentações, para a elaboração de um documento final sobre os resultados do encontro.

O JBRJ tem como finalidade promover realizar e divulgar pesquisas científicas sobre os recursos florísticos do Brasil, visando o conhecimento e a conservação da biodiversidade, bem como manter as coleções científicas sob sua responsabilidade, em consonância com as diretrizes das políticas nacionais de meio ambiente fixadas pelo Ministério do Meio Ambiente: subsidiar o Ministério do Meio Ambiente na elaboração da Política Nacional de Biodiversidade e de Acesso a Recursos Genéticos. Entre os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade estão: perda e fragmentação dos hábitats; introdução de espécies e doenças exóticas; exploração excessiva de espécies de plantas e animais; uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento; contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes e mudanças climáticas. As inter-relações das causas de perda de biodiversidade com a mudança do clima e o funcionamento dos ecossistemas só agora começam a aparecer. Tanto para a caracterização dos impactos das mudanças climáticas quanto da discussão sobre possíveis soluções, ainda há muitas incertezas.

Devido a grande sinergia existente no meio ambiente, o agravamento do efeito estufa terá reflexos sobre a alteração do regime de chuvas de algumas regiões do planeta, com fortes impactos negativos sobre a biodiversidade e a produção de alimentos. Estudos científicos mostram que alguns biomas serão parcialmente alterados e até mesmo extintos. No caso do Brasil, estima-se que o maior impacto será dado através da alteração do regime de chuvas e da temperatura, com conseqüências diretas sobre a agricultura e a biodiversidade brasileira. A dificuldade em prever as possíveis conseqüências de uma mudança global do clima não pode ser encarada como pretexto para falta de ações ou, ainda pior, para continuar a poluir. É preciso trabalhar com base no “princípio da precaução”, aprovado na Declaração do Rio durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD (Rio-92). Ele estabelece que devemos agir já e de forma preventiva, ao invés de continuarmos acomodados aguardando a confirmação das previsões para então tomar medidas corretivas, em geral caras e ineficazes.

Para o enfrentamento das mudanças climáticas, duas linhas gerais de estratégias vem sendo desenhadas. A primeira se refere à redução de emissões de gases do efeito estufa e a segunda voltada para o desenvolvimento de tecnologias para essa redução e para o sequestro e reservação de carbono. O seqüestro biológico de carbono vem sendo objeto das Convenções e Protocolos de Mudanças Climáticas e da Biodiversidade. Novos instrumentos de ação vem sendo desenvolvidos, especialmente os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo e o Mercado de Créditos de Carbono. O seqüestro geológico de carbono, principal foco do evento, é um tema novo que pressupõe, em princípio, a discussão de seus aspectos éticos, bem como a visualização de interfaces e possibilidades de cooperação entre as diferentes convenções internacionais envolvidas no assunto.

Fonte: Jardim Botânico/RJ

Acordo integra pescadores urbanos e de unidades de conservação

Maria Carolina Ramos

Um total de 19.374 quilos de duas espécies de peixes, pescada e tambaqui, e R$ 31.766 arrecadados. Esse é o resultado da pesca realizada entre os dias 25 de setembro e 5 de outubro deste ano nos lagos do Pantaleão, área de várzea localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA), no médio Solimões (AM).

Mais do que bons resultados, essa pesca – a primeira como conseqüência do Acordo de Pesca do Pantaleão – registra o sucesso do pacto que integra os pescadores profissionais e os que vivem na reserva para garantir o uso sustentável dos recursos do complexo do Pantaleão, área com aproximadamente 16 mil hectares, onde estão distribuídos 23 lagos e 11 ressacas, formando 34 ambientes de pesca de grande potencial. Até o início das negociações, a região era explorada também por pescadores urbanos das cidades do entorno, como Tefé e Alvarães. No entanto, como a área do Pantaleão é situada numa reserva de desenvolvimento sustentável e não havia acordo para o uso por pescadores urbanos, a pesca ficava restrita somente aos seus usuários e moradores, o que era motivo de conflito entre os grupos.

As negociações para uso do Pantaleão começaram em 2004 e a primeira pescaria foi realizada depois de dois anos de preservação total dos lagos, para recuperação dos estoques de peixes. O Acordo teve o apoio do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM/MCT), que auxiliou os participantes com informações técnicas, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Esse último forneceu apoio técnico e recursos financeiros, por meio do Programa de Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (Provárzea). Por intermédio de convênios com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), o IDSM é responsável pela gestão da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, onde está o Pantaleão, e também pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, ambas próximas à cidade de Tefé (AM).

Deduzidas as despesas da operação, o lucro da venda do pescado – cerca de R$ 24.800 – será utilizado para a manutenção do Acordo, mais especificamente para a compra de uma nova construção flutuante, que funcionará como base de vigilância, e para a reforma das três bases de apoio às operações. O valor restante será dividido entre os 38 pescadores que participaram da despesca. Ao todo, 302 pescadores fazem parte das negociações (137 de Tefé, 89 de Alvarães e 76 das comunidades Nova Olinda, São Sebastião do Repartimento, Várzea Alegre, São José e Nova Samaria, pertencentes ao setor São José). Nem todos participaram da primeira pescaria porque estavam envolvidos em outras atividades de pesca. As normas do Acordo de Pesca do Pantaleão foram discutidas durante 11 assembléias. Os principais resultados desses encontros foram a elaboração de um Regimento Interno, prevendo normas como embarcações e aparelhos de pesca permitidos e períodos adequados para a pescaria; o mapeamento participativo, definindo a categoria dos lagos para comercialização, subsistência e preservação, e a implantação de um sistema de fiscalização, realizada a partir das três bases de apoio flutuantes, com rondas diárias de vigilância feita pelos pescadores, divididos em rodízios.

Outro resultado é a adoção do método de contagem de pirarucu, desenvolvido pelo IDSM, e a avaliação do estoque pesqueiro da área por pescadores experientes. As assembléias continuam sendo realizadas, para manutenção do Acordo. O modelo do Acordo, considerado exemplar pelo Provárzea, já está sendo replicado para as áreas da Reserva Mamirauá no setor Aranapu (município de Maraã) e da Floresta Nacional de Tefé nos municípios de Tefé e Alvarães.
Histórico - A possibilidade de realização de acordos de uso sustentável dos recursos da Reserva por moradores do local e de cidades vizinhas é prevista com a criação, em 1996, da primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, a de Mamirauá. Várias tentativas de negociação foram iniciadas naquele ano pelas comunidades da Reserva Amanã e pela Colônia de Pescadores de Tefé (Z-4), mas eram desrespeitadas por invasões contínuas e pela quebra de regras.

As discussões, apesar de terem começado em 2004, tornaram-se efetivas somente em 2005, impulsionadas pelos recursos destinados pelo Subprojeto “Fortalecimento das Organizações de Pescadores da Região do Médio Solimões”, financiados pelo Provárzea (Programa de Manejo dos Recursos Naturais da Várzea), do Ibama. Os recursos, da ordem de R$ 258 mil, foram destinados à manutenção do acordo, possibilitando, por exemplo, a compra de um sistema de comunicação, composto por cinco rádios, interligando as equipes vigilantes localizadas nos flutuantes e as colônias de pescadores. Também custearam as despesas com combustível, frete e alimentação, necessários à realização das reuniões e das assembléias. Os pescadores da Colônia de Tefé também colaboraram financeiramente, com aproximadamente R$ 55 mil, valor utilizado para a compra dos dois flutuantes e pagamentos de contas, entre outras despesas.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Instituto Mamirauá