domingo, 14 de janeiro de 2007

Copasa garantirá abastecimento de água potável às cidades de RJ

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) confirmou que não existe componente químico tóxico nos rejeitos da barragem rompida da mineradora Rio Pomba Cataguases, após análise da água dos rios Muriaé e Fubá, no território de Minas Gerais.
Apesar disto, como o abastecimento de água nas cidades do Rio de Janeiro fica comprometida devido a turbidez do rio Muriaé, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) assegurou que o Governo de Minas fornecerá toda a água potável necessária para os municípios fluminenses atingidos.

Segundo o presidente do Igam, Paulo Teodoro de Carvalho, após o acidente do ano passado, na mesma barragem, foram realizadas diversas análises da água em três estações de monitoramento do lado mineiro do rio Muriaé e em nenhuma delas houve detecção de metais pesados. Uma das estações está localizada na junção do Rio Fubá com o Samambaia, quando formam o Muriaé, a segunda após o município de Muriaé e a terceira, em Patrocínio de Muriaé, na divisa dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Não existem resíduos tóxicos na lama que escorre da barragem. O que resulta de deputação da bauxita é uma lama formada por argila e água. Nós monitoramos durante três meses após o acidente de março do ano passado e, até junho, fizemos análise da possibilidade de ocorrência de contaminantes tóxicos e não encontramos a presença de resíduos. Podemos afirmar que todas essas análises e o monitoramento que ainda a empresa é obrigada a fazer e nos submeter, não há presença de material tóxico procedente da mineração. Se houver qualquer resíduo tóxico acima dos índices legalmente estabelecidos a partir de cidades fluminenses não teve origem no território mineiro”, afirmou Paulo Teodoro.
Monitoramentos da qualidade da água continuam sendo realizados. Ainda nesta sexta-feira, técnicos do Igam e da Fundação Centro Tecnológica de Minas Gerais (Cetec) coletaram, amostras de água para nova análise toxilógica nos rios Fubá e Muriaé. O resultado será concluído dentro de 15 dias. A água foi coletada em pontos estratégicos da bacia hidrográfica nos municípios de Mirai, Muriaé e Patrocínio de Muriaé.

Qualidade da água

O Igam divulgou o resultado das analises da água realizadas em três pontos do rio Muriae: , um logo após o recebimento do rio Fubá, e nos municípios de Lajes de Muriaé e Itaperuna no Estado do Rio Janeiro.
Os resultados indicam alto índice de turbidez na água, ou seja, grande quantidade de areia e argila, entre outros sedimentos, misturados e não dissolvidos na água. No trecho logo após a foz do rio Fubá, o índice de turbidez indicava ontem 71.000 UNT (unidade que mede partículas sólidas na água). Em Lajes de Muriaé (Rio de Janeiro), antes da chegada da mancha de lama, o índice de turbidez era de 833 UNT e em Itaperuna, 800 UNT. O padrão estabelecido pela Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente - Conama 357/05 não deve ultrapassar 100 UNT em rios do porte do Rio Muriaé.
“Foi um índice muito difícil de ser medido, pois a amostra teve que ser diluída 1.000 vezes para se chegar a esse índice. Na região do Rio de Janeiro, que era a nossa preocupação, nós começamos a medir, antes da chegada da mancha. Em Itaperuna, nós obtivemos 800 unidades para o máximo permitido de 100. E para surpresa nossa, na primeira medição que nós fizemos no dia seguinte, ela passou para 600. É sinal que a diluição que está havendo, pelas intensas chuvas que estão caindo, estão nos favorecendo em relação à qualidade da água”, explicou Paulo Teodoro.

Abastecimento garantido

Segundo Teodoro, a estação de Lajes do Muriaé, por exemplo, que é o primeiro município afetado no Estado do Rio, tem capacidade de tratar até 1.100 UNT. Apesar de o levantamento estar abaixo de 1.100 UNT, o Igam recomendou a suspensão da captação de água do município. Nesta sexta-feira, o presidente da Copasa, Márcio Nunes, em reunião com o presidente da Companhia de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), Wagner Victer, assegurou que o Governo de Minas fornecerá toda a água necessária para os municípios até a regularização da capacitação no rio Muriaé, atingido pelo rompimento de barragem.
O abastecimento, nesse momento, está sendo feito por carro-pipa. A Copasa disponibilizou 38 caminhões para o município de Lajes do Muriáe e mais 140 mil copinhos de água mineral. A água para consumo humano está sendo captada em Eugenópolis e Patrocínio de Muriaé, cidades operadas pela Copasa.

Fonte: Feam

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