segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Novos focos de gripe aviária na Ásia deixam 4 mortos na Indonésia

Focos da doença ressurgem em outras nações asiáticas. O número de vítimas fatais na Indonésia já chegou a 61.

As esperanças do governo da Indonésia de que 2007 fosse um ano sem gripe aviária foram derrubados rapidamente. Quatro pessoas morreram no país na primeira quinzena do ano, enquanto focos da doença ressurgem em outras nações asiáticas. A inexistência de novos casos de contágio do vírus em humanos na Indonésia no último mês de 2006 fez aumentar as esperanças de que o novo ano ficasse livre da pandemia, mas, em apenas duas semanas, novos casos de gripe aviária voltaram a ocorrer na Ásia. O número de vítimas fatais na Indonésia já chegou a 61, com a morte de quatro pessoas em apenas uma semana, três mulheres e um adolescente que morreram no hospital Persahabatan, em Jacarta, onde a sala especial para gripe aviária está lotada, com outros oito pacientes que mostraram sintomas da doença. A ministra da Saúde indonésia, Siti Fadilah Supari, declarou oficialmente um novo foco da doença no país, e pediu que os criadores não mantenham aves nas zonas afetadas.

Focos da doença

A Indonésia é o país do mundo mais atingido pela doença, com 61 mortos do total de 161 vítimas, e 80 humanos infectados dos 265 registrados desde o aparecimento da gripe aviária, no final de 2003. Além da Indonésia, a doença parece também ressurgir em outros países da região, como no Vietnã, o segundo país mais afetado, onde a gripe aviária estendeu-se a uma quarta província -Kien Giang-, com 70 patos de duas fazendas ilegais mortos por causa do "H5N1", a cepa mais mortífera do vírus. Na semana passada, a Coréia do Sul também confirmou o décimo caso humano de infecção com gripe aviária, enquanto Pequim anunciou que um agricultor da província oriental de Anhui tinha contraído em dezembro a variante "H5N1", o primeiro caso em humanos registrado na China em seis meses. Um novo foco de gripe aviária também foi detectado em criações de patos do norte da Tailândia, onde o vírus não aparecia há seis meses, afirmou nesta segunda-feira (15) o Ministério da Agricultura tailandês. O vírus da cepa "H5N1" foi confirmado em exames feitos em alguns dos cerca de cem patos encontrados mortos em fazendas de um distrito da província de Phitsanulok. Também há mais notícias em Hong Kong, onde em 4 de janeiro informou-se sobre o surgimento do primeiro caso de vírus de gripe aviária em três anos, em um ave encontrada morta que estava infectada pela cepa "H5", menos perigosa que a "H5N1". A cepa "H5" também colocou em alerta as autoridades sanitárias de Tóquio, depois da confirmação na sexta-feira da morte de 250 frangos na província japonesa de Miyazaki.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lembrou que a gripe aviária tem um padrão estacional e que o vírus torna-se mais ativo quando faz frio, o que explicaria o ressurgimento em alguns países, mas não é uma explicação válida para a Indonésia, onde a temperatura está estável em torno dos 25 graus.

O diretor-geral de Doenças do Ministério da Saúde indonésio, Nyoman Kandun, atribuiu os últimos casos à influência da temporada de chuvas e à época migratória, que poderiam colaborar para o aumento do número de casos no país nos próximos meses. AcusaçõesVárias pessoas acusam as autoridades de negligência e falta de coordenação entre os diferentes órgãos envolvidos na gestão da crise. O jornal "The Point" acusava o governo em seu editorial desta segunda-feira por não ter veiculado propagandas na televisão prevenindo sobre a doença até o final do ano passado, e afirmava que as pessoas ainda não estão conscientes dos riscos da criação de frangos nas casas, prática comum no país, e que são muitos os que não sabem o que se deve fazer quando detectam aves doentes ou mortas. "A Indonésia corre o risco de transformar-se no centro de uma pandemia de gripe aviária", advertia o jornal, que pedia as autoridades a conduzir o problema de forma mais eficaz.
O jornal "The Jakarta Post" acusava nesta segunda-feira as autoridades de Java Oriental de "lentidão" para reagir frente ao problema. Java Oriental é a região do país onde foi registrado o maior número de casos em aves, e garantia que a luta contra a gripe aviária não está entre as prioridades da Administração. Enquanto isso, os governos da China e do Japão ofereceram à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) ajuda para combater a gripe aviária. "Atualmente, a prioridade deveria ser prevenir a transmissão da gripe aviária aos humanos", disse o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, nesta segunda-feira, durante seu discurso na II Cúpula da Ásia Oriental, realizada na cidade filipina de Cebu, cerca de 600 quilômetros ao sudeste de Manila. "Devemos aumentar a cooperação em tecnologia, formação de pessoal, troca de informações, pesquisa e desenvolvimento de vacinas e na prevenção e controle de transmissões transnacionais", disse Jiabao, que afirmou que China "leva a prevenção e o controle da gripe aviária a sério".

Fonte: Globo.com

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