Pesquisadores do Projeto RioGene finalizaram o seqüenciamento do código genético da bactéria Gluconacetobacter diazotrophicus, uma bactéria endofítica (coloniza o interior dos tecidos da planta). A G. diazotrophicus foi isolada pela primeira vez por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (Seropédica), liderados por Johanna Döbereiner, em 1988.
A pesquisa, desenvolvida desde 2001 e que custou R$ 4,82 milhões, foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), pela Faperj/Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro, e teve a participação da Embrapa Agrobiologia e das universidades UFRJ, UERJ, UENF, UFRRJ e PUC-RIO, além do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCT). Presente em culturas como a cana-de-açúcar, batata-doce, abacaxi e capim elefante, a bactéria é essencial para o crescimento dessas espécies vegetais porque é uma das principais responsáveis pelo processo denominado "fixação biológica de nitrogênio" (FBN), em que o elemento é retirado da atmosfera e transferido para as plantas. A bactéria produz, ainda, hormônios vegetais que atuam promovendo o aumento da área do sistema radicular (raízes) e, consequentemente, ampliam a capacidade de absorção de alguns nutrientes essenciais do solo.
O Projeto RioGene permitiu a criação de infra-estrutura para seqüenciamento em diversos laboratórios, assim como promoveu a formação de 14 docentes/pesquisadores. O Riogene foi coordenado pelo pesquisador José Ivo Baldani, da Embrapa Agrobiologia, e Paulo Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ambos bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq. José Ivo Baldani, atual chefe-geral da Embrapa Agrobiologia, observa que a bactéria também atua como agente de controle biológico ao inibir o desenvolvimento de outras bactérias que reduzem os níveis de sacarose da cana. "A partir do seqüenciamento estamos avaliando todas as funções da bactéria e a possibilidade de utilizá-la também em outras plantas de interesse econômico como arroz, sorgo, milho e trigo", afirma. Além disso, cerca de 40% dos genes presentes no genoma da bactéria ainda são desconhecidos e representam um vasto potencial para exploração. Conforme o pesquisador, a Embrapa agora vai desenvolver alterações no genoma da bactéria para potencializar a sua capacidade de trazer benefícios às plantas. Com o melhoramento genético, ela poderá ser usada como adubo natural, reduzindo em até 30% o uso de fertilizantes nitrogenados, e os pesquisadores já estudam técnicas para inocular a bactéria em mudas e toletes (usados para replantio da cana nas lavouras).A tecnologia deve chegar ao mercado em cinco anos e a economia com o novo produto poderá chegar a R$ 59 milhões anuais somente na cultura da cana, considerando uma área de 6 milhões hectares já cultivada com cana-de-açúcar no Brasil. Além disso, a diminuição no uso de adubos químicos trará benefícios ao meio ambiente pois parte do adubo nitrogenado atualmente aplicado na agricultura é lixiviado para o lençol freático, contaminando rios e lagos.
Fonte: Cnpq
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