domingo, 9 de setembro de 2007

Assoreamento ameaça porto

Thaís Dias

O Porto de Niterói, atualmente com o maior percentual de movimentação de cargas no Estado do Rio de Janeiro, está focado em políticas ambientais para ampliar o desenvolvimento e garantir que o progresso seja seguro. Mas ainda há muitas barreiras a serem superadas. A entrada da Enseada de São Lourenço está voltando a sofrer com assoreamento. E os problemas não param por aí. O mar no local está recebendo esgoto in natura e uma embarcação, segundo a gerência da unidade portuária, pode se transformar em foco de doenças.

Um dos problemas mais preocupantes para a administração do Porto de Niterói é o assoreamento da entrada da Enseada de São Lourenço. A área passou por uma dragagem em 2006, após ficar 25 anos sem manutenção. A profundidade passou de 4,5 metros para 7,5 metros. As melhorias foram efetuadas para garantir o acesso de grandes embarcações ao canal, à bacia de evolução e ao cais. A reforma possibilita a atracação de navios de até sete metros de calado e com 220 metros de comprimento. Mas o investimento de R$ 6,5 milhões do Governo Federal pode ser perdido, segundo o gerente da unidade portuária, Jorge Augusto. "O assoreamento da área é visível e preocupante. Além de prejudicar o meio ambiente, o acúmulo de resíduos provenientes do canal da Alameda São Boaventura, no Fonseca, pode, com o tempo, limitar o acesso de embarcações. É um retrocesso e uma perda de dinheiro. Já estamos entrando em contato com a Prefeitura de Niterói e com o Governo federal para negociar providências para minimizar o problema", ressaltou Augusto, que pedirá ao Poder Público uma nova dragagem da área.

O Instituo Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) está realizando, a pedido da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói, um estudo sobre o canal da Alameda São Boaventura para definir as estratégias de ação para evitar o assoreamento. O pedido do Governo municipal foi feito na gestão do atual deputado estadual Rodrigo Neves (PT), quando ainda estava à frente da Pasta. De acordo com a assessoria de comunicação do INPH, o projeto ainda está em análise, assim como a proposta do aumento da profundidade na região para 10 metros. O Instituto comunicou ainda que a demora na análise dos tópicos acontece devido a mudanças na administração do órgão.

Esgoto

As águas calmas da Enseada de São Lourenço estão cada vez mais contaminadas pela poluição proveniente do esgoto in natura jogado no mar. De acordo com o gerente do Porto de Niterói, o problema se estende desde a inauguração da unidade em março de 2006. "Dentro das políticas de preservação ambiental, estamos investindo em parceria com a Águas de Niterói, no desvio desse esgoto para a Estação de Toque-Toque, no Centro. A direção da concessionária nos comunicou, em uma reunião este mês, que já está comprando os materiais para iniciar as obras", explicou Augusto.

Interferência

Nas proximidades do Porto de Niterói há navios de grande porte atracados em estaleiros da região. Segundo a gerência da unidade portuária, uma embarcação de grande porte está no local há alguns anos e pode comprometer o meio ambiente com a liberação de resíduos na água ou se tornando foco de doenças. O FLUMINENSE procurou a direção do Estaleiro Cassinu, onde está atracado o navio Heráclito Dantas, a qual informou que a empresa H. Dantas Navegações aluga o espaço. O gerente da firma responsável pela embarcação, Julio César de Andrade, informou que a estrutura passará por reformas em breve e garantiu que a mesma é submetida a vistorias constantes.

Movimentação de cargas cresceu 64%

O Porto de Niterói deu um salto na movimentação de cargas no primeiro semestre. O crescimento foi de 64%. Segundo a Companhia Docas do Rio de Janeiro, foi o maior percentual entre os quatro portos fluminenses administrados pela companhia – os outros são Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Itaguaí. Nesse período, foram movimentadas 27.796 toneladas contra 16.935 registradas nos primeiros seis meses de 2006. A administração portuária ressaltou que até o último trimestre do ano haverá um aumento de 45% das atividades desenvolvidas pelos funcionários. O quadro hoje é composto por 43 profissionais, podendo chegar até 75 no final do ano. A perspectiva de crescimento do Porto de Niterói foi superada. Os quatro portos fluminenses movimentaram juntos 21 milhões de toneladas no primeiro semestre, o que significa aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção da Companhia Docas é de que os portos fluminenses, em 2009, deverão atingir a meta de 100 milhões de toneladas anuais. A Nitlog investiu, no ano passado, R$ 4 milhões na compra de um terreno de 150 mil metros quadrados em Guaxindiba, São Gonçalo, para instalação de uma área de suporte ao funcionamento da estrutura portuária niteroiense. No local, serão construídos galpões, um porto seco, área de alfandegamento e espaços para reparos de equipamentos. As obras estavam previstas para começar no ano passado e terminar em fevereiro deste ano, mas, devido a algumas ações estratégicas da empresa, as intervenções foram adiadas para outubro com previsão de término em sete meses.

Reabertura

Em 23 de março de 2006, o Porto de Niterói foi reinaugurado. Foram investidos mais de R$ 20 milhões nas obras de revitalização, dragagem, equipamentos, tecnologia e sistema de eletricidade.

Fonte: O Fluminense

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