segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Brasil participará de reuniões sobre mudanças climáticas

Depois de enviar representantes à conferência prévia da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças do clima em Viena (Áustria) e sediar um encontro internacional para discutir ações globais de desenvolvimento sustentável, o Brasil participará no fim do mês, nos Estados Unidos (EUA), de duas reuniões da agenda ambiental do planeta.
São elas: uma reunião de alto nível da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York nos dias 27 e 28 e um encontro convocado pelo presidente dos EUA, George W. Bush, em Washington no dia 24.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmou o envio de um representante brasileiro, o diplomata Everton Vargas, à reunião de Bush, mas não comentou se a convocação indica uma possível mudança de postura do presidente norte-americano em relação à preocupação global com o aquecimento. Apesar de serem responsáveis por cerca de 35% das emissões de gases de efeito estufa do planeta, os EUA não ratificaram o Protocolo de Quioto e não têm metas de redução. Na reunião da ONU, o governo brasileiro anunciou que vai defender a criação de um organismo internacional nas Nações Unidas para o meio ambiente, nos moldes de estruturas como a Organização das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco).

A proposta brasileira, lançada durante a reunião no Rio de Janeiro, prevê uma organização "guarda-chuva", que teria função coordenadora das decisões globais sobre meio ambiente. O diretor do departamento de Meio Ambiente e Políticas Especiais do Itamaraty, ministro Luiz Alberto Figueiredo, disse que a instalação de um organismo da ONU para as causas ambientais é uma demanda mundial, mas, ao contrário de propostas de outros países, a sugestão brasileira, "mais conciliadora", defende a manutenção da estrutura já existente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). "Ele seria mantido e fortalecido como agência ambiental, com aspectos importantes voltados para ajuda aos países na implementação de suas políticas ambientais, cooperação técnica e treinamento de pessoal", enumerou. Figueiredo prevê que a discussão se estenderá para a reunião das Nações Unidas em 2008, quando a organização deverá decidir, ou não, pela criação da nova estrutura para as questões ambientais. "Além de concentrar as decisões que hoje são mais pulverizadas em centenas de grupos na ONU esse organismo aumentaria a integração da questão ambiental na discussão do desenvolvimento sustentável", aponta.

Mais incisivo, o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo, um dos quatro brasileiros no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), defende a criação de duas novas organizações na ONU: uma para questões ambientais e outra exclusivamente para as mudanças climáticas: " Já passamos do ponto crítico, é preciso uma rápida atuação global para frear os problemas".

Fonte: Agência Brasil

Nenhum comentário: