domingo, 9 de setembro de 2007

Líderes do Apec fazem apelo em favor do clima

Os líderes do APEC - foro que inclui os maiores contaminantes do mundo - emitiram uma declaração com relação ao aquecimento global, o que não significa que eles assinarão compromissos para reverter a situação.

Os funcionários encarregados da redação do documento assinado pelos líderes encontraram um difícil consenso para a declaração final sobre o clima, que não contém objetivos obrigatórios. O documento de seis páginas se contenta em mencionar uma "vontade" de reduzir até 2030, 25% da intensidade energética (medida calculada pelo informe do consumo de emergia e de produção) das 21 economias. O texto também afirma que a ONU deve ser responsável pela negociação sobre o tema. Desde o início da semana, ficou claro que havia duas posições com relação ao tema. Austrália e Estados Unidos defendem uma abordagem que exija dos países em desenvolvimento - como a China - maiores esforços e se mostram dispostos a negociações se elas se derem à margem do que propunha o protocolo de Kyoto, o principal tratado internacional sobre meio ambiente, que expira em 2012.

Por outro lado, a China lidera um bloco de países que considera que as Nações Unidas são as responsáveis por liderar as negociações sobre mudança climática. A ONU organiza para dezembro uma grande reunião sobre o tema em Bali, na Indonésia, para se elaborar um tratado que substitua o de Kyoto sobre gases contaminantes. A Austrália tinha incluído a mudança climática como um dos principais temas do encontro de chefes de Estado da APEC. Mas desde a semana passada, o primeiro-ministro John Howard tinha advertido que nenhum compromisso vinculante seria adotado com relação aos gases que produzem o efeito estufa. "Enfatizamos muito a necessidade de que as mudanças climáticas fossem a chave deste encontro", afirmou neste sábado o chanceler australiano, Alexander Downer, que admitiu que as discussões foram difíceis devido à quantidade de matizes e à complexidade do tema.

Entre os pontos mais importantes do documento, está o pedido para que os Estados-membros "trabalhem pela meta desejada de reduzir a intensidade de energia em, pelo menos, 25% até 2030" e reconhece o papel de liderança da ONU neste trabalho. Além disso, o documento autoriza países membros a seguirem suas próprias estratégias. Lideradas pela China, as nações emergentes apontam para a necessidade de moderar a atividade industrial de forma balanceada para que milhões de pessoas saiam da pobreza. Por último, o documento indica uma aspiração de que se incremente o reflorestamento na zona APEC, com o plantio de, pelo menos, 20 milhões de hectares até 2020.

O texto foi qualificado por Howard como "um grande passo". A ministra de comércio peruana, Mercedes Aráoz, afirmou neste sábado que a questão climática era crucial para seu país devido às deficiências no abastecimento de água. Disse ainda que seu governo apóia firmemente a idéia de que os acordos sobre clima aconteçam na esfera da ONU.

Fonte: AFP

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