O ordenamento agroambiental das áreas de afloramento do Aqüífero Guarani no Brasil, seus conceitos e aplicações foi apresentado na II Jornada Aqüífero Guarani, em Bauru, SP, pelo pesquisador Marco Antonio Gomes, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 23 de agosto de 2007.
Gomes explica que a proposta de ordenamento agroambiental nada mais é do que o uso e a ocupação racional do espaço agrícola a partir da integração entre Boas Práticas Agrícolas e alguns conceitos ecológicos, considerando os princípios de sustentabilidade. “Resulta da integração de informações de Geologia e de solos, de acordo com as suas classes, aptidão agrícola, vulnerabilidade natural e exposição ao risco de contaminação do lençol freático”, afirma Gomes. “Assim - complementa o pesquisador - a proposta considera a adoção de sistemas integrados de produção agrícola como meio de redução de entrada de insumos, além de obedecer conceitos ecológicos e de cobertura vegetal preconizados pelo Código Florestal Brasileiro”.
Como áreas de estudo para implantação dessa proposta de ordenamento, foram adotadas a microbacia do córrego Espraiado, com 4.130 hectares, localizada na região de Ribeirão Preto, SP, e uma porção de área com 50 mil hectares, representativa das nascentes do rio Araguaia-GO, MT, denominada por Gomes de “Domínio da Depressão do Araguaia”. Este encontro teve como objetivos a troca de idéias e experiências entre as instituições que trabalham como o Aqüífero Guarani, para subsidiar a melhor forma de utilização desse manancial de água subterrânea, a ampliação da informação sobre a importância do aqüífero, a apresentação dos resultados parciais do projeto “Proteção ambiental e desenvolvimento sustentável do Aqüífero Guarani” e, ainda, a apresentação de uma proposta de envolvimento dos 16 comitês de bacias hidrográficas paulistas nas iniciativas de sua utilização e proteção. Este projeto é uma iniciativa conjunta da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, do Fundo para o Meio Ambiente Mundial e da OEA na elaboração de estudos para a implantação coordenada de uma estrutura técnica e institucional para a proteção e gestão do Aqüífero Guarani. Segue diretrizes básicas, como consolidar o conhecimento sobre a estrutura e o funcionamento hidráulico do aqüífero; estabelecer um sistema de gestão descentralizado e participativo, reunindo os órgãos públicos, os usuários e a sociedade civil organizada; fomentar a participação pública, a educação ambiental e a comunicação social para garantir as reservas de água subterrânea para as atuais e futuras gerações.
O período de execução é de 5 anos e encerra-se em 2008. Segundo Gomes, em cada país foi estruturada uma Unidade Nacional. “No Brasil, além disso, foram também organizadas Unidades Estaduais de execução do projeto nos oito Estados por onde passa o aqüífero: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, diz. A necessidade de integração das diversas instituições que trabalham com o aqüífero e da sistematização das informações já levantadas em um banco de dados que possam ser acessadas por elas e a elaboração conjunta de um plano de Gestão Preliminar a partir dessas informações e conhecimentos foram as conclusões do encontro, salienta o pesquisador.
Fonte: Embrapa
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