Maria Lúcia Morais
Elas são minúsculas, têm de 1 a 3 milímetros de comprimento, estão espalhadas pelo mundo e têm muito a nos ensinar sobre diversidade de espécies. Essas são algumas das observações sobre as aranhas da família Oonopidae, mais conhecidas como "goblin spider". Elas são alvo de um dos mais ambiciosos projetos de sistemática de animais já realizado no planeta.
Financiado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), o Inventário Planetário de Biodiversidade de Aranhas Oonopidae tem como missão identificar o maior número possível de espécies de aranhas dessa família, que apresenta uma distribuição mundial, mas ainda é pouco conhecida pelos cientistas. Até hoje, 459 espécies já foram descritas, mas estima-se que, pelo menos, cinco mil espécies pertençam a esse grupo megadiverso. No Brasil participam do projeto o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), em Belém (PA), e o Instituto Butantan, de São Paulo (SP), que coordena o trabalho no País. À equipe do MPEG cabe inventariar os gêneros Neoxyphinus, Hytanis, Simoonops e Decuana, quatro grupos biológicos que apresentam distribuição neo-tropical. "Nossa meta é avançar no conhecimento taxonômico desse grupo biológico, que é abundante, mas pouco conhecido da ciência", explica Alexandre Bonaldo, que coordena os estudos no Goeldi. Segundo ele, as "goblin spiders" se adaptam a diversos ambientes, habitando desde o solo até o topo das árvores.
O projeto se vale de tecnologia de ponta para padronizar o processo de descrição das espécies estudadas. A descrição é feita diretamente na página do site do projeto, onde, apenas os pesquisadores envolvidos têm acesso a um banco de dados que armazena as informações geradas pela pesquisa. Também é desenvolvido um software específico para a identificação automática das espécies descritas. "Uma das vantagens desse projeto é que a sua estrutura permite aos pesquisadores conhecer melhor os gêneros que têm uma distribuição ampla. Temos também um maior acesso a informações biogeográficas por meio desse sistema", explica Bonaldo. Além de contribuir para um melhor gerenciamento de áreas e da ecologia das comunidades estudadas, o conhecimento gerado também pode ser empregado em inventários ecológicos.
O Inventário mundial é coordenado pelo pesquisador Norman Platnick, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, e está orçado em US$ 2,5 milhões e tem duração prevista para cinco anos. Um das metas é identificar outras espécies da família Oonopidae, por meio do estudo taxonômico de espécimes de aranhas pertencentes a coleções de instituições científicas de várias partes do mundo. Também serão realizadas expedições para coleta de exemplares na África do Sul, Madagascar, Sri Lanka, Índia e China. A ação já envolve 18 instituições de pesquisa de dez países e um total de 36 especialistas em taxonomia e sistemática de aranhas. Outro objetivo é tentar compreender a evolução filogenética da família Oonopidae, cuja distribuição geográfica atual é reflexo de um passado quando os Continentes estavam unidos. A hipótese defendida pelos cientistas é a de que a família tenha surgido quando as massas continentais formavam um supercontinente denominado Pangea, que existiu até 200 milhões de anos, na era Mesozóica.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Museu Goeldi
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