O Conselho de Educação Primária do Uruguai resolveu que apenas os professores poderão educar sobre o reflorestamento e o cuidado com o meio ambiente. A decisão foi tomada logo após as autoridades uruguaias terem questionado a qualidade de um material utilizado pelas escolas e não terem autorizado um concurso organizado pela Fundação Botnia, em Fray Bentos, onde a empresa finlandesa constrói uma fábrica de celulose.
A diretora-geral do Conselho, Edith Moraes, disse à agência Ansa que o material intitulado O reflorestamento me importa um montão, que a Fundação Botnia distribuiu em escolas dos departamentos de Rio Negro, onde se encontra Fray Bentos, e Paysandú, litoral uruguaio, "não se enquadrava com a educação ambiental". A funcionária indicou que "o reflorestamento está no programa escolar e é tratado nos conteúdos sobre paisagem com intervenções do homem", também afirmou que "estes temas devem ser abordados pelos professores, que exclusivamente estão autorizados a desenvolver os programas".
A Fundação Botnia contratou a empresa Aprendijuegos para elaborar os materiais e organizar atividades e um concurso referente ao tema do reflorestamento. "Não autorizamos que os programas sejam conduzidos por outras pessoas" que não os professores, ressaltou Moraes. Ela apontou que "o que se quer desenvolver nas crianças é o cuidado com o meio ambiente e ali não aparecem referências a este ponto, mas sim informações técnicas sobre reflorestamento, bosques e sementes, entre outros aspectos". Moraes disse que os professores deverão dar informações objetivas sobre os prós e contras do reflorestamento e quais são "as preocupações e cautelas para o cuidado com o meio ambiente".
Ele ressaltou também que "a direção deverá estudar os materiais e ver se eles se enquadram nos princípios educativos" mencionados, ao mesmo tempo em que esclareceu que "não estamos a favor nem contra a Botnia e não podemos tomar posição, somente dar às crianças informações objetivas". Com relação ao concurso, Moraes manifestou que suas bases "não se adequavam às nossas regras". A Fundação Botnia informou em um comunicado que resolveu suspender as atividades do programa e que este tinha como objetivo "informar as crianças de forma didática sobre o setor florestal, atividade com a qual convivem diariamente" e acrescentou que "sua ação foi motivada pela constante demanda de informação sobre o tema por parte das escolas".
Fonte: Redação Terra
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