Flora Holzman
O partido Democrata dos Estados Unidos deve anunciar, nos próximos dez dias, a intenção de enviar à reunião das Nações Unidas em Bali, a respeito das mudanças climáticas, uma delegação paralela à oficial, comandada pelo presidente republicano George W. Bush. A idéia é aproveitar o encontro da ONU para marcar posição interna e externamente, a favor de um maior comprometimento dos EUA em relação a metas obrigatórias de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e seu compromisso com alterações na legislação relativa à produção e uso de energia no país.
A reunião de Bali é uma prévia para as negociações sobre a renovação ou reformulação do Protocolo de Quioto, ao qual os EUA não aderiram por rechaçar a imposição de metas rígidas de redução de emissões de gases estufa. Além de conquistar apoio externo, iniciativa do partido Democrata teria ainda, segundo analistas, um viés eleitoral, na em medida que a administração Bush, que está prestes a enfrentar nova eleição, vem sendo criticada por grupos ativistas norte-americanos e europeus pela política de não-comprometimento de Washington em relação a metas rígidas propostas por europeus. Rumores que circulam em Washington e em Londres indicam que o comando da delegação paralela Democrata em Bali poderá ficar a cargo da líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi. Seus auxiliares, no entanto, não confirmam nem desmentem a notícia, embora admitam o interesse em participar das discussões internacionais sobre mudanças climáticas.
Os democratas também pretendem incluir na proposta de legislação interna norte-americana sobre mudanças climáticas, a ser publicada no dia 15 de outubro, a fixação de metas obrigatórias de redução de CO2. A medida ajudaria, na visão dos políticos oposicionistas norte-americanos, a aproximar os EUA do discurso Europeu, que reiterou disposição de adotar metas ainda mais ousadas de redução das emissões de gases que as existentes hoje no Protocolo de Quioto. As divergências de Democratas e Republicanos em torno do comprometimento dos EUA com o controle do efeito estufa, que causa aquecimento global, data do início da administração Bush, que não ratificou o Protocolo de Quioto com o qual o país se comprometeu na gestão democrata de Bill Clinton. O assunto agora, diante da proximidade da eleição presidencial norte-americana, promete esquentar em todas as frentes, até porque o ex-vice-presidente democrata Al Gore tem alimentado a disputa em suas viagens pelo mundo para divulgar os riscos do aquecimento global e na defesa ferrenha do meio ambiente.
Fonte: DiárioNet
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