Roberto do Nascimento
A empresa de origem irlandesa Agcert conseguiu reunir no Brasil 35 projetos prioritariamente na área de suinocultura para implantar mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) que rendem créditos de carbono, de acordo com o Protocolo de Quioto. O MDL foi a forma encontrada para que os países em desenvolvimento pudessem vender para os industrializados com metas obrigatórias de redução de emissão de gases que provocam o aquecimento global os créditos resultantes da não emissão ou da captura de gases-estufa. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) ou seu equivalente eu outros gases. Na suinocultura, o principal gás emitido é o metano, 21 vezes mais agressivo ao meio ambiente que o CO2.
O coordenador dos projetos, Dave Lawrence, informa que a quase totalidade das propostas já recebeu a aprovação do comitê executivo da Organização das Nações Unidas e deve possibilitar reduções certificadas de emissões equivalentes a 1,8 milhão de toneladas anuais de CO2. Com base no preço obtido pela Prefeitura de São Paulo em recente leilão de créditos de carbono na Bolsa de Mercadorias & Futuros, os projetos da Agcert renderiam hoje para as partes envolvidas algo em torno de R$ 75 milhões. Lawrence informou que sua empresa já busca diversificação nas fontes de projetos de MDL no Brasil, principalmente na área de reflorestamento e de pequenas centrais hidrelétricas. Mas ele não descarta também desenvolver propostas para negociação de créditos na bolsa de clima de Chicago (CCX), onde os créditos, com exigências diferentes do MDL do Protocolo de Quioto, estão cotados entre US$ 4 e US$ 6 por tonelada.
A suinocultura é a segunda atividade em números de projetos de MDL desenvolvidos no Brasil (38), atrás apenas da geração elétrica, com 152. Ao todo, o País tem 245 projetos em alguma fase de aprovação no âmbito do Protocolo de Quioto. Os trabalhos da Agcert envolvem tanto a simples captura e queima do metano como a sua utilização na geração de energia.
Fonte: DiárioNet
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