
Munição 25 mm contendo urânio empobrecido do exército norte-americano em 2004 em Tikrit, ao norte de Bagdá (Iraque).
O urânio empobrecido é um subproduto do processo do enriquecimento da forma natural desse elemento químico. Pelo fato de esse metal ser extremamente denso, resistente e inflamável, ele vem sendo amplamente empregado na área civil e militar. Seu uso crescente vem aumentando a dispersão de partículas de urânio empobrecido na natureza, expondo principalmente as populações civis a potenciais riscos cujo real impacto para a saúde humana e o meio ambiente ainda é obscuro e polêmico. Há ainda a suspeita de que seu emprego em armamentos militares possa ser um modo silencioso de os países com altos estoques desse metal eliminarem resíduos tóxicos de seus territórios, depositando-os em locais atingidos por guerras, principalmente nos últimos 15 anos.
A utilização do urânio em sua forma natural data de 79 a.C., quando artesãos aplicavam esse metal na superfície de vidros e de cerâmicas, como um corante para obtenção de amarelo. Sua descoberta foi creditada ao químico alemão Martin Heinrich Klaproth (1743-1817), que o batizou urânio, em 1789, em homenagem à descoberta do planeta Urano, ocorrida oito anos antes. Posteriormente, o físico francês Antoine Becquerel (1852-1908) identificou as propriedades radioativas desse elemento. Na década de 1940, as iniciativas do governo norte-americano visando ao desenvolvimento da primeira bomba atômica, através do Projeto Manhattan, inauguraram a era nuclear, em 15 de julho de 1945, no teste Trinity .
Em 6 de agosto daquele ano, uma bomba de quatro toneladas, contendo cerca de 60 kg de urânio e batizada de Little Boy (Rapazinho), foi lançada sobre em Hiroshima (Japão), Três dias mais tarde, uma segunda bomba atômica cai sobre Nagasáki. Essas explosões causaram a morte instantânea, bem como nas décadas seguintes, pelos efeitos nocivos da radiação no organismo, de aproximadamente 200 mil pessoas. Desde então, o urânio passou a ser um elemento de importância estratégica no cenário político mundial, tanto sob o ponto de vista energético quanto militar.
Sobra empobrecida
Devido à radioatividade, a quantidade de urânio em uma amostra diminui gradativamente ao longo do tempo, mas sua meia-vida (tempo necessário para a quantidade de urânio se reduzir à metade) é extremamente longa: cerca de 4,5 bilhões de anos para o 238 U. Desses isótopos, apenas o 235 U é utilizado como combustível nos reatores de usinas nucleares, bem como na produção de energia e em armas nucleares, pelo fato de ser o único capaz de sofrer fissão nuclear (fragmentação do núcleo atômico) provocada por nêutrons lentos (pouco energéticos). Como a proporção do 235 U é muito baixa no urânio natural, é preciso grandes quantidades deste último para se obter frações mínimas do primeiro. O urânio natural que sobra nesse processo de produção fica com um percentual de aproximadamente 0,3% de 235 U e passa a ser chamado urânio empobrecido.
Fonte: Ciência Hoje
3 comentários:
“O urânio é o elemento mais denso que ocorre na natureza.” Essa é uma afirmação absurda. Embora o urânio tenha o mais pesado núcleo atômico natural e seja mais denso que o chumbo, tem densidade inferior aos elementos tungstênio, ouro, plutônio, Netúnio, Rênio, Platina, Irídio e Ósmio. Este sim, o elemento mais denso da natureza.
“Os artesãos usavam esse metal desde o ano 79 a.C. como corante em superfícies de vidro e cerâmica.” - Outra informação falsa. Os artesãos do início da era cristã podem ter usado alguns minerais de urânio. Provavelmente os óxidos que possuem cores vivas (há várias ocorrências no Seridó-RN). Jamais poderiam usar o metal. Esse foi isolado 19 séculos depois e não possui propriedades corantes.
~~>eu precisava da quantidade de uranio na natureza
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