Roberto do Nascimento
Estudo sobre o potencial do etanol de cana-de-açúcar para o País, conduzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), mostrou que a produção pode se expandir em três Estados (Maranhão, Piauí e Tocantins), gerando 225 mil empregos até 2015, sem provocar danos ambientais. O trabalho analisa cenários de expansão em grande escala da produção sustentável de etanol combustível no país, que atendam também à demanda em expansão do mercado externo.
O potencial de produção e aptidão agrícola; marco regulatório; sustentabilidade; mercado europeu; colheita mecanizada e geração de energia foram os principais enfoques do trabalho, terceira e última parte de um estudo mais amplo que será publicado este ano. A área analisada apresenta clima de savana, com estação seca que sucede as chuvas de verão. As temperaturas não baixam a menos de 18º. O cerrado é o principal bioma e as chapadas dominam a cena, apresentando desníveis de mais de 100 metros, num total de 9 milhões de hectares. Excluindo-se todas as áreas de proteção ambiental, as terras indígenas e os rios, o CTC avaliou que 29% das terras são boas para lavoura de cana, sem contar áreas ocupadas com pastagens plantadas. "A ocupação dos 2,7 milhões de hectares de chapada pela cana-de-açúcar da área estudada é viável em 60% do seu território", informa Ivo Bellinaso. "Seu déficit hídrico é parcial e exige apenas irrigação de 'salvamento' no período crítico da seca. É necessário adotar métodos de colheita da cana sem queima." A região tem potencial para receber até 54 usinas com capacidade para 2 milhões de toneladas, cada uma ocupando 30 mil hectares.
Manoel Regis Leal e Gilberto De Martino Jannuzzi, pesquisadores do Nipe/Unicamp, se encarregaram da questão da sustentabilidade a partir de critérios definidos pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, ou seja, pretende que o desenvolvimento rural da região permita a satisfação das necessidades humanas das gerações presentes e futuras e que sua implantação não seja ambientalmente degradadora. Quanto à exportação do etanol, a União Européia vai substituir 5,75% da energia consumida por outras fontes até 2010, e ao menos 10% em 2020, segundo o pesquisador Arnaldo Walter, do Nipe. "A partir de 2008, a Europa contará com uma capacidade de produção de etanol de 5 bilhões de litros, que equivalem às metas de consumo estimadas para 2012", afirma Walter. Em tese, portanto, a UE poderia ser auto-suficiente em etanol, comprometendo as aspirações brasileiras.
Também a sua política de tarifas diferenciadas, favorecendo alguns países em desenvolvimento, não contempla o Brasil. Mas ele ressalta que, no curto prazo, um dos principais problemas para a produção européia é o alto custo de seu etanol, o triplo do produzido no Brasil, o que abriria espaço para o álcool brasileiro, mais competitivo.
Fonte: DiárioNet
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