sexta-feira, 14 de março de 2008

Grã-Bretanha quer fazer parceria com o Brasil

Carlos Rangel

O Reino Unido poderá ter um laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Essa foi uma das possibilidades discutidas entre o conselheiro-chefe para assuntos Científicos do Reino Unido, John Beddington e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, no âmbito da parceria que está sendo negociada entre os dois países sobre biocombustíveis.

De acordo com a assessoria do ministério, Beddington demonstrou interesse pelo fato de o Brasil ter grande extensão territorial, ser rico em recursos hídricos e conhecimento científico. "Estamos interessados não só na produção de etanol, mas de alimentos e reconhecemos que o Brasil possui 20 vezes mais doutores em ciências agrícolas que nós", afirmou. Stephanes fez um relato sobre o trabalho desenvolvido pela Embrapa na área de pesquisa, ressaltando que a unidade de biotecnologia trabalha em conjunto com universidades, instituições privadas e institutos estaduais na área de pesquisa. "Atualmente, cada hectare plantado de cana-de-açúcar produz 9 mil litros de etanol e a meta é chegar a 12 mil litros nos próximos anos." Uma das preocupações dos países desenvolvidos é com o risco de a produção de biocombustíveis ocupar áreas de produção de alimentos ou acelerar a derrubada de florestas.

Stephanes explicou que no Brasil não haverá competição de produção agrícola e de bioenergia. "Se triplicarmos a produção de etanol, vamos incorporar em torno de 4% das terras hoje usadas para a pecuária", informou. Do Reino Unido têm surgido as principais críticas ao uso de biocombustíveis, ora sob alegação de que vão ocupar áreas de produção de alimentos, ora afirmando que o ciclo de produção não favorece a redução da emissão de gases de efeito estufa. O jornal Valor Econômico, por exemplo, informa hoje que a Grã-Bretanha anunciou a eliminação de incentivos fiscais para o uso de biocombustíveis, porque o governo tem dúvidas sobre sua sustentabilidade.

Fonte: DiárioNet

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