quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Veleiro científico pesquisa poluição do mar


Veleiro científico Sea Dragon

Viagem, iniciada no Rio de Janeiro, faz parte da Campanha das Nações Unidas para a Responsabilidade sobre os Produtos Químicos e Resíduos Perigosos.

Por Carlos Américo, do MMA

O veleiro científico Sea Dragon começou, na quinta-feira (26/8), uma viagem pelo oceano Atlântico para monitorar a presença e os impactos de poluentes orgânicos persistentes (POPs) na água e em peixes de águas profundas. A partida ocorreu na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Os POPs são reconhecidos como substâncias persistentes, discutidos dentro da Convenção de Estolcomo. Eles permanecem no ambiente por muito tempo sem sofrer degradação, o que gera dano ao ser humano e ao meio ambiente. Já existem 12 substâncias na lista de POPs, utilizadas em pesticidas de controle de insetos no solo, inseticidas de culturas de algodão e outros produtos utilizados em indústrias químicas.

Uma vez que muitos dos POPs ainda são utilizados em todo o mundo, os países que são partes da Convenção Estocolmo vão adotar medidas de controle, redução e eliminação desses produtos. A viagem faz parte da Campanha das Nações Unidas para a Responsabilidade sobre os Produtos Químicos e Resíduos Perigosos. A iniciativa alerta para o problema, a fim de inserir o tema da segurança química nos debates da Rio+20, em 2012. O evento é realizado pelo secretariado da Convenção de Estocolmo.

Controle e eliminação de poluentes
No Brasil, será realizado inventário sobre os novos POPs, elaborando medidas de controle e eliminação das substâncias. Além da realização de um inventário sobre os novos POPs, será necessária a adoção de medidas de controle para algumas destas substâncias. O HCH (hexaclorociclohexano), que já foi utilizado como agrotóxico e preservante de madeira no Brasil, teve o seu registro cassado em 2007, porém, há indícios da existência de estoques e áreas contaminadas.

O caso mais conhecido é o da Cidade dos Meninos, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Nos anos 50, a fábrica de pesticidas para combate à malária foi desativada e todo o material poluente foi abandonado no local. O material se espalhou e infiltrou o solo, iniciando um processo de contaminação do meio ambiente e da população que dura até hoje.

No caso do PFOS/PFOSF, utilizado em isca formicida, serão adotadas medidas restritivas. Outros produtos podem ser encaminhados para reciclagem. As novas substâncias incluídas são alfa hexaclorociclohexano (±-HCH); beta hexaclorociclohexano (²-HCH); lindano; clordecone; hexabromodifenil; éter octabromodifenílico comercial (octa-BDE); éter pentabromodifenílico comercial (penta-BDE); ácido perfluooctano sulfônico, seus sais e perfluorooctano sulfonil fluoreto (PFOS/PFOSF); e pentaclorobenzeno.

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