segunda-feira, 22 de março de 2010

Cientistas inventam aparelho que dessaliniza pequenas porções de água

da Efe, em Londres

Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um aparelho capaz de transformar pequenas quantidades de água do mar em água potável graças a uma bateria, e de forma muito mais simples que os métodos de dessalinização existentes, publica a revista "Nature".

As técnicas de dessalinização usadas atualmente requerem um alto consumo energético e só são eficientes quando envolvem grandes quantidades de água. Por isso, é difícil utilizá-las em regiões afetadas pela pobreza ou por desastres naturais.

O aparelho, desenvolvido por cientistas do MIT liderados por Jongyoon Han, funciona mediante um fenômeno conhecido como "polarização por concentração de íons". Esse processo se produz quando uma corrente de íons circula através de um nanocanal que vai selecionando os íons.

O nanocanal se situa entre dois microcanais por onde circula a água salgada e, quando se aplica uma voltagem ao nanocanal, os íons se concentram em um extremo do nanocanal e se esvaziam no extremo oposto. Em consequência desse processo, se repelem os íons salinos de água marinha próximos ao nanocanal.

Ao transformar um dos microcanais em dois canais próximos à zona de repulsão, apenas a água dessalinizada, que não tem carga iônica alguma, pode atravessar a zona carregada e passar assim a outro canal destinado à água potável.

O método permite eliminar os sais e as partículas de maior tamanho, como as células, os vírus e microorganismos, com tanta eficácia quanto as mais modernas usinas de dessalinização.

"Temos tratado a água como um recurso inesgotável".

Por Marina Silva

SEM ÁGUA não existe vida, saúde ou desenvolvimento sustentável. Se a água for mal tratada e mal gerida, pode ser morte, doença e desigualdade social. E, a cada ano que passa, torna-se maior o complexo desafio para o homem tratar da questão da água em um cenário de industrialização, de urbanização e de mudanças climáticas.

Todos os cenários vislumbrados para o Brasil, no âmbito das mudanças climáticas, apontam para alteração do padrão de chuvas no ano. Avaliando-se o que já acontece hoje em todas as regiões do país, é de se esperar que aumentem os efeitos desastrosos desses fenômenos naturais.

Historicamente, temos tratado a água como um recurso inesgotável. Embora vivamos em um planeta cuja superfície é ocupada por cerca de dois terços de água, esquecemos que apenas 0,09% dessa água pode ser aproveitada para consumo do homem. E há uma parte significativa que já foi poluída ou degradada pela ação humana.

O Brasil é favorecido com o maior volume de água doce do planeta. Entretanto, difundiu-se aqui, desde Pero Vaz de Caminha, a falsa ideia de abundância. É enganosa a ideia, uma vez que a distribuição é desigual e a maior parte da água está concentrada na bacia amazônica.

Como destino natural das águas de chuvas em um território, os rios, os lagos e os mares trazem em suas entranhas as marcas e os reflexos das atividades humanas. Os rios traduzem, assim, as virtudes e as mazelas de nossa relação com o meio ambiente. Viram o melhor indicador do gerenciamento e da consciência ambiental de uma sociedade. Sob essa perspectiva, há pouco a festejar e muita preocupação com o Dia Mundial da Água, celebrado hoje (22/03). Para se ter uma ideia, a maior parte do esgoto gerado nas cidades é despejado sem tratamento nos cursos d’água.

Nas últimas décadas, o Brasil avançou na criação de um aparato legal e institucional que permite gerenciar, de forma adequada, as águas do país. É um sistema que exige a participação cidadã e a consideração das diferentes situações regionais.

Com esse sistema implantado, certamente o Brasil estaria mais bem preparado para enfrentar os desafios que se avizinham. No entanto, o batalha é ainda imensa, já que a questão da água ainda não ocupa a prioridade que deveria ter para os gestores públicos.

Fizemos o Plano Nacional de Recursos Hídricos com intensa participação da sociedade. Agora precisamos enfrentar o grande desafio de implementá-lo. Saneamento básico é a prioridade, investimento obrigatório para quem deseja uma sociedade que sabe cuidar das suas águas em benefício de seus cidadãos.

Fonte: jornal A Folha de São Paulo

ONU: água poluída mata mais que violência no mundo

Por Tim Cocke, da Reuters

A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira. "A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras", disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).

Em um relatório intitulado "Água Doente", lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes. O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada." O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

"Se o mundo pretende... sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto", disse o diretor da Unep, Achim Steiner. "O esgoto está literalmente matando pessoas."

Comemore o dia de hoje com atitudes ecológicas

Por Ronaldo Callmann*

No mês em que celebramos a importância da água para planeta, é importante lembrarmos como podemos praticar e promover o uso deste recurso natural tão necessário para a nossa sobrevivência. Em questão de atitude e, principalmente, conscientização de que pequenas mudanças podem gerar grandes economias. Segundo levantamento do International Water Management Institute (em português, Instituto Internacional de Gestão de Água), o futuro sem água já não está mais tão distante quanto pensávamos. O estudo revela que, se o desperdício continuar da maneira como está, 1.8 bilhão de pessoas ficará sem uma gota de água até 20251. Para mudar esta realidade cada vez mais próxima, é preciso agir agora.

Você já parou para pensar o quanto gasta de água na sua casa por dia? Você pensa em como pode reduzir este consumo? Muitas pessoas não fazem ideia do uso abusivo que fazem da água em hábitos rotineiros, como escovar os dentes, tomar banho, lavar calçadas, jardins, carros... As capitais brasileiras, onde está o maior índice de consumo de água no país, são responsáveis por utilizar 150 litros/habitante ao dia2, o que excede em 36% a recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas), de 110 litros por dia.

Um dos pontos que gostaria de destacar é o costume brasileiro ao lavar sua casa, que me chama a atenção pelo fato de ser facilmente evitável. Para se ter uma ideia do tamanho do desperdício, uma mangueira comum de uso residencial, com três quartos de polegada, gasta 600 litros de água a cada trinta minutos, o equivalente a mais de quatro vezes o que uma pessoa deveria consumir por dia.

Soluções alternativas e econômicas podem ser mais simples do que se imagina. No caso da lavagem de calçadas e garagens, por exemplo, os fatores mais alegados para a utilização da mangueira são o cansaço causado pelo trabalho com a vassoura, e o tempo gasto na atividade. Mas para reduzir tempo e esforço a tecnologia já oferece benefícios nas mais diversas áreas e, inclusive, pode auxiliar em atividades domésticas.

Exemplo disso são os sopradores de folhas disponíveis no mercado, capazes de reduzir o tempo gasto com os cuidados no lar, além de substituir a água neste processo. Trata-se de um equipamento de alta potência e fácil manuseio que une inovação tecnológica e respeito ao meio ambiente, sendo ideal para limpeza profissional e residencial, em gramados ou asfalto. Por seu caráter multifuncional, pode ser aplicado para limpar folhas, poeira e objetos em geral em ambientes abertos.

Além da preservação ambiental, a redução de consumo de água culmina também em diminuição dos gastos gerais da sociedade e em economia financeira para cidadão. Aproveite esta data para refletir sobre maneiras úteis de aproveitar com consciência os recursos naturais de nosso país, que possui a maior reserva hídrica do mundo. E não se esqueça de calcular quanto suas novas atitudes podem contribuir para o bem estar das próximas gerações e, claro, também para suas contas domésticas. Faça o bem para o planeta e também para sua família.

*Ronaldo Callmann é gerente de Marketing e Produto para a América Latina da Husqvarna, multinacional com mais de 320 anos e uma das líderes mundiais no desenvolvimento de produtos para o manejo de parques, florestas e jardins.

1. O estudo foi realizado em 2000 e pode ser encontrado no site http://www.iwmi.cgiar.org/

2 Pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pode ser encontrado no site http://www.socioambiental.org/

Fonte: Envolverde/Plurare

Mundo celebra Dia Mundial da Água

Suelene Gusmão, da MMA

O mundo celebra hoje (22) o Dia Mundial da Água preocupado com o efeito que as mudanças no clima, provocadas pelas atividades humanas, podem desencadear no ciclo das águas. Debatido na 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA), promovida pelos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, no final de 2009, o tema Água e Clima alertou para os perigos provenientes da emissão de gás carbônico e outros gases de efeito estufa na atmosfera, responsáveis por efeitos como o agravamento das secas, o aparecimento de furações e enchentes.

A conferência debateu também a questão do saneamento ambiental que contempla entre seus aspectos a questão do abastecimento de água, a coleta e tratamento de esgotos, o controle de doenças, o lixo e a drenagem. Documento divulgado durante a conferência, alerta que a má qualidade das águas multiplica os riscos de doenças de veiculação hídrica e a balneabilidade de praias, afetando diretamente a saúde pública.

Além da questão da saúde foi levantado o problema da poluição dos mananciais, que onera o custo do tratamento da água. A proteção do abastecimento de água envolve ações como o controle de agrotóxicos, a reposição de matas ciliares e de topo e a eliminação de atividades poluidoras.

O documento debatido dentro da 1ª CNSA alerta que ao longo dos anos, os recursos hídricos em áreas urbanas vêm sofrendo intervenções variadas que os poluem e afetam o sistema de drenagem, abastecimento e esgoto. A ação humana degrada a água, ao lançar substâncias que a poluem, conferindo-lhe cor, tornando-a turva e menos transparente. A água suja ou contaminada por coliformes, nutrientes como o nitrogênio, fósforo e outras substâncias prejudica a saúde, a qualidade de vida e o ambiente.

O investimento na despoluição de bacias hidrográficas é apontado como um dos fatores preponderantes para a melhoria da qualidade das águas. São enumerados ainda investimentos no monitoramento da qualidade das águas, em programas relacionados à prevenção de cheias e também em programas como os de educação ambiental, sanitária e educação para a saúde.

Dentro do Ministério do Meio Ambiente, a recuperação e preservação das bacias hidrográficas do Alto Paraguai e da Bacia do São Francisco estão entre as principais atividades desenvolvidas pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SHRU) no programa intersetorial voltado ao uso e conservação de recursos hídricos. Na bacia do Alto Paraguai, a prioridade é a revitalização de sete sub-bacias, entre elas, a do rio Taquari, ação considerada de vital importância para a recuperação da bacia do Alto Paraguai.

Uma iniciativa que vem sendo implementada no local é a instalação de uma rede de viveiros para a produção de mudas. A elaboração do macrozoneamento das Áreas de Preservação Ambiental (APA) das nascentes do rio Paraguai junto com a sensibilização e mobilização da comunidade local, com o objetivo de promover a educação ambiental são ações adicionais que fazem parte do processo de recuperação daquela bacia.

No processo de recuperação da Bacia do São Francisco, também vem sendo desenvolvidas ações de conservação, recuperação e manejo do solo e da água em microbacias, com ações de recuperação de áreas degradadas na APA das nascentes, levantamento florístico, implantação de viveiros, plantio de mudas e monitoramento da água.

Para este projeto, a SHRU está investindo na instalação de um Centro de Referência Integrado. Ele será responsável por articular inter e intrainstitucionalmente as atividades de pesquisa e estudos sobre o Rio São Francisco. No local estão sendo promovidos cursos de capacitação para gestores, produtores e técnicos que atuam na região e ações de educação ambiental que garantam o princípio da transversalidade entre as ações do Governo Federal. Uma novidade no processo de recuperação da bacia é a implementação de um sistema de monitoramento ambiental que vai quantificar em quilômetros quadrados o desmatamento e gerar polígonos de indicativos de desmatamento recentes.

Até junho de 2010, deverão estar selecionadas as áreas prioritárias para criação de parques fluviais nos municípios que têm sua zona urbana na calha do Rio São Francisco ou na calha de seus afluentes. As potencialidades de cada um destes locais para a criação de parques fluviais serão determinadas por meio de sobrevôo e a seleção se dará a partir de detalhamento de proposta e à adesão de parceiros aos projetos.

Ainda é considerado pequeno o nível de conhecimento sobre a quantidade e qualidade das águas subterrâneas no Brasil. Por isso mesmo, a SHRU com parceiros de diversos segmentos, vem incrementando, por meio de estudos e pesquisas, o aumento do conhecimento hidrológico e implantando um sistema de monitoramento para este tipo de recurso natural. Estes estudos envolvem pesquisas específicas para um maior conhecimento e o monitoramento dos aquíferos de abrangência transfronteiriça e interestadual. Este conhecimento é fundamental para a criação de mecanismos de gestão integradas destes aquíferos.

Carente de recursos hídricos, o Nordeste tem no programa Água Doce uma alternativa para a obtenção de água potável e o desenvolvimento de atividades de cultura de peixes. O programa tem por base a dessalinização da água e já beneficiou até o momento mais de 50 mil pessoas naqueles estados. Para concretizar o processo, já foram implantadas três Unidades Demonstrativas (UDs) distribuídas nos estados do Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas e outras quatro aguardam para serem implantadas este ano, uma delas no Ceará.

Ciência pelo rádio

Da Agência FAPESP
 O Museu da Vida, ligado à Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, acaba de lançar a publicação Ciência em Sintonia – Guia para montar um programa de rádio sobre ciências, destinada a escolas e comunidades interessadas em divulgar informações sobre ciências por meio do rádio.

Elaborado por Catarina Chagas, Ana Cristina Figueira e Marzia Mazzonetto e sob a coordenação de Luisa Massarani, a publicação traz dez lições simples sobre como fazer um programa de rádio explicando as características desse meio de comunicação.

A obra ainda dá dicas de como utilizar os temas e a ferramenta de comunicação em sala de aula e em centros comunitários. O guia também relata a experiência da Escola Municipal Padre Leonel Franca ao desenvolver um programa de rádio sobre ciência voltado para uma comunidade de Niterói (RJ).

O guia Ciência e Sintonia está disponível no endereço: http://www.museudavida.fiocruz.br/media/ciencia_em_sintonia_web2.pdf.
Mais informações: nestudos@coc.fiocruz.br .

domingo, 21 de março de 2010

CNPq abre inscrições para o Prêmio José Reis 2010

Por Assessoria de Comunicação Social do CNPq

As inscrições para o Prêmio José Reis de Divulgação Científica foram abertas no ultimo dia 16. Concedido anualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), o Prêmio é destinado aos que contribuam significativamente para tornar a ciência, a tecnologia, a pesquisa e a inovação mais conhecidas do público.

Neste ano, o prêmio será atribuído à categoria Divulgação Científica e Tecnológica , que premiará um pesquisador ou escritor que tenha contribuído na divulgação da CT&I para o público leigo. O vencedor desta 30ª edição será agraciado com montante de R$ 20 mil e diploma, além de passagem aérea e hospedagem para participar da solenidade de entrega do prêmio na reunião anual da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), a ser realizada entre 25 e 30 de julho, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Os trabalhos inscritos serão julgados por uma comissão designada pelo presidente do CNPq, composta por quatro membros de sua livre escolha e outros quatro indicados pelas entidades Associação Brasileira de Divulgação Científica; Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência; Associação Brasileira de Jornalismo Científico; Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica, A ssociação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras e Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores. O resultado será anunciado pelo CNPq até 18 de junho. Para saber mais consulte o site http://www.cnpq.br/premios/2010/pjr/index.htm, ou o endereço eletrônico prêmios@cnpq.br .


História
O prêmio é uma homenagem ao médico, pesquisador, jornalista e educador José Reis, falecido em 2002, aos 94 anos de idade. É concedido anualmente em sistema de rodízio a três modalidades: Divulgação Científica e Tecnológica, Jornalismo Científico e Instituição.

A diversidade dos vencedores ao longo de sua história - entre os quais veículos de comunicação, instituições de pesquisa, equipes de programas de televisão, além de pesquisadores e seus trabalhos individuais - comprova a importância do Prêmio José Reis em motivar a criação dos mais diferentes mecanismos de divulgação científica no Brasil.

As inscrições
Os interessados têm até o dia 14 de maio para enviar as inscrições. O endereço é: CNPq – Serviço de Prêmios , SEPN 507, Bloco B, Sala 203, Brasília – DF, CEP 70740-901. A documentação é composta por ficha de inscrição preenchida; currículo atualizado na Plataforma Lattes; justificativa em que se evidencie significativa contribuição à divulgação científica e tecnológica e cópia dos trabalhos mais importantes, no mínimo cinco e no máximo dez.

Ampla programação inicia a programação dos 30 anos da FAPERJ

Marcando a passagem de seus 30 anos de existência – e o centenário de nascimento de seu Patrono, Carlos Chagas Filho (1910-2000) –, a Fundação promove um grande evento em que apresenta os resultados de relevantes projetos desenvolvidos com seu apoio.

A feira FAPERJ 30 Anos acontece nas dependências do Museu de Arte Moderna, nos próximos dias 24 e 25 de março. Paralelamente, e em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, será realizado o simpósio Academia – Empresa, com uma programação de palestras sob o tema "Inovação: histórias de sucesso com foco no estado do Rio de Janeiro".

O evento pretende reunir pesquisadores e empreendedores, particularmente aqueles que vêm recebendo financiamento para a execução de seus projetos de algum dos vários programas de fomento da Fundação.

No MAM, o visitante poderá constatar, em um panorama bastante diverso, a diversidade de produtos e processos resultantes do apoio financeiro da instituição. Entre eles, um dos exemplos é o game que simula várias situações de risco que um motorista enfrenta cotidianamente nas ruas da cidade. O simulador de direção, desenvolvido pela empresa Technology and Trainning (T&T), em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF), com recursos do edital Apoio ao Desenvolvimento da Tecnologia de Informação - 2008, está em vias de ser adotado pelo Conselho Nacional de Trânsito para testar os candidatos à obtenção de carteiras de habilitação. O game também deverá ser empregado para treinamento de alunos em autoescolas.

No simpósio organizado pela ABC, a programação, que se estende das 14h às 18h, inclui palestras e histórias de sucesso em inovação no Estado do Rio de Janeiro, com uma grande diversidade de pesquisadores e empreendedores, como o físico Luiz Pinguelli Rosa, do Instituto Luis Alberto Coimbra de Pós-Graduação (Coppe-UFRJ); Hayne Felipe, de Farmanguinhos-Fiocruz; João Moreira Salles, da Revista Piauí; Odair Gonçalves, da Comissão Nacional de Energia Nuclear; entre muitos outros.

Dos primeiros tempos de sua criação, em junho de 1980, até 2010, a Fundação veio mudando seu perfil. Fruto da fusão da Fundação Centro de Recursos Humanos da Educação e Cultura (CDRH) e da Fundação Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio de Janeiro, no início, a instituição teve sua vocação para a pesquisa dificultada pela vinculação com a Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral do governo do Estado.

Na primeira gestão do governador Leonel Brizola (1982 a 1986), seu trabalho esteve focado na implantação do Programa Especial de Educação e gerenciamento dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e apenas na gestão seguinte, do governador Moreira Franco, uma mudança de estatuto e de objetivos, possibilitou centrar seu objetivo no apoio à pesquisa, tal como vem desempenhando, desde então.
"Hoje, a FAPERJ é uma Fundação de grande relevância no cenário do governo estadual e mesmo nacional.

Fechamos o triênio 2007/2009 com a execução de um orçamento recorde de R$ 785 milhões, com perspectiva de se atingir a marca de R$ 1,1 bilhão no quadriênio 2007-2010, cifra bem superior à que poderíamos prever no início de 2007. Além disso, há que se ressaltar que, desde 2007, cerca de R$ 197 milhões foram captados em convênios com diversos ministérios e suas agências, aumentando, ainda mais, a disponibilidade de recursos para o fomento que vimos praticando e que continuaremos a praticar nos próximos anos. Esse aumento no orçamento da FAPERJ propiciou uma mudança radical no fomento à C,T&I no nosso Estado, permitindo a implementação de muitos programas estratégicos e de grande valor para todos nós", comentou o diretor-presidente Ruy Garcia Marques.

O dirigente também declarou que inúmeras atividades vêm sendo planejadas para a comemoração dos 30 anos de existência da FAPERJ, a se completar em 26 de junho, e o centenário de nascimento do patrono Carlos Chagas Filho. Destacou, por fim, que, neste último triênio, a FAPERJ expandiu bastante a sua área de atuação: até 2006, apenas 12 municípios tinham projetos apoiados, e hoje são 76 municípios, em todas as regiões do Estado. "Nossa meta é, brevemente, estarmos apoiando projetos de pesquisadores e empreendedores em todos os municípios do estado do Rio de Janeiro.”

Serviço

FAPERJ 30 Anos
MAM – Museu de Arte Moderna
Av. Infante D. Henrique 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro
24 e 25 de março de 2010
Horário: de 10h às 22h

Linha de crédito verde

Da Agência FAPESP

Uma linha de crédito especial vai financiar pequenas e médias empresas paulistas que tenham projetos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

A nova linha, chamada Economia Verde, é coordenada pela Agência de Fomento Paulista, ligada à Secretaria de Desenvolvimento, e foi criada com base na Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC - Lei 13.798), que define uma meta de redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa até 2020 para o Estado de São Paulo.

Com taxa de juros de 6% ao ano, a Linha Economia Verde será destinada a projetos de empresas na área de agroindústria, mudança de combustíveis, saneamento, tratamento e aproveitamento de resíduos, energias renováveis, eficiência energética, transporte, processos industriais, recuperação florestal em áreas urbanas e rurais e manejo de resíduos.

O financiamento do projeto é de 100%, e o prazo é de cinco anos para o pagamento, com até um ano de carência. Para ter acesso à Linha Economia Verde, os interessados podem acessar o site da Nossa Caixa Desenvolvimento www.nossacaixadesenvolvimento.com.br ou entrar em contato com uma das entidades parceiras da Agência de Fomento Paulista.

Uma das vantagens para o empresário é que não há exigências de abertura de conta, nem há obrigatoriedade de contrapartidas. O empresário poderá encaminhar a documentação necessária por meio de entidade de classe.

Mais informações: www.desenvolvimento.sp.gov.br

Bactérias descontaminam água e solo

por Fábio Reynol, da Agência FAPESP

Por ser um solvente potente e não inflamável, o tetracloroetileno (PCE) começou a ser largamente utilizado em meados do século 20 em serviços de lavagem a seco, indústrias metalúrgicas, instalações militares e até em residências.

Com o tempo, entretanto, percebeu-se que o PCE havia se tornado um dos contaminantes ambientais mais frequentes, sendo encontrado em solos e em lençóis d’água e constituindo uma ameaça à saúde e ao meio ambiente.

O produto é altamente tóxico, potencialmente carcinógeno e se acumula no tecido de organismos vivos, podendo afetar o aparelho reprodutor humano. O PCE é enquadrado na família dos produtos orgânicos persistentes, devido à sua resistência à degradação.

Um estudo feito na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, e apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, mostrou a possibilidade de utilização de consórcios bacterianos para degradar o PCE.

Iniciado em 2006, o trabalho de pesquisa “Desenvolvimento de uma técnica de bioestímulo para a remediação de solo e água subterrânea contaminada com tetracloroetileno”, coordenado pelo professor Marcio Rodrigues Lambais, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, conseguiu alto índice de degradação do PCE (98%) em um tempo considerado bastante curto (cerca de 12 horas).

“Os resultados publicados na literatura especializada reportam taxas de degradação em torno de 80% de degradação do PCE após um período entre 15 e 20 dias”, comparou Lambais.

Um dos segredos da rapidez da descontaminação obtida pela equipe da USP está no processo utilizado, que emprega bactérias que se desenvolvem com a presença de ar. Apesar de pouco utilizado no Brasil, o método de descontaminação por bactérias aeróbias apresenta outra vantagem: a praticidade.

“Geralmente, os organismos anaeróbios [que vivem na ausência de oxigênio] são sensíveis ao ar, o que dificulta o seu manuseio e a aplicação em campo”, explicou o professor. Para desenvolver a pesquisa, o grupo localizou uma área contaminada na capital paulista, de onde retirou amostras de água para serem testadas em laboratório.

Com a água, o grupo levou também amostras de sedimento, das quais isolou as bactérias locais. Esses organismos passaram por triagem para selecionar aqueles com potencial de degradação do PCE. Os pesquisadores utilizaram espécies de Microbacterium, Stenotrophomonas, Exiguobacterium, Bacillus, Acinetobacter, Pseudomonas e Cupriavidus, dentre outras bactérias.

A utilização de microrganismos locais é importante, de acordo com Lambais, uma vez que eles já estariam adaptados ao ambiente contaminado. “Introduzir novas bactérias em um ambiente contaminado e mantê-las ativas não é uma tarefa trivial, pois as bactérias introduzidas normalmente apresentam baixa capacidade de colonização do novo ambiente e, na maioria das vezes, acabam morrendo”, afirmou.

Para contornar o problema da baixa densidade populacional de bactérias capazes de degradar o PCE, a solução foi enriquecer as comunidades microbianas locais em laboratório utilizando um reator horizontal de leito fixo (RHLF).

Bactérias locais
Os consórcios bacterianos selecionados se mostraram extremamente eficientes na degradação do produto e ainda geraram subprodutos menos nocivos durante o processo, em relação ao processo anaeróbio descrito na literatura.

“Os processos convencionais de degradação do PCE geraram cloreto de vinila, que é altamente tóxico e se dispersa facilmente na água subterrânea. Em nosso processo, em vez de cloreto de vinila foi produzido clorofórmio, que, apesar de tóxico, é facilmente biodegradado”, explicou Lambais.

A técnica de remediação utilizada pela equipe da Esalq pode ser aplicada em campo de duas maneiras: injetando a biomassa cultivada em laboratório diretamente na água ou bombeando a água contaminada para dentro do RHLF. As bactérias presentes no interior do reator eliminam o PCE da água, que pode ser devolvida limpa ao ambiente.

A utilização de um reator, segundo os pesquisadores, proporciona um controle maior da remediação e de sua efetividade. O sistema permite até ajustar as características químicas da água a fim de propiciar condições mais favoráveis para a atuação das bactérias.

Nesse sistema, as bactérias não têm contato com o ambiente externo. “Os organismos não saem do reator”, afirmou Lambais. A equipe não fez um levantamento de custos comparativo entre os dois métodos, mas a rapidez e o alto grau de limpeza alcançados coloca a técnica como uma eficiente alternativa para processos de remediação de água subterrânea contaminada.

Outras alternativas de remediação, como a extração de vapores e adsorção em carvão ativado, chegam a apresentar bons índices de retirada de contaminantes, mas o resultado é um subproduto indesejável, o qual precisa ser destinado a aterros sanitários.

“Nos processos físico-químicos de remediação, com a extração de vapores e adsorção em filtros, o PCE é retirado da água contaminada e transferido para o carvão ativado que fica contaminado, devendo ser disposto em aterros adequados”, disse Lambais. Por sua vez, a técnica de biorremediação degrada o contaminante, não deixando subprodutos tóxicos.

A equipe pretende agora detalhar bioquimicamente o processo de degradação aeróbia do PCE e identificar cada subproduto oriundo desse processo. Esse trabalho está sendo feito pelo doutorando Rafael Dutra de Armas.

Armas participa dessa pesquisa desde 2006 quando iniciou o seu mestrado, o qual contou com bolsa da FAPESP e resultou na dissertação “Caracterização da comunidade bacteriana em água subterrânea contaminada por tetracloroetano e espécies associadas com sua degradação”.

Agora, durante o doutorado, o estudante pretende identificar quais bactérias participaram do processo de degradação do PCE. “Pode ter sido um consórcio microbiano ou um só organismo o responsável pela degradação”, disse Lambais.

Essa identificação deverá facilitar futuros trabalhos de remediação e economizar tempo, uma vez que serão investidos esforços no enriquecimento somente das bactérias envolvidas na degradação. 

Poluidores do mar são pouco punidos e fiscalizados

* Por Vladimir Passos de Freitas
A proteção do meio ambiente, felizmente, passou a ser uma preocupação de todos. Discursos, palestras, filmes, não surtiram muito efeito. Mas agora, ciclones, inundações, terremotos, secas, altas temperaturas, fazem com que se sinta no corpo o que antes eram apenas palavras.Tais fatos e a preocupação mundial vêm fazendo com que se alterem posturas, hábitos, negócios.

Mesmo havendo quem duvide da mudança climática, o fato é que ninguém mais pode negar as alterações e os riscos existentes no meio ambiente. A preocupação é tanta que até mesmo entidades que resistiam a qualquer adesão vêm mudando sua postura. Por exemplo, a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) celebrou convênio com a Embrapa e comprometeu-se a investir 20 milhões de reais, destinados a conciliar a atividade rural com a proteção do meio ambiente (Gazeta do Povo, Curitiba, 25 de fevereiro de 2010, página 20). Ótimo.

No entanto, em meio a progressos na proteção ambiental no Brasil, que vêm sendo obtidos em diversas frentes, há uma área que parece estar estagnada, não avança: a proteção do mar territorial.
Realmente, aí não há motivo para qualquer comemoração. Como observa Dario A. Passos de Freitas, “as águas marinhas, principalmente nas regiões costeiras, acabam recebendo todo tipo de poluição, causada geralmente pela própria população ou por indústrias. Além disso, a grande maioria dos acidentes ocorre em águas próximas à costa, pois é onde se concentram os navios, portos, terminais e plataformas” (Poluição Marítima, Juruá, 2009, página 17).

Em poucas palavras, enquanto o licenciamento ambiental se torna cada vez mais rigoroso, as florestas são cada vez mais controladas (v.g. reserva legal de 20% das propriedades do sul/sudeste), as indústrias são submetidas a rígido controle dos órgãos ambientais, as águas superficiais e subterrâneas possuem uma agência específica para protegê-las (ANA) e a poluição atmosférica passa a ser acompanhada de perto (v.g., poluição por veículos), o mar territorial continua abandonado à sua própria sorte.

A poluição marítima nos limites da zona costeira pode dar-se por emissões de esgoto, poluição trazida por rios que deságuam no oceano (v.g., vazamento, em 2003, de 1,2 bilhão de resíduos tóxicos de indústria de Cataguazes, MG, que atingiu o litoral norte do RJ), descargas industriais, acidentes marítimos com vazamento (v.g., o vazamento, em 2004, de 291 mil litros de óleo do navio Vicuña, em Paranaguá, PR), lançamento de lixo ao mar por embarcações, pesca predatória e outros tantos.

E não são poucas as conseqüências disto. Por exemplo, o lançamento de esgoto sem tratamento cria zonas mortas, onde as algas proliferam, reduzindo o oxigênio da água e causando a morte de peixes. O vazamento de petróleo pode originar, pela toxicidade, a morte de peixes e vegetais marinhos.

No âmbito da pesca predatória de grande porte, a destruição em massa contribui para que diminuam os pescados, com manifesto dano ao meio ambiente e à população que deles se alimenta. Nesta área estamos quase na estaca zero. Há alguns acórdãos criminais condenando pequenos pescadores, mas nada, ou quase nada, sobre a pesca de grandes proporções. Uma das únicas exceções vem do TRF da 4ª. Região (Apelação Cível 2006.71.00.016888-4, 3ª. Turma, relator desembargador Castro Lugon, j. 29.4.2008). Na busca de ações efetivas, cita-se o papel do Instituto Justiça Ambiental, ONG com sede em Porto Alegre, RS, que vem tomando iniciativas judiciais a respeito (www.ija.org.br).

Pois bem, sendo reconhecida a ineficiência ─ e eu ficarei feliz se me provarem o contrário ─ pergunta-se: qual a razão?

A resposta é simples. A fiscalização da poluição marítima é atribuída aos funcionários dos órgãos ambientais (v.g. IBAMA) e aos agentes da Capitania dos Portos do Ministério da Marinha. É o que dispõe o artigo 70, parágrafo 1º da Lei 9.605/98. Esta atribuição da Marinha vem desde a Lei 5.357, de 1967, e continua até hoje, reforçada pela Lei 9.966/2000. Mas, na realidade, ela ou é pouco ou não é exercida.

O papel do Ibama (ou de um órgão estadual ou municipal) limita-se aos casos em que a poluição origina-se da zona costeira. É o que se deu, por exemplo, em caso de descarga de esgoto de um hotel em um rio no Estado de Santa Catarina, que desaguava no mar, fato que resultou não apenas na autuação administrativa, mas também em ação penal que condenou a pessoa jurídica e um diretor por crime de poluição, artigo 54 da Lei 9.605/98 (TRF-4, ACR 2000.72.04.001531-8/SC, 8ª Turma, relator Fernando Penteado, Diário Oficial da União, 9 de abril de 2005).

Mas quando os fatos ocorrem no mar e a fiscalização fica por conta da Capitania dos Portos, as autuações são raríssimas. A bem da verdade, em 35 anos de atividades e estudos do Direito Ambiental não tomei conhecimento de mais do que 5 casos. E minha preocupação é antiga. Sobre o tema, escrevi em 16.6.1991 artigo denominado “Poluição do mar,” no jornal Estado do Paraná. Por que será assim?

Bem, a Marinha de Guerra tem por finalidade a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa dos demais Poderes, a defesa da lei e da ordem (CF, art. 142). Proteger o meio ambiente não é  prioridade da Capitania dos Portos. Não é comum Oficiais da Marinha frequentarem congressos de Direito Ambiental, divulgarem orientações ambientais, relatórios, artigos, ações ou declarações a respeito.

Daí se pode inferir que a vocação natural da Marinha por outros temas resulta em ineficiência na proteção do meio ambiente, atribuição que a Lei 9.605/98 dá aos agentes da Capitania dos Portos. E não apenas no mar, mas também nas águas interiores do Brasil onde a Marinha se faz presente, como nos rios internacionais.

Ora, sem qualquer desconsideração à Marinha e aos seus Oficiais, mas apenas porque o mar territorial reclama proteção ambiental e esta não vem ocorrendo, levanta-se a questão para que as Capitanias dos Portos e suas Delegacias sejam estruturadas, capacitadas e orientadas a assumir este papel. E, caso não o façam, que o passem às mãos do Ibama, a quem deverá ser dado o necessário aporte instrumental (v.g. lanchas modernas) ou a órgãos estaduais. O que não se admite é que persista a impunidade.
Quem dará o primeiro passo?

*  Desembargador Federal aposentado do TRF 4ª Região, onde foi presidente, e professor doutor de Direito Ambiental da PUC-PR.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sudeste bem representado

No sudeste, as cidades começam a se movimentar para participarem ativamente da Hora do Planeta 2010. São os casos de Taubaté, Tarumã (SP), Rio das Ostras (RJ) e Carangola (MG).

O Cristo Redentor é um dos maiores símbolos do Rio de Janeiro. Conhecido nos quatro cantos do mundo, milhões de turistas embarcam no bondinho - situado no bairro de Laranjeiras - eufóricos com a possibilidade de, em poucos minutos, conhecerem a imponente estátua de braços abertos construída no topo do Corcovado. Cenário de filmes, pedidos de casamento e paisagem de muitas fotografias, o local ficará às escuras no dia 27 de março, entre 20h30 e 21h30. Trata-se da Hora do Planeta, movimento inaugurado em Sidney, Austrália, em 2007 e que, pelo segundo ano consecutivo, chega ao país por meio do WWF-Brasil.

Por mais curioso que possa parecer, no entanto, o famoso cartão-postal carioca não será o único Cristo Redentor a ter as luzes desligadas no gesto simbólico de combate ao aquecimento global marcado para a próxima semana. Em Taubaté, cidade com cerca de 270 mil habitantes, no interior do estado de São Paulo, uma estátua homônima seguiu a tradição do parceiro famoso e se transformou no maior ícone da cidade. Localizado no bairro Alto do Cristo, é o ponto mais alto de todo o município. Aceso durante todas as noites do ano e ponto de referência em qualquer rua, o ‘Cristo de Taubaté’ será apagado durante 60 minutos para mostrar a preocupação da população local com as mudanças climáticas e a conservação de ambientes terrestres e aquáticos – principais focos da versão nacional da mobilização.

"Recebemos muitos e-mails e ligações de habitantes com perguntas a respeito do que significa a Hora do Planeta e pedidos de informações sobre o que pode ser feito. Além disso, vamos comunicar sobre a nossa decisão e o que faremos no dia 27 através de jornais locais. O legal é que todos conseguem ver a estátua do Cristo, de onde estiverem”, avalia Getúlio Kater, engenheiro agrônomo da Diretoria de Meio Ambiente, Turismo e Cultura.

Também no estado paulista, outra cidade aderiu ao movimento que, acima de tudo, pretende ressaltar a importância, no Brasil, do combate ao desmatamento e defesa dos alicerces do Código Florestal, como as áreas de preservação permanentes (APPs) e reservas legais. Ela chama-se Tarumã e, uma vez mais, decidiu mostrar ao mundo que se preocupa com o equilíbrio ecológico, manutenção das florestas em pé e redução imediata das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Com vontade de dar um ótimo exemplo para a região sudeste, o lugar conhecido, no início dos anos 20, por ser uma fazenda cujo dono contratava seus vaqueiros com o pré-requisito de serem bons jogadores de futebol, garantiu que vai apagar todas as suas áreas públicas. Para isto, a prefeitura entrará em contato e firmará parcerias com a Câmara Municipal, Polícia e outras instituições, com o intuito de garantir a ordem e a segurança durante a Hora do Planeta.

“Também faremos uma mobilização com todos os moradores, em especial funcionários da prefeitura. Começaremos agora, há cerca de quinze dias do evento, e usaremos carros de som e spots de rádio. Temos espaço de propaganda nas emissoras locais. A noite de 27 de março começará com o apagar das luzes do mastro situado na entrada da cidade com a bandeira do município. Ele tem 40 metros de altura e fica aceso a noite toda. Até quem está na rodovia consegue vê-lo”, afirma Angelo Henrique Biazi, supervisor de Meio Ambiente de Tarumã.

Além do mastro, também ficarão sem qualquer resquício de luminosidade o prédio da Prefeitura Municipal, a Praça das Palmeiras, o Centro Integrado de Educação e Cultura e a Câmara. A urgente necessidade de combater o aquecimento global e manter o equilíbrio na natureza para a adaptação às conseqüências do aquecimento serão a base de toda a comunicação no município.

Carangola

Terra natal do Ministro do Supremo Tribunal Federal entre 1960 e 1969, o advogado Victor Nunes Leal, Carangola (MG) já foi referência na plantação de café. Atualmente, a cidade, conhecida como Princesinha da Zona da Mata, tem como principal virtude a prestação de serviços na área de saúde. Mas não é só. Em seus domínios está uma das mais importantes fábricas de laticínios do Brasil.

Entre as 20h30 e 21h30 do dia 27 de março, a principal notícia que virá deste pequeno município mineiro é a escuridão que tomará conta do Cruzeiro, símbolo e monumento religioso, tombado pelo Patrimônio Histórico, da Praça da Matriz e de todos os prédios no entorno (como a Igreja Matriz e o Fórum) e de placas de divulgação na fachada dos prédios públicos. As vias permanecerão acesas em função da segurança. Esse será o gesto simbólico da cidade de Carangola e seus habitantes de preocupação e alerta contra o aquecimento global.

“No próximo ano, o prédio da prefeitura, que está em obras e é uma arquitetura muito bonita, já estará pronto e reformado. Na ocasião, ele será o grande símbolo da Hora do Planeta. Em 2010, faremos uma apresentação musical de voz e violão, sob a luz de tochas, durante os 60 minutos”, explica Francisco Cabral, secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Carangola.

Rio das Ostras
A cada verão, cerca de 200 mil pessoas visitam Rio das Ostras, uma das cidades mais concorridas do litoral Fluminense em função de suas belas e diversificadas praias. O seu maior símbolo é a ponte que passa logo acima do rio que dá nome ao lugar. Ela, é claro, foi anunciada como um dos três monumentos a serem apagados durante a Hora do Planeta, como gesto de alerta contra os graves impactos das mudanças climáticas.

“A ponte é a logomarca da cidade, símbolo oficial ao lado da bandeira, do brasão e hino. Mas também desligaremos as luzes da Praça José Pereira Câmara, nova e central, à beira da praia, e o prédio da prefeitura, de grande porte. Por fim, temos um núcleo de educação ambiental que está visitando escolas, divulgando o projeto e pedindo a adesão. Anúncios em jornais impressos e rádios entrarão na semana do evento”, diz Max José de Almeida, secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca.

Almeida explica que a repercussão na mídia da Hora do Planeta foi tão grande no último ano que, tão logo souberam do movimento em 2010, decidiram participar ativamente. Para isso, também haverá uma apresentação musical na praça. Além das citadas, Osasco, Barueri, Porto Ferreira e São José dos Campos (todas de São Paulo) se engajaram na campanha. E a sua cidade, participará também?

Sobre a Hora do Planeta
A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas. No sábado, dia 27 de março de 2010, às 20h30, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global. Na primeira edição, realizada em 2007 na Austrália, 2 milhões de pessoas desligaram suas luzes. Em 2008, mais de 50 milhões de pessoas de todas as partes do mundo aderiram à ação. Em 2009, quando o WWF-Brasil realizou pela primeira vez a Hora do Planeta no Brasil, quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram suas luzes.

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segunda-feira, 15 de março de 2010

III Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos

Evento será em Macaé (RJ) e terá como tema “Consumo Consciente por uma Economia Sustentável”

Promovida desde 2008 pela revista Visão Socioambiental (visaosocioambiental.com.br) e parceiros para disseminar conceitos e estimular ações de Responsabilidade Social e Sustentabilidade nos municípios da área de influência da Bacia de Campos, região que tem como principal atividade econômica a exploração de petróleo - fonte energética não renovável -, a Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos (feirarsebaciadecampos.co m.br) será realizada este ano nos dias 19, 20 e 21 de maio, no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho (Macaé Centro), das 14h às 21h.

Como aconteceu nas duas versões anteriores, a III Feira de RSE Bacia de Campos – cujo tema central é “Consumo Consciente por uma Economia Sustentável - terá a participação de empresas, organizações não governamentais, gestores públicos, universidades, profissionais liberais, estudantes, instituições de classe, entidades socioambientais, entre outros.

No evento estão incluídos stands, Fórum com palestras, painéis e mesa-redonda, Rodada de Negócios Sustentáveis, Sala de Projeção de Filmes e Vídeos ambientais, apresentações artísticas e culturais com talentos da terra e artistas já consagrados etc. A entrada é inteiramente gratuita, inclusive para o Fórum, bastando o interessa do se credenciar pela internet ou no local.

A III Feira de RSE Bacia de Campos contará com a participação de nomes consagrados na área de Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade, tais como a economista Amyra El Khalili, o também economista e ambientalista Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável e de Governança Metropolitana do Rio de Janeiro e professor de economia brasileira na PUC-Rio, a jornalista Amélia Gonzalez, editora do caderno Razão Social de O Globo, Higino Aquino, presidente do Instituto Brasileiro de Florestas, entre outros convidados, além de representantes de organizações não governamentais e de grandes empresas e entidades que lideram o movimento em prol da sustentabilidade no Brasil e no exterior.

De acordo com o jornalista Martinho Santafé, diretor da Revista Visão Socioambiental, as du as Feiras anteriores mostraram ser o evento uma excelente oportunidade para a troca de conhecimentos e experiências, possibilitando, inclusive, o surgimento de parcerias e de ações pela sustentabilidade regional envolvendo atores diversos, como prefeituras, entidades empresariais, sindicatos, universidades, ONG´s e Agendas 21 locais. “O grande objetivo da Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos é sensibilizar pessoas a participarem ativamente da construção de um mundo mais sustentável”, diz o jornalista.

Evento: III Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos
Período: 19, 20 e 21 de maio de 2010
Horário: 14h às 21h

Objetivo: Apresentação de projetos e ações nas áreas de Responsabilidade Social e Sustentabilidade, disseminando, através de palestras, oficinas do conhecimento, painéis, mesas-redondas e debates, conceitos e ações de Responsabilidade Social e Sustentabilidade, direcionados para o desenvolvimento regional sustentável.

Realização: Revista Visão Socioambiental e parceiros.

* Local: Rodovia Amaral Peixoto, Km 170 - Barreto – Macaé/RJ

http://www.feirarsebaciadecampos.com.br

Apoio: Pla neta Voluntários

Entrada gratuita, mediante credenciamento, incluindo a participação no Fórum de Palestras.

Consumo humano ameaça tubarões

Por Matthew Berger, da IPS

Enquanto a mudança climática transforma a acidez e os níveis de oxigênio das águas mundiais, com devastadores efeitos para algumas espécies marinhas, outras, como os tubarões, enfrentam uma ameaça ainda mais imediata: o consumo humano. Para reverter esse comércio insustentável, será feita uma proposta de incluir na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites) uma quantidade sem precedentes de espécies, para proibir ou reduzir de modo significativo sua exploração. Entre elas figuram oito variedades de tubarões, procuradas para a elaboração de pratos que desde sopa de barbatana até servido com batata frita.

Desde sábado, e até o próximo dia 25, estes tubarões e outras variedades de alto perfil serão tema de debate na reunião da Cites, em Doha. Nos últimos tempos, vários estudos consideram que são capturados até 73 milhões de tubarões por ano, apenas para o comércio de barbatanas, embora seja muito difícil obter números precisos. Com a população mundial cada vez maior e mais rica, especialmente na Ásia oriental, onde a sopa de barbatana é considerada um manjar, a pesca de tubarões é cada vez mais intensa. E também são intensos os esforços para reduzir essa prática.

“O fato de haver mais propostas para incluir variedades de tubarões na Cites é um bom sinal, quanto às espécies que precisam desta atenção internacional e aos controles que estão recebendo”, disse Ellen Pikitch, diretora-executiva do Institute for Ocean Conservation Science da Universidade Stony Brook, de Nova York. “Contudo, também é um triste sinal de que os oceanos correm um perigo real”, acrescentou Pikitch, que fez vários estudos sobre o comércio internacional de tubarões.

Como os produtos derivados do tubarão geralmente são exportados de um país para outro, o fato de a Cites os incluir em sua lista pode ter enorme impacto na recuperação das espécies ameaçadas. Os tubarões têm características biológicas particulares que os tornam extremamente vulneráveis à pesca excessiva. Por exemplo, têm baixa reprodução, enquanto outros peixes podem por centenas de milhares de ovos. E também a gravidez é muito longa.

O cação-de-espinho (Squalus acanthias), uma das espécies candidatas a entrar na lista da Cites, tem um período de gestação de 24 meses, o mais longo do que qualquer vertebrado. Este peixe pode viver cem anos ou mais, e não atinge a maturidade sexual antes de uma ou duas décadas. Devido a estas desvantagens biológicas, “durante muito tempo os cientistas se preocuparam com o fato de os tubarões serem pescados em grande escala, e isso estamos vendo acontecer agora”, disse Pikitch.

O cação-de-espinho tem barbatanas pequenas e é pescado por sua carne, que substitui o bacalhau do Atlântico Norte – depois que a pesca excessiva dizimou suas reservas – como principal variedade para elaboração de pratos de pescado com batata frita na Europa. Mas agora as populações de cação-de-espinho no Atlântico noroeste “estão tão esgotadas que essencialmente entraram em colapso”, segundo Matt Rand, diretor de Conservação Mundial de Tubarões no Pew Environment Group.

Outro tubarão capturado por sua carne, e que pode entrar na lista da Cites em Doha, é o marracho (Lamma nasus), afirmou Rand. “A Europa adotou todas as medidas possíveis para proteger estas espécies em suas águas, mas é preciso agir globalmente”, acrescentou. Outras duas variedades a incluir na Cites – o tubarão oceânico (Carcharhinus longimanus) e o tubarão martelo recortado (Sphyrna lewini) – estão ameaçadas pela insustentável demanda por suas barbatanas.

Estes e outros tubarões foram incluídos nas propostas para integrar o Apêndice II da Convenção, que continuará permitindo algum grau de comércio de seus produtos, mas exigirá certificados de exportação e controles para garantir a sobrevivência das espécies. As espécies que a Cites protege, ou cujo comércio internacional proíbe, são principalmente terrestres. Mas os oceanos são o último hábitat que resta em que os animais selvagens são capturados em grandes quantidades para consumo humano, e a comunidade internacional está começando a reconhecer a necessidade de regular a pesca insustentável.

Todas as espécies marinhas a serem incluídas na lista – os oito tubarões, junto com os corais vermelho e rosado e o atum de barbatana azul do Atlântico – costumam ser exportados das águas dos países onde são pescados. Assim, a Cites tem um papel fundamental na hora de garantir sua sobrevivência. Mas em Doha as coisas não serão fáceis. Pikitch recordou que propostas anteriores sobre o marracho e o cação-de-espinho foram discutidas, mas acabaram fracassando na última reunião, realizada em Haia, em 2007.

Os conservacionistas têm maior otimismo desta vez, mas, de todo modo, será difícil convencer dois terços dos 175 países que integram a Cites. Esse é o mínimo necessário para a lista ser aprovada. Algumas nações serão particularmente mais difíceis de convencer. “Penso que está muito claro que China e Japão não apoiarão a proteção destas espécies de tubarão”, disse Rand, acrescentando que na China há muita educação a respeito. Maldivas já anunciou – pouco antes da reunião em Doha – que converterá suas águas territoriais em santuário de tubarões, e proibiu todas as importações e exportações de suas barbatanas. Dessa forma, uniu-se a Palau, que adotou a mesma medida em setembro do ano passado.

Palau tem estado na vanguarda do movimento de conservação de tubarões, e é o único país que impulsiona abertamente todas as propostas de inclusão desses animais na Cites. Nos Estados Unidos, a Câmara de Representantes aprovou, há um ano, a Lei de Conservação de Tubarões, que atualmente está em análise no Senado. Boa parte do interesse em preservar estes animais pode ser econômica. Estudos recentes concluíram que os tubarões têm mais valor vivos do que mortos. Segundo a organização ambientalista Oceana, os tubarões coralinos das Bahamas geram US$ 250 mil a título de turismo e apenas US$ 50 quando são capturados.

Um estudo do governo da Austrália revelou, em 2006, que 25% dos gastos dos que visitam a Grande Barreira de Coral nesse país está diretamente ligado à oportunidade de ver tubarões. E uma pesquisa da Universidade James Cook, também na Austrália, concluiu que o tubarão cinza gera nas Maldivas US$ 3,3 mil anuais em turismo, enquanto um pescador que o vende consegue apenas US$ 32.

Porém, a justificativa para proteger os tubarões vai além dos custos e benefícios econômicos. Como predadores por excelência, são fundamentais para manter a saúde dos oceanos e das populações de peixes e outras espécies que são uma parte importante da dieta dos seres humanos. IPS/Envolverde

Fonte: IPS/Envolverde

Exposição sobre anfíbios pretende estimular a preservação ambiental

Por Danielle Kiffer, da Agência Fapesp

Também conhecido popularmente como pingo de ouro, o anuro da espécie Brachycephalus epphipium chega ao máximo de 20 milímetros de comprimento na idade adulta. Apesar do tamanho diminuto e de seu belo tom de amarelo brilhante, ele pode ser letal. Apenas um miligrama das secreções de glândulas da sua pele é suficiente para matar um ser humano.

Esse e diversos outros anfíbios da Mata Atlântica são apresentados ao público na exposição fotográfica “Tom e Contra-Tom”, inaugurada nessa quarta-feira, 10 de março, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso-ICMBio), sede de Guapimirim, que pode ser visitada entre 8h e 17h. Na mostra, o visitante também constata a intervenção desordenada do homem na natureza, que ocasiona a degradação do meio ambiente. Idealizada pela pesquisadora Lycia de Brito Gitirana, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a exposição faz parte do projeto “Educar para Preservar: um Exercício da Cidadania”, vinculado ao laboratório de Histologia Animal e Comparada, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A exposição recebeu apoio financeiro da FAPERJ, por meio do Programa de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia no Estado do Rio de Janeiro.
Entretanto, não é só de pequenos animais que é composto o universo dos anfíbios. Para mostrar a ampla biodiversidade dessa fauna, também estará exposta a espécie Rhinella icterica, o nosso tão conhecido sapo-cururu ou sapo comum, que pode alcançar o tamanho de 20 centímetros. "O principal objetivo da exposição é despertar, no cidadão, a consciência sobre a importância da preservação da natureza. Esse fato remete ao próprio nome da exposição", diz Lycia.

De acordo com a professora, até o título da exposição procura mostrar exatamente isso. " 'Tom' representa a biodiversidade existente e 'Contra-Tom', a ação humana que degrada o meio ambiente. Da menor à maior espécie, todos os anfíbios têm grande relevância para o ambiente. Precisamos nos conscientizar a respeito da importância da preservação da natureza, pois tudo tem consequências. Catástrofes naturais, como queda de encostas, são alguns dos resultados das modificações ambientais provocadas pelo homem”, exemplifica.

Do total de 34 fotos expostas, tiradas por Lycia e pelos biólogos da UFRJ Thiago Silva Soares e Rodrigo Salles, 13 serão trocadas periodicamente para que sempre haja uma novidade para quem for visitar a exposição. Às imagens de anfíbios da região gerenciada pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos se somam as fotos que retratam os prejuízos da ação humana ao meio ambiente. “Acredito que, ao se deparar com uma biodiversidade tão grande, o visitante da exposição sinta despertar um estímulo à preservação.

Os anfíbios retratados são bastante diversos em cores e tamanhos e acredito que toda esta beleza e pluralidade, em contraste com as imagens da destruição, sensibilizarão os visitantes. A Mata Atlântica tem uma ampla variedade de espécies e precisamos preservá-las para o bem das futuras gerações”, ressalta.

A exposição será apresentada no Centro de Visitantes Museu Von Martius, prédio histórico que foi totalmente restaurado e que abriga uma exposição permanente sobre o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e sobre o botânico alemão Karl Friedrich Phillipp Von Martius, que chegou ao Brasil em 1817 e estudou a região. Seu trabalho rendeu a obra Flora brasiliensis, que levou 66 anos para ser concluída e é ainda hoje o mais completo e abrangente levantamento da flora nacional, com 22.767 espécies catalogadas.

Exposição “Tom e Contra-Tom”
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Sede Guapimirim, na Rodovia BR 116 (Rio-Teresópolis), Km 98
Horário: 8 às 17 horas

Estudo revela que a alta concentração de fósforo

Por Danielle Jordan da AmbienteBrasil

Uma pesquisa realizada por Claudia Maria Gomes de Quevedo, em sua tese de mestrado, revelou que as altas concentrações de fósforo em bacias hidrográficas, como a do Tietê, em São Paulo, podem estar relacionadas com o nível de ocupação urbana.

Diversos fatores como liberação de efluentes pelas indústrias, lançamento de esgoto e utilização de fertilizantes em áreas rurais contribuem com o aumento desse nutriente e aceleram o processo de eutrofização das águas.

A pesquisadora avaliou as características do rio Tietê e as formas de uso e ocupação da bacia. Segundo o estudo, as concentrações de fósforo neste rio, na região metropolitana, são muito mais altas se comparados às regiões agrícolas.

Segundo Quevedo, "as concentrações de fósforo verificadas ao longo dos anos nas águas do Tietê são mais expressivas em áreas fortemente povoadas provavelmente devido ao esgoto doméstico, especialmente pelo uso de detergentes e saponáceos. Nas regiões menos urbanizadas da bacia e com intensa atividade agrícola, a concentração do nutriente nas águas diminui notoriamente".

O trabalho foi orientado pelo professor Wanderley da Silva Paganini, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo, USP.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Verdade sobre o Alegado Roubo de Ovos de Tartarugas na Costa Rica

Por Marcelo Szpilman, do Instituto Ecológico Aqualung  

Nas últimas semanas tem corrido livre pela internet emails, com o assunto *AJUDEM A DIVULGAR ESTE ABSURDO*, contendo fotos de pessoas coletando ovos de tartarugas marinhas e os carregando em grandes sacos. O e-mail termina solicitando “FAVOR DIFUNDIR. ROUBAM OS OVOS DAS TARTARUGAS PARA VENDER AOS GOURMETS SOFISTICADOS. REPASSEM, O PLANETA AGRADECE”.

Por orientação do *Projeto Tamar – ICMBio / Fundação Pró-Tamar*, é importante esclarecer os fatos e estabelecer a verdade, pois o que sugerem o texto e as imagens não é exatamente o que parece. É mais uma “pegadinha” da Internet.

A VERDADE

A Costa Rica tem enorme tradição de conservação das tartarugas marinhas. O pesquisador americano Archier Car, pioneiro na conservação de tartarugas marinhas, há 50 anos já trabalhava para preservar a espécie *Lepidochelys
olivacea* (tartaruga  oliva) em Tortugueiro, Costa Rica, hoje um dos maiores sítios de desovas dessa espécie no mundo.

E uma das características mais impressionante dessa espécie é que ela produz as *Arribadas*, um fenômeno que ocorre exclusivamente na Costa Rica. As tartarugas saem juntas da água em direção à praia para desovar, aos milhares, por varias noites seguidas. São mil na primeira noite, cinco mil na segunda noite e assim por diante. Em cinco noites, cerca de 100 mil tartarugas desovam em pequenas praias, com cerca de 300 metros, em um verdadeiro engarrafamento na areia. Os ninhos das primeiras fêmeas são revirados pelas outras, expondo-os ao tempo e aos predadores (aves, onças, crocodilos e gambás), o que muitas vezes inviabiliza o sucesso reprodutivo.

 Na Praia de Ostional, na Costa Rica, onde esse fenômeno também acontece, e que está retratado nas imagens, os moradores locais, baseados em dados biológicos, são autorizados a fazer o aproveitamento dos ovos que são depositados nos dois primeiros dias da arribada e que seriam destruídos pelas fêmeas que desovam nas noites seguintes. Ou seja, os moradores locais coletam os ovos depositados somente nas duas primeiras noites e deixam os ovos desovados nas três noites seguintes.

 Como tudo na vida há prós e contras, críticas e elogios. Porém, os conservacionistas da Costa Rica acompanham, através das analises cientificas, o desenrolar dessa experiência que há dezenas de anos mobiliza milhares de pessoas e tartarugas. Como estratégia de conservação, busca-se fazer um manejo sustentado equilibrando os interesses. Assim não se perdem milhares de ovos, a comunidade local tem uma fonte de renda e as tartarugas fêmeas não são capturadas e continuam se reproduzindo.

 30 Anos de Projeto Tamar – Um Fato Curioso

 No Brasil não há arribadas e as tartarugas oliva concentram suas desovas no Estado de Sergipe e no litoral norte do Estado da Bahia, apresentando a maior recuperação populacional entre as cinco espécies que ocorrem no Brasil.

Esse ano o Projeto Tamar comemora 30 anos de excelentes serviços prestados na proteção e monitoramento das tartarugas marinhas. Como elas podem levar até 30 anos para se tornarem adultas e aptas a se reproduzirem, estamos recebendo nas praias brasileiras a primeira geração de tartarugas protegidas pelo Projeto Tamar. Começaram protegendo cerca de duzentos ninhos da tartaruga oliva e hoje já são mais de seis mil ninhos por ano.
 *Instituto Ecológico Aqualung*

Mudanças no clima deixam SP vulnerável a epidemias de dengue


Fonte: Terra

As mudanças no clima da capital paulista nos últimos anos transformaram a cidade em uma"candidata forte" a ter grandes epidemias de dengue, segundo o diretor do Centro de Referência da Dengue de Campos dos Goytacazes, Luiz José de Souza. "Acho que São Paulo vai ter epidemias futuras graves, pode não ser neste ano, mas nos próximos, porque em São Paulo houve a mudança de temperatura brusca".

Segundo Souza, quem conhecia São Paulo no passado, "aquele friozinho, aquela chuvinha fininha", percebe hoje que a cidade passou a ter calor, tempestades uma atrás da outra, com alagamentos profundos. "Ou seja, tudo o que o mosquito gosta tem na capital", afirmou em entrevista à Agência Brasil.

O professor de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina, concorda com a avaliação de Souza, mas ressalta que, mesmo assim, a propagação da doença pode ser controlada. "É possível que o Poder Público controle a proliferação do mosquito transmissor da dengue, mas, a probabilidade de você ter uma epidemia, se o Poder Público esmorecer ou se a população não levar isso a sério, é muito grande".

Luiz José de Souza destaca a importância de preparar o sistema de saúde para diagnosticar a dengue com rapidez e tratar a doença com eficiência. "Tem que se organizar na assistência. Fazer o diagnóstico o mais rápido possível, o reconhecimento da doença, para poder fazer o tratamento adequado em tempo hábil".

Nos dois primeiros meses deste ano, foram confirmados 67 casos de dengue por 100 mil habitantes da cidade de São Paulo, mais do que o dobro do ano passado (26 por 100 mil habitantes). A Secretaria Municipal de Saúde ressalvou que apesar desse número, a infestação ainda é considerada baixa, por ser inferior a 100 casos por 100 mil habitantes. Historicamente, o maior número de casos na capital paulista se registra nos meses de março e abril.

Como a ocorrência da dengue é anual, principalmente nos meses mais quentes, Gonzalo Vecina destaca a importância de que as medidas de prevenção acompanhem essa periodicidade. "A dengue é que nem limpar casa, todo dia é de limpar casa".

Segundo Vecina, epidemias muito fortes, como as que começam a ocorrer em alguns municípios paulistas, decorrem do descuido das autoridades. Ele explicou que, sempre que a epidemia ocorre e foge do controle, a autoridade pública usou "de maneira inadequada" a sua capacidade de mobilizar as pessoas para que controlassem os locais onde os mosquitos crescem.

Para José Luiz de Souza, os problemas de infraestrutura do país impedem a erradicação completa da doença e atrapalham na prevenção. Ele destacou que a melhor prevenção é o trabalho combater o vetor, embora isso seja muito difícil no país, por problemas de infraestrutura.

"Condições de saneamento básico, condições habitacionais, temos hoje favelização crescente, abastecimento de água inadequado". Segundo ele, a única solução definitiva para o problema seria uma vacina que combatesse os quatro tipos de vírus existentes.

Livros digitais da Unesp

Por Fábio de Castro, da  Agência FAPESP

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) encontrou uma solução inovadora para oferecer acesso universal ao conhecimento produzido em sua pós-graduação: o Programa de Publicações Digitais, que lança nesta quinta-feira (11/3) sua primeira coleção, com 44 títulos inéditos.

O programa, decorrente de uma parceria entre a Fundação Editora Unesp (FEU) e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG) da universidade, publica em formato digital livros exclusivamente produzidos para esse fim, com foco nas áreas de ciências humanas, ciências sociais e aplicadas e linguística, letras e artes.

De acordo com o assessor da PROPG, Cláudio José de França e Silva, os títulos iniciais foram selecionados pelos Conselhos de Programas de Pós-Graduação da universidade.

“No mesmo momento em que estamos lançando esses títulos, publicamos a chamada para a edição 2010 do programa, que editará mais 58 livros. O objetivo do programa, lançado em 2009, é editar 600 livros digitais em dez anos”, disse França e Silva à Agência FAPESP.

Segundo ele, cada programa de pós-graduação da Unesp pode indicar até dois livros para publicação no âmbito do Programa de Publicações Digitais. “É uma maneira inovadora para dar vazão à grande produção acadêmica da Unesp nessas áreas do conhecimento. Todos os livros editados são derivados de pesquisas realizadas em nossos programas de pós-graduação, incluindo muitas teses e dissertações, além de trabalhos de docentes e egressos da universidade na última década”, explicou.

O objetivo principal é universalizar o conhecimento produzido pelos pesquisadores da Unesp em grande escala. “Boa parte da pesquisa fica restrita ao público acadêmico. Por outro lado, a publicação em papel de um volume tão grande de obras levaria anos e teria grandes custos. Com o programa, encontramos uma maneira viável para que esse conhecimento possa atingir um público amplo”, disse.

Como as obras passaram pelo crivo dos conselhos, o conjunto de 44 títulos é um reflexo dos próprios programas de pós-graduação da Unesp. “A seleção das obras leva de três a quatro meses para ser feita. No total, contando com todo o processo de edição e revisão, levamos cerca de um ano entre o início da seleção e a publicação dos livros”, disse França e Silva.

Segundo o assessor, existem outras iniciativas, em outras instituições, de disponibilização de conteúdos de livros na internet. Mas, pela primeira vez, uma universidade realiza um programa que publica obras projetadas, em sua origem, para o lançamento em formato digital.

“Esse é o caráter pioneiro do programa. A proposta é que esses livros permaneçam disponíveis em formato exclusivamente digital, sem qualquer custo para o leitor, democratizando a produção acadêmica da universidade”, afirmou.

As diretrizes do programa vetam a produção de obras derivadas a partir dos livros digitais lançados, a fim de garantir a integridade das obras. Também não é permitida a comercialização.

“Os livros têm um conceito muito bem claro, com um padrão de capas e de editoração definidos. Com isso, bastaria imprimi-los, da maneira que estão apresentados na internet, para termos essas obras em papel. Mas a ideia é que sejam mantidos como livros digitais apenas”, afirmou.

Para baixar os livros, segundo França e Silva, o leitor deve apenas preencher um cadastro sumário no site da Editora da Unesp e gerar uma senha que dá acesso às obras.

“O projeto é de grande importância para os autores. Suas obras, com a chancela da Unesp, serão acessadas por um público universal, que nunca seria atingido se a publicação fosse em papel. Iremos, ainda, ter o controle da quantidade e localidade dos downloads, o que nos permitirá aperfeiçoar as estratégias de publicação no futuro”, afirmou.

Para França e Silva, o público não deverá oferecer resistência ao novo formato. “Quando se começou a digitalizar os periódicos houve uma resistência inicial, mas hoje a maior parte das publicações é feita nesse formato. No entanto, não acreditamos que o livro de papel esteja desaparecendo. Trata-se apenas de uma nova forma de divulgar a ciência”, disse.

Segundo ele, os livros digitais serão cada vez mais importantes, em particular para as áreas de humanidades e artes – por isso o programa tem foco nessas áreas.

“Em geral, os pesquisadores das áreas de exatas e biológicas querem encaminhar suas pesquisas para periódicos o mais rápido possível. Mas nas áreas de humanas o livro tem um peso todo especial”, disse.

Cai o uso do fogo e vai a 56% a mecanização da colheita da cana em São Paulo

Por Antonio Gaspar, do Terra

A cana-de-açúcar já é colhida de forma mecanizada e sem o uso do fogo em cerca de 56% dos 4,34 milhões de hectares cultivados em São Paulo. O uso da tecnologia vem ajudando o Estado a evitar emissões de gases poluentes, causadores de efeito estufa, e a reduzir os fatores de degradação do solo e o consumo de água, entre outros.

Esses resultados não seriam possíveis sem o Protocolo Agroambiental, assinado entre o governo do Estado e o setor sucroalcooleiro, em 2007, para pôr fim à queima da cana durante a colheita, conforme balanço do programa divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente. “E ninguém tem ouvido falar de desemprego nesse setor. Isso por causa da ação bem feita pelo governo e pelas empresas”, comemora o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, ao se referir ao programa de reciclagem dos cortadores de cana, previsto nodocumento, permitindo que permanecessem nas usinas ou conseguissem emprego em outros setores da economia local.

Menos emissãoDe acordo com o gerente do Programa Etanol Verde, da Secretaria do Meio Ambiente, Ricardo Viegas, o acordo permitiu evitar a queima de 2,6 milhões de hectares de área plantada com cana e, com isso, a emissão de 7,92 milhões de toneladas de monóxido de carbono (CO), 1,13 milhão de hidrocarbonetos e 679 mil toneladas de material particulado. “Além desses gases poluentes, deixamos de emitir 1,63 milhão de t de CO2 equivalente, gás de efeito estufa. Esse volume equivale à emissão de uma frota de 23 mil ônibus a diesel durante um ano”, explica.

“Esses resultados mostram a condução acertada do processo. Não dava para fazer como queriam algumas organizações ambientalistas, de mudar tudo de uma hora para outra. Definimos o prazo de sete anos, tempo de duração de um canavial. E o resultado está dentro das melhores expectativas”, diz o secretário. “Chegaremos em 2014 com quase a totalidade da área plantada, colhida de forma mecanizada”, acrescenta.

EvoluçãoDe acordo com Viegas, na safra 2006/2007 a área com colheita mecanizada, sem uso do fogo, somava 1,1 milhão de hectares, 34,2% dos 3,24 milhões de hectares cultivados com a gramínea no Estado. “Nesse período, em 2,13 milhões de hectares ainda se queimava a cana.”

O quadro apresentado pela secretaria referente à safra 2009/2010 indica mudança de qualidade na atividade agrícola. A cana avançou em áreas degradadas, antes usadas para atividade de pecuária. A área cultivada cresceu em 1,1 milhão de hectares, totalizando 4,34 milhões de hectares. “Os números que acabamos de fechar indicam que a área de colheita mecanizada mais que dobrou, saltando de 1,1 milhão de hectares em 2006/2007 para 2,42 milhões de hectares na safra 2009/2010. Saltamos de 34,2% para 55,8% da párea total cultivada”, afirma.

Redução do fogoJá a área de colheita com o uso de fogo, que na safra 2006/2007 representava 65,8% do total, ou 2,13 milhões de hectares, hoje representa apenas 44,8% do total ou 1,9 milhão de hectares. “Em números absolutos, deixou-se de queimar uma área equivalente a uma vez e meia a cidade de São Paulo ou o equivalente a 314 mil campos de futebol”, explica Viegas.

Segundo o representante da Secretaria do Meio Ambiente, a previsão é a de que a área plantada com cana no Estado deve perfazer 7 milhões de hectares em 2014. Viegas prevê que 90% da colheita deverá ser feita com máquinas e sem o emprego do fogo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Relatório revela impactos negativos dos transgênicos

Por Natasha Pitts - Adital

Segundo o documento "Quem se beneficia dos cultivos transgênicos?", menos de 3% da área agrícola mundial está ocupada por plantações transgênicas e mais de 99% do que é produzido serve à alimentação de animais e para a produção de biocombustíveis.

Reforçando as publicações científicas que negam a utilidade dos transgênicos como medida para reduzir os efeitos das mudanças climáticas, a ONG Amigos da Terra Internacional lançou, no último mês de fevereiro, o relatório "Quem se beneficia dos cultivos transgênicos?". A publicação aborda e esclarece os verdadeiros efeitos que os cultivos de transgênicos causam à saúde e ao meio ambiente.

O relatório foi publicado ao mesmo tempo em que o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologias (ISAAA, por sua sigla em inglês) lançou sua publicação anual financiada pela indústria biotecnológica. O "Global Status of Commercialized Biotech" tem como foco promover os transgênicos e incentivar seus cultivos como a melhor saída para o combate à fome e à pobreza.

Desvendando a realidade, os Amigos da Terra Internacional, por meio de estudos e da coleta de dados atuais analisa as áreas de cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) no mundo e divulga os impactos sofridos pelos países que os plantaram. As informações agrupadas no relatório vão de encontro à hipótese de que os transgênicos podem combater as mudanças climáticas e a fome e afirmam que as suposições são "exageradas e totalmente prematuras".

 A afirmação categórica dos Amigos da Terra se deve ao fato de que estudos têm comprovado que os OMG estão causando mais malefícios do que benefícios. A prova, segundo relata o estudo da ONG, é que os cultivos de transgênicos estão incrementando as emissões de carbono e não estão ajudando a solucionar os problemas da fome no mundo. "Isto se deve ao fato de os cultivos transgênicos serem responsáveis por espetaculares aumentos no uso de pesticidas, tanto nos EUA como na América Latina, intensificando o uso de combustíveis fósseis", esclarece o relatório.

Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmaram que em 2008, os cultivos de transgênicos necessitaram de 26% a mais de pesticidas por hectare que as plantações tradicionais. No caso do Brasil, um estudo promovido pelo Governo em 2007 comprovou que o uso do herbicida glifosato cresceu 80% entre 2000 e 2005, quando a soja transgênica foi inserida no país.

A Argentina também passa por uma situação alarmante em decorrência dos transgênicos. Segundo o relatório, mais de 200 mil hectares de bosque primário desaparecem a cada ano para dar espaço às plantações de soja transgênica. A América do Sul é hoje a principal afetada pelo desmatamento em decorrência das plantações de soja transgênica.

MATERIAL GRATUITO de EDUCAÇÃO AMBIENTAL : atividades práticas nas ESCOLAS

Guia prático sobre a obtenção de corantes naturais a partir de flores para o uso de indicadores de poluientes na água.  Uma ótima atividade para ser desenvolvida nas escolas pelos professores. Serve tanto para os estudantes de nível fundamental como médio.

Extração de corantes naturais de flores e aplicações didáticas para o monitoramento de poluentes na água.
Alguns corantes naturais extraídos de plantas apresentam substâncias químicas sensíveis a mudança do pH e podem ser utilizados com indicador ácido-base.

Neste trabalho o Instituto Rã-bugio apresenta os estudos realizados com a extração de corantes de várias espécies de flores facilmente encontradas nas áreas urbanas.
São experimentos muito simples de serem reproduzidos, bastante atraentes para os alunos e praticamente sem custos. Enfim, atividades práticas que estimulam muito o aprendizado de ciências no ensino fundamental e médio.

Este estudo mostra como os professores podem aplicar os corantes obtidos de flores nas atividades de Educação Ambiental para demonstrar, de forma muito estimulante para os alunos, os princípios do monitoramento de poluentes em rios e lagoas.
O arquivo PDF pode ser baixado em http://www.ra-bugio.blogspot.com, a partir do link indicado no Blog na matéria sobre corantes extraídos de flores.

Fonte: Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade