segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Companhia de águas do Rio contesta laudo sobre lama e pedirá indenização a empresa

Alana Gandra

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) do Rio de Janeiro entra nesta segunda-feira (15) na Justiça com ação indenizatória de perdas e danos contra o grupo controlador da Mineradora Rio Pomba Cataguases. O rompimento de uma barreira mantida pelo grupo em Miraí, na última semana, provocou um vazamento de lama com bauxita que afetou municípios de Minas Gerais e do estado do Rio de Janeiro.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, explicou à Agência Brasil que a ação visa, na verdade, “garantir o direito” de reivindicar indenização pelas perdas sofridas no Estado do Rio, que continuam sendo contabilizadas. Apesar disso, ele estima que as perdas provocadas pelo acidente para os municípios fluminenses são superiores a R$ 1 milhão. Victer solicitou ao Ministério Público que entre também com ação criminal, responsabilizando os controladores da mineradora pelo vazamento. O presidente da Cedae contestou laudo divulgado na sexta-feira (12) pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), afirmando que não há contaminação das águas pela lama com bauxita nos municípios fluminenses afetados. “Claro que está contaminando! Tanto, que as águas estão paradas em Lajes de Muriaé”, afirma ele.

O laudo do Igam teria avaliado que não existiria componente químico tóxico na lama de bauxita que vazou nos rios Fubá e Muriaé na madrugada da quarta-feira(11). Victer confirmou que não se trata de um produto cancerígeno, mas acrescentou que ele torna a água imprópria para o consumo humano e compromete a agricultura e a pesca. “É um acidente de graves proporções”, diz ele. O presidente da Cedae diz que, por enquanto, só o município de Lajes de Muriaé foi atingido de forma ampla pelo problema. A Cedae mantém na região 50 carros-pipa e um contingente de 150 homens mobilizados. Outro município, Itaperuna, está sendo monitorado a cada 30 minutos pelos técnicos da Cedae. “Mas até o momento o sistema de abastecimento de água de Itaperuna está ligado”, afirma.
Wagner Victer revela, ainda, que em outra cidade próxima de Itaperuna, São José de Ubá, a Cedae colocou uma bomba captando água de outro manancial, que não o rio Muriaé, para prevenir qualquer problema de atendimento à população. Victer diz que amanhã (15), “ou a qualquer momento”, dependendo do andamento dos fatos, ele poderá interromper o suprimento de água de Itaperuna.

Fonte: Agência Brasil

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