quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Desastre deixa Miraí debaixo de lama

Leonardo Toledo

O rompimento das duas barragens de rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguases, que atua na cidade de Miraí, deixou a cidade inundada por mais de um metro de lama. As estimativas preliminares são de que 2 milhões de metros cúbicos de material tenha sido despejado no Rio Fubá. Em outro desastre causado pela mesma empresa, em março do ano passado, a quantidade de barro foi cerca de dez vezes menor. O impacto da enxurrada de lama chegou a demolir casas. O barro atingiu o Centro da cidade, invadindo muitas casas.Em algumas ruas, o barro chegou a mais de dois metros de altura. Apesar dos estragos, não houve vítimas. A prefeitura de Mirái, entretanto, estima que mais de 200 pessoas estejam desalojadas.

Abastecimento

Representantes da mineradora declararam que as providências para minimizar o impacto do desastre começaram a ser tomadas logo após o rompimento da barragem. A principal preocupação, no momento, é impedir que a lama _ O governo de Minas decretou ontem a interdição da Mineradora Rio Pomba, que provocou uma enxurrada de lama nas ruas de Miraí, chegando a demoliar casas não chegue ao estado do Rio de Janeiro. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) disponibilizou quatro caminhões pipa para o fornecimento de água de Lages do Muriaé, cidade do interior carioca. Outros dez caminhões já estariam sendo p ro v i d e n c i a d o s . De acordo com análise do Sistema estadual de Meio Ambiente (Sisema), o barro despejado pela mineradora é formado por água com grande quantidade de argila, conside rada rejeito da bauxita. A lama não contém material tóxico. O fornecimento de água em Miraí continua normal até o momento. Segundo a Copasa, o desastre não chegou a atingir o manacial da empresa.

Interdição

A Feam decidiu decretar a interdição definitiva da Mineradora Rio Pomba em Miraí. A decisão foi declarada pelo Secretário de Estado do Meio Ambiente, José Carlos C valho, após reunião com técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). A mineradora pode receber multa da Feam no valor de R$ 50 milhões. Os recursos deverão ser utilizados para cobrir os estragos causados na cidades. O Ministério Público decretou a interdição de todos os bens da empresa para que as famílias prejudicadas pelo desastre sejam ressarcidas. De acordo com o Igam, o desastre terá impacto menor do que o acidente ocorrido em março de 2006. A cheia nos rios da região estaria ajudando a diluir o barro lançado pela mineradora. A Mineradora Rio Pomba afirma que ainda não foi informada oficialmente da decisão judicial, mas adianta que vai acatar a decisão do governo. O departamento jurídico da empresa será acionado para analisar a situação.

Fonte: Jornal Panorama

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