segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Vaticano vai compensar emissões plantando árvores

O Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande (IED-BIG) inaugura na segunda-feira uma fazenda marinha de criação de um tipo de molusco capaz de constatar poluição no mar. É a coquille Saint-Jacques, ou vieira, um espécie nativa da costa brasileira.

A fazenda fica em frente à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, litoral sul fluminense, e faz parte do Projeto de Repovoamento Marinho da Baía da Ilha Grande, da Eletronuclear e da Petrobras, que já conta com cerca de 40 outras áreas de produção do molusco e pretende incentivar a maricultura na região. A coquille Saint-Jacques funciona como um bioindicador, ou seja, por intermédio dela, é possível identificar qualquer alteração nas condições do mar, como a presença de poluentes. O molusco, que quase foi extinto em meados dos anos 90, precisa de um mar livre de poluição para se desenvolver.

De acordo com o diretor executivo do IED-BIG, José Luiz Zaganelli, a criação de uma fazenda marinha em frente à central nuclear permite que os pesquisadores monitorem o impacto da usina na região e desperta a consciência ecológica dos moradores. "A coquille Saint-Jacques, como todo molusco, é um bioindicador - é possível, a qualquer momento, fazer uma análise química do animal e identificar se ele tem alguma contaminação. Se tiver alguma poluição na região, ele vai acusar. Ele é chamado de sentinela do mar", disse Zaganelli. A iniciativa fornece aos pescadores da região toda a infra-estrutura e suporte técnico necessários para a produção do animal, gerando emprego e renda. Segundo o diretor do projeto, as fazendas marinhas são um negócio lucrativo e não poluente, que agregam desenvolvimento econômico, social e científico.O laboratório do projeto produz anualmente 13 milhões de filhotes do molusco. Em idade adulta, a dúzia do animal chega a ser comercializada a R$ 30.

O projeto, que começou na Ilha Grande, atualmente já existe em sete Estados brasileiros. Cerca de 500 famílias são beneficiadas pelo cultivo do molusco e 7 mil pessoas já foram capacitadas em cursos do projeto.

Fonte: Agência Brasil

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