quarta-feira, 23 de abril de 2008

Expedição descobre novos vertebrados no cerrado


Andressa Spata

Biólogos identificam 14 espécies desconhecidas em estação ecológica no Tocantins e na Bahia

O cerrado brasileiro acaba de ganhar 14 novas espécies de vertebrados, identificadas em expedição realizada na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, que abrange os estados do Tocantins e da Bahia. A descoberta, feita por pesquisadores de diversas instituições do Brasil, reforça a importância de se aprofundar o conhecimento sobre esse que é um dos biomas mais ameaçados do mundo e já apresenta 50% de sua área original devastada.

As espécies descobertas incluem oito peixes, três anfíbios, um mamífero, uma ave e um réptil. “Ainda não sabemos se esses animais só vivem naquela região específica ou se ocorrem em todo o cerrado”, diz o coordenador da expedição, o biólogo Cristiano Nogueira, do Programa Cerrado-Pantanal da ONG Conservação Internacional – Brasil (CI-Brasil). “Porém, estamos certos de que eles são endêmicos do bioma e, portanto, não existem em mais nenhum outro lugar do planeta”, completa. Um dos achados da expedição foi uma nova espécie de lagarto do gênero Bachia, bem adaptada aos solos arenosos. O pesquisador lembra que outras espécies do gênero também foram descritas recentemente no cerrado. Por ter seu hábitat progressivamente diminuído pela ocupação humana, esses animais já se encontram ameaçados.

Além das espécies inéditas, a equipe registrou a presença de outros animais ameaçados de extinção, como a arara-azul-grande e o tatu-bola. “A preservação da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins é de extrema importância”, avalia o biólogo. “Sem ela, essas espécies já poderiam ter sido extintas.” A expedição durou quase um mês e mobilizou 26 pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), Federal de São Carlos (UFSCar), Federal do Tocantins (UFT) e da ONG CI-Brasil. Nogueira explica que, com os dados coletados e um maior aprofundamento das pesquisas, será possível definir com mais precisão o grau de ameaça a esses animais e mapear ambientes únicos e frágeis na região, com o objetivo de preservá-los de forma mais eficiente.

Fonte: Ciência Hoje

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