quarta-feira, 10 de março de 2010

Curso online gratuito ensina sobre Amazônia e Mudanças Climáticas

Professores, jornalistas e leigos interessados em conhecer mais sobre a floresta amazônica e as mudanças climáticas acabam de ganhar a nova versão de um curso completo, gratuito e disponível no site do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Basta um click em www.ipam.org.br e os usuários terão acesso a informações atualizadas por especialistas e cientistas. O curso está dividido em módulos e pode ser feito de acordo com a disponibilidade de tempo dos usuários. 

Com um design que favorece a navegação e a busca de dados e imagens, o curso é simples o suficiente para atender àqueles com pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema e diversificado e completo também para
auxiliar e esclarecer profissionais que se relacionam com os temas abordados no curso.

O curso
A Floresta Amazônia e as Mudanças Climáticas é uma iniciativa conjunta entre duas organizações norte americanas, a NEETF (National Environment Education Foundation) e a COMET (Cooperative Program for Operational Meteorology, Education and Training) e o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Educação
O material é dividido em cinco seções: Terra e seu Clima; Evidências das Mudanças Climáticas; Projeções para o Futuro; Brasil, a Amazônia e Mudanças Climáticas e Acordos Internacionais. O curso tem versões em
Português e Inglês. Pode ser feito diretamente na internet ou impresso para uso em salas de aula.

  “Trata-se de uma ferramenta de aprendizado para toda a sociedade brasileira interessada em formar uma opinião crítica sobre assuntos que, a todo momento, estão em debate na mídia e que são cruciais para entender a atualidade do planeta”, diz Paulo Moutinho, coordenador de Pesquisas em Mudanças Climáticas do IPAM. 

De acordo com o especialista do IPAM, o curso poderá ser bem aproveitado principalmente nas escolas, pois é todo ilustrado com fotos e desenhos que o tornam mais didático e atraente para jovens e adultos. Para os professores, é uma publicação que já vem preparada por especialistas e pode servir como elemento de discussão em grupos.

O curso também é uma fonte de informação segura para profissionais que tratam diariamente com o tema e uma opção de leitura inteligente para os leigos interessados nos temas da atualidade. Acesse o curso: www.ipam.org.br

8ª Semana Metropolitana da Água

Dona da maior disponibilidade hídrica do estado de São Paulo, a Baixada Santista receberá a partir da próxima segunda-feira a VIII Semana Metropolitana da Água, que sempre traz o tema “A Ordem é Água Limpa”. As atividades começarão dia 15 de março, às 19h, na Câmara Municipal de Peruíbe, com a Solenidade de Abertura.

Na ocasião acontecerá a abertura oficial da Semana da Água, o lançamento do projeto da Ecosurfi - Rio do Nosso Bairro - Escolas Cuidando da Água, a apresentação das 36 escolas inscritas no projeto e uma palestra sobre Educação Ambiental na Gestão das Águas. Participarão autoridades da região e do município de Peruíbe e representantes das Secretarias Municipais de Educação e da Diretoria Regional de Ensino.

A prefeita de Peruíbe, Milena Bargieri, o presidente do CBH-BS e prefeito de São Vicente, Tércio Garcia, e o Secretário de Meio Ambiente de Santos, Fábio Nunes, são presenças confirmadas. O evento contará também com a presença de um representante da Coordenadoria de Educação Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

Já o encerramento acontecerá dia 22 de março, Dia Mundial da Água, quando cerca de 4 mil alunos e alunas de escolas públicas dos nove municípios da Baixada Santista se reunirão em Peruíbe para uma das maiores mobilizações da região, a 5ª Caminhada Metropolitana da Água. Serão ao todo três ônibus de cada cidade da região, mas alunos de toda a rede municipal e estadual de Peruíbe. Entre os dias 15 e 22, todas as escolas que participarão da Caminhada vão trabalhar a temática com os alunos e elaborar materiais para a campanha.

A VIII Semana da Água dá início a um processo que envolve 4 escolas de cada município para o desenvolvimento de mapeamentos de microbacias, atrelados a atividades formativas de professores. Este processo termina no final do ano, com a realização da I Conferência Metropolitana de Escolas Cuidando das Águas da Baixada Santista e com a publicação de um livro com as experiências das escolas.

A Semana da Água é tradicionalmente realizada pela Comissão de Educação e Divulgação do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CE-ED/CBH-BS). Este ano ela integra o projeto Rio do Nosso Bairro – Escolas Cuidando da Água, realizado pela Ecosurfi – Entidade Ecológica dos Surfistas em parceria com a CE-ED/CBH-BS, Prefeitura Municipal de Peruíbe e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE). Os recursos são oriundos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

Relator vai propor em lei o pagamento por serviços ambientais

Da Agência Câmara
O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) pretende incluir o pagamento por serviços ambientais no relatório que ele vai apresentar, em abril, à comissão especial que analisa 11 propostas que visam mudar ou mesmo revogar o Código Ambiental e a Lei de Crimes Ambientais. "Tenho sido motivado e creio que é uma solução muito boa, já adotada em muitos países. Eu só preciso encontrar um caminho para o financiamento do pagamento por esses serviços", disse Aldo nesta quarta-feira, quando questionado por internautas no bate-papo promovido pela Agência Câmara para discutir o tema.

O pagamento ou a compensação por serviços ambientais tem como principal finalidade transferir recursos, monetários ou não, àqueles que ajudam a conservar ou a produzir tais serviços. A idéia é que não basta apenas cobrar uma taxa de quem polui ou degrada, mas é preciso destinar recursos a quem garante a oferta dos serviços voluntariamente.

São exemplos de serviços ambientais a manutenção das condições naturais que permitem a produção de oxigênio e a purificação do ar pelas plantas, a estabilidade do clima, a preservação das nascentes e cursos d'água e o equilíbrio natural das enchentes e das secas.

Legislações estaduais

De acordo com Aldo Rebelo, "a legislação nacional não tem dado conta de administrar os conflitos e a realidade de cada estado", e é possível que estados e municípios também passem a legislar sobre as questões ambientais. Ele lembrou que Santa Catarina já aprovou uma legislação específica, que está sendo questionada em ação no Supremo Tribunal Federal (STF). "Enquanto não houver decisão do Supremo, o código está em vigor. E parece ter sido uma solução que encontrou grande apoio naquele estado."

O internauta Mário insistiu, questionando se a região Nordeste não mereceria um Código Florestal mais detalhado, dada as suas peculiaridades. De acordo com Aldo Rebelo, a ideia é justamente fazer um novo código que analise cada região. "É muito difícil ter a mesma regra para a região Norte e São Paulo, por exemplo. Visitei várias cidades do Nordeste, realizando audiências públicas, justamente para conhecer a região e colocar no relatório uma conclusão que leve em conta isso."

Quanto a uma possível conciliação entre "a rigidez da legislação ambiental", como afirmou o internauta Juca Viana, e a realidade do campo, Aldo Rebelo acredita que, após as diversas audiências promovidas pela comissão especial para discutir o tema, será possível conciliar os dois interesses. "No caso da agricultura familiar, ela é a mais prejudicada pelo rigor da lei, e não temos alternativa: ou modificamos a lei ou vamos conhecer um processo de concentração da propriedade, principalmente a pequena e a média, tornadas economicamente inviáveis pela atual legislação."

Florestas x cidades

Aldo Rebelo foi questionado se as possíveis mudanças valerão apenas para as florestas ou se o relatório a ser apresentado em abril será mais amplo e incluirá as cidades. O relator observou que a legislação nacional obriga que São Paulo, por exemplo, fixe 20% de reserva legal do bioma onde está localizado nas bacias e microbacias da região. "Portanto, o critério deve ser diferente para cada área, mas ainda estamos vendo como isso será feito", destacou.

Questionado se há vontade política para a votação das questões ambientais neste ano de eleições, Aldo Rebelo destacou: "Ou votamos uma legislação compatível com a realidade do País ou vamos esperar até julho do próximo ano para que o presidente da República, novamente por decreto, torne a adiar a entrada em vigor de uma lei impraticável. Creio que, mais do que uma possibilidade, votar a lei neste ano é uma necessidade."

Barco de plástico alerta para lixo despejado nos oceanos

Batizado de 'Plástico', catamarã deve deixar o porto de São Francisco, nos Estados Unidos, rumo à Sidney, na Austrália, no final de março; barco foi inspirado em estudo do Pnuma sobre ecossistemas e águas profundas.

Por Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, inspirou a criação de um catamarã de 18 metros de comprimento feito com 12,5 mil garrafas de plástico recicladas e recuperadas.

O barco, batizado de 'Plástico', deve deixar o porto de São Francisco, nos Estados Unidos, rumo à Sidney, na Austrália, no final de março.

Resíduos Plásticos
O catamarã foi elaborado com base no estudo 'Ecossistemas e Biodiversidade em Águas Profundas e Alto Mar', realizado pelo Pnuma há três anos.

O relatório mostra como a pesca predatória, a poluição e outros problemas como as mudanças climáticas estão afetando o mundo marinho.

O idealizador do projeto é o ambientalista britânico David de Rothschild, que também é 'Herói do Clima' da agência da ONU.

Rothschild e equipe devem percorrer mais de 11 mil milhas náuticas, o equivalente a 20 mil Km, para alertar sobre a grande quantidade de resíduos plásticos nos oceanos.

Lixo Marinho
A idéia também é estimular iniciativas sobre como o lixo poder servir como fonte para soluções reais.

Segundo outro estudo recente do Pnuma, o plástico é o mais perigoso tipo de lixo marinho, responsável por 80% dos resíduos coletados nos oceanos.

Química do bem

Por Fábio de Castro, da  Agência FAPESP
Compreender as propriedades dos líquidos iônicos – alternativa reciclável aos solventes convencionais utilizados em processos industriais – tem sido uma preocupação crescente para cientistas em todo o mundo, já que esses produtos têm inúmeras aplicações coerentes com os preceitos da "química verde", um conjunto de diretrizes que visa à redução do impacto ambiental dos processos químicos.

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) acaba de contribuir para o avanço do conhecimento sobre uma categoria especial desses compostos: os líquidos iônicos tensoativos, que poderão ter aplicações importantes, especialmente na descontaminação de água.

O trabalho acaba de ser publicado na edição on-line da Journal of Colloid and Interface Science e será capa da edição de maio da revista.

A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Paula Decot Galgano, orientada por Omar El Seoud, professor do Departamento de Química Fundamental do IQ-USP, que divide com a aluna a autoria do artigo. O trabalho foi feito no âmbito do Projeto Temático “Síntese, propriedades e aplicações de tensoativos e biopolímeros funcionalizados: um enfoque de Química Verde”, coordenado por El Seoud e apoiado pela FAPESP.

O termo “líquidos iônicos tensoativos” (SAIL, na sigla em inglês) foi lançado na literatura internacional pelo grupo de El Seoud, em 2007. De acordo com o professor, o fato de o artigo ter sido escolhido para figurar na capa da revista é uma conquista para a ciência brasileira.

“Estamos contentes pela escolha, pois ela reflete o impacto da nossa contribuição científica, além do reconhecimento da importância do assunto”, disse El Seoud à Agência FAPESP.

Segundo o professor, os líquidos iônicos são denominados solventes “verdes” por possuírem propriedades especiais. “Eles têm alta polaridade, uma excelente estabilidade química e térmica – o que permite a reciclagem do solvente no processo industrial – e pressão de vapor extremamente baixa. Na prática, isso significa que podem ser empregados como solventes em um processo industrial sem perigos de explosão ou de fogo”, explicou.

O que distingue os líquidos iônicos tensoativos é a presença em suas estruturas de cadeias alquílicas compridas – o que confere a eles poderes de emulsificação e de suspensão, por exemplo. “Esses compostos formam micelas – agregados que conseguem incorporar certos contaminantes", disse.

A solução é então filtrada através de uma membrana que deixa passar apenas a água, retendo as micelas com os contaminantes. "Além da descontaminação de água de compostos aromáticos policíclicos, compostos clorados e metais pesados, os líquidos iônicos tensoativos têm potencial para outras aplicações importantes, por exemplo, como a catálise homogênea de reações químicas diversas”, declarou.

Como se trata de um assunto essencialmente novo, a primeira etapa das pesquisas, segundo El Seoud, consiste no estudo das propriedades das soluções de líquidos iônicos tensoativos a fim de otimizar as condições de suas aplicações.

“Se pudermos conhecer detalhadamente essas propriedades, poderemos definir, por exemplo, quais as melhores faixas de concentração e temperatura para aplicação desses tensoativos. Esse é exatamente o enfoque do artigo e da tese de Paula”, disse o professor.

Tensoativos verdes
Os líquidos iônicos tensoativos empregados no estudo foram os cloretos de 1-alquil-3-metilimidazólio, com grupo cadeias carbônicas de 10 a 16 átomos de carbono.

Segundo El Seoud, esses tensoativos são produtos “verdes”, pois a parte alquílica é feita pela transformação de alcoóis graxos, obtidos pela hidrogenólise de óleos e gorduras nos cloretos correspondentes.

“Os mais notáveis exemplos de líquidos iônicos são os derivados de um composto heteróclito, o imidazol. Um desses derivados, que pretendemos empregar de agora em diante nas pesquisas, é o 4(5)-hidroximetilimidazol, que pode ser obtido a partir da frutose, o açúcar das frutas. Assim estaremos pesquisando líquidos iônicos à base de açúcares”, disse.

O artigo Micellar properties of surface active ionic liquids: A comparison of 1-hexadecyl- 3-methylimidazolium chloride with structurally related cationic surfactants, de Paula Decot Galgano e Omar El Seoud, pode ser lido por assinantes da Journal of Colloid and Interface Science em http://www.sciencedirect.com/science/journal/00219797.


terça-feira, 9 de março de 2010

Índia aceita associar-se ao Acordo de Copenhague

Da Reuters
A Índia aceitou se associar formalmente ao acordo climático definido em dezembro em Copenhague, disse o ministro do Meio Ambiente do país em nota ao Parlamento nesta terça-feira.
"Após cuidadosa consideração, a Índia aceitou tal listagem", afirmou Jairam Ramesh ao Parlamento, referindo-se à participação formal no documento, que não tem cumprimento obrigatório, mas já recebeu a adesão de mais de cem países, alguns deles grandes emissores de gases do efeito estufa.

"Acreditamos que nossa decisão de sermos listados (como um país associado ao documento) reflete o papel que a Índia desempenhou em dar forma ao Acordo de Copenhague. Isso irá fortalecer nossa posição de negociação a respeito da mudança climática."

A decisão da Índia deixa a China, maior emissor mundial de gases do efeito estufa, com único do bloco de grandes nações emergentes chamado de Basic (formado também por Brasil e África do Sul) que não se associou ao acordo.

O tratado deveria ter sido adotado formalmente na conferência da ONU em Copenhague por todos os países, mas objeções de última hora por parte de um pequeno grupo de países fez com que oficialmente o acordo fosse apenas citado na declaração final. Decidiu-se então que países que quisessem posteriormente se comprometer com o documento poderiam fazê-lo.

Mas os países do bloco Basic, especialmente China, Índia e Brasil, temiam que uma adesão muito decidida ao acordo esvaziasse o Protocolo de Kyoto, hoje em vigor, que determina que cabe aos países ricos a liderança no combate ao aquecimento global.

Esses emergentes deixaram claro também que o acordo não deve servir de base para um novo tratado climático de cumprimento obrigatório, que continua sendo negociado e pode ser definido numa conferência no final do ano no México.

Os países mais pobres desejam negociações em "dois caminhos" -- um deles preparando um tratado que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2013, e outra buscando ações de mais longo prazo para que todas as nações combatam o aquecimento, inclusive os EUA, que nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto.

Em mensagem à ONU no final de fevereiro, Washington manifestou apoio ao acordo, mas disse que os textos de negociação criados nas discussões sobre a ação de longo prazo não são a base para qualquer futuro acordo, opinião que contradiz a dos países em desenvolvimento.

FAPs e Vale lançam chamada de propostas

Da Agência Fapesp
As Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) dos Estados de São Paulo (FAPESP), Minas Gerais (FAPEMIG) e do Pará (FAPESPA) e a VALE S.A. lançaram chamada de propostas nesta segunda-feira (8/3), no âmbito do Acordo de Cooperação Tecnológica assinado em 2009 pelas instituições.

A chamada tem como objetivo selecionar e apoiar o desenvolvimento de projetos cooperativos de pesquisa científica, tecnológica ou de inovação a serem estabelecidos e desenvolvidos por pesquisadores ou grupos de pesquisa de instituições de ensino superior e de pesquisa nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Pará.

O valor global para financiamento de propostas da presente chamada é de até R$ 120 milhões, sendo até R$ 40 milhões para apoio a pesquisas em cada um dos Estados participantes. No Estado de São Paulo, a FAPESP aportará R$ 20 milhões e a VALE igual quantia.

Os projetos selecionados deverão contribuir para o avanço do conhecimento e da tecnologia nas áreas de mineração, energia, ecoeficiência e biodiversidade e produtos ferrosos para siderurgia.

A chamada receberá propostas em duas modalidades: Proposta em Rede de Pesquisa e Proposta Individual. A primeira compreende propostas cooperativas envolvendo no mínimo dois projetos de pesquisa articulados e com objetivos comuns a serem desenvolvidos por uma equipe vinculada a instituições de ensino superior e de pesquisa de dois dos Estados sede das FAPs cofinanciadoras e em parceria com a VALE, ou seja, no mínimo dois Estados distintos por Proposta em Rede de Pesquisa.

A segunda modalidade envolve um único projeto de pesquisa apresentado por um pesquisador ou grupo de pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e de pesquisa de um dos Estados das FAPs cofinanciadoras em parceria com a VALE.

As propostas deverão ser apresentadas à FAP do Estado do proponente. As propostas (Individual ou em Rede de Pesquisa) sob responsabilidade dos pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa do Estado de São Paulo deverão ser apresentadas à FAPESP como Propostas do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

Para a FAPESP, as propostas deverão ser enviadas em formulários impressos, os quais serão disponibilizados no site da Fundação a partir de 30 de março de 2010.

As propostas submetidas à FAPESP deverão ser apresentadas em papel (três vias) e acompanhadas de um CD contendo, em um único arquivo em formato PDF, todo o material descrito, seguindo-se as instruções descritas na chamada de propostas.

As propostas, no caso da FAPESP, poderão ser entregues até o dia 23 de junho de 2010. Mais informações: www.fapesp.br/fffv

Dieta variada

Por Fábio Reynol, da  Agência FAPESP 
Entre os anos de 1992 e 1999, o oceanógrafo Teodoro Vaske Júnior acompanhou navios de pesca ao longo da costa do Nordeste brasileiro. As embarcações utilizavam o espinhel oceânico, sistema de anzóis estendidos por uma corda de dezenas de quilômetros de extensão apoiada em boias.

Os espinhéis eram estendidos em alto-mar com iscas em seus anzóis para serem depois recolhidos com os peixes. Vaske notou que, entre os animais capturados, estavam exemplares de tubarão-azul (Prionace glauca).

O pesquisador solicitou então aos pescadores o estômago dos exemplares da espécie, órgão que costumava ser descartado por eles. O objetivo era analisar os conteúdos estomacais em laboratório.

Vaske repetiu a análise na região sul do Atlântico brasileiro entre março de 2007 e março de 2008. No total, foram examinados estômagos de 222 tubarões-azuis – 116 na costa nordestina e 106 capturados na porção sul do litoral brasileiro.

O levantamento inédito no Brasil foi publicado na revista Biota Neotropica, do Programa Biota-FAPESP, e, além de contribuir para aumentar o conhecimento sobre a espécie, trouxe informações sobre uma rica fauna marinha que habita águas profundas e é muito difícil de ser coletada.

“Dos estômagos dos tubarões saem verdadeiras maravilhas, como alguns animais só encontrados em grandes profundidades”, disse à Agência FAPESP o atualmente pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no Campus Experimental do Litoral Paulista, em São Vicente (SP).

Dotado de mecanismos que garantem resistência ao frio e às altas pressões, o tubarão-azul é capaz de descer cerca de 600 metros de profundidade. No entanto, a espécie prefere a faixa entre 150 e 200 metros abaixo da superfície. “Coletar exemplares nesses níveis de profundidade seria caro e exigiria equipamentos especiais e o tubarão-azul faz esse trabalho ao se alimentar”, disse Vaske.

Entre os animais mais encontrados durante a pesquisa estão espécies de lulas do gênero Histioteuthis, que fazem migrações verticais ao longo da coluna d’água oceânica. Essas lulas foram encontradas em tubarões coletados tanto na porção nordeste como na sul do Atlântico brasileiro.

A grande diversidade da dieta do tubarão-azul foi comprovada com a ocorrência, nos estômagos dissecados, de mamíferos marinhos, cefalópodes (lulas e polvos), vários tipos de peixes e até aves.

“A descoberta de aves na dieta foi uma surpresa. Não esperávamos encontrar pombas, por exemplo, em tubarões pescados a 120 milhas da costa”, contou Vaske. Ele chegou a retirar uma pomba que havia sido recém-engolida em alto-mar, provavelmente um animal que se perdeu do continente e ao cair na água foi engolido pelo tubarão-azul. Entre as presas mais encontradas na porção sul estavam baleias Mysticeti.

Ao todo, o estudo registrou 51 diferentes espécies de animais retirados do interior dos tubarões sendo: 20 de peixes, 24 de cefalópodes, dois crustáceos e cinco espécies de outros grupos. “Os crustáceos foram poucos porque eles são de tamanho reduzido, o que não é vantajoso energeticamente para os tubarões-azuis”, explicou.

Presente nos três grandes oceanos, Atlântico, Índico e Pacífico, além do mar Mediterrâneo, Prionace glauca é a mais abundante espécie de tubarão oceânico do planeta. Isso se deve, principalmente, à sua numerosa prole, de acordo com Vaske.

Enquanto outras espécies costumam gerar até cinco filhotes, o tubarão-azul produz entre 40 e 60 filhotes por vez. Todavia, essa característica não livrou a espécie de ser ameaçada.

O pesquisador da Unesp conta que o consumo da barbatana em países do Sudeste Asiático elevou o preço da iguaria e incentivou a pesca predatória de várias espécies de tubarão. Pesqueiros especializados costumavam decepar a barbatana e devolver as carcaças dos animais ao mar, prática que foi posteriormente proibida no Brasil.

Hoje, o tubarão-azul é catalogado como espécie “quase ameaçada” na lista vermelha da União Internacional pela Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. É o quinto nível da tabela antes da extinção da espécie.

Jornada da reprodução
O mapeamento da alimentação do tubarão-azul na costa brasileira pode ajudar a entender melhor os hábitos das suas populações do Atlântico Sul bem como estabelecer a trajetória de sua jornada para a reprodução.

A espécie perfaz um ciclo no qual percorre em sentido horário todo o Atlântico Sul aproveitando-se de correntes marinhas. O artigo de Vaske relata que a cópula é feita nas águas do litoral sul do Brasil, entre os meses de dezembro e fevereiro.

Quatro meses depois, entre abril e junho, as fêmeas ovulam e fecundam já nas águas próximas ao Nordeste. Isso ocorre porque elas têm a capacidade de armazenar o sêmen obtido no acasalamento e só liberá-lo para a fecundação posteriormente, escolhendo datas e locais favoráveis.

Do Nordeste, os grupos atravessam o Atlântico e vão maturar os embriões no Golfo da Guiné, no oeste da África, entre os meses de junho e agosto. Por fim, os novos tubarões-azuis são paridos em águas da porção sul do continente africano e sul da América do Sul até o mês de dezembro, quando o ciclo recomeça.

Durante todo esse trajeto, o tubarão-azul percorre regiões de diferentes faunas marinhas. Por esse motivo, levantar os seus hábitos alimentares também é uma maneira de conhecer e monitorar a fauna oceânica.

Lixo oceânico
O trabalho de pesquisa não encontrou somente presas naturais do tubarão-azul. Catalogados como “material antropogênico” estavam produtos que não deveriam ter sido engolidos pelos tubarões, pois são fruto da poluição dos mares.

Fazem parte desse grupo itens como laranja, maçã, abacaxi, alho, cebola, batata, ossos de galinha e materiais perigosos ao peixe, como sacolas plásticas, papelão, madeira, fios, linhas de pesca e até canetas. Em 5% dos estômagos abertos havia pelo menos um anzol de pesca.

“Como são animais muito fortes, é comum tubarões pegarem iscas de espinhéis destinadas a atuns e as arrancarem com os anzóis”, disse Vaske. Em alguns estômagos, o pesquisador chegou a encontrar até dois anzóis.

O lixo jogado nos oceanos é um grande problema, de acordo com a Sea Education Association (SEA), dos Estados Unidos. Uma pesquisa feita pela instituição durante quase duas décadas mapeou boa parte da sujeira que boiava na região do mar do Caribe e no Atlântico Norte.

Com redes de coleta acopladas a barcos, os pesquisadores norte-americanos encontraram regiões com até 200 mil pedaços de detritos por quilômetro quadrado. A área de maior concentração de lixo no Atlântico Norte, de acordo com a pesquisa, está entre os paralelos 22º e 38º, para onde as correntes marinhas levam a sujeira.

Ao anunciar esses resultados no Ocean Sciences Meeting, realizado entre os dias 22 e 26 de fevereiro em Portland, Estados Unidos, a pesquisadora da SEA, Karen Lavender Law, afirmou que a extensão dos impactos ao ambiente marinho de tanto lixo ainda é desconhecida. No entanto, já se sabe que objetos de plástico têm sido engolidos por muitos animais e prejudicado especialmente as aves marinhas.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Porto Alegre e mais seis cidades brasileiras aderem à Hora do Planeta 2010

Evento bate recorde de adesões no mundo: 92 países e regiões confirmaram sua participação.


Depois de superar o recorde de adesões no mundo, a Hora do Planeta 2010 no Brasil também está crescendo em ritmo acelerado. Cinco dias após o lançamento oficial no país, a cidade de Porto Alegre confirma sua participação na campanha e é a segunda capital brasileira, depois do Rio de Janeiro, a aderir ao evento mundial.

"Este é um ato simbólico, para demonstrar nossa preocupação com as mudanças climáticas, chamando a atenção de todos e trazendo à discussão assuntos como a preservação do meio ambiente e o futuro da terra", destaca o secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Professor Garcia.

Oito monumentos de Porto Alegre terão suas luzes apagadas das 20h30 às 21h30, do dia 27 de março: Largo dos Açorianos; Julio de Castilhos, na Praça da Matriz; Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha; Fonte Talavera, na Prefeitura Municipal; Viaduto Otávio Rocha; Estátua do Laçador – Sitio do Laçador; Estátua de Bento Gonçalves, na Praça Piratini e Praça da Alfândega.

Além da capital do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, mais seis municípios anunciaram a participação no evento: Wenceslau Braz (PR), Barueri (SP), Osasco (SP), Porto Ferreira (SP), Rio das Ostras (RJ) e Castro Alves (BA). Com essas confirmações, o total de participantes na Hora do Planeta 2010 chegou a 3.606 pessoas, 277 empresas e 72 organizações.

A secretária-executiva do WWF-Brasil, Denise Hamú, comemora as adesões. “De diferentes formas, com diferentes responsabilidades e de diversas maneiras, estamos todos atrelados a este paradigma da sociedade moderna: o aquecimento do planeta. Por isso é tão importante que as pessoas se engajem na Hora do Planeta, uma campanha que mostra ao mundo uma preocupação latente com esse problema”, afirma Hamú.

O WWF-Brasil, organizador do evento no país, chama a atenção para a necessidade de proteção e recuperação dos ecossistemas terrestres e aquáticos como uma maneira de defendermos a vida em nosso planeta. Para isso são urgentes ações que tenham por objetivo reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa causadas pelo desmatamento, enfrentar situações climáticas mais severas e seus impactos como, por exemplo, erosão, assoreamento de corpos d'água e aumento das enxurradas e enchentes, que já mataram dezenas de pessoas só este ano no Brasil.

Nesse cenário, a Hora do Planeta é um ato simbólico no qual, governos, empresas e cidadãos são convidados a partir da reação à ação, e apagar as luzes como um sinal de engajamento em defesa da vida. 
  
“Incentivo a todos a participarem deste importante momento histórico. Organizem-se, mobilizem seus amigos, familiares, vizinhos e colegas de trabalho para apagar as luzes e dar esse voto pelo planeta”, declara Hamú.

Hora do Planeta no mundo 
Falta pouco mais de duas semanas para a Hora do Planeta 2010 e o número de países e regiões que participam desse evento global já ultrapassou o recorde do ano passado.

Esse ano serão 92 países, em comparação com 88 países em 2009, comprometidos com a Hora do Planeta e mobilizados para mostrar ao mundo o que se pode fazer para combater as mudanças climáticas.  Honduras foi a última nação a obter o registro oficial na Hora do Planeta em 2010. 

Desses países, 18 participam pela primeira vez da Hora do Planeta, entre eles, Nepal, Kosovo, Mongólia, Madagascar, República Tcheca, Paraguai, Camboja, Panamá, Arábia Saudita, Tanzânia e as ilhas Mariana do Norte (que integram um arquipélago do Pacífico Norte e são um estado associado aos Estados Unidos).
Além disso, com a confirmação de que a Torre de Tóquio (em Tóquio) e o Portão de Brandenburgo (em Berlim) terão suas luzes desligadas na Hora do Planeta, todos os países membros do G-20 passam a fazer parte do evento este ano.

Para o diretor-executivo e co-fundador da Hora do Planeta, Andy Ridley, “a Hora do Planeta é uma oportunidade para a comunidade mundial se expressar numa só voz sobre a questão das mudanças climáticas” e por isso, ele convoca a todos para se unirem nessa celebração única.  

Para se cadastrar na Hora do Planeta 2010, acesse o site www.horadoplaneta.org.br , organize um jeito especial para participar e ajude a divulgar o evento pela internet. O filme da Hora do Planeta 2010 já está disponível em:
 http://www.youtube.com/horadoplaneta2010 e http://www.youtube.com/wwfbrasil

Patrocinadores da Hora do Planeta no Brasil
Neste ano, o WWF-Brasil conseguiu o apoio de quatro grandes empresas como patrocinadores do evento. Coca-Cola Brasil, HSBC, Tim e Walmart Brasil, se comprometeram com a promoção da Hora do Planeta, realizando eventos, campanhas de conscientização e ações de comunicação para diferentes públicos.
No dia 27 de março, a Coca-Cola Brasil irá realizar o evento nacional na cidade do Rio de Janeiro. Em Curitiba, o edifício sede do HSBC, um prédio histórico que já se transformou em ícone de natal será apagado, enquanto os meninos do Coral do HSBC entoam canções populares relacionadas ao meio ambiente. A TIM colocará sua infra-estrutura de comunicação a serviço da Hora do Planeta a partir de uma campanha de mobilização que compreende três ondas de mensagens de textos (SMS) convidando 14 milhões de seus clientes a aderirem ao movimento. O Walmart Brasil vai apagar os letreiros, fachadas e áreas administrativas de suas 436 lojas no Brasil durante a Hora do Planeta, reduzirá a iluminação da área de venda das unidades em 30% e vai estimular seus 80.000 funcionários a apagarem as lâmpadas de suas residências no período.


Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Sobre a Hora do Planeta
A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas.  No sábado, dia 27 de março de 2010, às 20h30, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global. Na primeira edição, realizada em 2007 na Austrália, 2 milhões de pessoas desligaram suas luzes. Em 2008, mais de 50 milhões de pessoas de todas as partes do mundo aderiram à ação. Em 2009, quando o WWF-Brasil realizou pela primeira vez a Hora do Planeta no Brasil, quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram suas luzes.
Informações para Imprensa:

CDN Comunicação Corporativa:
Luiz Pedrosa: 21-3535-8330 - luiz.pedrosa@cdn.com.br
Sheila Albuquerque: 21-35358357 – sheila.albuquerque@cdn.com.br
Ana Maria Machado: 21-3535-8363 – anamaria.machado@cdn.com.br

WWF-Brasil:
Maristela Pessoa: 61-3364-7464 - maristela@wwf.org.br
Denise Oliveira: 61-3364-7497 / 61-8175-2695 - doliveira@wwf.org.br
www.wwf.org.br

Projeto obriga inclusão de lixeiras em transporte coletivo

Sônia Baiocchi, da Agência Câmara

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6788/10, que obriga a instalação de lixeiras em veículos de transporte coletivo. A proposta altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) para incluir o recipiente como um dos equipamentos obrigatórios dos ônibus.

O projeto, de autoria do deputado Edigar Mão Branca (PV-BA), tem o objetivo de complementar a legislação existente, que já estabelece como infração administrativa média, sujeita a multa, o ato de atirar objetos dos veículos ou abandonar objetos nas ruas.

De acordo com Mão Branca, a obrigação tem caráter preventivo. "Oferecendo condições para que o lixo seja depositado no veículo e depois coletado, a legislação contribui para a solução de um problema. A prevenção deve sempre acompanhar medidas punitivas", disse.

Tramitação
O projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:


A Terra tem direitos?

Por Leonardo Boff*

Não existe no mundo uma representação política dos interesses da humanidade e da Mãe Terra que tutele sua proteção natural e cultural. Há séculos, vivemos sob a jurisdição dos Estados-nação, com suas particulares soberanias e autonomias. Como os problemas se tornam mais e mais globais, esta configuração política é insuficiente para oferecer as soluções necessárias.

A Organização das Nações Unidas (ONU), que seria a instituição apropriada, está desmoralizada e nela só conta o Conselho de Segurança, controlado pelas cinco potências com direito a veto, com os Estados Unidos à frente. Tampouco está disponível um contrato social mundial que estabeleça práticas políticas globais. Faltam referências coletivas que facilitem o consenso e resolvam eventuais conflitos. Esta é uma das causas do fracasso de numerosos encontros internacionais sobre assuntos globais, como o da mudança climática, realizado em dezembro em Copenhague, ou o de comércio mundial, de 2001 em Doha.

Vivemos um momento da história em que está em jogo nosso futuro comum. O encadeamento de crises e especialmente a questão ecológica podem originar uma tragédia de enormes proporções, que impõe a urgente adoção de medidas. O orçamento para isso é uma referência comum, um conjunto de valores, princípios e inspirações que ofereçam um fundamento ético e político à comunidade mundial. O que importa não é a salvação do status quo, mas a salvação da vida e do sistema Terra. Esta é a nova centralidade, que redefinirá os grandes rumos da política.

Consciente desta urgência, o presidente da Assembleia Geral da ONU em 2008 e 2009, Miguel D’Escoto, depois de consultar um vasto arco de personalidades e chefes de Estado, decidiu reformular um projeto de Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade, e me incluiu entre seus redatores (www.servicioskoinonia.org/logos). O texto, que complementará a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, será divulgado na Conferência Internacional sobre o Clima prevista para abril, em Cochabamba, e assume os dados mais seguros da cosmologia contemporânea. Considera que a Terra e a humanidade são parte de um vasto universo em evolução, que possuem o mesmo destino e constituem, em sua complexidade, uma única entidade.

A Terra vive e se comporta como um único sistema autorregulado, formado por componentes físicos, químicos, biológicos e humanos que a tornam propícia à produção e reprodução da vida, e por isto é nossa Grande Mãe e nosso lar comum. Ela está composta pelo conjunto dos ecossistemas, nos quais gerou uma multiplicidade magnífica de formas vitais complementares e interdependentes que integram a unidade sagrada da vida e fazem com que o ser humano, homem ou mulher, seja a própria Terra que fala, pensa, sente, ama, cuida e venera. Como a crise ambiental deve ser enfrentada globalmente, é preciso definir o “bem comum da Terra e da humanidade”.

As características do bem comum são a universalidade e a gratuidade. Deve incluir todos, pessoas e povos, e ao mesmo tempo é oferecido a todos gratuitamente porque representa o que é essencial, vital e insubstituível para a humanidade e a própria Terra. O primeiro bem é a Terra, condição para todos os outros bens. Pertence ao universo, a si mesma e ao conjunto de ecossistemas que a compõem. Os seres humanos não são seus donos, são seus hóspedes. Por ser geradora de vida, possui a dignidade e o direito de ser cuidada e protegida.

A biosfera é um patrimônio que a Humanidade deve tutelar. Isto vale para todos os recursos naturais: ar, água, fauna, flora, micro-organismos e também para a manutenção do clima. Por isso as mudanças climáticas devem ser enfrentadas globalmente, como uma responsabilidade compartilhada. Fazem parte do patrimônio comum os bens públicos a serviço da vida, como os alimentos, as sementes, a eletricidade, as comunicações, os conhecimentos acumulados pelos povos e pela pesquisa, pelas culturas, artes, técnicas, música, religiões, saúde, educação e segurança.

O segundo bem comum é a humanidade, com seus valores intrínsecos como portadora de dignidade, consciência, inteligência, sensibilidade, compaixão, amor e abertura para o Todo. A humanidade aparece como um projeto infinito e por isso sempre inacabado. O fecundo conceito de bem comum proíbe, por exemplo, que sejam patenteados recursos genéticos fundamentais para a alimentação e a agricultura, enquanto as descobertas técnicas patenteadas devem sempre ter um destino social. Pertence ao bem comum da humanidade e da Mãe Terra a convicção de que uma energia benfeitora está subjacente a todo o universo, sustenta cada um dos seres e pode ser invocada, acolhida e venerada.

* Leonardo Boff é teólogo brasileiro, membro da Iniciativa da Carta da Terra e professor emérito de Ética da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Direitos exclusivos IPS.

Fonte: Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Banido, amianto continua em uso em SP

O amianto do tipo anfibólio já foi banido da maioria dos países da Europa e dos EUA

Quase dois anos após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado a lei paulista que proíbe o uso do amianto no Estado, a disputa entre empresas do setor e o Ministério Público do Trabalho continua acirrada no Judiciário. Duas indústrias do setor de fibrocimento - a Infibra, de Leme, e a Confibra, de Hortolândia - obtiveram liminares em novembro e fevereiro para manter a fabricação de telhas e caixas d'água com o produto, que foi banido em pelo menos quatro Estados.

De acordo com o Ministério do Trabalho, existiam no Estado de São Paulo 170 empresas que trabalhavam com amianto crisotila. Com a fiscalização trabalhista, 168 delas passaram a utilizar novas tecnologias em substituição ao produto. O amianto do tipo anfibólio já foi banido da maioria dos países da Europa e dos EUA por causa das ações judiciais de trabalhadores que desenvolveram doenças pulmonares. O Brasil autoriza o uso controlado do amianto crisotila, conhecido como amianto branco.

Fonte: Valor online

sábado, 6 de março de 2010

MMoradores de favelas aprendem a combater doenças causadas por artrópodes

No bairro de Sampaio, Zona Norte da cidade, num terreno íngreme, sinuoso, cortado por trilhas no meio do mato e vielas onde antes havia uma pedreira, localiza-se o Morro do Queto, favela onde vivem cerca de três mil e oitocentas pessoas. Localizada na principal via de acesso da região para o centro da cidade, entre as comunidades do Morro de São João e dos Macacos, está vulnerável a invasões e trocas de tiros. Por ficar distante dos "bairros nobres" da cidade e de difícil acesso mesmo a pé, a comunidade carece de serviços públicos básicos, como saneamento, coleta de lixo e acesso a programas sociais dos governos, e ainda sofre com a falta de água. Ali, o único trabalho social existente é feito pela igreja e pela Associação de Moradores e Amigos da Rua Professor Antenor Nascentes (Amapan). O espaço lembra uma favela do começo do século passado, com casas de tábua e papelão, e onde os programas de urbanização ainda não chegaram. Com esgoto correndo a céu aberto, um lixão ainda serve de terreno fértil para a proliferação de doenças causadas por certos artrópodes – invertebrados que apresentam exoesqueleto e patas articuladas, e incluem, além dos inofensivos crustáceos, insetos, como baratas, pulgas, piolhos, mosquitos, percevejos, chatos, pulgas, moscas e formigas; aracnídeos (aranhas e carrapatos); escorpiões e quilópodes (lacraias), estes sim causadores de inúmeros problemas de saúde em humanos.

Para minimizar o problema, uma parceria entre pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Amapan desenvolveu um trabalho de conscientização sobre o risco de doenças. O projeto, que conta com o auxílio do edital Apoio à Difusão e Popularização da C&T no estado do RJ, da FAPERJ, tem coordenação da doutora em biologia parasitária Teresa Cristina Monte Gonçalves. Além do Morro do Queto, o trabalho da equipe envolveu também outra comunidade da Zona Norte, o Morro do Salgueiro, no bairro da Tijuca, onde vivem perto de quatro mil pessoas.

"Apesar das semelhanças, vale ressaltar as diferenças entre as duas comunidades. O Salgueiro localiza-se no coração da Tijuca, próximo à praça Saens Peña. Por ser urbanizado, é possível chegarmos até o topo da favela de carro, em ladeiras asfaltadas. O espaço é atendido por várias Organizações Não-Governamentais (Ongs) e iniciativas do poder público", explica Teresa. "Nosso objetivo foi conscientizar moradores, professores e agentes comunitários de ambas as comunidades sobre os riscos de doenças transmitidas por certos artrópodes. No caso dos professores, os preparamos para agir como multiplicadores de nosso projeto", acrescenta.
 
Durante esses encontros, especialistas da Fiocruz proferiram palestras sobre diferentes artrópodes, sanando dúvidas de acordo com as demandas dos moradores. "Até mesmo questões que não faziam parte do projeto foram respondidas, como dúvidas sobre a gripe A", afirma Teresa. No Queto, chamou a atenção dos pesquisadores uma maior dificuldade de contato com os moradores devido às condições bem à margem da sociedade em que se encontram. "Como a carência de serviços básicos ali é praticamente total, eles eram bem desconfiados de nossas intenções e, às vezes falavam de suas dificuldades de maneira tensa. Ali, observamos uma dificuldade de conscientização da população relativa a todos os pontos abordados. Algumas moradoras questionavam: 'Eu já larguei mão de cuidar do lixo da minha casa. Para que perder tempo com isso se a minha vizinha não faz a parte dela?' Daí tivemos que explicar a elas que o exemplo de uma única pessoa podia influenciar os outros", recorda Teresa.
 
Passada a desconfiança inicial, muitos no Morro do Queto perguntaram sobre o que fazer com os ratos, que são mamíferos e não artrópodes, mas também são bem comuns por lá. Por situar-se em cima de uma pedreira, com lixo e esgoto a céu aberto, a comunidade é propícia à proliferação desses roedores, que acabam dividindo o espaço com a população. "Eles falavam sobre os ratos como parte de seu cotidiano, perguntavam por que a ratazana andava colada às paredes e a diferença entre ela e o rato do telhado. Outros relatos contavam de roedores entrando pelos buracos das casas e atacando os moradores", continua.

Tanto no Queto quanto no Salgueiro muito se falou de piolhos, baratas, mosquitos, carrapatos, moscas e formigas. "No caso das formigas, surpreendeu muita gente nas duas comunidades, que não se importavam em comê-las e repetiam a crendice popular de que fazem bem à vista. O que muitos não sabem é por onde elas passam até chegar em suas casas. Ao caminharem sobre comida estragada e lixo, elas podem carregar micróbios e bactérias nas patas. Infecções, reações alérgicas, disenteria e verminoses podem ser provocadas por esses insetos", afirma Teresa.
 
Artrópode comum nas duas favelas, mas pouco conhecido de seus moradores, é o percevejo de cama. Sua infestação é de difícil combate, uma vez que são menores do que uma unha e põem muitos ovos. "Eles se escondem nas dobras das calças, na roupa de cama e à noite se alimentam de sangue. Como são pequenos, muita gente nem os vê. Porém, eles picam e causam alergia, insônia e stress. Só uma limpeza minuciosa e a eliminação dos ovos para acabar com eles", ensina.

Já no Salgueiro, os mosquitos e o piolho foram os mais debatidos pela população local. "Nesses casos, destacamos a importância da boa higiene nos cabelos das crianças durante o banho e da constante inspeção da cabeça dos filhos pelos pais", lembra Teresa. "Também ensinamos um remédio caseiro mais barato do que os xampus especiais de farmácia: lavar com água e vinagre e usar pente fino."
 
A ideia do projeto surgiu inicialmente de uma proposta idealizada pelo doutorando em entomologia médica Willian de Almeida Marques. "Já desenvolvíamos um trabalho semelhante voltado para a capacitação de agentes de saúde no combate à doença da Chagas em municípios de Tocantins e depois começamos a realizá-lo no Rio de Janeiro. Como aqui no município não há casos da doença, resolvi fazer um projeto semelhante, com outros artrópodes", explica Willian Marques. Além de participar da equipe coordenada por Teresa Cristina – que contou ainda com mais seis participantes fora especialistas convidados para as palestras –, o futuro doutor foi responsável por articular os contatos com as duas comunidades. "No caso do Salgueiro, apesar de não morar lá há muito tempo, nasci e fui criado naquela comunidade, onde mantenho amigos e laços até hoje. Já a escolha do Morro do Queto se deveu à admiração que nutria pelo trabalho dos moradores ligados à Amapan. Devido às precárias condições de vida na comunidade, qualquer trabalho feito ali é realmente de formiguinha", complementa.

Num primeiro momento, o trabalho foi realizado por meio de palestras e distribuição de folhetos explicativos aos moradores das duas favelas, na maioria mulheres e crianças. Numa segunda etapa, professores e agentes comunitários locais fizeram um curso com especialistas nas dependências da Fiocruz para poder atuar como multiplicadores do projeto.

"Eles também ganharam uma apostila explicativa para usar em eventos futuros, como palestras, feiras de ciências, dias de conscientização, que planejem realizar", afirma Teresa. Para ela, o projeto desenvolvido pela equipe também ajuda na aproximação das pessoas com centros de pesquisa, que deixam de ser vistos como inatingíveis. "Esse foi o último ponto comum entre o Morro do Salgueiro e do Queto. Deixamos o diálogo aberto para que eles entrem em contato com especialistas da Fiocruz, da Secretaria Municipal de Saúde e demais órgãos públicos", destaca. "O projeto já está sendo encerrado, mas, ainda assim, têm surgido pedidos para novas palestras nas escolas locais, que pretendemos realizar", conclui.

Fonte: Agência Faperj

Agência discute em chat mudanças nos códigos florestal e ambiental

Por Newton Araújo , da Agência Câmara

A Agência Câmara promove bate-papo pela internet na quarta-feira (10), a partir das 9h30, com o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Ele é o relator da comissão especial que analisa as 11 propostas que pretendem mudar ou mesmo revogar o Código Florestal (Lei 4.771/65) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98), que funciona como um código ambiental.

O tema tem provocado polêmica e reações radicais de parte dos ambientalistas – contrários às mudanças – e dos representantes do agronegócio – favoráveis às alterações.

Para participar do chat, o interessado deverá acessar o site www.agencia.camara.gov.br e clicar no banner do bate-papo, que estará disponível no alto da página da agência. Essa é a chance para todos apresentarem sugestões, críticas e questionamentos diretamente ao parlamentar que vai redigir as possíveis mudanças.

Código Ambiental x Código Florestal
A proposta mais antiga sobre o tema é o PL 1876/99, que propõe um novo Código Florestal em substituição ao atual. No entanto, essa proposta traz entre os apensados o Projeto de Lei 5367/09, do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que institui o Código Ambiental Brasileiro, muito mais amplo, e que revoga o Código Florestal.

Esse projeto determina a compensação financeira de proprietários de áreas ambientalmente importantes ou no caso de limitação de exploração econômica do local. Segundo o texto, esses proprietários contarão com créditos especiais, recursos, deduções, isenções parciais de impostos, tarifas diferenciadas, prêmios e financiamentos, entre outros benefícios.

O projeto estabelece diretrizes gerais sobre a política nacional de meio ambiente. Caberá aos estados legislar sobre suas peculiaridades. Assim, será responsabilidade de cada estado identificar as áreas prioritárias para conservação e preservação com base em estudos técnicos, visando à sustentabilidade.

As áreas atualmente denominadas reserva legal poderão ser descaracterizadas após a definição do percentual mínimo de reservas ambientais nos estados pelo zoneamento econômico ecológico (ZEE).

No fim deste mês, o Executivo vai enviar ao Congresso o seu próprio projeto de revisão do código florestal. Os 11 projetos já em discussão preveem, em especial, novos critérios para as áreas de preservação permanente e a reserva legal.

Discussão ampliada
Para ampliar a discussão, a comissão especial já realizou seis audiências públicas na Câmara, inclusive com os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Fora da Câmara, foram realizadas audiências em 21 cidades de 16 estados.

O último evento realizado na Câmara sobre o assunto foi no final de fevereiro. Na ocasião, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, afirmou que, se a legislação ambiental vigente fosse aplicada, metade dos produtores rurais (cerca de 3,5 milhões) estaria na ilegalidade e um milhão de pequenos e médios agricultores perderiam toda a sua capacidade produtiva.

O deputado Aldo Rebelo também disse que a legislação ambiental brasileira é muito rigorosa com os agricultores, que têm dificuldades para cumpri-la. Segundo o deputado, muitas pessoas do campo não compreendem essa legislação e, por vezes, acabam sendo "expulsas" para a cidade. No ano passado, ele já havia afirmado: “Acho que a nossa legislação só se preocupou com a punição.”

Os integrantes da Frente Parlamentar Ambientalista criticaram o seminário, por ter, segundo eles, ouvido apenas entidades e parlamentares favoráveis a mudanças na lei. Os deputados alegam que entidades como WWF, Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Preserva Amazônia e Conservation International, entre outras, também querem ser ouvidas.

Para o coordenador da frente, deputado Sarney Filho (PV-MA), o relatório de Aldo Rebelo vai flexibilizar as regras para a reserva legal e as áreas de proteção permanente, o que, para ele, “seria um retrocesso”.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Expedição constata invasão de pinus e contaminação por agrotóxicos

Ambientalistas defendem criação de um Refúgio de Vida Silvestre e acreditam que é possível conciliar proteção ambiental com geração de renda, através de visitação pública, turismo rural, turismo histórico-cultural e eco-turismo.

A região dos Campos de Cima da Serra é de rica biodiversidade, baixa ocupação populacional e águas cristalinas que, também correspondem em grande parte, ao Planalto das Araucárias”. A bióloga Lisiane Becker faz um relato no site da ong Mira-Serra sobre a Expedição que os ambientalistas realizaram na última semana (23 a 28/03) visando reencontrar o local, ver as suas condições e defender junto à população a criação desta região e a do Rio Pelotas como Refúgio da Vida Silvestre (RVS) pelo Ministério do Meio Ambiente. Conforme o divulgado, a proposta é de uma unidade de conservação de proteção integral que permita que os proprietários de terras continuem a ocupá-las com seu uso tradicional. No caso dos Campos de Cima da Serra, maior área do refúgio, a atividade tradicional é a pecuária extensiva.

A importância da criação do Refúgio de Vida Silvestre se manifesta de diversas formas, como através da reunião das principais nascentes dos formadores das Regiões Hidrográficas do Lago Guaíba e do Rio Uruguai. Além de toda a exuberância dos campos de altitude que predominam na região, a bióloga citou a beleza das florestas de araucárias e das turfeiras. “Todas estas formações vegetais fazem parte do bioma Mata Atlântica, um dos cinco mais ameaçados do planeta!,” enfatiza Lisiane.

Imagens revelam a riqueza natural, como a do Rio do Touros, um dos afluentes do rio Pelotas. Os desfiladeiros, cascatas e paredões rochosos, atraem turistas. E muitas espécies da flora e fauna são endêmicas, ou seja, se perdidas pela imposição da construção de uma hidrelétrica ou barragem, não poderão ser jamais encontradas em outro lugar.

Ameaças

As ameaças à preservação da área de Refúgio incluem: plantio de alimentos com altos índices de aplicação de agrotóxicos e extensas plantações ilegais de pinus e, a implantação da usina hidrelétrica de Pai Querê, como se já não tivessem sido danosas as de Itá, Machadinho e Barra Grande. “É para manter todos os atributos biológicos, culturais, históricos e cênicos do que restou no Rio Pelotas e Campos de Cima da Serra, que existe a proposta de criação de um Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas e dos Campos de Cima da Serra, como um Corredor Ecológico na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina,” disse Lisiane.

O RVS é um tipo de Unidade de Conservação do Grupo das Unidades de Proteção Integral, prevista na Lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), de julho de 2000. O objetivo é preservar a existência ou reprodução de espécies da flora local e da fauna residente ou migratória, excepcional nesta região.

A ambientalista acredita que o chamado RVS possa ser constituído por áreas particulares, possibilitando aos proprietários utilizarem a terra e os recursos naturais. Como exemplos de atividades que conciliariam proteção ambiental com geração de renda, citou: visitação pública, turismo rural, turismo histórico-cultural, eco-turismo. “A observação de aves (birdwatching) é uma excelente opção para a economia local. A pecuária é uma das alternativas econômicas viabilizadas de acordo com a proposta deste RVS,” concluiu.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Algas podem ter causado asfixia de peixes em lagoa do Rio

Análises laboratoriais das amostras coletadas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) indicam que a mortandade de cerca de 80 toneladas de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas foi causada pelo acúmulo de matéria orgânica, que provocou a proliferação de algas, prejudicando a respiração das espécies.

Segundo os laudos preliminares, a chuva e a insuficiência de renovação das águas contribuíram para o acúmulo de matéria orgânica. Um laudo mais específico deve sair em uma semana.

O Inea descartou que o acidente ambiental tenha relação com o fato de a comporta do Canal do Jardim de Alah ter sido aberta um dia antes, devido ao rompimento de uma tubulação, e que causou despejo na Praia do Leblon.

O instituto informou que já foi concluída a primeira fase do projeto de recuperação da Lagoa Rodrigo de Freitas, de despoluição das águas e controle do esgoto urbano. No entanto, ainda há muita instabilidade na renovação das águas, o que prejudica o equilíbrio.

A segunda etapa prevê a construção de dutos para garantir a renovação das águas, que ainda está em fase de licenciamento. A Lagoa Rodrigo de Freitas voltará a ser monitorada com boias durante 24 horas para acompanhar a alteração na oxigenação da água.

Desde o dia 27 de fevereiro espécies com sardinhas e corvinas têm sido encontradas boiando na água da lagoa.

Fonte: Terra

Baixa autoestima leva catadores de material reciclável a descuidarem da saúde

Por Rita Vasconcelos, da Fiocruz

Todos os dias uma multidão de catadores de materiais recicláveis se espalha pelas ruas do Recife, numa jornada de trabalho de, em média, dez horas diárias, em condições insalubres e precárias. Embora sejam muitos e circulem por lugares públicos, esses trabalhadores costumam ser ignorados pela sociedade. Como consequência desta “invisibilidade pública”, essas pessoas, na sua maioria, têm uma autoestima muito baixa, o que as tornam vulneráveis diante dos riscos ambientais à sua saúde. Esta é a conclusão a que chegou o estudo desenvolvido pela bióloga Jandira Aureliano de Araújo no mestrado em saúde pública da Fiocruz Pernambuco.

Na pesquisa, Jandira investigou as percepções e atitudes diante dos riscos ambientais à saúde de catadores de materiais recicláveis da comunidade de São José do Coque, no Recife. O estudo mostrou que, embora os catadores percebam os riscos aos quais estão expostos por conta do seu trabalho, eles quase não tomam atitudes preventivas. “Eles não utilizam nenhum equipamento de proteção individual (EPI) porque não têm dinheiro para comprá-los e porque os acham desconfortáveis. Alguns ainda atribuem a responsabilidade de aquisição dos EPIs à prefeitura”, explica Jandira

Segundo mestranda, é comum os catadores minimizarem, naturalizarem e até negarem os riscos à saúde. “Eles os consideram inerentes ao trabalho. Para eles o risco de morrer de fome é maior”, sentenciou. O grupo investigado percebe a saúde como disposição para o trabalho, bom relacionamento social, liberdade de decisão e ausência de doença.

Na comunidade estudada, 124 pessoas trabalhavam como catadores. O turno de trabalho costuma começar no início da tarde (14h), quando eles separam o material recolhido na noite e na madrugada anterior. Eles percorrem longas distâncias, pois costumam recolher o lixo tanto nas ruas do Centro da cidade, quanto em bairros próximos, puxando de 200 a 300 quilos de material. O esforço físico para a condução das carroças é um grande motivo de queixas relativas à saúde, causando problemas nas pernas, hérnia e dores nas costas.

Com a venda do material coletado - por um quilo de papelão recebem de R$ 0,10 a R$ 0,15 - os catadores ganham de R$ 30 a R$ 50 por semana. A relação de trabalho com os donos de depósito que compram o material coletado é considerada como exploratória pelos catadores e gera um alto grau de insatisfação desses trabalhadores, influindo diretamente em sua saúde mental, uma vez que causa revolta, constrangimento e depressão.

Mesmo os catadores não percebendo ou fazendo vistas grossas aos riscos iminentes à saúde, advindos da atividade que desempenham, eles são evidentes. Além dos já citados, acidentes de trânsito e com objetos perfuro-cortantes também são bastante comuns. Segundo a pesquisadora, a maioria dos catadores, diz ter cuidado ao abrir as embalagens, no entanto, na pesquisa de campo não foi isso que ela observou. “Eles não costumam ser precavidos.

Abrem a embalagem de qualquer jeito”, disse Jandira. Inclusive, é comum encontrar lixo hospitalar entre os entulhos. Já os acidentes de trânsito, para eles, são o grande vilão, sendo visto como o maior risco ocupacional da categoria. “Eles os veem como mais uma forma de desrespeito e desvalorização a sua condição de trabalhador”, explicou. Um dos catadores contou que, certa vez, um motorista abriu a porta do carro e deu uma pancada na sua mão e esta ficou bastante inchada. No entanto, a preocupação do motorista era ter amassado o carro, ignorando o machucado do catador.

Recém-aprovada no doutorado em saúde pública da Fiocruz Pernambuco, Jandira pretende investigar a atuação do Programa de Saúde Ambiental da Prefeitura do Recife nas comunidades mais insalubres do Distrito Sanitário 1, área na qual fica a comunidade do São José do Coque.

São Paulo reduz área desmatada

Da agência FAPESP 

Em 2009, o Estado de São Paulo perdeu 3.205,7 hectares de sua cobertura vegetal, área 30% menor que a desmatada em 2008, segundo balanço do projeto ambiental estratégico Desmatamento Zero, divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente (SMA).

Segundo a SMA, a área de vegetação em recuperação em todo o Estado já é 110 vezes maior que a do desmatamento. Somente a mata ciliar paulista teve uma recuperação de 127,6 mil hectares.

A área de vegetação autorizada para corte em 2009 foi de 1.813 hectares, uma redução de 31% em comparação com 2008, no qual foram autorizados 2.636 hectares.

“Não é que não exista mais supressão de vegetação, mas estamos recuperando muito mais. Isso está comprovado no Inventário Florestal do Estado com imagens de satélite, que será divulgado até o fim do mês”, disse o secretário Xico Graziano, que apresentará o balanço para o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) nas próximas semanas.

A maioria das autorizações de supressão de vegetação em 2009 foi para atividades agropecuárias e obras lineares, 27% e 30%, respectivamente.

O balanço também esclarece como é calculado o valor total de área considerada desmatada pela SMA. Calcula-se como área efetivamente desmatada a somatória da área de mata e cerrado denso autorizada e a área autuada pela Polícia Militar Ambiental.

Os dados do projeto Desmatamento Zero da SMA estão disponíveis em:

terça-feira, 2 de março de 2010

Serpentes na Serra

Por Fábio Reynol, da Agência Fapesp

Durante 30 meses, o biólogo Paulo Afonso Hartmann percorreu de maneira lenta e persistente trilhas no trecho norte da Serra do Mar. O objetivo foi buscar serpentes para fazer um levantamento das espécies desse grupo que habitam a região.

O trabalho fez parte de seu doutorado, concluído em 2005, e integrado ao Projeto Temático “História natural, ecologia e evolução de vertebrados brasileiros”, apoiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Márcio Roberto Costa Martins, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), orientador de Hartmann.

Em dois artigos publicados no fim de 2009 nas revistas Biota Neotropica e Papéis Avulsos de Zoologia da USP, Hartmann, hoje professor no campus de Erechim (RS) da Universidade Federal da Fronteira Sul, reuniu resultados importantes daquela pesquisa e que ainda não haviam sido divulgados.

O pesquisador estudou separadamente duas regiões da serra: o Núcleo Picinguaba, com altitudes que vão de 0 a 200 metros acima do nível do mar, e o Núcleo Santa Virgínia, entre altitudes de 800 a 1.200 metros. Ambas as áreas pertencem ao Parque Estadual da Serra do Mar.

Cada região contou com 15 meses de observações e coletas, totalizando dois anos e seis meses, período em que foram registradas 24 diferentes espécies de serpentes no Núcleo Picinguaba e 27 no Núcleo Santa Virgínia, em um total de 39 espécie e 430 animais encontrados.

Seus resultados puderam ser comparados com os de outro trabalho, realizado por Otávio Augusto Vuolo Marques, pesquisador do Instituto Butantan, que em seu doutorado, em 1998, fez um levantamento semelhante na porção sul da Serra do Mar paulista, na Estação Ecológica Juréia-Itatins.

Uma das conclusões mais surpreendentes do trabalho, segundo Hartmann, foi a similaridade das populações de serpentes de Picinguaba e de Juréia-Itatins.

“Mesmo distando cerca de 400 quilômetros da Juréia, o Núcleo Picinguaba tem mais espécies em comum com esse trecho do que com o Núcleo Santa Virgínia que fica a apenas 20 quilômetros de lá”, disse à Agência FAPESP.

Picinguaba e Juréia têm 19 espécies em comum, de acordo com os levantamentos, e somente 14 foram encontradas simultaneamente nos Núcleos de Picinguaba e Santa Virgínia.

Para Hartmann, esse resultado indica que a altitude e a temperatura são fatores importantes para que determinadas espécies se estabeleçam em um ambiente.

“Aparentemente, a temperatura tem um papel mais importante do que a incidência de chuvas na ocorrência e atividade de algumas espécies nesta região”, afirmou.

Sinal de degradação
No Núcleo Santa Virgínia, algumas serpentes típicas do Cerrado, como a cascavel (Crotalus durissus), foram encontradas dentro da área da floresta. Segundo Hartmann, isso é um possível sintoma da degradação tanto da vegetação do Cerrado como da Mata Atlântica.

Localizado no alto da serra, o Núcleo de Santa Virgínia compreende uma zona de transição entre as duas vegetações, o que facilita a migração das serpentes. “Animais de hábitos generalistas podem ser favorecidos pelo desmatamento nas bordas do parque, permitindo o aumento de sua distribuição para locais anteriormente florestados”, explicou.

Outra contribuição importante do trabalho foi a descoberta de duas espécies ainda não catalogadas na literatura especializada. Cada uma foi encontrada em uma das regiões da pesquisa e estão agora em processo de descrição.

A jararaca (Bothrops jararaca ) foi a espécie mais frequente nas duas áreas estudadas. Além dela, o pesquisador encontrou uma incidência maior da jararacuçu (Bothrops jararacussu) e da cobra-cipó (Chironius fuscus) no núcleo de Picinguaba. Já em Santa Virgínia, além da jararaca, foram avistadas muitas jararaquinhas (Xenodon neuwiedii) e cobras-verdes (Liophis atraventer). Hartmann também teve dois encontros com uma espécie extremamente rara, a Uromacerina ricardinii.

As serpentes encontradas foram inicialmente observadas para o registro de seu comportamento. Em seguida, exemplares foram capturados para medição, pesagem e fotografias. Nessa etapa ocorreu também a identificação dos sexos dos animais que, depois, foram devolvidos ao ambiente.

Os exemplares encontrados mortos, por atropelamento ou mortos por moradores locais, foram coletados e submetidos a exames de conteúdo estomacal e de gônadas, para averiguar a dieta e se estavam em período reprodutivo.

Segundo Hartmann, a pesquisa contribuiu para elaboração de estratégias de conservação da Serra do Mar, ao fornecer bases que poderão ser comparadas em futuros estudos e detectar se as espécies vão ampliar a distribuição ou desaparecer, por exemplo.

Isso não pôde ser feito em seu estudo justamente por ele ter sido o pioneiro nesse tipo de levantamento para as regiões amostradas. “Por incrível que pareça, ainda somos carentes de informações sobre a ecologia das espécies de serpentes da Mata Atlântica, mesmo estando localizada na região Sudeste, onde é realizada a maior parte da produção científica do país, destacou”.

Do edifício inteligente ao conforto acústico

Pesquisas desenvolvidas na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo introduzem novos conceitos nas áreas da arquitetura e da construção civil

Isabel Gardenal, do Jornal da Unicamp

Uma construção barata, rápida e sustentável

Nas dependências do Escritório Modelo (Emod) da Faculda­de de Engenharia Ci­vil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp está sendo desenvolvida uma proposta de edifício que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento sustentável do campus da Unicamp. Concebido em resposta a uma solicitação da Reitoria, o projeto é resultado de oito meses de pesquisas de especialistas e de alunos de graduação e de pós-graduação. O trabalho procurou privilegiar o uso de materiais recicláveis, que atenuam o impacto ao meio ambiente e que propiciam uma construção rápida, eficiente e econômica, com menor produção de resíduos. Em dezembro último, a proposta foi premiada com uma Menção Honrosa na 8a Bienal Internacional de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, um dos eventos mais importantes da área. O projeto foi encabeçado pelos arquitetos e professores Leandro Medrano e Gabriela Celani, ambos da FEC.

A iniciativa, além de revelar resultados práticos, propicia novas experiências no campo da metodologia de projeto e do ensino de arquitetura, com resultados já divulgados em congressos especializados. A utilização de teorias, tecnologias e métodos, como o software de avaliação de desempenho e equipamentos de prototipagem rápida, garantiu a aferição das qualidades do edifício projetado antes mesmo de sua construção. Também o custo da obra e principalmente da manutenção do edifício devem ser reduzidos.

Apesar dos custos não serem definidos nessa fase do projeto, a equipe do Emod adotou soluções que podem representar manutenção até 30% mais econômica do que o edifício tradicional, por otimizar itens como iluminação natural, ventilação, tipo de material, maior eficiência na manutenção e uso de água, e eletricidade. O “sistema tipo” combina elementos que, consoante às necessidades colocadas no projeto, adquirem uma forma totalmente diferente: industrializada, racional, sistemática e eficiente, contudo não igual. “Criamos um conceito próprio – não receptivo e não modular, como numa produção em série. É algo inovador em relação à arquitetura discutida no Brasil”, reflete.

Serão, em breve, produzidos protótipos para atender a algumas demandas que já existem na Universidade. “A Reitoria solicitou o desenvolvimento de dois edifícios que deverão ser feitos em parceria com outras equipes de pesquisa e técnicos da Unicamp”, conta Medrano. Conforme ele, pode-se dizer que essa é uma iniciativa pioneira da maneira como foi organizada, agregando alunos por meio de um processo pedagógico de uma disciplina eletiva da graduação.

O futuro, relata ele, consistirá em projetar um produto personalizado, com um valor estimado para as necessidades da instituição e com vistas à diminuição do tempo para desenvolvimento de pastas técnicas. O novo projeto visa ser mais eficiente do que as antigas construções dos primeiros anos da Unicamp, os “edifícios tipo”. “Em 30 anos inclusive poderá gerar economia suficiente para construir até dois edifícios”, comenta Medrano. Mas, além da inovação, o edifício deverá facilitar o acesso das pessoas que têm mobilidade reduzida e realçar pontos ligados à questão ambiental.

Integração
Ao longo do seu processo de concepção, os protótipos ganharam contornos nos laboratórios de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção (Lapac) e de Estudos em Arquitetura Contemporânea (Leac). Tudo começou com uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. Depois foram testados procedimentos mais adequados a este tipo de construção, até chegar – há cerca de um mês – a um produto final mais próximo do ideal. Optou-se por um edifício flexível, afirma Medrano, com características de edifícios sustentáveis (que seguem normas internacionais para construções com esta categoria), e maleável, podendo ser adaptado a diversas situações, com uso de um software capaz de aferir soluções. “Pode ser um laboratório, uma biblioteca, um conjunto de salas para professores e alunos através de um único sistema de arquitetura.”

Uma primeira vantagem do “sistema tipo” mencionada por Medrano é que a unidade da Unicamp que optar por uma ampliação em sua área física terá uma resposta mais rápida. “Isso porque o projeto já está basicamente pronto”, pontua. Se esta unidade procurar uma solução personalizada, o edifício poderá ser perfeitamente adaptado também. Segundo ele, o sistema construtivo predominante será o steel frame. A designação é utilizada internacionalmente para descrever um sistema construtivo que tem o aço galvanizado como principal elemento. Nessa estrutura, não vão tijolos e nem cimento, com o concreto sendo apenas colocado nas fundações.

O arquiteto expõe que o steel frame ainda é pouco adotado no Brasil, sendo formado por peças metálicas de estrutura que organizam todo o edifício, além de vedos leves, tudo montado no local. Trata-se de uma “construção seca” que tem condições de ser instalada rapidamente com o auxílio de uma pequena equipe e com um tempo bem menor do que na construção convencional. “Com ele, podemos diminuir a agressão ao meio ambiente e gerar menos resíduos. Para isso, fomos buscar amparo em balizadores internacionais para edifícios sustentáveis e certificações, os quais servem como parâmetros para soluções.” Outros itens ainda priorizados no projeto foram espaços mais adequados ao desenvolvimento de atividades acadêmicas, salas dos professores, salas de aula, laboratórios etc., que deverão ser mais eficientes que os existentes.

Verticalização
Os grandes edifícios verticalizados substituíram as construções baixas e compactas, dando início ao processo de modernização já a partir da década de 1920. A verticalização é até certo ponto uma forma de otimizar a ocupação do solo e estimular as áreas verdes. Mas, quando se começa a verticalizar demais, adverte Celani, começam a surgir problemas porque na mesma largura de rua em que circulariam “x” veículos, para atender a pessoas que frequentam um prédio de até quatro pavimentos, não permitirá acomodar quantos desejarem ir a um prédio de 10 a 15 pavimentos. Assim sendo, enfatiza Celani, a verticalização tem que ser feita com muito critério. “Caso contrário, implicará necessariamente uma mudança estrutural das redes viária, de abastecimento de água, de esgotos, sem falar em estacionamentos e em uma série de outras consequências que isso poderá trazer. Precisa existir uma garantia de que não será ultrapassada a densidade para a qual aquela infraestrutura urbana foi projetada.”

Medrano descreve que nos protótipos os prédios têm quatro andares, para que os alunos possam circular em todos os pavimentos usando as escadas, deixando os elevadores para o transporte de portadores de necessidades especiais, de mobiliário e de equipamentos mais pesados. O “sistema tipo” segue as normativas associadas à acessibilidade universal, tanto para a circulação vertical e horizontal quanto para o acesso aos sanitários e salas de aula. “Pensamos num edifício democrático e acessível. Os quatro pavimentos previstos permitirão obter uma densidade maior, posto que o nosso tema mais do que verticalidade envolve a densidade. É ter um número certo de alunos e professores com relação à infraestrutura pública, ou seja, iluminação, paisagismo, calçadas e automóveis.”

O projeto, estima Medrano, melhoraria as condições arquitetônicas, urbanas e todas as atividades que compõem a Unicamp. Contribuiria para o cotidiano de todos os professores, alunos e funcionários, mas também para o processo de internacionalização do campus e da Universidade como um todo, uma vez que atingiria os padrões e as instâncias de pesquisas de outras universidades de igual porte.

O arquiteto acredita que a Unicamp ficará com os seus serviços mais próximos, mais propícia aos deslocamentos a pé, aos transportes coletivos e às bicicletas. “Todas as relações entre núcleos de pesquisa, faculdades e áreas administrativas da Unicamp ficarão mais otimizadas. Este é um processo que outras Universidades no mundo já têm estimulado. A ideia de campus espalhado hoje vem sendo contestada há algum tempo.”

Esforços
Segundo Isabela Sancho, aluna do curso de Arquitetura da Unicamp que atuou em várias etapas do projeto, a oportunidade de interagir com alunos de diversos anos permitiu que o trabalho tivesse um resultado final mais robusto, com características que se complementaram justamente graças a estas diferenças. Para ela, a maior dificuldade foi reunir todas as demandas por funcionalidade, conforto e sustentabilidade num projeto que solucionasse tudo ao mesmo tempo, de forma eficaz e com a coerência requerida pela arquitetura contemporânea. “Foi muito difícil compatibilizar as metodologias experimentadas para produzir o resultado e poder analisá-lo nesta produção.”

Trabalharam no “sistema tipo”, além dos coordenadores, os estudantes de FEC André Gomes Soares, Gabriela Ortega, Giusepe Filocomo, Henrique Rizzi, Isabela Sancho, Luciane Tomiyasu, Natália Amgarten, Tainá Ceccato e os arquitetos Carlos Vaz e Júlia Spinelli.

De acordo com Celani, esses primeiros esforços mostram que fazer arquitetura não é simplesmente questão de bom gosto profissional e nem de demanda funcional do cliente. Envolve pesquisa e sua aplicação, tal como vem ocorrendo no Leac, que se dedica ao estudo da teoria da arquitetura contemporânea, com suas tendências internacionais de linguagem e de métodos ou projetos de arquitetura; e no Lapac, que se volta mais para as novas tecnologias do projeto, equipamentos controlados por computador para produção de maquetes, uso de software para análise e programação de sistemas CAD (Computer Aided Design) para o desenvolvimento de projetos.

Celani esclarece que o Escritório Modelo não deve ser encarado como uma pretensão da FEC. “Em ciências, afinal, a palavra ´modelo´ traduz uma representação parcial da realidade, na qual o número de variáveis é controlado.” Diferentemente de um escritório real de arquitetura, no Escritório Modelo pode-se controlar melhor, por exemplo, o tempo de desenvolvimento de um projeto. Outra coisa: o custo nem se compara a um escritório de arquitetura, já que o trabalho é processado com a participação de muitos estagiários, cujas pesquisas demandam muito tempo e maior dedicação deles.

Ciclovia
O projeto de uma nova ciclovia para a Unicamp também vem sendo desenvolvido pelo Escritório Modelo. Para isso, olhar como outros países têm feito pode ser uma boa saída. Celani diz que a equipe de trabalho observou soluções na Holanda, um dos países com o maior número de bicicletas por habitante. “A partir das soluções de outros contextos, começamos a detalhar quais ruas do campus têm um número elevado de automóveis estacionados dos dois lados e como pode ser feito para que as bicicletas circulem nesses locais”, revela Celani.

Ela recorda que já existiam, inclusive, algumas propostas de ciclovias desenvolvidas por alunos da Unicamp. Uma delas propunha que bicicletas pudessem ser alugadas no campus, de maneira semelhante ao que ocorre em Barcelona. “O aluguel poderia ser validado mediante o uso do cartão de RA do aluno”, sugeria o aluno. As bicicletas seriam deixadas depois num ponto de recolhimento. De alguma maneira, seria preciso contar com um sistema que as transportasse do ponto onde elas foram deixadas até o local de retirada. A especialista defende ainda a verificação da topografia do campus, a tripulação dos ônibus, a circulação dos automóveis. “Este estudo, aliás, já existe e foi detalhado pelos alunos do Escritório Modelo.”

Comissão dos códigos florestal e ambiental realiza audiências no NE

A Comissão Especial dos Códigos Florestal e Ambiental realiza duas audiências públicas no Nordeste nesta semana para discutir mudanças na Lei 4.771/65. A comissão, criada em setembro do ano passado, analisa seis propostas sobre o tema – projetos de lei 1876/99, 4524/04, 4395/08, 5020/09, 5226/09 e 5367/09.

O primeiro debate será realizado hoje em Teresina (PI). Participarão da audiência:

- o presidente e o relator da comissão especial, deputados Moacir Micheletto (PMDB-PR) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP);

- o presidente da Assembléia Legislativa do Piauí, Themistocles de

Sampaio Pereira Filho;

- o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado, Dalton Melo Macambira;

- o secretário de Desenvolvimento Rural, Rubem Nunes Martins;

- o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Piauí, Carlos Augusto Melo Carneiro da Cunha;

- o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí, José Evandro de Araújo Luz ; e

- representantes do Ibama e do Instituto Chico Mendes.

O debate de hoje está marcado para as 9 horas e será realizado na Assembléia Legislativa do estado.

Amanhã, as mudanças na legislação ambiental serão discutidas com vereadores e representantes de entidades governamentais e não-governamentais em Imperatriz (MA). O debate está marcado para as 9 horas na câmara de vereadores.