terça-feira, 30 de agosto de 2011

Seca de 2010 na Amazônia foi a mais drástica desde 1902

Da Agência FAPESP 

Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluíram em um estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, que a seca de 2010 na Amazônia foi a mais drástica já registrada desde 1902, superando a de 2005, que até então era considerada a maior do século.

A constatação foi feita a partir da análise de uma série histórica de dados de pluviosidade na região da bacia amazônica, com medições desde 1902.

Os resultados do estudo apontam que o processo teve início no começo do verão, durante o El Niño (um processo natural de aquecimento das águas do Pacífico), mas foi intensificado pelo aquecimento das águas tropicais do Atlântico Norte. Em função disso, se originou uma estação seca que se estendeu por muitos meses, ocasionando alterações no ciclo hidrológico.

Como consequência desse processo, houve rebaixamento dos níveis de água e seca completa de cursos d’água e tributários de rios na bacia amazônica. A região sul foi a mais afetada. O fenômeno causou graves problemas socioambientais, especialmente às populações ribeirinhas, que ficaram isoladas por dependerem dos rios para seu deslocamento.

Em outro artigo recém-publicado na revista Theoretical Applied Climatology, pesquisadores do Inpe apresentaram os resultados de um amplo estudo sobre as inundações na Amazônia e Nordeste do Brasil, ocorridas no período de maio a julho de 2009. O fenômeno provocou mortes e deixou milhares de famílias desabrigadas. O trabalho demonstra que essas chuvas torrenciais foram as mais intensas e duradouras já registradas.

O rio Negro, principal tributário do rio Amazonas, atingiu seu maior nível em 107 anos. Os autores concluíram que o evento foi resultado de uma conjuntura de fatores meteorológicos, especialmente o aquecimento acima do normal das águas superficiais do Atlântico Sul – aspecto importante para a explicação das chuvas abundantes em vastas regiões do leste amazônico e Nordeste do país.

Os pesquisadores destacaram também que esses episódios extremos, assim como a seca duradoura ocorrida no ano de 2010 na bacia amazônica, reforçam a hipótese de que anomalias no regime pluviométrico e de temperatura serão mais frequentes em cenários futuros de mudanças climáticas.

Entre os autores dos estudos está José Antônio Marengo Orsini, chefe do Centro de Sistema Terrestre do Inpe. O artigo The drought of 2010 in the context of historical droughts in the Amazon region (doi:10.1029/2011GL047436), de Orsini e outros, pode ser lido em www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/2011GL047436.pdf.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Edital Mostra Científica IV CBJA







Olá a todos.

O site do IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA) estará no ar ainda essa semana.

Estou divulgando nesse post o edital da mostra científica, o I Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental, pois o já estamos um pouco atrasados.
Clique aqui para abrir o link do edital.





quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estudo mostra contribuição das UCs para a biodiversidade e economia nacional

Os serviços prestados ainda não contam com o reconhecimento da sociedade, mas as cifras que podem ser alcançadas com a utilização adequada destas áreas protegidas pode gerar mais de R$ 2 bilhões apenas com o turismo.

Por Carine Corrêa, do MMA

Quando o assunto é biodiversidade, costuma-se pensar apenas em medidas de proteção e conservação das diferentes espécies biológicas existentes não só no Brasil como também no mundo. A criação de Unidades de Conservação (UCs) - áreas especialmente criadas pelo poder público com o intuito de, entre outras finalidades, proteger recursos naturais considerados relevantes - é uma das formas mais efetivas de se garantir a manutenção e o uso sustentável de ativos ambientais.

Estes espaços protegidos desempenham papel crucial na proteção de recursos estratégicos para o desenvolvimento do País e contribuem para o enfrentamento do aquecimento global. A novidade apresentada pelo estudo Contribuição das Unidades de Conservação Brasileiras para a Economia Nacional, lançado nesta quarta-feira (18/5) em Brasília, durante as comemorações do Dia Internacional da Biodiversidade,  é que além de serviços ecossistêmicos, como garantia de água para a população e para diversas atividades produtivas, as unidades de conservação podem gerar benefícios lucrativos e atividades produtivas para populações tradicionais.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirma que a discussão da biodiversidade não está  restrita à proteção de plantas e animais, e que o papel das UCs ainda não foi muito explorado no cenário econômico nacional.
"É importante lembrar que criar áreas protegidas não é ir contra o desenvolvimento. Temos que mostrar à toda sociedade brasileira como o tema está presente na vida cotidiana do cidadão, como por exemplo, os produtos florestais, o uso público destes espaços, o estoque de carbono, o turismo, a garantia de água e a repartição de receitas tributárias. Somos o G1 da biodiversidade no planeta, e temos um pré-sal de petróleo e outro de biodiversidade. A sociedade brasileira tem que entender o que significa a conservação da biodiversidade no seu dia a dia", afirma Izabella Teixeira.

Benefícios
Para se ter uma ideia, no que se refere a atividades econômicas dentro ou no entorno destas áreas protegidas, a publicação demonstra que a soma das estimativas de visitação pública nas unidades de conservação federais e estaduais pode alcançar um público de cerca de 20 milhões de pessoas em 2016 (caso o potencial destas UCs seja devidamente explorado), o que pode acarretar uma renda de R$ 2,2 bilhões no mesmo ano.

A previsão de visitação em 67 parques nacionais já existentes no País pode gerar entre R$ 1,6 e 1,8 bilhão por ano, considerando-se as estimativas de fluxo de turistas no Brasil até 2016.
A produção de borracha em 11 reservas extrativistas (resex) do bioma amazônico avaliadas  já chega a R$ 16,5 milhões anuais. Já a produção de castanha do Pará em apenas 17 resex analisadas  na Amazônia tem potencial para chegar à cifra de R$ 39,2 milhões por ano.

Em relação aos efeitos das mudanças climáticas, a criação e manutenção das unidades de conservação no Brasil impediu a emissão de pelo menos 2,8 bilhões de toneladas de carbono, o que pode ser convertido em um valor monetário de aproximadamente R$ 96 bilhões.

Além disso, 9% da água captada para consumo humano são provenientes de UCs, e  80% da hidroeletricidade brasileira vêm de fontes geradoras que têm pelo menos um rio tributário a jusante (sentido em que fluem as águas de uma corrente fluvial) das UCs. Do fluxo captado para irrigação e agricultura, pelo menos 4% são provenientes de fontes localizadas dentro ou abaixo das UCs.

Serviços Ambientais
De acordo com o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, as unidades de conservação são territórios importantes para promover a conservação e a provisão de serviços ambientais que contribuem para o crescimento e manutenção de diferentes cadeias econômicas.

Ele explica que muitas áreas protegidas do mundo foram criadas com o objetivo de assegurar as condições para que, por exemplo, os mananciais hídricos atendam aos principais usos humanos, como abastecimento público, agricultura e geração de energia.
"Reduzir a perda da biodiversidade não se consegue apenas com ações de comando e controle, como fiscalização e apreensão. Temos que investir na construção de modelos alternativos de exploração sustentável. Se não conseguirmos fundamentar a ideia da floresta em pé como ativo econômico de valor, não conseguiremos proteger nossa biodiversidade", afirma o secretário.

Dias ressalta também que um dos objetivos do MMA é criar  novas possibilidades para as comunidades que vivem dentro das unidades de conservação. "Nosso compromisso é  ter uma nova estratégia para a biodiversidade consolidada e aprovada para a Rio+20, com o planejamento para esta década. Nosso maior desafio é promover uma estratégia de desenvolvimento sustentável do Brasil".

O estudo foi desenvolvido pelo Centro de Monitoramento de Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pelo MMA,  sob coordenação das universidades fluminenses UFRJ e UFRRJ, e com o apoio técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Cooperação Técnica Alemã(GIZ).

Recursos hídricos
Dos 1.164 empreendimentos de geração de energia hidrelétrica outorgados ou em construção computados em 2010, 447 (38,4%) estão localizados abaixo de unidades de conservação federais.
Cerca de 34,7% do volume anual constante de captação de água são provenientes de fontes  localizadas dentro ou no entorno de unidades de conservação federais. 

O estudo revela ainda que a manutenção de 65% da vegetação natural de uma bacia garante 50% do volume médio do rio, e que bacias hidrográficas florestadas tendem a oferecer água de melhor qualidade do que as submetidas a outros usos, como agricultura, indústria e assentamentos.

Na maioria dos casos, a presença de florestas pode reduzir substancialmente a necessidade de tratamento para água potável, e assim reduzir os custos associados ao abastecimento de água. Cerca de um terço das maiores cidades do mundo obtêm uma proporção significativa de uso da água potável diretamente de áreas florestadas.

Nas bacias hidrográficas e mananciais com maior cobertura florestal, o custo associado ao tratamento da água destinado ao abastecimento público é menor que o custo de tratamento em mananciais com baixa cobertura florestal. Por isso é importante a função das áreas de preservação permanente (APPs), que envolvem nascentes, veredas, encosta, topos de morro e matas ciliares.

Receitas Tributárias
Se por um lado a presença das UCs impede a realização de certas atividades econômicas, por outro  pode estimular outras capazes de gerar impacto positivo nas economias locais de municípios afastados dos grandes centros.

No Brasil, 14 estados aprovaram legislação específica para a aplicação do ICMS Ecológico em seus territórios. Os critérios para os repasses aos municípios e seus respectivos cálculos podem variar em cada caso, e a presença de uma unidade de conservação é um critério adotado na definição destes valores. 

Quanto maior a extensão e o número de áreas protegidas no município, maior é o montante repassado de ICMS ecológico ao município. A receita suplementar repassada aumenta o orçamento municipal, provocando efeitos secundários sobre o desenvolvimento local, como turismo e visitação.

Em 2009, o  mecanismo ICMS ecológico garantiu a transferência anual de mais de R$ 400 milhões para as 
administrações municipais como compensação pela presença destas áreas protegidas em seus territórios.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Banco do Brasil concede crédito a propriedade com trabalho escravo

Felipe Luchete, da Folha Online

O Banco do Brasil fez pelo menos 55 empréstimos a propriedades rurais no Pará que mantinham trabalho escravo, desmataram áreas ou não apresentam documentos de regularidade ambiental, fundiária e agrária, segundo o Ministério Público Federal.

Em ação ajuizada ontem na Justiça Federal, o órgão diz que o Banco do Brasil concedeu mais de R$ 8 milhões em créditos rurais de forma irregular entre 2008 e 2009, e que por isso ajudou a financiar infratores. Outra ação responsabiliza o Banco da Amazônia por 37 financiamentos com os mesmos problemas, no valor de R$ 18 milhões.
As duas instituições fizeram mais da metade dos empréstimos concedidos a propriedades rurais da Amazônia Legal entre 1995 e 2009.

No caso do Banco do Brasil, a investigação apontou 18 propriedades beneficiadas. Quatro delas tinham trabalho análogo à escravidão e nenhuma possuía a documentação necessária.O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é réu nos dois processos. Segundo o MPF, o órgão é ineficiente na emissão do CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural).

Esse é um dos documentos exigidos pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional na concessão de crédito para atividades agropecuárias na Amazônia.

Documentos
Para chegar ao número de empréstimos, o MPF fez uma amostra com os financiamentos realizados por bancos públicos em dez municípios paraenses recordistas em desmatamento.

Procurou quatro pontos em cada propriedade: existência do CCIR, embargos por infração ambiental, licença de atividade rural e autuação por trabalho escravo. A fazenda São Francisco, em Marabá, apresentou problemas em todos os critérios, aponta o MPF.

Sem licença e cadastros, havia sido autuada pelo Ibama por vender madeira sem permissão e flagrada com 15 trabalhadores que não tinham salários regulares, comida adequada e boas condições de alojamento.

A ação pede que os bancos façam uma auditoria para investigar outras concessões de crédito e paguem indenização por danos materiais e danos morais coletivos. Para o MPF, cada banco deveria pagar no mínimo o mesmo valor que concedeu de empréstimos.

Outro Lado
O Banco da Amazônia disse que não foi notificado sobre a ação do Ministério Público Federal e que por isso não iria se manifestar. Procurado, o Incra também argumentou que não foi notificado, mas disse que a emissão do CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural) pode ser feita de maneira simples pela internet.

O dono de uma propriedade só não consegue fazer o cadastro se tiver pendências a resolver, diz o Incra.O Banco do Brasil não respondeu questionamentos da reportagem até a conclusão desta edição.

Projeto endurece punição para empresas lesivas ao meio ambiente

 Por Lara Haje e Cristiane Bernardes, da Agência CãmaraA Câmara analisa o Projeto de Lei 383/11, do deputado Roberto de Lucena (PV-SP), que proíbe as empresas que cometerem infração administrativa ambiental de obter subsídios, subvenções ou doações do governo pelo período de até três anos.


O projeto altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), que já impossibilita essas empresas de fechar contrato com a administração pública, também pelo prazo de até três anos. Outras sanções previstas pela lei em caso de infração ambiental administrativa são a suspensão ou cancelamento de registro, licença ou autorização da empresa; e a perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais.

Além disso, o projeto estabelece que a empresa não poderá receber subsídios, subvenções ou doações da administração pública se tiver débitos previdenciários ou fiscais ou se tiver sido condenada por crime ambiental com sentença transitada em julgado. "Decorridos 13 anos de sua aprovação, ainda se observam imperfeições na Lei de Crimes Ambientais, duas das quais este projeto de lei objetiva sanar", explica o autor.

A proposta é idêntica ao PL 2243/07, do ex-deputado Dr. Talmir, que foi arquivado ao final da legislatura passada, após ter sido aprovado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Finanças e Tributação.

Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

quinta-feira, 24 de março de 2011

Em visita ao Brasil, pesquisadora fala sobre panorama da mídia na Grécia contemporânea

A comunicação de massa na Grécia, especialmente a televisão, bem como uma introdução e debate sobre a interface entre as Olimpíadas e a mídia neste país são alguns dos temas da palestra de abertura da disciplina de Jornalismo Internacional da Escola de Comunicação da UFRJ,aberta ao público, na quarta 30 na UFRJ (Campus Praia Vermelha). A palestrante é a pesquisadora Tessa-Anastasia Doulkeri, professora da Escola de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade Aristóteles, a maior instituição de ensino superior da Grécia.

A palestra ocorrerá na próxima quarta-feira, 30 de março, às 18h30, e fará um panorama da mídia na Grécia a partir da longa experiência de Doulkeri em universidades e outros centros de pesquisa na Europa (vide perfil da pesquisadora mais abaixo).

O evento, que também conta com um debate, dá inicio à disciplina de Jornalismo Internacional, é gratuita e os inscritos receberão um certificado de participação. Para se inscrever no evento, envie um e-mail para peteco@ufrj.br com seu nome completo e ocupação, com o título do email “Inscrição”. O evento será no Auditório Prof. Manoel Maurício (ao lado do Banco Real), no CFCH, campus da Praia Vermelha da UFRJ.

De passagem pelo Brasil, a pesquisadora grega Tessa Doulkeri leciona comunicação na maior universidade da Grécia, a Universidade Aristóteles, que fica localizada em Salônica, segunda maior cidade da Grécia. Formada em Direito pela Universidade Aristóteles, é Mestre em Sociologia pela Universidade de Sorbonne e em Ciências Políticas e Direito Público pela Universidade Aristóteles. Seu Doutorado é na área de Ciências da Comunicação, também pela Universidade de Sorbonne.

Já trabalhou como consultora na União Europeia (Bruxelas), no Conselho da Europa (Estrasburgo) e na televisão francesa (Paris). Lecionou na Universidade de Atenas como professora assistente. Suas publicações (livros e artigos) dizem respeito a temas diversos como televisão (questões sócio-político-legais), igualdade de gênero, publicidade (comercial e política), as crianças e os meios de comunicação de massa, bem como esportes e mídia.

A disciplina de Jornalismo Internacional é oferecida pelo Programa de Educação Tutorial (PET) da ECO-UFRJ, sob coordenação do prof. Mohammed ElHajji. Ouvintes externos poderão se inscrever neste evento para participar do curso semestral, por meio de formulário que será disponibilizado no próprio local. A disciplina acontece toda quarta-feira do primeiro semestre de 2011, das 19h às 20h, no Núcleo de Imprensa da ECO/UFRJ (Campus Praia Vermelha). Neste semestre, está sendo ministrada pelo doutorando do Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura da ECO/UFRJ, Gustavo Barreto, com apoio de integrantes do Programa de Educação Tutorial (PET) e do Laboratório de Comunicação Social Aplicada da UFRJ, ambos vinculados à Escola de Comunicação.

Panorama da mídia na Grécia contemporânea

Palestrante: Profa. Dra. Tessa-Anastasia Doulkeri, professora da Escola de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade Aristóteles, Grécia
Local: Auditório Prof. Manoel Maurício (ao lado do Banco Real), no CFCH, campus da Praia Vermelha da UFRJ
Data: Quarta-feira, 30 de março de 2011
Horário: 18h30
Inscrição: Gratuita. Para se inscrever no evento, envie um e-mail para peteco@ufrj.br com seu nome completo e ocupação, com o título do email “Inscrição”. 
Vagas limitadas.

Mudanças climáticas e o princípio da precaução

Há quem diga que sim, há quem diga que não. Não faltam os que dizem não ter opinião formada. Isso é natural nas coisas ligadas a natureza. Não poderia ser diferente ao se tratar , por exemplo, dos temas Aquecimento Global (efeito) e Mudanças Climáticas (causas).

E é neste ponto que precisamos saber o que realmente pensa a sociedade de tudo isso e, neste sentido o NEPA fez uma pesquisa na Região da Grande Vitória (ES). Esta pesquisa evidenciou um aspecto preocupante; uma sociedade que se diz "conhecedora dos temas", mas ao ser perguntando sobre como eles agem, ficou insegura. Ou seja, uma sociedade que "diz saber" aquilo que, infelizmente, "não sabe explicar".


Obviamente isso não quer dizer (necessariamente) nada em relação a real posição da sociedade (pelo menos tendo em conta o grupo pesquisado), mas deixa claro a insegurança de não saber definir de que lado cada um está, ou seja, dos crentes ou dos incrédulos em relação ao Aquecimento Global e as Mudanças Climáticas.


E você, frente às conclusões dessa pesquisa, poderia dizer (com convicção) de que lado está?  Entretanto, independente do lado que estiver, não deixe de adotar o princípio da precaução, ou seja, se não for verdade o que se fala, menos mal, mas se for não dá para deixar para depois a decisão que deveria estar sendo tomada agora. Não deixe que os outros decidam por você; o custo (se houver) será rateado por toda a sociedade, queiram ou não,  crentes e descrentes.


Os dados disponíveis mostram que 2005 e 2010 foram os anos mais quentes da história desde que os registros passaram a ser feitos em 1880. A temperatura do planeta em 2010 foi a segunda mais quente já registrada (quase um grau acima da média do século XX). Diriam uns, coincidências; diriam outros, evidências de uma mudança de comportamento global do planeta.


Estudos mostram que a seca na Amazônia em 2010 foi ainda superior a observada em 2005, esta até então 
considerada a mais grave da região nos últimos 100 anos. Em 2005 a região afetada foi da ordem de 2 milhões de quilômetros quadrados; em 2010 a região foi de 3 milhões. Desde 1963 não se viu uma redução tão drástica nas vazões dos rios Negro e Amazonas.


A temporada de furações no Atlântico em 2010 foi intensamente ativa (19 tempestades e 12 furações). Coincidência; evidências?


Poderíamos citar outros eventos climáticos extremos – caso da incidência de chuvas – poderiam ser também relatados de modo a consolidar que, no mínimo, algo está mudando e, certamente, não para melhor, em relação aos padrões conhecidos de clima.  


Diriam os incrédulos; está é a tática usada para induzir a sociedade a acreditar que algo está acontecendo com a natureza. O anúncio do fim do mundo levaria todos a acreditar em algo que não é verdade. Os crédulos diriam; se os fatos mostram mudanças, não seria mais do que oportuno – adotando o princípio da precaução – de iniciar um processo de minimização dos efeitos observados, ao invés de manter a luta de prós e contras que a sociedade se vê envolvida hoje?


A meu ver, independentemente de crentes ou descrentes, já está na hora de adotar (na plenitude) o princípio da precaução, uns de forma mais conservadora (descrentes) e outros (crentes) uma forma mais pró ativa de comportamento.


 Fonte: Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
roosevelt@ebrnet.com.br

quarta-feira, 23 de março de 2011

Uso racional da água pode ser vantagem para Brasil

A utilização racional da água nos processos de produção pode ser uma vantagem competitiva para o Brasil, na avaliação de Arjen Hoekstra, professor de gestão dos recursos hídricos da universidade holandesa de Twente e criador do conceito de pegada hídrica. Para Arjen, o país deverá atrair a atenção internacional, nos próximos anos, por ser um grande exportador de itens que precisam de muita água para serem elaborados, como as commodities agrícolas.

Da Agência Brasil

A utilização racional da água nos processos de produção pode ser uma vantagem competitiva para o Brasil, na avaliação de Arjen Hoekstra, professor de gestão dos recursos hídricos da universidade holandesa de Twente e criador do conceito de pegada hídrica.

Para Arjen, o país deverá atrair a atenção internacional, nos próximos anos, por ser um grande exportador de itens que precisam de muita água para serem elaborados, como as commodities agrícolas. Segundo o especialista, para produzir a soja que é exportada para o Reino Unido são consumidos 1,43 milhão de metros cúbicos (m³) de água por ano.

Mesmo com o grande impacto sobre os recursos hídricos, o professor destaca que o Brasil ainda é mais econômico do que outros países que vendem itens semelhantes. “Em muitos casos, a pegada hídrica do Brasil é muito menor do que a do Oriente Médio e a dos Estados Unidos”, ressaltou.

A pegada hídrica é um conceito desenvolvido por Arjen Hoekstra e difundido pela Water Footprint Network. A proposta é padronizar a quantificação da água usada e contaminada na elaboração de produtos. Com isso o consumidor pode saber quais itens são mais sustentáveis.

Adotar uma posição comercial que leve em consideração a redução do consumo de água na produção pode abrir espaço para o Brasil no mercado internacional, na opinião do coordenador de Estratégia de Água Doce da organização não governamental (ONG) The Nature Conservancy, Albano Araújo.

Ele lembra que a economia de recursos naturais é também uma maneira de as empresas reduzirem gastos. “Reduzir a pegada hídrica significa reduzir custos e consumo de energia e ainda ganhar em imagem.”

No Brasil, cerca de 95% da água são consumidos de forma indireta, por meio da compra de produtos. De acordo com a estimativa de Arje, cada casa consome, em média, 3,4 mil litros por dia apenas com consumo de produtos agrícolas. O uso doméstico e os produtos industriais são responsáveis, cada um, por mais 190 litros diários.

Em um país mais industrializado, como o Reino Unido, os manufaturados representam um gasto ainda maior de água. Segundo o estudo, cada casa inglesa consome, em média, 1.110 litros diários com esse tipo de produtos, além dos mesmos 3, 4 mil com os itens agrícolas. O uso doméstico é responsável pelo gasto de 150 litros.

A diferença fundamental está no fato de que a pegada hídrica dos lares do Reino Unido está, principalmente, no exterior. O levantamento aponta que cerca de 60% da água consumida nos lares daquele país foram importados. Enquanto, no Brasil, esse índice é de apenas 8%.

Ilusões e realidade para a sustentabilidade

Por Vilmar S. D. Berna*

Precisamos sonhar com a possibilidade de um futuro, de um mundo melhor, pois os sonhos nos motivam para a ação, nos animam a romper com a inércia e a suportar a dor do esforço no rumo a outro jeito de ser e estar no Planeta e na sociedade, ambientalmente sustentável e socialmente mais justo. Os sonhos nos dão energia para as boas práticas e a confiança de que é possível.

Entretanto, entre declarações de políticas e promessas ambientais e a realidade, existe um vazio proporcionalmente tão grande e profundo quanto nossa capacidade de sonhar. Um vazio que pode e precisa ser preenchido com gestão, planejamento, investimento de tempo e dinheiro. Entre os oito e o oitenta, em gestão ambiental, será preciso passar por um monte de outros números. Sonhar é relativamente fácil, difícil é colocar em prática. Então, é natural que entre a intenção e o gesto exista um tempo de maturação para acontecer.

O importante é demonstrar o movimento, saber valorizar e divulgar os bons resultados, mesmos pequenos, para renovar o incentivo e estimular o aumento na velocidade das mudanças, e também refletir sobre os maus resultados, pois pode ser o caso de precisar rever metas e objetivos. Se os sonhos forem pouco ambiciosos - apenas para produzir uma pequena mudança -, este vazio será menor e o esforço requerido para preenchê-lo de realizações também. Entretanto, os resultados também poderão ser pequenos e podem nem valer à pena, podendo produzir mais desgastes que levar a alguma mudança. E não adianta fazer pouco e tentar compensar depois no marketing, por que o tiro pode sair pela culatra, e uma reputação manchada é de difícil recuperação depois. Se for grande demais, por mais que se persiga o sonho, este sempre parecerá inatingível. Ainda assim poderá valer a pena para nos manter seguindo em frente, apesar das adversidades.

Muitas das grandes mudanças na Humanidade começaram de um pequeno desvio, como o empreendedorismo dos tropeiros arriscando-se no comércio ambulante entre as cidades da Idade Média e que resultaram no mercantilismo e no fim da estrutura feudal de poder.

Alguns sonhos podem ser sonhados sozinhos, e ainda assim serem possíveis de se realizar, como serem consumidores mais responsáveis, ou menos gananciosos e mais solidários. Outros precisam ser sonhados juntos para se tornarem realidade, como a construção de uma sociedade sustentável, requerendo de nós o esforço de sensibilizar e convencer aos demais.

Outros sonhos podem demorar gerações para acontecer, contando com o esforço e o engajamento de gente que ainda nem nasceu. As catedrais da Idade Média, por exemplo, levavam gerações para serem concluídas, e ainda assim pôde ser realizada por pessoas que sabiam que se não fizessem bem a sua parte, a geração que viria depois teria de começar do zero.

Um pouco como a mudança para a sustentabilidade. Nossa geração começou agora uma obra cujos frutos talvez só venham a ser colhidos em quantidade pelos que virão depois. Melhor isso que deixar como herança um Planeta esgotado, poluído e incapaz de sustentar a vida como a conhecemos.

Alguns se dão por satisfeitos apenas em reclamar imaginando que o mundo melhor que desejam deve começar no outro. Outros preferem se iludir com falsas promessas ou soluções milagrosas, em vez de encarar a realidade de que somos a raiz dos problemas do mundo e também podemos ser a solução, dependendo das escolhas que fizermos.

Precisamos ajustar nossas percepções para saber aproveitar as oportunidades como elas se oferecem e não como gostaríamos que aparecessem. E saber lidar com as frustrações e com a dor do esforço e da incapacidade de alcançar certos objetivos, por que talvez ainda não seja a hora ou ainda não estejamos prontos.

Para os que acreditam em divindades, é hora de pedir que nos acolham em nossas dores e angústias e nos salvem de nós mesmos. Entretanto, tal conforto espiritual não chega para todos. O que temos nas mãos é a possibilidade aqui e agora de arregaçar as mangas e trabalhar pelas mudanças, a partir de nós próprios, assumindo que somos os resultados de nossas escolhas, e que o nosso sucesso ou fracasso resultarão de nossos sonhos e da capacidade realizá-los.

* Vilmar é escritor, com mais de 20 livros publicados. Em 1996, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental e edita a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente. Em 1996, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente – www.escritorvilmarberna.com.br e http://www.portaldomeioambiente.org.br/.

terça-feira, 22 de março de 2011

Na década da biodiversidade, o ano internacional das florestas


Para iniciar a década, 2011 foi proclamado o Ano Internacional das Florestas. O que se coloca em discussão, neste primeiro ano, é o manejo sustentável de todos os tipos de florestas mundiais, como forma de conter a taxa – alarmante – de desmatamento e degradação. Hoje, restam no mundo pouco mais de 20% da cobertura florestal original. Números da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revelam que, de 2000 a 2010, a cada ano, globalmente, 13 milhões de hectares desses remanescentes foram convertidos para outros usos. O artigo é de Malu Nunes.

Malu Nunes, da Carta Maior

Depois de 2010 ter sido o Ano Internacional da Biodiversidade, as Nações Unidas anunciaram o período de 2011 a 2020 como a Década da Biodiversidade. O objetivo central dessas celebrações é inserir como pauta prioritária na agenda de governos e da população mundial a preservação do patrimônio natural, propagando a ideia de que ela é essencial para a manutenção de toda a vida no planeta, o combate às mudanças climáticas e a sustentação da economia global.

Para iniciar a década, 2011 foi proclamado o Ano Internacional das Florestas. O que se coloca em discussão, neste primeiro ano, é o manejo sustentável de todos os tipos de florestas mundiais, como forma de conter a taxa – alarmante – de desmatamento e degradação. Hoje, restam no mundo pouco mais de 20% da cobertura florestal original. Números da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revelam que, de 2000 a 2010, a cada ano, globalmente, 13 milhões de hectares desses remanescentes foram convertidos para outros usos. No Brasil, que está entre os cinco países que mais detêm florestas, a perda chegou a 2,6 milhões de hectares anuais. As taxas são menores do que os 16 milhões mundiais e 2,9 milhões nacionais perdidos a cada ano nos anos 1990, mas ainda são assustadoras pelos impactos e perdas a elas associados.

Como conservacionista, é necessário que eu diga: é preciso frear essa destruição. Isso porque, como me parece lógico, não podemos nem destruir e nem usufruir de todo o espaço de terra florestada que existe no planeta. Até por questões éticas: para ocupar tudo, teríamos que extinguir outras formas de vida. No entanto, a principal razão em jogo é a nossa sobrevivência e qualidade de vida. Permitir a degradação significa prejudicar o fornecimento de serviços ecossistêmicos essenciais para a vida humana, como a produção de água doce, regulação do clima e a manutenção da qualidade do ar e do solo. Sem esses benefícios, garantir a vida no planeta como concebemos hoje é uma tarefa impossível. Além disso, o desmatamento contribui para o aumento das mudanças climáticas.

Diante deste cenário, a melhor estratégia para se manter uma parcela indispensável de diversidade biológica, viabilizar sua evolução e os serviços ecossistêmicos providos por ela, bem como manter os estoques de carbono, é preservar em perpetuidade grandes áreas nas suas condições naturais, por meio de unidades de conservação, onde possa sobreviver por tempo indefinido o maior número possível de espécies.

A boa notícia é que, em outubro de 2010, o Brasil e outros países membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) aprovaram na conferência de Nagoya um plano que tem como uma das metas elevar para 17% a proteção de habitats terrestre até 2020. Atualmente, as áreas de floresta destinadas à conservação da biodiversidade somam 12% do total de remanescentes, mas estão irregularmente distribuídas. Outro compromisso assumido pelo país, no âmbito da Convenção sobre Mudança do Clima, foi o de reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, principalmente as derivadas do desmatamento.

Porém, apesar destes planos e da posição de protagonista nas últimas conferências das convenções das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica e sobre Mudança do Clima, o Brasil caminha para uma contradição em termos de posicionamento político. Enquanto externamente o país defende a permanência das florestas e outras áreas naturais, internamente pode vir a dar um retrocesso de proporções desastrosas. Como garantir o cumprimento dos compromissos assumidos caso as propostas de alteração do Código Florestal, que reduzem consideravelmente nossas áreas de floresta, sejam aprovadas neste ano?

Em vez de adaptar a lei a favor de quem não a cumpriu, uma forma de garantir esses compromissos seria favorecer aqueles que sempre mantiveram suas reservas legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs), contribuindo para a manutenção da qualidade do ambiente e das atividades produtivas. Nos últimos anos, surgiram diversas alternativas que inserem indivíduos e iniciativa privada em ações de proteção à biodiversidade que beneficiam toda a sociedade. O Brasil dispõe, por exemplo, de mecanismos inovadores de pagamentos de serviços ecossistêmicos, a exemplo do Projeto Oásis, que premia financeiramente proprietários particulares de terra em regiões de manancial de São Paulo e Apucarana (PR) por conservarem suas áreas naturais. A Certificação Life, surgida no Paraná e idealizada por um grupo de instituições não-governamentais e empresas, é outro exemplo. Ela atende, inclusive, uma demanda da própria CDB, além de ser uma ferramenta que viabiliza a inserção concreta das empresas na conservação da natureza.

Em uma época em que ser responsável, de fato, é um diferencial para as empresas, vale a pena investir no pioneirismo e aderir a causas efetivamente prodigiosas neste campo. Esses mecanismos, complementares aos esforços públicos para a implementação de unidades de conservação e outras áreas protegidas, podem servir de base para políticas públicas e serem implantados em larga escala no país.

O Brasil possui maneiras de contornar suas dificuldades, cumprir seus compromissos e legitimar seu papel de protagonista no cenário mundial. Só precisa encarar o desafio de implementá-las de forma rápida, abrangente e competente, pois as cobranças virão de dentro e fora. Internacionalmente, com os eventos do Florestas 2011, da Década da Biodiversidade, das convenções da ONU e da Rio+20 em 2012, o país ficará cada vez mais em evidência, já que detém grande parte das riquezas naturais globais, incluindo a maior floresta tropical, a Amazônia. Nacionalmente, a sociedade já não aceita mais tão facilmente o discurso de que o meio ambiente é entrave para o desenvolvimento e proclama que soluções efetivas sejam postas em práticas contra o desrespeito pela natureza e pela nossa existência. Nos dois cenários, aqui dentro e lá fora, o governo precisa desempenhar um papel decisivo para que não venha a se arrepender depois.

(*) Malu Nunes é engenheira florestal, mestre em Conservação da Natureza e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

sexta-feira, 18 de março de 2011

"Andando nas nuvens: Introdução ao uso das tecnologias interativas na educação, pesquisa, gestão e saúde e noções de computação em nuvem"


A partir de segunda-feira, 21 de março, estarão abertas as inscrições para o curso de atualização "Andando nas nuvens: Introdução ao uso das tecnologias interativas na educação, pesquisa, gestão e saúde e noções de computação em nuvem". Promovido pelo Núcleo de Experimentação Tecnológica (Next/Icict) da Fiocruz, o curso pretende demonstrar as possibilidades de implementação de tecnologias interativas em ambientes de ensino e pesquisa, em particular na área da saúde. Esta primeira edição do curso tem o caráter de experimentação com o objetivo de sua consolidação como curso permanente.
O curso é gratuito e tem carga horária de 76 horas, sendo 60 horas à distância e 16 horas presenciais.

Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 3882-9033 / 9063 e endereço eletrônico: gestaoacademica@icict.fiocruz.br

As inscrições serão feitas pelo site da Plataforma SIGA (www.sigals.fiocruz.br), seguindo os links: inscrição > a distância > atualização > Icict > Andando nas Nuvens – 2011/Sede. O candidato deverá seguir as orientações disponíveis no link e efetuar sua inscrição

Sobre o NEXT

O Núcleo de Experimentação de Tecnologias Interativas (NEXT) da Fundação Oswaldo Cruz  dedica-se ao estudo das tecnologias emergentes e redes e os impactos que sua introdução causam à sociedade. Seu foco é a definição e experimentação de estratégias e metodologias para a introdução dessas tecnologias e de práticas interativas na pesquisa, educação e saúde. Para o grupo, elas revolucionam as práticas de saúde e cabe estudá-las em todos os seus aspectos.

O grupo estrutura suas pesquisas em rede e usa os recursos interativos que se propõe a estudar. Mantém convênios internacionais; implementa a Rede Internet e Saúde e realiza cursos, workshops e eventos. Publica suas pesquisas em periódicos especializados, nacionais e internacionais, e as apresenta em congressos e fóruns acadêmicos. Participa da Coordenação do “Congreso de la Cibersociedad”, realizado na Internet a cada 3 anos, e no Conselho Editorial da revista "Textos de la Cibersociedad". 

Para organizar suas pesquisas, o grupo mantém um Dispositivo de Interação Virtual (DIV) com área institucional, ambiente educativo (Moodle), Wiki (www.next.icict.fiocruz.br/wiki), uma rede social (www.next.icict.fiocruz.br/social) e outros dispositivos, além de comunidades virtuais, entre elas a "Comunidade Virtual na Saúde" com uma centena de participantes. Além dos afazeres estritamente científicos, o grupo desenvolve a implantação de tecnologias interativas no Icict e na Fiocruz e uma incubadora de cursos de EAD. 

Suas linhas de pesquisa enfocam processos e metodologias de inovação; ambientes educativos virtuais; uso de tecnologias interativas na educação, pesquisa e saúde; comunidades, redes sociais, estratégias e metodologias de implantação de tecnologias e práticas interativas no serviço público e no SUS.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O tom errado do verde

 Os biocombustíveis não apenas desviaram os cultivos como também têm desviado subvenções públicas aos agricultores.


“Esta é a coisa mais louca que estamos fazendo”, diz Peter Brabeck, presidente da Nestlé. Ele fala sobre as metas dos governos em cima da política de biocombustíveis (geralmente feitos a partir de culturas como o milho e açúcar). As metas são ambiciosas.

Brasil, Japão , Indonésia e União Européia dizem que os biocombustíveis devem suprir 10% da demanda de transporte em 2020. As metas da China, hoje, são de 5%. Americanos pretendem buscar nesses biocombustíveis 30% da sua demanda, em 2030.

Mesmo os menores objetivos no mercado de energia traduzem enormes demandas por culturas. O etanol é responsável por apenas 8% dos combustíveis dos veículos da América, mas ele consome quase 40% da sua safra de milho. A produção mundial de etanol cresceu cinco vezes entre 2000 e 2010, mas deveria aumentar muito mais para atingir suas metas. Um cálculo mostra que, se isso ocorresse — o que parece improvável –, um décimo da produção mundial de cereais seria desviada para produção de combustíveis. Se a produção de culturas permanecer estável, uma enorme quantidade de terras extras seriam necessárias para os combustíveis. Caso contrário, o preço dos alimentos cresceria entre 15 e 40%, trazendo terríveis consequências.

Nem todos os tipos de etanol são os mesmo. Brasil, o segundo maior produtor do mundo, retira seu combustível apenas do açúcar. O país recebe oito unidades de energia para cada unidade de insumo, o processo torna-se relativamente eficiente e ambientalmente correto. Em contraste, o etanol norte-americano produz apenas 1,5 unidades de energia, mas sua ineficácia é coberta pelos subsídios do governo e as altas tarifas alfandegárias. Agricultores norte-americanos dizem que a demanda do governo pelo etanol está começando a diminuir, de modo que o impacto na oferta de milho e seus preços estão mais modestos agora.

Uma das medidas mais simples para ajudar a garantir alimento suficiente para a população mundial, em 2050, seria descartar todas as metas de biocombustíveis. Se toda a safra de milho norte-americana, que é direcionada para a produção de etanol, fosse usada como alimento, o aproveitamento mundial do alimento aumentaria em 14%.

Mas isso não irá acontecer. Os biocombustíveis não apenas desviaram os cultivos para sua produção como também têm desviado subvenções públicas aos agricultores, sem provocar grandes oposições. Os governos não gostam da ideia de abandonar os biocombustiveis apenas por serem ineficientes e prejudiciais. “Não temos capacidade para produzir biocombustíveis e, ao mesmo tempo, alimentar a crescente população mundial”, diz Brabeck. Mas, ao menos por este momento, teremos de fazê-lo.

Fonte: Opinião e notícia

quinta-feira, 10 de março de 2011

Agroecologia pode dobrar produção de alimentos em países pobres



Da Globo.com

Muitos agricultores em países em desenvolvimento podem dobrar sua produção de alimentos no prazo de uma década, aderindo à agricultura ecológica e deixando de usar pesticidas e fertilizantes químicos, afirma um relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira (8).

Plantas que capturam insetos no Quênia e o uso de patos no Bangladesh para consumir ervas daninhas em arrozais estão entre os exemplos de medidas tomadas para aumentar a produção de alimentos para a população mundial, que a ONU diz que chegará a 7 bilhões de pessoas este ano e a 9 bilhões até 2050.

'A agricultura está numa encruzilhada', segundo o estudo de Olivier de Schutter, o relator especial da ONU sobre o direito à alimentação, em uma campanha para reduzir os preços recordes dos alimentos e evitar o modelo de agricultura industrial, que tem custo alto e é dependente do petróleo.

A 'agroecologia' também pode tornar a agricultura mais resistente ao impacto projetado das mudanças climáticas, incluindo enchentes, secas e a alta do nível dos mares, que, segundo o relatório, já deixou a água doce perto de alguns litorais salgada demais para poder ser usada na irrigação.

Até agora, projetos de agricultura ecológica em 57 países trouxeram ganhos médios de 80 por cento nas safras, usando métodos naturais para enriquecer o solo e proteger contra pragas, diz o relatório.

Projetos recentes em 20 países africanos resultaram na duplicação das safras no prazo de três a dez anos. De acordo com o levantamento, essas lições podem ser reproduzidas em outras partes do mundo.

'A agricultura ecológica correta pode elevar significativamente a produção e, no longo prazo, ser mais eficaz que a agricultura convencional', disse De Schutter à Reuters, referindo-se a medidas como maior uso de adubos naturais ou de árvores altas para fazer sombra a cafezais.

Os benefícios serão maiores 'em regiões onde poucos esforços foram investidos na agricultura, especialmente na África subsaariana', disse ele. 'Também há várias experiências muito promissoras em partes da América Latina e da Ásia.'

'O custo da produção de alimentos vem acompanhando de perto o custo do petróleo', disse ele. As revoltas na Tunísia e no Egito foram parcialmente vinculadas à insatisfação com a alta dos preços dos alimentos.

'Se os preços dos alimentos não forem controlados, e as populações não puderem se alimentar veremos cada vez mais Estados conturbados e o surgimento de mais Estados falidos', disse De Schutter.

De Schutter também pediu uma campanha de diversificação da produção agrícola global, para reduzir a dependência sobre o arroz, trigo e milho nas dietas.

Mas, segundo ele, os países desenvolvidos não conseguirão aderir rapidamente à agroecologia devido a sua 'dependência' de um modelo agrícola industrial, baseado no petróleo. Mesmo assim, para o autor do estudo, é necessário um esforço global de longo prazo em direção à agricultura ecológica.

Cuba demonstrou que essa mudança é possível, depois que a queda da União Soviética, em 1991, cortou seu suprimento de fertilizantes e pesticidas baratos. Após uma queda nos anos 1990, a produção agrícola cubana subiu outra vez, na medida em que os agricultores adotaram métodos mais ecológicos de cultivo.

Há terras disponíveis para ampliar a produção sem aumentar o desmatamento

Trabalhos científicos contestam premissas de relatório de Aldo Rebelo sobre Código Florestal e mostram que área agrícola poderia dobrar com adoção de tecnologias simples e sem a abertura de novas áreas.


Estudo ainda inédito de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) confirma que existem terras suficientes no Brasil para multiplicar a produção agropecuária sem que seja necessário expandir o desmatamento. De acordo com o trabalho, o aumento da produtividade da pecuária permitiria diminuir a área de pastagens e liberaria até 69 milhões de hectares para a agricultura, diminuindo a demanda pela abertura de novas áreas.

Os 69 milhões de hectares equivalem aos territórios somados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Usar todas essas terras significaria dobrar a área agrícola brasileira.

Coordenado pelo pesquisador Gerd Sparovek, o trabalho defende que a adoção de tecnologias simples já difundidas no País, como a divisão e rotação de pastos, possibilitaria ampliar a lotação média das fazendas de gado, considerada muito baixa no Brasil, de pouco mais de uma cabeça por hectare para quase duas. Assim, seriam liberadas áreas para a agricultura.

"Toda a discussão sobre as mudanças do Código Florestal deveria passar pela rediscussão da pecuária extensiva no Brasil", afirmou Sparovek durante seminário, na terça-feira passada (22/2), onde foi apresentado o levantamento, que deve ser publicado neste mês. No evento, realizado na Câmara dos Deputados para discutir as mudanças no código, Sparoveck revelou que existiriam 103 milhões de hectares com vegetação nativa disponíveis para desmatamento regular de acordo com a lei atual - território maior que o Mato Grosso. O pesquisador disse que a mudança proposta para a legislação precisa incluir, além da sua aplicabilidade, o debate sobre como proteger as terras ainda disponíveis para desmate legal.

A pesquisa não trata de situações regionais e casos específicos, mas reforça a tese de que programas de grande escala de planejamento territorial, assistência técnica e incentivo à regularização ambiental podem manter o ritmo de crescimento da agropecuária sem a necessidade de ampliar a fronteira agrícola. O desafio seria conciliar a alocação de terras para a produção agropecuária, exploração florestal e conservação.

Informações do Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o último realizado no País, apontam que um quinto do território nacional (ou 158 milhões de hectares) é ocupado por pastagens. Deste total, quase 20% estão em terras de alta ou média aptidão para lavouras, segundo Sparovek.

Para os pesquisadores da Esalq, a intensificação da pecuária seria suficiente para manter o rebanho nacional em patamares adequados à demanda dos mercados nacional e internacional. Traria também como consequências a produção de carne de melhor qualidade, estabilidade de preços, redução nas emissões de gases de efeito estufa e menor degradação do solo.

O estudo mostra que o polêmico relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre as mudanças do Código Florestal pode desproteger definitivamente 43 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) e 42 milhões de hectares em Reservas Legais (RL) que foram desmatados ilegalmente. Assim, regularizaria a situação dos proprietários dessas áreas.

RL é a fração de toda propriedade rural que não pode ser desmatada e varia de 20% a 80%, dependendo do bioma. No bioma amazônico, esse percentual é hoje de 80%. A APP é a faixa de vegetação situada ao longo de corpos de água, no topo de morros e em encostas, que também não pode ser eliminada segundo a lei.

Estudo da SBPC e ABC

No mesmo seminário, também foram apresentados alguns dos resultados de outro estudo sobre as alterações propostas para o Código elaborado por um grupo de especialistas reunido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Os pesquisadores que participaram do evento rechaçaram as principais propostas contidas no relatório de Rebelo, como reduzir as APPs e anistiar quem desmatou ilegalmente (Saiba mais).

A pesquisa do grupo da SBPC e da ABC está sendo finalizada e deve ser divulgada em 15 dias. O sumário executivo já está disponível (acesse aqui). Nele, os cientistas defendem um “planejamento criterioso na ocupação agrícola, com adoção de práticas de manejo conservacionista” de forma que o “potencial de uso dos recursos naturais seja otimizado, ao mesmo tempo que sua disponibilidade seja garantida para as gerações futuras”.

Ambos os estudos põem por terra algumas das principais premissas do relatório de Rebelo, como a ideia de que a aplicação do Código Florestal atravanca o desenvolvimento agropecuário. O trabalho da SBPC e da ABC, por exemplo, lembra que o Brasil tornou-se um dos maiores exportadores agrícolas do mundo com base em grandes saltos de produtividade e na conversão de pastagens em cultivos – e não na ampliação da fronteira agrícola. Entre 1975 e 2010, enquanto a área plantada aumentou mais de 45%, a produção cresceu 268% no Brasil. A produtividade média mais que dobrou, passando de 1.258 kg/ha, em 1977, para 3.000 kg/ha, em 2010.

A pesquisa aponta que ainda existe bom potencial para intensificação do uso do solo, mesmo em regiões onde o seu grau é considerado acima da média nacional, como no Centro-oeste, Sudeste e no Sul. Projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) indicam que, entre 2010 e 2020, a taxa anual média de crescimento da produção das lavouras será de 2,67%, enquanto a área plantada subirá apenas 0,45% ao ano, passando de 60 milhões de hectares para 69,7 milhões de hectares.

Para saber mais, acesse o site da Campanha SOS Florestas.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Sexta extinção em massa

Da Fapesp

Estima-se que cerca de 4 bilhões de espécies tenham vivido na Terra. Desse total que evoluiu no planeta nos últimos 3,5 bilhões de anos, nada menos do que 99% deixaram de existir.

O número pode impressionar, mas não envolve nada anormal e demonstra como a extinção de espécies é algo comum e equilibrado pela própria especiação, o processo evolutivo pelo qual as espécies se formam. 

Eventualmente, esse balanço deixa de existir quando as taxas de extinção se elevam. Em alguns momentos, cinco para ser exato, as taxas são tão altas que o episódio se caracteriza como uma extinção em massa.
Após as extinções em massa nos períodos Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo – quando os dinossauros, entre outros, foram extintos –, cientistas apontam que a Terra pode estar se aproximando de um novo episódio do tipo.

Em artigo publicado na edição desta quinta-feira (3/3) da revista Nature, um grupo de cientistas de instituições dos Estados Unidos levanta a questão de uma eventual sexta extinção em massa. O artigo tem entre seus autores o brasileiro Tiago Quental, que durante a produção do estudo estava no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia e desde fevereiro é professor doutor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Paleontólogos caracterizam como extinções em massa os episódios em que a Terra perde mais de três quartos de suas espécies em um intervalo geológico curto, como ocorreu apenas cinco vezes nos últimos 540 milhões de anos. Biólogos agora sugerem que uma sexta extinção em massa possa estar ocorrendo, por conta das perdas de espécies conhecidas nos últimos séculos e milênios”, disseram os autores.

O estudo analisou como as diferenças entre dados modernos e obtidos a partir de fósseis e a influência de novas informações paleontológicas influenciam o conhecimento a respeito da crise de extinção atual.
“Os resultados confirmam que as taxas de extinção atuais são mais elevadas do que se esperaria a partir [da análise] dos registros fósseis, destacando a importância de medidas efetivas de conservação”, afirmaram. 

Como exemplo, citam que, nos últimos 500 anos, das 5,5 mil espécies de mamíferos conhecidas pelo menos 80 deixaram de existir. “Se olharmos para os animais em perigo crítico de extinção – aqueles em que o risco de extinção é de pelo menos 50% em três gerações ou menos – e assumirmos que seu tempo acabará e que eles sumirão em mil anos, por exemplo, isso nos coloca claramente fora do que poderíamos considerar como normal e nos alerta que estamos nos movendo para o domínio da extinção em massa”, disse Anthony Barnosky, curador do Museu de Paleontologia e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, principal autor do estudo.

“Se as espécies atualmente ameaçadas – aquelas classificadas oficialmente como em risco crítico, em risco ou vulneráveis – realmente se extinguirem, e se essa taxa de extinção continuar, a sexta extinção em massa poderá chegar tão cedo quanto de três a 22 séculos”, disse.

Entretanto, segundo os autores do estudo, não é tarde demais para salvar muitas das espécies em risco de modo a que o mundo não ultrapasse o ponto em retorno rumo à nova extinção em massa. “Ainda temos muita biota da Terra para salvar. É muito importante que direcionemos recursos e legislação para a conservação de espécies se não quisermos nos tornar a espécie cuja atividade causou uma extinção em massa”, afirmou.

O artigo Has the Earth’s sixth mass extinction already arrived? (doi:10.1038/nature09678), de Anthony Barnosky e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.