segunda-feira, 10 de maio de 2010

Comissão aprova criação de parque de preservação ambiental em RO

Por Tiago Miranda , da Agência Câmara

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou a Mensagem 921/08, do Executivo, que prevê a cessão de 182 mil hectares da União à Rondônia para criação do Parque Estadual de Corumbiara. Essa extensão equivale a aproximadamente a 182 mil campos de futebol.

O parque ficará localizado no sul do estado e faz fronteira com a Bolívia. De acordo com o relator da matéria, deputado Moreira Mendes (PPS-RO), a criação da nova unidade de conservaçãoParte do território nacional sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias de proteção de seus recursos ambientais.

As unidades de conservação podem ser privadas ou públicas e se distribuem em reservas biológicas, estações ecológicas, parques, monumentos naturais, áreas de proteção ambiental, florestas públicas, reservas extrativistas, reservas de fauna, reservas de desenvolvimento sustentável e reservas particular do patrimônio natural. No Brasil, 4% do território estão protegidos por algum tipo de unidade de conservação. é justificada pela preservação do meio ambiente, dos recursos pesqueiros e para o desenvolvimento científico, tecnológico e turístico.

A região do futuro parque está em uma das principais áreas de ambientes aquáticos da Amazônia, o "pantanal do Guaporé". O local possui grande variedade de plantas e animais aquáticos, além de mamíferos, répteis e aves.
 
Moreira Mendes também destacou que a região abriga uma floresta de 43 mil hectares de buritis, com funções ainda desconhecidas. "A própria implementação do parque propiciará novas pesquisas sobre esse importante e diversificado ecossistema", comentou.

Defesa da área
O deputado concordou com ressalvas à cessão da área, apresentadas pelo Executivo federal e estadual. Ele apoiou parecer do Ministério da Defesa para garantir às Forças Armadas e à Polícia Federal a circulação no parque no combate ao tráfico de drogas e à repressão ao contrabando e a outras atividades ilícitas.

Moreira Mendes ressaltou a importância da preocupação do estado de Rondônia em evitar o isolamento da localidade de Laranjeiras, como resultado da criação da nova unidade de conservação. Ele, porém, discordou da mudança da classificação do parque para unidade de uso sustentável. Essas áreas, afirmou, "oferecem menor proteção ambiental que as do Grupo de Proteção Integral, em que se insere a modalidade de parque estadual".

Tramitação
A mensagem que propõe o acordo será convertida em projeto de decreto legislativo e tramitará, em regime de prioridade, pelas comissões de Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votada pelo Plenário.

Íntegra da proposta:

O meio ambiente na região Fluminense do Médio Paraíba ganha reforço pela preservação

O Batalhão Florestal e as ONGs Socioambientalistas fortalecem a defesa do meio ambiente na Região Fluminense do Médio Paraíba ao estabelecerem uma linha direta para denúncias na região

A OSCIP – Associação Ecológica Piratingaúna, a REBIA – Rede brasileira de Informação Ambiental e a Educa Mata Atlântica convidam as ONGs que atuam no campo socioambiental na região do Médio Paraíba Fluminense para reunião dia 22 de maio, sábado, às 10 h da manhã, em Barra Mansa (RJ), com o Batalhão Florestal do Estado do Rio de Janeiro para fortalecer o canal de comunicação para a formalização e o acompanhamento das denúncias ambientais na região.

"O nosso convite é extensivo a todas as organizações, públicas e privadas, e também aos cidadãos e cidadãs que lutam e reivindicam um meio ambiente preservado em nossa região!" - enfatiza Eduardo Wernech - OSCIP – Associação Ecológica Piratingaúna.

O comandante, Tenente-coronel Mário Márcio Pereira FERNANDES, estará presente ao encontro onde apresentará os objetivos da Organização e o que já tem feito na defesa ambiental na Região do Médio Paraíba, e também mostrará às ONGs os recursos e pessoal disponível para o enfrentamento das denúncias ambientais que espera passar a receber de parte das ONGs que atuam na região. “Já tivemos uma reunião com as ONGs que atuam no estado do Rio de Janeiro na defesa dos animais, e agora, nos reuniremos com as ONGs ambientalistas que atuam na Região do Médio Paraíba.

Nossa próxima reunião, depois desta, será com as ONGs ambientalistas que atuam na região do Norte-Noroeste Fluminense. É a nossa forma de dizer aos ambientalistas que reconhecemos a importância do trabalho que realizam, e que temos consciência de que estamos numa guerra sem quartel, onde de um lado se alinham os que defendem o meio ambiente e, do outro, os que querem destruí-lo. O Batalhão Florestal tem agido sempre em função das leis e no cumprimento do seu dever e continuaremos assim, tendo o nosso trabalho reconhecido pela sociedade fluminense, o que muito nos orgulha!”, declarou o Comandante.

"Em vez dos ambientalistas terem de fazer praticamente sozinhos o enfrentamento contra desmatadores, caçadores, empresas poluidoras, e outros agressores do meio ambiente, correndo risco de morte, como acabou ocorrendo com o ambientalista Dr. Álvaro, da ONG Serena, assassinado por causa de sua defesa intransigente dos manguezais em Angra dos Reis, contamos cada vez mais com a ajuda forte do Batalhão Florestal, que justiça seja feita, sempre esteve do lado dos ambientalistas, e agora estará ainda mais", disse Vilmar S. D. Berna, fundador da REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental e ganhador do Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente.

Sobre o CEA
O CEA - Centro de Estudos Ambientais e a REBIA, em parceria com a ONG - Educa Mata Atlântica, iniciou a preparação para que o local se transforme em RPPN, além de instalar viveiro para produção de mudas nativas. Faz parte do projeto também a parceria com o UBM - Centro Universitário de Barra Mansa, onde diversos estudantes do Curso de Biologia vem desenvolvendo o trabalho de mapeamento de Fauna e Flora do local.

Data: 22 de maio de 2010
Hora: 10h00
Local: CEA – Centro de Estudos Ambientais – Júlio Branco Estrada Barra Mansa x Bananal , 1913 – Bairro KM 4 – Barra Mansa – RJ
É favor confirmar presença e enviar um mini-currículo da ONGs e sua atuação na região: (24) 3323-4861 – 8814-3066 ou responder neste mesmo E-Mail (eduardo.wernech@piratingauna.org ).

Referências para chegar ao local:
a) Quem vem na Via Dutra sentido Rio de Janeiro, sai no viaduto da B.Cotiara/Bananal, seguir pela Rua José Hipólito - bairro Cotiara sentido Bananal.

b) Quem vem na Via Dutra sentido São Paulo, sai no viaduto da B.Cotiara/Bananal, seguir pela Rua José Hipólito - bairro Cotiara sentido Bananal.

c) Quem vem pelo centro de Barra Mansa, seguir pela Rua José Hipólito - bairro Cotiara sentido Bananal.

d) Quem vem de ônibus – ônibus da Viação Comercial – Km4 ou São Genaro (a entrada do CEA) fica ao lado do Colégio Municipal Júlio Branco.

Atenciosamente,

OSCIP – Associação Ecológica Piratingaúna
REBIA - Rede brasileira de Informação Ambiental – www.rebia.org.br / www.portaldomeioambiente.org.br
Educa Mata Atlântica - http://www.educamatatlantica.com.br/

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Leading scientists condemn 'political assaults' on climate researchers

Open letter defends the integrity of climate science and hits out at recent attacks driven by 'special interests or dogma'

Celia Cole , The Guardian

A group of 255 of the world's top scientists today wrote an open letter aimed at restoring public faith in the integrity of climate science.

In a strongly worded condemnation of the recent escalation of political assaults on climatologists, the letter, published in the US Journal Science and signed by 11 Nobel laureates, attacks critics driven by "special interests or dogma" and "McCarthy-like" threats against researchers. It also attempts to set the record straight on the process of rigorous scientific research.

The letter is a response to negative publicity following the release of thousands of hacked emails from climate scientists at the University of East Anglia (UEA) and two mistakes makes by the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), the UN climate body.

The letter sets out some basic features of the scientific method. "Like all human beings, scientists make mistakes, but the scientific process is designed to find and correct them. But when some conclusions have been thoroughly and deeply tested, questioned, and examined, they gain the status of 'well-established theories' and are often spoken of as 'facts'," it says.

The document, citing theories including the age and origin of the Earth, the Big Bang and Darwin's evolution by natural selection, says that anthropogenic climate change is now so well-supported by evidence that it has achieved the same status. It adds that owing to science's adversarial nature, "fame" awaits any scientists who can prove the theory wrong.

"There is nothing remotely identified in the recent events that changes the fundamental conclusions about climate change," the letter says.

The authors – who are all members of the US National Academy of Sciences (NAS), the country's premier scientific institution – include some of the academic community's most distinguished climate researchers. But the list also includes top anthropologists, biochemists and physicists who have felt the need to defend climate science in the wake of what they regard as politically motivated attacks. Three senior scientists from the Universities of Cambridge, Oxford and Manchester have also added their endorsement. All of the scientists signed up in a personal capacity, not on behalf of the National Academy or on behalf of their institution.

"Many recent assaults on climate science and, more disturbingly, on climate scientists by climate change deniers, are typically driven by special interests or dogma, not by an honest effort to provide an alternative theory that credibly satisfies the evidence," the letter says.

Its call for an end to "McCarthy-like threats of criminal prosecution against our colleagues based on innuendo and guilt by association" appears to be jibe at Republican senator, James Inhofe, who has called for a criminal investigation into US and British climatologists whose email exchanges were stolen from UEA. The letter also condemns the "harassment of scientists by politicians seeking distractions to avoid taking action, and the outright lies being spread about them."

The letter's co-ordinator, Peter Gleick, of the Pacific Institute for Studies in Development, Environment and Security in Oakland, California, said: "[It] originated with a number of NAS members who were frustrated at the misinformation being spread by climate deniers and the assaults on scientists by some policy-makers who hope to delay or avoid making policy decisions and are hiding behind the recent controversy around emails and minor errors in the IPCC."

According to one of the signees, Professor Anthony Bebbington at the Institute for Development Policy and Management at Manchester University, the individual signatories have come together to collectively endorse the quality of work being conducted within the scientific community, particularly on climate science.

Despite two highly-publicised errors found within the scientific assessment of climate change produced by the IPCC over the timing of glacier melt in the Himalayas and sea level in the Netherlands, Professor Beddington warned against 'throwing the baby out with the bathwater'.

Mercado paulista de carbono

Da Agência FAPESP
O Estado de São Paulo deu o primeiro passo para a criação de um mercado paulista de créditos de emissões de poluentes.

A iniciativa foi oficializada no dia 29 de abril com a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento, o documento define as funções de cada instituição para a implantação do novo mercado, bem como as regras desse processo.

Os mecanismos de geração de créditos de emissões de poluentes foram criados por meio do Decreto Estadual nº 50.753/06, com o objetivo de reduzir a desconformidade da qualidade do ar em regiões comprometidas, pois os créditos são obtidos a partir de ações e medidas que reduzem as emissões de poluentes atmosféricos.

De acordo com o decreto, as indústrias que quiserem se implantar em áreas saturadas ou em vias de saturação por poluentes atmosféricos têm de compensar suas emissões, garantindo a melhoria contínua da qualidade ambiental. Durante o seu licenciamento, a indústria deve obter créditos de emissão de poluentes atmosféricos equivalentes à sua carga emitida, por meio da aquisição ou transferência desses créditos.

O modelo a ser criado em São Paulo é inspirado no mercado nacional de poluentes dos Estados Unidos. Por isso, estão previstos seminários com a participação de especialistas norte-americanos. Caso seja bem-sucedida, a iniciativa paulista será a pioneira no Brasil. O acordo tem validade de um ano e prevê a possibilidade de renovação.

Comissão vai ouvir Petrobras sobre segurança ambiental do pré-sal

Da Redação
A Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável vai realizar audiência pública com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielle, e de técnicos da empresa para que eles expliquem as medidas preventivas que estão sendo adotadas para evitar que ocorra na exploração de gás e petróleo da camada do pré-salO termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas no fundo do mar com potencial para a geração e acúmulo de petróleo localizadas abaixo de uma extensa camada de sal. Os reservatórios brasileiros nessa camada estão a aproximadamente 7 mil metros de profundidade, em uma faixa que se estende por cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina. desastres como o que atinge o Golfo do México.

O autor do requerimento aprovado ontem, deputado Sarney Filho (PV-MA), explica que após a explosão da plataforma que está derramando milhões de barris de óleo na costa dos Estados Unidos, e o fato de que a maior parte da exploração futura do petróleo no Brasil se dará em águas profundas, é necessário definir e adotar os mecanismos de prevenção e atendimento a acidentes e emergências ambientais.

Para Sarney Filho, o contínuo aumento das complicações e dos custos dos processos de localização de jazidas de óleo em regiões remotas e inóspitas, de sua produção e de seu transporte até os mercados têm significativos impactos sobre o meio ambiente, físico, biótico e antrópico.

A data da audiência ainda não foi marcada.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Luzes de alerta

Por Fábio Reynol da Agência FAPESP 
Milhares de minúsculos pontos de luz brilhavam sobre dezenas de cupinzeiros que cobriam a pastagem, aparentando ser uma cidade à noite, em um espetáculo luminoso em meio à escuridão da noite do Cerrado.

Tais luzes, comuns há alguns anos no Planalto Central, desapareceram quase que totalmente. Plantações de soja tomaram conta dos pastos e eliminaram os cupinzeiros, que ficaram restritos às áreas de preservação do Parque Nacional das Emas, onde são mais raros e estão encobertos pela vegetação. Mas o mais grave é que a fonte das luzes, larvas de espécies de vaga-lumes, tem desaparecido ao longo dos anos, e tamanho dano se estende até o norte de Tocantins.

A constatação é do professor Vadim Viviani, coordenador do grupo de Bioluminescência e Biofotônica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no campus de Sorocaba, que há mais de 20 anos visita a região do Parque Nacional das Emas, no sudoeste do Estado de Goiás, para estudar os pirilampos.

“Visitamos regularmente a região na década de 1990. Depois, nas recentes expedições de 2008 e 2009, para nossa surpresa não encontramos mais várias espécies de vaga-lumes. De maneira geral, todas as populações desses insetos diminuíram drasticamente na região”, disse à Agência FAPESP.

Há pouco mais de uma década, era possível apreciar os cupinzeiros luminescentes na região do entorno do parque. O fenômeno tem como causa uma relação de mutualismo entre espécies específicas de cupins e de vaga-lumes da espécie Pyrearinus termitilluminans. As luzes são emitidas pelas larvas dos vaga-lumes em túneis na superfície do cupinzeiro.

“É um espetáculo único no mundo, só visto no Planalto Central e em algumas regiões da Amazônia, e possui um grande potencial turístico”, aponta Viviani. O pesquisador cita exemplos de faunas bioluminescentes que movimentam a indústria do turismo em outras regiões, como a Nova Zelândia, que promove excursões a grutas forradas de larvas que emitem uma luz azulada, ou o Caribe, cujas algas luminosas atraem mergulhadores.

“Os cupinzeiros luminescentes do Brasil são mais conhecidos no exterior. As emissoras BBC, do Reino Unido, e NHK, do Japão, por exemplo, já fizeram especiais sobre o assunto. Por aqui, a Rede Globo chegou a fazer também”, disse Viviani.

Além dos montes luminosos, o avanço das plantações sobre as pastagens também vitimou espécies raras de vaga-lumes, como as da família Phengodidae, conhecida popularmente como “trenzinhos”, por emitir luzes de cores diferentes ao longo do corpo, similarmente a um trem visto à noite.

“O professor Etelvino José Henriques Bechara [do Instituto de Química da Universidade de São Paulo] participou ativamente do esforço de alertar as autoridades sobre o assunto na década de 1980 e 1990, quando ainda existiam cupinzeiros fora da área do parque”, disse.

“A Mastinomorphus, uma das espécies mais raras dessa família, emite uma luz laranja no corpo inteiro, como uma verdadeira lagarta de fogo”, disse o pesquisador da UFSCar. Nenhum exemplar dessa família foi detectado nos dois últimos anos por seu grupo.

Perdas maiores
Viviani, que também é coordenador do projeto “Coleópteros bioluminescentes da Mata Atlântica: biodiversidade e uso como bioindicadores de impacto ambiental”, ligado ao programa Biota-FAPESP, afirma que o desaparecimento dos vaga-lumes é sintoma de uma degradação ambiental muito mais ampla.

“Também pudemos perceber que nascentes de rios importantes localizadas no Planalto Central não estão dentro de áreas de proteção. Muitas foram desmatadas e pelo menos em uma vimos que o solo erodiu”, disse. As nascentes deveriam estar em áreas de proteção ambiental.

Segundo o pesquisador, a redução da biodiversidade também traz prejuízos financeiros ao país, que perde um patrimônio importante composto por substâncias presentes em espécies animais e vegetais que podem ser úteis em várias aplicações.

Os vaga-lumes são responsáveis por patentes registradas no Brasil e no Japão de produtos desenvolvidos pelo grupo de Viviani a partir do estudo com os insetos bioluminescentes.

Um dos mais interessantes é o da utilização da enzima luciferase, responsável pela luz dos pirilampos, como biossensor para a detecção de agentes microbicidas e toxicidade. Esse projeto contou com apoio da FAPESP por meio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI).

A luciferase é capaz de detectar substâncias tóxicas e apresentar uma resposta visual na análise feita. “Se a luciferase se apaga é sinal da presença de uma toxina”, disse Viviani, que ressaltou que a patente resultante desse projeto gerou o depósito de outras duas.

A aplicação mais promissora da enzima luminosa é o acompanhamento do crescimento celular e a detecção de metástases. Por ela também é possível o estudo de expressão dos genes no interior celular. “É possível ver quais genes estão ligados e quais estão desligados em funções ocorridas dentro da célula. Já existem kits que fazem uso das luciferases para essa finalidade”, disse.

Um dos objetivos atuais da equipe de Viviani é aperfeiçoar a luciferase tornando-a mais utilizável para fins biotecnológicos. O professor da UFSCar explica que nos insetos as enzimas trabalham em temperaturas em torno de 20º C, enquanto que as células de mamíferos atuam na faixa dos 37º C. Por conta disso, a enzima deve ser estabilizada e ter cores modificadas a fim de responder adequadamente dentro do novo organismo.

A redução das populações de vaga-lumes é um obstáculo a essas pesquisas e um empecilho a novas descobertas. Viviani lembra ainda que esses insetos têm sofrido os efeitos da iluminação artificial que vem se espalhando pelo planeta desde o século 19.

“O ambiente noturno iluminado artificialmente causa impactos ecológicos sutis e os vaga-lumes são os primeiros a senti-los”, disse, citando a contribuição para o tema do livro Antes que os vaga-lumes desapareçam – A influência da iluminação artificial sobre o ambiente, de Alessandro Barghini, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia e do Laboratório de Estudos Evolutivos do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), lançado recentemente.

As pesquisas realizadas no entorno de cidades também indicam a redução das populações de vaga-lumes. De cerca de 20 espécies encontradas há poucos anos nas áreas de Campinas e Sorocaba, hoje os pesquisadores da UFSCar só identificam duas.

Com o crescimento das cidades, sobraram aos vaga-lumes as áreas rurais, que também vêm sendo degradadas. “Há anos estamos dizendo que a ocupação desorganizada do campo está afetando dramaticamente a natureza.”

“Se nenhuma atitude séria for tomada, ninguém conseguirá aproveitar mais esses recursos naturais importantes”, alertou o pesquisador. Viviani estima que existam mais de 2 mil espécies de vaga-lumes no Brasil, das quais somente cerca de 500 estão catalogadas e talvez muitas já tenham desaparecido.

"O mais grave é que o desaparecimento dessas espécies representa um desastre ambiental silencioso. Poucos sabem da importância das moléculas de vaga-lumes em biomedicina e em biotecnologia nos dias de hoje”, afirmou o pesquisador.

Mapa de injustiça ambiental

Da Agência FAPESP
 A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lançou nesta quarta-feira (5/5), no Rio de Janeiro, o Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil.

Desenvolvido a partir de uma parceria entre a ENSP e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), o mapa permitirá o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais relacionadas à saúde em diferentes territórios e populações das cidades, campos, florestas e zonas costeiras.

O desenvolvimento foi coordenado por Marcelo Firpo, da ENSP, e Tania Pacheco, da Fase. O objetivo é apoiar a luta de populações e grupos atingidos em seus territórios por ações governamentais e projetos de desenvolvimento que impactam desigualmente grupos sociais vulnerabilizados pela desigualdade social.

O mapa reúne cerca de 300 casos de injustiça ambiental georreferenciados distribuídos por todo o país. Disponível na internet, tem um sistema de buscas vinculado ao GoogleEarth. A busca dos conflitos pode ser feita por unidade federativa ou por palavra-chave.

O mapeamento inicial tem por foco a visão das populações atingidas, suas demandas, estratégias de resistência e propostas de encaminhamento. As informações destacadas revelam posições assumidas por parcela expressiva das comunidades atingidas, seja a partir de suas experiências, seja a partir de relatórios e artigos desenvolvidos por entidades, ONGs e instituições parceiras da Fiocruz.

Relações Exteriores aprova mapeamento em área de proteção ambiental

Da Agência Câmara
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional aprovou hoje o Projeto de Lei 4127/08, do deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), que obriga a União a realizar mapeamento geológico nas áreas indispensáveis à segurança nacional ou destinadas à preservação ambiental, à exploração dos recursos naturais e nas terras disponibilizadas para os índios. O objetivo da proposta é levantar informações relativas aos recursos minerais e hidrológicos do solo, a fim de embasar melhor a decisão da demarcação da área. "A gestão do espaço físico inclui a noção de uso racional dos recursos ambientais", afirma o autor.

O relator, deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), apresentou parecer favorável à proposta. "Estamos inteiramente de acordo com Ortiz quando ele argumenta sobre a necessidade da realização de uma correta gestão do espaço físico e dos recursos econômicos disponíveis no País", conclui.

Mapeamento geológico
O mapeamento geológico possibilita a identificação dos depósitos minerais. Ele fornece informações como o modo de ocorrência do minério e sua distribuição geográfica.

Pela proposta, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) ficará responsável pelo mapeamento nas áreas previstas. A escala cartográfica adequada deverá ser igual ou superior a 1:250.000 (um centímetro no mapa equivale a 2,5 quilômetros do terreno analisado).

Tramitação
O matéria será analisada em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário. pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mais de 40 jornalistas disputam o Prêmio Octávio Brandão

Quarenta e sete jornalistas que atuam em veículos de comunicação de Alagoas participam este ano do Prêmio Octávio Brandão de Jornalismo Ambiental, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes-AL). Eles concorrem com sessenta e três reportagens ligadas ao meio ambiente, publicadas no período de abril/2009 a março/2010.

A categoria com mais trabalhos é Telejornalismo (24), seguida de Jornalismo Impresso Texto (23) e Jornalismo Impresso Imagem (16). Nesta sétima edição do concurso, que é patrocinado pela Braskem e tem o apoio do Sindicato dos Jornalistas, foi lançada a categoria Estudante, que registra cinco trabalhos inscritos. A pouca participação do segmento se deu em função do tempo exíguo para a produção e publicação das matérias nos veículos laboratórios. A Abes, a Braskem e o Sindjornal esperam uma participação maior dos estudantes na edição do próximo ano.

A exemplo de 2009, os jornalistas da TV Gazeta voltaram a liderar o numero de inscrições este ano, com 19 reportagens. Em seguida aparecem os profissionais de O Jornal, com 18 trabalhos, jornal Gazeta (12), Tribuna Independente (5), TV Educativa (5) e Alagoas em Tempo (4).

O julgamento dos trabalhos começa nos próximos dias e terá duas fases. Na primeira, cinco jurados fazem uma seleção individual do que julgam ser as melhores reportagens. Posteriormente, eles se reúnem para eleger o primeiro, segundo e terceiro lugar em cada categoria. A premiação, além de troféus, será de R$ 4 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. Para a categoria Estudante, o prêmio será único, no valor de R$ 1 mil.

A maioria da comissão julgadora virá de outros estados. Ela é formada por jornalistas e técnicos da área ambiental, indicados pelo Sindicato dos Jornalistas e pela Abes-AL. Entre os jurados deste ano estão Reinaldo Canto (ex-diretor de comunicação do Greenpeace Brasil e ex-assessor do Instituto Akatu) e Fabrício Ângelo (ex-redator da Revista Digital Envolverde, Coordenador do Fórum Nacional da Rede Brasileira de Informação Ambiental, e mestre em ciência ambiental pela Universidade Federal Fluminense).

A solenidade de entrega do Prêmio Octávio Brandão de Jornalismo Ambiental será no dia 29 deste mês, em Maceió.

Fonte: Sindjornal e NEJ-AL

Lessons for Deepwater Horizon that come directly out of the history books

There are many parallels between the Deepwater and Ixtoc 1 oil spills, but the environmental damage
could be much worse

Juliette Jowit, The Guardian

It was a Saturday in June when workers on a drilling platform in the Gulf of Mexico hit a soft patch 3,600m below the sea floor. Worried that the softer mud would stop circulating to keep pressure even, workers immediately tried to remedy the problem. But it was not enough: the following day drilling equipment ignited leaking oil and gas and caused a massive explosion and the burning platform collapsed into the ocean.

The Ixtoc 1 disaster in 1979 became what is still the world's second worst-ever oil spill. The worst was off the coast of Kuwait during the Gulf War in 1991.

Ixtoc 1 owners, Petroleos Mexicanos (Pemex), the Mexican state oil company, could not cap the well for 10 long months, by which time an estimated 90m gallons of oil had escaped. Much of it evaporated, was dispersed by chemicals or burned off in the fire, but the remainder drifted in a greasy slick up to 60-70 miles long on to the US coastline, damaging wildlife, fishing and tourism. A report for the US government later concluded that the lost oil, equipment and clean up cost Pemex $498m - more than US$1bn in today's money - and there were claims for damages of more than $400m, making it "probably the most expensive oil spill in history".

BP will be hoping that the Deepwater Horizon disaster does not, as environmentalists are warning, turn into "Ixtoc 2". The parallels between the two accidents are in many ways striking: both drilling rigs were in the same region; both have been blamed on failed safety valves which should have prevented early problems escalating; both appear to be hard to cap off and stop; and both leaks caused huge quantities of oil to be driven by prevailing winds and tides towards the US.

Despite a big operation to use skimmers and booms to protect the coast, Ixtoc 1 damaged 162 miles of Texas beaches. Birds were badly affected with 1,421 oiled royal terns, blue-faced boobies, sanderlings, willets, plovers, herons, noddy terns, and snowy egrets rescued, while thousands more were driven away from their feeding and breeding grounds, many of them not returning for years afterwards. The impact on smaller species was - as so often - impossible to calculate.

The damage caused by the Deepwater spill could be worse, Athan Manuel, director of lands protection for the Sierra Club environmental group in the US, told the Guardian. Although the industry has three decades more experience, the Deepwater well head was in much deeper water, said Manuel. But the biggest difference is the part of the US the oil is heading for, he said: "The spill now is threatening to hit wetlands, marshes and estuaries where it's virtually impossible to get oil out without damaging the ecological system. If this oil washes ashore [on the sandy beaches of] Florida it could be similar to Ixtoc 1. If it comes ashore in Louisiana it could be a lot worse."

The best hope for BP and the equipment owners Transocean, who are both expecting major law suits over the incident, is that official reports into some oil spills have found initial fears of the damage were much worse than the resulting problems. Notably several studies of the south west coast of Wales after a major spill from the oil tanker Sea Empress in 1996 found that bird populations had recovered and beaches became clean more quickly than at first believed.

However, such results depended on many natural factors such as the spill occurring out of important breeding or feeding seasons, and heavy weather to break up the oil, said Nigel Clark, head of projects for the British Trust for Ornithology, who has worked on several oil accidents. In the Gulf of Mexico the time of year is certainly not a good one, with huge migrations of species like semipalmated sandpipers and western sandpipers from South America through the US on their way north to the Arctic. Sea birds in particular are at risk because the oil makes the sea look calmer and so they are more likely to land on it to rest, said Clark.

"These birds are very often under pressure from a large number of other things, therefore it's one more pressure on them that means they are in real danger," he added.

Porto e ferrovia ameaçam o Sul da Bahia

Por Alice Marcondes, da Envolverde
Ambientalistas e “desenvolvimentistas” se enfrentam em Ilhéus contra e a favor da implantação de obra de infraestrutura com impactos em área de preservação da Mata Atlântica.

Mais uma grande obra de infraestrutura, formada por uma ferrovia que vai ligar o interior da Bahia à região de Ilhéus e um porto para escoar minério de ferro, coloca novamente em lados opostos ambientalistas e o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do governo Lula. Desta vez o beneficiário da obra é a mineradora Bamin (Bahia Mineração), e os principais afetados são animais e plantas de uma área de 1780 hectares de reserva de Mata Atlântica que será devastada para implantação do projeto. Apesar da promessa do governo de zerar o desmatamento da Mata Atlântica em 2010, esta obra já teve seu edital de licitação lançado em 26 de março.

O projeto Porto Sul prevê um complexo intermodal, do qual fazem parte um porto de minérios em alto-mar e o traçado final da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (que liga Tocantins à Bahia), ao norte de Ilhéus, no sul da Bahia, sendo a ferrovia parte do PAC do Governo Federal. Ambientalistas alertam que o empreendimento causará diversos impactos negativos para o turismo e pesca locais, como a perda de biodiversidade terrestre e marinha, alteração da rota migratória da baleias e a alteração dos estoques pesqueiros, além da destruição de recifes de corais.
 
Ilhéus é uma região que durante muito tempo teve sua economia baseada no cultivo do cacau, no entanto, após a crise que atingiu esta cultura, a cidade vem enfrentando problemas para encontrar um novo eixo de desenvolvimento. Segundo ambientalistas ligados à SOS Mata Atlântica, Greenpeace, Conservação Internacional do Brasil, WWF do Brasil, IESB, Ação Ilhéus, Instituto Floresta Viva, Projeto Tamar, FUNBIO, IPE e outras importantes organização preservacionistas, a melhor alternativa para a região é o desenvolvimento de seu potencial turístico, destacando as belezas naturais e o patrimônio histórico da região, e diversificando as áreas de atuação.

Após uma sucessão de governos que a trataram com descaso, Ilhéus é uma cidade com infraestrutura deficitária, sem saneamento básico em diversos bairros, e alto índice de desemprego, pouco atrativa para o turista internacional. Este cenário de poucas possibilidades faz com que parte da população local veja no porto oportunidades de trabalho e investimentos para melhorar o perfil da cidade. No entanto, segundo perspectivas da empresa, o empreendimento vai gerar, após a conclusão de suas obras, somente cerca de 400 empregos.

Na última semana, movimentos ambientalistas realizaram uma manifestação na cidade, que reuniu em torno de 300 manifestantes e jornalistas de diversas partes do Brasil. O objetivo foi alertar a população e chamar a atenção do governo para os problemas que esta obra causará na região. Nesta ocasião, os manifestantes se reuniram em torno da Lagoa Encantada, em um abraço simbólico. Parte de uma APA (Área de Proteção Ambiental), estabelecida desde 1991, a Lagoa, com aproximadamente 20 quilômetros de diâmetro, é um dos locais que poderão ser afetados pelo projeto.

Mesmo antes de ser implantado, o porto já faz vítimas. Makenna Resort, é o nome do hotel de alto luxo construído por Thilo Scheuerman, empresário alemão, casado com uma brasileira. Com uma proposta de valorização da cultura e do meio ambiente, o empreendimento foi construído de frente para a Praia do Norte, em meio à Mata Atlântica preservada, e, infelizmente, muito próximo do local onde será construído o complexo intermodal do Porto Sul. Durante quase dois anos de pesquisa, Thilo visitou vários lugares em todo o Brasil, e escolheu a Ponta da Tulha para a construção de seu hotel.

Comprou uma área de 50 hectares, dos quais 43 ficariam preservados. Investiu neste projeto cerca de R$ 15 milhões. “Esta obra tem tirado meu sono. Meu hotel, que seria de frente para o mar, agora será de frente para o porto. A ponte de ligação passará a cerca de dois quilômetros do hotel. O Makenna será um empreendimento de alto luxo, com diárias caras. Ninguém vai querer pagar caro para olhar para um porto com uma ponte. Os empresários do turismo de negócios não vão querer pagar o preço que vou cobrar. Investi o dinheiro de uma vida toda, e se esta obra realmente acontecer, não sei o que vou fazer”, desabafou.

A parte mais carente das comunidades de Ilhéus também fica apreensiva. Jailson Costa dos Santos, conhecido como Joca, é proprietário do Bar e Restaurante Peixe da Lagoa, na Vila de Areias, onde seus clientes são contemplados com vista para a Lagoa Encantada. Mora, desde 1991, em uma casa nos fundos com sua mulher e três dos seus seis filhos. Vive e sustenta sua família com a renda do restaurante, onde serve frutos do mar, especialmente peixes como robalo, tucunaré e tilápia, que ele mesmo pesca. “Sou contra a implantação do projeto dentro de uma APA (Área de Proteção Ambiental), como é a Lagoa Encantada. Em uma área de proteção, como o próprio nome já diz, não se pode mexer. Não se pode tirar nada, só foto, e não se pode deixar nada, só pegadas”, declarou.

O morador contou ainda, que a Bamin, empresa responsável pelo projeto, esteve na vila e ofereceu cursos de capacitação profissional, para atuação nas atividades do porto. Porém, segundo ele, quase ninguém aceitou, “Queremos viver nossa vida desse jeito mesmo, e acho que não vai ter emprego para todo mundo”.

Os procuradores Eduardo El-hage e Flávia Arruti assinalaram falhas no RIMA (Relatório de Impactos Ambientais) encomendado pela Bamin. Observam que o empreendimento vai contra a Lei da Mata Atlântica e fere a constituição brasileira. “O Ministério Público Federal não é contra o projeto, mas sim onde ele poderá ser instalado, contrariando até o próprio plano diretor do município. Vamos até o fim para que o projeto não saia do papel”, declarou El-hage.

Como alternativa para que a empresa possa escoar seu minério, ambientalistas alegam que o porto de Aratu, um pouco mais ao norte, possui infraestrutura suficiente e evitaria os investimentos da ordem de R$ 1,4 bilhão, dinheiro que poderia ser utilizado para melhorias na cidade e no fomento ao turismo.

Curativo de celulose da cana

Por Fábio Reynol, Agência FAPESP 
Um dos mais abundantes resíduos da indústria sucroalcooleira, o bagaço de cana-de-açúcar, poderá ter uma destinação nobre graças a uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP).

A equipe, coordenada pelo professor Adalberto Pessoa Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, desenvolveu uma fibra que poderá se tornar um tecido que, com o acréscimo de enzimas e fármacos, tem potencial para ser utilizado como curativo com múltiplas aplicações.

A pesquisa surgiu a partir da iniciativa da professora Silgia Aparecida da Costa, do Curso de Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. “O objetivo foi aproveitar dois importantes resíduos, o bagaço da cana e a quitosana, substância extraída da carapaça de crustáceos e que tem propriedades farmacológicas”, disse à Agência FAPESP.

A quitosana é obtida a partir da quitina, um polissacarídeo formador do esqueleto externo de crustáceos como siris e caranguejos, e tem propriedades fungicida, bactericida, cicatrizante e antialérgica.

O trabalho, que contou com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, uniu as áreas farmacêutica e de engenharia de tecidos e depositou patente do processo de fabricação da fibra com potenciais farmacêuticos.

O primeiro desafio foi extrair a fibra da cana-de-açúcar, trabalho feito por Sirlene Maria da Costa que atuou no projeto com apoio de Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP. Durante o doutorado – para o qual também contou com bolsa da Fundação – Sirlene havia desenvolvido um papel corrugado, utilizado no interior de embalagens de papelão, feito da celulose do bagaço da cana.

“Por ter uma fibra curta, nosso maior receio era que a cana produzisse uma fibra de má qualidade para a fabricação de tecidos”, disse Sirlene. No entanto, em testes efetuados no Laboratório de Têxteis e Confecções do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o tecido derivado do bagaço apresentou um grau de polimerização quatro vezes maior que o da viscose, o que significa maior resistência.

Os bons resultados da fibra extraída do bagaço tornaram desnecessária a sua mistura com outros tipos de celulose, uma alternativa que os pesquisadores previam caso a qualidade do material oriundo da cana não correspondesse aos padrões exigidos.

A fibra obtida pela equipe da USP ainda conta com características que a tornam adequada para a confecção de roupas. “Ela é agradável ao toque e bastante confortável, sendo um tipo de liocel”, disse a professora Silgia referindo-se ao nome comercial da fibra oriunda da polpa da madeira.

No entanto, para ser utilizada como curativo foi preciso analisar se não haviam vestígios dos reagentes utilizados no processo de obtenção da celulose. “Constatamos que 99% do reagente é recuperado após o processo, portanto a fibra não agride a saúde”, afirmou.

Obtida a fibra, o passo seguinte foi agregar enzimas e fármacos. Além da quitosana, a professora Silgia realizou ensaios para imobilizar quatro outras substâncias às fibras de cana: os fármacos comerciais anfotericina B e sulfadiazina e as enzimas bromelina e lisozima, a primeira obtida do talo do abacaxi e a segunda da clara de ovo.

A equipe foi bem-sucedida também nessa etapa e os testes realizados posteriormente em células mostraram que o tecido curativo da cana não apresentava efeitos tóxicos.

“O produto se mostrou tecnicamente viável. A avaliação econômica caberá à iniciativa privada, caso alguma empresa se interesse em licenciar o processo”, disse Pessoa, que considera o material útil para tratamento de queimaduras, por exemplo.

Curativos bucais e roupas repelentes
Um grupo de pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP entrou em contato com Pessoa a fim de desenvolver um curativo em parceria para ser utilizado na mucosa bucal.

“O local é de difícil aderência, por isso, vamos testar a fibra para verificar se ela adere no interior da boca”, explicou o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.

A professora Silgia, por sua vez, pretende agora iniciar uma pesquisa para incorporar citronela a tecidos de algodão. A substância extraída do capim-limão é eficiente para repelir insetos. “Roupas com citronela seriam úteis para afastar insetos como o mosquito da dengue”, destacou.

Os desafios do trabalho, segundo ela, é fazer com que a substância permaneça na roupa mesmo após sucessivas lavagens e que não seja absorvida pela pele.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Empresa poderá ter de pagar por poluição acima da meta

Empresas que lançarem na atmosfera quantidade de carbono acima de um limite a ser fixado pelo governo terão de comprar "títulos" no mercado brasileiro de redução de emissões, prevê estudo do Ministério da Fazenda. Esse novo mercado funcionará com certificados de redução de emissões de gases do aquecimento global e os papéis também poderão ser comprados por investidores comuns.

O estudo dá início à regulamentação das metas do clima. No final do ano passado, o governo anunciou corte entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono previstas para 2020, mas as metas ainda não saíram do papel. O modelo em discussão no Ministério da Fazenda parte da ideia de que haverá "tetos" de emissão de carbono para os diferentes setores da economia. Estão sujeitos a esse tipo de limite os setores de geração de energia, transportes, a indústria em geral e o agronegócio.

Por ora, as metas brasileiras de redução das emissões de gases de efeito estufa são genéricas. O maior nível de detalhe fica restrito à redução do desmatamento, de 80% na Amazônia e 40% no Cerrado.

A partir do estabelecimento de tetos de emissão, as empresas que emitirem menos do que o limite ou atuarem na captura de carbono poderão vender "títulos de redução de emissões". Os papéis atestariam uma determinada economia de emissão de gases de efeito estufa, medida em toneladas de CO2 equivalente. Já as empresas que ultrapassarem o teto de emissões terão de recorrer à compra de créditos no mercado.

O modelo prevê a criação de uma agência de controle das emissões, no molde das agências reguladoras. Ela ficaria responsável por estabelecer os tetos mais detalhados de emissão e fiscalizar seu cumprimento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Conservatives' climate commitment under fire

Tories accused of 'shallow' support for green agenda after just four party candidates sign up to Friends of the Earth climate pledges campaign

David Adam and Damian Carrington , The Guardian

The depth of support for green policies in the Conservative party came under severe scrutiny today with the revelation that almost none of their prospective parliamentary candidates backed the simple environmental pledges of a voter-led campaign.

Just four of the 635 Conservative candidates contacted gave their support to a quartet of pledges put to them by supporters of Friends of the Earth (FoE). In contrast, two-fifths of Liberal Democrat candidates and one-fifth of Labour candidates backed the pledges.

"It is extremely disappointing that only four prospective Conservative MPs have backed our action plan for tackling climate change," said the executive director of FoE, Andy Atkins. "David Cameron must do more to convince his party of the urgent need to cut climate emissions."

Simon Hughes, the Lib Dem spokesman on energy and climate change, said: "One of the things that this election campaign has highlighted is just how worryingly shallow support for the green agenda is in the Tory party. Despite Cameron's photo opportunities, when tested, the Tories have failed to show any commitment to green issues."

Greg Clark, shadow secretary of state, told the Guardian the criticism was "off-beam". The Conservative party had considered the pledges but decided the "open-ended" spending commitments in them made them unsupportable, meaning the comparison with other parties was unfair. Asked why candidates from other parties had backed them, Clark's press officer said it "was quite a foolish thing to do."

Martyn Williams, FoE's senior parliamentary campaigner, said: "There has been much post-expenses talk of MPs needing to represent their voters rather than central parties. Our supporters want to know if their prospective MPs will back policies they think are vital to tackle climate change. Many have seen the manifesto policies – but they want their future MPs to go further."

He added: "They have a right to lobby their candidates. Surely a "big society" that lets you set up your own school if those provided by government are not to your liking, should also see local candidates able to have their own views on policies voters want them to support."

Thousands of FoE supporters contacted their parliamentary candidates to ask them to support four pledges: a strong and fair international agreement to tackle climate change; a local carbon budget for every local authority; investment in switching to a low-carbon economy; and tackling the major greenhouse gas emissions and deforestation caused by the UK's dependence on imported feeds for livestock.

While less than 1% of Tory candidates agreed, 182 of the 446 Lib Dems contacted did so, along with 96 of the 479 Labour candidates.

Andrew Smith, former Labour minister and candidate for Oxford East, said: "These results show the contrast between Labour candidates urging maximum ambition on climate change and Tory candidates who are either uninterested or sceptical. A Tory government would threaten the low-carbon transition: sceptic MPs, no to onshore wind, on the fringes in Europe."

The Conservatives have also drawn fire from green campaigners over plans to boost oil drilling in UK waters. According to a green paper on energy policy published in March, a future Conservative government would "implement a tax regime that offers sufficient incentive to keep existing fields open as long as possible, and which also makes new exploration on the UK continental shelf attractive". It added: "In addition, we will improve the incentives for exploring and developing marginal fields ... opening up new areas, including in the seas west of the Shetlands."

The Tories also announced plans to "streamline" the process by which companies are given permission to drill. "Like taxation, licensing of exploration needs to be adapted to today's circumstances."

A Conservative spokeswoman said it was unfair to single the party out because Labour and the Liberal Democrats had also pledged to maximise production from UK waters. The Lib Dem election manifesto says it will "keep the tax regime and allowances that apply to the oil and gas industry under review to secure the maximum long-term benefit to the UK economy".

Ruth Davis, Greenpeace chief policy adviser, said the Conservatives had gone further than the others. "Whilst all the parties might have been sniffing around the issue, only the Tories have made a pledge to provide tax breaks and simplify licenses." The area to the west of Shetland, which the Conservatives highlight, is important for its whale and dolphin populations, she said.

Comitê fará revisão do IPCC

Da Agência FAPESP
 O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas terá seus procedimentos e processos revisados por um comitê independente de especialistas. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (3/5), na Holanda, pelo InterAcademy Council (IAC), organização que reúne academias de ciências de diversos países, entre os quais o Brasil.

O economista Harold T. Shapiro, ex-reitor das universidades Princeton e de Michigan, nos Estados Unidos, conduzirá o comitê de 12 especialistas. O Brasil estará representado por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

A revisão do IPCC foi solicitada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no mês passado a partir de erros identificados em relatórios do painel divulgados em 2007. O comitê revisará os procedimentos empregados pelo IPCC na preparação de seus relatórios. Entre os assuntos que serão analisados estão o controle e a qualidade dos dados utilizados, a forma como os relatórios lidaram com diferentes pontos de vista científicos e a correção de erros identificados após a divulgação dos documentos.

O comitê também revisará os processos gerais do IPCC, entre os quais as funções gerenciais e estratégias de comunicação. O objetivo do IAC é que o comitê tenha um relatório pronto, com observações e recomendações, até 30 de agosto.

“Vamos abordar esse processo de revisão com a mente aberta. Estamos confiantes de que temos os especialistas necessários, nesse comitê, para entregar à ONU um processo sólido que ofereça aos tomadores de decisão a melhor avaliação possível sobre as mudanças climáticas”, disse Shapiro.

“O que o IAC espera do comitê é uma contribuição especial para que os trabalhos do IPCC tenham a base científica mais sólida possível, o que é fundamental para que as conclusões e projeções tenham cada vez maior legitimidade junto a governos e ao público em geral", disse Brito Cruz.

Entre os integrantes do comitê de revisão estão Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial, Mario Molina, ganhador do Nobel de Química em 1995, e Peter Williams, vice-presidente da Royal Society.

Roseanne Diab, diretora da Academia de Ciências da África do Sul, será a vice-presidente do comitê, que teve seus integrantes indicados pelas academias de ciência que fazem parte da IAC.

Documentário dá voz aos ribeirinhos

O documentário é resultado de oficinas realizadas pelo projeto da TV Navegar que, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável, incentiva os moradores a passarem para trás das lentes e registrarem imagens a partir da perspectiva deles

Por Camila Nobrega, do Globo

Logo de início, a câmera caminha por dentro da mata junto com um ribeirinho, que mostra o que a natureza oferece às comunidades que vivem na Amazônia. Uma imensidão aparentemente inesgotável de espécimes de cipó-titica para fazer vassoura e de palha de urucuri para servir de cobertura principal das moradias nas redondezas.

Num primeiro momento, o documentário "No meio do rio, por entre as árvores", de Jorge Bodansky, parece dar contorno ao que se ouve do senso comum sobre as populações ribeirinhas: eles exploram a natureza, como se ela fosse infinita. Mas, aos poucos, o filme desconstrói esse estereótipo, mostrando lideranças articuladas, e pessoas simples, mas que têm bastante consciência da necessidade de preservação da floresta. Afinal, elas dependem dela.

O documentário é resultado de oficinas realizadas pelo projeto da TV Navegar que, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável, incentiva os moradores a passarem para trás das lentes e registrarem imagens a partir da perspectiva deles. Os 70 minutos de duração de "No meio do Rio, entre as árvores" são fruto de uma edição feita por Bodansky, a partir de uma série de dez mini documentários produzidos no decorrer do projeto. Exibido no festival de documentários É tudo verdade, no mês passado, o filme chamou atenção de muita gente e agora será exibido em mostras de cinema brasileiro em Nova York e em Vancouver.

Mas, segundo Bodansky, ainda falta apoio por aqui, para que ele chegue aos cinemas: - Não temos nada fechado, mas estamos lutando, porque o filme traz um olhar de populações que nunca são ouvidas.

Levando em conta a pertinência do tema em um momento em que o mundo inteiro está de olho na Amazônia, não faltariam motivos para que o filme entrasse em circuito. Trata-se de comunidades que, diante das as necessidades ambientais impostas, têm muita vivência para falar e ensinar. Mas, a julgar pela dificuldade de exibi-lo nas telonas, parece que não há muito interesse em ouvi-las.

Desde os anos 1970, o cineasta documenta interesses relativos à Amazônia. De lá para cá, ele mostrou o caos ecológico com a chegada da rodovia Transamazônica, no documentário "Iracema - uma transa amazônica", de 1976; driblou a segurança do Congresso Nacional para investigar a devastação da Amazônia (Jari, 1978) e filmou o senador amazonense Evandro Carreira em "Terceiro Milênio", de 1980. Mas, em quatro décadas, ele lembra, o olhar das autoridades ainda não chegou às comunidades amazônicas, como faz o filme: - Subestima-se o conhecimento dessas comunidades.

Eles não gostam de receber legislações prontas, querem participar. Nesse trabalho da TV Navegar, damos a oportunidade de eles se interpretarem, e sentirem orgulho de si próprios. As lideranças, nas quatro comunidades que visitamos, são muito articuladas.

No primeiro depoimento do filme, um integrante da comunidade Ayucá, Roberto Mourão, traz o tom da consciência da população.

Ele aparece na sequência de uma cena em que árvores estão sendo cortadas da floresta e fala sobre o uso da terra pelos ribeirinhos: - Cada um tirava a madeira que queria, mas estragamos grandes áreas. Hoje, aprendemos a usar o plano de manejo. Quando as árvores acabavam, quem mais saía perdendo éramos nós mesmos.

No entanto, um outro líder local, Miguel Moreira, entra em seguida com uma crítica ao plano de manejo: - Arranjaram tanta coisa para a gente pagar, que não tem mais condição. As regras são feitas lá fora e trazidas para cá.

Não pode, tem que discutir aqui - reclama Mourão, mas continua: - Eu concordo que tirar uma árvore ou um peixe pequeno da natureza é um crime. Se tirar um peixe filhote, em vez de dar para 20 almoçarem, vai dar para dois e não vai reproduzir. Com a árvore é a mesma coisa.

A questão é que para nós a fiscalização é acirrada e para quem tem dinheiro não há nenhuma. Desde agentes ambientais nas comunidades a donas de casa, os depoimentos do filme deixam a lição de que as populações ribeirinhas precisam falar e estão muito conscientes das mudanças que precisam ser feitas na floresta. O que falta, porém, é vontade de ouvi-las.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Seminário “A Política do Clima no Brasil”

O Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, Deputado Sarney Filho (PV-MA), Coordenador do Observatório do Clima, André Ferretti, Coordenador Grupo de Trabalho de Clima da Frente Parlamentar Ambientalista Deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e a Coordenadora Adjunta do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, Rachel Biderman, têm o prazer de convidar para o Seminário “A Política do Clima no Brasil”, com o objetivo de discutir os principais desafios para a implementação da Política e do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Data: 05 de maio de 2010

Horário: 9h00 – 12h00
Local: Interlegis (Auditório do Senado)
Endereço: Secretaria Especial do Interlegis
Av. N2 – Anexo "E" do Senado Federal
Brasília DF – CEP: 70165-900

Programa
9h00-9h45: Mesa de Abertura
Deputado Sarney Filho, Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista
Deputado Rodrigo Rocha Loures, Coordenador Grupo de Trabalho de Clima da Frente Parlamentar Ambientalista
Deputado Mendes Thame, Relator do Projeto de Mudanças Climáticas
André Ferretti, Coordenador do Observatório do Clima
Rachel Biderman, Coordenadora Adjunta do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas

9h45-10h15: Apresentação de Análise do Estado da Implementação da Politica e Plano Nacionais de Mudanças Climáticas do Brasil
Mediador: Representante Observatório do Clima
Délcio Rodrigues, a convite do Observatório do Clima
Fabio Feldmann, Ex-Secretário do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade

10h15-10h30: Perguntas do Público

10h30-10h45: Coffee Break

10h45-11h30: Apresentação de Órgãos de Governo acerca do estado da Implementação da Política e do Plano Nacional de Mudanças Climáticas
Mediador: Representante Observatório do Clima
- Representante Comissão Interministerial do Clima
- Representante do Ministério Casa Civil
- Representante Ministério da Ciência e Tecnologia
- Representante Ministério do Meio Ambiente
- Maurício Tolmasquim, Presidente da Empresa de Pesquisa Energética, do Ministério de Minas e Energia
- Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, Representante do Ministério das Relações Exteriores

11h30-12h00: Debate aberto ao público

Contexto
O Observatório do Clima é uma rede brasileira de articulação sobre o tema das mudanças climáticas globais e foi estabelecida em 23 de março de 2002. Neste encontro, o Observatório do Clima entregará aos congressistas a contribuição de vários especialistas e organizações da sociedade para o processo de implementação da Política e do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

O programa do evento e outras informações estão disponíveis no site do Observatório do Clima: http://www.oc.org.br/. Contamos com a sua presença e participação.

Fonte: Frente Parlamentar Ambientalista e Observatório do Clima

Especialistas comentam desastres naturais

Do Repórter Brasil on line
Nos últimos 50 anos, o número de desastres naturais triplicou; Segundo especialistas, alguns fatores são naturais, mas influência do homem sobre o meio-ambiente pode ser decisiva.

Comissão quer ouvir pré-candidatos à Presidência sobre Código Florestal

Por Priscilla Mazenotti, repórter da Agência Brasil

A comissão especial criada para analisar o Código Florestal quer ouvir os pré-candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Na quarta-feira (5), será votado requerimento do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) para que os três compareçam à comissão.

O projeto revoga o antigo Código Florestal, de 1965, e trata de áreas de preservação permanente, reserva legal e exploração florestal. A comissão especial que analisa o texto já ouviu mais de 60 especialistas no assunto em 19 estados. Depois dessa última etapa de audiências públicas, o colegiado deverá estabelecer uma data para apresentação do relatório final

O relator, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), alega que o principal impasse no projeto é a busca pela conciliação entre os interesses dos ruralistas e os dos ambientalistas. Os grupos de preservação ambiental acusam o projeto de prejudicar o meio ambiente, ao não estabelecer critérios rígidos para as áreas de Proteção Permanente (APPs). Os ruralistas entendem que não se pode acabar, por exemplo, com práticas tradicionais como o plantio de arroz em várzea ou a fermentação da mandioca na água pelos índios sob o argumento de preservação das APPs.

“Tem de analisar onde a APP é imprescindível no caso de áreas consolidadas. Tem de ver caso a caso”, disse.

Trash vortex por Mette Menting

Uma pequena animação sobre a poluição causada pelo plástico no Oceano Pacífico. Você seguirá um pequeno pato de borracha em sua jornada através do imenso oceano cheio de pedaços de plástico.
O vídeo mostraas coisas horríveis que os plásticos jogados no oceano podem fazer.

Oil spill is BP's wake-up call

As more oil drifts towards the Mississippi delta, we must hope that BP questions its future dependence on fossil fuels

John Sauven, The Guardian

Soon after taking over in 2007, BP's newly appointed chief executive told an audience of business students at Stanford University that he thought too many people at the company were "trying to save the world". Tony Hayward's comments were intended to set the tone for his tenure at the helm of Britain's third largest company, but those words have returned to haunt him this week as BP struggles to contain one of the darkest chapters in its history.

His speech went down well. Hayward's focus on core values – on oil and gas as the only credible source of long-term profit – was a welcome relief to industry observers. His predecessor had made worrying statements about BP becoming an "energy company", able to exploit the anticipated growth in clean technology to deliver a business model suited to a carbon-constrained world. An attractive green logo had been unveiled, the words "Beyond petroleum" inserted elegantly beneath.

Fast forward to 2010, and BP's alternative energy division has been left to wither on the vine. The solar business is a distant memory and this year the company has allocated less than a billion dollars to its entire low carbon portfolio, now mainly comprised of biofuels. In contrast, the company is planning to spend 20 times this amount extracting oil and gas from increasingly unconventional sources including the tar sands of Canada.

The success of this strategy relies on acquiescence by political leaders in the countries in which BP operates. Under George Bush the need for lobbying muscle was minimal, but since the arrival of a new president in the White House, BP has poured millions into Washington, mainly through third-party lobby groups. Organisations such as the American Petroleum Institute, funded in part by BP, have done the company's dirty work for them. Supposedly spontaneous citizen demonstrations against climate legislation have sprung up around the US, before journalists revealed they were actually populated by employees of the oil companies themselves. The climate bill that had, until recently, a sliver of Republican support paid a heavy price for this cross-party endorsement in terms of funding for a series of environmentally dubious projects. The most controversial concession now looks almost certain to be reconsidered – the opening up of America's coastal waters to offshore drilling.

As officials in Louisiana begin to face the reality of the spill that has now reached their fragile coastline, many will be asking if BP did everything in its power to prevent this kind of accident. Reports this week suggest that last year a senior BP executive lobbied against mandatory safety codes for offshore drilling, arguing that the regulation would be too onerous and would slow down the construction of new rigs. Industry pressure had the desired effect, but it will be up to accident investigators to decide if a code could have helped avoid the initial explosion last week.

What BP will never admit, among their glossy corporate brochures and extensive environmental assessments, is that its entire business model is predicated on an ever increasing demand for oil, decades into the future. These growth predictions rely on a world in which there is no collective action to tackle global emissions, no concerted effort to transfer clean technology to the developing world, and almost no chance of maintaining anything like a stable climate.

As more oil drifts towards the critical wetlands of the Mississippi delta, we must hope that the more thoughtful members of BP's board will now feel obliged to question the wisdom of a strategy that is, at its core, unchanged since the opening decades of the 20th century.

Mostra revela universo que inspirou Darwin a criar a teoria da seleção natural

Por Haendel Gomes, da Fiocruz

O Ano Internacional da Biodiversidade – lançado oficialmente em janeiro pela Organização das Nações Unidas em Berlim – marca a comemoração especial da data pelo Museu da Vida da Fiocruz, com a exposição Evolução e natureza tropical. O objetivo é mostrar como os trópicos inspiraram os cientistas na formulação da teoria da evolução por seleção natural, a partir da biodiversidade brasileira, uma das mais ricas do planeta. A inauguração ocorre em 4 de maio, na sala de exposições temporárias do Museu, um espaço de integração entre ciência, cultura e sociedade coordenado pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e permanecerá em cartaz até 31 de julho.

Entre as atrações estarão uma miniatura da embarcação que trouxe o naturalista britânico Charles Darwin aos trópicos e a réplica de uma tartaruga – feita em resina - das Ilhas Galápagos, medindo 1,5m. Importantes obras, como The origin of the species by means of natural selection, de Darwin; Travels on the Amazon, de Alfred Wallace; e Voyage au Bresil, do zoólogo suíço Louis Agassiz, amigo do imperador Dom Pedro 2º, e que também esteve no país, fazem parte da mostra. Outro importante personagem é o alemão Fritz Muller, cientista que morou em Blumenau (SC) a partir de meados do século 19 e apoiou Darwin e sua obra. O público de todas as faixas etárias vai poder participar de atividades lúdicas, entre as quais um bingo com a biodiversidade vista por Darwin em terra brasileira e um jogo com os tentilhões, pássaros encontrados pelo naturalista nas Galápagos.

Um dos aspectos importantes que marcam Evolução e natureza tropical é que Wallace e Darwin construíram suas teorias da evolução por seleção natural de modo independente, por meio de intensos estudos em outras regiões do mundo, embora tenham visitado o Brasil no século 19. Ressalte-se que, enquanto Darwin passou quatro meses no Rio de Janeiro, tendo morado em Botafogo e visitado a região norte fluminense, bem como a Ilha de Fernando de Noronha e Salvador, Wallace mapeou o Rio Negro, no Amazonas, contribuindo de maneira significativa para a hipótese da seleção natural.

Na sala de exposição, distribuídos em seus 340m² de área, serão reunidos exemplares de mamíferos (preguiça, morcego), fósseis e peixes (fluminenses e amazônicos); frutos, sementes de palmeiras; instrumentos científicos – microscópio, barômetro, cronômetro, sextante, inclinômetro, semelhantes aos usados pelos naturalistas; uma maquete do HMS Beagle (navio que trouxe Darwin); borboletas para representar o mimetismo mulleriano e visualização por intermédio de microscópio de crustáceos da Ilha de Santa Catarina estudados por Fritz Muller; rochas do Rio de Janeiro; modelos em resina de animais das Galápagos – iguana, uma tartaruga com mais de 1,5m de comprimento e pássaros marinhos – e ferramentas usadas para tortura de escravos, além de instrumentos científicos do século 19, animais taxidermizados (empalhados). Em sua passagem pelo país, Darwin ficou chocado com as condições dos escravos. A réplica do HMS Beagle que fará parte da mostra tem 70cm de comprimento, 25cm de largura e 50cm de altura. A ideia é levar a outras três capitais essa exposição, cuja organização tem patrocínio da Roche Brasil.



Serviço

Evolução e natureza tropical

Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30. Sábados, das 10h às 16h. Entrada gratuita.

Museu da Vida: Avenida Brasil 4.365 - Manguinhos

Semana do Pau-brasil

Prefeituras Municipais de Itapeva - Guapiara - Nova Campina - Buri - Itapetininga - Capão Bonito - Taquarivai Instituto Planeta Terra e Sabesp


Centro de Educação Ambiental Avelino Peixe Filho - Sala Verde


Programação da Semana de Comemoração do “Semana Nacional do Pau-brasil” – 2010

No dia 03 de maio comemora-se o dia do Pau-brasil, a iniciativa do Instituto Planeta Terra com apoio da Sabesp, foi de estender as comemorações para as cidades de Itapeva, Itapetininga, Buri, Nova Campina, Taquarivai e Guapiara, por uma semana, nos dias 03, 04, 05, 06 e 07 de maio de 2010. A finalidade foi despertar a consciência na população da região, sobre maneiras de colaborar na preservação do meio ambiente através de simples medidas cotidianas.

PAU-BRASIL - O pau-brasil (nome popular da espécie caesalpinia echinata), que simboliza e dá nome ao País. Essa árvore, que alcança dentre dez e quinze metros de altura, era predominante na Mata Atlântica e podia ser encontrada por quase toda a costa brasileira. Hoje, se encontra na lista de espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável, devido à exploração indiscriminada e ao desmatamento da reserva nativa.

O evento terá inicio no dia 3 as 10h00min, na PRAÇA ANCHIETA com o plantio de uma muda de Pau-brasil, pelas autoridades de Itapeva: Prefeito, vice-prefeito, vereadores, secretários e alunos e professores da E.M. Dom Silvio Maria Dario e E.M. Cel. Acácio Piedade.

No dia 4 às 15h00min, o evento será realizado no CENTRO DE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ARTESANAIS na cidade de Guapiara com a participação das autoridades da cidade e representantes das comunidades estudantis da cidade.

No dia 5, às 9h30min, o evento será realizado na Escola SIMPLICIANO CAMPOLIM DE ALMEIDA na cidade de Nova Campina com a participação das autoridades da cidade e representantes das comunidades estudantis da cidade.

No dia 6 as 10h00min, o evento será realizado no na área verde do FÓRUM na cidade de Buri com a participação das autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário da cidade e representantes das comunidades estudantis da cidade.

No dia 6, às 15h00min, o evento será realizado na Escola SELMA NELI PRANCHES DE OLIVEIRA na cidade de Itapetininga com a participação das autoridades da cidade e representantes das comunidades estudantis da cidade.

No dia 7, às 10h00min, o evento será realizado na Escola Municipal MARIA DA CONCEIÇÃO LUCAS MIELDAZIS, na cidade de Capão Bonito com a participação das autoridades da cidade e representantes das comunidades estudantis da cidade.

No dia 7, às 14h00min, o evento será realizado na ESCOLA MARISTELA, ao lado da prefeitura na cidade de Taquarivai com a participação das autoridades da cidade e representantes das comunidades estudantis da cidade.

São Carlos tem nova agência ambiental

Da Agência FAPESP

O município de São Carlos (SP) acaba de inaugurar sua nova Agência Ambiental Unificada. Com a unidade da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a cidade passa a ter um local único para os pedidos de licenciamento ambiental.

Segundo a Cetesb, o objetivo é consolidar o modelo criado pela Lei Estadual 13.542, de 2009, que reestruturou a companhia e lhe conferiu novas atribuições no processo de licenciamento ambiental, ao incorporar as atividades exercidas pelos antigos Departamentos Estadual de Proteção de Recursos Naturais, de Uso do Solo Metropolitano e de Avaliação de Impacto Ambiental.

A inauguração faz parte das ações do projeto ambiental estratégico de licenciamento unificado da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A nova agência, que contará com oito funcionários, será comandada pela arquiteta urbanista Wilma Barbieri e atenderá, além de São Carlos, os municípios de Ribeirão Bonito, Ibaté, Dourado, Torrinha, Brotas e Itirapina.

A Agência Ambiental de São Carlos está localizada na Al. das Azaléias, 700, no bairro Cidade Jardim, em São Carlos.

Mais informações: http://www.cetesb.sp.gov.br/

Animal sintetiza caroteno

Cientistas descobrem inseto capaz de sintetizar seus pigmentos orgânicos. Até então se achava que apenas plantas e microrganismos tivessem essa capacidade

Da Agência FAPESP


Carotenos são pigmentos orgânicos encontrados em plantas e microrganismos como algas e fungos. São essenciais para a vida e nenhum animal pode sintetizá-los, por isso devem ser ingeridos na dieta. É o que diziam as fontes de referência – até agora.

Dois pesquisadores da Universidade do Arizona descobriram que o pulgão-de-ervilha (Acyrthosiphon pisum) é capaz de produzir seu próprio caroteno. A descoberta está descrita na edição atual da revista Science.

Segundo eles, os afídios (insetos pequenos que se alimentam da seiva das plantas) aparentemente adquiriram tal habilidade por causa de uma rara transferência genética com fungos, há muito tempo em sua história evolutiva.

Os outros animais precisam ingerir carotenoides (moléculas relacionadas ao caroteno), que são vitais para uma série de funções do organismo (importantes para a visão e os ossos, por exemplo), bem como para a pigmentação. O beta-caroteno, pigmento que faz com que as cenouras sejam laranja, é o componente básico da vitamina A.

Nancy Moran e Tyler Jarvik decidiram investigar por que o pulgão-de-ervilha tem coloração vermelha ou verde, sendo que o primeiro tipo é devorado por joaninhas, e o segundo, por vespas. Para o estudo, os cientistas vasculharam o genoma dos afídios, sequenciado recentemente.

A surpresa foi descobrir que o próprio genoma contém múltiplas enzimas para a produção de carotenoides e que são esses compostos biossintéticos os responsáveis pela diferença na cor do inseto e não dieta ou predação por inimigos naturais.

Até hoje não se tinha notícia de animais capazes de produzir esses importantes antioxidantes, que os cientistas estimavam derivar apenas de alimentos ingeridos.

“Talvez esse seja apenas um caso raro e extraordinário. Mas em estudos genômicos um caso inicial geralmente se mostra como apenas um exemplo de algo muito maior”, disse Nancy.

O artigo Lateral Transfer of Genes from Fungi Underlies Carotenoid Production in Aphids (DOI: 10.1126/science.1187113), de Nancy Moran e Tyler Jarvik, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org/.

Comissão debate preparativos para conferência sobre biodiversidade

Da Agência Câmara
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realizará audiência pública para obter informações sobre os preparativos do Brasil para a 10ª Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas (COP), que acontecerá em outubro em Nagoya, no Japão. Serão convidados representantes dos Ministérios de Relações Exteriores e do Meio Ambiente, além do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Rômulo Fernandes.

A COP acontece a cada dois anos e tem o objetivo de detalhar o conteúdo da Convenção sobre Diversidade Biológica, assinada em 1992. O documento estabelece princípios e regras gerais e necessita, para sua implementação, de detalhamentos a serem estabelecidos na COP ou em legislações internas dos países.

De acordo com o deputado Fernando Marroni (PT-RS), que sugeriu a audiência, a convenção aliou a conservação da biodiversidade ao uso sustentável e à partilha dos benefícios originados pela exploração dos recursos biológicos. Além disso, previu mecanismos para subsidiar a conservação da biodiversidade em países em desenvolvimento.

"A COP terá grande importância, pois serão tomadas importantes decisões que precisarão ser adotadas pelo Brasil, como a adoção de um regime internacional de acesso ao patrimônio genético", disse o deputado.

A data para a realização da audiência ainda será definida.

Relatório aponta problemas socioambientais causados pela sojicultura

Por Tatiana Félix, da Adital

O relatório "Os impactos da soja na safra 2009/2010" realizado pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da ONG Repórter Brasil, divulgado nesta quarta-feira (28), mostrou que, além do estado do Mato Grosso continuar apresentando problemas ambientais e trabalhistas devido à atividade produtiva da soja, a região Oeste da Bahia, também tem despontado como território de expansão da
sojicultura. O relatório revela também a relação das usinas de biodiesel com a cadeia produtiva do grão.

O coordenador do CMA, Marcel Gomes, disse que este já é o terceiro relatório que tem por objetivo monitorar os impactos do cultivo da soja no meio-ambiente e nas relações trabalhistas. Dezenas de fazendas
que cultivam o grão já foram autuadas por crime ambiental, caracterizado pelo desmatamento e impedimento de regeneração de vegetação nativa, e por trabalho escravo.

O estado do Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, deve ser responsável por 18,7 milhões de toneladas de soja na safra de 2009/10, o equivalente à 28% da produção nacional. "A soja em grão é como se fosse dinheiro em caixa", disse ele, referindo-se a um dito popular. Talvez seja por isso, que a atividade
esteja em expansão na Bahia, já que a região do Cerrado é tida como propícia para a expansão do agronegócio.

Segundo ele, como a Moratória da Soja monitora apenas o desmatamento na região amazônica, o bioma Cerrado fica livre para a expansão da sojicultura. A Moratória da Soja é um pacto firmado desde 2006 entre a Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), ONGs ambientalistas e o Ministério do Meio Ambiente, para rastrear a produção da soja no bioma amazônico.

Mas, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, dos dez municípios que mais plantam soja na Bahia, seis foram campeões em desmatamento do cerrado entre 2002 e 2008: Formosa do Rio Preto, São
Desidério, Correntina, Jaborandi, Barreiras, Riachão das Neves. E o desmatamento nesta região é que tem preocupado os ambientalistas.

De acordo com o estudo, a estimativa é que os problemas causados pelo cultivo da soja devem se tornar ainda mais complexos, devido à expansão da atividade e ao aumento da produção do biodiesel nacional,
já que 80% de sua composição vem da oleaginosa.

Embora o Selo Combustível Social determine o cumprimento de regras nas relações entre usinas e agricultores, ele não garante que a produção da soja, resultado do trabalho escravo ou de impactos ambientais, fique fora da composição do biodiesel. Os problemas ambientais não têm interferido nos acordos de compra de soja para biodiesel.

"Com estes relatórios conseguimos fazer com que o setor da soja discuta os problemas causados pelo cultivo do grão, mas o problema é que o avanço para por aí, não tem avançado na questão da
sustentabilidade", disse. "A gente procura apontar muito isso, a permanência dos problemas", finalizou.

Para ter acesso ao relatório acesse o site:


Fonte: Envolverde/Adital